Encerrando – grazadeus! – 2014 – parte II

Eu sempre experimento uma dificulade enorme de listar o pior, mesmo tendo reclamado o ano todo. Talvez o pior seja realmente irrelevante e o que foi bom é o que prevalece.

TOP-Pi 10 | O PIOR DE 2014:

1. Morte. Reclamarei da morte até o dia da minha. Acho-a injusta e cruel – por mais que seja necessária. E este ano está escorrendo sangue. Mas, pessoalmente, o pior foi a morte ter levado minha babá Alzira sem que eu sequer tenha podido me despedir… Espero que ela tenha sabido a vida toda o quanto eu a amava…

2. Eleições. Pelo resultado. Achei todo o processo – e as baixarias generalizadas – mesmerizante. Pessoas não cansam de me assustar.

3. Copa. E nem foi pelo merecido 7X1.

4. A economia. Se é que pode se chamar isso que temos de “economia”…

5. Vizinhos. O de sempre. Sempre. Pelo menos, em 2015, terei outros vizinhos e outros problemas. Oremos.

6. Cliente-problema. Todo ano. Neste, mais problemáticos do que nunca. E sabe o que é pior? Eu sempre acerto! Quando eu digo: “fuja desse daí”, fuja.

7. Fim da farmília. Vou-me embora, farmília fica quase toda. Vou sentir falta de muitos membros, de outros, nem tanto. Mas me dói pensar em não ter mais árvores na minha vida e na dos gatos que vão comigo…

8. Solidão. Foi a primeira vez que eu a senti, foi a primeira vez que eu não me bastei… Felizmente, não veio pra ficar.

9. Falta de grana. Tem a ver com a “economia”, tem a ver com os clientes-problema, tem a ver com ingerências e burrices. Tem a ver com um passado que há de não me pertencer mais!

10. Falta de vida. Felizmente, não veio pra ficar.

Quero.

Nunca mais quero me casar. Morar junto? Nem pensar! Não quero mais ceder meu espaço a outro. No máximo, um fim de semana; uma escova de dentes perto da minha. Mas nada de gavetas, cuecas, pijamas. Quero a liberdade que nunca tive, completa, com as consequências cabíveis. Quero solitude. Quero ter que me virar com fusível queimado – o prédio é antigo – e privada entupida. Já sei lidar com baratas.

Não desisti do amor nem da companhia nem do aconchego. Desisti de discussões idiotas, mesquinharias e tolices. Desisti de rotina.

Quero olhar para ele, de Zorba, recostado na janela, enquanto fuma um cigarro, e pensar: “esse é o homem com quem eu passaria o resto da minha vida”. Mas me contentar com o resto desse dia.

Mude

Mude

Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.

Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais,
leia outros livros,
Viva outros romances!

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.O novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
A nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde, ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabonete,
outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.

Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.

Só o que está morto não muda!
Edson Marques.

P.S.: e o cara que escreveu este poema lindo e tão repleto de sabedoria disse que eu escrevo “bem e gostosamente”. E eu tive que compartilhar isso com os gatos pingados que vêm aqui, porque meu ego está sedento de aplausos e reconhecimento! Sim, esta sou eu na beirada da mudança.

Edson Marques é Filósofo e Poeta reconhecido, mas não famoso – bom pra ele? – e tem um blog delicioso!

Encerrando – grazadeus! – 2014

E chegou aquela época gostosa (SQN) em que faço o Top-Pi.

TOP-Pi 10 | O MELHOR DE 2014:

1. Olívia e seu barrigão. Cristo entrou na minha vida logo depois do Top-Pi 2013 e, por isso, não figurou na lista. Ele foi um grande problema e um enorme amor, neste ano. Por pouco eu não o doei, simplesmente porque ele não se dá bem com meus outros gatos. Mas… Chegou Olívia em nossas vidas e, apesar de Cristo não ter mudado nadinha, ele encontrou nela uma companhia e um amor. Eles são muito amigos e isso é lindo!

