Um tal Thiago

Existe (☠) um tal Thiago que estudou comigo há uns 15 anos, do qual nunca gostei e, cada vez mais, me dou razão quanto a isso.

Entre inúmeros palpites que via ele destribuindo em posts de amigos, sempre de forma prolixa/enfadonha/prepotente, um me incomodou a ponto de eu preferir ignorar a existência dele para o resto da minha. E, ao mesmo tempo, motiva este post (de adeus a ele).

Quando a Índia proibiu passarinhos presos em gaiolas, ele vibrou pela enormidade espiritual da Índia. Os orientais, esses evoluídos! Eu, por minha vez, mesmo acreditando que lugar de passarinho não é e nunca foi em gaiolas, fiquei pensando em estupro. Pessoas tão evoluídas espiritualmente, tão a frente de nós, reles brasileiros (sim, teve essa comparação no comentário dele), que nem prendem passarinhos em gaiolas. Mas soltam seus passarinhos metafóricos pelas ruas e violam mulheres. Mulheres, essas, que serão culpadas por terem sido estupradas.

Daí, essa semana, ele disse que detesta o feminismo (“mais do que Roberto Carlos e calor. Juntos.”) e que não precisa dele para achar “aviltante” os adesivos de Dilma nos tanques de gasolina; ele se baseia, para isso, em seus “valores antiquados”. Ele também alega que os adesivos nada tem a ver com “cultura de estupro”. É somente falta de respeito básica de brasileiro (falou o lorde inglês).

Enquanto isso, a cada 25 minutos, uma mulher é atacada pela cultura de estupro da Índia espiritualmente evoluída. Outras tantas no restante do mundo. Feminismo? Eu não preciso dele para achar isso aviltante. Mas precisamos dele para, um dia, não achar mais isso acontecendo por aí.

Eu não vivo por valores antiquados. Muitas mulheres têm morrido por causa deles.

Hate Dove

Meu fisioterapeuta me perguntou se sou feminista. “Eu seria o quê? Machista?” Ele disse: “pode ser neutra”. “Não, não posso ser neutra num mundo em que Dove existe”.

Odeio Dove, de coração. Odeio enquanto mulher, consumidora, “publicitária” e ser humano. Odeio a manipulação que Dove faz. A ideia errada que adoram propagar de que as mulheres se odeiam e têm baixa autoestima. E que Dove é a salvação, porque a marca nos entende e nos ajuda a nos enxergar. Balela.

A nova “campanha” Dove… :-* Coloque uma placa escrito “bonita” numa porta e “comum” na outra e faço igualzinho a dona que deu meia volta e não passou por nenhuma das duas. Se eu enxergar as placas, claro. Não aceito rótulos, minha gente! Não aceito poder ser somente bonita ou comum. Eu sou mais eu, poha! Sou mais eu desde 1984.

E, mais uma vez, que história é essa de que beleza é tudo? Beleza é joia, é bacana, é poder, mas é pra tão pouca gente. Dove podia parar com essa mania de nos definir pela estética. De ultra valorizar a estética e ficar apontando as coitadinhas que ficaram inseguras, porque a marca as fez pensar naquilo que não precisa. “Sou bonita?” Tanto faz, seja mais do que isso!

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Dove embute a ideia de que você se vê “pantufa”. Mas que pode chegar a “Havaianas”, se usar sabonete cremoso testado em animais. Só que a ideia aí do quadradinho é imbecil igual propaganda de Dove. Machista na mesma proporção.

Dê um basta nessa marca horrorosa, transmissora de ideias erradas, que diminuem mulheres. Pare de chorar assistindo essas campanhas de merda e comece a ver além. Tô te mostrando isso desde 2013. Passou da hora de acordar.

Sem Mimimi

Novalfen errou feio, errou rude na sua propaganda #semmimimi. Isso foi há duas semanas, gerou uma polêmica enorme e o caso se encerrou bonito: tiraram a propaganda do ar. Daí, achei bobagem dar pitacos aqui. Mas mudei de ideia. 

Um show de horror publicitário!
 
Pois então, chamar cólica de mimimi já seria, por si, uma burrice sem fim. Ainda mais se for pensar que ofenderam o público-alvo!
 
Dizer que não estavam falando de cólicas graves também não cola. Cólica leve é ruim também. Não é frescura. Não minimize a dor do outro! 
 
A agência sair em defesa da porcaria que fez dizendo que fomos nós que não entendemos é pracabá. No primeiro período de Publicidade, eu aprendi que a comunicação só se dá se o receptor entende a mensagem. Se não, houve ruído. Você viu a propaganda? É ruído puro! 
 
