Mesa branca

E, então, a relação morreu de anorexia, agonizante, sozinha, sem ninguém para lamentar…

Foi enterrada a 7 palmos. Não teve luto. Não mereceu missa de sétimo dia.

Meses depois, pessoa chega com uma pá para desenterrar os restos da coitada que, depois de morta, enterrada e esquecida, seria exumada.

Pessoa quis discutir a relação. Quis colocar os pingos nos is. Quis descobrir quem foi o culpado. Quis brincar de CSI com um sentimento que jazia inerte em solo infértil.

Mas não existia mais um corpo. Não existia mais nada. Nem um fantasma para se chamar numa mesa branca.

Acabou. Foi. Guarde as lembranças, se quiser. Siga em frente e não olhe para trás. Não há nada a se ver por aqui.

Primeiro encontro bom

Primeiro encontro bom termina na cama, no banco de trás do carro ou no coreto da praça do Hippodromo. Não termina com bitoquinha num ponto de táxi, com promessas de “te ligo”, “quero te ver de novo”.

Primeiro encontro bom entra em contato nos próximos dias, mesmo sem promessa. Tem vontade de te ver de novo e de novo e não fica na vontade, mesmo sem compromisso.

Primeiro encontro bom começa com troca de ideias e com o descobrimento um do outro. Ou simplesmente com muito amasso, abraço, beijo para, depois que se tem certeza de que quer chamá-lo, se perguntar o nome.

Primeiro encontro bom é inesquecível. 21 anos, 6 meses e 11 dias depois de ocorrido, você ainda se lembra e pensa no quanto foi bom. “Onde ele estará agora?”. E, às vezes, ele ainda está ali, do seu lado.

Primeiro encontro bom já elimina aquele carinha que te achou ousada demais, fácil demais, assustadora demais, porque ele é imbecil demais para aproveitar um primeiro encontro bom.

<3

Neste exato momento, estou pouco me importando com a vida em Marte ou com a volta da CPMF. Nem te ligo pra LDO ou pra Andressa Urach (#forçaUrach). Sou puro egoísmo e introspecção. Me preocupo comigo mesma, com minha volta à Belo Horizonte e com uma única pessoa além de mim. Maldita pessoa que não sai da minha cabeça! Já fez dos meus pensamentos seu habitat…

Teve um tempo, há nem tanto tempo, em que eu achava que jamais me sentiria assim novamente, num misto de alívio e nostalgia. É… Me ferrei. #forçaPi

Agradeço imenso

É impressionante a quantidade de pessoas que se sentem à vontade para se envolver no fim de relacionamento de duas pessoas. Talvez seja porque relacionamentos não pertencem somente a duas pessoas. Casamentos – e términos – são eventos sociais. Testemunham o começo e querem participar do fim. E, assim, fazem suas apostas de quem se dará melhor e escolhem lado e tomam as dores.

No meu caso, especificamente, eu sou a “vítima”. Foi ele quem terminou e é ele quem já tem namorada “sem nem mesmo respeitar o período de ‘luto'”. Então, sou eu quem tem recebido as mensagens de apoio, de “força” e de ofensas a ele.

Ele me perguntou se eu o tenho defendido. Não. Não é mais meu papel.

Não vou dizer que estou adorando as atenções, porque não estou, mas também não estou odiando. É invasivo, muitas vezes, é injusto, noutras, mas é interessante, antropologicamente falando.

O justo seria eu dizer que o amor já havia se acabado e havia somente uma tolerância branda entre nós. Assim como uma preguiça imensa e uma sensação de desespero da minha parte, pois havia uma empresa e inúmeros bichos nos prendendo um ao outro. Ainda há, mas não há mais prisão.

Se eu tivesse tido coragem, vontade, vergonha na cara, eu teria partido em 2007, quando a coisa se mostrou inviável. Em vez disso, empurrei com a barriga e chorei no cantinho, atos de extrema covardia e pobreza de espírito. Portanto, se sou “vítima”, sou por escolha própria. O que ele fez – mesmo que da pior forma -, foi me libertar. Agradeço imenso.

