Anal-ogia

Final do mês passado, cá estava eu, em meio a um mimimi sem fim. Mas como tudo que está ruim pode piorar, veio o meu mais recente mimimi com meu quase AVC. Daí, quando você acha que já chegou ao fundo do poço, quando você já sente a lama encostar no seu traseiro, vem mais uma bomba e descobre-se que o poço, de fato, não tem fim.

Contarei o ocorrido, usando uma analogia, para evitarmos mais um processo.

O cara canta a moça, paquera, conquista. Eles começam a namorar, firmam compromisso. As famílias se conhecem. Ele a pede em casamento, ela – mais por necessidade do que por amor – aceita. Começa a cuidar dos preparativos: vestido, festa, etc. A mãe do noivo exige tudo do bom e do melhor, muito além das posses da noiva. Ela, relutantemente, aceita mais uma vez.

Na véspera do casamento, ele pede: “quero anal”. Ela diz: “mas isso não faz parte do combinado. Não!” Ele responde: “se não fizer anal, eu não caso”. Ela não casa e fica com as dívidas contraídas.

Por “anal”, lê-se “trabalhar muito, rápido, bem e de graça”. Porque é bem assim na minha honrada profissão. Toda vez que alguém quer abusar de você, quer te f*der, usa dos seguintes argumentos, sempre nessa ordem: “se você não quer, há que, queira” ou “se você não quer, eu não te quero”, seguido de: “isso é falta de ética sua” e de: “falta profissionalismo a você”. Ou seja, uma agência agir sem ética e sem profissionalismo, para o leigo, é exatamente o contrário do que manda o código de ética da minha profissão: não trabalhe de graça nem por valor irrisório, pois isso ferra com o mercado!

Eu faço trabalho pro bono, ou seja, de graça, para quem EU escolho fazer, dentro das minhas possibilidades, desde que minhas possibilidades atendam ao cliente. Minhas clientes pro bono estão satisfeitas e felizes com meu trabalho. E eu vejo um retorno que me dá um prazer enorme! Ter um post compartilhado por mais de mil pessoas em uma hora e elogiado paga meu esforço, mas só porque é uma associação que faz um trabalho incrível e que eu acredito muito. A excelente aceitação mostra que, ao contrário do que alguns mal pagantes gostam de divulgar, eu sei o que estou fazendo e faço bem.

Sou profissional o suficiente para já ter feito trabalhos para empresas das quais eu não gosto nem acredito, porque fui contratada – e ainda e nem tão cedo estarei em posição de escolher demais. Um dó de mim – e ética o suficiente para fazer bem feito e sem usar de mentiras, falácias e subterfúgios.

Fica a dica para quem quer contratar ilustrador, designer, agência de publicidade ou qualquer outro profissional repleto de ética:

graficoEsse gráfico serve pra muita profissão!

Para contratar “sobrinho” ou micreiro, pode chorar preço e pagar só se gostar. Eles não têm ética nem são profissionais e dificilmente farão alguma coisa boa – sem plagiar.

Se quer um serviço bem feito, comece sabendo que comunicação é uma parceria entre cliente e profissional. É um trabalho de colaboração e se você quer levar vantagem ou se impor de alguma forma, pare agora mesmo! Não vai dar certo.

E antes de sair resmungando, caluniando e difamando por aí, lembre-se que isso dá processo e que respeito é uma via de mão dupla. Dê-se…

especialista e-se artista

Meu mini (quase) AVC

Li na Superinteressante que é cientificamente comprovado que expressar raiva aumenta a raiva. Que socar um saco e areia, gritar, xingar, etc., só pioram a situação. O melhor é contar até 10 (mil?) e deixar pra lá. Resolvi tentar.

Sexta, depois de receber um e-mail que me aborreceu ao extremo, pela desdém e absurda falta de respeito travestidos em gentileza, achei que era o momento ideal para testar a teoria.

