Notícias sangrentas

Ontem vi um post no Kibe Loco e cliquei no “duvida? clique aqui”. Fui parar num site qualquer. Li a notícia, achei uma bobagem e vi, logo abaixo dela, um “post relacionado”: “morre bebê enterrado vivo pela bisavó no quintal de casa”. Outra: “ex mata mulher a facadas enquanto bebê era amamentado”. Embaixo, ainda: “estudante se perdeu e foi arrastada para um matagal”, onde foi enforcada com o próprio sutiã. “Ex-atleta foi decapitado”. “Mãe criava bebê escondido em porta-malas do carro”…

Diante disso e de questões tão violentas quanto, mesmo que não tão sangrentas, eu não tenho como julgar fútil/imbecil/à toa quem curte Ego ou Barteus. Realidade demais causa pânico. Que mundo…

Fantasia Negra

Um amigo negro está pensando em organizar uma coletânea de contos fantásticos escrit0s por negros e com personagens principais afrodescendentes. Alguém gritou nos comentários: “péssima ideia!”.

Em tese, eu também seria contrária à ideia. Aquele meu papo de sempre: particularismo, etc. Mas, na prática, por que não?! Tanto pode vir a ser uma m*rda, porque escolher uma turminha somente pela cor da pele não é a melhor forma de se criar uma coletânea, como pode vir a ser uma oportunidade fantástica de conhecer bons escritores que, de outra forma, eu não conheceria, independente da cor da pele deles.

Então, eu voto sim! Porque eu mantenho meu posicionamento sobre segregações, mas aceito o relativismo das coisas da vida. Nem tudo é preto no branco, mas, às vezes, calha de ser.

Xenofobia

xenofobiaAcho engraçado… O europeu, o senhor do mundo, o conquistador, foi de cabo a rabo neste planetinha, conquistando, pilhando, humilhando, dominando, impondo sua cultura e, acima de tudo, destruindo legal – palhaços! Daí, voltaram para casa, mais ricos e mais bacanas ainda, deixando para trás o que não interessava mais – povos empobrecidos, divididos, perdidos, em conflito.

Ficamos brasileiros, indianos, árabes, africanos, nativos de toda a parte, f*didos e não pagos. Eles trouxeram a civilização? Sei… Cadê?! Onde ela se escondeu? Aliás, o que ela é mesmo?

Agora, que quebraram o brinquedo, se reservam ao direito de fechar seus paizinhos de merda – bonitos, “ricos” e clássicos – para que brasileiros, indianos, árabes e nativos de todas as outras partes do mundo não venham pilhar o sistema de saúde e previdência social que eles conquistaram.

Senta lá, Europa! O que é seu foi nosso. Vocês devem ao mundo todo. Se a regra geral no mundo – e, não, eu não concordo com ela, mas eu não dito as regras, vocês ditam – é que se pague até o último centavo pelos erros dos nossos antepassados, vocês devem muito a muitos. Estudem sua própria história e aprendam a ser gentis com as visitas, mesmo que ela venham para ficar. É o mínimo.

 

Carta do Chefe Seattle ao Grande Pai Branco

Esta é a resposta do Chefe Seattle a Franklin Pierce à proposta do governo norte-americano de comprar grande parte das terras da sua tribo Duwamish, em 1854, oferecendo, em troca, a concessão de uma reserva.

“Homens brancos” é o que todos nós somos, independente da cor da pele.

“Como podereis comprar ou vender o céu? Como podereis comprar ou vender o calor da terra? A ideia parece-nos estranha. Se a frescura do ar e o murmúrio da água não nos pertencem, como poderemos vendê-los? Para o meu povo, não há um pedaço desta terra que não seja sagrado. Cada agulha de pinheiro cintilante, cada rio arenoso, cada bruma ligeira no meio dos nossos bosques sombrios são sagrados para os olhos e memória do meu povo.

A seiva que corre na árvore transporta nela a memória dos Peles-Vermelhas, cada clareira e cada inseto que zumbe é sagrado para a memória e para a consciência do meu povo. Fazemos parte da terra e ela faz parte de nós. Esta água cintilante que desce dos ribeiros e dos rios não é apenas água; é o sangue dos nossos antepassados. Os mortos do homem branco esquecem a sua terra quando começam a viagem através das estrelas. Os nossos mortos, pelo contrário, nunca se afastam da Terra que é Mãe. Fazemos parte dela.

