Quero voltar pra casa

Em setembro, faz 8 anos que saí de Belo Horizonte.

Na época, a cidade estava caótica. O trânsito não fluía, os ônibus viviam lotados em qualquer hora do dia, a violência e a sujeira aumentavam. Se não bastasse, eu detestava meu emprego e meu namorado - atual marido – estava com Síndrome do Pânico, o que piorava tudo. Quando ele decidiu que vir para Itaúna seria o melhor para ele e quis que eu viesse junto, topei sem nem pensar.

Eu deveria ter pensado. Ter mais de 30 e ainda viver na casa dos pais – no meu caso, da avó – não é legal. É cômodo, é barato, é prático, é gostoso, mas não é “adulto”. E a tentativa de me tornar adulta, na verdade, foi o que mais me encantou. E me ferrou.

Não porque eu não goste de Itaúna – e realmente não gosto, por N motivos. Não gostar da cidade em que se mora não ferra ninguém. Mas os N motivos ferram e, faz tempo, eu me arrependo amargamente de ter vindo parar aqui. E piora: eu, simplesmente, não consigo sair daqui, nem a passeio.

Ter 8 gatos e não ter plena segurança para eles, me prende à casa. Não tenho mais alguém de confiança para olhá-los se eu tiver que me ausentar. Então, não me ausento. E não dá para carregá-los debaixo do braço nas inúmeras horas que me bate a vontade de bater em retirada. Não tenho para onde levar nem sequer os 4 que são exclusivamente meus. Não tenho grana nem pro caminhão de mudança.

É fato, a cidade me empobreceu. Em termos de dinheiro, nunca vi tanta desvalorização do meu trabalho e tanto calote, tanta má vontade em pagar. As pessoas ficam furiosas por receber notas fiscais – o que, diga-se de passagem, a Lei exige quando se presta um serviço – como se elas representassem um dedo na cara acusando uma dívida. Teve um cara de pau que nos respondeu com: “quer receber? Arrume um advogado. Só se lembre que EU sou advogado e, pra mim, sai de graça”. E essa criatura tem a pachorra de me cumprimentar e querer dar 3 beijinhos toda vez que a gente se encontra nessa cidade minúscula. A cara não queima. As caras não queimam.

Hoje, eu tenho MUITO menos dinheiro do que eu tinha há 8 anos, trabalhando numa loja e odiando cada segundo. Hoje, eu odeio mais meu trabalho do que quando trabalhava sábados e feriados atendendo pessoas que queriam meu projeto, mas não queriam os “nossos” móveis. E olha que a agência emenda feriados e até permite cerveja nas sextas, durante o almoço da “firma”. E não está melhor. Os sapos da loja – e olha que uma cliente chegou bêbada, certa vez, e me unhou, porque eu não teria lhe dado atenção – eram pequetitinhos perto dos cururus diários. A internet me contou que isso é mal da profissão, mas, aqui, estou engessada nela. Não posso reagir, não posso sair da “firma”, porque a “firma” é minha…

O custo de vida é alto. Supermercado e varejão são “pela hora da morte”. Ração e areia de gato, tenho que importar de outras cidades. Frete bem mais caro e sem Sedex 10, por ser interior. Qualidade de vida, que todo mundo falava, não tem. A cidade é feia e suja, a água é suja, a barulheira é generalizada, não tem prefeito de verdade há anos, não tem polícia, mas tem bandido à beça. Não tem pra onde ir ou o que fazer. As pessoas se suicidam aqui com muita frequência. E tem gente tão fútil e à toa que, diante disso tudo,  fica reparando as unhas dos outros – e eu não faço unhas, mais!

Queria estar em BH. Queria ter passado meus dois últimos aniversários no colo da minha avó, em vez de sozinha. Queria ter ido no Pai de Santo que planejo desde março. Queria ter me despedido da minha babá, que morreu sem saber o quanto eu a amava. Queria ter abraçado o meu pai quando meu irmão-cão teve que ser sacrificado. Queria conviver com meu meio-irmão. Queria ir às festas de família. Queria ter ido ao Espaço Veg e almoçado no Las Vegans antes de fecharem – o Las Vegans jura que reabre. Queria estar no teatro, agora mesmo.

