E a farmília cresce…

Eu evito que as galinhas choquem. Não quero mais galináceos na casa. Já são muitos, já são caros, já são barulhentos demais… Mas, a Natureza é mais forte do que eu. Nasceram 11 pintinhos, hoje. Pelo visto, todos garnisés… Maldição!

A chuva e a falta de inteligência das galinhas costuma dar cabo da maioria deles, mas são tão lindinhos que não dá para torcer contra…

In God we trust

Semana passada, marido me contou – porque estou temporariamente fora do mundo – que o Ministério Público está perseguindo a frase “Deus seja louvado”, das notas de real. É que o Estado é laico – ou deveria o ser – e a frase supostamente ofende os que não crêem em Deus.

Eu, particularmente, que não creio em Deus nem em dinheiro, não me ofendo com a frase. Aliás, nem a reparo. Sei que está ali, porque sempre esteve, desde o cruzeiro – e antes -, mas, na cédula, as únicas palavras que me importam são as que determinam o valor.

Não sei quando foi que os ateus se tornaram essas velhas carolas e pitizentas que implicam com a fé dos outros, mas não gosto disso. Ateísmo deveria ser, no máximo, uma filosofia, não e de forma alguma uma religião ou seita, que, como quase todas as que temos por aí, persegue as outras, apontando que estão erradas e que seus seguidores irão pro inferno! Se eu fosse seguir uma religião ou seita, seria alguma do Zeca Pagodinho, porque não há palavras mais sábias do que estas: “cada um com seu cada um. Deixa o cada um do outro”. Serve pra tudo!

Acreditava que em tempos de Copa do Mundo no Brasil, Internet rápida – menos ruim do que a discada -, mensalão, caso Bruno e Cachoeira, as pessoas teriam mais com o que se ocupar do que se ofender com bobagem. Lavar uma trouxa de roupa, ninguém quer, né?!

P.S.: de modo amplo, o termo ateísmo determina a “rejeição ou ausência da crença na existência de divindades e outros seres sobrenaturais”. De modo objetivo, é a negação da existência de deuses. Como não é religião ou seita, não há regras e um ateu pode ser espiritualista, se ele quiser. Pode até ser religioso. O Budismo, por exemplo, não cita nenhum deus. E eu posso gostar de tarô e acreditar na Grande Ciência Sagrada da magia – sem a parte das divindades, é claro.

P.P.S: Marido me lembrou de outro fato: nosso calendário é cristão. São 2012 anos depois de Cristo. Tiremos a frase da nota, subtraiamos os feriados religiosos e comecemos a contar os anos do zero para marcar o calendário “que não ofende nenhuma fé”! Bora lá?!

Ai, ai…

Só para não deixar o blog abandonadão, vim postar umas rapidinhas:

• Acabo de quebrar um dente. É lá de trás, daqueles que nem se nota, mas que, agora, a língua, obsessivamente, o procura, ávida por levar um corte.

• Estou sem algumas funções do teclado externo. V, (, 9, volume e delete. As teclas morreram, assim, sem quê nem porquê. Pode ser pelo de gato, como quase tudo na minha vida. Pode ser a Microsoft mostrando seu valor… O motivo é menos importante que o desespero que a situação me traz.

• Tentei comentar no blog da Luana, mas, ó só, sou boa nisso, não. Eu comento e some!

O negócio é que eu tenho 7 gatos. E eu queria ter 2. Não que eu não ame desesperadamente os 7. Claro que amo! Mas 2 gatos seriam o suficiente para mim e perfeito para eles. Rasputin, que foi o primeiro, e Biodisel, que foi a planejada. Eles se toleram e são tranquilos.

Com 2 gatos, eu não viveria sitiada por mijo e pelo e não gastaria tanto! Mas os gatos foram aparecendo e ninguém adota vira-latas, nesta cidade. Eu não os abandonaria na rua, isso, nunca. Então, eles foram ficando… 7.

Donde eu concluo: sim, as pessoas são babacas – quase todas. Se não o fossem, eu teria 2 gatos e os outros 5, com certeza, seriam felizes, quentinhos e bem cuidados por outras pessoas, em outros lares. Aliás, talvez eu tivesse 3, porque o Legião não teria sido assassinado. É… Pessoas… Babacas!