E a flor perfumada, o veado, o cavalo e a águia majestosa são nossos irmãos. As encostas escarpadas, os prados úmidos, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencem à mesma família. Se vendermos esta terra, não ireis, decerto, ensinar aos vossos filhos que ela é sagrada. Como poderei dizer-vos que o murmúrio da água é a voz do pai do meu pai… Também os rios são nossos irmãos porque nos libertam da sede, arrastam as nossas canoas, trazem até nós os peixes… E, além do mais, cada reflexo nas claras águas dos nossos lagos relata histórias e memórias da vida das nossas gentes. Sim, Grande Chefe de Washington, os nossos rios são nossos irmãos e saciam a nossa sede, levam as nossas canoas e alimentam os nossos filhos.

Se vos vendêssemos a nossa terra, teríeis de recordar e de ensinar aos vossos filhos que os rios são nossos irmãos e também seus. E é por isso que devem tratá-los com a mesma doçura com que se trata um irmão. Sabemos que o homem branco não percebe a nossa maneira de ser. Para ele um pedaço de terra é igual a um outro pedaço de terra, pois não a vê como irmã, mas como inimiga. Depois de ela ser sua, despreza-a e segue o seu caminho. Deixa para trás a sepultura dos seus pais sem se importar. Sequestra a vida dos seus filhos e também não se importa. Não lhe interessa a sepultura dos seus antepassados nem o patrimônio dos seus filhos esquecidos. Trata a sua Mãe Terra e o seu Irmão Firmamento como objetos que se compram, se exploram e se vendem tal como ovelhas ou contas coloridas. O seu apetite devora a terra, deixando atrás de si um completo deserto.

Não consigo entender. As vossas cidades ferem os olhos do homem Pele-Vermelha. Talvez seja por que somos selvagens e não podemos compreender. Não há um único lugar tranquilo nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desenrolar das folhas ou o rumor das asas de um inseto na Primavera. O barulho da cidade é um insulto para o ouvido. E eu pergunto-me: que tipo de vida tem o homem que não é capaz de escutar o grito solitário de uma garça ou o diálogo noturno das rãs em redor de uma lagoa? Sou um Pele-Vermelha e não consigo entender. Nós preferimos o suave murmúrio do vento sobre a superfície de um lago, e o odor deste mesmo vento purificado pela chuva do meio-dia ou perfumado com o aroma dos pinheiros.

Quando o último Pele-Vermelha tiver desaparecido desta terra, quando a sua sombra não for mais do que uma lembrança, como a de uma nuvem que passa pela pradaria, mesmo então estes ribeiros e estes bosques estarão povoados pelo espírito do meu povo. Porque nós amamos esta terra como uma criança ama o bater do coração da sua mãe. Se decidisse aceitar a vossa oferta, teria de vos sujeitar a uma condição: que o homem branco considere os animais desta terra como irmãos.

Sou selvagem e não compreendo outra forma de vida. Tenho visto milhares de búfalos a apodrecer, abandonados nas pradarias, mortos a tiro pelo homem branco que dispara de um comboio que passa. Sou selvagem e não compreendo como uma máquina fumegante pode ser mais importante que o búfalo, que apenas matamos para sobreviver. Tudo o que acontece aos animais acontecerá também ao homem. Todas as coisas estão ligadas. Se tudo desaparecer, o homem pode morrer numa grande solidão espiritual. Todas as coisas se interligam.

Ensinai aos vossos filhos o que nós ensinamos aos nossos sobre a terra: que a Terra é nossa Mãe e que tudo o que lhe acontece a nós acontece aos filhos da terra. Se o homem cuspir na terra, cospe em si mesmo. Sabemos que a terra não pertence ao homem, mas que é o homem que pertence à terra. Os desígnios terrenos são misteriosos para nós. Não compreendemos por que os bisontes são todos massacrados, por que são domesticados os cavalos selvagens, nem por que os lugares mais secretos dos bosques estão impregnados do cheiro dos homens, nem por que a vista das belas colinas está guardada pelos “filhos que falam”.

Talvez um dia sejamos irmãos. Logo veremos. Mas estamos certos de uma coisa que talvez o homem branco descubra um dia: o nosso Deus é um mesmo Deus. Agora podeis pensar que Ele vos pertence, da mesma forma que acreditais que as nossas terras vos pertencem. Mas não é assim. Ele é o Deus de todos os homens e a sua compaixão alcança por igual o Pele-Vermelha e o homem branco.

