Dia da Olívia

A Olívia foi resgatada sem uma das pernas e com as mamas cheias, como contei aqui. E, apesar de três protetoras que cuidam ou já cuidaram de gatos amputados me garantirem que não existe síndrome de membro fantasma em gatos, Olívia as desmentia. Ela se agitava, pulava e gritava quando minha mão se aproximava do local onde deveria estar a perna. Muitas vezes, sonhava e chorava. Até que, num belo dia, ela conseguiu pular um muro impossível e voltar grávida.

Eu poderia tê-la castrado às pressas para evitar filhotes. Era uma suposta gravidez de um dia, quando ela voltou. Poderia, mas não o faria. Não só porque sou contra aborto, mas porque achava que ela precisava dessa experiência, já que, da última vez, a maternidade tornou-se tragédia.

Ela foi uma grávida tranquila. A síndrome passou por completo. Ficou pesada para o tamanho e as três pernas, mas deu tudo certo. O parto foi complicado só pra mim. Cristo recebeu as crianças muito bem, nem parecia a fúria assassina que havia sido. Éramos uma família.

Nasceram 5 bebês lindos. Eu ficaria com 2 e doaria os outros, mas me apeguei. Eles todos se dão muito bem, são fofos, carinhosos. Dois deles andam amassando pão! Na quinta passada, levei Olívia e Carlota para serem castradas na Cão Viver. Os meninos ficaram tristes, sentiram muito a falta delas, nem comeram.

Eu tive uma noite terrível, pré-castração. Fiquei ansiosa, pensando em tudo o que poderia dar errado, mas deu tudo absolutamente certo. Até dar remédio não está sendo tão difícil.

Para minha família voltar a ser completa, faltam os três que estão lá na casa antiga. Meu coração fica apertado em pensar neles, mas fiz o meu melhor, diante de tudo. Muito em breve, estaremos juntos.

Também falta Cristo…

Enfim, é dia das mães e meus parentes foram comemorar. Eu fiquei. A mãe que mais me interessa, neste momento, é a Olívia. A melhor mãe que eu conheci e, por acaso, minha filha!

Olivia-2416Foto: Vinnicius Silva

 

Abobrinhas

Parei de comer alho por um período de experiência. Os Hare Krishna não comem e justificam com muitas explicações. As melhores: faz a pessoa feder e tem a ver com raiva e descontrole. Não quero feder nem me descontrolar, então… O interessante é que tenho estado com melhor cheiro – meio óbvio, isso, né? Alho fede mesmo! – e mais calma. Pode ser efeito placebo, mas pode ser que não seja. Na dúvida, estou evitando alho, alho-poró, cebola e cebolinha. Para minha profunda tristeza, adoro os quatro.

Estou tentando andar, mas dói e está difícil. E não quero andar na piscina, como o Dr. indicou. E é por pura vergonha. Estou deformada e insegura. Eu estava tão bem, tão magra – saudável! – e em forma e, agora, estou tipo “Andressa Urach pós-coma”. Não dou conta de lidar. Ainda não.

Estou fazendo exercícios para o pé, uns alongamentos, e tenho tido ajuda do Zacharia, que tem conseguido driblar a “família pé-no-saco” – porque não deixa gato dentro de casa – e chegar ao meu quarto provisório para me dar e receber muito amor.

Zach é um dos que seriam doados, caso eu tivesse resolvido doar. Ainda bem que mudei de ideia, porque ele é delicioso demais. Do tamanho exato da minha carência. Não tem quem não o ame! Até minha avó o adora!!

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Comprei o FURminator para pentear os gatos e o Zach, o mais peludo da prole, deixou e gostou. Como saiu pelo no pente! E como ele ficou com aspecto menos sujo! Gente, eles estão todos imundos e eu não tenho como dar banho! Calamidade!

