Vizinhança do barulho

Eu não tive muitos problemas com vizinhos lá em BH. No prédio em que morei boa parte da vida, a gente se dava bem com todos. As pessoas se respeitavam, havia limite. Mudamos para uma casa em frente ao prédio. Mudou-se um advogado para o nosso apartamento e, sim, ele deu trabalho. Mas só porque insistia em ouvir música gospel em altíssimo volume. Me incomodava, do outro lado da rua, nos fundos da casa. Nem imagino como era ser vizinha de janela do sujeito. Reclamavam, ele ameaçava – advogado, já viu… – e, por fim, não renovamos o contrato de aluguel dele. Foi um ano de inferno gospel – se fosse axé, sertanejo, Roberto Carlos ou seja lá o que for, naquele volume todo, seria inferno do mesmo jeito, ok?!

Em Itaúna, tive problemas desde o primeiro dia. A minha primeira casa, aqui, tinha, de um lado, uma família composta de uma adolescente que berrava e batia porta o dia todo e seu irmão, que achava que tocava guitarra. Um saco. Do outro lado, um ex-militar que tomava conta da nossa vida, das nossas visitas e do nosso pé de acerola. Outro saco. De frente, uma louca que gostava de nos incomodar. Virava e mexia, lá estava ela no nosso portão, pedindo algum favor estranho ou reclamando que a gente ligava demais para ela de madrugada, sem se identificar, para reclamar do cachorro que eu nem sabia que ela tinha.

Quando nos mudamos, contei sete casas vizinhas diretas. Sete!! Fora um terreno baldio. E fora as mais afastadas, mas nem tanto. Ai… A princípio foi bem tranquilo, mas, depois que morreram dois dos vizinhos bons e a única família problemática foi substituída por uma república, o trem degringolou… Dos sete, somente dois não incomodam, não interferem, não enchem o saco e não fazem barulho.

Tenho vizinha que berra com o cachorro enquanto ele se esgoela em latidos. Tenho as que fazem aula de striptease aos gritinhos hietéricos. Tenho o terreno baldio cheio de mato. Tenho os que adoram tacar fogo nas coisas. Tenho a que odeia abacate. Tenho os que nos denunciam à vigilância sanitária por causa de sujeira.

O cara da vigilância veio inspecionar minha casa, por causa de uma denúncia de vizinho. Viram a aranha no blog, foi isso?! Só sei que o cara não achou uma larvinha de inseto aqui, uma aguinha parada que seja, ficou encantado com o quintal, cheio de galinhas, mas limpinho. Não encontrou matinho nenhum. Nada. E comentou: “seus vizinhos não tem o que fazer”. Não devem ter, mesmo.

Daí, quando vejo o senhor que matou os vizinhos por causa do barulho, fico chocada. Se eu não matei ninguém, ele não podia se dar ao direito, com ou sem síndrome de Guillain-Barré. Se extrema falta de educação, excesso de barulho, falta de limite, invasão de privacidade, fumaça e picuinha ainda não me levaram ao limite, talvez nada leve. A não ser que mexam com qualquer um dos meus gatos. Se acontecer, Deus queira que não, nunca, vai ter vingança, na certa.

 

Ruído de comunicação

Meu marido me falou que eu escrevo bem e que deveria escrever um livro. Ele nem lê meu blog. Aliás, pouca gente o lê. E é de graça!! Imagina se alguém vai pagar pra me ler?! Nem se a capa for sensacional e o livro estiver cheio de gravuras!! Eu sei bem.

Pode até ser que eu escreva bem, mas, pelo visto, não estou me fazendo entender. Na minha profissão, isso tem nome: ruído de comunicação. Então, deixa eu tentar limpar o ruído, mais uma vez.

Eu não tenho preconceito ou sequer conceito sobre nenhuma religião. Não acho que muçulmanos são homens-bomba, que evangélicos são estúpidos/explorados ou que padres católicos são pedófilos. Apesar de existirem muçulmanos homens-bomba, evangélicos estúpidos/explorados e padres católicos pedófilos. Como também existem homens-bomba que não são muçulmanos, estúpidos/explorados que não são evangélicos e pedófilos que não são padres católicos. Entendido? Não?!

