Às vezes, está tudo lindo e lá vem a vida me dar um tapa na cara. Bem Red Hot Chili Peppers: “knock me down/ I’m not bigger than life”. Ok, ok… Entendi. Sou só um cisco, poeirinha cósmica, e não há motivos para eu me achar melhor do que nada.
Não mesmo?!
No dia do homem, um amigo, gay – é relevante o fato dele ser gay – escreveu no Facebook que ele, como “defensor das mulheres”, não entende o dia do homem. Eu entendo. É uma forma de relegar o homem ao posto de “ser de um dia só”. Como cantava a Baby Consuelo: “Todo dia era dia de índio/mas agora ele só tem o dia 19 de abril”. O mesmo acotece aqui: todo dia era dia do homem, mas agora ele só tem o dia 15 de julho. Valeu Mikhail Gorbachev!! Brilhante!!
O que eu não entendo é o porquê dele, meu amigo, se achar um “defensor das mulheres”. Ele é um super-herói ou algo assim?! Ele sai por aí protegendo mocinhas indefesas contra os grandes vilões HTs?! Mulheres são tão frágeis que nem conseguem se defender sozinhas contra o mundo cruel?! Ah… Faça-me um favor? Seja machista direito! Preconceito disfarçardo é oÓ!!
Outra amiga, no mesmo Facebook, disse que o discurso “não tenho preconceito, mas não gostaria de ter filho gay” é preconceito disfarçado. Discordo. É o mesmo que dizer que “o importante é que ele venha com saúde” é uma forma de discriminar os doentes. Mães normais querem o melhor para seus filhos. Não que o gay é pior. Só é mais difícil. Sim, é mais difícil ser diferente do que ser igual. É mais difícil sofrer preconceito do que não sofrer.
Um dia, talvez, se as pessoas deixarem, ser gay deixe de ser motivo de controvérsia para ser tão normal e comum quanto é, de fato.
O que me lembra do Clodovil, que disse que o “orgulho gay” é uma bobagem, afinal, transar com homem não é motivo de orgulho. Concordo. Não me orgulho de transar com homem. Ou de ser brasileira. Ou de ser mulher. Nada disso é conquista. São fatos, ocorrências que não dependeram, em nenhum momento, de esforço ou mérito. Aconteceu.
E por falar em acontecer, sexo anal é sexo. Sexo oral é sexo. Virgem é quem nunca fez sexo. Só porque você escolheu dar um “orifício alternativo” não quer dizer que você seja virgem. Entedido?!
E como ponto final: caridade tem mais a ver com como você lida com o mundo e as pessoas, no seu dia a dia, do que dedicar um dia no ano para encenar o “amor ao próximo”. É ser altruísta, ter compaixão, ter empatia, fazer o bem sem olhar a quem…
Não, lamentavelmente, eu não sou caridosa. Eu sou egoísta, julgo e me julgo melhor do que muitos. E eu não tenho orgulho disso. Mas tenho direito a minha cota de ignorância… Só até a vida me derrubar e me mostrar que eu não sou maior do que ela…