Viver em Itaúna, em três tempos

Desde que eu vim para Itaúna, o que não me faltou foi motivo para chorar. Itaúna me envelheceu, me engordou, me estressou – esofagite por três vezes – e me envolveu em intrigas e fofocas como nunca antes. Quando alguém fala em qualidade de vida, aqui nessa cidade, só me resta perguntar: “qual qualidade?”

O trânsito aqui é péssimo! As pessoas não sabem o que é rotatória, preferência, gentileza, mão… Sem contar os zé-manés que vivem batendo papo no meio da rua, seja a pé, seja de carro. E as ruas de mão dupla que só permitem a passagem de um carro por mão?!

Falta compromisso, falta respeito, falta, novamente, afeto.

O Saae e a Cemig passam para a leitura a cada três meses – anoto cada visita -, mas juram que passam todo mês, mas não tem ninguém em casa!  Impossível!! Isso, quando não cortam a água por vários dias – no meu aniversário, este ano, faltou água, porque fazia 5 dias que estávamos sem abastecer nossa caixa d’água por causa de uma obra na rua – ou desligam a energia por um dia inteiro. Ah! Quase todo sábado, às 18h, a energia cai. A Cemig disse que a culpa é dos meus vizinhos, que não deixam podar uma determinada árvore que gosta de bater no fio, nos sábados, às 18h…

Mas, de tudo, há três momentos que definem minha vida em Itaúna. O primeiro, foi o dia em que eu senti o cheiro do ralo, literalmente, por toda a casa. Seria engraçado, se não fosse uma merda só.

Havíamos chegado da locadora com dois filmes: O Cheiro do Ralo e Alpha Dog. Optamos pelo segundo, levamos o DVD player para meu quarto e demos o play. Estava chovendo muito, climinha bom para ver filme. De repente, ouvimos uma golfada no meu banheiro. Fomos ver e meu vaso sanitário estava borbulhando. Cinco minutos depois, estávamos com um palmo de água de esgoto a nossa volta. Cada banheiro da casa – só lá dentro, três – expelia uma quantidade enorme de merda. O Saae veio ver o que estava acontecendo e era uma pedra no sistema de esgoto que não permitia a passagem de água, gerando refluxo. O cara falou que o Saae não se responsabilizaria pelo que acontecia dentro da minha casa, pois a culpa era dos meus vizinhos que tem piscina e usavam a rede de esgoto para esvaziá-la. E tem mais!! Cortaram a água!! Como tirar merda da casa, sem água?!

Fotos tiradas depois que a “água” baixou…

Com lágrima, porque acho que nunca chorei tanto na vida. Estávamos na casa havia menos de 5 meses. Tínhamos acabado de organizar as coisas. Perdemos cama, perdemos muita coisa que teve que ser jogada fora por não ter como limpar.

O segundo momento foi no dia 29 de novembro de 2009, a enchente. Bairro de rico vive com obra. Todo dia, um vizinho acorda com vontade de ampliar, demolir, construir, reformar, construir piscina para esvaziá-la na rede pluvial. Uma dessas obras, não fiscalizada pela prefeitura nem por ninguém, criou uma represa com entulho, no alto da rua. Choveu. Choveu muito. A represa rompeu. E eu ganhei uma piscina na quadra!!

Fotos tiradas após o fim da chuva

Não foi a primeira nem a última enchente. Porque as obras não param, é só chover que minha casa alaga. No dia de 17 de outubro de 2009, morreram 6 pintinhos afogados por causa do alagamento, pior que esse da foto, quando chegou a 1,50m a água no meu quintal.

O terceiro momento é o presente. E é um presente!! A obra do Lago do Telmo está levando minha conta d’água – quando tem água – às alturas!!! Temos que lavar a casa todo santo dia. E adianta?! Não!! Eles produzem poeira, mas são incapazes de jogar uma água na obra para impedir que a poeira se espalhe. Lembra do meu quarto “iluminado”? Fichinha. Veja isso:

Pó pô pó?!

Poeira invade tudo, acaba com qualquer coisa!! Na fachada da casa, os adesivos estão se soltando. Nossos suprimentos estão cobertos de pó. Meu mouse óptico não consegue mais deslizar na poeira. Os monitores, as impressoras, está tudo sendo destruído!!