Também comprei Brinquedo Ecológico Pet Games EcoCaça Peixe e os gatos amaram. Até os antissociais se chegaram para brincar! Claro que seu eu deixar com eles, sem supervisão, não dura 5 minutos. Mas é para brincarmos juntos, o que é mais legal e durável!!

E depois de ler Sobre a Escrita, do Stephen King – recomendo para quem quer ser escritor ou ame muito o Steve. Caso contrário, há muitos outros livros dele para se ler -, não sei mais se consigo escrever um continho sequer. Virei crítica. Estou lendo A Imortalidade, de Milan Kundera, fazendo cortes (mentalmente): tirando advérbios e partes desnecessárias. Meodeos! Stephen King criou um monstro em mim! Como se houvesse necessidade disso!

Gatos

Antes de desistir de colocar meus netos para adoção, eu havia escolhido a Carlota Joaquina, a tricolor, e o Tião Carmelo, o branco e amarelo, para serem meus para sempre. Como pessoa que sabe bem escolher, eles se saíram os mais medrosos, chatinhos e antissociais dos gatos. Os três inicialmente preteridos são fofos, carinhosos e belíssimos! No fim, pouco importa. Ficarei com todos.

Se eu tiver acertado os sexos, ficam assim: Zacharia, Tião Carmelo, Carlota Joaquina, Jezebel e Rubinho.

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A propagação da ideia de que gatos não gostam dos tutores, mas da casa, me irrita. Eu me sinto amada pelos meus gatos. De fato, apesar de ter negado de pé junto, inclusive neste blog, que seria mãe de gato, admito que o sou. E muito.

Caí da escada tentando alcançar Cristo, mas poderia ter caído, com consequências bem piores, da cadeira sobre o banco ou da árvore ou do muro, tentando alcançar Panqueca, Guapa ou Olívia. Sim, me arrisquei por eles e uma perna quebrada não me trouxe juízo algum, me arriscaria novamente.

Choro todos os dias a falta de Cristo, assim como de Rasputin, Pixie e Guapa, dos quais, além da imensa saudade, sinto imensa culpa por não estarem comigo. Espero que não se sintam abandonados e, sinceramente, que me perdoem. A vida tem sido um pouquinho mais complicada do que eu esperava que fosse.

E confesso que fiz uma oração, a Santa Gertrudes de Nivelles, padroeira do felinos, por causa de Cristo. Sou ateia e não rezo nem por mim, mas já rezei por ele mais do que eu sonharia. Ele, assim como os outros gatos, são, sim, meus filhos. São meus amores, minha responsabilidade, minhas despesas, minha dedicação. E, quer saber? Meu coração está tão repleto deles que o carinha do qual eu gostava, a quem dediquei uns posts, foi expulso de vez. Assumo: sou Crazy Cat Lady e não me envergonho nem um pouco. “Vergonha é roubar, não poder carregar e o dono enxergar”, diria minha avó.

Uma semana sem Cristo

Com pouco mais de cinco semanas de perna quebrada, perdi:

• A evolução e o carinho dos meus filhotes. Meu sonho de ter bebês em casa se realizou, mas ficou pela metade. Depois de quase um mês sem conseguir ir até eles e sem os deixarem vir até mim, eles não me conhecem mais, não se interessam por mim e, principalmente, cresceram e deixaram de ser bebezinhos miudinhos longe dos meus olhos;

• O último fiapo de carinho que eu sentia pelo meu pai. Ele está cuidando dos gatos. Ok, agradeço. Mas ele faz questão de fazer TUDO exatamente ao contrário do que eu peço. Não é à toa que Cristo fugiu. Não é à toa que um dos filhotes quase fez o mesmo. Ele me faz sentir raiva e frustração;

• Oportunidades. Um punhado delas. De todos os tipos;

• Paciência. Depender dos outros é tão insuportavelmente desagradável que eu fiquei mal agradecida por diversas vezes. Shame on me;

• Privacidade;

• Massa muscular, força e equilíbrio. Minha coluna está em frangalhos e estou ferrada para recuperar e/ou consertar tudo que se estragou;

• Até agora, pouco mais de cinco semanas. E, pior, seis fins de semana, incluindo um com uma hora a mais.

