Mesa branca

E, então, a relação morreu de anorexia, agonizante, sozinha, sem ninguém para lamentar…

Foi enterrada a 7 palmos. Não teve luto. Não mereceu missa de sétimo dia.

Meses depois, pessoa chega com uma pá para desenterrar os restos da coitada que, depois de morta, enterrada e esquecida, seria exumada.

Pessoa quis discutir a relação. Quis colocar os pingos nos is. Quis descobrir quem foi o culpado. Quis brincar de CSI com um sentimento que jazia inerte em solo infértil.

Mas não existia mais um corpo. Não existia mais nada. Nem um fantasma para se chamar numa mesa branca.

Acabou. Foi. Guarde as lembranças, se quiser. Siga em frente e não olhe para trás. Não há nada a se ver por aqui.

Pitacos

Uma amiga comentou que cansou de vir aqui e não ter atualizações. Outra, perguntou por quê o Pitacos não tem página no Facebook. Simples. Porque eu cansei.

Simplesmente amo (quase) todas as pessoas que o blog trouxe para minha vida. Algumas são realmente minhas amigas, gente que eu gosto de manter perto. Adorava fazer meus desabafos, aqui, dar meus pitacos por tudo e qualquer coisa. Era bom soltar meus demônios. Mas tem sido difícil…

Não posso falar o que eu quero, porque o inimigo está por todo lado, só esperando eu cometer alguma gafe. E, sim, há pessoas que são minhas inimigas, apesar de eu só ter desprezo por elas. Como sou filhote de Oscar Wilde, se fosse para eu ter inimigos, os escolheria pela boa inteligência. Este monte de patife acéfalo que resolveu me odiar não me interessa. Mas eles se interessam por mim. Que pena…

Falar a verdade – mesmo que uma verdade assumidamente só minha, ultra pessoal -, não fazer rodeios, não concordar com qualquer bobagem, não se sujeitar a humilhações e, principalmente, reagir não são comportamentos bem aceitos nesta cidade de cordeiros. Cansei de me calar, de me censurar, de tolerar, mas é o que temos para o momento. E, se for para ser pelas metades, prefiro não.

Por enquanto, estou no Facebook, defendendo a causa animal, assinando petições, compartilhando adoções e batendo boca com gente babaca. Quem sentir minha falta, pode solicitar amizade.

Dia 14 o blog faz 4 anos e volto para dar tchau.

Beijo e obrigada a todos que me fizeram companhia – ou raiva – nesse tempo todo.

Pimentas 2013

“vamo lançar um outdoor em frente o Rena” (sic)

Estou aguardando ansiosamente desde janeiro…

“Vamos botar pra quebrar SORTE, DINHEIRO, SAÚDE PRA TODSOS NÓS” (sic)

Eu espero que, pelo menos, se tenha tido muita saúde. De resto, down hill total, hein?!

“2013 a gente vai detonar!!”

Se a proposta era detonar “o filme”, estão todos de parabéns!

“nossa 2013 o mário ja falou q quem vai ser destaque fomos nós” (sic)

Pelo visto, Mário falou, mas não cumpriu. Deu Rara!

“kkkkkkk”

Cara, o ano nem acabou, mas me arrisco a dizer que ninguém “kkkkkkk” melhor do que eu este ano!!! kkkkkkk

Pintos

Dos 11 pintos salvos, restam 5. Isso, porque já salvamos um deles várias vezes. Sempre ele, o menor. Duas vezes da hipotermia e, do abandono, mais um monte. Ontem, mesmo, depois da galinha-mãe ter subido para a árvore com 4 pintos, esse ficou pra trás e lá fomos nós recolhê-lo para uma noite protegida, dentro de casa. Aposto que hoje à noite vai ser a mesma coisa.

pintos-da-mae Miudinho escondidinho atrás dos irmãos

Li que as galinhas enxergam, pelo brilho das penas das suas crianças, quais as que têm chance de “vencer na vida”. Esse coitado não tem. Apesar dos quase dois meses de idade, ele ainda parece um bebezinho. Sorte dele que eu protejo os mais fracos.

