Vida na roça

Como disse uma das minhas personagens: “O que diferencia os seres humanos dos outros animais é o antagonismo à natureza. O homem não aceita as leis naturais. Ele desafia a gravidade, a genética, a seleção natural. E gera lixo em tudo o que faz.”

Eu, pessoalmente, não aceito “a lei do mais forte”. E estou muito acompanhada nisso. Tão aí as inúmeras páginas de FB de gatinhos e cãezinhos aleijados que me confirmam. Amamos os indefesos, preservamos os defeituosos, cuidamos do estropiados. Que bom. Pelo menos, isso.

Se dependesse da Natureza, muitas síndromes, assim como aleijados e deformados estariam extintos. Seríamos todos “perfeitos”. Justo para a Natureza. Injusto para seres que temem a morte, não sabem do seu próprio futuro e preferem prevenir. É, não é puro altruísmo, a gente protege o mais fraco porque sabe que pode estar numa posição desfavorável, qualquer dia.

Seja altruísmo, egoísmo, humanismo ou revanchismo, ontem, às 22h, eu estava com meu Bose na orelha quando, apesar dele, ouvi uns piados e um grito no quintal. Gritei pro meu marido: “vai pro quintal! Já! Estão atacando a galinha!”. Sim, eu poderia ter ido, mas ele estava mais perto.

A galinha, em questão, fez ninho num lugar horrível, sob uma trepadeira, do lado errado do seu território. Ou seja, ela abandonou a segurança do galinheiro para chocar na área do cão.

O cão é tranquilo, não ataca galinhas, mas atacou os pintinhos. Pelo que percebi, não foi a primeira vez. A galinha que imaginei ter sido atacada por gambá, há alguns meses, estava na mesma área.

O cão apanhou com jornal. Eu não bati, não cheguei perto dele, não quis nem olhá-lo. Meu marido acha isso injusto. Ele prefere “ensinar” para o cão que ele errou através da surra. Surra de jornal, do jeito que ele faz, não dói, eu sei, só assusta. Mas…

Preferi recolher os pintinhos, que piavam. A noite estava muito escura, fria, o lugar é confuso e cheio de folhas, além de não ser iluminado pelas lâmpadas da quadra. Tive que me valer dos meus ouvidos superpoderosos. Achei 6 pintinhos e a galinha, totalmente catatônica. Recolhi todos eles e os coloquei no viveiro. A galinha custou a se recuperar, mas os piadinhos a trouxeram de volta.

Lá fora, os piadinhos não paravam. De pouco em pouco, enquanto eu era devorada por insetos noturnos, achamos todos eles: 11 ovos partidos, 11 pintinhos. Isso foi até 23:30.

Sei que o cachorro é Natureza, é instinto, é a lei do mais forte. Mas sou humana e vejo isso como traição.

Meus gatos, até os de rua, respeitam os pintinhos. E nem é por causa da galinha, porque a última ninhada, antes dessa, foi totalmente abandonada pela mãe, muito antes da hora, e ainda estão todos vivos e bem, apesar de 9 gatos frequentando o quintal. E dizem que gatos é que são traiçoeiros…

¡Qué vergüenza, Toro! ¡Qué maldad!!

 

Feiura

Reforma ortográfica

É sério que “feiúra” não tem mais acento ou isso é coisa do corretor? Eu era muito boa em Português, mas estas novas regras ortográficas me ferraram. Nada mais faz sentido. O pior é a imbecilidade da coisa. Não há como falarmos a mesma língua, é impossível. Portugueses escrevem e falam de forma diferente, simplesmente porque tem vocabulário diferente. Isso não muda!

A Superinteressante fez uma matéria sobre um mundo com uma língua só e, segundo eles, isso não teria como ser, simplesmente porque culturas diferentes criam/usam palavras e expressões diferentes.

Eu não tenho sotaque mineiro, porque o tal sotaque consiste em engolir letras e juntar palavras. Minha tia nunca me permitiu tal disparate. Mas uso expressões típicas da minha terra – isso não inclui, ainda bem, o “olha só procê vê”. Uso a palavra “arredar”, que, para minha surpresa, não é conhecida por aí e, por aqui, é comum demais! “Demais” também é coisa de mineiro!