Mas o mais terrível de tudo, sem sombra de dúvidas, foi perder Cristo. Faz com que tudo isso aí  em cima tenha sido totalmente em vão. Faz com que meu coração esteja em frangalhos, meu humor, péssimo e minha carência, em potência máxima. Perdi um filho, meu melhor amigo, meu companheiro. E nem tenho ideia se ele está vivo, em perigo, ferido… :'(

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32º Dia

Querido diário, lá se vão 32 dias desde que quebrei a perna.

As pessoas têm gostado de dizer que sou forte, guerreira, como seu eu fosse uma heroína e, não, alguém que está simplesmente arcando com as consequências de uma decisão errada. Como se isso fosse voluntário, só que eu  não tenho escolha. Claro, tenho a escolha de encarar tudo de bom humor e, na medida do possível, é o que faço, já que mau humor não ajuda em nada. Só não imaginei que teria que ser Pollyanna por tanto tempo.

Mais uma vez, subestimei minha fratura. Com 30 dias, já me imaginava voltando a caminhar, mas ainda não posso sequer apoiar o pé.

Estou fazendo Fisioterapia e, surprise surprise, não é tão ruim quanto me alertaram. Também não é gostoso, mas é minha oportunidade diária de sair de casa e ver pessoas diferentes. O que também não é gostoso, mas distrai. E meu pé que, apesar de não ter sido fraturado, é o problema, voltou a se mexer. Ainda está MUITO inchado e dolorido, mas está indo. Vejo progressos.

Dona Conceição, companheira de Fisio, 80 anos, 4 vezes graduada em cursos na área da Educação, mãe de uma brilhante mulher com 8 graduações e avó de vários netos que seguem o caminho dos estudos, deu-me o precioso conselho: “esteja sempre linda e bem cuidada”. Para ser bem sincera, nem estou tentando. Meu cabelo está caindo em tufos. Minha massa muscular derreteu todinha e mal tenho forças para dar meus pulos de muleta. A posição em que passo meus dias mais a comilança que me é desnecessária, mas que alegra a vovó, estão me deixando pançuda. Me mantenho depilada e de unhas aparadas e isso é tudo em estética que tenho me empenhado – mesmo porquê tem mais a ver com higiene…

Nesses 32 dias, não vi as 6 peças de teatro que eu queria, não fui à FNAC conhecer o Alexandre Beck, o pai do Armandinho, não fui aos festivais gastronômicos e às exposições que estavam acontecendo. Pelo menos, comemorei meu aniversário, terça, na casa de queridas amigas, que me prepararam uma festinha vegana. Uma pausa maravilhosa para a alegria e o amor. Mas, na maior parte do tempo, estive tão somente definhando, em uma casa que não é a minha. Deixei o Diabo montar sua oficina na minha cabeça vazia e, por vezes, fiquei amarga e infeliz. Mas estava sendo salva, paulatinamente, por Cristo, o gato, que vinha me dar cabeçadinhas, ronronando pouquinho, porque ele é contido, e me fazendo companhia. Só que, na sexta, ele sumiu.

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cristo1Demorou tanto a acontecer que imaginei que não mais aconteceria. Por 30 dias, ele foi livre e não foi embora. Daí, resolveu que era hora e se foi… Quebrei minha perna para evitar que isso acontecesse e, de perna quebrada, inútil, não tive como evitar o inevitável, já que meu pai é teimoso e incapaz de enxergar as coisas pelo meu ponto de vista. As pessoas têm que parar de achar que gatos devem dar suas voltinhas. Não devem, não neste mundo, não nesta época. Há doenças, brigas, cães ferozes, arames farpados e cercas elétricas, pessoas ruins e trânsito intenso, tudo isso, contra os gatos.