• A Guapa, a última aquisição felina, comeu o fio do meu carregador de bateria do Macbook. E o do fone do iPod. Qualquer dia, fico incomunicável…

• Estou lendo As Brumas de Avalon, de novo. Li aos 24 e achei bacana. Hoje, estou achando um novelão! Mas me divirto! E lembrei-me porque, apesar de Guinevere ser meu nome favorito pra gatas, eu nunca tive uma. É que a princesa é um pé no saco!!

• Por falar em princesa, a Panqueca estava curtindo um sapo. Passou o dia o abraçando ou o olhando ou o protegendo. Aí, anoiteceu, e o sapo foi embora… Como a gata ficou triste…

Perdemos o clique do abraço. Estava lindo…

A propósito, o nome do sapo é Zafir.

• Depois de anos, fiz uns projetinhos de decoração. E gostei! Sou boa!

• E a pergunta que não quer calar é: que barulho é esse? Eu escuto demais ou estou com algum tumor/possessão? Ou simplesmente as pessoas desapegaram dos sons e eu fiquei pra trás? Eu escuto coisas que ninguém mais parece perceber… Solitário, isso…

• Eu trocaria o Dia da Consciência Ruiva – minha reivindicação, há anos. Sou minoria e em risco de extinção, poha! – pelo Dia da Consciência. Sem cor, sem credo, sem rótulo, sem particularismo. Nem precisaria ser feriado, mas apenas um dia dedicado à reflexão sobre o papel do ser humano – babaca –  neste mundo. Um dia para se pensar.

Afro-americano sobre euro-descendente*

O fim de semana foi de chuva e preguiça. Não arrumei casa, não lavei roupas, não cuidei nem de mim. Comi, fofoquei e li.

Terminei o Travessuras de uma menina má e, apesar dos percalços, é um bom livro. Poderia ter sido melhor, mas, como não sou a editora dele, ficou sobrando uma aparas.

Li as colunas da Eliane Brum, meio que me atualizei em Trilhos Urbanos – estava atrasadíssima – e uma coisinha ou outra na Veja On-line. E resolvi fazer um clipping comentado! Sim, eu me acho. Sabia, não?!

Da Veja: A venda da virgindade e o livre mercado do pensamento

Sou desfavorável a qualquer lei que limite as liberdades individuais. Qualquer decisão que você tomar que só diga respeito à você, que seja relativa a seu corpo e a sua vida, não cabe ao Estado se meter. Se não prejudica ninguém além de você, you go, girl!

Sou favorável à descriminalização da venda de órgão, do aborto, da prostituição – no Brasil, não é crime, mas é em muitas partes do mundo -, do uso “recreativo” de drogas, da eutanásia. Isso não quer dizer que vou vender meu rim, abortar, que alugarei meus orifícios num leilão virtual, que irei me drogar ou praticar suicídio assistido em algum momento. Significa, apenas, que não acredito que os MEUS valores morais são a medida para todo mundo. As minhas escolhas são as corretas para mim, não sei nada quanto à você.

Se “enormes injustiças podem ser cometidas quando alguém compra ou vende algo em condições de grave necessidade econômica, pressionado pela pobreza e pela fome”, o Estado deveria interferir no sentido de diminuir as desigualdades sociais, redistribuir riquezas, fornecer ensino de qualidade e assumir o que é, de fato, de sua responsabilidade.

Os excessos, como matar bebês defeituosos, eu já deixo pros macacos. A gente evoluiu o suficiente para arcar com as escolhas e consequências. Se você resolver gerar um filho, ele é problema seu até o fim. Não tem dessa de devolução de mercadoria defeituosa, simplesmente, porque bebês não são mercadoria. São pessoas, outras pessoas, que não você.

Assim, também não sou favorável à venda de bebês. Nem de gatos, cachorros, capivaras ou jabutis. O comércio de seres vivos não é uma liberdade individual, pois envolve o outro. Seja ele humano ou não.

A questão, então, a meu ver, não é a aplicação do livre comércio a tudo, como sugerem alguns pensadores citados na reportagem. É a não interferência do Estado na minha individualidade. No que diz respeito à sociedade, tem que haver limites, sim.

Da Eliane Brum: O terremoto que abalou a Ciência

Eu não sabia que não há um modo de prever terremotos. Eu não sabia desta limitação da ciência. Se há previsão do tempo, para mim, estava claro que terremotos são previsíveis. Pode não haver nenhuma ligação entre uma coisa e outra, ok. Mas eu sou leiga e, como tal, imaginava que prever ventos seria até mais difícil do que prever abalos sísmicos.