Dá vontade de processar?! Dá! Mas, aí, vem a turminha do “deixa disso”: “você vai se meter com o Saae?! Você vai se meter com a Prefeitura?! Isso aqui é interior! Todos vão ficar sabendo que você é encrenqueiro…” E digo mais, no primeiro caso, não conseguimos advogado para abrir processo. Quando conhecemos um que toparia, não dava mais tempo… Prescreveu…

Agora, por favor! Se algum itaunense passa por aqui, que defenda sua cidade. Diga que isso acontece em qualquer lugar. Mostre a todos que estou errada no meu julgamento. Estou esperando uma atitude, pois eu falo bem mal da cidade e ninguém me desmente…

21 ideias sobre “Viver em Itaúna, em três tempos

  1. Eu não sirvo para essa coisa de “boa vizinhança” não… Você sabe muito bem. Eu entendo sim que as pessoas digam que pela empresa o melhor é engolir uns sapos, mas me revolta de um tanto. Acho que vou virar uma espécie de “espiã” de Itaúna, defendendo e comprando briga dos outros sem que saibam de onde veio a reclamação, levando meu primo ADEVOGADO comigo, deixando o cliente sempre com a certeza que sua identidade não será revelada, fala que não vou ganhar rios de dinheiro? rs
    Penso que se eu casar e morar entre ML e Itauna, eu vou ser odiada e ou terei de ser concursada, ou trabalhar pra sempre em BH. kkkkkk

  2. Pingback: Tweets that mention Viver em Itaúna, em três tempos » Pitacos da Pi -- Topsy.com

  3. Pi, sem tom de defesa, porque essas situações são indefensáveis, mas isso não acontece só aqui. Florianópolis, por exemplo, todo mundo acha que sou louca porque morava em Floripa, num ap de frente pro mar, e decidi abandonar a cidade pra onde todo mundo quer ir e vir morar em Itaúna. A tão almejada por todos nas férias e paradisíaca Florianópolis só tem saneamento básico em Jurerê Internacional, a praia dos ricos – que aliás é horrorosa, só tem mansão, a praia mesmo é uma porcaria. O resto da ilha inteira vive com fossas negras e quando não com esgoto a céu aberto. A rua onde morei é outro exemplo da negligência dos responsáveis pela cidade: é uma praia super movimentada no verão, na região mais populosa da ilha, então não era o fim do mundo. Minha rua era de terra, e quando chovia (ou seja, 80% do tempo), ficava intransitável. Quantas vezes cheguei pra trabalhar ensopada da cintura pra baixo, e o pior, correndo risco de pegar alguma doença ou pereba nessa água nojenta, que provavelmente misturava-se com os esgotos a céu aberto… Sem falar na falta de serviços de urgência, como uma farmácia 24 horas. Vc já pensou em aguentar uma dor por 5 horas, porque a entrega para a sua região só começa às 8h da manhã, mas são 3 da madrugada e seu dente tá doendo?! POis é, eu tive que esperar… Fico imaginando se tivesse parindo ou tendo uma convulsão, sei lá… por isso estou aqui, no meio da poeira, sim. Com os ricos e suas obras faraônicas, sim. Negligência, incompetência das autoridades, sim. Brasília é outro bom exemplo do descaso com a população. Se vc é político ou classe média, não se preocupe. Sua vida será uma maravilha. BSB é uma cidade sem trânsito, bem planejada, linda, é meio seco, mas acostuma-se. Minas Gerais não está muito diferente no quesito secura. Agora, se vc é pobre, e está lá pra trabalhar para os políticos e para a classe média, o problema é seu. Ônibus? Como se pega ônibus mesmo? Lá tem o maior índice de carros per capta do país, não tem trânsito graças a Lúcio Costa, que planejou muito bem o esquema do tráfego automotivo. Nos meus primeiros 15 dias na cidade, tive que pegar carona pra trabalhar (por sorte, morei no plano piloto, senão, tava fu…), pois NÃO EXISTE transporte público. Incrível? Que nada, eles andam de Lamborguini, Porche, Ferrari, ônibus pra quê? Mesma coisa sobre o saneamento, váaaarisa satélites sem rede de esgoto e tudo mais. Precária a coisa. Mas isso, minha gente, tem por todo esse Brasil. E em itaúna não é diferente… Pelo menos aqui eu consigo sanar minha dor quando preciso e se não tiver entrega 24 horas, vou a pé na farmácia buscar, porque minha rua é calçada e não fica a 35km do comércio mais próximo. Pra mim, isso é qualidade de vida.