Sexta, Cristo se foi, Pollyanna morreu e, desde então, sou só dissabor, um barco sem mar, um campo sem flor…

Peripécias da Pi

O dia havia amanhecido lindo e azul, depois de uma noite de chuva. Acordei às 7h, como em todas as quartas-feiras, e pensei em fazer uma horinha na cama, com preguiça de ir caminhar. Mas os gatos, como sempre, não me permitiram.

Fora do quarto, estava fresco e deixei os gatos saírem pra passear, enquanto eu trocava águas e enchia as vasilhas de comida.

Cristo aproveitou que baixei a guarda e subiu na jaboticabeira. Foi-se lá pra cima, inalcansável. E, claro, me apavorei. Se ele descesse para o telhado, havia o perigo de uma porção de cercas elétricas que, possivelmente, ainda estariam ligadas. Se continuasse pela árvore, havia risco de queda, pura e simples.

Aguardei para ver se ele descia sozinho, sem acidentes, mas ele preferiu o telhado, mesmo. E lá chegando, começou a miar. Um miado sofrido… Quanto mais ele miava, mais eu me decidia a pegar a escada e subir. Só que eu estava sozinha. Meu pai ainda demoraria uns 30 minutos pra chegar – muito tarde – e minha avó não me deixaria subir, muito menos me ajudaria. Fui.

Armei a escada, aproximei do telhado, testei, subi. Ele correu pra longe de mim. Desci. Pensei. Levei a escada para um outro ponto do telhado. Testei. Rearrumei e retestei. Subi. E a escada escorregou e caiu.

Minha vida não passou diante dos meus olhos, mas as possibilidades, sim. Se eu caísse pra frente, com a escada, eu poderia bater com a cara no chão e/ou quebrar os braços. Pra trás… A pilastra estava longe, não estava alto, achei melhor. Me projetei pra trás. Mas minha perna esquerda resolveu se enganchar entre os degraus. Ainda tentei puxá-la (tenho um bruto hematoma para provar), mas o pé ficou.

Bati no chão em silêncio, com suavidade e algumas fraturas na perna.

Minha avó apareceu xingando: “vai acordar os vizinhos!” Meu pai apareceu na janela – ele mora exatamente do lado – xingando: “quê que você tá aprontando” emendando com “eu te falei pra não mexer nessa escada!!!”. Enfim, família, eu quebrei a perna. Chamem alguém pra me ajudar.

Depois de meia hora caída no chão, imóvel, com milhares de formiguinhas andando sobre mim, a ajuda apareceu. Três mocinhos me imobilizaram na maca e me levaram para o Life Center. Fiz respiração cachorrinho enquanto eles colocavam a tala. Fiquei pensando: parto não pode doer mais do que isso.

Cheguei ao hospital imaginando que estava tudo resolvido. Seria assim: uma radiografia, constatava-se a fratura, punha-se o osso no lugar, enfaixava-se, engessava-se. Injeções, sessão de bronca do doutor e alta. Ainda chegaria em casa a tempo de descansar e trabalhar na parte da tarde.

Na real, foi assim: espera. “Onde dói?”. Radiografia. “Menina, você fez estrago, hein?”. Espera. “Vai ter que operar. Se der, ainda hoje.” Espera. Xixi na comadre. Espera. Moça veio tirar sangue e quase leva o braço. Espera. Moço veio colocar o catéter. Remédio pra dor – que não fez nem cosquinha. Espera no corredor. Peço água. Médico, já meu íntimo, me chamando de Pat, diz que eu não posso, porque vou ser operada no começo da tarde. “Mas são 10:30!!!” Bebo água escondido. Espera. Desço para a enfermaria, enquanto não vaga um quarto. Vem meu pai, vai minha tia. Dona Nadir, possivelmente com Alzheimer, dá um show na enfermaria. “Deus, vem me buscar. Nenhum velho deveria sofrer assim.” Metade era manha, mas ela tinha pedra nos rins. Não estava fácil para ela, também. Aliás, para ninguém ali.

