Solidariedade

A tragédia que, desde o fim de semana, ocupa as redes sociais e as mídias não chegou a me comover. Desculpe, mas é a verdade.

Sei que é doloroso, triste, terrível o que aconteceu. E sei que não foi a primeira vez que uma coisa assim acontece e sei que continuará acontecendo. Para mim, o mais triste é que não serviu de lição para ninguém. Vamos demorar um pouco mais para esquecer, mas vamos nos esquecer. E nada vai mudar.

No calor do momento, e nos calores de quaisquer outros momentos, a sociedade se mobiliza, regras e leis são criadas, há muitas discussões e promessas. Mas as regras e leis já existem e não são cumpridas por pouco caso dos envolvidos.

Eu trabalho numa casa. Tenho pouquíssimas pessoas trabalhando comigo. Recebo raras visitas de clientes. E eu tenho alvará de funcionamento com vistoria do Corpo de Bombeiros. A casa tem pelo menos três saídas de emergência e é só um escritório. Uma boate deveria ser mais bem preparada e vistoriada do que a meu escritório? Claro! Então, por que não o é?!

Lamento as mortes, lamento os feridos, que ainda estão sofrendo. Mas minha solidariedade se ocupa toda disto aqui:

rottRotweiller mestiça que foi resgatada pelo Quatro Patinhas, com bicheira no olho e pneumonia. Estava largada nas ruas, morrendo. Ainda luta para sobreviver.

melMel, a cachorrinha que foi abandonada pela filha da dona, qunado a dona morreu. Largada na rua, com tumores enormes e sem nenhum cuidado. Reagatada pelo Quatro Patinhas e sob cuidados.

gabrielGabrielzinho, gatinho paraplégico. Resgatado pelo Quatro Patinhas.

Minha solidariedade vai para cães, gatos e outros bichos que são maltratados e/ou abandonados por quem jurou amá-los e protegê-los. Aos cães que vivem em correntes e ao tempo, sem amor, para que fiquem bravos e vigilantes. E a pessoas, como a equipe do Quatro Patinhas, que me fazem chorar todo santo dia, com histórias de amor aos animais.

Não lamento se lhe aborrece eu preferir bichos a humanos, porque é assim que eu sou. Não lamento se lhe ofende eu comparar centenas de jovens mortos num incêndio horroroso com animais resgatados, porque se você acha que humanos são melhores e merecem mais do que os bichos, você não me serve.

Quem quiser ajudar e/ou conhecer o Quatro Patinhas e o trabalho maravilhoso que eles fazem, clique aqui e aqui. Quem quiser indicar outras associações que cuidam bem de bichos, fique à vontade!

 

Menina má

E é bem assim: você passa em frente ao computador do seu colega de serviço e vê um chat piscando na tela. Você tenta desviar o olhar, mas alguma coisa lhe chama a atenção: seu nome. Sim, seu nome é bem comum, pode ser qualquer xará neste mundo, mas… Esse é seu nome, oras. E você não confia muito nesse colega. Na verdade, até gosta dele, mas não custa nada manter um pé atrás. O mundo anda tão competitivo.

Você para em frente ao monitor e, de repente, o protetor de tela começa a trabalhar. Sem nem perceber, olha prum lado, pro outro e cutuca o mouse. Volta a tela com o chat. Volta seu nome na tela. Uma olhadela, só uminha de nada, afinal, ele não vai voltar tão cedo. “Mas se me pegarem aqui?” Bobagem. Você é esperta e encontrará uma desculpa. Certeza.

Então você se senta em frente à tela e começa a ler o chat. Até se esquece do seu nome quando lê o que seu colega diz sobre como vai ferrar o chefe, quais os planos dele pro Carnaval, sobre a plantinha estranha que ele anda cultivando no banheiro da república. Você nem se importa dele ter lhe chamado de ridícula. Quem é ele para lhe chamar de ridícula? Um maconheiro clichê e ladrão de papel higiênico e DVD da firma. Um fulano cheio de ódio no coração, que se acha melhor do que os outros. Um canalha sem um pingo de vergonha…

Vergonha, você! Espionando. Logo você, tão certinha que chega a ser ridícula…

“Ah, a oportunidade faz o espião.”

E, quer saber? Ferrar o chefe é ferrar a firma que lhe emprega! Enviando o arquivo do chat pro patrão em 3… 2… 1!

Você se levanta, com a certeza de dever cumprido e com a leveza de consciência das pessoas corretas.