Quero ter quem me ama e me tolera por perto. Quero minhas amigas! Eu nem tenho mais amigas…

Ovos da polêmica

Dia desses eu disse que dissertaria sobre ovos e a polêmica vegana. Chegou a hora!!

Sim, eu sei que muitos - se é que há muitos – dos que vêm aqui não estão nem aí para veganismo, mas, ó, é o que tem pra hoje.

Estava eu trocando e-mails com uma vegana muito simpática - coisa cada vez mais rara de se encontrar -, quando surgiu o assunto “ovos”. Veganos são radicalmente contra o consumo dos ovos, seja como for. O principal argumento é que os ovos pertencem às galinhas, assim como o leite às mães – seja de qual espécie for – e a seus bebês. Ademais, criar galinhas com algum propósito é especismo e escravidão. Eu discordo.

Ganhei dois casais de penosas há uns 6 anos com o objetivo de ter ovos em casa. Elas ficavam presas num galinheiro e eram estressadas. Meu quintal tem cerca de 500m² e estava se enchendo de mato. Pensei: galinhas soltas são felizes e comem mato. Desde então, elas estão soltas, ciscando pela casa. Até dentro de casa, quando querem.

Depois de uns meses, uma conhecida, que tem lúpus e havia desenvolvido alergia às penosas dela, me doou quase todas, porque sabia que eu não as mataria. Vieram pavões, peruas, d’angolas, sedosas japonesas e muitas garnisés. Com o tempo, tive que doar pavões, peruas e d`angolas por causa do barulho que faziam. Não só por causa dos vizinhos reclamões, mas porque são aves que voam e precisam de mais espaço do que eu tenho. Doei com promessas de nunca serem mortas e estão quase todas bem. As d’angolas encontraram predadores pelo caminho… :-(

Minhas galinhas são mais livres do que meus gatos e cães. Elas andam por toda a casa, comem e defecam por todo lado. O limite é o muro da casa e, mesmo assim, se elas quiserem sair, conseguem, porque as asas não são cortadas. Não saem porque gostam do que têm aqui. E o limite que recentemente impus a elas é uma terrinha que telamos, para poder plantar.

Não fiz ninhos, elas botam onde querem. Já fui surpreendida por um punhado de pintinhos brotando da casinha do cachorro. Elas têm poleiros, mas preferem dormir nas árvores. Chocam quando querem, criam como querem e quando não querem eu assumo as crias. Pelos menos 1/3 delas foi criado por mim. Já ameacei não deixar mais elas chocarem, por causa dos abandonos, mas elas driblam proibições. Qualquer proibição.

Elas capinam porque é da natureza delas revirar a terra em busca de comida. Elas comem de tudo e o tempo todo, inclusive ovos! Minha avó diria para queimar o bico delas, mas eu não faria isso. Não preciso de muitos ovos e não me importo em compartilhar. Elas só não comem ração, porque não precisam de incentivo para botar – e porque não confio em rações.- E elas botam porque faz parte do ciclo de vida delas e seguem o ritmo delas.

Acho que é uma troca justa: eu dou comida, espaço, casa, proteção e carinho e elas me dão ovos. Por isso, não vejo mal em usar o propósito da galinha a meu favor, porque não a desfavorece em nada. Na natureza, isso é chamado de simbiose.

Se eu fosse ter galinhas sem nenhum propósito, eu não as teria. São bichinhos bagunceiros, brigões e extremamente barulhentos, cuja manutenção me custa um bom dinheiro. Não são “doninhas” simpáticas e autossuficientes. Se não fosse por mim, das cerca de 50 que moram aqui, somente uma delas teria nascido e, mesmo assim, já estaria morta, já que tem uma doença genética que faz com que seu bico cresça infinitamente e precisa ser alimentada em separado.