A dor individual parece menor diante da dor coletiva, mas, ainda assim, precisei de Tilex. E de morfina. E nada foi de muita ajuda. Meu pai se foi, minha tia voltou e conseguimos um quarto. Sobe pro quarto. Espera.

Eram 20:30 quando chegou o enfermeiro para me ajudar a me despir para a cirurgia. “Está de jejum?” Oi? Desde às 19h do dia anterior!!!

O bloco cirúrgico estava lotado! Não havia espaço para manobrar macas. Mas, ali, a espera foi curta. Fui logo pra sala, o anestesista já veio logo se apresentando e me dando drogas das boas!! Apaguei. Acordei com o médico falando dos meus hematomas e me mostrando as fotos da cirurgia.

antes depoisTrês fraturas no tornozelo e uma no pilão da tíbia e tenho minha própria Torre Eiffel!!

À 1:30 desci pro quarto. Não dava mais para comer. Dormir foi tarefa inglória, mas sobrevivi. Recebi alta na tarde de quinta e estou em ritmo de axé (tira o pé do chão!!) desde então.

Passei por 11 enfermeiros – o moço do catéter, Jordano, Jackson, Patricia e Úrsula estão no meu coração. Contei minha história para cada um. Já via o momento da peregrinação para ver a moça que se estropiou buscando Cristo. O anestesista foi uma pessoa maravilhosa e não passei nada de mal com a anestesia. O ortopedista, bonitão, é também competente, simpático e debochado. Deu tudo certo.

Meu pai cuida dos gatos. Minha avó cuida dos cuidados. Minha tia cuida das compras e transporte. Cristo voltou e cuida de me dar carinho todo dia. Tudo certo, aqui também.

Hoje, tive retorno médico – e consegui as fotos que ilustram este post – e conheci mais uma vítima das escadas de armar de alumínio! O cara quebrou o calcanhar! Pela cara do doutor, ele está pior do que eu.

Aprendi coisas nesta aventura!

• A não me precipitar mais. Que chamar os Bombeiros para resgatar o gato em vez de me arriscar a ter que chamar o Samu para me socorrer é o mais sensato.

• Que família é uma formação de elementos difíceis, mas esse amor que (n)os une ajuda a remendar ossos.

Reafirmei coisas:

• Gatos são excelentes companheiros, são solidários e amigos!! Não são cães e não têm que ser comparados a cães.

• Amigos não têm que ser testados nem amizades são medidas em momentos difíceis. Alguns são mais participativos, outros são contemplativos, há os escondidos, que esperam o pior passar para dar um “oi”. Há, até, os totalmente desinformados, que nem sabem o que está – e se está – acontecendo. Todos são ótimos! Todos são bem-vindos!

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E, pra fechar, um conselho de amiga: tenha um bom plano de saúde em dia. Se eu tivesse que pagar por todo o atendimento que tive, que foi o melhor possível, eu teria que vender um rim. Planos de saúde são caros e parece desperdício de dinheiro, mas nunca se sabe… Até às 7h de quarta passada, eu fazia planos de caminhar na Silva Lobo e, depois, entrar em alguma academia, para me matricular na musculação. Jamais esperava terminar – muito menos, começar! – meu dia num hospital…

 

Os ventos da mudança

Oxe, se tivesse ao menos uma brisinha marítima.. Ninguém mandou eu voltar para BH, com tanto litoral neste país! Mas é o que temos.

Ainda estou sem teto. Pirracinha (?) do inquilino, que sumiu sem entregar as chaves do apartamento. Assim, resolvi passar uma temporada na casa de vó, porque Itaúna não me suportava mais e era muito recíproco.

