Agradeço imenso

É impressionante a quantidade de pessoas que se sentem à vontade para se envolver no fim de relacionamento de duas pessoas. Talvez seja porque relacionamentos não pertencem somente a duas pessoas. Casamentos – e términos – são eventos sociais. Testemunham o começo e querem participar do fim. E, assim, fazem suas apostas de quem se dará melhor e escolhem lado e tomam as dores.

No meu caso, especificamente, eu sou a “vítima”. Foi ele quem terminou e é ele quem já tem namorada “sem nem mesmo respeitar o período de ‘luto'”. Então, sou eu quem tem recebido as mensagens de apoio, de “força” e de ofensas a ele.

Ele me perguntou se eu o tenho defendido. Não. Não é mais meu papel.

Não vou dizer que estou adorando as atenções, porque não estou, mas também não estou odiando. É invasivo, muitas vezes, é injusto, noutras, mas é interessante, antropologicamente falando.

O justo seria eu dizer que o amor já havia se acabado e havia somente uma tolerância branda entre nós. Assim como uma preguiça imensa e uma sensação de desespero da minha parte, pois havia uma empresa e inúmeros bichos nos prendendo um ao outro. Ainda há, mas não há mais prisão.

Se eu tivesse tido coragem, vontade, vergonha na cara, eu teria partido em 2007, quando a coisa se mostrou inviável. Em vez disso, empurrei com a barriga e chorei no cantinho, atos de extrema covardia e pobreza de espírito. Portanto, se sou “vítima”, sou por escolha própria. O que ele fez – mesmo que da pior forma -, foi me libertar. Agradeço imenso.

Quanto à namorada dele, parece que todo mundo a minha volta tem uma opinião e uma opinião somente. Eu não me sinto com vontade de julgá-la, cada um sabe de si.

Quanto a mim, estou tratando da minha própria vida e ter tanta opinião e julgamento mais atrapalham do que consolam. Estão me forçando a cumprir um papel que não me cabe, mas o tenho desempenhado, mesmo assim. Por isso, parafraseando Dani Calabresa, recomendo: “todas as pessoas perfeitas e santos canonizados: podem guardar as pedras”. Agradeço imenso.

Solteira aos 40

Eu estava meio em pânico em começar do zero aos 40. Somatizei tanto stress que achei que não chegaria ao 41. Mas vou chegar.

Apenas ontem me dei conta que não começo do zero. Começo dos 40. Com 5 gatos e, talvez, alguns surpresa. E, também ontem, entendi que 40 são os novos 20. Viva!

Recapitulando: este foi um péssimo ano para meu casamento. Não que os anos anteriores tenham sido bons, porque não foram, mas foram suportáveis. 2014 chegou dando chute do fígado. E, assim, acabou-se o que já não era doce… Desde sempre.

Não estou sendo mal agradecida, recalcada ou coisa do tipo, mesmo que pareça. Nunca foi bom. Itaúna nunca foi boa para mim. O isolamento nunca me fez bem, me deixou mais ácida e amarga do que o meu normal – meu normal é agridoce. Faltou respeito e amor desde o momento em que as caixas se acumularam na casa nova. Mas parecia tarde demais para voltar atrás. A vida teria sido boa se tivesse sido mais generosa conosco, mas não foi. 8 anos de provação foram demais para qualquer dois. Enfim, acabou.

Ainda não tenho para onde ir com 5 gatos, apesar da mobilização para me arranjarem um lar. Tenho amigas no Rio me chamando para ir pra lá, mas ainda quero dar uma chance à Belo Horizonte, cidade com a qual eu fui muito injusta, há 8 anos. Ela está mais caótica do que antes, mas ainda tem seu charme.

Tenho novas velhas amigas, meninas que conheço desde criança e que voltei a amar. Amor requer presença, aprendi. Também aprendi que tesão só requer um muso e eu tenho um muso. Ainda sou bonita, mais do que meu espelho costumava me mostrar, e beleza dá segurança. Portanto, estou segura, tenho amigos, tenho tesão. Estou ótima!! Falta pouco para eu estar 100%.

Às vezes, a gente fica adiando o inevitável, porque mudanças são assustadoras. São mesmo. Talvez o cérebro não goste delas, porque ele entra num processo de boicote terrível, mas acredite, isso é normal, passa e, principalmente, algumas mudanças são necessárias.

2015 vai ser um ano difícil, segundo todo mundo, mas estou apostando minhas fichas nele. Acho que o balanço será positivo. Torçam por mim!