2. Amizades: eu não teria sobrevivido a 2014 sem pessoas queridas ao meu redor. <3

3. Amor: ele existe. E ele é lindo, mesmo fumando.

4. Vegetarianismo. Firme e forte e cada vez menos “proto” e mais vegano! Em 2015, finalizo a transição! Foi a decisão mais acertada da minha vida e pela qual me sinto extremamente bem!

5. Trabalho voluntário. Continuo trabalhando para e admirando a 4Patinhas. Cada vidinha salva me salva um pouquinho!

6. Stephen King sempre será o dono do meu coração! Li bem menos livros, este ano. Me perdi por aí. Mas amei ler a continuação dO Iluminado (se chama Doutor Sono) e Duma Key. Livro incrível!

7. As ideias de 2013 ficaram engavetadas neste difícil 2014. Mas cresceram e se multiplicaram. Ano que vem, vou ter que dar vazão a elas, senão explodo!

8. Boa forma. Ainda estou longe de estar em forma, ainda mais depois de emagrecer 6kg em uma semana – em novembro, por causa de estresse -. Eu ainda estou despencada, mas estou andando na esteira e já com Yoga marcada para ano que vem. Chego lá!

9. Catarse. Não pude ir ao Comic Con Experience – por motivos de falta de vida -, mas investi em quadrinhos, mesmo assim, graças ao Catarse. Eu apoiaria mais, se pudesse. Espero poder, em breve!

10. Finais e recomeços. Sempre difíceis, sempre duros, sempre angustiantes, mas, acima de tudo, sempre necessários.

olivia-barrigao Amor recheado de mais amor!

Mesa branca

E, então, a relação morreu de anorexia, agonizante, sozinha, sem ninguém para lamentar…

Foi enterrada a 7 palmos. Não teve luto. Não mereceu missa de sétimo dia.

Meses depois, pessoa chega com uma pá para desenterrar os restos da coitada que, depois de morta, enterrada e esquecida, seria exumada.

Pessoa quis discutir a relação. Quis colocar os pingos nos is. Quis descobrir quem foi o culpado. Quis brincar de CSI com um sentimento que jazia inerte em solo infértil.

Mas não existia mais um corpo. Não existia mais nada. Nem um fantasma para se chamar numa mesa branca.

Acabou. Foi. Guarde as lembranças, se quiser. Siga em frente e não olhe para trás. Não há nada a se ver por aqui.

Primeiro encontro bom

Primeiro encontro bom termina na cama, no banco de trás do carro ou no coreto da praça do Hippodromo. Não termina com bitoquinha num ponto de táxi, com promessas de “te ligo”, “quero te ver de novo”.

Primeiro encontro bom entra em contato nos próximos dias, mesmo sem promessa. Tem vontade de te ver de novo e de novo e não fica na vontade, mesmo sem compromisso.

Primeiro encontro bom começa com troca de ideias e com o descobrimento um do outro. Ou simplesmente com muito amasso, abraço, beijo para, depois que se tem certeza de que quer chamá-lo, se perguntar o nome.

Primeiro encontro bom é inesquecível. 21 anos, 6 meses e 11 dias depois de ocorrido, você ainda se lembra e pensa no quanto foi bom. “Onde ele estará agora?”. E, às vezes, ele ainda está ali, do seu lado.

Primeiro encontro bom já elimina aquele carinha que te achou ousada demais, fácil demais, assustadora demais, porque ele é imbecil demais para aproveitar um primeiro encontro bom.

<3

Neste exato momento, estou pouco me importando com a vida em Marte ou com a volta da CPMF. Nem te ligo pra LDO ou pra Andressa Urach (#forçaUrach). Sou puro egoísmo e introspecção. Me preocupo comigo mesma, com minha volta à Belo Horizonte e com uma única pessoa além de mim. Maldita pessoa que não sai da minha cabeça! Já fez dos meus pensamentos seu habitat…

Teve um tempo, há nem tanto tempo, em que eu achava que jamais me sentiria assim novamente, num misto de alívio e nostalgia. É… Me ferrei. #forçaPi