Mas eu acredito que, se os cientista envolvidos na pendenga sabiam disso, antes de aceitarem o serviço de prever terremotos, antes de receber por ele, deveriam explicar ao contratante: “não há como prever! Vamos apenas fazer um exercício de sacação às suas custas e daremos uma resposta pronta: ‘pode ser que sim, pode ser que não'”. E o contratante perceberia que o ideal seria evacuar a cidade e, só aí, esperar pra ver.

Quando os cientistas assumiram o compromisso de dar respostas, assumiram a responsabilidade pelo revés da resposta mal dada. Porque, no caso, não é uma questão de fé na ciência, como argumenta a jornalista, mas de má fé dos cientistas. Simples assim.

Do Trilhos Urbanos – já tiraram o post do ar…:

Nem vou comentar muito, senão, sobra pra mim! Mas achei uma cara de pau sem fim – mas com fins lucrativos – alguém solicitar verba para evento cultural e promover liquidação com a grana. Liquidação com ingresso. Ou o consumo com desconto se popularizou a tal ponto que chegou às raias da cultura e nem me avisaram?!

O pior? Tentativa de coersão e censura prévia.

Vergonha na cara deveria ser artigo de consumo. Deveria ter banquinha cativa na liquidação. Faz falta.

* “preto no branco” em politicamente-corretês

Convite

Caros, dia 28 de novembro, acontece, em Ondina, Salvador, Bahia, a 3ª Mostra de Moda da UNIME e vocês estão convidados:

O Unifashion LAB, realizado pela UNIME e produzido pelos alunos do quarto semestre do curso de Design de Moda desta instituição, é um evento híbrido, sem fins lucrativos, que congrega mostra de trabalhos acadêmicos e diversas atividades, como palestras, oficinas, performances, entre outras, a fim de se configurar num local de compartilhamento de informações e de construção de conhecimento, otimizando e potencializando o aprendizado.

Na sua primeira edição, traz a Pele como eixo temático. A pele como elemento construtor de identidades, que adere e repele, que percebe o mundo, o estranha e reage. O que está em contato com o avesso migra para a superfície, se expondo na pele e sobre a pele. Assim como a roupa, a pele reveste e comunica ao mesmo tempo. Esse tema alimentará todas as atividades dessa edição: palestra seguida de mesa redonda, desfile-performance e exposição de trabalhos.

Para enriquecer esse laboratório de criação acadêmica, as artes performáticas, em especial, a dança, dialogam com a moda num jogo de inversão de papéis, onde a performance se cria a partir do figurino. O ponto de partida é o visível, a superfície, a pele (traje) com sua identidade visual. O performer aceita o desafio de criar em cena uma “identidade cinética” para o traje, dando-lhe existência enquanto figurino e complementando a construção do personagem iniciada pelo designer.

Com palestrantes de:
Sérgio Sobreira Araujo
Carol Diniz
e um bailarino da companhia de dança Deborah Colker.


A entrada é franca e não precisa nem de convite nem de inscrição. Para maiores informações: http://unifashionlab.blogspot.com.br/
unifashionlab@gmail.com

Uuuh… Polêmica

O Chile, país que nos seus primórdios proibiu a imigração de negros, asiáticos e índios e incentivou a imigração de europeus brancos, lançou uma campanha “Por amor a las Tetas“, de prevenção ao câncer de mama. A peça é voltada aos homens, que, por amor às tetas, deveriam ajudar suas mulheres a cuidarem delas.

A polêmica está na palavra “teta”, que designa mamas, mas comumente usado para animais. Ou seja, forma vulgar de se referir aos seios…

A polêmica está no uso das tetas na propaganda. E cada par em ações que simulam suas funções: amamentar, prazer sexual, enfeitar, seduzir.

A polêmica está em se mostrar tetas de mulheres brancas, magras, gostosas, jovens.

A polêmica está na cabeça de mulheres que não devem gostar de ser mulheres. Que acreditam que tudo que diz respeito à mulher e a sexualidade é sujo. Que se sentem “usadas” e “objetos sexuais” quando vêem uma propaganda em que mulheres bonitas são “expostas”.

