Brasil: ame-o ou deixe-o

Tenho uma amiga que insiste em defender o Brasil da forma que, na minha humilde – humilde, eu?! – concepção, é errada ao extremo: por comparação. Não sou fã, via de regra, de comparações. Geralmente, nem sequer fazem sentido. Tive um professor de Física que costumava dizer: “seja feliz com o que você tem, porque tem gente que tem menos e é feliz.” E daí?! Eu sou eu, pessoa que se contenta com pouco é pessoa que se contenta com pouco.

O Brasil não é o pior país do mundo, com certeza. Não há uma tradição de se cortar clitóris e costurar vaginas, por aqui. Não há um sistema de castas que não nos permite ascender economicamente. Não há furacões, vulcões, terremotos nem tsunamis. Não há matança de golfinhos para garantir ereção. Não há pena de morte por cheque sem fundo.

Mas também não há liberdade de expressão. Não, amigo, você não pode falar o que quiser.

Em compensação, temos a maravilhosa tomada jabuticaba, ANVISA com excesso de poder, 13º salário – que para você que recebe, é ótimo, mas para o pequeno empresário que tem que pagar e não ganha NADA com isso, é desesperador -, temos impostos abusivos sem contra-partidas positivas, sistemas de cotas e leis de incentivo corruptas, políticos extremamente bem pagos, nova ortografia e uma porção – extra plus – de outras merdas.

O Brasil não é o pior país do mundo, mas insiste em não ser bom. Provavelmente, porque há uma enorme maioria de brasileiros que insistem em não enxergar defeitos, não procurar soluções e deixar como está. Funciona para eles.

Enquanto isso, a minoria, incomodada, se retira ou, como eu, reclama na Internet.

Há um “ensinamento-meme” rolando por aí que “se você pensa que é muito pequeno para fazer diferença, tente dormir em um quarto fechado com um mosquito”, mas não acredito que incomodar é o mesmo que fazer diferença… Que pena. Sei incomodar.

Gato nasce em árvore

5:58 da manhã. Uma ventania terrível derruba mais uma folha da palmeira. O barulho é intenso. Acordo assustada. Ao longe, um gato mia.

Não tão longe. É bem perto, até…

Levanto-me e saio a procurar dentro da casa. Será um dos meus?! Não. Todos agitados, mas calados.

Saio pelo quintal afora. Vento. Miados. Vento. Miados.

Chego ao pé de abacate onde encontro, pendurado num galho, uma gatinha. Estendo a mão. Ela vem. Ei-la:

Guacamole é carinhosa e dócil. Não é fã de colo, mas é tranquila. Quer ser o humano dela?!

Resistindo

Vendi quase tudo o que eu tinha de maquiagem. Dei meus esmaltes pras amigas. Parei de brincar de ser mocinha, assumi que sou desleixada, mesmo. Mas tem alguma coisa em brilho holográfico/furta-cor que prende meus olhar, me dá tremedeira, baixa a resistência e traz a minha versão consumista na hora!

Pois eu parei de “vender” Lime Crime, mas não parei de receber os e-mails. E eis que isso me aparece:

Bem que Buda falou: contemplação leva ao desejo. Pois é, estou a desejar com força…

Domingo é dia de panqueca!

Para você, que vive dizendo que o fim de semana promete, mas nunca cumpre, eu tenho a solução. Dedique um tempinho da sua manhã de domingo para fazer panquecas. As da Mari são sensacionais!

Dá um pouquinho de trabalho, mas valem a pena. Você pode comê-las com manteiga, geleia, creme de avelã ou de Ovomaltine, maple syrup – recomendo! – e até com bacon e ovos. Delícia!! Fiz, hoje, e até a Panqueca comeu!

Depois disso, você pode brigar com o marido/namorado, ser rejeitada pelo seu cachorro, pisar em xixi de gato, topar com o dedinho na quina que nada disso irá estragar seu dia!

Panquecas no café da manhã são certeza de domingo feliz!

 

Sábado é dia de tomar banho!

Aproveitando o calor e a chuva que não vem, resolvemos dar banho nas crias. Primeiro foi o Toro que, apesar do Frontline em dia, pegou pulga.

Foi trágico. O cachorro fedia seco, fedeu mais ainda molhado. E peidou muito no cubículo do banheiro de empregada. Se o marido sobreviveu – porque eu caí fora – é porque é um bravo guerreiro. Mas ficou lindo, limpo, cheiroso e sem pulgas! Até pode passar o dia na sala de casa!! Infelizmente, ele não quis ser fotografado…

Depois, fomos aos gatos. O mais fácil, primeiro. Pudim gosta de banho, só não gosta do cheio do xampu. Se comportou lindamente e saiu limpinho. Se lambeu o resto do dia para tirar o cheiro.

