Olívia Manfrotto

Pois é… Mais um gato…

Há umas semanas, vi na página da Spad, associação que se esforça para cuidar de cães e gatos em Divinópolis, um caso que me deixou muito mal. Entre gatinhos queimados de propósito por seres inomináveis e um lindinho que perdeu a pata para a bicheira, havia uma gatinha numa caixinha. Ela havia sido jogada, por um suposto usuário de drogas, na linha do trem. Teve a perna dilacerada. Para piorar a situação, foi constatado que ela estava amamentando.

A gatinha foi acolhida pela Jaqueline, que deu lar temporário e cuidou da recuperação dela. Os filhotes não foram encontrados e ela teve que superar essa perda e uma infecção, antes de enfrentar uma amputação.

Quando eu vi essa coisinha suja na caixinha, eu quis dar amor a ela. Tanta tristeza, tantos casos de gatos torturados, tanta crueldade e foi ela quem mais me tocou. Pedi para uma amiga que mora em Divinópolis para testá-la para FeLV/FIV e, se desse negativo, eu a queria para mim.

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Sábado, lá fomos nós até Divinópolis para buscá-la.

Para minha surpresa, ela é um redpoint, linda linda, miudinha, quase uma filhotinha, com os olhos mais azuis deste mundo. E, apesar do sofrimento que causaram a ela, é uma doçura. Supercarinhosa, adora humanos e não deu muito papo pros meus gatos loucos. Se saiu bem entre eles, curiosa, mas tranquila.

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O tal do membro fantasma a incomoda, ainda. De vez em quando, ela grita e tenta pegar a perna que não está mais ali. Não gosta que encostem no espaço que a perna deveria estar, não gosta de colo, não gosta de ser pega. Mas gosta de conforto e carinho, como qualquer gato normal.

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Ainda temos que levá-la ao veterinário para avaliar a saúde dela, ver quando poderemos castrar – ela não foi castrada por causa de toda a situação – e, assim que possível, daremos um bom banho.

Minha gatinha tripé, Olívia Manfrotto, chegou trazendo amor e alegria à casa, no Dia de São Francisco de Assis. Quero retribuir, pelo menos, em dobro. <3

Gente estúpida. Gente hipócrita.

Em julho, um agente da zoonoses veio a minha casa. Houve denúncia anônima de que, por eu ter gatos, galinhas e cães, havia infestação de ratos na casa do vizinho. Não tem na minha. Se ele tem ratos em casa, bem…, ele deveria tentar criar gatos, cães ou galinhas.

O agente não encontrou nenhum problema e lá se foi.

Vizinho quietou? Não. Chamou o pessoal da dengue. A denúncia, agora, era de foco de mosquito, aqui. Veio a mulherzinha da dengue e implicou com as vasilhas d’água. Tem pra tudo que é canto. Tem para gatos, gatos de rua, cães, sapos, micos e galinhas. Troco água de todas duas vezes ao dia – não desperdiço água, jogo para as árvores. Dengue instantânea ainda não ouvi falar. E quer saber de algo estranho? Achei que ela implicaria com o vaso de orquídea e com as bromélias – como todo povo da dengue implica – que estavam, sim, cheias d’água, mas, não. Nem tchum. Veio com o propósito claro de achar defeito nas coisas dos bichos.

As denúncias acontecem regularmente desde 2013. Sujeira? Tem folha seca. Estamos no fim de um inverno ultra seco. Tenho árvores. Folhas caem. Flores, também. O chão está cheio de flor de ipê. Cocô de galinha? Vira adubo para a compostagem e horta, assim como as frutas que caem. E cocô de cachorro? Tem, mesmo. Eles defecam. Numa caixa cheia de areia, que o jardineiro limpa, quando vem. Fica sequinho, ainda mais com esse tempo, não dá mosquito e não fede na casa de ninguém.

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Ipê do marido

Tem uns cocos e folhas de coqueiro que caíram na última ventania. A gente ia pedir uma caçamba para eu recolher tudo isso, mas, depois de mais uma denúncia, achei melhor, não. Caçamba custa R$ 120,00. Colocar folha seca num tambor e colocar fogo, como os vizinhos fazem, é de grátis! E incomoda!!

Não tem mato. Nem sequer grama. As galinhas não permitem.