Eu penso diferente. Para mim, desrespeito é isto aqui:

Uma Carolina tão alisada no Photoshop que parece 3D. E não é desrespeito a você, sua egocêntrica. É desrespeito à própria Carolina, que, pelo visto, não tem direito a ter imperfeições que não a deixariam menos bela.

E por que não me ofendo com mamas sendo chamadas de tetas, enquanto se chacoalham, oferecidamente, numa campanha?

Bom, eu sou um animal, então, meus seios podem ser chamados de tetas, não ligo.

Eu adoro minhas tetas. São imensas, mas adoraria tanto quanto se fossem pequenas. Adoraria de toda forma, porque acho tetas lindas. Tá, as siliconadas me assustam, porque não são tetas, são bolotas. Desculpe você que tem bolotas, mas gosto e par de tetas, cada um tem o seu.

Sei que tetas tem funções. Seduzir é uma delas. Enfeitar é outra. Sei que elas atraem homens – e algumas mulheres. Sei que eu uso sutiã push up exatamente para deixar as minhas mais sedutoras e estéticas. Sei que sou mais do que tetas, mas elas chegam antes, tenho que respeitar isso.

E a peça trabalha mulheres brancas, porque elas representam as chilenas. Gostosas, porque homens olham para qualquer tipo de mulher – taí as mulheres frutas, que são monstruosas, mas são desejadas, também –, mas nós – sim, nós, mulheres – preferimos ver mulheres bonitas. Nós rejeitamos as gordas, as velhas e as caídas. Nós.

Diferente de propaganda de cerveja, essa campanha é de prevenção ao câncer de mama, o assunto são mamas, mostrar mamas é o correto, não?! E, meu povo, o corpo humano deveria ser visto como é: normal! Com tetas e tudo mais.

Gosto dela ser voltada aos homens. Se meu marido vai se lembrar de me alertar quanto à prevenção? Duvido. Mas o público-alvo, por si só, é polêmico e a polêmica faz com que a campanha rode o mundo e cumpra sua função principal: falar da doença e do auto-exame. Se as mulheres deixarem de mimimi e pensarem que o assunto é sério, abstrairão a pseudo-ofensa.

Agora, você que se ofendeu, me conta: quando você passa em frente a uma construção e te cantam, você se sente ofendida, vulgarizada, estereotipada? E quando não te cantam, como é?

 

Consciência

Eu trabalhei, durante um bom tempo, numa loja chamada Bontempo, como projetista/vendedora.

Amava projetar, detestava vender. Porque vender meu projeto era fácil. Raros clientes não gostavam ou não tinham certeza se era aquilo mesmo que eles queriam. Mas vender os móveis era dureza. A loja era cara. Tanto, que entrei e saí de lá sem condições de comprar um único modulozinho besta de Free Open, meu sonho de consumo, à época.

Free Open é esse armário cuja porta abre na vertical. Fora de linha… Que dó…

Minha chefe tentava ser dura, mas sem perder a ternura. Era uma coisa meio bipolar, mas ela era bacana quase o tempo todo. O chefe, também. Eu tinha salário fixo e comissões! Bons tempos…

Os colegas eram bacanas, sou amiga deles até hoje – via FB, pois cada um foi prum lado. Mas houve uma pessoa…

Vamos chamá-la de Estampada, para evitarmos problemas.

Em loja, pelo que eu ouço falar, tem sempre alguma pessoinha que tá lá pra derrubar o outro e tomar vendas. Não era nosso caso. A gente se ajudava. Inclusive, a Estampada. Ela era até bacaninha, meio confusa, meio tontinha. E, num belo mês em que ela arrebentou de vender, pediu demissão. Estranho? Muito.

Ela recebeu o acerto com as comissões, pediu pro chefe “fazer de conta” que a demitiu, pra ela pegar o seguro. Ele aceitou. Tranquilinho. Fizemos festinha de despedida. Tudo bem normal e simpático.

45 dias depois… Esse era o prazo de chegada dos móveis. O prazo para que as vendas que ela fez fossem montadas na casa dos clientes. O prazo para a máscara cair de vez.

A fofa vendeu a carcaça dos móveis, ou seja, a parte de fora, como no meu deseinho aí em cima. Se abrisse as portas, vazio. Nem uma prateleirinha. Por isso, um móvel de R$ 40 mil saía por R$ 20 mil. Por isso, sucesso de vendas, já que ficou tudo muito mais barato pro cliente. E caro pra loja.