    • Mari, eu quero é o tom de defesa!! Por favor!!
      Só não concordo com os argumentos. Já pegou ônibus aqui?! A mulher que ficou 45 minutos parada, em meio a poeira, na porta da minha casa, hoje, não estava menos infeliz que um brasiliense sem carro. E o brasiliense deve ganhar um salário melhor para fazer o mesmo que ela. Já precisou de hospital num fim de semana?! O André já. E apesar de ter inúmeros amigos médicos, não conseguiu ser atendido! Assim como minha antiga vizinha. Assim como minha sogra. Eu mesma, fui ao veternário, pois só tem dermatologista que aplica Botox, aqui. Porque tudo é aparência.
      Sei que capitais tem problema, como qualquer lugar cheio de gente, mas aqui é uma cidade de 80 mil habitantes com os mesmos problemas de uma grande cidade e nenhum dos benefícios das pequenas.

      • Vamos fingir que é assim mesmo, em Itaúna. Quem não há buracos e trânsito descontrolado neste caminho até a farmácia, que a casa não inunda quando chove e que a energia não acaba em qualquer sinal de umidade no ar. Vamos fingir que não há assaltos à mão armada na padaria da esquina e no postinho da Prainha. E vamos continuar votando em aleijos morais, afinal, Itaúna é melhor que Floripa.

  4. Oi! Tudo bem?
    Vi seu post no twitter da Marina do 2Beauty, sou itaunense… E quando vi o tweet da marina fuquei super curiosa para saber se estavam falando da minha itaúna… Infelizmente sim.
    Entendo muito sua chateação com as coisas da cidade, principalmente sobre as coisas que estão acontecendo na sua casa. Sinceramente, fiquei com vergonha de você. Sinto muito mesmo.
    Mas lendo seu blog e as coisas que você fala de Itaúna, fiquei muito chateada.Principalmente quando você fala das pessoas de Itaúna. Sou apaixonada por itaúna, nasci e cresci lá… Hoje moro em bh por causa da faculdade, mas toda sexta feira volto para passar o fim de semana em casa… Sei que deve ser muito diferente a visão de uma pessoa que vem de outra cidade, mesmo não sabendo de onde você veio (bh?)… Itaúna é uma cidade pequena, em que todo mundo se conhece de alguma forma, claro que tem seus problemas, suas fofoquinhas, suas panelinhas…
    Mas acho que todo lugar tem seus problemas, e existem pessoas insuportáveis e bacanas em todos os lugares… Em itaúna também tem muitas…
    Enfim…. Sinto muito meesmo pelos problemas que você teve. Espero que se resolvam logo..
    E vou torcer muito para que algum dia você possa ter opniões diferente sobre itaúna..

    Se quiser manter contato… Vou adorar conhecer uma pessoa que adora maquiagem (não conheço muitas em itaúna…rs)
    Bjo

    • A não ser minhas amigas mais próximas – ou seja, as namoradas/mulheres dos amigos do meu namorado – nenhum itaunense jamais se manifestou aqui. Nenhuma em defesa da terra! Por isso, pedi uma defesa! Vejo tanta coisa chata aqui. Coisas que eu achei que só acontecia em capital. Falta de solidariedade, falta de educação e de gentileza – na fila e na saída do estacionamento do Rena, por exemplo, todo dia! No trânsito, é muito estranho! Se você aguarda alguém sair da vaga, a pessoa não entende, por não estar acostumada… As pessoas não cumprem horário. O que eu já levei de bolo! As pessoas não cumprem contrato! O que eu já levei de cano! Tanta gente me olhando de cima a baixo, perguntando de quem eu sou filha. Tanta gente querendo tirar vantagem de grau de parentesco com meu namorado! São 4 anos aqui e só consegui gostar de poucas pessoas. Eu não sou uma pessoa fácil, mas nunca tive uma vida tão difícil e isolada. Não odeio Itaúna, mas não vejo esse lugar como uma cidade normal.
      Mas adorei sua participação. Fiquei feliz e vejo que há esperança – para mim – aqui!!

      • Realmente te entendo… Não conhecia seu blog.
        E essas coisas acontecem mesmo, todo mundo diz que o transito de itaúna é péssimo, meu namorado só passa raiva..rs. Isso de te perguntarem de quem você é filha… Normal, e muito chato.. Até eu que sou filha de alguem de itaúna, se alguem não conhece minha familia por não estar no “grupinho”, parece que a gente não existe… Mas sei também que tem gente que não faz isso por mal, em itaúna, todo mundo acha que conhece todo mundo, e que se conhecer sua familia, também te conhece…Costumes… Mas imagino que isso seja pior pra eles do que pra nós..
        Existem os que se acham donos da cidade… Lamentável.. Mas, fazer o que né?
        Isso que você falou de atrasos, contratos… Realmente… É muito dificil. A prestação de serviços é ´péssima… Deve ter uns dois meses que tento arrumar alguem pra fazer um armário pro banheiro da minha casa… Ninguem aparece. Parece que estão nos fazendo favores, e não trabalhando.