Fico pensando… Se a sujeira propriamente dita não existe - a não ser quando um dos vizinhos produz e joga aqui -, será o quê que incomoda tanto?

nojoCanal de águas pluviais que meu adorável vizinho (#SQN) usou para escoar o esgoto dele, que estourou. Escoou cal e areia da construção, também, para o meu quintal. Um darling.

Barulho? A Nikita é meio pinscher e late um bocado. Incomoda? Sim. Mais do que os netos da vizinha berrando o dia inteiro? Não, mesmo! Mais do que os cães dos outros vizinhos? Não. Menos. O Toro é quase mudo.

Galinhas? Elas são um saco e fazem bastante barulho durante o dia. Mas o SAAE, que tem mexido na rua, faz mais. Os jardineiros da praça e do vizinho biliardário, também. O vizinho babacão que liga e desliga o alarme o dia todo é bem pior do que quaisquer galinhas. Aliás, esse faz festa todo final de semana e não se importa com decibéis ou respeito. Os netos da outra? Gritam e/ou choram bagarai. O cão da casa do lado? Late histericamente! E ainda tem os caras que andam de skate na praça e a turma que ensaia batucada toda quarta-feira até as 22h. A festa que está rolando na cidade incomodou mais de 100 pessoas que ligaram para a polícia antes das 2h da manhã de hoje. Barulho é o que não falta.

Os gatos invadem as casas da vizinhança? Não, apesar das insinuações. A Panks subia no telhado da vizinha, mas demos um jeito nisso. Ninguém mais tem subido. Mas há outros gatos por aqui. Tem o Cy velho de guerra; tem uma escaminha linda que encontrei dormindo na folhas secas e que não quis ser minha amiga; o irmão louro dela, que também me esnobou. Tem o Panqueco, um gatão peludo, que andou frequentando a casa. E mais um punhado de outros. São meus? Não. Sou responsável por eles? Também, não. “Infelizmente” para as duas perguntas/respostas.

Realmente não entendo. O quintal da casa é tão agradável, que recebo visitas das mais variadas. Sapos vêm se abrigar aqui. Gatos dormem e comem na minha área de serviço. Maritaquinhas, corujas, gaviões e um bom punhado de outras aves passam por aqui todos os dias, mesmo tendo um parque florestal logo em frente. Os micos dividem conosco frutas e ovos. É um lugar acolhedor. Seria mais se não tivesse tanta gente estúpida e hipócrita ao redor.

fcc430a62e9a3b24fc9c104c8140af20E eu fico com a pureza da resposta do Seu Micks:b257974402e427aa0cc4a033b9c75fc2

Bicharada

Atualizando os causos:

Cristo continua no meu quarto. Já são 6 meses disso. Ele é lindo, cheiroso, carinhoso com humanos, ronronante, bagunceiro na medida. Seria um gato perfeito se fosse filho único. Numa casa com mais 7, ele é um transtorno, porque é agressivo com outros gatos.

Dias atrás, apareceu uma pessoas interessada nele, mas não se abre mão de um amor, assim… Ele não é infeliz, tenho certeza disso.

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Cristo, logo depois do primeiro banho de espuma

Estou tentando achar o Feliway em spray para ver se funciona com minha cambada. O de tomada eu sei que tem na lojinha da 4Patinhas, mas a casa é grande e os gatos se espalham. Talvez spray seja mais eficiente neste caso, não sei…

Toro está supimpa! Um verdadeiro milagre!

Ele foi diagnosticado com babese, falência dos rins e anemia profunda. Além disso, ao contrário do que o picareta que quase o matou havia dito, ainda não estava curado da pneumonia.

O veterinário – o bom – disse que ele só escaparia por milagre. Como já havia feito uma transfusão, o tratamento seria somente na base de remédios e alimentação reforçada. Considerando que ele nem queria comer e estava mais magro do que na foto do outro post

Fizemos o tratamento à risca e alcançamos o milagre! Depois de 20 dias, ele já estava bem melhor. Agora, uns dois meses depois de finalizado o tratamento, ele está maravilhoso! Gordo, feliz e saudável!

Dou muito crédito disso à Nikita, que o acompanhou e infernizou com tanto amor durante todo o tempo.