Há as teorias que dizem que vacas, porcos, galinhas, carneiros, bodes, burricos e qualquer outro animal que tenha um “propósito” na vida humana estariam extintos num mundo vegano/abolicionista. Humanos começaram a criar cavalos para transporte e tração. Cães para segurança, companhia e ajuda na caça. Gatos, porque caçam ratos. Mesmo hoje, há um propósito na criação de animais, mesmo que seja tirar fotos deles para o Instagram. Em troca, bons humanos dão amor, comida, cuidados, segurança. Sem troca, não há animais de estimação e vai ter que haver muito vegano e muito santuário para evitar a extinção de um punhado de bichos domesticados que não se viram mais muito bem na natureza. Ou que, na falta de predador, podem se virar até bem demais e destruir geral.

Enfim, não vou enterrar os ovos ou distribui-los por aí ou deixar para as galinhas consumi-los integralmente, porque não vejo motivo. Assim como, apesar do cocô das galinhas também sair das cloacas delas, não vou deixar de usá-lo como fertilizante para minhas plantas. E se eu porventura viesse a ser mãe, doaria meu leite excedente a banco de leite, porque ele não precisaria ser somente do meu filho.

Há, neste mundo, inúmeros animais explorados, escravizados, maltratados, mutilados, assassinados, torturados e os meus – sim, meus, propriedades minhas, diante da Lei – não estão entre eles. Não como outros ovos além dos das minhas galinhas e minha consciência está tranquilona.

Não faço questão, como nunca fiz, de ser vegana. Acho complicado, engessante e frustrante – além de impossível – tentar fugir de tudo o que fere qualquer ser vivo neste mundo, neste tempo.

Sou bem-estarista, sim, porque sei que não se obriga a mudança de hábito só com palavras – agressivas – ou lógica incompleta e o despertar de consciência varia de caso a caso, de pessoa a pessoa. Se pessoas e animais de estimação vão continuar a consumir carne – meus gatos jamais serão vegetarianos -, leite e ovos, não importa o argumento, que seja em menor quantidade e de animais que tiveram a oportunidade de viver o melhor possível.

Os problemas do planeta não estão somente ligados ao que se come, mas como e quanto se come. A quanto e como se consome. A quanto lixo se produz e a destinação que se dá a ele. À quantidade de energia elétrica e água consumidas e desperdiçadas. Aos produtos cosméticos e de higiene que se usa e quais as consequências desse uso ao meio ambiente. E, também, à quantidade de amor e solidariedade que se tem pelo próximo. Minimizar tudo a poucos culpados é simplista e preguiçoso e é a cara da Marina Silva, além de dar a falsa ideia de que se está fazendo a coisa certa e toda a parte que lhe cabe neste latifúndio quando se torna um vegan extremista. Ao vegan extremista tem faltado empatia ao seu semelhante, o que causa mais conflito e rejeição do que traz soluções.

Mundo de merda

Eu começo a acreditar que nada mais tem solução quando:

• Percebo que há estadunidenses em situação de miséria, enquanto os EEUU bombardeia o país dos outros por grana e petróleo - fiquei assistinado ao Michael Moore no fim de semana;

• Pessoas ainda matam umas as outras por causa de religião;

• Nosso país está à beira da bancarrota e, mesmo assim, Dilma continua em primeiro nas pesquisas;

• Minha prima, que declarava amor a mim a cada dia, deixou de ser minha amiga porque ousei discordar dela – ela é petista;

• Pessoas torturam animais. Por quê?

• Fábio Coala, um dos caras mais talentosos e maravilhosos que eu conheço, está passando aperto de grana;

• Fausto Fanti e Robin Williams se matam…

 

Boom!!!

“Passe um dia sem reclamar e veja como sua vida muda”. A minha muda de vida pra morte. Se eu não reclamar, eu explodo. Sem exagero.

Sim, eu sou chata, implicante, rabugenta, mas, acima de tudo, eu tenho enorme amor próprio. Eu não aguento engolir sapo ou ser desrespeitada ou ser abusada seja de que forma for. A grande m*rda é que, profissionalmente, é todo dia, o dia todo.

O “faz aí e se eu gostar eu pago à vista” me assusta pela cara de pau e incoerência. Aplica isso na profissão do pidão e veja se ele vai gostar. Não, não pode fazer alusões nem responder mal o cliente. Engole o choro, menina!

