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HEAL THE PAIN

6 de outubro de 2012

Hoje, resolvi dar um tempo na leitura e nos trabalhos e passei parte da minha manhã assistindo a “O garoto de meia tonelada”, no NatGeo. Chocante. Não dá para entender o que leva alguém a pesar 300kg. Comida e sedentarismo, eu sei. Mas se eu começo a assar nas coxas, por causa do atrito das banhas, dou um jeito de perder peso. Eu, a senhora preguiça. Então, não consigo imaginar como alguém pode crescer tanto sem se incomodar.

Nos três casos do programa, a família é apresentada como a supervilã. Faz sentido. Mães obesas criam filhos obesos? Pode ser. Todas, sem exceção, eram bem gordas. Mas, em pelo menos um caso, ficou bem claro que o problema nada mais era do que mãe com Síndrome de Munchausen por Procuração e pai omisso.

A Síndrome de Munchausen por Procuração é, em linhas gerais, uma doença sacana em que os pais – pai ou mãe – causam danos físicos aos filhos, em busca de compaixão.

A mãe do Billy Robbins, uma senhora obesa que teve dois filhos com obesidade indecentemente mórbida – sendo que um deles morreu -, se fazia de vítima, de coitadinha toda vez que apontavam que o problema era ela e que ela iria perder mais um filho. Que dó. O menino – com 20 anos e 300 e tantos quilos -, teve que ser afastado de casa para conseguir emagrecer em paz. A doida da mãe empurrava comida pra ele o tempo todo. Percebe-se claramente que a “pobrezinha” queria manter o filho por perto e dependente – aliás, ela o chamava de bebê – nem que, para isso, tivesse que matá-lo.


John Wayne, a segunda vítima, não tinha motivação para emagrecer. Numa família exageradamente numerosa, ele “sobrava”. Ninguém parecia se importar muito. Estando ele, aos 17 anos, por conta própria, é possível que a obesidade fosse uma forma de buscar ser notado. Pois é…

Os pais do Murph, um menino de 18 anos e prá lá de 400kg, acharam que a morte do filho serviu de alerta para outros obesos buscarem ajuda antes que seja tarde. Hmmm. 400kg não é muito tarde? Tipo, ele não morreu? Precisa mesmo que alguém morra tão gigantesco para que se perceba que obesidade pode ser fatal? Precisa passar dos 200kg para se perceber que o caminho de volta pode não existir?! Sério. Quando seu filho não consegue mais se levantar da cama por estar gigantescamente gordo, você não percebe que há algo errado? Só se dá conta quando ele precisa de um respirador para sobreviver?!

Mas meu foco, aqui, não é a obesidade em si. Acho, e sempre achei, que ser gordo demais não é estético, moral ou saudável, mas cada um sabe de si. Meu foco é a família e sua forma de lidar com ela.

Li O Outono da inocência – O corpo, do Stephen King – quem mais? – recentemente. Para quem prefere filmes a livros, é o original de “Conta Comigo”. Bem bonito. A relevância com o programa dos obesos está na forma de lidar com o descaso/abuso da família. Algumas pessoas preferem brilhar.

Pais são pessoas sem a menor noção de como criar pessoas. Alguns vão na sorte ou no instinto, outros se baseiam em grandes teorias, mas, no fim, é tudo tentativa e erro. A maioria – espero – tenta acertar, tem as melhores intenções, mas é claro que sempre há os que erram de propósito. Mães obsessivas e castradoras, pais molestadores ou ausentes. Se você sobreviver a eles, pode optar por ser uma pessoa decente ou pode ser vítima para o resto da vida. Muitos escolhem ser decentes. Vítimas costumam propagar os erros, a descontá-los nos outros e/ou em si.

Sei que, assim como os dos nossos pai, nossos erros não são sempre conscientes. Às vezes, nos deixamos levar. Às vezes, a dor é maior do que a razão. Mas se houver um momento de consciência, de iluminação, agarre-o e lute por ele.

Sei, também, que evitar o caminho que parece que nos foi traçado sob medida ou ter força de vontade para se dissociar dos pais e do que eles esperam de nós (ou fazem conosco) requer maturidade e muita coragem. Tarefa dura, ainda mais na adolescência. Mas é sempre uma boa opção. Optar pela felicidade é o único caminho viável. Qualquer fuga – comida, drogas, álcool, sexo – parece mais fácil, no começo, mas é só ilusão. Um dia, crescemos e temos que lidar com as escolhas erradas.

Como cantou George Michael, “seja bom com você, porque ninguém mais tem o poder de te fazer feliz”. Cafona? Com certeza, mas nem por isso deixa de ser uma grande verdade.


7 pitacos »

  1. Ariane disse:

    Também assisti ao programa e ficam evidentes os problemas daquelas famílias. Todos (ou quase todos) querem filhos, mas ninguém pensa se realmente tem condições de criá-los e saber, na medida certa, soltá-los para que evoluam como seres humanos. Infelizmente, hoje é muito comum pessoas com 30, 40 … anos morando com os país, absolutamente dependentes em todos os sentidos.

  2. joao disse:

    O que aconteceu com Billy Robbins hoje, agosto 2013? Sei que o tema abordado aqui é a familia, mas por favor me responda, pois fiquei muito preocupado com a situação desse menino. obrigado.

  3. denise disse:

    Reparou a mãe do Billy oferecendo pizza, a vaca.Nos Estados Unidos não existe legumes, verduras e frutas. O coitado só comeu 1 laranja foi no hospital . Até em filmes vejo sanduba no café , almoço e jantar ou então pizza e panquecas ou ervilhas milho . Que gastronomia estranha até mais do que na China, pelo menos insentos são light. Às vezes são 2 sandubas 1 é pouco

    • pi disse:

      Isso é hábito alimentar de preguiçoso. Muita coisa pré-pronta, muitos congelados e sanduíches condimentados. Tem gente que não tem fogão em casa, só microondas. E quem mora em casa poderia ter uma hortinha…
      E não ofenda as vacas. A mãe do Billy é uma humana nojenta.

  4. Adriana disse:

    O primeiro filho dela morreu de cancer cerebral, e nao de obesidade morbida como afirma a autora.

    • pi disse:

      Realmente, a autora errou. O primeiro filho de Bárbara morreu aos 19 meses, mas não sei se foi câncer, não encontrei referências a respeito disso. E foi a morte do bebê que desencadeou a paranoia da mãe. Então temos a equação: 1 filho morto + 1 mãe desequilibrada = Billy com meia tonelada de peso.

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