Esta terra tem um valor inestimável para Ele e maltratá-la pode provocar a ira do Criador. Que é feito dos bosques profundos? Desapareceram. Que é feito da grande águia? Desapareceu também. Mas o homem não teceu a trama da vi da: isto sabemos. Ele é apenas um fio dessa trama. E o que faz a ela fá-lo a si mesmo. Também os brancos se extinguirão, talvez antes das outras tribos. O homem não teceu a rede da vida. É apenas um fio e está a desafiar a desgraça se ousar destruir essa rede. Tudo está relacionado entre si como o sangue de uma família. E, se sujardes o vosso leito, uma noite morrereis sufocados pelos vossos excrementos. Assim se acaba a vida e só nos restará a possibilidade de tentar sobreviver.”

Diversão e arte

Acredito que, hoje, minha vida se resume a três interesses:

1. Gatos

Amo cachorros, mas eles precisam de uma coisa que eu me recuso a dar a eles: voltinha na rua. Então, me dou melhor com gatos, que não precisam de mim para passear e não choramingam atenção. Eles vêm e a tomam de você.

Meu Facebook e meu Pinterest são típicos de “a louca dos gatos”. Sigo gente como Kitty LoveThe Geminites, Zombie Kitty Attack, Nicinha de Fraldinha, Noah Henrique, Tony, o Gato Foquinha, Dicionário Miaurélio e, claro, 4Patinhas. Sem contar Simon’s cat, Grumpy e Pusheen, que são clássicos!

Off line, tenho os 7 enlouquecidos – e enlouquecedores – que habitam esta casa e os três – sim, três! Um clone da Guapa surgiu no nosso quintal! – que comem da nossa comida de gato, mas não querem nosso amor…

2. Artesanato

Ainda não comecei a exercer este hobby, mas estou empolgada. Já tenho milhares de moldes e exemplos. Assim que minhas férias começarem, dedicar-me-ei a ser uma artesã supimpa!

Criar sem ter cliente dando palpite errado e fazer do jeito que a gente quer/pode/tem vontade é o sonho de qualquer criatura com um mínimo de criatividade e coordenação motora.

3. Tirinhas e quadrinhos

Graças à Lou eu conheci o Mentirinhas e, graças ao Mentirinhas, conheci uma galera!! Hoje em dia, não vivo sem o humor e o talento de pessoas como: Will Tirando, Walmir Orlandeli, André Dahmer, Guilherme Bandeira, Clara Gomes, Estevão Ribeiro, André Farias, Alexandre Beck

Minha agência apoiou o projeto do Catarse do Fábio Coala, eu apoio o projeto do Guilherme e meu marido apoiou um livro de zumbis. E apoiamos o projeto independente do Alexandre, porque eu simplesmente amo o Armandinho!!

Hoje, a gente praticamente só tem investido dinheiro em algum conforto – ventiladores, pois não! – e cultura. O bom é que cultura não precisa ser cara. Apoiar um bom projeto no Catarse pode sair por R$ 25,00, com recompensas! Para mim, vale muito à pena. Esses cartunistas dão tanta graça de graça, que custa muito pouco retribuir…

De resto, minha vidinha se resume em trabalhar muito para dar uma vida melhor aos meus gatos, ouvindo Gemini Syndrome para suportar a rotina, e comer e dormir, porque é bom e é necessário. Uma vida insuportável, alguns diriam, mas que tem me servido bem.

E você, o que lhe faz feliz?

Ai, me deixa!

A Adriana gosta pegar no meu pé, porque eu curto água benta. “Você é a única ateia que acredita em água benta”! Talvez seja. E também curto benzedeiras, São Longuinho e fitinha do Senhor do Bonfim. Sei mais orações do que minha secretária, católica praticante. Às vezes, chamo meu anjo da guarda – e o xingo um bocado pelo péssimo serviço prestado! Agradecer, jamais! Ele nunca faz mais do que a obrigação dele!

Mas, veja bem, ser ateu é não acreditar em Deus. A=não. Teu=Deus. Ser ateu não é religião e, para mim, não é nenhuma filosofia de vida. Não há dogmas nem regras. É só não ter ou crer num Deus. Eu não acredito na existência de Deus todo poderoso, Criador do Céu e da Terra. O Pai misericordioso. O onipotente, onipresente, onisciente. Meus santos e anjos são todos autônomos, não têm patrão. Viva o empreendedorismo!!

