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Aborto

14 de outubro de 2010

Não sou a favor do aborto, mas sou a favor da descriminalização do aborto.

Aborto é, sim, uma violência. Não só contra a criança, mas contra a mulher que se submete a ele. Sou contra o aborto quando a mulher teve opões. Aborto deveria ser o último recurso para se evitar uma gravidez e, muitas vezes, para muitas mulheres, é o único.

Quando há um sem número de contraceptivos que podem ser usados um a um ou em conjunto, é absurdo acontecer uma gravidez não desejada. Sexo tem como uma das finalidades a procriação. Se você não quer ter filhos, você evita o sexo ou faz uso de contraceptivos eficientes. Se optou por se arriscar, assuma a responsabilidade disso!

Os argumentos de que “o corpo é meu” e “no meu corpo mando eu”  são ridículos! O seu corpo pode ser seu. O do bebê, não! Mas a vida é sua e as escolhas que você faz para sua vida e para a vida do seu filho, também, são suas. Um filho indesejado é um filho indesejado. Uma pessoa que tem mais chances de ser infeliz, desajustada, problemática e nem a Igreja nem o Estado se comprometem com a felicidade/qualidade de vida/estrutura familiar/amor/criação dela. Por isso, nem a Igreja nem o Estado deveriam se meter.

Sendo crime ou não, abortos acontecem no Brasil. Aborta quem quer e pode. Quem tem recursos, quem se arrisca com os “açogueiros”, quem consegue acesso aos remédios abortivos. Descriminalizar o aborto pode salvar, pelo menos, uma vida: a da mulher.

Não sou a favor do aborto, mas acredito que mulheres vítimas de estupro ou grávidas de fetos mal formados não possam ser julgadas quando optam por interromper a gestação. Acredito que levar até o fim uma gravidez assim é uma violência maior. Elas tem que ter opção do que fazer. No Brasil, não é crime abortar nesses casos, mas é burocrático e é penoso. Praticamente, não é uma opção.

Não, não sou a favor do aborto, mas há gente demais no planeta. E mulheres que acham que o corpo delas e que a vida delas são mais importantes do que a vida de outra pessoa, do que um filho, não estão qualificadas a colocar mais gente no mundo. Seleção natural, às vezes, vem em doses artificiais.


3 pitacos »

  1. Lou disse:

    Hoje em dia o governo dá tantas opçoes, contraceptivos “de gratis” por ai… Concordo que as vitimas de estupro se quiserem devem ter o direito concedido de imediato, ficar sofrendo, gerando aquela dor… Pelo amor de Deus né.

  2. rafaela disse:

    Nossa, você pensa tão parecido comigo em certas coisas! Também acho ridículo o argumento de que “o corpo é da mulher”. Afinal, o corpo é dela, mas está abrigando um outro corpo, uma outra vida,que não é dela.
    Também acho que não podemos julgar quem faz um aborto após um estupro, embora neste caso a criança, ou embrião, ou feto, também não tenha culpa de nada. Mas pode ser que a mulher precise abortar pra preservar a própria sanidade mental.
    Chato é saber que muitas mulheres que abortam não o fazem por opção, mas por pressão de outrem, às vezes até da família… Tenho medo que a descriminalização dê mais liberdade para pessoas que queiram pressionar alguém a abortar.

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