Depois o Will, que gosta de água, mas não gostou do banho. Chorou um pouquinho e saiu limpinho.

Panqueca, que também gosta de água, lutou um pouquinho, mas sem unhar. Ficou lindamente embaraçada e foi um custo desdar os nós.

Gasolina. Gritou, lutou, unhou e saiu menos suja do banho. Continua encardida, mas foi o melhor que pudemos fazer. Pelo menos, não fede mais.

Pixie. Sem banho. Ela tentou me matar enquanto eu tentava limpar as orelhas com algodão. Temendo pela minha vida, desisti do banho.

E Biobio… Ela anda calminha, muito lady, mas temos trauma dos banhos anteriores, quando ela unhou nossas caras, mordeu nossos braços e mãos e jurou vingança. Marido deu a desculpa de que, se a Panks embaraçou, imagina a Biozis, que é mais peluda! Sei… Lembrei na hora do carinha do pet-shop que, mordido, nos disse: “nunca mais traga esse animal aqui!!”. E ela permanece ensebada…

Voa, sanhaço/ foge ligeiro/ que o homem vem aí

E o parque em frente a minha casa, onde moram as corujas, os sabiás, os gansos e os patos, os gambás e os tiús está em chamas.

Quando ligamos pro Corpo de Bombeiros, o rapaz que atendeu lamentou muito, disse já sabia do incêndio, mas nada podia fazer, porque a única viatura da cidade estava apagando fogo na BR.

O barulho do fogo lambendo todo o parque me incomoda. É um som triste, de lamento. E nenhuma ave pia, nenhum som de bicho acompanha.

E pensar que uma brutalidade dessa é, muito provavelmente, ato ignorante, covarde e absurdo de uma pessoa. Um ser humano.

É como cantou Chico Buarque: “Voa, sanhaço/ foge ligeiro/ que o homem vem aí”.

Comenta aí!

Ah… Comentários… Sempre me deixam feliz, mesmo quando não são positivos!

Acho divertidíssimo as pessoas que xingam, tentam ofender, ofendem, esperneiam, enfiam o dedo no olho. Amo muito quando o fazem anonimamente. Como se eu estivesse preocupada em perseguir quem comenta – né, Tubaína? -, como se fizesse diferença. Aliás, se você não é ANONYMOUS, é, provavelmente, só um covarde que tem medo de se “expor”, de mostrar a cara, de assinar sua opinião. Posso ser uma imbecil que só escreve bobagem, como gostam de dizer, mas, pelo menos, assino minhas bobagens, assumo cada uma delas!! Ha!

Você nunca vai me ver de mimimi, choramingando um comentário ruim. Já rebati alguns agressivamente, já argumentei com a maioria, já ri muito de muitos. Fiz até amizade com uma comentarista chateada!

No fim das contas, tenho pleno conhecimento de mim mesma. Você, não. Então, se quer mesmo me ferir, arranje unhas, porque palavras, para me atingirem, tem que ser muito verdadeiras e de uma verdade que me envergonhe, que eu não admita. E ainda não tive conhecimento de alguma assim.

http://www.willtirando.com.br/

Gosto, também, e ainda mais, das pessoas que discordam e argumentam, expõem ideias, que me corrigem. Mesmo. Claro, adoro elogios. Fazem bem pra alma! Mas conhecer novos pontos de vista é ótimo! Tipo, falei o que acho de “índios”. O Edgar falou que é preconceito e que eu não tenho a mínima noção do que é ser índio. Não, não tenho mesmo. Então, porque ele não me contou como é? Porque não expôs o ponto de vista dele em vez de me xingar em xavante?

Se eu escrevo alguma coisa absurda, se minha opinião é questionável, questione, por favor. Mas com argumentos. Se quiser, dou espaço prum post de retratação, uma réplica! Que tal?!

Li uma pesquisa dizendo que os comentários em blogs estão diminuindo cada vez mais e que as pessoas preferem comentar via Facebook, pois é só estar logado. Pode ser, mas, aqui, as coisas vão continuar como estão. Quem quiser se expressar, xingar, elogiar, discordar, será moderado, sim, porque sou responsável por tudo que é publicado aqui, mas será muito bem-vindo.