Também gosto de coisas místicas, tipo leitura de cartas e quiromancia. Adoro mapa astral! Ser ateia não é, necessariamente, ser descrente em tudo o que é místico. E não acredito que o místico e Deus andam juntos. “Meu” místico também é autônomo: Mysticism Inc.

Não uso a ciência para explicar todos os fatos. Não preciso explicar todos os fatos. Não preciso explicar nada!

Se você acha que eu não sou realmente ateia porque não me encaixo num padrão… Bom, tanto faz. O que é meu é meu, o que eu sou sou eu e não é da sua conta, assim como não é da minha seus conceitos e crenças pessoais. Liberdade de credo é garantida pela Constituição, pela ONU, pelo Universo em expansão. Creia no que quiser, eu creio em mim.

E por que estou divagando sobre isso? Porque uma pessoa questionou meu ateísmo – não foi a Adriana, ela só se diverte às minhas custas! -, assim como também questionou meu vegetarianismo manco. Essa pessoa acha que não posso ser ateia e que não comer carne não é natural – e cita a bíblia. Mas eu não sou natural. Sou humana, nada mais distante do natural. Não estou à mercê da Natureza. Nem meus gatos e meu cão o estão.

E por falar em gatos, se até eles, que são naturais, optam por não comer meus pintinhos, eu, não-natural, naturalmente posso optar por não comer o que eu não quiser comer! Não é instinto, é escolha. E olha que até Deus é a favor do livre arbítrio…

SANTO-AGOSTINHO-X-BOECIO

Ou será que não?…

Uma pessoa repleta de cultura inútil e vazia de sentido não vai encontrar alento para sua necessidade de gastar “conhecimento” comigo. Nem vai se preencher às minhas custas. Não sou obrigada, não tenho paciência e nem sou solidária deste tanto. Mas tenho uma sugestão a dar: seja legal, modere o prolixismo e faça amigos/escreva num blog. Em outras palavras: vá caçar quem lhe queira e me deixa!!

 

Desabafo anônimo

Aconteceram umas coisas felinas que me destruíram, esta semana. É… Sou daquele tipo de gente que assume a dor dos outros. Só que também sou do tipo de gente que odeia quem me faz sofrer.

Ia mandar esta falação toda, abaixo, à minha algoz, mas achei que ela já tem seus próprios problemas. Como escrever isso me liberou de uma enxaqueca dos infernos, resolvi postar aqui, só para desabafar, mesmo…

“Ei… Sei que não é momento de te chatear, mas preciso…

Eu tenho um certo pé atrás com você desde que você saiu xingando todo mundo pelo baixo número de compartilhamentos de um post. Como se a responsabilidade de cuidar dos bichanos que você pega fosse compartilhada. Não é. É sua. Eu só lhe “sigo”. Ajudo quando vejo possibilidade, mas sob minha responsabilidade já estão 9 gatos, dos quais eu cuido com a mixaria que eu ganho sendo designer no interior de Minas.

Daí, para tentar apagar o mal estar, e para tentar conhecer a pessoa por trás da página, resolvi ver seu perfil no FB, o que não ajudou. Achei “sua religião” agressiva demais. Não que eu seja ovelha pagadora de dízimo, longe disso, sou ateia – sem orgulho, só me aconteceu de ser assim -, mas achei feio você escrever daquela maneira. Ofensivo. Principalmente para alguém que vive pedindo orações. E vive pedindo orações, porque as coisas ao redor não estão legais.

Sei que os seus “resgatinhos” são frágeis, na maioria, têm probleminhas, mas eles estavam morrendo dia após dia e eu ficava me perguntando: o que ela está fazendo de errado? Talvez, nada. Pode ser que estivesse tudo certo, mas, sei lá… Muita morte em pouco tempo… Eu investigaria. Mas, né?, eu ouço cascos e penso em zebras…

E, então, sua casa quase pega fogo por negligência. Você sabia do problema e não o resolveu por falta de dinheiro? Você colocou bichos e pessoas em risco! Falta de dinheiro não justifica isso! Faz vakinha, faz empréstimo, pede ajuda, mas não deixa a casa pegar fogo com um punhado de gatos dentro!

Depois disso, me choquei quando você EXIGIU testes FELV para uma possível mãe de leite para os filhotes. O problema está na palavra e no caps lock! Você pedia um favor… Não cabe exigência num favor! E já pensou se uma gata saudável e testada fosse para sua casa e saísse morta por um vírus que se espalhou por aí?! Você exige dos outros, mas não apresenta garantias?

