Desapego

Se eu ajudo uma pessoa que, por exemplo, caiu na rua, eu não espero por um “obrigado(a)”. Eu espero é que a pessoa não tenha se machucado, mas se se machucou, que não seja grave, que esteja bem.

Se eu dou um presente, eu quero pouco: mostrar presença. Claro, quero que agrade. Mas só. Dei, tá dado. Não espero agradecimento eterno, uso, demonstração pública de que gostou. Não ameaço pegar de volta porque a pessoa não mostrou consideração que eu espero pelo meu gasto com ela.

Se eu faço um favor, eu espero que favoreça. Não quero que a pessoa me cobre pelo favor e, em contrapartida, não vou cobrar gratidão ou reconhecimento. Faço direito, faço no meu tempo, faço até obrigada, mas, depois de feito, foi-se.

Se eu dou uma ideia e a pessoa se sai brilhantemente com ela e cria algo lindo, bom e/ou útil a partir do ponto de partida que eu dei, eu não espero por crédito ou aplauso. Eu dei, não vendi, a ideia. Dei, não emprestei.

Se eu tenho um amigo que não vem me visitar num momento de infortúnio, que não está ao meu lado quando estou pra baixo, não me dá a mão quando eu mais preciso, ele não deixa de ser meu amigo. Ele só deixa de ser um amigo com o qual eu conto para esse tipo de coisa. E tudo bem. Nem todo mundo tem preparo para os maus momentos. Eu não tenho. Nunca sei o que dizer, quando abraçar, o que fazer. Vou cobrar que meus amigos sejam o que eu não sou?! E, mesmo que eu fosse, cobraria que eles sejam iguais a mim?!

O nome que eu dou a isso é “desapego”. Algumas pessoas diriam que é maturidade, mas eu sempre fui assim e nunca fui madura. Acredito que seja desapego, porque eu não me agarro aos meus feitos, presentes, ideias. Não fico na mesquinha expectativa de agradecimentos e paparicos. Ninguém fica em dívida ou em crédito comigo. Não espero que o mundo conspire a favor porque eu fiz o bem. Eu o faço sem esperar retorno pessoal.

E como parto do pressuposto de que as pessoas ajudam, dão coisas, fazem favor, são amigas porque querem e porque tudo isso é muito bom, não me sinto na OBRIGAÇÃO de retribuir. Mas retribuo, valorizo, reconheço, fico feliz e, algumas vezes, faço questão absoluta de deixar isso claro. Mas nunca, eu digo NUNCA, quando me cobram. Quem me exige reconhecimento/retribuição me perde.

ヾ(-_-;) (=^・ェ・^=)

Benjamin, Rubinho e Zacharia foram embora para seus novos lares, hoje. E eu, definitivamente, me sinto uma m*rda de pessoa. É como dar filhos para desconhecidos criarem. Posso tentar me convencer que fiz o melhor por eles, pelo bem deles, mas como eu vou ter certeza disso?

Eu peguei Cristo para tirá-lo do perigo. Eu fiz o meu melhor para protegê-lo e, mesmo assim, não foi o bastante. Se eu não tivesse me metido, talvez ele estivesse bem, vivo. Na verdade, eu não sei se ele está ou não, assim como nunca mais vou saber se Benjamin, Rubinho e Zacharia estarão bem ou não. Passaram a ser da conta de outras pessoas. Espero que boas pessoas.

Meu pai passou mal ao saber que os gatos foram embora. Ele já sabia que iriam, mas talvez tivesse esperança deu desistir. Eu tinha esperança de desistirem.

Eles se foram. Meu coração está apertado, meu nariz, entupido, meus olhos, inchados e meu estômago, revirado. Espero que, pra variar um pouco, eu tenha feito a coisa certa. E se eu tiver feito a coisa errada, que eu nunca fique sabendo…

Curtinhas

Desapegando.

Segunda-feira, depois de subir no telhado (num banco, desta vez) pra pegar um gato, não conseguir e acabar toda unhada e mordida, decidi doar meus netos. Não por causa de mordidas e unhadas, porque isso faz parte. Gatos são gatos. Mas pelo telhado. Não dou mais conta de viver com medo. Se não tenho solução pra minha vida, agora, preciso dar solução pras vidas deles, já que são minha responsabilidade.