E o “te ignorei nesses últimos dois meses e agora preciso do trabalho pra ontem! Faz rapidinho enquanto eu vou te telefonando a cada 10 minutos para saber se já está pronto”. É muito amor! #SQN

Na linha telefônica ainda tem o “acabei de te mandar um e-mail. Chegou? Ótimo! Vamo ler juntos!”

Tem o “eu desmarquei 4 reuniões e nunca mais te liguei. Cadê você?! Tá tudo atrasado e a culpa é sua!!” Ah, a culpa… Que sentimento tão judaico-cristão. Tão atual e tão bíblico!!

Os clássicos “vou te pagar quando eu acabar a reforma lá de casa”, “vou ter que pagar multa? Mas foram só 15 dias de atraso…” e “não paguei porque você não fez o que eu pedi. Ah, eu não pedi? Pois bem, estou pedindo agora. Faz e eu vejo se ainda rola de te pagar” estão sempre presentes! <3

Isso, quando não somos tratados como meros faz-faz. É assim: “tá ótimo! Só muda a cor do fundo. Põe um degradê de laranja para amarelo na diagonal! E a letra, não gosto dessa letra – bota uma Comic Sans, que dá um charme! E põe essa foto, aqui. Está em baixa resolução e tem uma marca d’água, porque eu peguei no Google, mas é a que eu quero. Isso! A logo você pega nesse arquivo de Word e, quando acabar, me manda tudo no Corel, pra seu eu quiser mexer depois, lá na gráfica!”

“Faz do seu jeito, confio em você”, mas vai mudar umas 11 vezes de opinião antes de dar o ok num troço hediondo que não vai dar certo. E você ainda vai dizer que a culpa é minha! Eu sei. Te conheço.

Eu posso continuar até o infinito. Ou posso dar uma dica: Lucas Montagens. Faz do jeito que o clientão precisa e por muito menos!

Até hoje à tarde, eu achava que ainda dava pra largar esse vidão de empresária :’( para ser hippie, vendendo pastel e coco, na praia, mas descobri que, para se ser hippie, é preciso ter dinheiro…

bichinhos-de-jardimTô no caminho concretado da mendicância e, quer saber? Bem feito pra mim! Quem mandou eu não ouvir meu pai? Ele me disse para eu fazer Direito ou Medicina. Fui teimar, me f*di…

Eu poderia estar roubando… Eu poderia estar matando…

Primeiro ano!!

Contra todas as apostas e “conselhos” recebidos, hoje faz um ano que eu estou vegetariando – pescetariando, às vezes e cada vez menos.- Garçons têm sido muito legais comigo – já ganhei salada de fruta numa festa, porque eu não estava comendo nada! – e, apesar de algumas pessoas que insistem em ser chatas, a maioria é bem legal.

10527822_788712341150159_5334053760951403710_nAs chatas!

Diminuí muito os laticínios e, assim que o frio passar e eu estiver menos preguiçosa, vou tentar fazer em casa os leites, manteigas e queijos vegetais. Se eu estiver menos “dura”, posso até comprar!!

Ainda não estou preparada para ser “vegan”, simplesmente porque não quero ficar louca. Aqui, em Itaúna, não tem nenhum restaurante vegano e se achar uma opção ovolactovegetariana no cardápio, jogue suas mãos para o céu. Como onde tenho opções do que comer e não vou ficar perguntando se o macarrão do bar do Sandoval é com ovos ou deixar de comer o caldo de abóbora feito separadamente para mim, sem bacon, mas que levou creme de leite. Não rola fazer desfeita. Não rola ficar mais segregada que o meu normal. Em casa, posso ser o que eu quiser. Na rua, ainda tenho que me adaptar, que fazer concessões. Não me julgue mal, eu faço o social tão pouco que mal compromete meu propósito.

De toda forma, parabéns para mim. Um ano de esforço, sem sacrifício, aprendendo a comer vegetais.

E para quem insiste em perguntar sobre bacon, eis a resposta:

bacon“Bacon não precisa vir do porco” Tenho fumaça líquida e ele pode vir de onde eu quiser!!

Para outras insistências idiotas, respostas aqui (em inglês – use o Google Tradutor ou não seja idiota!)

Hippie

Parei de pintar as unhas há um bom tempo. Simplesmente, me cansei de ser refém delas. Mantenho-as limpas e curtas e está superbom.