Por fim, Preta Gil lamentar a polêmica dizendo que não viu nada errado, que achou “a ideia superdivertida e pra cima. A campanha nasceu para discutir um assunto sério de uma forma leve, humorada, que tem tudo a ver com” ela é de uma can-sei-ra. Porque, não, a propaganda não quer discutir cólica, quer vender remédio. E se visse cólica como assunto sério, não chamaria de mimimi. 
 
Fora os homens babacas fazendo chacota das mulheres que protestaram. 
 
Propagandas de absorventes
 
E, depois disso tudo, eu fiquei pensando: quem são as pessoas que criam as propagandas voltada “aos problemas femininos”? Há mulheres nessas equipes? Elas atuam na criação, dão pitacos?!
 
É pra lá de inadequada a alegria de mulheres menstruadas, vestindo calça branca, em propagandas de absorventes que não deixam o sangue 100% líquido e azul em contato com você. Primeiro, porque menstruar costuma ser uma alegria apenas para aquela mulher que achou que poderia estar grávida e não queria o filho de jeito nenhum. Mesmo assim, só quando desce. Depois, vira o transtorno de sempre.
 
Segundo, usar absorvente externo é uma porcaria. Melhoraram depois das abas? Sim. Mas ninguém fica segura com um fraldão preso à calcinha. Às vezes, mesmo gigantescos e com abas, eles vazam. 
 
E sangue não é 100% líquido. Há partes sólidas que não são absorvidas. A mulher não fica sequinha nesses dias. Sem contar que a coisa toda tem cheiro de morrinha. É horrível.
 
A solução são os absorventes internos, tipo O.B. ou Tampax?! 
 
Hmmm. Vejamos… Você já viu alguma propaganda de absorvente interno alertar para o risco – mesmo que relativamente pequeno – de Síndrome do Choque Tóxico? Não, né?! Você até encontra isso na bula – quem lê? Eu. E os médicos falaram para eu parar de lê-las, para não desenvolver sintomas por influência – ou no site da Tampax, por exemplo, mas não vê nas propagandas. Daí, mocinha americana teve o choque, quase morreu, teve a perna amputada e está processando a fabricante do seu absorvente interno, porque não foi informada do risco que corria e começa-se a falar no assunto. Mas logo para-se.
 
A real preocupação de TODAS as empresas do ramo é mostrar que menstruação, cólica e TPM não passam de mimimi. Que incomodada ficava sua avó. Engole o choro, um Novalfem, enfia um absorvente pra dentro e vá trabalhar! Afinal, você não quer receber o mesmo salário que um homem?! Hein?!
 
Emendando cartelas
 
Se você não quer menstruar, joia, emende cartelas de anticoncepcional. Faz mal?! Bem, apesar de alguns ginecologistas afirmarem que não, se você pensar que trombose e embolia andam de mãos dadas, e cada vez mais frequentemente, com mulheres que usam anticoncepcional, emendando ou não, bem não deve fazer.
 
Carefree 21 dias
 
E para provar de vez que “fodam-se as mulheres, foda-se o planeta, a gente quer mais é lucrar com as inseguranças que a gente cria”, Carefree lança uma campanha que deu orgulho à agência de publicidade. Use Carefree durante 21 dias e seja linda, segura e feliz como a Thaila Ayala.
 
Como se usar absorvente TODOS OS DIAS fosse bom pra alguém, além da fabricante. Vamos entender de uma vez por todas que uma coisa é umidade natural, outra é corrimento e, no caso de corrimento, faz-se necessário buscar um bom ginecologista para se definir se há um problema em vez de usar um absorvente diário que pode piorar a situação?! Vamos?! E que não se faz necessário o uso de Carefree nunca!!! O absorvente diário protege a calcinha, não você! E, sinceramente, você é única, calcinhas, compram-se novas – com o dinheiro economizado em Carefree.
 
“Queremos incentivar esta experiência e garantir que mais mulheres sintam a sensação de limpeza e bem estar proporcionadas pelo uso diário de de Carefree”, explica uma mulher!!! Eu tomo banho todo dia – a média do brasileiro é 2 banhos por dia – e troco de calcinha a cada banho, pelo menos. Não me sinto suja, nem fedida, nem com mal estar. Já usando Carefree – e já usei, naqueles dias de expectativa do chico descer ou últimos dias, quando não há necessidade de um absorvente maior – fico com aquele cheiro “engraçado” de perfume e abafada.
 