Vamos de novo, sob outra perspectiva: sua religião, para mim, não lhe define. Se você é definido por sua religião, ok, problema seu. Eu vou lhe definir – se chegar a tanto – por seus atos, não por suas crenças.

Então, quando eu digo que um traficante que se torna pastor não mudou senão a forma de exercer poder, eu escolhi a “profissão” pastor, por pura conveniência, porque me lembrei dum traficante que “se redimiu” na cadeia e se tornou pastor. Simples assim. Eu poderia ter dito político? Sim, mas, conceitualmente, políticos são mal vistos, até mais do que traficantes, então, não haveria mudança nenhuma. Médico? Ok mesmo que médico não exerça o mesmo tipo de “poder” -, mas para se ser médico são necessários anos de estudos e dedicação. Ser pastor é mais fácil. Ah, mas na sua igreja, não é fácil ser pastor! Logo, por exclusão, eu não falei da sua!

E todo crente é como viciado?! Não. Não sei contabilizar se isso é regra ou exceção, me faltam estatísticas. Mas sei o que é vício.

Vício, por definição, é um “hábito repetitivo que degenera ou causa algum prejuízo ao viciado e aos que com ele convivem” – achou o conceito relevante? Alguns se viciam em drogas, outros, em jogos. Há os viciados em sexo, há os viciados em religião. Quem compra “pau de afastar o capeta“, doa o tênis do filho para a igreja, quem entrega o cartão de crédito para o pastor durante o culto só pode ser um viciado da fé, porque até ignorância tem limite. Você é evangélico, mas não é viciado, ignorante ou explorado?! Bom para você!!

E, olha, antes que os usuários de drogas, jogos ou sexo venham se defender, deixo claro: nem sempre é vício gostar seja lá do que for que vocês gostem!! Às vezes, é bem saudável!! É vício só quando você passa a depender disso, viu?!

Outra coisa: quando eu falo de ex-famosos que se voltam para Jesus e voltam a ter fama, mesmo que “localizada”, estou sendo TÃO específica que até limita! Jesus não está, necessariamente, sendo “usado”. A fé pode ser real e belíssima. Mas há pessoas que juntam a fé com a fama e não veem problema nisso. Eu não vejo! Mas não vejo, também, mudança, que era o tema!!

Há tantas igrejas evangélicas neste mundo que nem sei. E nem quero saber! Não estou buscando uma fé para ter que pesquisar as fés que existem! E se falar de uma é falar de todas, se falar de um crente é falar de todos, pelamor, arrangem um subtítulo aê!! Vamos separar o joio do trigo! Ou escreva você um post explicando porquê sua fé é diferente/mais legal que a do outro! Eu fiz isso sobre a “minha”! Eu “eduquei” as massas! 😛

Se alguém pode se sentir “atacado” no meu post, é a Xuxa – ou nem ela. O que reforça que meu blog nem é lido, já que nenhum dos 100.000 cyber-fãs dela me jurou de morte – até agora.

O que me deixa tranquila, no fim das contas, é saber que o problema nem deve estar no que eu escrevi, mas na interpretação que as pessoas insistem em fazer das coisas. Se não fosse assim, não teria equivocado achando que “feio e gordo” e mendigo são a mesma coisa. Bem legal vestir os sem-teto, por si só, mas, como forma de protesto, dar um espelho para o Mike Jeffries seria a coisa mais inteligente.

Links do Pitacos relacionados a preconceito e religião: aqui, aqui, aqui e aqui.

O vento da mudança

Fiquei pensando na frase da Anne, que postei há uns dias: “nenhum de nós realmente muda com o tempo; apenas nos tornamos mais integralmente o que somos.” Será mesmo?!

Eu deveria acreditar em mudança, já que vivem me dizendo que eu mudei demais. Mas, para ser sincera, não vejo isso. Eu sou a mesma pessoa “difícil” de 36 anos atrás – minha “dificuldade” se manifesta desde os 3 anos. Sempre fui. Sempre serei. Só cresci, amadureci e aprendi a sobreviver sendo como sou.