Quando seu colega retorna ao computador, antes mesmo de se sentar, é chamado à sala do chefe. Você sorri e lhe manda um tchauzinho. Menina má…

Vovó

Todo encontro que tenho com minha avó é mais ou menos previsível. Porque, das duas, uma: ou ela vai me provocar e começamos uma briga antes do “olá, como vai” ou ela aguarda um pouco e começa com alguma crítica: “seu cabelo está precisando de um corte”, “que palidez! Passa um batom, menina”, “como você é lambona e desleixada!” ou “você está gorda – antes, era magra – demais”. Mas o favorito é “larga mão dessa Taúna, vai trabalhar, ganhar dinheiro, receber férias e 13º, aposentar. Olha sua prima! É professora. Tira férias 3 meses por ano!”.

É do temperamento da minha avó implicar. Minha tia, há 18 anos, ouve ela dizer: “você tinha um corpo! Agora, taí, desleixada e gorda” e, logo depois disso, minha avó reclama que ela não comeu tudo e não quis sobremesa. Quando era chefe de cozinheiras, minha avó implicava tanto com a fritura do bolinho de espinafre, que uma de suas subalternas, à época, nunca mais sequer comeu um desses malditos bolinhos: “se der perninha, vai ter que fritar tudo de novo!”, minha avó dizia. E, claro, sempre dá perninha! Sem contar a cozinheira que puxou a faca para ela, por não aguentar mais ouvir desaforos. Ela não se emendou nem com ameaça de morte, imagina se alguma coisa dá jeito. Não dá.

Mas o que vovó não sabe é que, se ela não gosta das minhas escolhas, ela não deveria ter me forçado a elas. Sim, minha más escolhas são diretamente relacionadas às más escolhas que minha avó fez comigo. Tanta crítica destrói a auto-estima de uma criança. Eu cresci sendo medrosa, sem muita vontade de tentar as coisas. Eu era diferente – ruiva e sardenta – e ouvia minha avó dizer que o meu diferente era feio. Eu era tímida e ouvia minha avó dizer que minha timidez era incapacidade (eu não era uma “menina ativa”, segundo ela). Eu gostava de costurar e minha avó me proibiu, porque eu iria me machucar. Insisti nas costuras até que me machuquei com uma agulha. Pelo visto, minha avó estava certa. Nisso e em tudo mais. E, assim, fui crescendo sem crescer, sem aprender coisas diferentes, sem me machucar fisicamente, sem querer.

Continuo sendo medrosa – talvez, por isso, não gosto de viajar -, tenho preguiça de tentar, desisto facilmente, não sou ativa até hoje! Mas tenho meus atos de rebelião! E acredito que por isso fiz uma tatuagem aos 18 – para mostrar, para mim!, ser capaz de decisões. E ela ficou orgulhosa, acredite ou não -, e por isso não fiz Direito – para me arriscar em algo novo, desconhecido e “sem futuro”, como o Design – e por isso vim para Itaúna – para me livrar das garras negativas dela e tentar virar gente.

A influência da minha avó corre nas minhas veias. É nociva e venenosa, mas já faz parte de mim. Não mata, mas incapacita, se eu deixar. Mas não me entenda mal, eu amo esta velha! Muito. Não consigo conceber a ideia de uma vida sem ela.

Eu não sou o que nem ela nem eu gostaríamos que eu fosse, mas sei que ela se orgulha de mim, me ama e me apóia, sempre. Todas as nossas escolhas erradas não me trouxeram onde nós gostaríamos que eu estivesse, mas me trouxeram a quem eu gostaria de estar com. Então, como se diz em Itaúna, “teve bom”. E, de mais a mais, como não me canso de repetir, enquanto houver vida, há esperança! Um dia eu chego lá – no meu “lá” ou no dela.

E, no entanto,…

travel

Wanderlust: um impulso muito forte e irresistível ou desejo de viajar pelo mundo.

“Nem todos os que vagueiam estão perdidos” J. R. R. Tolkien

Esteja onde você quiser estar.

“Embora nós viajemos o mundo para encontrar o belo, devemos levá-la conosco ou não o encontraremos.”  Ralph Waldo Emerson

E o mundo é um livro e aqueles que não viajam lêem apenas a primeira página.

“Um destino nunca é um lugar, mas uma nova maneira de ver as coisas.”
Henry Miller

“Algumas pessoas procuram por um lugar belo. Outras, fazem do lugar belo.”
Hazrat Inayat Khan

Em vez de me dar razões de porquê eu não posso, eu me dou razões de porquê eu posso.