Você faz quarentena com os gatos resgatados? Porque a doença, certamente, chegou com algum deles e é sabido que gatos de fora não devem ser misturados aos que estão dentro antes de todas as vacinas e exames. Nem precisava lhe dizer isso, né?!

Escrevi tudo isso sem certeza se iria lhe enviar ou não. Se envio, é por mim, por puro egoísmo, porque eu sinto dó da situação, mas, também, raiva. Não queria estar na sua pele, não consigo sequer imaginar que merda devem estar sendo esses dias para você. Pelos gastos, pelos gastos emocionais, pelas perdas… Me solidarizo com isso, com certeza, mas não consigo não me sentir infeliz com as mortes dos pequeninos e com a doença do meu gatinho favorito dentre os seus.

Desculpa, mas eu não sei lidar com perdas, eu tenho que culpar alguém. Calhou de ser você. Lamento ser a pessoa horrível que aponta o dedo quando você mais precisa de apoio, mas esta sou eu. Provavelmente, estou sendo injusta, mas espero que não me odeie por isso…

Abraço.”

 

Ajude o Bielzinho!!

Será que alguém ainda vem aqui, depois de todo esse tempo de abandono? Se você chegou aqui e tem Facebook, chegue lá e vote no Biel! Por favor! É por uma excelente causa! Se ele ganhar, a ONG 4Patinhas ganha uma tonelada de ração para alimentar seus quase 200 abrigados. Eles são sérios e competentes e ajudam muito os bichinhos!

bielzinho

O link para a votação está aqui! Se quiser conhecer o trabalho da 4Patinhas, clique aqui. Votem!

Obrigada!

A dor

Eu fui ter meu primeiro bichinho de estimação há uns 14 anos. Eu cheguei em casa e disse que havia ganhado um cachorro. Minha tia, que nem morava lá, disse: “só por cima do meu cadáver você traz um cachorro para esta casa”. No dia seguinte, cheguei com uma gatinha. Ninguém falou nada sobre gatinhas!

A Maia foi essa gatinha. Sem Facebook, amigas gateiras ou veterinários que entendessem de gatos, eu passei apertos. Eu não sabia nada sobre gatos. Caixa de areia, melhor ração, castração, saidinhas na rua… Tudo era um tremendo mistério para mim. E, no final, ela morreu, com menos de 1 ano de vida, de uma doença causada por carrapato.

Eu enlouqueci de dor… Meu primeiro contato íntimo com a morte e, pior, com minha derrota. Eu fiz tudo o que eu podia, tudo o que estava a meu alcance e isso foi muito pouco. Eu poderia ter procurado alcançar mais! Eu poderia ter podido mais.

Para compensar a dor, eu salvei o Rasputin. Uma colega de faculdade estava eliminando a cria indesejada de sua gata de raça – que cruzou com um vira-latas, através da tela da janela – e eu pedi para ficar com um filhote. E o Rasputin me salvou, em contrapartida. Me fez uma pessoa mais quentinha e macia.

Com o Rasputin, eu aprendi a ser mais tolerante, a perceber meus limites e minhas loucuras, a amar incondicionalmente. Pelo o quê havia se passado com a Maia, eu aprendi a ser “mãe-louca”, que, virou-gemeu, levou ao veterinário. E o Rasputin virava e gemia muito. Em poucos meses, teve pneumonia, quebrou a perna, fugiu de casa e se estrepou. A grana escorria das minhas mãos, mas tudo valia a pena, porque ele estava ali, me amando e pedindo carinho no papinho.

969300_10151696128839597_986412151_nRasputin, sofrendo bullying

Muitos bichinhos entraram e saíram da minha vida, nestes últimos treze anos. Chorei e sofri copiosamente por cada derrota, por cada perda. Me culpei e me culpo por cada uma delas. Sei que eu poderia ter me antecipado a cada doença. A gente poderia ter telado a casa toda e o Legião ainda estaria conosco – mas, daí, não estariam conosco a Panqueca, Pixie, Guapa, Cyclops e Naíma… Sei que ainda cometemos muitos erros…

Por ter perdido tanto, eu sei o quanto dói. Sei que quando a gente diz: “eu sei que fiz o possível”, é porque a gente acha que não fez, não. Então, o momento de sofrer a perda – e a derrota – de um bichinho querido não é momento de apontarem o dedo, de nos dizerem onde nós erramos. É momento exclusivo de apoio, afeto e solidariedade. Depois, com muito carinho, a gente aceita entender o que esteve errado e como não errar mais.

