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Eu, Pi, 37 anos, ateia.

28 de janeiro de 2012

Sou ateia desde os 14 anos. E não tem nada a ver com meu lobo frontal ou qualquer explicação biológica do tipo. Tem a ver com escolha.

Nasci em família católica, fui batizada, fiz primeira comunhão e ia sempre à missa. Mas eu achava Deus mau. Minha opinião. Daí, preferi deixar de acreditar nEle a odiá-Lo. Minha opção.

Quando eu me “converti ao ateísmo”, eu tive meio que aquela reação prepotente de quem “não precisa de Deus” e comecei a me achar melhor do que os crentes (de qualquer religião) e a julgá-los todos fracos e tolos. Mas passou. Hoje, já enxergo a fé como algo positivo, desde que usada para o bem. Percebo que as pessoas que crêem se sentem bem assim e, quando pregam, estão apenas desejando que você se sinta bem, também. Por isso, no dia-a-dia, não me custa responder ao “vai com Deus” com um “amém”, nem mesmo estar de mãos dadas com os fiéis durante um “Pai Nosso”. Não excluo ninguém e não sou excluída.

Há, claro, os impositores, mas não aceito este tipo de postura, já que Deus deu livre arbítrio. Condenar o outro por decisões e escolhas é querer ser mais do que Deus e soberba é pecado. Se Deus sabe o que faz, não interfira.

Como ateia, acredito que é desrespeitoso o uso constante de símbolos cristão em prédios públicos, citação de Deus no preâmbulo da Constituição e a imposição da religião sobre o Estado. Mas me sentiria assim se eu fosse judia ou de fé islâmica, também. Acredito no Estado laico. É a forma mais inteligente e íntegra dele ser.

E, como pessoa, penso que fé é muito pessoal. Assim como a falta dela. E é por isso que a ATEA me incomoda tanto. Acho a abordagem estúpida e descriminatória. E, poxa vida, são senhores esclarecidos e cultos. Por que tão ignorantes?! Eles apontam o dedo, ridicularizam, menosprezam em nome do direito de não acreditar em Deus? Bobagem. Não acreditem e pronto. Não me ofendo nem um pouco quando o Datena ou qualquer outro diz que o bandido “não tem Deus no coração”. Entendo a premissa, inclusive. Pode ser imbecil, mas não me atinge.  Eu sou essencialmente uma boa pessoa, porque minha consciência não me permite ser ruim. Não preciso de uma moral religiosa para me dizer o que devo ou não fazer, mas sei que não é assim para todo mundo. Alguns precisam do “freio de Deus”.

Há mau uso da religião – seja lá qual for? Claro! Mas ela é a culpada por todas as guerras e conflitos? NÃO! Se não fosse a religião, seria outra coisa qualquer. O ser humano adora um conflito e um drama. Deus é uma das desculpas usadas, mas não é o culpado. Há diferenças e elas são sempre o gatilho. Ou seja, não há nada que comprove que “o mundo ateu” não seria a mesma m*rda que o mundo teísta.

Forçar a barra e se colocar como vítima é a proposta da ATEA e é o que gera o preconceito. Ninguém gosta de “vítimas”. Até eu fico furiosa com coisas assim:

Hã-hã… Mas a ATEA pode usar esta imagem em prol da “causa”

Por causa de babacas como os ATEA, só posso pedir que, por favor, não me coloquem neste mesmo balaio. Não sou como eles. Eu respeito a fé de cada um e realmente acredito que o mundo não seja só razão. Pode haver magia, sim. Pode haver milagre. Pode haver espíritos e santos. Pode haver, sim, um Deus. Não há provas que sim ou que não e não sou tão imbecil para dizer que a minha verdade É A VERDADE definitiva. Ela apenas me serve.

E, seja como que for, eu sei que, se há mesmo um Deus e ele é Pai, ele me ama e acredita em mim.


5 pitacos »

  1. Manu Bento disse:

    Pi, eu acho essa sua declaração muito corajosa (como tantas outras!). Acho espantoso e muito satisfatório qualquer recusa de um Deus, porque parte do princípio que a pessoa ganha o direito de pensar.
    Eu vim de uma família católica que há mais de 15 anos tornou-se espírita, e há uns 8 virou Umbandista. Meros detalhes na formatação de uma fé que se compatibilizou com a forma de vida que decidimos levar e como encaramos as situações que nos são disponibilizadas.
    E Pi, quando vc convive em paz com a fé alheia vc é mais cristã que tantos outros que não conseguem executar esse ato de amor humano – reconhecer que somos diferentes e concebemos Deus diferentemente!

    Um beijo grande pra vc!

    http://www.sou-como-voce.blogspot.com

  2. Michelle Adelário disse:

    Excelente e sensato artigo. Parabéns!

  3. Emerson Canella disse:

    Olá, Pi! Sou umbandista a 5 anos! antes disso, como você, também fui criado no catolicismo, porém nunca me senti completo aonde estava. Depois de algum amadurecimento, descobri que o melhor lugar para ficar é aonde nos sentimos melhor! Seja na Igreja Católica, no Espiritismo, No protestantismo, ou em qualquer outra religião! Não gosto do fato de pessoas com formação e facil acesso a informações, falando mal da crença alheia! Acredito sim que cada um, deve seguir aquilo que lhe traga felicidade!
    Meu falecido avô, era Espirita, nunca pediu para que eu o seguisse, mas sempre me falava para eu acreditar em mim, que eu mesmo conseguiria chegar aonde quizesse! E me falava para acreditar na força da natureza! Que essa força é a maior de todas!
    Em fim, venho pensando em postar algum texto, falando exatamente o que esta no seu! Tanto que quando li, me identifiquei muito com sua indignação! Espero alcançar o seu nivel de sabedoria e postar algo tão valioso quanto o que você nos passou!

    • pi disse:

      Valeu pelo “nivel de sabedoria”, mas é só respeito. Se a gente não aceita a verdade do outro, como é que pode pedir que aceitem a nossa, né?! Abraço!

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