Quanto à namorada dele, parece que todo mundo a minha volta tem uma opinião e uma opinião somente. Eu não me sinto com vontade de julgá-la, cada um sabe de si.

Quanto a mim, estou tratando da minha própria vida e ter tanta opinião e julgamento mais atrapalham do que consolam. Estão me forçando a cumprir um papel que não me cabe, mas o tenho desempenhado, mesmo assim. Por isso, parafraseando Dani Calabresa, recomendo: “todas as pessoas perfeitas e santos canonizados: podem guardar as pedras”. Agradeço imenso.

Solteira aos 40

Eu estava meio em pânico em começar do zero aos 40. Somatizei tanto stress que achei que não chegaria ao 41. Mas vou chegar.

Apenas ontem me dei conta que não começo do zero. Começo dos 40. Com 5 gatos e, talvez, alguns surpresa. E, também ontem, entendi que 40 são os novos 20. Viva!

Recapitulando: este foi um péssimo ano para meu casamento. Não que os anos anteriores tenham sido bons, porque não foram, mas foram suportáveis. 2014 chegou dando chute do fígado. E, assim, acabou-se o que já não era doce… Desde sempre.

Não estou sendo mal agradecida, recalcada ou coisa do tipo, mesmo que pareça. Nunca foi bom. Itaúna nunca foi boa para mim. O isolamento nunca me fez bem, me deixou mais ácida e amarga do que o meu normal – meu normal é agridoce. Faltou respeito e amor desde o momento em que as caixas se acumularam na casa nova. Mas parecia tarde demais para voltar atrás. A vida teria sido boa se tivesse sido mais generosa conosco, mas não foi. 8 anos de provação foram demais para qualquer dois. Enfim, acabou.

Ainda não tenho para onde ir com 5 gatos, apesar da mobilização para me arranjarem um lar. Tenho amigas no Rio me chamando para ir pra lá, mas ainda quero dar uma chance à Belo Horizonte, cidade com a qual eu fui muito injusta, há 8 anos. Ela está mais caótica do que antes, mas ainda tem seu charme.

Tenho novas velhas amigas, meninas que conheço desde criança e que voltei a amar. Amor requer presença, aprendi. Também aprendi que tesão só requer um muso e eu tenho um muso. Ainda sou bonita, mais do que meu espelho costumava me mostrar, e beleza dá segurança. Portanto, estou segura, tenho amigos, tenho tesão. Estou ótima!! Falta pouco para eu estar 100%.

Às vezes, a gente fica adiando o inevitável, porque mudanças são assustadoras. São mesmo. Talvez o cérebro não goste delas, porque ele entra num processo de boicote terrível, mas acredite, isso é normal, passa e, principalmente, algumas mudanças são necessárias.

2015 vai ser um ano difícil, segundo todo mundo, mas estou apostando minhas fichas nele. Acho que o balanço será positivo. Torçam por mim!

Olívia Manfrotto

Pois é… Mais um gato…

Há umas semanas, vi na página da Spad, associação que se esforça para cuidar de cães e gatos em Divinópolis, um caso que me deixou muito mal. Entre gatinhos queimados de propósito por seres inomináveis e um lindinho que perdeu a pata para a bicheira, havia uma gatinha numa caixinha. Ela havia sido jogada, por um suposto usuário de drogas, na linha do trem. Teve a perna dilacerada. Para piorar a situação, foi constatado que ela estava amamentando.

A gatinha foi acolhida pela Jaqueline, que deu lar temporário e cuidou da recuperação dela. Os filhotes não foram encontrados e ela teve que superar essa perda e uma infecção, antes de enfrentar uma amputação.

Quando eu vi essa coisinha suja na caixinha, eu quis dar amor a ela. Tanta tristeza, tantos casos de gatos torturados, tanta crueldade e foi ela quem mais me tocou. Pedi para uma amiga que mora em Divinópolis para testá-la para FeLV/FIV e, se desse negativo, eu a queria para mim.

olivia-antes

Sábado, lá fomos nós até Divinópolis para buscá-la.

