Maldito poderzinho

É, ando ausente. Não que alguém tenha reclamado. Mas há um bom motivo para eu vir aqui cada vez menos: falta de assunto. Mentira, sobra assunto, mas é sempre mais do mesmo. Tipo: “a humanidade me cansa e me enoja blá, blá, blá…”, “odeio minha profissão blá, blá, blá…”, “odeio meus vizinhos blá, blá, blá…” e por aí vai.

Mas há uns dias li um post, que me intrigou e me motivou a palpitar, num dos poucos blogs que ainda vou – por falta de tempo, mas como são só dois posts por mês, fica fácil acompanhar. No post – para quem estiver com preguiça de clicar no link -, a Camila reclama de um pernilongo que está na parede dela, esmagado, há um tempo, e a faxineira não limpa. Você pode pensar: “mas poha, limpa o pernilongo você!! O que que custa?!” Concordo. Melhor até limpar enquanto está “fresco”, porque sai mais facilmente – ou comprar daquelas raquetes de choque, que nem sujam a parede!! Mas, daí, ela poderia argumentar: “pra que estou pagando para alguém fazer o serviço se eu tenho que fazê-lo por ela? Limpar o pernilongo na parede, lavar a louça, arrumar o quarto, manter tudo limpo é tarefa que pago para fazerem. Minha parte é fazer bagunça, é dar trabalho.”

Pois é… Enquanto eu argumentava e contra-argumentava na minha acbeça doentia – que queria pertencer a uma advogada, eu bem sei -, me lembrei de uma bobagem: um dia, uma babaca que trabalhava aqui me disse que eu fazia mais bagunça num fim de semana do que ele e a turminha da república dele faziam em uma semana. Perguntei: “vocês pagam alguém para limpar a bagunça? Não?! Eu pago.” Por isso, mesmo sabendo que eu posso catar, não cato. Mesmo podendo limpar, não limpo.

Não é preguiça. Não é porque não acho digno arrumar/limpar/catar. Não é porque não acho digno de mim arrumar/limpar/catar. Nem sei se é realmente porque eu tô pagando. Acredito que seja somente a minha resposta a uma postura cada vez mais “não sou obrigada” das pessoas à minha volta. Pois então: você é sim! Se você acha que a tarefa não está a sua altura, não a faça, mas não espere receber por um trabalho que você não faz.

Empregada – funcionários, em geral – está difícil de se encontrar. Basicamente, as pessoas não querem trabalhar. O veterinário das minhas crias, uma vez, me disse que “empregada boa e honesta não era uma possibilidade”. A teoria é bem radical, mas estou quase a comprá-la. A minha é honesta, mas não é boa e sabe disso. Mas é o que tem para o momento. Daí que ela entrou de férias e pedi para minha secretária me arranjar uma moça limpinha para passar roupas e lavar banheiros – me recuso fazer estas atividades. 1. Não sei passar roupas. 2. Tá muito frio para mexer com água. Ela arranjou uma moça que me cobraria R$ 50,00 por dia. O detalhe é que o dia começaria à uma hora e terminaria às 5. Ok.

Ontem, a moça veio toda pimpona e arrumadinha para passar as roupas. Acontece que era o dia de lavar os banheiros – o quarto de passar estava em “organização”, digamos. Ela foi embora, pois não estava vestida para lavar banheiro. Ok.

Hoje ela voltou. Chegou às 2. Perguntei, com certo humor: “está com a roupa certa, hoje?” e ela respondeu: “se eu não tivesse, eu iria embora, ver novela.” Ok.

Ela passou as roupas e limpou os banheiros em 3 horas e ficou tudo muito bom. Minha empregada leva dois dias para isso. Na hora de ir, marido perguntou: “quanto é?” Minha secretária respondeu: “50”. A faxineira falou: “tá querendo me foder? Fiz em um dia o serviço de dois. É 100!”

Nem argumento que ela “fez o serviço de dois dias em um”, ou menos de meio, porque era pouco serviço mesmo. 4 calças. 6 camisetas. 2 camisas. 3 banheiros médios e uma lavabo. Nada muito sujo.

