Marido jogou na minha cara que eu não tenho amigos. Ele queria provar que eu estava errada e achou que o argumento era válido para mostrar que afasto as pessoas e estou sozinha. Pelo visto, ele não me conhece.
No sentido “Harmony Cats” da palavra, não, não tenho amigos. Não tenho esse desprendimento necessário para cultivar amizade e nem quero o desprendimento de ninguém. E as pessoas não estão preparadas para uma relação honesta e sem compromisso com os desejos e ansiedades delas. Elas querem terapeutas e não me importo com os outros o suficiente para ficar ouvindo as abobrinhas. Ou me importo demais para ouvir e não poder falar as verdades. Enfim, não é para mim.
Eu amo muito poucas pessoas, gosto de algumas e tolero um bocado de outras, desprezo todo o resto. Mas há três amigas que foram realmente especiais, pena que passaram:
• Minha prima Jubas. Era ótima! Eu tinha 18-19 anos. Ela é uns três anos mais nova, mas era bem mais madura do que eu. E muito mais inteligente e culta. Aprendi tanto com ela. Pena que surgiram os namorados e a gente se afastou. Hoje, ela está na Nova Zelândia, mas nunca deixou de ser uma das minhas pessoas favoritas.
• Vanessa. Fazíamos companhia uma à outra. Tínhamos interesses em comum. Mas não havia cumplicidade e confidências. Partiu dela. Ela nunca falava e eu nunca me senti em liberdade de falar. Era bom, mas, um dia, ela se foi. Talvez ela quisesse mais, mas não falou. Me deu um disco do Red Hot Chili Peppers com uma cartinha de despedida e se afastou. Nem doeu muito. Hoje, ela mora em São Paulo.
• Doía ter que ouvir lamúrias e choramingos da Cecília, o tempo todo. Era muito drama. Deu certo, por um tempo, porque eu estava numa fase bem dramática na minha vida, também. Mas, quando passou a minha fase e a dela, não, ficou difícil. Falei as verdades que ela não queria ouvir e, incrível!, adiantou. Ela cresceu, evoluiu, se tornou uma pessoa bem mais agradável de se conviver e se mudou pra Santa Catarina.
Hors-concours é o Peet-It-You. Nunca amei tanto alguém. Mais do que a pai, avó, namorado, gato. Eu realmente me dediquei a ele. Eu me importava, queria o bem, cuidava. E não foi recíproco. Ele ficou com meu ex, na “partilha de bens”… OK.
Assim, aprendi que as pessoas supervalorizam o amor e a amizade, criam expectativas irreais e necessidades. Deve ser culpa da poesia e a música de dor de cotovelo. Só pode. Precisamos, sim, das pessoas, pois somos formigas e cada uma tem seu papel na sociedade, mas é só… Dependência emocional é para os que não se suportam. Para quem se garante, quem se conhece, quem se ama, é bem possível ser feliz sozinho.