Para minha surpresa, ela é um redpoint, linda linda, miudinha, quase uma filhotinha, com os olhos mais azuis deste mundo. E, apesar do sofrimento que causaram a ela, é uma doçura. Supercarinhosa, adora humanos e não deu muito papo pros meus gatos loucos. Se saiu bem entre eles, curiosa, mas tranquila.

olivia olivia2 olivia3

O tal do membro fantasma a incomoda, ainda. De vez em quando, ela grita e tenta pegar a perna que não está mais ali. Não gosta que encostem no espaço que a perna deveria estar, não gosta de colo, não gosta de ser pega. Mas gosta de conforto e carinho, como qualquer gato normal.

olivia5 olivia6 olivia7

Ainda temos que levá-la ao veterinário para avaliar a saúde dela, ver quando poderemos castrar – ela não foi castrada por causa de toda a situação – e, assim que possível, daremos um bom banho.

Minha gatinha tripé, Olívia Manfrotto, chegou trazendo amor e alegria à casa, no Dia de São Francisco de Assis. Quero retribuir, pelo menos, em dobro. <3

Anal-ogia

Final do mês passado, cá estava eu, em meio a um mimimi sem fim. Mas como tudo que está ruim pode piorar, veio o meu mais recente mimimi com meu quase AVC. Daí, quando você acha que já chegou ao fundo do poço, quando você já sente a lama encostar no seu traseiro, vem mais uma bomba e descobre-se que o poço, de fato, não tem fim.

Contarei o ocorrido, usando uma analogia, para evitarmos mais um processo.

O cara canta a moça, paquera, conquista. Eles começam a namorar, firmam compromisso. As famílias se conhecem. Ele a pede em casamento, ela – mais por necessidade do que por amor – aceita. Começa a cuidar dos preparativos: vestido, festa, etc. A mãe do noivo exige tudo do bom e do melhor, muito além das posses da noiva. Ela, relutantemente, aceita mais uma vez.

Na véspera do casamento, ele pede: “quero anal”. Ela diz: “mas isso não faz parte do combinado. Não!” Ele responde: “se não fizer anal, eu não caso”. Ela não casa e fica com as dívidas contraídas.

Por “anal”, lê-se “trabalhar muito, rápido, bem e de graça”. Porque é bem assim na minha honrada profissão. Toda vez que alguém quer abusar de você, quer te f*der, usa dos seguintes argumentos, sempre nessa ordem: “se você não quer, há que, queira” ou “se você não quer, eu não te quero”, seguido de: “isso é falta de ética sua” e de: “falta profissionalismo a você”. Ou seja, uma agência agir sem ética e sem profissionalismo, para o leigo, é exatamente o contrário do que manda o código de ética da minha profissão: não trabalhe de graça nem por valor irrisório, pois isso ferra com o mercado!

Eu faço trabalho pro bono, ou seja, de graça, para quem EU escolho fazer, dentro das minhas possibilidades, desde que minhas possibilidades atendam ao cliente. Minhas clientes pro bono estão satisfeitas e felizes com meu trabalho. E eu vejo um retorno que me dá um prazer enorme! Ter um post compartilhado por mais de mil pessoas em uma hora e elogiado paga meu esforço, mas só porque é uma associação que faz um trabalho incrível e que eu acredito muito. A excelente aceitação mostra que, ao contrário do que alguns mal pagantes gostam de divulgar, eu sei o que estou fazendo e faço bem.

Sou profissional o suficiente para já ter feito trabalhos para empresas das quais eu não gosto nem acredito, porque fui contratada – e ainda e nem tão cedo estarei em posição de escolher demais. Um dó de mim – e ética o suficiente para fazer bem feito e sem usar de mentiras, falácias e subterfúgios.

Fica a dica para quem quer contratar ilustrador, designer, agência de publicidade ou qualquer outro profissional repleto de ética:

graficoEsse gráfico serve pra muita profissão!