Anunciei no Facebook. Inúmeras pessoas compartilharam. Pouquíssimas pessoas se interessaram. É a síndrome do gato adulto. Seis meses já é velho. Até o Zach, o gato mais lindo/doce/meigo/peludo de olhos azuis desta vida, não teve mais do que uma pretendente.

Gente, gato adulto é gato com personalidade definida. Você adota sabendo que não gosta de colo, que prefere água na pia, que não gosta de patê, que ama carinho na barriga. Mas, enfim, sábado entrego os adotados nas respectivas casas para adaptação. Coração mais humilhado do que uva passa.

Querido Doutor.

Meu relacionamento com Dr. Bonitão evoluiu de paciente/médico para cliente/designer. Tudo por conta da minha crítica ao receituário dele: coisa mais feia e sem sentido. Ele pediu umas sugestões (cliente típico) e eu falei que faria um novo. E assim como nas consultas, quando eu mostro o pé e a mão da pessoa chega fácil ao joelho, eu mostrei o receituário e ele já quis cartão! Não reclamo em nenhuma das duas situações. Primeiro, porque são boas mãos. Segundo, se fazer toda a papelaria dele me libertar da visão do receituário atual, tudo é vantagem.

Compras online fail.

Estou num relacionamento longo e ruim com uma loja online de vestidos vintage.

Eu queria um vestido “meio anos 50″ antes mesmo de quebrar a perna. Quebrei, fiquei de molho e meu primo, a pessoa mais “antiga” que eu conheço, me passou uns links de lojas retrô. Lá fui em busca do meu vestido sonhado. Entre duas, escolhi uma com mais opções lindas.

O prazo era de 8 dias para o envio, mais o tempo dos Correios. Isso, foi em abril. Chegou um mês e meio depois. E nem eram lindos. Um deles, o da minha tia, ficou enorme e pedi para trocar. Isso foi em maio. Até hoje, nada do vestido.

Tive problemas com uma loja de óculos retrô. Falta de educação do vendedor. E tive problemas com a Granado, porque meu CPF está cadastrado, lá, não sei como nem porquê, e só posso comprar por esse cadastro desconhecido. Faz duas semanas que espero não somente uma solução, mas um contato.

Acho que esse povinho vintage ainda não sabe utilizar internet. Mas poderia ter, pelo menos, o atendimento vintage. As pessoas eram atenciosas, antigamente.

Adote um Ronrom.

A Manu Cunhas desenha lindamente. Adoro o trabalho dela e fiquei felizona quando ela anunciou que estava tentando um projeto no Catarse. Todos os lindos desenhos da página Adote um Ronrom num livro lindo! Claro, apoiei! Ainda mais que 25% da arrecadação vai pra ONG.

O projeto já alcançou meta, mas ainda é possível apoiar até 26/07/2015, às 23h59m59s! Recomendo!

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:-)

Tenho andado ansiosa. Pode ser porque vou ser operada, de novo. Pode ser porque eu ainda não tenho casa. Pode ser porque a crise está aí. Pode ser por tudo isso junto e/ou por um monte de outras coisas. Só sei que faz tempo que não assisto a um filme sem pausar, pelo menos, umas 11 vezes. Isso, se chego ao fim.

Teve um tempo em que comprar me aliviava ansiedade. Era um tempo em que eu não tinha muita responsabilidade (tinha um gato só) e comprava sem dó. A natureza agradece minha mudança de rumos, o capitalismo lamenta e eu confesso que comprei, há uns dias, alguns supérfluos, só para matar saudades.

Almofada da linha Amo Bichos, da Gíria Presentes. Sim, eu não precisava dela, já que nem tenho onde colocar. Mas a Olívia ficou tão deslumbrante na almofada. Quem me culpa?!

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Tião, o neto favorito, quer uma, também! Já sua mãe, tímida que só, se escondeu dos flashes!

IMG_1055 IMG_1068Ainda na vibe “eu amo Olívia”, encomendei ela e Cristo em amigurumi (crochet/tricô) na Blackbird Amigurumi. Meodeosdoceu que coisa mais linda!! A Heloísa, com quem fiz contato, é uma doçura! Pediu foto dos homenageados e fez a Olívia sem o pé direito!! Amei! Aliás, teria como não amar?!

IMG_1085 IMG_1086Normalmente, quando se compra online só se tem contato com o vendedor em momento de estresse. Ou a compra não chega ou veio errado/com defeito. Nessas comprinhas, eu tive contato e foi bacana. Pessoas que atendem bem, com carinho e simpatia merecem meu (parco) dinheiro. Merecem sucesso.