Pois é… Cientistas deveria rever seus conceitos antes de sair por aí divulgando pesquisas, porque pode ser perigoso. Cada um é cada um e eu me conheço há 40 anos. Sei de mim. O teste não deu certo, claro. Além de me sentir mal fisicamente, eu tive pesadelos por dois dias até começar a xingar e deixar sair toda a raiva. Desopilar o fígado, como dizem. Aí, eu comecei a melhorar da nuca tensa, da dor de cabeça intensa, do formigamento no rosto e do desequilíbrio. Veias haviam se rompido numa das minhas mãos.

Desculpa, mundo, mas vou continuar jogando meus demônios para cima de você. Você os cria, eu os aliemento e os emancipo. Eles não vão habitar em mim.

E, pessoas, revejam seus conceitos. Cada vez mais entendo quem se descontrola e sai quebrando tudo. Há motivos. Pare de dá-los aos outros, por favor. Gentileza – a de verdade – gera gentileza. E abusos geram ódio. Ódio gera destruição. E pra quê?

Gastando dinheiro – ou investindo em cultura?

Adoro o Catarse. A plataforma de financiamento coletivo parece uma grande bolsa de apostas + liquidação. São, no máximo, 60 dias de prazo para fazer acontecer. A gente tem a oportunidade de fazer parte da História do projeto e, assim, torce, divulga e ainda paga um preço bem legal pelo produto + recompensas.

Eu sou apoiadora compulsiva de quadrinhos. Minha lista tem 14 apoios na área e todos concretizados. Uma ou duas decepções – livros que prometeram, mas não cumpriram -, mas, de modo geral, tenho estado satisfeita.

Estão em fase de apoio e recomendo:

Dois livrinhos: dois livros: Blue, uma coletânea de quadrinhos tragicômicos, e Dúvidas Cruéis de um Idiota, um livrinho recheado de dúvidas sobre o mundo. Muito divertidos, assim como o vídeo de apresentação do projeto, que foi quem me ganhou! Mas corra, porque está chegando ao fim!

Beladona: versão impressa de uma das minhas webseries favoritas.

Nada com coisa alguma: coletânea de tira do quadrinista José Aguiar.

O Homem da Capa Amarela: é sobre um justiceiro contra políticos corruptos. Parece bem legal. Na dúvida, clique aqui e baixe o primeiro capítulo.

Remendos: coletânea de tirinhas do site Sushi de Kriptonita. Ótimo site!

Quad 2: 4 histórias de 4 cartunistas.

Inconcebível: desculpe, Valter, mas seu vídeo dá sono, depõe contra. Mas… Fiquei curiosa com a história e terá meu apoio.

O Catarse tem muitas outras áreas de interesse, caso não curta quadrinhos. Tenho certeza que algum projeto merecerá seu apoio.

P.S.: para quem gosta de bichos, um projeto bem bacana no Catarse: Animal de Estimação Não é Brinquedo Não. É um livro voltado ao público infantil que ensina sobre o respeito aos animais.

Eleições

O Di Vasca perguntou, dia desses, se você (ou eu, qualquer um) acha que quem votar em algum candidato que não seja o seu é burro. Não sei responder com “sim” ou “não”, como ele exigiu, porque depende.

Depende… Se você vota no PT… Se você acredita nos dados da ONU sobre o Brasil… Se você “avalia” os números sem avaliar o que está por trás dos números… Se você realmente acredita no “eu não sabia de nada” que tem rolado a cada denúncia de corrupção… Se você tende à falácia, ao sofisma e à esquerda lulopetista… Sim, você é um abobalhado, na minha humilde opinião. Não uso a palavra “burro”, porque são animais que merecem respeito.

E minha humilde opinião casa com a desse senhor:

Gente estúpida. Gente hipócrita.

Em julho, um agente da zoonoses veio a minha casa. Houve denúncia anônima de que, por eu ter gatos, galinhas e cães, havia infestação de ratos na casa do vizinho. Não tem na minha. Se ele tem ratos em casa, bem…, ele deveria tentar criar gatos, cães ou galinhas.

O agente não encontrou nenhum problema e lá se foi.