Ex-marido me trouxe com algumas malas e cuias, não tudo, e alguns gatos, não todos. Vieram Olívia, prestes a parir, e Cristo, seu amigo.

A viagem de vinda foi uma aventura. Cristo, novo na arte de andar de carro, entrou em pânico e resolveu manifestar sua indignação defecando. Litros. Durante as duas horas de viagem. Tortura define.

Mas chegamos, desembarcamos e… Perdi Olívia. Cheguei, soltei a menina no quintal e fui me lavar. Quando voltei, cadê? Ficou sumida o dia todo, enquanto a família se reunia em torno do mistério, já que a havíamos procurado por todo canto. Já no fim do dia, a pançudíssima resolveu dar o ar das graças e sair do esconderijo. Ufa!

Resultado do dia? Excesso de estresse e de calor e a imunidade caiu. Daí vem a grande diferença de adoecer em sua própria casa – perdi 6kg em uma semana – e na casa de vó – achei-os todos! – Ô vida…

Mas tenho pouco o que reclamar – falta de casa e só – por aqui. Passei Natal em família. Tive encontrinho com minha turma da oitava série e foi maravilhoso rever todos. Fui ao cinema com eles assistir a um filme nacional – “O Segredo dos Diamantes” -, coisa que não acontecia desde “Jorge, um brasileiro”. Viciei em Shoptime e novela das 9h. E, ontem, Olívia pariu!

Socorro! A Natureza é cruel! Que coisa assustadora é o parto. Tanta gosma, tanto fluido, tanta dor! Ainda bem que tinha a quem recorrer nos momentos de puro pavor! Olívia tirou de letra, mas eu pirei.

Nasceram 4. Depois, nasceu mais um. Dei o nome de Rubinho a ele, claro! Então, em ordem de reconhecimento do mundo fora da mãe, vieram: Branco(a); Tião Carmelo – meu louro de carinha branca -; Alva(o); Carlota Joaquina – minha tricolor imensa! – e Rubinho, o outro louro. Todos lindos, saudáveis e famintos.

Tião e Carlota já são da família para sempre. Por mim, todos os outros seriam, mas criar 10 gatos num (suposto) apartamento de 2 quartos é loucura. Mas aguardemos o desenrolar dos fatos. O importante é que todos sejam felizes e seguros!

E é isso… Estou em BH para uma longa temporada, com planos de negócios traçados – assim como os de lazer! Merecido! – e aguardando minha casa, minha vida.

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Poucas fotos e ruins, porque a lelé da cuca trouxe cuias, mas não trouxe máquina fotográfica.

Encerrando – grazadeus! – 2014

E chegou aquela época gostosa (SQN) em que faço o Top-Pi.

TOP-Pi 10 | O MELHOR DE 2014:

1. Olívia e seu barrigão. Cristo entrou na minha vida logo depois do Top-Pi 2013 e, por isso, não figurou na lista. Ele foi um grande problema e um enorme amor, neste ano. Por pouco eu não o doei, simplesmente porque ele não se dá bem com meus outros gatos. Mas… Chegou Olívia em nossas vidas e, apesar de Cristo não ter mudado nadinha, ele encontrou nela uma companhia e um amor. Eles são muito amigos e isso é lindo!

2. Amizades: eu não teria sobrevivido a 2014 sem pessoas queridas ao meu redor. <3

3. Amor: ele existe. E ele é lindo, mesmo fumando.

4. Vegetarianismo. Firme e forte e cada vez menos “proto” e mais vegano! Em 2015, finalizo a transição! Foi a decisão mais acertada da minha vida e pela qual me sinto extremamente bem!

5. Trabalho voluntário. Continuo trabalhando para e admirando a 4Patinhas. Cada vidinha salva me salva um pouquinho!

6. Stephen King sempre será o dono do meu coração! Li bem menos livros, este ano. Me perdi por aí. Mas amei ler a continuação dO Iluminado (se chama Doutor Sono) e Duma Key. Livro incrível!