Recomendo muitíssimo os presentes dessas duas lojas.

Guerreira

Na minha penúltima consulta com Dr. Bonitão, por absoluta falta do que falar, ele me chamou de “guerreira”. Pessoas têm feito isso em excesso… Eu já disse o quanto eu odeio isso? Não?! Eu odeio.

Não sou sobrevivente de guerra ou de câncer, não enfrento preconceito racial/social, não tenho sido estuprada, não fiz colostomia, não perdi um pedacinho sequer de mim. Eu só quebrei a poha do tornozelo! Eu não lutei por nada. Eu só esperei colar de volta (sentada, em casa de vó, sendo cuidada por ela).

E a colagem está em andamento. 90%, eu diria. E vou encarar a artroscopia e a retirada dos pinos malditos (só três, dos onze), no final de agosto/começo de setembro. E dá-lhe mais licença médica.

Tem sido um saco? Tem. Dói? Sim. Eu ando direitinho? Nhé. E dependo dos outros, yada yada yada, já resmunguei o suficiente sobre isso. É tudo chato, sim. Tenho tentado encarar com bom humor, sempre que deixam, mas me chamar de guerreira é desmerecer as guerreiras de fato que estão por aí. É, além disso, uma abertura para que eu me sinta mártir e me ache em direitos, por aqui. Não me acho, mas… Melhor não bobear…

Outra coisa que odeio é pessoas me dizendo “eu chutaria o gato que me fizesse isso” sempre que contam “meu caso”. O gato não me fez nada. A escada me fez, eu me fiz, mas o gato foi só gato. E, mesmo se tivesse feito, não se chuta gato. Nunca. Por motivo algum.

E, ó, não me arrependo nem por um segundo do meu acidente. Se Cristo tivesse ido embora sem que eu sequer tentasse fazê-lo ficar, eu jamais me perdoaria. Minha tentativa foi um fracasso retumbante e lá se vão 5 meses de recuperação, mas foi uma tentativa. Eu não desisti dele e estou tranquila quanto a isso.

“Por causa de um gato, Pat?”. É. Por minha causa e por causa de um gato, um gato que eu amo, um membro da minha família.

Vamos agradecer

Agradecer:
Mostrar gratidão:
1. remercear, regraciar, penhorar, gratular, gratificar, reconhecer.

Recompensar um gesto ou atitude:
2. remunerar, recompensar, retribuir, compensar.

Família. A definição da minha é: um monte de gente que é obrigada a se dar bem, mas não se dá.

Minha adorável tia começou um mimimi de que eu sou mal agradecida. Então, vou começar a sessão “eu agradeço”:

Primeiramente, agradeço a essa tia por não ter querido ser minha fiadora no apartamento que eu alugaria em dezembro. Já estava tudo combinado, mas houve uma mudança na lei e o fiador sairia perdendo até a casa, em caso de calote do fiado. Como, aparentemente, não confia em mim, ela descombinou e alegou que havia pedido, enfim, o apartamento da minha avó e que o locatário iria sair em 27 de dezembro. Eu disse que preferia não esperar até dia 27, que preferia pagar mais caro e ir embora de onde eu estava. Mas era pura frescura minha! Claro.

Passei um mês de m*rda em Itaúna, praticando bravamente o exercício da tolerância. Dia 23 de dezembro, antes que a Olívia parisse, catei algumas coisas, dois gatos, e fui pra casa da minha avó, para esperar o apartamento vagar. Vagou? Até hoje, não. Vai vagar? ¯\_(ツ)_/¯ Se depender dos envolvidos, nunca.

Portanto, agradeço à minha tia eu não ter casa até hoje e todas consequências disso. Obrigada. De coração. Quebrar o tornozelo, depender dos outros, não ter meu espaço, minhas coisas e quatro dos meus gatos comigo e nem emprego, tudo isso tem sido sensacional. Uma experiência e tanto! Preferia que fosse tudo ao contrário, mas, hei, é dia de agradecer!

Agradeço ao meu pai por não falar comigo há três meses. Me polpa de mais aborrecimentos. Agradeço a ele por ter tomado frente no cuidado dos gatos, quando quebrei o tornozelo, mesmo tendo feito tudo ao contrário do que eu recomendei. Os gatos estão obesos por excesso de patê; têm saído de casa, porque ele se recusou a colocar as telas que eu pedi (e pagaria por elas) e, qualquer dia, algum não volta mais; Cristo se foi, mas, hei, é dia de agradecer!