Vizinho quietou? Não. Chamou o pessoal da dengue. A denúncia, agora, era de foco de mosquito, aqui. Veio a mulherzinha da dengue e implicou com as vasilhas d’água. Tem pra tudo que é canto. Tem para gatos, gatos de rua, cães, sapos, micos e galinhas. Troco água de todas duas vezes ao dia – não desperdiço água, jogo para as árvores. Dengue instantânea ainda não ouvi falar. E quer saber de algo estranho? Achei que ela implicaria com o vaso de orquídea e com as bromélias – como todo povo da dengue implica – que estavam, sim, cheias d’água, mas, não. Nem tchum. Veio com o propósito claro de achar defeito nas coisas dos bichos.

As denúncias acontecem regularmente desde 2013. Sujeira? Tem folha seca. Estamos no fim de um inverno ultra seco. Tenho árvores. Folhas caem. Flores, também. O chão está cheio de flor de ipê. Cocô de galinha? Vira adubo para a compostagem e horta, assim como as frutas que caem. E cocô de cachorro? Tem, mesmo. Eles defecam. Numa caixa cheia de areia, que o jardineiro limpa, quando vem. Fica sequinho, ainda mais com esse tempo, não dá mosquito e não fede na casa de ninguém.

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Ipê do marido

Tem uns cocos e folhas de coqueiro que caíram na última ventania. A gente ia pedir uma caçamba para eu recolher tudo isso, mas, depois de mais uma denúncia, achei melhor, não. Caçamba custa R$ 120,00. Colocar folha seca num tambor e colocar fogo, como os vizinhos fazem, é de grátis! E incomoda!!

Não tem mato. Nem sequer grama. As galinhas não permitem.

Fico pensando… Se a sujeira propriamente dita não existe – a não ser quando um dos vizinhos produz e joga aqui -, será o quê que incomoda tanto?

nojoCanal de águas pluviais que meu adorável vizinho (#SQN) usou para escoar o esgoto dele, que estourou. Escoou cal e areia da construção, também, para o meu quintal. Um darling.

Barulho? A Nikita é meio pinscher e late um bocado. Incomoda? Sim. Mais do que os netos da vizinha berrando o dia inteiro? Não, mesmo! Mais do que os cães dos outros vizinhos? Não. Menos. O Toro é quase mudo.

Galinhas? Elas são um saco e fazem bastante barulho durante o dia. Mas o SAAE, que tem mexido na rua, faz mais. Os jardineiros da praça e do vizinho biliardário, também. O vizinho babacão que liga e desliga o alarme o dia todo é bem pior do que quaisquer galinhas. Aliás, esse faz festa todo final de semana e não se importa com decibéis ou respeito. Os netos da outra? Gritam e/ou choram bagarai. O cão da casa do lado? Late histericamente! E ainda tem os caras que andam de skate na praça e a turma que ensaia batucada toda quarta-feira até as 22h. A festa que está rolando na cidade incomodou mais de 100 pessoas que ligaram para a polícia antes das 2h da manhã de hoje. Barulho é o que não falta.

Os gatos invadem as casas da vizinhança? Não, apesar das insinuações. A Panks subia no telhado da vizinha, mas demos um jeito nisso. Ninguém mais tem subido. Mas há outros gatos por aqui. Tem o Cy velho de guerra; tem uma escaminha linda que encontrei dormindo na folhas secas e que não quis ser minha amiga; o irmão louro dela, que também me esnobou. Tem o Panqueco, um gatão peludo, que andou frequentando a casa. E mais um punhado de outros. São meus? Não. Sou responsável por eles? Também, não. “Infelizmente” para as duas perguntas/respostas.

Realmente não entendo. O quintal da casa é tão agradável, que recebo visitas das mais variadas. Sapos vêm se abrigar aqui. Gatos dormem e comem na minha área de serviço. Maritaquinhas, corujas, gaviões e um bom punhado de outras aves passam por aqui todos os dias, mesmo tendo um parque florestal logo em frente. Os micos dividem conosco frutas e ovos. É um lugar acolhedor. Seria mais se não tivesse tanta gente estúpida e hipócrita ao redor.

fcc430a62e9a3b24fc9c104c8140af20E eu fico com a pureza da resposta do Seu Micks:b257974402e427aa0cc4a033b9c75fc2