Meus primeiros fios brancos apareceram há outro bom tempo e estão todos aqui, intocados. Talvez eu use henna ou chá de hibisco, se eu encontrar. Talvez, não.

Troquei os hidratantes cheirosinhos por óleos, como o de argan, que marido trouxe de Marrocos, e de amêndoas doces. Meu cabelo e minha pele curtiram.

Troquei o desodorante por bicarbonato de sódio. O sabonete e o condicionador por vinagre de maçã. Tudo certo, não estou suja nem fedendo nadinha.

Fiquei de testar o xampu de mandioca, feito em casa, mas o frio me deixou com preguiça. Minha meta, mesmo, é não usar mais xampu.

Estou em busca de juá para poder trocar o creme dental por ele. Para o fio dental, está mais complicado de encontrar substituto, mas continuo procurando. Filtro solar tem sido  outro desafio…

Estou trocando os produtos de limpeza da casa por vinagre, álcool e bicarbonato. Essência naturais, para dar cheirinho bom, são bem-vindas. Troquei o detergente por sabão de coco e estou procurando, para comprar, aquelas bolinhas que lavam roupa sem sabão. Achei na China…

Aliás, abro um parêntese:

(Achei as bolinhas e outros produtos aparentemente supimpas em um site brasileiro, de uma empresa que se diz “voltada à pesquisa e desenvolvimento de produtos inovadores e de alta performance que facilitam o dia-a-dia das pessoas”. Só se ela pesquisa no Google, porque mandei um e-mail, perguntando se os produtos são fabricados aqui ou importados da China e, em vez de me responderem por e-mail, me telefonaram umas 8 vezes. Minha secretária pediu para me responderem como eu perguntei, através de e-mail. Eles disseram não ser possível, eles não escrevem e-mails! Oi?! Mas confirmaram que é tudo chinês. Dureza…)

Produzo menos lixo, libero menos resíduos na água, gasto bem menos dinheiro no supermercado.

Esse site, aqui, tem me ajudado na busca por uma vida mais sustentável. Se você também quer reduzir seu impacto sobre o mundo – ou só gastar menos com higiene e limpeza, sem perder a qualidade de vida -, eu recomendo.

 

Escolarizando o Mundo

Desde que comecei a assistir a documentários, como o que postei há umas semanas, e passei a seguir o Movimento Zeitgeist, e a ler livros como O Caçador de Pipas, que tenho acreditado cada vez mais que o 11 de Setembro é inside job e que os EEUU são mesmo “o grande satã’. Herdaram o “grande mal” da Inglaterra colonizadora, está certo, mas renderam a herança e o resultado é este aí, que você vê hoje. Um mundo consumista, sem valores éticos e/ou espirituais, sofrendo de um câncer agressivo, em metástase.

Não, não sou uma fanática por teorias da conspiração, mas uma pessoa que começou a enxergar o entorno. Tudo faz tanto sentido, agora.

Este documentário, abaixo, não só reafirma meu pensamento, como me deixou feliz por não ter me dado bem no colégio. Eu detestava os professores limitadores e abusivos, as regras, a catequização, a padronização, a humilhação de ser comparada e perder, sempre. Sair do colégio foi um alívio. Fazer uma faculdade avacalhada foi o que me permitiu me formar. E, de certa forma, eu não estava errada. Ok, ainda estou errada para o mundo em que vivo, mas estou certa para mim. No fim das contas, é o que me importa.

Não adiantam cotas raciais nem salários melhores para professores, se continuarmos migrando da sabedoria para o conhecimento e do conhecimento para a informação. Somos ignorantes e não sabemos, somos idiotizados com diploma.

Quando seremos tratados como animais humanos pertencentes a um ecossistema, em vez de engrenagens/consumidores que movem uma economia? Somente quando o sistema vigente falir? Parece que está falindo, mas, talvez, já seja tarde demais…

O que comer?

Minha amiga Jane estava preocupada com o que comer, já que, a cada momento, sai uma pesquisa contradizendo a anterior sobre os malefícios de determinados alimentos.