É claro que, como não sou uma sociopata completa, tenho algum traquejo social e sei me comportar como “pessoa normal” quando necessário. Sei ser, sem muito esforço, simpática e agradável, mesmo sem sê-lo em essência. É difícil manter “a personagem” por muito tempo, mas, felizmente, não é necessário.

Então, pensei em avaliar a “mudança” em outras pessoas. Tipo, traficante de drogas que vira pastor na cadeia. Tremenda mudança, não?! Não… O cara só muda a forma de exercer o poder e o tipo de viciado de quem explora.

Ainda na “linha religiosa”, temos atriz pornô/peladona de revista/”artista” que larga o mundo da fama e luxúria e se entrega a Jesus. Acredito total na entrega, mas esse povo não larga a fama e luxúria, só a redireciona. Ou você acha que a Sarah Shiva ou a Mara Maravilha ainda seriam lembradas se não se esforçassem, em nome de Jesus, para isso? E o público religioso costuma ser mais fiel – assim como Deus o é – do que os mundanos. Por isso, não é, necessariamente, uma mudança de vida, mas um redirecionamento na carreira.

E a Xuxa?! De puta a madre! Mudou, né?!

Nadica de nada. Carreirista de nascença. Essa não me engana mesmo! Gosta dela? Bom para vocês. Eu a detesto. E explico: eu tinha uns 10 anos quando ela começou na TV Manchete e eu assistia ao Clube da Criança. O programa era cheio de desenhos diferentes e divertidos, mas a apresentadora era sofrível. Sim, ela empurrava e era desagradável com as crianças. Ok, não havia Paquitas para conter a horda de selvagens, mas não justifica. Outra, ela se vestia (?) assim:

xuxa_clube_da_crianca_tv_manchete

Daí, essa pessoa, que começou a carreira como namorada do Pelé, modelo e pelada de revistas, atriz de porno-chanchada e apresentadora erótica de programa infantil, hoje, aos 50 – de fato, há anos -, se faz de pura?! Hein?!

Apagar o passado na Internet não a levou a nada, além do vexame. Melhor ser Myrian Rios que não se envergonha do que já fez – deveria se envergonhar do que anda fazendo, mas isso é assunto para outra ocasião – e assume que já foi pelada e se sai com “era a época. Hoje, me arrependo”. Aceitável.

“Amor estranho amor” seria apenas mais um filme meio que erótico da dramaturgia brasileira se Xuxa não fosse o que é – uma falsa. A Marília Pêra, por exemplo, estrelou Pixote com um garoto de rua que foi escolhido para o papel. Tinha erotismo. O menino tinha 14 anos, mas parecia muito mais novo. E, para piorar a situação, abandonado pela fama, Pixote morreu, na vida real, aos 19 anos, alvejado pela polícia. Ninguém critica a Marília por ter feito o papel, o filme é considerado um clássico e não há nenhum processo para retirá-lo do Google.

Já a Xuxa… Bem, a moça, como eu disse, começou como namorada de famoso. E este famoso contou à Playboy, há uns anos, que ela era virgem quando começaram a se relacionar. Ele, que não “curtia virgem”, falou para ela resolver o problema com outro. E ela topou!!! Chame-me de moralista, mas numa situação dessas, qualquer mulher tem somente 3 opções:

1. Continuar virgem e manter o namoro assim mesmo. Ele que se alivie de outra forma ou em outra;
2. Convencer o cara a superar o trauma;
3. A única saída digna, de fato: pé na bunda do babaca!

Se sujeitar a ser “estreada” por terceiro para manter o namorado famoso é coisa de… Apresentadora infantil de 50 anos.