Para contratar “sobrinho” ou micreiro, pode chorar preço e pagar só se gostar. Eles não têm ética nem são profissionais e dificilmente farão alguma coisa boa – sem plagiar.

Se quer um serviço bem feito, comece sabendo que comunicação é uma parceria entre cliente e profissional. É um trabalho de colaboração e se você quer levar vantagem ou se impor de alguma forma, pare agora mesmo! Não vai dar certo.

E antes de sair resmungando, caluniando e difamando por aí, lembre-se que isso dá processo e que respeito é uma via de mão dupla. Dê-se…

especialista e-se artista

Meu mini (quase) AVC

Li na Superinteressante que é cientificamente comprovado que expressar raiva aumenta a raiva. Que socar um saco e areia, gritar, xingar, etc., só pioram a situação. O melhor é contar até 10 (mil?) e deixar pra lá. Resolvi tentar.

Sexta, depois de receber um e-mail que me aborreceu ao extremo, pela desdém e absurda falta de respeito travestidos em gentileza, achei que era o momento ideal para testar a teoria.

Pois é… Cientistas deveria rever seus conceitos antes de sair por aí divulgando pesquisas, porque pode ser perigoso. Cada um é cada um e eu me conheço há 40 anos. Sei de mim. O teste não deu certo, claro. Além de me sentir mal fisicamente, eu tive pesadelos por dois dias até começar a xingar e deixar sair toda a raiva. Desopilar o fígado, como dizem. Aí, eu comecei a melhorar da nuca tensa, da dor de cabeça intensa, do formigamento no rosto e do desequilíbrio. Veias haviam se rompido numa das minhas mãos.

Desculpa, mundo, mas vou continuar jogando meus demônios para cima de você. Você os cria, eu os aliemento e os emancipo. Eles não vão habitar em mim.

E, pessoas, revejam seus conceitos. Cada vez mais entendo quem se descontrola e sai quebrando tudo. Há motivos. Pare de dá-los aos outros, por favor. Gentileza – a de verdade – gera gentileza. E abusos geram ódio. Ódio gera destruição. E pra quê?

Gastando dinheiro – ou investindo em cultura?

Adoro o Catarse. A plataforma de financiamento coletivo parece uma grande bolsa de apostas + liquidação. São, no máximo, 60 dias de prazo para fazer acontecer. A gente tem a oportunidade de fazer parte da História do projeto e, assim, torce, divulga e ainda paga um preço bem legal pelo produto + recompensas.

Eu sou apoiadora compulsiva de quadrinhos. Minha lista tem 14 apoios na área e todos concretizados. Uma ou duas decepções – livros que prometeram, mas não cumpriram -, mas, de modo geral, tenho estado satisfeita.

Estão em fase de apoio e recomendo:

Dois livrinhos: dois livros: Blue, uma coletânea de quadrinhos tragicômicos, e Dúvidas Cruéis de um Idiota, um livrinho recheado de dúvidas sobre o mundo. Muito divertidos, assim como o vídeo de apresentação do projeto, que foi quem me ganhou! Mas corra, porque está chegando ao fim!

Beladona: versão impressa de uma das minhas webseries favoritas.

Nada com coisa alguma: coletânea de tira do quadrinista José Aguiar.

O Homem da Capa Amarela: é sobre um justiceiro contra políticos corruptos. Parece bem legal. Na dúvida, clique aqui e baixe o primeiro capítulo.

Remendos: coletânea de tirinhas do site Sushi de Kriptonita. Ótimo site!

Quad 2: 4 histórias de 4 cartunistas.

Inconcebível: desculpe, Valter, mas seu vídeo dá sono, depõe contra. Mas… Fiquei curiosa com a história e terá meu apoio.

O Catarse tem muitas outras áreas de interesse, caso não curta quadrinhos. Tenho certeza que algum projeto merecerá seu apoio.

P.S.: para quem gosta de bichos, um projeto bem bacana no Catarse: Animal de Estimação Não é Brinquedo Não. É um livro voltado ao público infantil que ensina sobre o respeito aos animais.