Meu reality show

Eu queria muito ter meu próprio reality show. Iria ser muito bom. Minha vida é um drama sem fim só pra mim. As outras pessoas parecem se divertir com ela, então, por que não capitalizar? Minha grana é sempre curta, mesmo.

O tema da abertura da primeira temporada poderia ser aquela música do KLB, que diz: “vida, devolva minhas fantasias”, etc.

Ele se chamaria Farmília e mostraria, com bastante edição, o que é ter uma agência de publicidade em Itaúna, repleta de bichos, insanidade e dramas.

Agora mesmo, o Toro está internado por causa da bicheira. A assistente do veterinário me disse: “não fica assim, a culpa não é sua”. Sorri para não dizer: “eu sei. A culpa é do seu patrão açougueiro.”

A Nikita está desconsolada sem o Toro. Sou uma cat person extremamente cansada e não dou conta de lidar com energia e carência de cachorro.

A Gasolina está com câncer de pele no nariz. E, desta vez, a culpa é minha, que nunca passei filtro solar nela, mesmo sabendo que ela curte ficar ao sol.

IMG_0600Remelenta, porque o veterinário pediu para não limpar antes de saber do que se tratava, já que poderia ser algo contagioso.

Do punhado de pintinho que nasceu, só tem um punhadinho. Hoje, nasceram mais, e já morreu, pelo menos, um. Teve parte da cabeça arrancada. Quem matou?! Pode ter sido o galo que peguei em flagrante no ninho. Pode ter sido tiú (ou teiú), já que a Gasolina encontrou um baita de um filhote. Pode ter sido mico. Até camundongo, não descarto.

Galinhas são bichos muito estranhos. As melhores cenas seriam protagonizadas por elas. É muita loucura e tumulto por muito pouco.

E “temos” micos. E eu os odeio. Muito! Parecem gente, aquelas pragas. Parecem MST dando rolezinho. Saqueiam e sacaneam as galinhas. Invadiram e se sentem à vontade na minha casa. Comem os ovos, comem os pintinhos, comem as frutas todas do pomar, empesteiam a casa com pulgas, assoviam o tempo todo. E o Ibama nem me deixa matá-los… Micos, eu mataria… Odeio-os.

Cristo, o gato novo, não se adaptou aos outros. E o pior é que, ao contrário de todas as outras aquisições, a culpa é dele. Todo mundo ficou de boa, tranquilo, com aquela cara de: “mais um, sei…”. E ele fingiu de legal e atacou todos, um por um. Tocou o terror e ganhou a alcunha de Anti-Cristo. Está aqui, sendo lindo e fofo comigo, trancado num cômodo, esperando o Sr. Limite chegar.

E ainda tem os outros gatos, loucos e divertidos, fazendo coisas de gatos. E eu, louca e histérica, tentando por ordem nesse imenso galinheiro que é minha farmília.

Você assistiria e comentaria no Twitter e no FB. Certeza!

P.S.: querido Ibama, ninguém matou o tiú. Nós o capturamos e soltamos no bairro de rico seguinte, porque há de ter comida lá. Lixo, tem.

tiu

lixo

Microcosmo

Há um pombo doente no meu quintal. Não o quero aqui, mas não consegui convencê-lo disso. Ele saiu da minha casa, pela porta da frente, mas entrou novamente. É um belo lugar para um pombo doente: tem abrigo, tem comida e um monte de gatos com calor demais para caçar pombo.

Há um punhado de pintinhos novos pela casa. O Toro resolveu não comer os que nasceram do lado dele. A mesma galinha que resgatei em setembro, mal criou os sobreviventes e voltou a viver perigosamente. Foi chocar quase que no mesmo lugar. Nasceram ontem e, ontem, contei 7. São 5, hoje. Ok. Ela é péssima mãe. Dos 11 que salvei, vivem 5, e só porque os continuei salvando.

galinha-louca

Em outra parte da casa, uma galinha roubou o ninho da outra. A roubada, inconformada, ficou por perto, possivelmente para avacalhar. Nasceram dois e fui colocar comida pros pequenos; ela me atacou. Consegui desviar – já sou craque, nisso -, mas fiquei furiosa. Principalmente, porque ela fez tanto estardalhaço, que a outra galinha, a mãe de fato – os ovos eram dela – , saiu do ninho e largou os pintinhos, novinhos, indefesos. A louca ficou atirando os ovos que ainda estavam por chocar, pra fora. Haja saco. Toquei a galinha, sem nenhum jeitinho, e pus os ovos pra dentro. Esperei a mãe voltar. Pus comida.

Cheguei lá, agora, para ver se estavam bem. Não. Nasceram mais dois, mas um deles estava fora do ninho, muito machucado, sujo, gelado. Achei que estivesse morto, mas ainda não. Agorinha mesmo, digito com um só mão, para que a outra aqueça o pobrezinho. Não sei se vai sobreviver, mas não quero que morra se sentindo abandonado. Sou destas.

E sou do tipo que marcou bem a sem-vergonha. Ela vai morrer.

Os pernilongos estão se divertindo às custas do meu sangue.

A Gasolina está com uma ferida enorme no nariz, que o veterinário disse ser câncer. “Tem certeza?”. “Não”. Então, por que me apavorar?! Quarta, vamos fazer o exame. Até o resultado, eu morro um pouquinho todo dia…

O Toro está com berne e não sei lidar com isso.

Pudim está gagá, andando prum lado e pro outro, sem rumo, miando, dia e noite.

Will sumindo, todo santo dia.

Tudo isso parece uma bobagem tão grande, né?! Mas pesa. Ainda mais quando se resolve andar na esteira e se liga a TV. 15 minutos. Desliguei as duas. Ver crianças morrendo queimadas em ônibus me deixou muito mal.