Vá, pelo menos uma vez por ano, a um lugar onde você nunca esteve antes.

Vamos nos perder.

Oh, querida, vamos ser aventureiros.

“Todas as viagens tem destinos secretos de que o viajante não tem conhecimento.”
Martin Buber

Viajar é a única coisa que você compra que o deixa mais rico.

…Eu não gosto de viajar. Prefiro a minha casa, o que eu conheço, o que eu sei lidar. Sem contar que não gosto de automóveis, aviões e barcos/navios. Não gosto de rodoviárias, aeroportos nem de portos. Não gosto muito de gente. Sou chata para comer.

Paisagens bonitas eu vejo no Pinterest. Lugares exóticos não me atraem. Culturas diversas – principalmente de comedores de bicho da seda e cachorros – me repelem. Meu mundinho é pequeno, limitado, talvez, menos rico, mas, mesmo assim, bem rico. Tenho livros. E passo, e muito, da primeira página.

Mundo gato

Alguns cartunistas parecem não gostar muito/compreender gatos. Ruim para eles. Gatos são sensacionais.

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Eu gosto. Amo gatos! São muito simpáticos e agradáveis, mesmo que, às vezes, beirem o insuportável. Normal. Quem não é assim? O cachorrinho chechelento dos vizinhos, que late alto e monotonamente, o tempo todo que está acordado, é insuportável 24X7.

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E é como disse a Lia Lopes, neste post do Coala, “Amo gatos e que eles dominem o mundo mesmo, antes eles que esses humanos desumanos…” Tô com ela e não abro.

Se eles conquistarem o mundo, posso ser a humana de 7 deles, que me amarão, me darão leite e farão carinho atrás das minhas orelhas. E o mundo será lindo!

 

As desventuras de Pi

Há uns anos, eu estava numa fase mimimi – embora, naquela época, não existisse “mimimi”, ainda – tipo a deste momento. Resmungava sobre a vida, a humanidade e as cordas de pular*. Tudo ruim, tudo feio, tudo bobo, tudo chato. Percebi o quanto eu estava insuportável quando uma amiga começou com uma conversa CVV pra cima de mim.

Ela acreditou, tadinha, que eu estava tão surtada que poderia me suicidar a qualquer momento. Daí, um outro amiguinho esclareceu a ela que eu nunca me mataria, pois eu tenho uma esperança incurável. Lindo, né?! Só que eles estavam errados. Ela, por achar que eu me mataria. Ele, por me enxergar de forma tão pueril e fofa.

Eu reclamo a valer, sempre. Se eu não reclamar, quer dizer que me suicidaram ou eu desisti. Ok, eu desisto à beça, também. Mas como eu não desisti da vida, eu reclamo. E gosto. De reclamar e da vida que, por mais inexplicável, cruel e sanguinária que seja, é massa!

Por mais que existam pessoas ruins – e, pelo visto, elas são o alicerce da humanidade -, há as mutações, como eu, marido, a Katienne, a Cida, a Luana, a Inaie, a Elaine e outras tantas, que são boas e que, se não fazem o bem, pelo menos, não fazem apologia ao mal! E isso já é muita coisa!

Não vou dizer que sou Madre Teresa de Calcultá ou Gandhi – se bem que nem eles os eram – na minha bondade sem fim. Eu escorrego, muitas vezes, mas tento me manter digna e de pé! E lhe digo que, nas atuais circunstâncias, ficar de pé tem sido bem difícil. Para isso, tenho tido que desfiar o eterno rosário do “He-Man não descendo ao nível do Esqueleto”. Principalmente, por ter meios e vontade de tomar medidas extremas! E eu quero muito! Mas não devo. Será?!

Eu nunca admiti levar rasteira, mas, ao que parece, isso não depende da minha admissão… E a impotência me talha o sangue. Mas, quer saber? Eu hei de me divertir com tudo isso. Levará tempo, vou ter dominar a parada, mas acredito que rirei por último.

É… Viver é o único jogo que me interessa. E enquanto houver vida, há a possibilidade de volta por cima, há a chance de vencer. Eu sigo as regras e vou em frente. Que me acompanhem os bons.

E simbora parar de mimimi, porque já deu!

*Referência à Sally, irmã do Charlie Brown, num episódio em que ela sentia raiva de todo o mundo. Principalmente das cordas de pular!

Pipoca!

Vou passar o fim de semana trabalhando para colocar a vida em dia. Se der, vou bebericar umas cervejinhas Bud! – e comer pipocas, assistindo à maratona True Blood que está gravada, e não assistida, ainda.