Aliás, o Toro está tão bem que encarou um porco espinho – perdeu – e sobreviveu.

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nikita

Pudim vai fazer 14 anos em dezembro, então, achamos que já havia passado da hora de um check up no velhote. Fizemos uns exames e uns raio-X e ele está bem, apesar de uma hérnia na bacia. Dói, mas está saudável. Rins 100%!

pudimO carcinoma da Gasolina regrediu e não deu mais sinal de vida, ainda bem!

Os outros estão todos ótimos.

 

Sobre galinhas, pintos e micos

Sigo e sou amiga de veganos no FB. Acho lindo como eles enxergam as galinhas. Animais belos e bons. Eu enxergo muito diferentemente.

Galinhas são egoístas, fazem qualquer coisa para ficarem em vantagem e comerem mais e melhor do que as outras. Elas prezam conforto e boa vida. Mães abandonam as crias ainda novinhas e indefesas, porque preferem dormir na árvore do que no ninho. Mães pisam em filhotes porque querem alcançar a comida antes deles. Mães deixam filhotes com sede e fome, porque não querem a comidinha deles – que eu coloco separadamente. Elas saem do lugar protegido e se jogam no mundo, com os piantes atrás, tentando alcançá-las. Se não conseguirem, que se danem.

As outras galinhas e galos, então… Já peguei galo comendo pintinho. Vivo. Galinha matando pinto em aterrissagens não calculadas. Galinhas beliscando pintos para que eles saiam da fila da comida. Como se fosse pouca a comida. Sobra sempre, inclusive, mas, né? Sobrevivência é isso aí.

Galinhas são arruaceiras, briguentas, barulhentas, agressivas, roubam ninho umas das outras. Isso tudo, estando livres. Tendo terra à beça pra ciscar. Meu sogro, recentemente, resgatou umas galinhas de granja, porque, quando a produção cai, elas são vendidas para abate. Ele não as quis salvar, só pensou que, apesar de pequenas, rendiam um caldo. Geralmente, elas são novinhas.

Pois, bem, ele as levou pra casa, mas teve que mantê-las longe das outras. Elas simplesmente atacavam as galinhas “de roça”. Estresse? Provavelmente. Mas as minhas, que não têm de onde tirar estresse, fazem o mesmo.

Galos brigam à toa, estupram, comem os ovos. Alguns são galantes, fazem a corte e constituem “família”, mas são raros – e os favoritos delas. A maioria, pega à força.

E toda essa introdução é para dizer que, dos 11 pintinhos, morreram 11. Desidratados, famintos e imundos. Alguns deles, pisoteados pela mãe que os protegia de algum inimigo imaginário. Chegamos tarde para o salvamento. Resgatamos 5, mas não resistiram. E eu, que prometi não interferir, bem… Descumpri.

E para me mostrar que bichos podem ser bons pais e solidários, os miquinhos que frequentam a casa enfrentaram, em grupo, uma das gatas que tentou pegar o filhotinho deles, que desceu da árvore para explorar o terreno. O filhote se salvou, a gata não o machucou – nem tentou, só ficou curiosa, mesmo – e a família saiu xingando horrores.

Galinhas caíram definitivamente no meu conceito. Micos, subiram.

INRI Cristo, o Anti-Cristo

Eu estou com um mega problema e estou atirando pra todo lado. De repente, você pode me ajudar.

Eu tive um único gato por 7 anos, o Rasputim. E, de repente, eu tinha 4.

Rasputim começou a marcar território e foi o fim do sossego. A casa virou um mijódromo, mesmo sendo TODOS castrados e, 3 deles, fêmeas. Mas a gente se acostuma vai limpando.

Mais 4 anos se passaram e, em poucos meses, apareceram mais 3 gatos na minha vida.

Rasputim, cada vez mais velho, gagá e doidão, parou de marcar território em casa, se aposentou, mas virou um velho tarado que fica tentando cruzar com qualquer outro gato da casa.

Dos três novos, uma das fêmeas, a Pixie, é mijona e anti-social. Os outros dois, Guapa e Will, são amigos.