E o que isso tem a ver com mudança, Pi?! Tudo. A Xuxa não mudou. Continua sendo uma pessoa que faz qualquer coisa pela fama. De filme erótico a ficar de mimimi sobre relacionamentos para não sujar a imagem arduamente construída. Sem contar a entrevista para o Fantástico… Mudou a imagem, mas não mudou a pessoa. E não é uma boa pessoa, na minha nada humilde opinião.

quote“Não me julgue pelo meu passado. Não vivo mais lá.” Resposta esperta de gente que se assume e tapa na cara de gente, como eu, que julga!

Outra que simula mudança é Angelina. Outra pessoa que não compro. Mas como tá todo mundo de mimimi porque ela tirou os seios – e, pra variar, apareceu/contabilizou um bocado com a história -, vou dar um tempo pra garota.

E então? As pessoas mudam ou só se reafirmam? Sei lá. Há pessoas demais para que eu conclua isso só com meia dúzia de comportamentos públicos, mas tenho por mim que as pessoas aprendem, com o tempo, a simular melhor. Isso é importante para a sobrevivência de muita gente. O que a gente é, bem lá no fundo, está enraizado no nosso DNA. Isso, acredito que não muda. Mas é sempre válido o esforço para se ser melhor – ou o Batman?! Se o esforço for só para parecer melhor, seja o que você é – ou o Batman!! É mais seguro para os outros.

 

Malditas aranhas!

Faz frio em Itaúna. E as aranhas, friorentas, tentam se abrigar na minha casa. Semana passada, uma belezura cinzenta e peluda passou sobre meu pezinho, na cozinha. Hoje, encontramos duas armadeiras na área íntima. Fofuras de aranhas mais venenosas e agressivas do mundo, de acordo com o Guiness Book.

A da manhã fez sucesso no meu Facebook.

aranha-1Olha a linda!

A da noite foi tão difícil de matar que não rolou sessão fotográfica. E eu gritei a plenos pulmões! Mas o Raid preto nos salvou!

Como dizia Axl, “you’re in the jungle baby! You’re gonna die!“. No caso, a selva é minha e quem morre é elas.

Fim de semana

Sexta estava bem frio. Vesti meu capote¹ e lá fomos nós para um casamento no condomínio. O lugar é lindo, mas é aberto e à beirinha da barragem, ou seja, gelo!

É o segundo casamento a que fui que aconteceu lá e, juro, foram os dois melhores! O primeiro, há uns dois anos, aconteceu durante o dia, também no outono. Casamento de chilena – linda – e teve muito vinho da terra dela. A festa foi ótima e descontraída e comi doce à beça! Olho de sogra caramelado é o que há!!

O de sexta foi mais formal, à noite. A noiva estava lindíssima, passando frio num belíssimo vestido tomara-que-caia, nervosíssima, mas encantadora. Fez a entrada mais bonita que já vi! Quase chorei – inédito, isso! A cerimônia teve até fogos de artifício e foi muito bonita.

A festa foi inacreditável. Nunca vi tanta fartura! Mesa de tira-gosto com carpaccio de salmão? Tinha. Garçom disputando a nossa atenção? Demais! Jantar à la carte – como se precisasse de mais comida – e sobremesas variadas? Hã-hã. Globo filmando? Sim, senhor! Sabe o que não tinha? Bebida alcoólica! E não fez falta! Achei bem bacana da parte deles, além de corajoso à beça. Todo mundo se divertiu – o músico era muito bom, também – e pode voltar para casa em segurança.

Foi tudo muito bom e bonito! Torço para que eles continuem sendo muito felizes!

Sábado, tentei fazer muita coisa, mas o Dia das Mães dos atrasadinhos lotou o Centro e acabei voltando para casa, para curtir ressaca de comida!

Domingo, fomos para o sítio dos sogros. Primo Lu – italiano – fez macarrão para mim e minha nova “mãe”, que não comemos camarão – meu sogro fez risotto de frutos do mar. Tia Linda fez bolo de limão – meu favorito!! – para comemorar o aniversário do Tio Lulu. No fim das contas, quase saí carregada de tanto que comi! Começo a entender a obesidade quando comida passa a ser tão prazerosa… Medo…

Minha nova “mãe” é a mãe do Tio Lulu, namorido da minha cunhada. Foi identificação total na frescura e na loucura! Adorei-a!! Adotei-a!!

