Só ontem me dei conta de por que o babado da Melissa com as blogueiras não me incomodou em nada: dormência. É que este tipo de marketing equivocado tem acontecido com tanta frequência que eu nem noto mais. Como não me atinge diretamente, não me atinge.
A Melissa começou errando – ou eu comecei a perceber os erros – ao dizer que seu público são jovens até 25 anos. Eu, a Adri e a Sandra, na época com 35 e consumidoras de Melissa, ficamos meio indignadas com a afirmação. E até chegar à inauguração da loja em NY foram inúmeras atitudes questionáveis.Tantas, que parei de notar.
Como teve quem não perdesse o fio da meada, culminou no episódio #melissafail, que rendeu muitas reportagens e muitas análises. Mas continuo afirmando que isso pouco importa à Melissa. Ela está numa zona de conforto, porque não tem concorrente direto. Muitas meninas “odeiam plástico no pé”, mas outras, como eu, prefere o plástico ao couro sintético ou ao couro animal.
Quem mais produz calçados de plástico no Brasil? A Zaxy, que também é da Grendene? Ou o pessoal de Nova Serrana, que plagia à beça? Entre a original que nos maltrata, a versão “pobre” que tem carinha de plágio e o plágio descarado e mal feito, fico com a original. E não estou só. Muito antes pelo contrário.
Modelos hediondos como Galactic, Making, Fly, Aileron e Wind voltam em novas coleções. O senso comum diz que são horríveis, mas esgotam e retornam. Tem quem goste e tem quem use qualquer coisa que seja odiado, só para ser diferente. Mas, acima de tudo, tem quem ame Melissa cegamente.

A Melissa pode estar se safando das escolhas erradas – por enquanto -, mas a Marisa vai acabar pagando pela imbecilidade cometida há alguns meses. Para quem não sabe, algumas “blogueiras de moda” andaram mendigando votos num concurso que a Marisa promoveu entre elas. A vencedora ganhou uma superviagem com quase tudo pago para Milão, Paris ou NY, mais vales-compras e mais uma maravilha de R$ 500,00 em vale-compras na Marisa para sortear para as leitoras do blog. A Camila barganhou: “deixar vocês escolherem o destino que eu vou, seguir as dicas de vocês da cidade escolhida para a viagem e trazer um presente bafo para a dica mais legal postada aqui no GE! “. A Lu apelou: “ (votem em miiiim): além dos vouchers que a Marisa enviará pra sorteio, prometo torrar os tais R$2.000 do prêmio só com presentes pra vocês!”. Mas quem ganhou foi a Lalá, que não prometeu nada.
Quem perdeu foi a Marisa:


E por que perdeu? Porque lojas como Marisa existem aos montes. Quem frequenta as F*Hits quer ver luxo e glamour, não quer ver “look” de R$ 100,00 – caso contrário, não frequentaria blogs de quem usa Chanel, Louboutin e Prada. Sem contar que essas moçoilas riquinhas não representam a marca nem pagando.
Eu nunca comprei na Marisa e olha que eu conheço a marca desde que a Virgínia Nowicki era a garota-propaganda deles. Sempre foi uma lojinha de centro de cidade, popularesca demais. Não orna ver Marisa em moça rica. E se a questão é reposicionamento de mercado, ou evitar, como a Seda fez, a perda do público C – que se espelha no povinho A -, associe-se a Globais, não a blogueiras. Isso é tiro no pé.
Como sou joia, fica meu conselho, gratuito, pra Melissa: forme seu marketing e seus mídias a partir de seus fãs. Tem melisseira que estuda publicidade, sabiam? E elas entendem o que é ser melisseira e amar a marca. Com certeza não vão fazer bobagens como as que estão sendo feitas.
E para a Marisa: não perca a identidade se associando a biscate. Marisa sempre foi de “mulher pra mulher”. A F*Hits é uma excelente ideia, mas eles ainda não sabem o que estão fazendo. A associação ao grupo tem queimado mais as marcas do que as enaltecido. Cuidado!
Fonte dos prints: Shame on You, Blogueira