No fim das contas, eu tinha:

• Um gato velho e pervertido – Rasputim;

• 2 gatas castradas tentando dominar o território e demarcando com xixi – Gasolina e Pixie;

• Um macho mais novo que, de vez em quando, dá uma marcadinha – Will;

• Uma fêmea, da segunda leva, tão lesada que faz xixi onde dá a vontade – Panqueca;

• E duas outras fêmeas que sabem usar a caixinha – Guapa e Biobio.

As turmas se dividem por tempo de casa. Tirando a Pixie, que não gosta de nenhum outro, os membros de cada turma se dão bem entre si, mas rivalizam a outra.

O xixi é limpável, a confusão controlável, então, vida que segue. Ou seguia…

No Natal passado, entrou mais um gato na minha casa, o INRI Cristo. Como não havia veterinário disponível, deixei-o separado, até ser testado e vacinado. E, mesmo vacinado, testado e castrado, ele continua separado, até hoje. Por que? Bom, ele é um encrenqueiro. Já bateu em todos os outros gatos, todos muito maiores do que ele. Nem sequer permite aproximação e parte pra briga. É assustador. Não sei como fazer para socializá-lo, já que ele é cattus non grato. Não posso mais deixá-lo preso no meu quarto, porque preciso viver e ele, também. E não tenho como doá-lo: eu o amo e ele é um vira-lata comum de um ano de idade.

O que eu faço com ele?!

Origami

Carol Gerber* disse que corações são fortes, não se quebram, só se dobram. O meu é um origami detalhado. Não sei se desamarrota algum dia.

Estou protovegetariana. O que quer dizer que ainda não sou vegetariana, mas vou ser.

Depois de um tempo, não há espaço para voltar, a opção é ir em frente. Eu não sou o Roberto Carlos, sou decente.

Não tolero mais cheiro de carne. Nem gosto de tocar nela. Se antes eu poderia muito bem passar um bife pro marido, agora eu saio da cozinha quando ele o faz. Não é frescura, é dor.

Dói, porque eu sei como esse “bife” viveu antes de virar almoço. Marido diz: “mas no Brasil não é assim. O gado é criado solto. Não há confinamento. E a morte é rápida”. É o nível de abstração dele, não tenho o direito de ir contra. Ainda mais, porque uso essa mesma abstração para continuar consumindo laticínios. Por enquanto…

A maioria das pessoas come carne porque faz questão de ignorar todo o processo. O “produto” chega suculento ao prato delas. Se elas soubessem os bastidores, não comeriam. Mas não sabem e, se sabem, abstraem pela gula. E não estou falando de degolar uma galinha, enquanto o corpo, sem cabeça, sai correndo. Estou falando de qualidade de vida do animal, de doenças, de remédios, de higiene, de armazenamento, de “maquiagem”, de preparo. A morte, para mim, é o menor dos problemas. Morrer faz parte. É todo o resto, é toda a “indústria do alimento” que me aterroriza.

E pior do que a indústria do alimento, hoje em dia, é a indústria da moda. Isso inclui vestimentas, cosméticos e essa poha toda que as pessoas usam para tentarem ser bonitas.

Os testes cosméticos têm sido banidos em lugares decentes. A China, sempre ela, insiste. Não entendo o porquê, além de por sadismo e desrespeito. Teste em animais não me impediram de ter alergia à Avon. Eu não sou um coelho. Ele não me representa.

Não me venha alegar que não há alternativas aos testes. Há. Muitas. Basta procurar – dá um Google aí.

Não me venha dizer que, mesmo que eu compre Natura, que não testa em animais, nada impede que o fornecedor da Natura faça os testes. Isso não é argumento. Baixar a cabeça para a violência, porque combatê-la parece impossível, nunca foi saída. Eu tento.

A saída talvez não seja assinar petições, mas eu as assino mesmo assim. Fazer pouco é melhor do que não fazer nada e criticar quem, pelo menos, faz algo. A saída talvez não seja o boicote às marcas que usam animais de alguma forma, já que é praticamente impossível se livrar delas – até absorventes higiênicos são testados em animais. E pra quê?!

A saída é, sempre, a conscientização. A saída é o amor.