Quem se ferrou foi todo mundo. O pessoal de projetos, tendo que projetar tudo de novo para fazer o pedido correto. A loja, que amargou o prejuízo de ter que bancar os itens que não vieram e responder pelas reclamações, sem poder sequer dar nome à vaca. Os clientes, insatisfeitos, com as carcaças desmontadas ocupando os espaços em que deveriam estar os móveis lindos que compraram. Já a Estampada, querida, foi-se embora com uma boa grana – afanada – no bolso e a falta de vergonha na cara.

E o que me deixa pasma, até hoje, é pensar que uma pessoa dessa dorme, à noite. Como consegue?! Cadê consciência?!

Chefe é o cara que paga seu salário em troca do seu serviço. Alguns são chatos, mesmo. Eu, entre eles. Alguns são amigões. Alguns vão tentar tirar vantagem de você. E se ele não é seu inimigo, não há porquê você sair ferrando com o cara, a empresa, os colegas.

Estampada é o tipo de pessoa que se eu vejo na rua, eu atravesso. Assim como o carinha que veio pedir emprego, aqui, que eu sei que ferrou com o dono da minha locadora favorita, por muito pouco. Assim como qualquer canalha que acha que pode se dar bem pra cima de gente honesta e trabalhadora, só porque Getulinho criou leis que protegem o trabalhador, mas que também passam mão em cabeça de salafrário sem vergonha.

Já disse isso e volto a dizer: neste país, gerar empregos é quase um crime. Meu sonho, que já foi ter um Free Open, hoje em dia, é não ser mais patrão.

Aprendendo

Em 1997, acho – perdi muitas referências da época, mas foi no ano em que a Parmalat fez a primeira campanha dos mamíferos de pelúcia -, fomos a Cabo Frio, em família. Fui, pois não me deixaram ficar, porque, sinceramente, naqueles tempos, eu não me interessava por praia ou família. Sendo assim, passei os inúmeros dias trancada no apartamento, lendo.

Levei A Montanha Mágica, do Thomas Mann, o maior livro que eu já havia tentado ler. Li pelo desafio, porque achei o livro um saco. Nada acontecia e, quando aconteceu, foi em francês, sem N.T., e fiquei boiando… Tenho que admitir que eu não tinha maturidade para o livro que, possivelmente, é muito bom. E tenho que admirar que, uma historinha que eu contaria num conto de uma lauda, levou 960 páginas para ser contada.

Li, logo depois, Cem Anos de Solidão, do Gabriel Garcia Marquez, metade do tamanho. Este, eu amei. Muito! Tanto, que meu porquinho da Parmalat se chama Aureliano Buendia III. A forma de escrever, a história, os personagens, tudo lindo.

Voltado pra casa, eu quis ler mais do Garcia Marquez e comecei O amor nos tempos do cólera. Ao chegar na página 132, parei tudo, indignada. Não aceitei o desenrolar da história e fechei o livro pra sempre. Mas como sempre não é todo dia, peguei-o, novamente, dia desses. Passei da página maldita e cheguei ao fim, totalmente encantada. É lindo, é sensual, é bem escrito, é delicado sem “bichice”. Perfeito.

Duas coisas me deixaram a pensar:

1. É o terceiro livro que leio, recentemente, que se dedica a falar de velhos – li, antes, Insônia e A História de Lisey, do Stephen King. E em todos os três, me peguei admirando o fato de velhos fazerem sexo. E fiquei realmente chocada com meu preconceito imbecil e pré-adolescente. Aos 38 anos, eu não deveria mais enxergar pessoas com 60 anos como idosos incapazes, porque tenho tias e sogra nessa faixa etária, minha avó tem 84, e são todos mais vivazes do que eu. Não são velhinhos senis e incapazes.

2. O que me chocou, no livro, e que me fez fechá-lo, foi um comportamento tão típico meu, aos 17 anos, que nem sei como não me identifiquei na época. Nem sei como pude julgar e condenar a moça. Eu era pior.

Percebi e percebo, lendo livros, minha hipocrisia imensa. Sou cega aos meus defeitos e comportamentos? Não. Mas sou condescendente e os julgo como normais. Mas não há nada de normal em ser imbecil. Ler me abre os olhos. Gosto disso.