É uma tremenda maldade ser largado neste mundo sem sequer um manual de funcionamento. Se eu tivesse pelo menos uma pista, uma ideia dos porquês, do sentido disso tudo, talvez fosse mais fácil passar pelas etapas. Andar às cegas, supondo sempre, é o que me apavora. Morrer faz parte. Detesto, mas de que isso adianta?… Viver, até as pequenas coisinhas, é que complicado…

Atualização (08/01): o Toro estava com mais de 200 larvas comendo a perna dele. Ele não chora, ele não reclama, eu não presto atenção… O pombo doente foi comido pelas galinhas. Sobraram só as asas. O pintinho não sobreviveu e acho que a culpa foi minha… A taxa de “agiotagem” para conseguir o exame da Gasolina antes de 15 dias é de R$ 70,00.

Um mundo mais do que enfeitado

A vó Edir costumava dizer que o mundo anda muito enfeitado. Ela era batista e, no geral, se referia à homossexualidade, hábitos e vestimentas. Eu acho que o mundo está mais do que enfeitado, só não sei qual palavra usar pra defini-lo…

Mas eu sei que ando triste que só.

O objetivo das redes sociais era, a meu ver, juntar pessoas com interesses em comum. Ok. O problema é o tipo de pessoas e de interesses que têm sido juntados. Às vezes, eu me assusto com os comentários, com a agressividades/ignorância/preguiça/estupidez com as quais as pessoas destilam seus preconceitos.

1488060_595692070518500_1927261708_nHumano: Por que as pessoas estão cada vez mais intolerantes com as outras enquanto a Internet nos conecta mais próximos?

Deus: Pessoas não estão diferentes do que sempre foram… Estúpidas. A Internet apenas fez com que fosse possível para nós vermos o quão grande é o abismo da estupidez humana. Tente não afundar.

Às vezes, eu me assusto com o tamanho dos equívocos que fazem com que uma causa nobre se torne antipatizada. Vegetarianos/veganos, por exemplo, são mestres nisso. Mostram fotos horrendas, de maldade suprema, de sofrimento animal, com o objetivo de convencer aos adeptos da picanha e bacon a se tornarem vegetarianos. Não funciona. Não funciona comigo, que já sou vegetariana. Me dá tristeza, muita. E dá “fortes” argumentos aos adeptos da picanha e bacon para hostilizarem os vegetarianos/veganos, porque esses se sentem atacados e querem contra-atacar. E a causa animal se perde em meio a discussões imbecis.

Ontem, eu estava lendo uma matéria sobre o consumo sustentável. Nos comentários, um vegano se impondo. Ok… Acontece. Para mim, o que interessou – e me assustou – é que não é possível o consumo sustentável. Não o tempo todo.

Olha o tamanho do mundo! Olha a quantidade de gente que tem nele! Não dá para controlar tudo! Não dá para ficar sabendo de TODOS os pormenores e ter ânimo para continuar vivo. Em toda e qualquer indústria, seja de moda, de comida, de chá, todas elas cometem merda. Gente, bicho, o planeta sofre com essas merdas. O que fazer? Eu juro que não sei.

A tal história do mosquito que é pequeno e um só, mas incomoda, é só isso: uma história. Se ele incomoda, você pega a raquete elétrica e acaba com ele. Não há exemplo de superação nisso!

Eu faço minha pequena parte. Ajuda o mundo? Provavelmente, não. Mas me ajuda. É totalmente pessoal e egoísta cada gesto de bondade que eu tenho. Não como mais carne porque não apoio o modus operandi da indústria alimentícia. Estou a caminho de parar com o leite. Não uso uma porção de cosméticos porque sei que são testado em animais – mas devo usar uma porção de outros que não sei e, neste caso, a ignorância é uma bênção, porque eu não tenho grana para comprar produtos veganos nem condições de fazer meus próprios xampus. Não embrulho presentes, para não gerar mais lixo. E eu separo os lixos e reaproveito sacolinhas de supermercado para recolher os cocôs dos gatos. Não sigo moda/tendência há anos! Só compro o que realmente é útil e vou usar. Castrei os gatos e só não castrei o cão, porque ele não é meu e meu marido ainda não evoluiu em alguns aspectos.

Em resumo, eu faço o que eu posso. O problema está em quem não faz/não pode nada. E não faz nem pode, porque é ignorante e estúpido demais para se mover. Não se preocupa com o outro e com o planeta, porque não pensa e, se pensa, deve ser algo do tipo: “ah, foda-se! Eu vou morrer, um dia, e deixa de ser problema meu. Vamo apoveitá enquanto tamo aqui!”.

E engana-se quem acha que isso é problema terceiromundista, de pobre, sem acesso a educação. É claro que pobreza e ignorância andam juntas e perpetuam a tragédia, mas, né?, como os digníssimos governos conseguiriam se manter no poder se não fosse a ignorância?! O problema é global, sem fronteiras de credo, raça, condição social. O problema é uma Myle Cyrus – desnececyrus – da vida usando casacão de pele de verdade. Uma riquinha cercada por informação, se lixando para o mundo e o que vão pensar dela. “Sou rebelde”. Sei. Não passa de uma mocinha que conseguiu “se achar” tanto, que achou quem achasse junto!

É mais gente que acha junto do que gente que pensa por si ou que se alinha a uma causa nobre: sobrevivência. É mais gente obcecada por fama e glamour e menos gente que faz. É medonho.

Às vezes, penso que o melhor seria cruzar os braços e esperar pelo fim. Talvez, o homem da tabuleta esteja certo e o fim esteja próximo…

the-end-is-nearSometimes, I hope so…