Mas sem um pingo de pudor, a campanha quer fazer com que você ache problemas em ser úmida, que gaste uma grana com absorvente que não lhe trará benefício e, ainda, se acostume com isso: “A campanha está alinhada com pesquisas que revelam que o uso do produto por 21 dias ajuda a criar um hábito permanente.” A tal pesquisa, explica o artigo da agência, é uma teoria, defendida pelo médico Maxwell Maltz, segundo a qual 21 dias é o tempo que o cérebro precisa para interpretar um novo hábito como um padrão. O___O
 
Copinho
 
Conheci no Vista-se o tal do coletor. Não sabia da existência disso e fiquei muito curiosa. Uma coisa leva a outra e me convidaram para um grupo, fechado, de coletoras, no Facebook. Essas, sim, são mulheres empolgadas com menstruação, que ficam ansiosas pelo chico, que ficam felizes em fertilizar hortinha com seu sangue! Mulheres que se conhecem bem ou que estão em busca de autoconhecimento com a ajuda de outras mulheres. Mulheres que quebram o paradigma de que não somos amigas, unidas ou solidárias. Um grupo de puro amor.
 
Mulheres que se conhecem são mais felizes e plenas e não se deixam enganar por propagandas. Se você ainda é vítima de propaganda de absorventes e remedinhos pra cólica, conheça a Ginecologista Sincera, página no Facebook de duas ginecologistas que têm muito a dizer. Se você já tem as manhas, espalhe conhecimento, ajude outras pessoas a entenderem o universo feminino. Preconceito é ignorância e dar fim à ignorância dá fim ao preconceito.
 
P.S.: para quem não sabe, ainda, as partes vermelhinhas do texto são links. Clique neles. Vale a pena.

Descobrindo

Muita gente se sente em condições de julgar os outros. Eu cometia esse erro quase que o tempo todo, confesso. A coisa fica tão cotidiana que, de repente, escapole e lá está você (eu) fazendo de novo. Pois é. Prestemos atenção.

E assim como a gente julga sem nem perceber, há mulheres que sofrem abuso moral sem nem notar. Ou, se notam, logo decidem que é um exagero da parte delas, que é coisa de mulher, que não é nada. Porque, no fim das contas, fomos condicionadas a pensar assim. Se ofender é um enorme exagero e nada mais é do que uma prova de que mulher é tudo fora de controle.

Desta forma, quando o homem que você escolheu para ser seu par lhe diz para parar de cantar porque sua voz é feia, você para. E não canta mais, mesmo que cantar lhe dê prazer. Se diz que sua autoestima é tão alta que alguém deveria dar um jeito nela, você acha que é elogio. Se ele paulatinamente lhe chama de chata, é porque você é. Se culpa sua TPM (inexistente) por uma briga (que ele começou), é porque você está de TPM e, por isso, sensível demais. Se ele lhe chama de lésbica e de frígida porque ele não consegue lhe dar prazer, a culpa é sua, é óbvio! Se diz que você é a pior coisa que aconteceu na vida dele, você deve pedir desculpas e tentar melhorar. Ir embora?! Pra quê?! Pra onde? Por que?! Que exagero, mulher!

E você vai ficando, empurrando com a barriga. Olhando para as mulheres que apanham de seus pares e perguntando, toda cheia de empáfia: “não têm vergonha? Por que não vão embora?”. É claro que o “se fosse comigo” participa da conversa e, é claro, se fosse com você, tudo seria diferente. Mas será? Aliás, é?!

Não é. A diferença é que a mulher que é espancada não tem como negar o espancamento. Pode até se perceber como a culpada, mas sabe que algo está errado. A mulher que sofre gaslighting (palavrinha nova que aprendi aqui) quase sempre tem certeza de que não é nada, além de bobagem (feminina) dela. “Ele me ama” é a única certeza. “E está certo” é a grande probabilidade. E, assim, continua sendo dominada, sem saber o que fazer, simplesmente porque não percebe que algo tem que ser feito.

“Você merece aquilo que tolera”, disse uma amiga, dia desses. Dentro do contexto, fazia muito sentido, apesar da frase me incomodar. “Se você tolera, talvez mereça” me parece mais justo. Mais justo ainda é não tolerar merda nenhuma, por tempo nenhum, por motivo nenhum, senão, você vai acabar achando que merece o que tolera! Não se deixe tolerar, não se deixe merecer nenhuma forma de tortura e domínio, por favor.

Esteja atenta às coisas que você faz e às coisas que permite que façam com você.