“Um assunto pentelho”

Eu acho a Nanda Costa – ou Nada Consta, como diria Katylenne – uma mulher sem sal. Ela tem um corpo legal, mas a cara de pobre me incomoda – nem vou tentar ser politicamente correta, porque a expressão é essa mesmo: “cara de pobre”. Apesar da sem-gracesa da pessoa, achei a Playboy dela linda. A mais artística que eu já vi. A mais tudo a ver. O cenário favoreceu demais a moça, porque ela se encaixou feito uma luva, ali. Não pela cara de pobre, mas pela brejeirice, morenice, sudorese. Achei bonito. Achei que os pelos foram uma jogada excelente. Primeiro, porque tem relevância com o personagem. Uma perereca careca não combina com uma mulher cubana gostosa. Segundo, de uma hora para outra, a existência de pelos pubianos se tornou MUITO mais polêmica que mamilos e iria dar – e deu – o que falar. Mídia espontânea! Tanto, que só vi as fotos por causa do reboliço em torno da Chewbacca da moça.

Sei que esse assunto é super-mês passado, mas retorno a ele, porque se encaixa como uma luva neste post. Se encaixa em feiura. Feiura, para mim, é essa nova mulher, cheia de regras, de paradigmas tolos. Ela tem que ter cabelo de progressiva – de preferência, com babyliss nas pontas. Tem que ter silicone nos seios – pelo menos. Tem que ter barriga tanquinho e pernas de gladiador. Tem que ter a vulva careca.

Para começo de conversa, acho o fim essa padronização. Sei que tem moça que se encaixa aí feliz da vida. Não a julgo. Mas não esperava que os homens fossem reclamar de pelos pubianos. Isso, nunca!

Ninguém tem o direito de dizer que uma mulher não é bonita porque opta por ser natural. O natural, por si só, já é belo. Cabelo crespo, barriga fofa – porque quem tem máquina de lavar em casa não precisa de um tanquinho no abdômen, né não?! -, peito pequeno, partes peludas… Nada disso é feio. Tudo isso junto não é feio. Feio é não se aceitar. Mas feiura mesmo é não aceitar o outro por tão pouco. Viva a diferença, meu povo!

E não me venham culpar a moda, as revistas, a TV, Hollywood ou o escambau, porque quem escolhe seguir padrões são indivíduos. Ninguém obriga.

Almas secas

Esta semana, no Facebook, duas coisas me chocaram. Uma delas me fez chorar.

Nenhuma delas é ligada a violência física, mas ambas são de uma crueldade absurda.

Caso 1:

Um pai colocou em seu próprio Facebook uma foto dele “amamentando” a filha. Esta:

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A história:

A mãe da criança saiu, depois de amamentar e colocar a menina para dormir, para um compromisso rápido. O pai ficou com a menina. Acontece que, ao contrário do esperado, a menina acordou antes da mãe chegar e começou a chorar. O pai, meio que desesperado, imaginou que não seria fome, pois fazia pouco tempo que ela havia mamado, mas carência, talvez. Então, pegou a menina no colo e colocou o peito peludo na boca dela. Ela agarrou o peito com as gengivas, não sugou, mas se acalmou e voltou a dormir.

Moral da história:

Palavras dele: “É assim , eu sou homem, não produzo leite, mas acredito que o amamentar vai muito alem disso, é um contato direto que você tem com o seu filho/filha, é como se você mostra-se pra ele o que é AMOR/CARINHO/ATENÇÃO , mas numa língua em que ambos entendam.”

Eu, pessoa com alma suculenta:

Achei lindo demais! Achei a atitude bacana, o post adorável, a mensagem – que vai além, alerta para a importância da amamentação, num mundo repleto de NAN e mulheres que têm medo de peito caído – é sensacional e a foto, adorável.

Pessoas de almas secas:

O cara foi acusado de pedofilia, de querer aparecer, de tentar tomar “O DIREITO SAGRADO DA MULHER” – assim, mesmo, com Caps ligado! – de amamentar. A mãe foi acusada de negligência, por não prever uma eventualidade e deixar uma mamadeira.

Fiquei passada…

 Caso 2:

A história:

Um garoto, Dudu, viu um dos casos do 4Patinhas: o Steve, um gatinho sofrido, estava “chorando sangue”, por causa de uma infecção nos olhos. Dudu se comoveu e pediu para sua mãe levá-lo à ONG, pois ele iria doar o dinheiro do cofrinho, que  juntava para comprar um videogame, para o tratamento do gato.

Eu, pessoa com alma suculenta:

Fiquei encantada, emocionada com o garoto, com o desprendimento dele. Vi esperança no futuro. Acreditei um tiquinho na humanidade.

Outras pessoas, ainda mais suculentas do que eu, fizeram uma Vakinha para o garoto, para comprar o videogame para ele.

Pessoas de almas secas:

Perseguiram a mãe do garoto, no FB. Acusaram-na de querer aparecer, de forçar uma situação para não ter que comprar o videogame, mas, sim, ganhar, através de apelos demagogos. Fizeram o menino chorar. Me fizeram chorar. Cabô esperança. Transformaram uma coisa tão bonita em feiura. A mesma que elas carregam na alma.