Pras caras que não queimam.

Uma coisa que me exaspera nesta história toda de manifestações é o Cara de Pau. Também não gosto nem apoio os vândalos, mas eles estão fazendo o que sabem fazer: ser idiotas e criminosos. Mas o Cara de Pau… Ah, o Cara de Pau está travestido de manifestante com causa global, está tentando tomar frente, aparecer, tentando bancar o bom moço. O Cara de Pau acredita que estão acreditando nele, porque até ele acredita. Cara de Pau! Mas ele não passa de um corruptor/corrompido, de um fraco Maria-vai-com-as-outras, de um egocêntrico sem motivo, cuja única motivação é levar vantagem. É o cara que se enxerga como melhor do que os outros, mas tão melhor, que acha mesmo que o que ele faz não é feio ou errado, que é só tomar “a parte que lhe cabe neste latifúndio”. Ele acha mesmo que merece mais do que eu ou você. Ele acha mesmo que pode lhe f*der, porque é pleno direito dele. E ele é tão, mas tão Cara de Pau que, durante uma manifestação que luta por um Brasil mais limpo e menos corrompido, ele sai na frente. Finge que lidera. Grita palavras de ordem que ordenam que pessoas como ele estejam na cadeia. Ele aparece. Ele brilha! Até que os verdadeiros “cabeça” definem um novo percurso que vai bem mais longe – em quilômetros – do que o Cara de Pau esperava. Pois é. Ele se retira, sai de fininho, afinal, o corpo está definhando tudo aquilo que o caráter já definhou… Cara de Pau.

 22dejunho-itauna

Itaúna foi às ruas! E eu fui atrás.

Fomos à manifestação em Itaúna. Fomos fazer parte da História. Marido foi fotografar. Eu fui observar.

Algumas pessoas são rizíveis, mas o conjunto da obra foi bem bacana. Tinha alguma coerência, tinha certa beleza. Daí que quando leio qualquer um dizer que falta um foco, um direcionamento, uma agenda, eu só consigo pensar: mesmo?! São tantos anos de silêncio, são tantas coisas a serem reclamadas/reivindicadas que limitar não me parece necessário.

Tá, bradar “Copa, não. Quero o meu dinheiro investido em educação” é um pouco fora de hora. Já foi. Isso deveria ter sido pensado quando o Brasil se candidatou à sede. Mas, ok. Exigir investimento em saúde – em Itaúna, principalmente, faz-se urgente! -, educação e segurança pública, se colocar contra a PEC 37, exigir que o prefeito faça alguma coisa boa pela cidade – qualquer uma! -, reclamar do pedágio, dos altos impostos, da inflação que começa a galopar – graças à presidanta -, da bandalheira, da robalheira, da impunidade, do José Dirceu, do Feliciânus, etc., etc., etc. é altamente pertinente. Não é só um ou outro problema, são vários. Não precisa-se escolher quais bandeiras levantar.

E todos os problemas serão solucionados?! Com negociação, imediatamente, não. Mas manifestações deste nível mostram, pelo menos, que o povo cansou do abuso, que não há os tais “mais de 70% de satisfeitos com o Governo”, mas que há, na verdade, muitos insatisfeitos! Muitos mesmo! E que esses insatisfeitos não querem mais ficar de mimimi virtual. Isso pesa. Pesa muito.

Como escrevi em 2011, sobre a marcha contra a corrupção, não sei no que vai dar, mas tem que dar. Eu ainda acredito! Desta vez, mais do que em qualquer outra.

1Meu cassetete é quase igual ao dos polícia. A diferença é que o meu é mais leg(t)al.

Detalhe: este ano, a passagem de ônibus, em Itaúna, chegou a custar R$ 3,05. Itaúna é uma cidade pequena, com transporte coletivo terrível que não leva ninguém muito longe. Em São Paulo, cidade imensa, por causa de passagem a R$ 3,20, começaram a mobilização. Tá, a tarifa, aqui, acabou diminuindo por pressão, mas se não tivesse diminuído, não teria havido qualquer mobilização. É o tal negócio: alguém tem que começar que o resto vai. Ver o itaunense nas ruas foi bonito. Demorou, mas, enfim, aconteceu. Que se tome gosto pela coisa.

2 motivos pelos quais eu o-d-e-i-o a lojamelissa.com.br

Eu não ia mais comprar Melissa, principalmente, online, depois deste episódioprimeiro motivo -, mas… Gostei muito da Melissima, do Karl Lagerfeld, e a quis demais. Porém… A loja que vende Melissa em Itaúna só me avisou antes de ontem que não pode comercializá-la. Daí que o modelo já esgotou na loja online na minha numeração. Solução: como a Melissa k-h para as perguntas no Facebook, resolvi recorrer ao SAC da loja!

Eu já havia recorrido quando quis comprar uma sandália chamada Solar. Perguntei se havia como me informarem o tamanho da palmilha, pois não tinha acesso ao modelo e não queria me arriscar a comprá-la na numeração errada. Resposta:

“Em atenção a sua solicitação, informamos que, segundo os padrões de medida de calçados, para você saber qual é o tamanho, em centímetros, basta multiplicar o tamanho do produto por 6,66 e dividir por 10. É o tamanho do produto em centímetros.”

Pode ser que eu seja uma toupeira e não tenha entendido a poesia do momento, mas, na boa, hein?!

Resultado: deixei pra lá e não comprei a Solar, que está encalhadinha, até hoje, na Loja Melissa.