        Mas também existe o lado bom… Te garanto, espero que você descubra logo.

        Gostei muito do blog e vou acompanhar!

          • Não, eu precisaria conhecer bem as pessoas certas e os lugares certos para conseguir trabalhar com design de interiores aqui. Trabalho com publicidade. Tenho uma agência, aqui. E evito lidar com as pessoas, por não ser de Itaúna – já me disseram que eu tenho que dizer que sou daqui, de coração, para ser aceita! – e por não saber lidar com as situações que só acontecem nessa terra!
            Quer fazer uma participação especial aqui, com um post sobre decoração?! Vivem me pedindo, mas não tenho mais paixão pela área…

  5. Nossa senhora, não imaginei que a casa tinha sido alagada desse jeito..a quadra então..não fazia ideia!!!!
    Acho que eu ía acabar procurando um advogado tb..mto chata essa situação!!!
    :(

    • Viu que meu vizinho da esquina ergueu um murinho?! É por causa dos alagamentos constantes. Nem precisa chover muito, basta chover.
      Eu moro em bairro de rico, apesar de não sê-lo – infelizmente – e esperava mais… Ou menos problema!!

  6. Pi! O tom de defesa foi pro seu ponto de vista e não pras condições de Itaúna!! Mas tb completei com minha opinião de que esse rol de problemas há em todo lugar. E que aqui na cidade nós tb não estamos livres deles, infelizmente. Óh o estado das ruas, é de amargar! As fotos que vc postou dispensam comentários, o Kiko e eu já precisamos de hospital e ficamos a ver navios. Quantas vezes…
    Por outro lado, consigo viver o lado bom da cidade. Já passei por situações nada interessantes em outros tantos lugares, e aqui pude ter a certeza de que não vou passá-las novamente. Talvez por isso, eu consiga ver o lado bom da coisa.

    • Mas eu queria que defendessem a cidade!! Eu até pedi!! Eu quero ter esperança!!
      Você consegue “viver o lado bom da cidade”, porque tem família e amigos de infância, aqui! Eu, não! Eu vivo o pior de Itaúna todo santo dia! Sábado foi jóia! Mas minha casa estava imunda – o que atrapalhou a plenitude do momento!!
      Me ajude a ver o que há de bom – sem que eu precise beber!!

  7. Ah, beber sempre ajuda nessa horas!! E ver alguma coisa boa com a casa cheia de poeira é bem difícil, mas o desafio é justamente tentar achar algo de bom! Olha só a Farmília que bacana! Bolo colorido, blog de aniversário, amigos por perto, sakerinhas e afins valem a pena… =D
    Como a esperança deve ser mesmo a última a morrer, valeu muito a ideia do post (até apareceu uma itaunense nova na area!) pra agitar o assunto por aí. Eu era bem mais descrente com o país e com os brasileiros. Hoje, tento ser mais otimista, apesar disso soar meio ‘jogo do contente’ da Poliana! Culpa da terapia comflorais! rs…

  8. gostaria de saber se existe lei que proibe o esgotamento da agua da pscina na rede de esgoto, porque estou com problema com o visinho, esta umidecendo toda minha parede, acredito que seja da pscina, porque a rede de esgoto é ao lado da parede, e 50 mil litros de agua sendo esgotada . um vez ao mês, pode durante varios anos pode ter danificado os canos da rede. agua de chuva é proibido pq de pscina não tem lei federal que regulamenta, eu não consegui em contrar nenhuma lei, pesso ajuda caso exista lei, me informe.

  9. Nossa! E eu querendo sair de BH, pensei em ver se dava p morar aí já que tenho uma prima que tb mora em itaúna… meio q desanimei.Mas ainda saio de BH, aqui também não tá legal!
    Espero que essas cidades doentes consigam se recuperar, melhorar e que as pessoas que habitam nelas sejam a causa dessa mudança…

    • Essas manifestações que estão ocorrendo pelo Brasil deram um gás pro povo, aqui. Nos meus sete anos de Itaúna, nunca tinha visto ninguém realmente reclamar, além de mim. As pessoas, aqui, viviam iludidas de que a cidade é ótima e que o problema são os outros. Mas isso muda. O primeiro passo está sendo dado agora. Depois de anos de pedágio sem uma estrada para justificar, estão todos lá, agora, exigindo que o pedágio feche ou que se termine a obra. O brasileiro aprende a se dar valor. O itaunense também chega lá. Mas confesso, entre BH e Itaúna, prefiro a Península de Maraú, na BA!!

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