Nem digo que se quiséssemos foder alguém, contrataríamos um profissional deste setor – o da foda -, especificamente, não uma faxineira.

E nem choramingo que eu, com duas faculdades, anos de mercado, trabalhando de 8 às 20h, não ganho R$100,00 por dia. 200,00, se considerar que ela faz faxina pela manhã, também.

E só não argumento, digo ou choramingo, porque, enquanto a mulher dava piti, a gente recebia uma cliente fofa, do tipo que faz a profissão valer a pena, que é bem agradecida, que valoriza e que faz bolinhos!! E ela trouxe bolinhos!! E eu fui feliz.

Minha empregada se aposenta ano que vem e, para 2014, preciso de um aspirador de pó potente e pouco barulhento, de uma lava-louças grande e funcionando, de produtos de limpeza que fazem “xô pra neura” e de aprender a passar roupas. Empregadas e faxineiras são artigos de luxo e não as quero mais. Não tenho dinheiro nem sangue frio pra tolerá-las. Não são todas, claro, mas o que tenho encontrado é um povo que anda com o rei na barriga, pagando de poderzinho, preguiçosas e prepotentes, burras à beça. E eu não sou obrigada.

P.S.: se você é ou tem empregada/faxineira que não se encaixa no meu “conceito”, agarre-se a ela e não a solte jamais!!

P.P.S.: e olha que eu nem reclamei da maldita mania de faxineira se achar decoradora e mudar TUDO de lugar.

Pasárgada

Semana retrasada, briguei com um cara no supermercado, em BH. O sujeito deixou as compras dele no caixa e saiu para terminar de comprar. A mulher que estava logo atrás dele achou ótimo quando ele lhe deu passagem, já que a vez dele havia chegado e a mulher dele, não. E eu estava logo atrás dela e previ: ele vai voltar e eu vou brigar.

Dito e feito. Ele voltou para a fila, logo na minha frente, se achando no direito. Quando eu falei que não estava entendendo, ele me disse que as compras dele estavam ali o tempo todo, ao que respondi: “mas você, não”. Ele fez de ofendido e me mandou passar na frente, então. Meu marido ficou no “deixa disso, não precisa”, mas eu falei que passaria na frente ele deixando ou não, pois era meu direito. Ele me chamou de mal educada e saiu aos berros, dizendo que não ia discutir comigo. Taí. O cara fura fila, grita comigo, discute comigo e eu é que sou a mal educada. Que sociedade mais do lado avesso, essa…

Semana passada, houve briga entre vizinhos. A motivação – e não necessariamente o motivo – foi o cachorro que latia incessantemente há dois anos, enquanto a dona dele se esgoelava. Boa motivação. Eu contava até 1500 todos os dias para não brigar também, porque o cachorro, no fim das contas, não tem culpa. O resultado da briga – feia, cheia de palavrões e gritaria generalizada – foi que o cachorro se foi. A esgoelada quebrou porta e gastou todo o resto das cordas vocais que tinha e, de modo geral, o silêncio impera ali, agora.

Como, sei lá, agradecimento?, o vizinho que iniciou a briga e expulsão do cachorro passou este fim de semana todo acelerando a maravilha da moto dele. Por que? Deve ser saudade de barulho. Só pode. Ou porque babaca é babaca.

Ainda bem que comprei o maravilhoso fone de ouvidos da Bose. É ligeiramente desconfortável – no calor, é mais -, come pilha, mas me garante uma surdez parcial muito bem-vinda. Posso, assim, tolerar os abusos e evitar picuinhas com vizinhos.

