Imaturidade

Em mais ou menos 45 dias eu faço 42 anos. Como pode ser? Eu posso me recusar a ter 42 anos? Eu tenho dois blogs. Eu me empolgo horrores com minhas unhas em formato stiletto. Eu gosto de beber dry martini para fingir que eu sou adulta. Compro minhas roupas (basicamente, camisetas de malha) no site do Chico Rei. Eu li Gossip Girl, os 12 livros em menos de 12 dias, e amei. O Chuck do livro é absolutamente diferente do da série, mas eu me apaixonaria por qualquer um dos dois se eles existissem. Viu?! Eu sou completamente adolescente!

A última vez em que eu tive qualquer noção de maturidade, eu tinha uns 17 anos. Eu não bebia ou fumava ou usava drogas, ao contrário de quase todos os meus amigos da época. Eu era completamente responsável. E confesso que isso foi absolutamente frustrante. Eu podia ter vivido mais. Não que eu me arrependa de nunca ter tido DSTs ou bebês ou de não ser alcoólatra ou ex-fumante. Não me arrependo do que eu fiz de certo. Só deveria ter soltado um pouco mais minhas próprias rédeas. Me faltou juntar uma bagagem.

E ainda falta porque, de repente, dos meus namoros esporádicos que duravam 6 meses, no máximo, porque eu sou chata e insuportável e enjoo fácil de absolutamente tudo, inclusive de pessoas, e das minhas saídas em bando com as amigas, lá estava eu brincando de dona de casa/empresária do interior com meu namoradinho que fingia que me amava enquanto eu fingia que acreditava e… Bum! Onze anos se foram.

Acordei do pesadelo da vida adulta com quase 41 anos, solteira e com mais problemas do que soluções e me dei conta de que, na verdade, eu nunca saí dos 19. Eu continuo presa em 1993, o ano em que eu quase fui feliz e que deixei de ser “madura para minha idade” para ser uma completa imbecil. Eu não sei ter 42 anos!

Mas se eu não tive crise dos 30 nem dos 40, seria justo começar uma crise de idade logo aos 42? Seria essa a resposta para a vida, o universo e tudo mais? Talvez. Mas foi lendo Gossip que fui iluminada pela lucidez não-herbárea de Nate: “talvez amadurecer seja só ficar mais parecido com a pessoa que você sempre foi.” E se for assim, aparentemente, a pessoa que eu sempre fui é uma adolescente eternamente frustrada. Então, foda-se o status quo. Eu sou madura o suficiente para admitir que sou uma imbecil e vou criar minhas rugas e cobrir meus cabelos brancos sendo assim. Apenas.

xoxo

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