Mas como eu queria muito a Melissima, muito mesmo, respirei fundo e tentei novamente. Segue meu e-mail:

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Resposta:

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Tentei novamente:

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E ele respondeu:

Screen Shot 2013-06-20 at 14.42.09

Claro, eu poderia ter especificado que é a Melissima + Karl Lagerfeld. Mas, ó, só tem uma Melissima, não há este modelo com outros parceiros e, ademais, o cara trabalha no SAC da Melissa. Ele deveria, no mínimo, saber ler, escrever e saber o nome dos calçados. Ou poderia dar um Google que a encontraria facin-facin a Melissa Melissima em questão.

Agora, alegar que a Melissa nunca “produzi-o” uma “milissa” “‘Melissinha’” é pedir pra sair!!

Pois é. Agora é oficial. Não compro mais na Loja Melissa.

Não é por R$ 0,20, mas é por muito de pouco…

Coisas tão pequeninas vão tomando forma, vão crescendo, se agigantando. Vão tomando conta da vida da gente, espremendo, sufocando. Coisinhas tão insignificantes que, de repente, são a razão das imensas tristezas. A Adriana diria: “morre que passa”. Eu, por minha vez, sou mais propícia a matar o que me mata. Enquanto não morro e não mato, reclamo. E saio em protesto!

Não é por 20 centavos.
É por ter que engolir um sapo por dia, sem mastigar, e ser obrigado a sorrir.
É por ser destratado por fornecedor e ter que escutar xingo de cliente – porque fornecedor imbecil, ainda, foi inventar futrica.
É por ser sabotado pelo “concorrente-predador” – que ferra o cliente para culpar você. Sim, ele existe…
É por nunca conseguir pagar a prestação do carro em dia, porque um porção de pessoas nunca lhe paga em dia.
É por ser sacaneado por funcionários cheios de regalias.
É por ter a casa mijada pelo gato que você resgatou e trata muito bem.
É pelas galinhas comendo a ração do cachorro.
É pelos mosquitos-palha e pernilongos.
É pela vizinha que se sente no direito de envenenar seu pomar e de deixar o alarme da casa apitando na sua orelha pelo fim de semana afora.
É por ler gente que você admirava escrever bobagens que ofendem sua inteligência.
É por perceber que a CNN sabe o que está acontecendo no Brasil, mas alguns de seus amigos, não.
É por ser “ameaçado”, por babaca de Esquerda, de perder a amizade dele no Facebook no caso de você ousar pensar diferentemente dele – já era, velhinho!
É por comentários infelizes de infelizes.
É por ter fome e não ter bacon.
É por não ter tempo de ser legal.
É por nunca viajar.
É por sonhar com um mundo melhor e acordar se sentindo um idiota.
É por ser pobre – ou classe média, o que dá quase no mesmo – num país tão incrivelmente rico.
É pela “bancada evangélica”, pela inflação, pelos corruptos e corruptores, pela roubalheira, pelo abuso de poder, pela bolsa-ignorantes, pelo vandalismo – encomendado ou não.
É por pagar imposto pra caramba mais o vale-transporte do funcionário – que é quando os 20 centavos fazem, mesmo, a diferença – e não ter retorno de nada.

 

R-Evolução

Fiz um post na sexta. Fiquei esperando o marido me arranjar uma foto que, para mim, dizia mais do que meu texto. Não postei. Daí, passou-se o fim de semana, passou-se o tempo e o post se autodestruiu. É, ele sumiu. Fiquei arrasada, por puro apego, porque o momento havia passado. Então, fiz um board no Pinterest com as imagens mais significativas para mim.

Sou ativista de sofá, isso não muda. Não sou gente que faz. Fiz um tiquinho nos “caras pintadas”, mas era aquele tipo de coisa: não tinha como não estar ali. E eu tinha 18 anos, não 39. Eu tinha esperança, não desânimo. Mas, enfim, não sou eu, é o gigante se levantando finalmente, contra todas as previsões e, brasileiros e brasileiras, acredito em vocês!

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Desconsolo

A morte é injusta. Leva pessoas que são boas, amadas, necessárias, felizes, bem-sucedidas. Deixa os maus. Ok, eventualmente, todo mundo morre. Mas “eventualmente” não me serve. Me serve o aqui, o agora. E foi daqui, agora, que a morte levou uma menina linda, talentosa, boa, generosa, feliz. Infelizmente, não deu tempo de sermos amigas. Infelizmente, não deu tempo de muitas outras coisas.

Minha cabeça pirada fica tentando organizar a vida que ficou. As coisas que ela deixou de fazer. O ex-namorado. Os pacientes. Os funcionários. Fica tentando entender como as coisas se ajeitarão. Não é problema meu. As coisas se ajeitarão, “eventualmente”. Mas não consigo evitar.

A morte me abala. Não porque ela era tão nova, não porque foi tão absurdamente de repente. Se fosse velha e/ou doente me abalaria, também. O “ser esperado” não facilita nada. Porque, veja bem, querendo ou não, é esperado o tempo todo.

Doentio o senso de humor de quem inventou a “consciência da morte”, mas não se dignou a pregar o prazo de validade no fundo da embalagem. Cruel essa existência sem sentido e perecível, mas tão preciosa e amada.

É tão incomensuravelmente triste. Passamos boa parte da vida nos iludindo – e aos outros -, dizendo que “tudo dará certo no final”. Quantas vezes eu mesma citei tal porcaria?… Nem sei. Mas nem sempre dá certo. E, cada vez mais, o final chega antes do que esperamos. Não é justo…

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