Mas picuinha intolerável é ter sido cercada de arames cortantes e cercas elétricas que gritam histéricas nos fins de semana. O amor entre vizinhos fez com que eles não queiram só se proteger contra ladrões, mas uns dos outros. E eu, que sou a mais civilizada da turma – ora, ora -, acho horrível viver numa penitenciária involuntária. E fico pensando nos meus gatos de rua, cada vez mais sem acesso a mim…

O Cyclops não é o único que vem comer aqui. A Naíma, uma siamesa lindinha que deve ter sido abandonada nas redondezas, anda frequentando minha casa. Naíma – que significa “delicada” – não é gente boa, não se aproxima muito, mas entendo que ela tem muito medo. A gente a viu nas ruas e, sinceramente, ela não sabe se virar, não. Fico feliz todas as noites em que percebo que ela conseguiu sobreviver mais um dia.

Queria poder cuidar dela, mas está difícil a aproximação. O Pudim fez questão de mostrar quem é que manda e ela tem medo. Aliás, ela pode ser ele, já que não dá para ter certeza, pela distância. O Cy e o Pudim não gostam nada dela – o que me faz pensar que é provável ser menino -, mas ela é realmente delicada, como uma menina…

A quantidade de gatos e cães de rua nesta cidade só cresce. Tanto que os patos do parque têm sofrido bastantes perseguições noturnas – cães caçando. Acho incrível como alguém pode simplesmente descartar um animal. Aqui em casa, nem lixo a gente joga fora sem dó – não é hoarding, é consciência ambiental, mesmo. A gente sempre avalia se ainda tem utilidade e qual, antes de descartar…

E o resultado de tanto bicho solto é que os meus estão com pulga novamente. O Frontline não está dando conta. Dureza… E que eu evito, cada vez mais, sair de casa. Fico angustiada de ver tanto bicho maltratado, em bandos, nas ruas. Não ter o que fazer me chateia.

A minha agência está tentando ajudar o Quatro Patinhas a ter e-mail marketing e news, mas anda difícil, porque a Christiane não para o suficiente para me ajudar a ajudá-la. E isso é pouco e é no Rio. Eu queria fazer mais, fazer local. Ou… Eu queria mais era ir para muito longe desta vizinhança hostil, destas pessoas que abandonam bichos e me mudar logo pra algum lugar distante, deserto, onde eu seja amiga do rei…

 

 

Feminina, plural e capa!

Deve ser a quarta vez que venho aqui dizer que ADORO o Feminino Plural, festa que premia mulheres que são destaque na sociedade de Itaúna e arredores. Acho chique, acho luxo, acho tudo!!

E como eu sou chique, luxo e tudo!, este ano a homenageada mor fui eu!! Com direito a capa e matéria na Revista Foco!, a Caras de Itaúna.

A festa foi no sábado passado, mas como eu bebi muito – tipo, três tacinhas -, não dei conta de viver no domingo para contar… E como nunca é tarde para ser bem-agradecida e egocêntrica, cá estou eu!

Para a revista, o Gabriel Junior veio me entrevistar. Puxa, como eu falo! E como eu dou voltas enquanto falo. Que coisa mais confusa é ser entrevistada! Daí, com a bobajada que eu falei, o Gabriel escreveu um texto superfofo, enaltecedor e gracinha, ou seja, nada a ver comigo. Atrevida – e nada fofa – que sou, reescrevi.

Para as fotos, Beth Mendes – a boutique e a mulher – me emprestou roupinhas. Jabazinho básico, mas muitíssimo necessário, pois onde já se viu uma diva de calça jeans gasta e camiseta engraçadinha em capa de revista?! Pois é. Fiquei à altura da ocasião.

Marido me fotografou – e me xingou muito – e saíram umas fotos aproveitáveis – com bastante Photoshop, claro! – enquanto eu ia ficando cada vez mais descabelada e desconjuntada.

magazine-mockup

Para a festa, comprei um macacão lindo na Beth e pintei as pontas do cabelo de roxo, em homenagem ao Luiz Parreiras – que, por acaso, usa o cabelo azul muito antes de ser moda! Como sempre, me diverti muito! A festa foi ótima! Bebida e comida boa, gente bonita. O único inconveniente é ficar sendo fotografada. Papparazzi…

cabeloFoto tão estourada que até parece que fui colorizada! Mas é o que temos, não reclame.