7. As ideias de 2013 ficaram engavetadas neste difícil 2014. Mas cresceram e se multiplicaram. Ano que vem, vou ter que dar vazão a elas, senão explodo!

8. Boa forma. Ainda estou longe de estar em forma, ainda mais depois de emagrecer 6kg em uma semana – em novembro, por causa de estresse -. Eu ainda estou despencada, mas estou andando na esteira e já com Yoga marcada para ano que vem. Chego lá!

9. Catarse. Não pude ir ao Comic Con Experience – por motivos de falta de vida -, mas investi em quadrinhos, mesmo assim, graças ao Catarse. Eu apoiaria mais, se pudesse. Espero poder, em breve!

10. Finais e recomeços. Sempre difíceis, sempre duros, sempre angustiantes, mas, acima de tudo, sempre necessários.

olivia-barrigao Amor recheado de mais amor!

Olívia Manfrotto

Pois é… Mais um gato…

Há umas semanas, vi na página da Spad, associação que se esforça para cuidar de cães e gatos em Divinópolis, um caso que me deixou muito mal. Entre gatinhos queimados de propósito por seres inomináveis e um lindinho que perdeu a pata para a bicheira, havia uma gatinha numa caixinha. Ela havia sido jogada, por um suposto usuário de drogas, na linha do trem. Teve a perna dilacerada. Para piorar a situação, foi constatado que ela estava amamentando.

A gatinha foi acolhida pela Jaqueline, que deu lar temporário e cuidou da recuperação dela. Os filhotes não foram encontrados e ela teve que superar essa perda e uma infecção, antes de enfrentar uma amputação.

Quando eu vi essa coisinha suja na caixinha, eu quis dar amor a ela. Tanta tristeza, tantos casos de gatos torturados, tanta crueldade e foi ela quem mais me tocou. Pedi para uma amiga que mora em Divinópolis para testá-la para FeLV/FIV e, se desse negativo, eu a queria para mim.

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Sábado, lá fomos nós até Divinópolis para buscá-la.

Para minha surpresa, ela é um redpoint, linda linda, miudinha, quase uma filhotinha, com os olhos mais azuis deste mundo. E, apesar do sofrimento que causaram a ela, é uma doçura. Supercarinhosa, adora humanos e não deu muito papo pros meus gatos loucos. Se saiu bem entre eles, curiosa, mas tranquila.

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O tal do membro fantasma a incomoda, ainda. De vez em quando, ela grita e tenta pegar a perna que não está mais ali. Não gosta que encostem no espaço que a perna deveria estar, não gosta de colo, não gosta de ser pega. Mas gosta de conforto e carinho, como qualquer gato normal.

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Ainda temos que levá-la ao veterinário para avaliar a saúde dela, ver quando poderemos castrar – ela não foi castrada por causa de toda a situação – e, assim que possível, daremos um bom banho.

Minha gatinha tripé, Olívia Manfrotto, chegou trazendo amor e alegria à casa, no Dia de São Francisco de Assis. Quero retribuir, pelo menos, em dobro. <3

Gente estúpida. Gente hipócrita.

Em julho, um agente da zoonoses veio a minha casa. Houve denúncia anônima de que, por eu ter gatos, galinhas e cães, havia infestação de ratos na casa do vizinho. Não tem na minha. Se ele tem ratos em casa, bem…, ele deveria tentar criar gatos, cães ou galinhas.

O agente não encontrou nenhum problema e lá se foi.

Vizinho quietou? Não. Chamou o pessoal da dengue. A denúncia, agora, era de foco de mosquito, aqui. Veio a mulherzinha da dengue e implicou com as vasilhas d’água. Tem pra tudo que é canto. Tem para gatos, gatos de rua, cães, sapos, micos e galinhas. Troco água de todas duas vezes ao dia – não desperdiço água, jogo para as árvores. Dengue instantânea ainda não ouvi falar. E quer saber de algo estranho? Achei que ela implicaria com o vaso de orquídea e com as bromélias – como todo povo da dengue implica – que estavam, sim, cheias d’água, mas, não. Nem tchum. Veio com o propósito claro de achar defeito nas coisas dos bichos.