Confesso que quando meu ex arranjou uma briga para justificar o nosso fim enquanto casal – supostamente já tendo uma mocinha 20 anos mais nova do que eu engatilhada (macaco gordo. Sacomé) –, eu não fiquei triste. Nem ofendida, humilhada nem nada sequer parecido (e ofensa e humilhação era o que esperavam de mim). Eu me senti aliviada. Assustada com o quanto e com as novas possibilidades, mas feliz.

Meu novo bom humor, meus novos pontos de vista, meu novo amor, meu novo desejo refletem quem eu sempre fui, mas não sabia ser. Não houve mudança, houve descoberta. Foram 40 anos de opressão e desqualificação, vindas de todo lado: sociedade, família, coleguinhas, “amigos”, marido. Eu deveria ser o que esperavam de mim? Sincerona com todo mundo, menos comigo?! Não mais…

Vá por mim: libertar-se até assusta, mas não dói. O que dói é não se pertencer.

Carregando esta cruz

Eu não tenho tido muita opinião, por isso, me furto a dar pitacos, como antigamente. A princípio, porque quero evitar a fadiga, mas também quero evitar falar bobagem e/ou sair por aí divulgando minha ignorância e preconceito. E tem também o fato de que eu realmente me recuso a entender uma porção de acontecimentos, seja sob qual ponto de vista for. Se matem nos comentários das redes sociais, desde que me incluam fora disso.

Mas… Fiquei entalada com o Padre Fábio de Melo. E com uma tal de Allyne, (ex) amiga ofendida de um amigo meu.

Esse meu amigo é umbandista e ativista pelos direitos dos gays. Eu sempre achei tanta coisa bobagem, mas, de repente, eu vi. Não é bobagem. É claro que não rola, legalmente falando, de ficar fazendo leis a torto e a direito para defender minorias. Leis não funcionam assim. E, convenhamos, Leis não funcionam por aqui e ponto.

Voltando ao Padre. Uma “amiga” curtiu a fala dele no Facebook. Facebook, enxerido que só, enfiou na minha fuça a curtida dela. E a frase, que não copiei e nem copiaria, terminava falando que a trans na cruz era “intolerância invertida”. Em defesa dele, se é que tem alguma, muita gente desatou a falar bobagem por aí e ele não fez mais do que repetir o senso comum do momento. Já que galerê resolveu se ofender até os ossos e o coletivo tem essa mania de emburrecer, ele só seguiu o fluxo. Mas…

joao-castellano-reuters_parada-gay-avenida-paulistaIntolerância invertida é tolerância. Inverso = antônimo. Ou seja, o padreco, na real, falou que a trans (linda trans, foto maravilhosa do João Castellano) na cruz é prova de tolerância LGBTQ (não sei o que é o Q. Nem o sabia, até domingo) com o cristianismo. Mas o que ele quis dizer é que tá certinho ser intolerante com LGBTQ, mas ser intolerante com o cristianismo é errado. Um pode, outro não pode.

É aquele papo de “racismo inverso” quando um negro odeia brancos. Porque brancos têm todo o direito de odiar não-brancos. De ter nojinho. De descriminar. De tratar mal. Mas os não-brancos, seja lá de “raça” se convencionou dividir nossa espécie, não podem odiar brancos. Por que? Sei lá. Deve ser porque Jesus era lourão de olhos azuis em pleno cafundó do Judas do oriente médio de pele morena.

Mas voltemos ao T da questão: onde se lê intolerância, ou o neologismo “cristofobia”, na trans na cruz? A coisa toda é uma metáfora, meu povo!! A trans não está dizendo que Cristo era viado – porque, se tivesse, cadê intolerância aí?! -, mas está mostrando o cotidiano dos “diferentes”. Em pleno 2015, não se pode ser diferente. Entendeu? Não é permitido sequer pensar por si só. Ouse e será crucificado!

11200615_10153422168447922_8058493011013981353_nE se falamos em tolerância, vou ignorar os espaços antes de pontuação. Mas morendo por dentro!