Sorte dele que a Pescocinho, depois de diversas tentativas de reabilitação, foi condenada ao degolamento. Ela andou tocando o terror nos ninhos. Destruiu ovos quase prontos, bateu nas futuras mãezinhas, bicou pintinhos. Desta vez, foi o marido quem tomou a iniciativa: “ela vai morrer”. Neste exato momento, a execução já deve ter se completado…

Morro de dó, de verdade. Mas já temos micos, gambás, gaviões, almas de gato, gatos, corujas e tucanos, todos eles, predadores de pintinhos e ovos, visitando a casa. Não precisamos de uma galinha que jogue contra…

galinha1

galinha

comunidade

compostagem

g-zuz As vítimas de Pescocinho

Essas doidonas estão chocando/criando dentro do tanque de compostagem do marido. Um calor do cão, lá dentro! Mas se está bom para elas…

O que não está bom para mim é que elas acabaram por fazer um ninho comunitário. E qual o problema? Neste exato momento, apesar deu ter pelo menos 15 galinhas aptas a botar, não há um ovo disponível na casa. TODAS as galinhas botantes botam nos ninhos comunitário. Ovos não galados se perdem no mar de ovos e, ao mesmo tempo, com tanto ovo, as galinhas menores não dão conta do recado – dá para ver, nas fotos – e “abortam” aos montes. Ovos quebrados ou largados são encontrados o tempo todo…

Sem contar que acaba sendo muita mãe pra pouco pinto e costuma dar briga, quando não abandonam as crianças e sobra para mim…

Desabafo anônimo

Aconteceram umas coisas felinas que me destruíram, esta semana. É… Sou daquele tipo de gente que assume a dor dos outros. Só que também sou do tipo de gente que odeia quem me faz sofrer.

Ia mandar esta falação toda, abaixo, à minha algoz, mas achei que ela já tem seus próprios problemas. Como escrever isso me liberou de uma enxaqueca dos infernos, resolvi postar aqui, só para desabafar, mesmo…

“Ei… Sei que não é momento de te chatear, mas preciso…

Eu tenho um certo pé atrás com você desde que você saiu xingando todo mundo pelo baixo número de compartilhamentos de um post. Como se a responsabilidade de cuidar dos bichanos que você pega fosse compartilhada. Não é. É sua. Eu só lhe “sigo”. Ajudo quando vejo possibilidade, mas sob minha responsabilidade já estão 9 gatos, dos quais eu cuido com a mixaria que eu ganho sendo designer no interior de Minas.

Daí, para tentar apagar o mal estar, e para tentar conhecer a pessoa por trás da página, resolvi ver seu perfil no FB, o que não ajudou. Achei “sua religião” agressiva demais. Não que eu seja ovelha pagadora de dízimo, longe disso, sou ateia – sem orgulho, só me aconteceu de ser assim -, mas achei feio você escrever daquela maneira. Ofensivo. Principalmente para alguém que vive pedindo orações. E vive pedindo orações, porque as coisas ao redor não estão legais.

Sei que os seus “resgatinhos” são frágeis, na maioria, têm probleminhas, mas eles estavam morrendo dia após dia e eu ficava me perguntando: o que ela está fazendo de errado? Talvez, nada. Pode ser que estivesse tudo certo, mas, sei lá… Muita morte em pouco tempo… Eu investigaria. Mas, né?, eu ouço cascos e penso em zebras…

E, então, sua casa quase pega fogo por negligência. Você sabia do problema e não o resolveu por falta de dinheiro? Você colocou bichos e pessoas em risco! Falta de dinheiro não justifica isso! Faz vakinha, faz empréstimo, pede ajuda, mas não deixa a casa pegar fogo com um punhado de gatos dentro!

Depois disso, me choquei quando você EXIGIU testes FELV para uma possível mãe de leite para os filhotes. O problema está na palavra e no caps lock! Você pedia um favor… Não cabe exigência num favor! E já pensou se uma gata saudável e testada fosse para sua casa e saísse morta por um vírus que se espalhou por aí?! Você exige dos outros, mas não apresenta garantias?