Diante de tantas pesquisa imbecis e com resultados manipulados e mentirosos, assim como inúteis, cruéis e egoístas, eu tenho acreditado em cientistas da mesma forma com que acredito em pastores e clérigos em geral. Ou seja, eu desconfio…

Sendo assim, eu uso meu bom senso para escolher o que comer. E é fácil!!

Prefiro alimentos orgânicos e de origem conhecida. Se puder ser de uma hortinha caseira, tanto melhor. Aliás, tenho projeto de fazer uma horta aqui em casa, assim que eu conseguir restringir os acessos das galinhas.

Tento variar os vegetais o máximo possível, para conseguir me nutrir com a maior quantidade e variedade de vitaminas e minerais. Ao mesmo tempo, vario os agrotóxicos ingeridos!

Não me empanturro. Como muito, é verdade, mas somente o necessário para me satisfazer, sem me lotar. Isso é bom para mim – que me mantenho saudável e nos 59kg há 4 anos – e para o planeta – que não precisa se sobrecarregar na produção de alimentos para satisfazer minha gula.

Prefiro alimentos integrais aos refinados e os vivos aos processados. Comida congelada industrial? Tô fora! Fast food? Idem! Bolacha, biscoito? Os feito em casa, preferencialmente. E pouco! Refrigerante e suco de caixinha adoçado? Só em caso de sede extrema e nenhuma outra opção de bebida.

Não que eu não coma nada industrializado. Apesar do preço, gosto dos sucos Greenday. A marca Natural One é mais em conta e tem sabores mais variado e também é ótima para aqueles dias de preguiça de lavar, descascar, picar, espremer, lavar o equipamento. Ambos prometem zero de açúcar e de conservantes. Também consumo as geleias 100% da Queensberry. 100% fruta! Apesar do uso de transgênicos, de vez em quando eu mando uns Doritos pra dentro. Cookies Mãe Terra tem muito sódio, mas não é sempre que eu como, então, não pesa. Apesar de detestar soja, estou disposta a experimentar os produtos congelados Mr. Veggy.

Comer direito não é nenhum mistério e você não precisa pirar com pesquisas. Mantenha em mente que o pressuposto de um alimento é alimentar. Conservantes e sódio, açúcares e gorduras em excesso não alimentam, pelo contrário, roubam nutrientes e fazem mal, então, evite-os. No mais, seja equilibrado em sua dieta e seja feliz!

Vá ao teatro – e me convide!

Depois de “180 Dias de Inverno”, tive que assistir a “#140 ou Vão”, também da Companhia Afeta. Uma era drama, pesada, densa, linda. A outra, comédia, leve, inteligente, linda.

180-Dias-de-Inverno-book---Cia-Afeta-3140-ou-vao“180 Dias de Inverno” e “#140 ou Vão” (Foto: Samuel Mendes), respectivamente.

Ontem, assistimos a uma peça da Catanduva, SP. O teatro Silvio de Matos, de Itaúna, ajudou a compor o cenário de guerra, mas não contribuiu com a peça, já fraquinha. A voz de Chiquinha da atriz era irritante, mas não foi perda de tempo, de toda forma.

Eu perdi, sim, – e vou lamentar todos os dias por isso até conseguir assisti-la – “Aldebaran”, do Grupo Oficcina Multimédia que, por fotos, me convenceu ser uma peça belíssima. Amigos que foram disseram ser “inacreditável”, “de outro mundo”, “linda”! Frustração me acompanha…

aldebaran

Os grupos mineiros brilharam neste festivalque termina hoje.- Atrevo-me a dizer, sem um pingo de bairrismo, pura justiça, que obliteraram os convidados de fora.

Fui a poucas peças, mas, em se considerando que há uns dias eu sequer gostava de teatro – o melhor do preconceito é perdê-lo – e ainda detesto sair de casa – ainda mais no frio e na chuva – fiz minha parte e, para o meu próprio bem, me apaixonei. Ano que vem, como dizem os mineiros, “tô agarrada” no festival!

“180 Dias de Inverno”, da Companhia Afeta
“180 Dias de Inverno”, da Companhia Afeta
“180 Dias de Inverno”, da Companhia Afeta
“180 Dias de Inverno”, da Companhia Afeta