Por que ainda precisamos do feminismo?

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Rosa = meninas | Azul = meninos

Clicando na imagem, chega-se à reportagem. Leia a matéria e alguns comentários lá, também.

A única coisa que tenho a dizer é: Bolsonaro foi condenado a pagar 10 mil à Maria do Rosário, por ter dito, em plenário, que ela não merecia ser estuprada. Depois, acrescentou numa entrevista: porque ela é feia demais.

Cid Gomes foi condenado a pagar 50 mil ao Eduardo Cunha por tê-lo chamado, durante palestra na UFPA, de achacador.

Sem mais.

Tapete

Comprei tela de juta e linha de lã e comecei meu arraiolo. Com pontos inseguros, mas dedicados, fui construindo um futuro bordado, cheio de amor e histórias. Foram meses de trabalho, imaginação, empenho até chegar a perfeição. Pus meu tapete no chão, admirei-me de sua beleza e, delicadamente, pus meus pés sobre ele. E, aí, veio ele e o puxou, sem dó.

Caída, pude vê-lo sorrindo, debochado, dizendo para quem quisesse ouvir: “belo tapete. Mas o chão é meu.”

Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio

Dia 10/09 é Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Não pensei em fazer um post a respeito, ontem, porque estava (e ainda estou) com dor. Fui submetida a uma artroscopia, terça, com retirada de dois dos pinos e não tem sido nada divertido. Nada.

Eu tenho tendências suicidas desde que me entendo por gente. Nunca tentei, mas sempre pensei muito a respeito. Uma pessoa conhecida me disse que eu nunca me mataria, porque sou cheia de esperança. Pode ser, mas sou cheia, mesmo, é de devaneios. Até quando meu discurso é de extremo pessimismo, eu sou otimista. Eu vejo (ou tento ver) o lado positivo das m*rdas todas, mesmo que tenha que construir uma realidade paralela para manter a ilusão. E isso, além de gastar energia produtiva, não é garantia, porque quando vem (e vem!) algo/alguém que me tira dessa ilusão, meu mundo cai. E a altura é grande.

A realidade sempre vem de voadora. Dói. Me tira do rumo. Me faz pensar que nada, nunca, vai dar certo e que estou apenas desperdiçando oxigênio neste planeta. Mas quem não está?! É tudo tão poeira cósmica, não é?! Por que se preocupar (com índios, cães, gatos, refugiados, preconceito, efeito estufa), quando se sabe que o planeta sobreviverá à nossa espécie e que nada realmente faz diferença?

Porque faz. Se você imaginar que toda esta complexidade que vivemos, hoje, começou lá atrás, numas celulazinhas de nada que não desistiram de crescer e multiplicar, é porque faz diferença. Talvez você não queira SE multiplicar, mas cresça. Faça por você (sem egoísmo, visando, sempre, o todo) e o mundo, seu mundo, começa a melhorar. Um pouco por vez.

Eu nunca fiquei deprimida um só dia na vida. Eu fico ansiosa, descrente, infeliz, desiludida. Nada que precise de tratamento ou remédio. Tudo que se resolve com uma conversa boa e abraço. Talvez, por isso, suicídio é uma ideia pra mim, não um fato. E se para você as coisas são mais complicadas e o fardo é mais pesado, procure ajuda. Dê-se chances, todas as que forem necessárias. Não desista. Por favor.

Se precisar de um ouvido amigo, ligue pra CVV: 141. Lá, tem gente pronta pra ajudar, o tempo todo. E, se precisar de mim, talvez eu não saiba o que lhe dizer para você melhorar, mas consigo lhe entender.

Segredo dos Homens

E aí que um sujeito fez um site para ensinar as mulheres a “segurarem” homens. Ele se propõe a educá-las a “merecerem respeito” e se valorizarem ao não aceitarem cozinhar para o cara nem buscá-lo em casa num primeiro encontro. Aposto que o homem tem que pagar a conta sozinho, também, e num excelente (caro) restaurante.

A mulher não deve falar de si (chaaaatoooo!), mas ouvir. Ela tem que aprender sobre ele, claro está. Mulheres existem aos milhares, mas mulher interessante (interessada em ouvir sobre o dia dele), só você (que acompanha os posts e incorpora). E se o homem só quer te comer, aceita, boba, mas não dê de comer. Não tão cedo, não seja fácil. Filminho na casa dele? Arapuca! Fuja disso!

Parei de ler antes de chegar nos tópicos – que, obviamente, existem ali – “ria das piadas dele”, “não mexa no smartphone dele” e, lamentavelmente, não assisti ao Power Point em que ele apresenta as dicas de forma fácil e assimilável. E, assim, me poupei de mais um punhado de clichês machistinhas da mamãe, de lobinho mau tentando se passar por amiguinho. Um babaca.

O que me tem assustado, atualmente, nem é a cambada de caga-regra pra tudo – amigos têm que ser assim. Amores só valem se forem assados. Não perdoe! Perdoe e seja sábio! -, mas a quantidade de gente que compartilha essas bobagens, como se fossem ensinamentos de vida.

Sabe o que funciona pra mim? Não? Nem eu. Mas mesmo se não funcionar, vou vivendo. Às vezes, vou por tentativa e erro, noutras, analiso cada caso como único. Quando em plena consciência, observo. E de toda forma, quebro MUITO e dolorosamente a cara o tempo todo.