É… Contra todas as previsões, tenho me divertido muito, este ano! Tá tudo bom!

 

1. A palavra me surgiu do além-túmulo! Só pode. Para os novinhos, que talvez não saibam, significa: casaco comprido e amplo, para tempo frio.

 

FUMA

Não, este não é um blog – mais um – voltado aos mimimis da profissão Publicidade e Propaganda. Mas é que contaram-me, há umas duas semanas – procê ver quanto tempo faz que eu estou escrevendo este post… -, que um dileto graduado de uma faculdade da qual falei o que penso, aqui no blog – o que não é, necessariamente, mal nem a verdade -, ficou tão furioso, à ocasião, que teria me telefonado e “lavado minha cara”. Como ele não fez isso, muito antes pelo contrário, vê-se que:

1. O cara é loroteiro e covarde!
2. Pelo menos, tem bom senso. Porque eu o esfolaria vivo. Pode me xingar nos comentários – muita gente o fez -, mas não ouse me telefonar para discutir bobagem. Nunca!

De lá pra cá, minha opinião não mudou nem uma vírgula. A tal faculdade, para mim, é ruim – ou era, já que os cursos citados no post foram fechados. Sintoma? – e formou muita gente ruim. Toda gente é ruim?! Não. A minha agência, depois daquele episódio, chegou a contratar uma mocinha formada lá. Ela não apresentou currículo – esperta –, mas apresentou portfolio e este era muito bom! Só fiquei sabendo da formação dela, na verdade, quando ela me adicionou no Facebook.

E minha formação, foi boa?! Hmmm… A Escola de Design da UEMG, que então era chamada de FUMA, foi ok.

Eu tinha feito 3 semestres na PUC, em Publicidade e Propaganda, e não tinha gostado do curso. Não, não foi bem isso. Estávamos em 1993 e não havia computadores no curso – mas tinha máquina de escrever e aula de datilografia, juro! Achei terrivelmente limitante criar sem recursos, porque, sim, computador ajuda, e muito, os inaptos. E eu sou limitada no desenho e terrivelmente incapaz na fotografia – ainda mais a de filme. Ter que fazer TUDO à mão me restringia. As ideias existiam e eram boas, mas eu não conseguia colocá-las no papel. Larguei o curso e fui aprender o básico.

E, assim, cheguei à FUMA para estudar… Decoração. Por quê? Nem eu sei. Achei que poderia ser legal. E foi. Aprendi muito em termos de técnica de desenho. Havia professores-inimigos – um babaca, inclusive, que dizia às alunas de Decoração que éramos donas de casa em potecial esperando pelo casamento -, que não queriam ensinar porque não queriam que os alunos aprendessem e concorressem com eles no mercado. Mas havia professores empenhados, caprichosos, exigentes e bons. Me formei decoradora razoável, paisagista habilidosa e de bom gosto e sabendo mais de estética do que imaginei ser possível. Limitada na arte de fazer um projeto, à mão, que salte aos olhos – em termos de desenho e colorido, mesmo -, mas, considerando que, hoje em dia, decoradoras apresentam fotos de viagens e revistas Vogue como “projeto”, apesar dos inúmeros programas que fazem o 3D sem esforço, eu sou muito boa. Mas amar a profissão, não amo.

Por isso, fui fazer Design Gráfico. Mais desenho, mas com técnicas diferentes. Mais, mas muito mais professores-inimigos. De fato, havia muito professor recém-formado no próprio curso de Design Gráfico, ou seja, gente sem experiência de mercado, sem distância dos dias de estudante dentro daquela própria escola – imagina se esse povo tinha sequer uma pós-graduação... Gente que nos via, cada vez mais, como adversários e, muitas vezes, como mão-de-obra gratuita. Teve professora de Ergonomia que não ensinou nada, mas reformou as tetas às custas de trabalho de aluno – vendido a um shopping. Teve professor que fez o mestrado com nossa ajuda, já que líamos e resumíamos os livros que ele era obrigado a ler. Teve professor baixando bola de aluno e da profissão, de propósito. Teve professor se envolvendo em intriga e buscando vingança – tão colegial. Mas teve professor que ensinou, exigiu, apoiou e fez de muita gente ali bons profissionais.

