Piranha

Tenho, há uns 30 anos, um único problema na vida: não ter dinheiro.

No colégio, eu era a que nunca tinha ido à Disney, não tinha mochila de grife nem estojo de “quadro lados” da Hello Kitty.

Hoje, sou uma babaca que fica babando em sites de bijous e não tem R$ 37,00 para dar num relógio lindo – ainda mais com frete de R$ 13,00. Babaca, porque eu já sei, já sei… Contemplação leva ao desejo, blá blá blá… Se não tenho grana, por que procurar o que desejar/comprar? Porque, infelizmente, sou um ser humano completamente inserido nesta sociedade de consumo. Simples assim.

Dinheiro traz algumas tranquilidades das quais sinto falta, tipo, não ter que pensar na falta dele. Não é só poder comprar em pencas, mas não ter que se privar, sabe?! Querer viajar e poder. Querer ir a um show e poder. Querer ir comer no Hermengarda e poder. Seu cachorro está doente? Ter como pagar o tratamento sem se endividar. Isso de não se endividar é uma dádiva. Uma bênção. Queria para mim.

Eu não sei lidar com dinheiro, por isso, nunca o tenho. Eu não sei sequer ganhá-lo em suficiência. Não tenho este talento nem inúmeros outros. Não tive capacidade de ser “piranha” quando tive oportunidade – lê-se: quando tive quem pagasse para estar comigo – e não sou herdeira de nada. Não sei fazer nada extraordinário, não tenho beleza o bastante, não sei cantar, dançar, atuar, não tenho carisma. Não sei, sequer, fazer um blog de consumo, apesar de saber a fórmula de cor – ainda bem. Se eu não ganhar na megasena – precisa-se jogar, né?! – vou morrer na míngua.

Sobre ser piranha… Uma amiga estava falando de uma moça bonita que tem fama de ter sido “dessas” e que se deu bem. Tem marido rico, viaja e compra o que quer, quando bem quer. Talento. Eu não saberia conviver com alguém que eu não amasse – mal dou conta de quem eu amo – e não amaria ninguém só pelo dinheiro. Sim, sei dar sem amor. Sem tesão, não.

Eu não admiro as “piranhas”, não as invejo, não as condeno, tampouco. Dinheiro – a falta dele – é um maldito dum problema que muitos resolvem se contentando com pouco, outros, tentando conquistar mais e mais, seja como for. Não pertenço a nenhuma das duas categorias, por isso, sofro.

Sei que pessoas argumentam que dinheiro – tê-lo em profusão – traz problemas, também. Vários. Mas são novos problemas, inéditos, e eu gostaria muito de prová-los. Afinal, ter sempre o mesmo problema não nos faz, necessariamente, aprender a conviver com ele ou a dominá-lo. 30 anos… E estou dominada pelo meu até a tampa…

 

4 ideias sobre “Piranha

  1. Há algum tempo me convenci que dinheiro só é legal mesmo quando se tem um objetivo a cumprir. Senão vira loucura, obsessão, busca implacável. Ah, e a falta dele é a certeza que conquistamos o que queríamos e estamos pagando as contas. Ué, a vida não se resume a isso? 😛
    Ah, e quanto ao concurso público… a certeza é só de ter dinheiro todo dia 10 e ponto. Se vc não é juiz ou promotor nesse país, a única certeza que um concursado tem é essa. Te digo com conhecimento de causa, sou concursada em dois. Bj pra vc!

    • Você é professora, certo? É concursada e trabalha a sua profissão. OK. Mas não há muitas vagas para designers em emprego público. E, as que tem, definitivamente não são nos meus arredores, então, para mim, ser concursada é aquele Plano C, quando tudo mais deu errado. Eu não daria conta da rotina. Prefiro meus estresses.
      Sinceramente, prefiro ganhar na Megasena. Até tentei, mas não é fácil… Neste exato momento, ter dinheiro resolveria TODA minha vida.

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