Agradeço a minha avó ter me deixado ficar na casa dela e por cuidar de mim, do jeito que ela dá conta, desde sempre.

Eu deveria agradecer a meus fisioterapeutas, meu médico, as pessoas queridas que torcem por mim, a meu primo, pelas caronas. E agradeço, reconheço, retribuo e/ou remunero sempre. Mas, sinceramente, eu preferia não dever nada a ninguém. Preferia não ter motivo pra isso, mas só porque sou mal agradecida.

Um tal Thiago

Existe (☠) um tal Thiago que estudou comigo há uns 15 anos, do qual nunca gostei e, cada vez mais, me dou razão quanto a isso.

Entre inúmeros palpites que via ele destribuindo em posts de amigos, sempre de forma prolixa/enfadonha/prepotente, um me incomodou a ponto de eu preferir ignorar a existência dele para o resto da minha. E, ao mesmo tempo, motiva este post (de adeus a ele).

Quando a Índia proibiu passarinhos presos em gaiolas, ele vibrou pela enormidade espiritual da Índia. Os orientais, esses evoluídos! Eu, por minha vez, mesmo acreditando que lugar de passarinho não é e nunca foi em gaiolas, fiquei pensando em estupro. Pessoas tão evoluídas espiritualmente, tão a frente de nós, reles brasileiros (sim, teve essa comparação no comentário dele), que nem prendem passarinhos em gaiolas. Mas soltam seus passarinhos metafóricos pelas ruas e violam mulheres. Mulheres, essas, que serão culpadas por terem sido estupradas.

Daí, essa semana, ele disse que detesta o feminismo (“mais do que Roberto Carlos e calor. Juntos.”) e que não precisa dele para achar “aviltante” os adesivos de Dilma nos tanques de gasolina; ele se baseia, para isso, em seus “valores antiquados”. Ele também alega que os adesivos nada tem a ver com “cultura de estupro”. É somente falta de respeito básica de brasileiro (falou o lorde inglês).

Enquanto isso, a cada 25 minutos, uma mulher é atacada pela cultura de estupro da Índia espiritualmente evoluída. Outras tantas no restante do mundo. Feminismo? Eu não preciso dele para achar isso aviltante. Mas precisamos dele para, um dia, não achar mais isso acontecendo por aí.

Eu não vivo por valores antiquados. Muitas mulheres têm morrido por causa deles.

Hate Dove

Meu fisioterapeuta me perguntou se sou feminista. “Eu seria o quê? Machista?” Ele disse: “pode ser neutra”. “Não, não posso ser neutra num mundo em que Dove existe”.

Odeio Dove, de coração. Odeio enquanto mulher, consumidora, “publicitária” e ser humano. Odeio a manipulação que Dove faz. A ideia errada que adoram propagar de que as mulheres se odeiam e têm baixa autoestima. E que Dove é a salvação, porque a marca nos entende e nos ajuda a nos enxergar. Balela.

A nova “campanha” Dove… :-* Coloque uma placa escrito “bonita” numa porta e “comum” na outra e faço igualzinho a dona que deu meia volta e não passou por nenhuma das duas. Se eu enxergar as placas, claro. Não aceito rótulos, minha gente! Não aceito poder ser somente bonita ou comum. Eu sou mais eu, poha! Sou mais eu desde 1984.

E, mais uma vez, que história é essa de que beleza é tudo? Beleza é joia, é bacana, é poder, mas é pra tão pouca gente. Dove podia parar com essa mania de nos definir pela estética. De ultra valorizar a estética e ficar apontando as coitadinhas que ficaram inseguras, porque a marca as fez pensar naquilo que não precisa. “Sou bonita?” Tanto faz, seja mais do que isso!

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Dove embute a ideia de que você se vê “pantufa”. Mas que pode chegar a “Havaianas”, se usar sabonete cremoso testado em animais. Só que a ideia aí do quadradinho é imbecil igual propaganda de Dove. Machista na mesma proporção.

Dê um basta nessa marca horrorosa, transmissora de ideias erradas, que diminuem mulheres. Pare de chorar assistindo essas campanhas de merda e comece a ver além. Tô te mostrando isso desde 2013. Passou da hora de acordar.