E eu?! A faculdade não me fez. Eu aprendi o que me coube aprender, o que continuava sendo limitado. Sim, eu sou uma profissional cheia de limitações. Ainda não sei desenhar tudo o que preciso. Sei trabalhar razoavelmente com programas de computador que só aprendi depois de sair da faculdade. O mercado, de fato, foi quem me ensinou muito, mas, ainda bem, havia a base que a faculdade me deu, senão, eu estaria perdida! Porque a faculdade me mostrou algo de fundamental: que eu não sou a melhor. Se dependesse do meu ego, eu estaria afirmando que sou excelente, que eu é que sei! Mas a FUMA me mostrou que há melhores, muitos e muito melhores. Reafirmou minhas limitações e me impediu de me enxergar através de lentes que distorcem a realidade, graças a professores cruéis, mas honestos. Pena que não fez isso por todos os meus colegas – sempre há os relutantes, sem noção, que vêem crítica como “inveja” e se recusam a enxergar a verdade. Ou que só tem muito mau gosto mesmo! Tem gente MUITO ruim, formada lá, comigo, neste mercado aí. Dá dó.

E, ao mesmo tempo, há tanto profissional autodidata que dá show!

As minhas duas profissões não exigem diploma, curso técnico ou coisa que o valha. Por que o mau designer só consegue, como dano ao público, promover a feiúra e o mau gosto – como pode-se confirmar nas fotos a seguir. Se bem que duvido que isso seja coisa de designer. Duvido até de sobrinho… -, caso faça alguma grande bobagem. E quem tem noção do belo quase sempre consegue se virar bem sem a teoria, sem a técnica.

Chaminha-queimados

testiculo1“Lindos” mascotes! Foi um designer quem fez?

Minhas faculdades não foram isso tudo, mas tirei proveito de tudo o que era aproveitável e não saí de lá me achando a phoda, sem entendimento de minhas limitações nem me achando a pessoa mais criativa do mundo. Minhas faculdades me deram senso estético e, acima de tudo, consciência. Isso é uma coisa que faz falta em muito formado naquela faculdade da qual falei o que penso – seja jornalista, seja publicitário – e, por isso, existe o tal post. E, agora, me cansei e encerro o caso.

Pimenta é refresco

Este ano, fui convidada a ser capa de uma revista social daqui de Itaúna. Aceitei meio que em pânico, porque não gosto de aparecer e não sei me comportar! Sou uma selvagem!

E qual não foi minha surpresa, neste fim de semana, quando fui parar na quarta-capa, em uma citação na coluna social, de um jornal local?! Meus momentos de fama se perpetuam!! Vou acabar me acostumando!

E, enquanto isso, teve quem se gabou de não ter o nome sujo em capa de jornal e teve que retirar, literalmente, o que disse… Tá sujo na capa, no miolo e na quarta-capa! É muita m*rda, viu?!

Cotas

Fizeram uma pesquisa – como se fosse necessário isso – sobre o sistema de cotas no Brasil. O resultado – mais do que óbvio – é que os cotistas foram/são alunos menos produtivos e se tornam profissionais menos qualificados.

Eu mantenho-me martelando na tecla do ensino fundamental. Gente, o nome diz tudo: FUNDAMENTAL!!! É na tenra infância que a pessoa absorve conhecimentos como uma esponja. Pode não ter capacidade de compreensão total da coisa, mas o básico, a base, se forma ali. E por que não cuidar dos pequenos? Porque, aparentemente, não gera votos, não dá status ao Governo… Será?! Quem tentou para saber? Eu faço campanha para qualquer um que comprar esta ideia!