Meus relacionamentos são meio que trágicos – ou curtos demais para ser qualquer coisa digna de nota. Eu não faço joguinhos e não escondo quem eu sou por trás de personagens. O que você leva é o que você vê. E, não, eu não vou melhorar com o tempo!!! Já pode correr!

Segundo o educador sentimental, se estou solteira, é porque tenho feito TUDO errado! Segundo eu mesma, ok.

Pode ser que a gente aprenda com a história do outro, com a vivência e filosofia do outro – não um outro qualquer que tem R$30,00 pra registrar um domínio e ficar despejando bobagens na internet -, mas não dependa disso. Eu vivo dando conselho? Sim – olha um aí! -, mas não me siga cegamente. Nem eu me sigo sempre! A vida é sua. Aprenda com ela.

 

Meninos – II

Minha amiga quer que eu namore o João*, porque ele é “bonzinho” e “tem tudo a ver” comigo. E o quê ele tem a ver comigo? Não sei, ela não soube explicar. “Você curte as coisas que ele põe no Facebook, né?!”. É, curto, às vezes, assim como curto de uma porção de pessoas e páginas e nem por isso devo namorar essa porção. E, às vezes, me assusta as coisas que ele posta, me fazendo questionar a inteligência dele. Depois, relevo. Não me cabe julgar e nem o conheço.

Ponto para o João: ele tem MUITO cabelo e é bonito (ele e o cabelo dele). Contra? Ele é devagarzão. Acho que me daria preguiça, eu me irritaria e o chacoalharia. Mas são suposições. O importante é: ele nem sabe de mim, já que nunca respondeu aos meus comentários (nem os mais brilhantes!) e nunca curtiu minhas fotos de perfil (nem as bonitas)! 😀

Eu quero o Leandro*. Ele sabe que eu existo, me diverte e me olha nos olhos, lá dentro, como se estivesse procurando alguma coisa. Será que já achou?

E o Leandro tem o quê a ver comigo? Talvez, nada. Talvez, tudo. Realmente, não faço ideia. Nossas conversas, até agora, foram de uma superficialidade espantosa e não somos “amigos” no Facebook. Ainda bem. Mantenhamos assim. Não na superficialidade, mas longe do Facebook. Apesar de que converso melhor com ele por escrito. Ao vivo, eu ainda tremo na base, fico meio abobalhada e me perco. Ridículo, eu sei, mas é assim que é.

Mas ele gosta de mim, assim, como eu gosto dele? Tem horas que eu acho que sim. Tem horas que eu acho que é viagem minha. E tem horas que eu acho que minha vida já está bastante caótica para eu me dedicar a entendê-lo. Que, em vez de João ou Leandro, eu deveria estar é procurando trabalho e casa.

E, então, o João posta uma música lindíssima do Cole Porter que merece muito o meu “like” ou o Leandro me manda uma mensagem estranha, que me faz rir por dias, e eu esqueço que a vida não está ganha.

*****

Uma outra amiga, que não conhece João nem Leandro, disse que, antes de mais nada, tenho que saber:
1. Se o cara é livre e desimpedido;
2. Se é hetero (ou, pelo menos, bi);
3. Se ele quer me comer.

Outra amiga tem perguntas mais complexas a fazer:
• Gosta de rock?
• Paulo Coelho ou Machado de Assis?
• Já foi em balada no Galopeira (reduto sertanejo)?
• A última novela que assistiu foi “Vale Tudo”?
• Se for para a Flórida, vai à praia, às compras ou à Disney?
• Gosta de gato?

Talvez isso tudo seja importante demais, mas eu estou preocupada com outras coisas (também), tipo, vou gostar dos amigos dele e vice-versa? Ele se entenderia com meus amigos? Ele vai saber lidar com meu veganismo? Ele gosta de bichos em geral? Quanto? É cavalheiro? Se sim, está disposto a evoluir e deixar de sê-lo? O que ele gosta de fazer com o tempo livre? O que ele espera de mim?

*****

Enquanto isso, na sala de bate-papo (ou no chat do FB), Márcio* ressurge das cinzas para saber por que eu não quis saber dele. Vejamos:

• Porque ele é egocêntrico, mas tão egocêntrico que parece um buraco negro que irá me puxar pra dimensão Márcio. O cara passou um mês falando de si e mudando todo e qualquer assunto para si e teve a pachorra de me dizer que não queria conversar sobre nada que não fosse… Ele.

• Pode piorar? Pode. Márcio me chamou pra sair, mas deixou incrivelmente claro que eu não devia criar expectativas nem pensar em envolvimento, porque ele era livre e gostaria de se manter assim. Eu disse “ok” nas três primeiras vezes, porque, de fato, “whatever”, mas, na quarta, me cansei e disse que eu não queria nada com ele, que ele não precisava se preocupar em me alertar, que nada iria rolar nem se ele quisesse. E ele? Ficou PUTO!!! Quem sou eu pra não querer ele?! Quem?! Quem?!

Pois é, posso não saber quem sou, mas sei quem não sou: interessada nele.

Daí ele falou que eu não dei chance dele se mostrar (mais o que?!) e que fui injusta. Que dó. :-(

E eu só pensando: velhinho, eu quebrei a perna em 4 lugares 4 dias depois do último chat (antes desse retorno) e você em NENHUM momento me perguntou se eu estava bem. Faça-me um favor: vá pra casinha!

*****

Em resumo: continuo solteira de marré deci. 😉

* Nomes alterados, porque este é um blog de respeito e responsável! 😛