E, por fim, o comentário mais bacana que este blog já teve. É da Adriana Abreu: “Esse povo pensa que o céu é perto.” Amei!

Love hurts

“Love hurts, love scars, love wounds’ and mars
Any heart not tough or strong enough
To take a lot of pain, take a lot of pain
Love is like a cloud, holds a lot of rain
Love hurts, oh, oh love hurts”

Nazareth

 

A imagem da dor em cores… Ah, o amor machuca… Deixa cicatrizes…

E a algoz…

Agora, falando sério, gatos não são traiçoeiros ou maus. Eles só são livres. E, sendo assim, sabem se livrar daquilo que não querem. Mesmo que seja um abraço.

Trocar 6 por meia dúzia

Ou 45 por 55. É tudo a mesma coisa, só muda o tamanho da careca.

Se a dois anos eu queria votar, queria que você votasse, defendi a democracia, o voto consciente e o escambau, este ano eu mudei de lado. Eu não vou votar. Se bobear, nunca mais.

Cansei de ter que escolher entre o sujo e o mal lavado. Sabe? Cansei.

Ok, ok. O “Facebook” já me ensinou, insistentemente, que voto nulo não anula eleição. E daí?! Devo votar por votar, então. Voto nulo não anula, mas mostra exatamente qual minha opção. E opto por nenhum deles. Que percam todos! Se isso não serve, pelo menos, de alerta, não sei de mais nada.

É. Votando ou não, o sistema vai ser sempre “eles”. Duvida? Quem de novo apareceu como candidato? Aqui, só café requentado.

Eu não escolho mais o menos pior, nem se existisse isso. Menos pior é ruim, também. Menos pior não ajuda sua cidade, seu estado, o país a crescerem com qualidade: de vida, de educação, de saúde. Menos pior é como os outros, se ajuda, ajuda os amigos, a turminha. Menos pior saiu rico da prefeitura, comprou apartamento em Lourdes – bairro carérrimo em BH – à vista, em nome de laranja. Afinal, não é o menos pior de 4 anos atrás que hoje comanda sua cidade?! E foi bom para você?! Foi bom para ela?!

Não concordo com o mundo em que vivemos, com as pessoas com quem sou obrigada a conviver, com o ar carregado e insalubre que eu respiro – com muita dificuldade e dor – nem com as bobagens que leio por aí. E, talvez, você não concorde com as minhas. Mas temos opção. A minha, é me retirar. Posso?

Quero ir embora para Paságarda, mesmo sem ser amiga do rei.

Update: texto muito bom sobre o mesmo assunto, aqui.

Egotrip

Sou e não sou uma boa pessoa. Sou o melhor que posso ser. Isso tem que me ser o bastante – mas não é…

Já foi dito que, no fundo do meu ser, habita uma pessoinha amarga, mesquinha, vingativa, que não perdoa nada, que se acha melhor do que as outras pessoas, que ainda culpa a família pelos fracassos pessoais e pelas desistências e quer ser “amada”/temida, tal qual O Príncipe. Ou seja, sou 100% humana. E essa é minha maior fraqueza, isso é o que me torna menos boa do que eu gostaria de ser.

Mas acredito que seja assim mesmo. Não há nada de perfeito em se ser humana. Aceito isso – mais ou menos.

Daí, quando vi isso:

A resposta me veio imediatamente: MUITO!

E por que não? A criança que eu fui queria ter coisas, queria ser rica, queria uma vida de comercial de margarina, com gold retriever, inclusive. A adulta que sou não conseguiu nada disso.

Eu, hoje, me arrependo de uma porção de episódios na vida. De muita coisa que fiz, que não fiz, que deixei fazerem. Sou, por vezes, fraca, desagradável, mas, no frigir dos ovos, eu me orgulho de mim. Sinto-me abençoada e pessoa de sorte, apesar dos percalços. Enxergo cada uma das minhas conquistas, mesmo que minúsculas, como troféus. Tenho muitos! Enxergo minhas frustrações como combustível motivacional. Tenho muito.

Eu, criança, era reflexo clássico da vida que girava ao meu redor: materialista e vazia. Mas sei que eu era inteligente e perceptiva e se naquela época eu pudesse me ver adulta, sentiria, sim, admiração, orgulho, amor.

Penso que se você é uma boa pessoa, apesar das angústias e dos maus passos, se você é, essencialmente, um ser humano decente, respeitador, limpo, a sua versão criança teria orgulho de você, sim. Se não, é certo que você não foi uma boa pessoa quando criança. Que bom que evoluiu!