Dizem que Minas Gerais tem ensino de qualidade para os pequenos. Sei, não… Não que eu duvide, só ainda não vi resultados. E quem diz é o próprio Governo, então…

Eu acredito que o be-a-bá e a tabuada são extremamente importantes, assim como acredito no valor da Educação Moral e Cívica. “Ah, mas isso é coisa da Ditadura”. Hã-hã. E daí? Conhecer os símbolos pátrios, entendê-los e valorizá-los são atitudes fundamentais para que se forme o caráter cívil, para que se ame e se construa o país onde se vive, para que se respeite a Coisa Pública.

Falta, também, a participação dos pais no exercício de formação do cidadão. Sim, pais que imponham limites aos seus pequenos ditadores – não, criaças não são símbolo de pureza e ingenuidade. Elas são bem más, porque isso é inerente ao animal humano. Cabe à sociedade e, principalmente, aos pais moldá-las! Assumam a poha dos seus papéis, ô papai e mamãe!! Não é só pagar pelos desejos dos pimpolhos, não! Vocês sabem disso!! – para que eles aprendam a respeitar autoridades e, claro, qualquer um.

O problema atual – e que vem de muito tempo – é que a criança não aprende nada, chega à vida adulta despreparada, o Governo quer votos e bota todo mundo na faculdade, estas pessoas se formam e, pasme, algumas se formam professores. Professores que não são aptos a ensinar, porque não aprenderam, mas “é o melhor que tá teno (SIC)”. Nova geração de crianças que aprendem ainda menos, mas que crescem para votar em Governo que dá cotas e bolsas para que elas, que não sabem nada, possam prosperar e se reproduzir gerando mais crianças que não saberão nada e que sustentarão Governos que darão cotas e bolsas. No meio do caminho, pais que não dão educação criam pequenos déspotas que se tornam grandes déspotas, ignorantes e violentos, porque, se tem uma coisa que eles sabem, é que a vontade deles vale ouro! Isso tudo se resume numa palavra: Brasil.

Aí, vem galera defender a diminuição da maioridade penal. Vem Governo do Rio proibir insulfilm em vans. Vem mais uma Lei legislando a respeito do consumo de álcool e direção. Vem mais um paliativo, que não resolve nada. Como diz meu primo Lu, isso é tentar curar câncer com Aspirina. O problema está lá na base, meu povo! Lá na criança que não aprendeu nada – em casa ou na escola. Lá! Pessoas bem educadas não levam as pernas e braços de ciclistas grudadas nos carros. Pessoas bem educadas não esperam que o governo seja o pai que nunca tiveram e as proteja de todo o mal – mal que, em geral, está intimamente ligado ao próprio Governo.

Então, que tal, em vez de mandar mais gente para a cadeia, criar cidadãos que não precisarão ir para a cadeia, porque sabem diferenciar o certo do errado?! Que tal não aceitar nenhum mau candidato a qualquer cargo público para que se valha a pena votar? Que tal votar certinho – na medida do possível, eu sei… – e eleger pessoas que estão preocupadas com o bem comum?! Que tal exigir professores bem preparados – e bem pagos, por que não? – para dar ensino de qualidade aos seus filhos?! Que tal parar de pedir esmola ao Poder? Que tal ser cidadão que forma cidadãos?! Que tal vestir a carapuça?! É, que tal fazer sua parte?! Hein, que tal?!

Menosquências…

Antes de mais nada, deixe-me esclarecer: a enquete ali do lado não tem nada a ver com minha vida, situação ou coisa que o valha. É apenas curiosidade que surgiu em meio às minhas leituras.

Minha opinião, se é que interessa a alguém, é que vingança me dá preguiça. Fria, então… Porque, no calor do momento, até vale um descontrole. Mas ficar requentando ódio por muito tempo, ficar revivendo dores, nhé. Não é comigo. E eu tenho aquela crença de que a vida se encarrega. Na verdade, acho que todo filho da p*ta se ferra sozinho, se enrosca, se dá mal no meio do caminho. É típico da raça. Eles se acham espertos demais!

Agora, se a vida me der a oportunidade de empurrar o cara pra fogueira… Eu topo.