Já a tal de Allyne, muito ofendida e revoltada com a vida, o universo e tudo mais que seja “cristofóbico”, falou que quando desrespeitam gays ou umbandistas, meu amigo fica possesso e sai chutando (santa, não. Ele não chuta santa de jeito nenhum!) canela da geral. Mas que quando as gays desrespeitam o Cristianismo, ah, aí ele acha justificativas para tamanha agressão. Tão tá. Só que, desrespeitar gays e umbandistas tem sido através de tiro, porrada e bomba. Ou quase isso. Gays (meninas e meninos, viu?) são espancados, estuprados/currados (por machos que adoram arrombar o do outro para mostrar o quanto são machos e o quanto o outro é gay), assassinados com mais frequência do que se poderia acreditar. Umbandistas têm sido espancados, mortos, têm tido suas casas e terreiros depredados e queimados. E cristãos? Hmmm. Teve uma cruz com um gay “pregado”, na parada de São Paulo… Então, deixa eu aqui entender… Quando cristãos são “desrespeitados” é através de ofensas subjetivas aos ícones deles?! o__o

Eu, que já discursei contra o particularismo, sobre o contrassenso de se isolar em grupos contra o todo, em vez de ser parte do todo, do que temos em comum, que é sermos humanos… Bem, eu estava errada. Ou MUITO a frente do nosso tempo – o que é ser errada neste tempo. Hoje, sou super a favor de parada gay. Apoio os movimentos feministas – mesmo não concordando com as moças muitas e muitas vezes. Com o tom, com o discurso, com a ideologia – e raciais. Porque gays, mulheres e negros não são minorias. São apenas minorizados. Então, bora arrebentar o status quo porque já deu. Cansou.

 

Perdida

Ando de muito bom humor. Meio porque ficar de mau humor não ajuda nada, meio porque minha nova persona tem tanto apelo, que sou obrigada a manter a pose. E estou gostando disso.

Quando me atraso ou não vou à fisio, o pessoal reclama. Faço falta! Dizem que meu “astral” é tão bom, que motiva. Eu, como agente motivacional!! Quem diria?! Tudo bem que Verinha, minha colega lutadora, seria uma pessoa extremamente alegre com ou sem mim, lá. Mas gosto (e acredito) do carinho e reforço positivo. A ideia de que eu sou de bem com a vida me deixa de bem com a vida. Nem que seja por obrigação. E, em retorno, todo mundo me apóia e torce por mim! É lindo!

Mas se o humor está bom, a paciência está curta. Gente azeda, resmunguenta, reclamona e mal-humorada (tipo meu antigo eu) me cansa fácil. Me afasta. Não quero pegar ranço. Não quero me contaminar.

Só que nem tudo são flores. Apesar de alegrinha e evitando a fadiga, ando meio sem rumo. Trabalhar e manter vínculo com um ex que faz tudo do jeito dele (do jeito que eu acho errado e que está dando errado), me incomoda. Depender disso para pagar minhas contas me deixa tensa. Tão tensa, que ainda não tenho casa. Já ando, já poderia estar caçando meu rumo, mas não estou confiante de poder arcar com as despesas de mulher cheia de gastos e gatos. E, assim, gatos e coisas que me fazem MUITA falta continuam espalhados por aí.

Eu tinha planos de emancipação para este ano, no entanto, não consegui colocar nenhum para funcionar. Quebrei a perna e me perdi. Perdi o foco. Sei que já passou da hora de eu retomar as rédeas e seguir, mas é tão difícil! Vira um ciclo vicioso: não cuido dos meus projetos por falta de um espaço meu e não tenho um espaço meu porque não cuido dos meus projetos.

Acho que estou precisando de um agente motivacional – munido de bússola – na minha vida. 😉

o_o

E aí que aconteceu, enfim. E, primeiro, eu fiquei assustada. Depois, encantada. E já ia partir para o revezamento assustada-encantada quando resolvi que eu deveria contar pra alguém. Um só alguém. Escolhi, ponderei, esperei quase uma semana. Contei. E a resposta foi tipo:

“Poxa… Pelo menos você está viva. Se pega nisso. Bjo.”

Que porcaria de resposta é essa?! Resolvi contar pra mais uma pessoa. E ela disse algo como:

“Nossa… Se você souber o quê está fazendo, pode ser legal, né?! Mas não quero me meter nisso, tá?”

Tá. Mais uma?!

“Nossa Senhora!!! Que notícia incrível!!! Você sabe o que fazer?! Não?! Então, primeiro você…” E me passou o manual completo de ações e reações. Incrível.

Pois é. Decidi que isso vai se tornar meu pequeno segredinho. Já compartilhado com três pessoas, é claro. Mas, dependendo de mim, morre aí. Achei que era quase banal, mas, pelo visto, é intenso e incômodo. Pelo menos, agora, eu estou somente assustada!

9 gatos

É curioso… Algumas pessoas acreditam que eu tenho gatos porque sou infeliz (ou mal amada, frustrada, etc.), sendo que, de fato, eu era infeliz (e mal amada, frustrada, etc.) até ter um gato.

Minha felicidade não aumenta na medida em que eu acolho mais gatos. Minha gratidão e meu amor, sim.