Se não der, vou de pipoca doce, que aprendi a fazer, recentemente, e que é muito boa para alegrar o coração!!

Pipoca doce

Ingredientes:
5 colheres (sopa) de óleo
5 colheres (sopa) de milho para pipoca
5 colheres (sopa) de açúcar
3 colheres (sopa) de água
1 colher (sopa) de chocolate em pó (opcional)

Modo de Preparo:
Coloque tudo na pipoqueira. Leve ao fogo baixo à médio, mexendo, sempre, e devagar. A pipoca irá demorar um tempo maior para começar a estourar. Desligue o fogo quando o intervalo de tempo entre os estouros da pipoca diminuir. E pronto!

Celular

No fundo, não somos nem um pouco Homo sapiens. Nossa diretriz primária é matar. O que Darwin foi educado demais para dizer, meus amigos, é que dominamos a Terra não porque éramos os mais inteligentes, ou mesmo os mais cruéis, e sim porque sempre fomos os mais loucos, os mais desgraçados homicidas da floresta. (…) meu intuito não é acusar a humanidade. Se fosse, diria que para cada Michelangelo existe um Marquês de Sade, para cada Ghandi, um Eichmann, para cada Martin Luther King, um Osama Bin Laden. Vamos nos limitar ao seguinte: o homem dominou o planeta graças a dois traços essenciais. Um é a inteligência. O outro é a completa disposição para matar tudo e todos que possam vir a impedi-lo.

Diretor Ardal em Celular, de Stephen King

Quanto mais eu conheço as pessoas

Fui amiga de uma pessoa, que não foi minha amiga de volta, que costumava dizer: “quanto mais eu conheço as pessoas, mais gosto dos animais”. Eu, por minha vez, quanto mais conheço as pessoas – e quanto mais a conheci – mais incapaz me sinto de compará-las aos animais. Animais são instintivos, eles fazem o que devem fazer. Pessoas tem consciência da merda que fazem e o fazem por escolha: livre arbítrio. Por isso, não culpo nenhum bicho por ser e agir bicho e, em contra-partida, não perdoo nenhum humano por agir e errar humano.

Assim, se antes eu não dava uma segunda chance a ninguém, hoje, chego a me recusar a dar a primeira. Ok, ok, você poderia argumentar que isso é muito solitário, que precisamos de pessoas. E eu contra-argumentaria que solidão não é nada comparado à traição.

aristotelesCara, eu realmente gostaria que fosse assim, mas (ainda) não é…

 

Requentando receitas: Cheesecake da Nigella

Antes de mais nada, um esclarecimento: eu não tiro foto de comida.

1. Porque não sei fazer comida fotogênica. Cozinho bem, mas não cozinho bonito. Se você é do tipo que come com os olhos, não coma minha comida! Ela é de se comer com a boca, mesmo!

2. Enfarei (ou me cansei, pros não-iniciados) de redes sociais repletas de comidas lindas, que ninguém nunca comeu – Pinterest – ou comidinhas pão com ovo, que ninguém nunca quer comer – Instagram. Deixo foto de comida pros outros!

Certinho?

Então, refiz os cookies de chocolate da caixinha de natal (Brownie Cookies). Segui tudo certinho, com calma, fui no conversor de medidas e descobri que 3 xícaras de lascas de chocolate são 540g e me dei conta que, da outra vez, eu errei, mesmo, porque, agora, ficou igual à foto. Veja:

cookiesPagando língua, tirei fotinha!! Ha-ha!!

A massa é meio molenga e esparrama, mas ele cresce, por causa do fermento. Então, não faça montinhos grandes e deixe espaço entre eles!

Daí, usei os cookies delícia para forrar minha forma desmontável e segui a receita do creme do Chocolate Lime Cheescake da Nigella! Como os cookies estavam macios e fresquinhos, nem usei a manteiga. Parti em pedaços, forrei a assadeira, apertei bem e pus no congelador enquanto fazia o creme.

Cuidado com o limão! Não coloque todo o suco sem experimentar, para não correr o risco de ficar ácido demais. O meu quase passou da conta! Mas deu tudo certo e ficou muito muito bom! Recomendo fortemente as duas receitas! Ainda mais que sobra cookie!! E digo mais, Chocooky me perdeu pra sempre, amém!

E para quem fica de mimimi, dizendo que é difícil, não é não! Doce é Química! Se você não sabe fazer os balanceamentos, não emprovise! Siga a receita à risca que não tem como errar! A bombada em Química, aqui, garante!