Por mim, eu nem saberia que as Olimpíadas estão aí, mas marido gosta dos jogos – menos futebol – e assiste a todas as competições possíveis. Chato. Ainda bem que estou numas de ler.
Ele estava assistindo à competição de solo da ginástica olímpica quando Diego Hypólito caiu. Não foi um tombo de bunda, como na última vez que o vi, e que foi engraçado, mas foi um tombo feio que o fez perder possibilidade de medalha. Ele quis chorar. Ele chorou.
Passou um tempinho e Diego foi dar entrevista. Mudei de canal, porque me deprimiu, me chocou e me fez questionar o que era o tal do espírito esportivo.
Diego estava triste. Ok, Olimpíadas acontecem a cada 4 anos e sair, de cara, é dureza. Mas nada me preparou para tamanho derrotismo e auto-comiseração.
“Eu tenho é que me desculpar mais uma vez pelo meu segundo fracasso em Olimpíadas. Não era a imagem que eu queria passar. Eu caí novamente e só tenho que agradecer à Federação, clube e patrocinador, que acreditaram em mim”, ele disse.
Se eu fosse patrocinadora, caía fora dessa. Eu não ponho meu dinheiro em fracassado.
Perder faz parte do jogo. Alguém tem que perder para alguém ganhar. No caso, ele perdeu. Mas fracasso é uma palavra pesada. Sim, significa “não alcançar o objetivo” e foi fato, mas a conotação, a dor empregada… Deu-me vontade de fazer um “L” com os dedos, sobre a testa, e gritar “LOSER”!! Só que ele não o é. O cara é bom! O cara ganhou muitas vezes, muitas medalhas. Como pode se pintar com tintas tão feias?!
“Todo atleta tem lesões e seria muita pretensão minha falar que eu caí por causa disso. Eu sei o que aconteceu e não foi isso. Fico muito triste e decepcionado com o meu desempenho em Olimpíadas. O meu objetivo era estar pelo menos na final e nem isso eu consegui. Pode ser que eu não mereça, eu não competi bem e errei. Eu não posicionei a perna direito e agora tenho quatro anos para tentar ajustar isso”, completou.
Eu acredito em pretensão, no sentido de intenção, desejo ou ambição. Não conheço campeões sem pretensão. A pretensão (no sentido de vaidade e presunção) também é parte de se acreditar apto a vencer, que se é o melhor, que se mereça o prêmio. Se você não merecer, pra que competir? E, não, não vale competir, somente. Isso é papo de quem perde. O que conta para quem está ali é ganhar!
Mas se não foi o caso ganhar, se houve uma lesão, um erro, má sorte, nervos em frangalhos ou coisa que o valha que impediu o êxito, bola pra frente! Vale chorar. Não vale ter pena de si em público. Sentir dó de si mesmo é tão pequeno, que não cabe na grandeza de um atleta olímpico como ele.
Como eu disse, mudei de canal e não vi se teve mais mi mi mi. Naquele momento, senti antipatia do Diego. E fiquei em dúvida se, se eu fosse a repórter, o teria abraçado ou esbofeteado, dizendo para voltar a si. Quieta eu não ficaria.
No fim, fiquei me questionando se não falta alguém para dar apoio psicológico a esses atletas? Ou o Diego é só sensível mesmo? O peso da responsabilidade – e da pretensão de todos sobre ele – é tamanho que o cara nem se ergue quando cai? Não pode… Se a preparação física foi exemplar, talvez tenha carecido de uma preparação de espírito. Vale pensar nisso.
Since
ramente, espero que ele se recomponha nos próximos 4 anos, encontre equilíbrio como pessoa e volte a ser “uma esperança de medalhas”. Não pelo Brasil, pelo qual estou me lascando, mas pelo homem e atleta que ele é. E, Diego, comece a usar Shampoo Johnson’s – quem sabe, um futuro patrocinador? -, porque, na boa, chega de lágrimas!


