Por falar em leitura, estou de altas do Stephen e, coincidentemente, li, no fim de semana, somente escritores latinos. Garcia Marquez, que  vai ser minha próxima obsessão, é colombiano. A chilena Isabel Allende, de quem li o insuportavelmente bobo O Caderno de Maya – história imbecil e duma obviedade e sacação absurdas, personagem principal intragável e texto aborrecido -, não me pega mais. E estou lendo Mario Vargas Llosa, Travessuras da Menina Má, peruano. Não o estou amando, mas darei chance a ele.

A América Latina nunca havia me interessado, mas a estou enxergando com outros olhos – e com fome.

Will Design 4 Money

Hoje é dia do Designer. Viva eu!

E este post está “em rascunho” desde que voltei da Bahia…

Uma coisa que me marcou, há uns anos, foi uma amiga que chegou ao meu quarto e disse: “nem parece quarto de decoradora”. Mas era. Era meu quarto e sou decoradora, por formação. Meu quarto era assim: paredes na cor gelo (off-white?), cama, armário, móvel para computador. Sem luminárias, apetrechos, embelezes. Apenas funcional. E não era por falta de vontade, de sonho, de projeto. Era falta de grana – eu bancava minha faculdade -, por praticidade – eu fazia a limpeza – e por costume – havia muito tempo que era assim.

E, mesmo assim, o comentário me deixou triste. Talvez, por isto, eu tenha feito design gráfico, por não me sentir Decoradora – ou seja, uma porção fútil de clichês.

Dia desses, comentei com o marido que eu não me percebo como uma designer típica, cheia de coisas “de design” e eu não sabia até que ponto isso interferia na minha profissão – de formação, porque acabo exercendo papel de publicitária, no fim das contas. Ele disse que, talvez, me falte paixão.

Mas não falta. Eu adoro trabalhar cores e formas, adoro ideias inteligentes e inovadoras, gosto do que é clean, mas também adoro o rebuscado, rococó, “poluído”. O fato deu não “viver design” não significa que não haja paixão. Por que, oras bolas, o que é esse “viver design”?

É ter coisas? É consumir feito louca? É colecionar toy art? É ser fã de Pantone? É usar a maldita Helvetica em tudo? É ser, mais uma vez, clichê?!

Nunca usei Helvetica num trabalho, não odeio Comic Sans nem degradê.

E eu acredito em relevância, em criar algo que seja estético, útil e ergonômico, quer seja um novo conceito ou um novo uso/nova forma pro que já existe. Não gosto dos descartáveis ou colecionáveis, pois, de modo geral, não passam de consumo irresponsável.

Eu trabalho com design – pouco, porque, de fato, acabo trabalhando, como já disse, com “maquiagem do mercado”. Eu vendo meu design – barato, muito barato. Eu não consumo desesperadamente e a qualquer custo o design de famosos – não mesmo. Nem acredito que alguém deveria fazer isso – mas, taí, o livre arbítrio.

E para quem está se perguntando: “mas que poha é essa de design, afinal?”, lá vai uma definição (passamos um semestre da faculdade discutindo definições, mas vou usar uma bem bonita) do ICSID:

“O Design é uma atividade cujo objetivo é estabelecer qualidades multifacetadas de objetos, serviços e seus sistemas em ciclos de vida completos. Portanto, design é o fator central da humanização inovadora das tecnologias e um fator crucial de intercâmbio cultural e econômico. O Design procura descobrir e estabelecer relações estruturais, organizacionais, funcionais, expressivas e econômicas, com o objetivo de:

• enfatizar a sustentabilidade global e a proteção ambiental (ética global);
• dar benefícios e liberdade para a inteira comunidade humana, individual e coletiva, usuários finais, produtores e protagonistas de mercado (ética social);
• dar suporte à diversidade cultural, independentemente da globalização mundial (ética cultural);
• gerar produtos, serviços e sistemas, cujas formas sejam expressivas e coerentes com sua própria complexidade.

O design é uma atividade envolvendo uma ampla faixa de profissões, das quais produtos, serviços, comunicações gráficas, decoração e arquitetura fazem parte. Juntas, essas atividades deveriam elevar, de um modo harmônico e orquestrado com outras profissões, o valor da vida.”

Ou, se preferir, uma com figurinhas, como a gente gosta:

Design é isso, mas não é só isso. É profissão, minha profissão, a qual exerço COM prazer e amor, mas POR remuneração. Porque, não, ser criativa não é meu hobby. E, sim, eu sou designer, apaixonadamente!