As denúncias acontecem regularmente desde 2013. Sujeira? Tem folha seca. Estamos no fim de um inverno ultra seco. Tenho árvores. Folhas caem. Flores, também. O chão está cheio de flor de ipê. Cocô de galinha? Vira adubo para a compostagem e horta, assim como as frutas que caem. E cocô de cachorro? Tem, mesmo. Eles defecam. Numa caixa cheia de areia, que o jardineiro limpa, quando vem. Fica sequinho, ainda mais com esse tempo, não dá mosquito e não fede na casa de ninguém.

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Ipê do marido

Tem uns cocos e folhas de coqueiro que caíram na última ventania. A gente ia pedir uma caçamba para eu recolher tudo isso, mas, depois de mais uma denúncia, achei melhor, não. Caçamba custa R$ 120,00. Colocar folha seca num tambor e colocar fogo, como os vizinhos fazem, é de grátis! E incomoda!!

Não tem mato. Nem sequer grama. As galinhas não permitem.

Fico pensando… Se a sujeira propriamente dita não existe – a não ser quando um dos vizinhos produz e joga aqui -, será o quê que incomoda tanto?

nojoCanal de águas pluviais que meu adorável vizinho (#SQN) usou para escoar o esgoto dele, que estourou. Escoou cal e areia da construção, também, para o meu quintal. Um darling.

Barulho? A Nikita é meio pinscher e late um bocado. Incomoda? Sim. Mais do que os netos da vizinha berrando o dia inteiro? Não, mesmo! Mais do que os cães dos outros vizinhos? Não. Menos. O Toro é quase mudo.

Galinhas? Elas são um saco e fazem bastante barulho durante o dia. Mas o SAAE, que tem mexido na rua, faz mais. Os jardineiros da praça e do vizinho biliardário, também. O vizinho babacão que liga e desliga o alarme o dia todo é bem pior do que quaisquer galinhas. Aliás, esse faz festa todo final de semana e não se importa com decibéis ou respeito. Os netos da outra? Gritam e/ou choram bagarai. O cão da casa do lado? Late histericamente! E ainda tem os caras que andam de skate na praça e a turma que ensaia batucada toda quarta-feira até as 22h. A festa que está rolando na cidade incomodou mais de 100 pessoas que ligaram para a polícia antes das 2h da manhã de hoje. Barulho é o que não falta.

Os gatos invadem as casas da vizinhança? Não, apesar das insinuações. A Panks subia no telhado da vizinha, mas demos um jeito nisso. Ninguém mais tem subido. Mas há outros gatos por aqui. Tem o Cy velho de guerra; tem uma escaminha linda que encontrei dormindo na folhas secas e que não quis ser minha amiga; o irmão louro dela, que também me esnobou. Tem o Panqueco, um gatão peludo, que andou frequentando a casa. E mais um punhado de outros. São meus? Não. Sou responsável por eles? Também, não. “Infelizmente” para as duas perguntas/respostas.

Realmente não entendo. O quintal da casa é tão agradável, que recebo visitas das mais variadas. Sapos vêm se abrigar aqui. Gatos dormem e comem na minha área de serviço. Maritaquinhas, corujas, gaviões e um bom punhado de outras aves passam por aqui todos os dias, mesmo tendo um parque florestal logo em frente. Os micos dividem conosco frutas e ovos. É um lugar acolhedor. Seria mais se não tivesse tanta gente estúpida e hipócrita ao redor.

fcc430a62e9a3b24fc9c104c8140af20E eu fico com a pureza da resposta do Seu Micks:b257974402e427aa0cc4a033b9c75fc2