Mas o objetivo do post é outro! É que minhas orelhinhas estão ardendo! Foram puxadas duas vezes, em três dias…

Na terça, mereci! Eu estava fofocando, assim, à toa, sem nenhum objetivo e propósito. Minha cunhada sempre disse que o primeiro sintoma de que me enturmei com Itaúna é que passei a fofocar. Mas não é bem por aí. Fofoquinha do tipo: “fulano se casou”, “sicrano se separou”, “beltrana engravidou” é típica da humanidade. É simples constatação de acontecimentos. Em cidade de interior só parece maior porque mais gente se conhece. Mas a intriguinha gratuita, daquele tipo em que a gente fala do outro como se fosse melhor do que ele – e era isso o que eu estava a fazer – é duma feiúra! E por quê eu fiz? Não sei o que me deu. Baixou um espírito de porco – tadinhos dos porcos – ou a má influência ainda anda à espreita. De verdade, não sei. Mas senti tanta vergonha de ter sido chamada à atenção que fiquei vermelha e tentando, em vão, me justificar.

E, então, parei de fofocar? Duvido. Mas, pelo menos, daqui por diante, fa-lo-ei com vergonha! É, isso é falta de vergonha, eu sei, mas, cara, falar mal do outro é irresistível! É antopológico! É se sentar no seu rabinho, se esquecer que você é um bosta, e avaliar o outro. Julgar e condenar… Ok. É feio. Vou me policiar.

Outro puxão de orelha veio ontem. A pessoa me disse que me falta elegância – esqueci a palavra exata, mas esta serve, no contexto – em uns posts aqui. Que eu não penso no outro, que eu generalizo sem medir consequências, que eu pego pesado no lado pessoal. E é fato. Esta sou eu. De uma indelicadeza e falta de classe que só. E, quer saber? Essa vai continuar sendo eu. Aqui é minha terapia. Escrevo, você lê – ou não – e vida que segue. A minha, mais leve. Eu escrevo no calor do momento – e já até me aconteceu de me arrepender da bobagem registrada. É o que se passa ali, naquela hora. Se fosse para escrever bem, com classe e bonito, eu deixaria o sentimento de molho até poder formular o texto bem bacana, classudo e emocionante. Quem sabe, virar meme com minhas frases belas?! Não! Não é esse o objetivo!!

Ofendi alguém?! Realmente lamento, mas não muito – ah, dependendo de quem, nadinha mesmo. Esse alguém sempre tem a chance de revidar nos comentários. Sempre. Posso treplicar partindo pra baixaria, se me der na telha, mas, né?! A vida é assim mesmo. Acontece – e me aconteceu no episódio aí de cima – de cair o nível. Mas, ó, manter a pose no dia a dia, na vida real é tão difícil. É tão frequente o meu uso de focinheira para tratar com os outros que, aqui, eu não me seguro. Não quero me censurar.

Outro dia, no aniversário do blog, eu cheguei a cogitar me livrar dele. Achei que eu estava ficando velha pra bloggar e talvez esteja. Mas não quero partir pros tarjas-pretas ou pra análise – na qual, para mim, eu não acredito – por isso, o blog ainda me serve. E, nele, vou continuar sem patrulhamento – mas se minha advogada mandar tirar, eu tiro… Aceite-me como sou, bata boca comigo ou caia fora! Ou nada disso. Mas, lembre-se, você é livre para se livrar de mim. Eu sou livre para me ser!

Não fiquei ofendida ou triste ou arrasada com nenhum dos “puxões de orelha”. Aliás, gostei deles como início de auto-análise. Foi válido e agradeço os toques!

Segundo minha nova “ídola”, Anne Rice, em A Rainha dos Condenados, “nenhum de nós realmente muda com o tempo; apenas nos tornamos mais integralmente o que somos.” Se é para ser assim, que eu, pelo menos, saiba bem o que sou e o seja direito!

Vingança!

Pus uma enquete, ali, na lateral. Faz favor de participar. Não custa nada, são só dois cliques! E eu quero saber: na sua opinião, independente do tamanho, forma ou meio, a vingança vale à pena ou não?!