Em tempos de Facebook e amigas gateiras, nem sinto mais tanta falta de um veterinário que entenda de gato. Procuro apoio e respostas com elas e tem dado certo. Em compensação, me desidrato de chorar com cada denúncia de maus-tratos que elas postam, com cada perda que elas sofrem.

553846_522244591192957_380756240_nHomenagem da Nicinha ao Noah, que virou estrelinha há uma semana…

O problema é que, em tempos de Internet, ninguém mais é dono do gato sozinho. Ele é de cada um que curte o post, ele é de todos nós. Mas pense bem antes de acusar o tutor do nosso gato de negligência, de fazer uma crítica cruel ou de dissertar sobre verdades sobre criação de bichanos… Contenham a indignação e a fúria. Empatia é tudo.

Minorias

Eu vivo pensando em cotas, em gays, em preconceito, em discriminações, em estupidez humana e sempre penso no Rouanet. Prefiro esquecer a lei que leva seu nome – uma lei tristemente usada para o mal – e me lembrar do seu livro A Coruja e o Sambódromo! Li um pedacinho desse livro na faculdade, há uns 20 anos, e nunca mais consegui encontrá-lo. Mas me marcou a fala sobre particularismos. Um dia eu o encontro, novamente…

Como seres humanos, todos nós, num momento oportuno, nos fazemos de vítimas e/ou de especiais. Faz parte. Minha particularidade, minha minoria, é sempre a mais sofrida… Me separo do joio – ou do trigo, dependendo -, me uno aos “meus” e nos impomos de alguma maneira. “Pobre de nós, precisamos ser recompensados pelo que fizeram a nossas ta-ta-ta-ta-ta-ta-ta-taravó na Irlanda… Isso nos marcou muito…” E, assim, somos todos fadados a pagar, eternamente, pelos erros dos nossos antepassados – e dos dos outros, também.

Meu marido estava zoando – chuchuzinho que ele é – que o Aaron deveria fazer shows na Tanzânia, onde o corpo – albino – dele, morto, vale uma nota!

Se albinos, ainda hoje, são usados em magia negra; negros foram usados como escravos e, hoje, são considerados por muita gente – muita gente negra, inclusive – inferiores, vai se saber o porquê; se judeus foram perseguidos por Deus e todo o mundo desde tempos bíblicos – e antes – e ciganos são eternamente vistos como sujos e maus, como é que ficam os ruivos nisso?

Somos minoria, quase beirando a extinção. Somos zoados na tenra infância. Os meninos são ditos feios – mesmo quando lindos – por uma cambada de ignorantes generalizadores. Fomos perseguidos pela Igreja, que nos queimava nas fogueiras por sermos, supostamente, bruxos – como ousam nascer diferentes?! Antes disso, no Egito, já éramos sacrificados por sermos sinônimo de má sorte – como, repito, como ousam nascer diferentes?! Hoje em dia, corre por aí um boato de que somos “bons de cama” – mas que merda é essa? Ninguém tem obrigação de sequer fazer sexo meia boca, só por ter cabelo vermelho.

Eu, particularmente, então, além de ruiva, sou mulher, descendente de bispo com mula-sem-cabeça, brasileira, com um pé na ciganato… Sou minoria, rara, talvez, única. Cadê minha cota, cadê a parte que me cabe neste latifúndio?! Onde encontro meus privilégios de minoria sofrida?

A resposta é simples:

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Em outras palavras: parem já com isso! Saiam todos dessa onda! Vocês – nós – são a minoria numa particularidade qualquer, mas são a maioria que geme e chora pelas injustiças do mundo… O mundo é injusto, a vida é essa e cada um é um. Não gostou? Quem sabe, você, em vez de buscar a vantagem, não busque a mudança?! Hein? É, pelo menos, uma ideia?!

Joio ou trigo, somos farinha do mesmo saco. Burros ou inteligentes, somos todos gente. Brasileiros ou brasileiras, somos todos uns f*didos. Ninguém é melhor – ou mais coitado – do que ninguém. No fim, todo mundo morre. Enquanto o fim não chega, vamos tentar tornar este um lugar de, pelo menos, tolerância? Obrigada.