Você faz quarentena com os gatos resgatados? Porque a doença, certamente, chegou com algum deles e é sabido que gatos de fora não devem ser misturados aos que estão dentro antes de todas as vacinas e exames. Nem precisava lhe dizer isso, né?!

Escrevi tudo isso sem certeza se iria lhe enviar ou não. Se envio, é por mim, por puro egoísmo, porque eu sinto dó da situação, mas, também, raiva. Não queria estar na sua pele, não consigo sequer imaginar que merda devem estar sendo esses dias para você. Pelos gastos, pelos gastos emocionais, pelas perdas… Me solidarizo com isso, com certeza, mas não consigo não me sentir infeliz com as mortes dos pequeninos e com a doença do meu gatinho favorito dentre os seus.

Desculpa, mas eu não sei lidar com perdas, eu tenho que culpar alguém. Calhou de ser você. Lamento ser a pessoa horrível que aponta o dedo quando você mais precisa de apoio, mas esta sou eu. Provavelmente, estou sendo injusta, mas espero que não me odeie por isso…

Abraço.”

 

Olho gordo

arruda

Pois é… Minha sogra nos falou, dia desses, que era para termos cuidado com o que postamos na Internet, porque tem muito olho gordo por aí… Rimos dela, claro. “Que bobagem”. Daí, no dia 14/02, posto foto da Pomba, minha franguinha favorita, linda, off-white e saudável. Dia 18/02, ela amanhece morta.

Então, só me resta perguntar: quem aí está pondo olho gordo nos meus pintos, hein?!

Pé de pato mangalô três vezes!

Ano da Serpente

No calendário chinês, este ano – 4711 – é o ano da Serpente. Segundo o “Google”, é “um ano dado à  reflexão, planear e procurar respostas.” Como eu não sou chinesa, aliás, devo ter é um pezinho na Irlanda, estou com São Patrício: quero mais é que elas se danem. Expulsei todas elas da minha vida em 2012 – e foram muitas! – e, se ainda restar alguma, hei de me livrar dela antes de 13 de fevereiro.

snake

De gente que não presta, eu quero é distância!

12-12-12

Cada vez mais acredito que o mundo acaba no dia 21. Aliás, cheguei a acreditar que acabaria até antes, ontem mesmo.

O jardineiro me deu o bolo no sábado passado, ok?

A garagem enchendo

Quadra de peteca?

O galinheiro virou um lago.

E o lago – junto com uma mãe muito galinha – vitimou 5 pintinhos

Resgatando uma galinha presa no cercado alagado…

Pelo menos 1m de água no meu quintal ao fim da chuva

Aquecendo os sobreviventes na panela!

Vamos aos fatos: choveu forte. Teve até granizo. Mas se não fossem 8 anos de roubalheira e omissão da Prefeitura, se não fossem os ricos da cidade, que constroem suas mansões com piscinas, lá pra cima, sem se importarem com a rede pluvial ou com o lixo que suas construções homéricas e intermináveis geram, não teria descido tanta água.

E, detalhe, minha casa recebe a água da rua e de mais 3 vizinhos, diretamente, através de canos que desaguam no meu quintal. Por que? Porque aqui é assim. Não tem saída para sua água? Joga no vizinho! É legal!

Não aconteceu metade da inundação nos bairros mais afastados, os ditos “bairros pobres”, porque não havia vizinhos ricos pra f*der com as vidas deles! Simples assim.

Durante a chuva, a rua que desce em continuação à minha, ficou assim:

Foto: Emerson Serpa

No fim das contas, os ninhos foram destruídos, 5 dos pintinhos morreram afogados, sob a mãe. Os outros 6, consegui resgatar à tempo. Como faltou luz – das 15h à 15 para meia noite -, tivemos que aquecer os coitadinhos, que estavam com hipotermia, numa panela. Sério. Técnica do marido: enchemos uma panela com panos e aquecemos sobre o fogo – afastado, claro! Sobreviveram e foram devolvidos à mãe, hoje de manhã, quando o lago secou.

Fiquei sem energia, perdi dia de trabalho, posso ter pegado leptospiriose, tomei banho gelado, fui me deitar às 21h, por falta absoluta do que mais fazer no escuro… Pode vir, fim do mundo. Você não me assusta.