No Facebook, tenho seguido a página do Anti-Fur Society. Acho que eles erram na abordagem. Eu fico chocada, escandalizada, aos prantos com algumas postagens, mas eu não uso peles – ou qualquer tipo de couro, seda ou lã -, eu não sou o alvo. O alvo nem olha e, ainda, reclama da violência das imagens. Às vezes, os membros da Anti-Fur são agressivos e infantis, mas eu tento entender. Impotência e horror destroem camadas de racionalidade. E o que se tem visto por aí é de se duvidar da razão, é de quebrar o mais forte dos corações.

Mas o problema deste mundo são os corações fúteis, frios e duros.

Não vou ilustrar este post com imagens chocantes, não vou falar sobre chineses ou sobre caçadores. Você tem direito ao seu nível de abstração. Mas vou pedir, por favor:

Diga não ao uso de peles, mesmo as “faux”. Tem muito gato, cão e lebre sendo vendidos como sintéticos, porque são mais baratos, já que matar e esfolar não requer tecnologia. Um dos ratinhos dos meus gatos é feito de pele natural – descobri isso um dia desses… Animais sofrem muitíssimo para enfeitar roupas e acessórios. Isso não é certo.

 anti-furVocê pode viver sem minha pele. Mas eu, não.

E, na medida do possível, se liberte das abstrações. Eu sei que viver neste mundo não é fácil, não mesmo. Mas só é tão duro, porque há gente demais usando venda. Quando as pessoas se libertarem do medo, da preguiça, do comodismo e da vaidade besta, o mundo terá uma chance. E eu queria muito de ter a chance de ver isso acontecer…

* Personagem em Corações na Atlântida, do Stephen King. Amei o livro.

Meu reality show

Eu queria muito ter meu próprio reality show. Iria ser muito bom. Minha vida é um drama sem fim só pra mim. As outras pessoas parecem se divertir com ela, então, por que não capitalizar? Minha grana é sempre curta, mesmo.

O tema da abertura da primeira temporada poderia ser aquela música do KLB, que diz: “vida, devolva minhas fantasias”, etc.

Ele se chamaria Farmília e mostraria, com bastante edição, o que é ter uma agência de publicidade em Itaúna, repleta de bichos, insanidade e dramas.

Agora mesmo, o Toro está internado por causa da bicheira. A assistente do veterinário me disse: “não fica assim, a culpa não é sua”. Sorri para não dizer: “eu sei. A culpa é do seu patrão açougueiro.”

A Nikita está desconsolada sem o Toro. Sou uma cat person extremamente cansada e não dou conta de lidar com energia e carência de cachorro.

A Gasolina está com câncer de pele no nariz. E, desta vez, a culpa é minha, que nunca passei filtro solar nela, mesmo sabendo que ela curte ficar ao sol.

IMG_0600Remelenta, porque o veterinário pediu para não limpar antes de saber do que se tratava, já que poderia ser algo contagioso.

Do punhado de pintinho que nasceu, só tem um punhadinho. Hoje, nasceram mais, e já morreu, pelo menos, um. Teve parte da cabeça arrancada. Quem matou?! Pode ter sido o galo que peguei em flagrante no ninho. Pode ter sido tiú (ou teiú), já que a Gasolina encontrou um baita de um filhote. Pode ter sido mico. Até camundongo, não descarto.

Galinhas são bichos muito estranhos. As melhores cenas seriam protagonizadas por elas. É muita loucura e tumulto por muito pouco.

E “temos” micos. E eu os odeio. Muito! Parecem gente, aquelas pragas. Parecem MST dando rolezinho. Saqueiam e sacaneam as galinhas. Invadiram e se sentem à vontade na minha casa. Comem os ovos, comem os pintinhos, comem as frutas todas do pomar, empesteiam a casa com pulgas, assoviam o tempo todo. E o Ibama nem me deixa matá-los… Micos, eu mataria… Odeio-os.

Cristo, o gato novo, não se adaptou aos outros. E o pior é que, ao contrário de todas as outras aquisições, a culpa é dele. Todo mundo ficou de boa, tranquilo, com aquela cara de: “mais um, sei…”. E ele fingiu de legal e atacou todos, um por um. Tocou o terror e ganhou a alcunha de Anti-Cristo. Está aqui, sendo lindo e fofo comigo, trancado num cômodo, esperando o Sr. Limite chegar.

E ainda tem os outros gatos, loucos e divertidos, fazendo coisas de gatos. E eu, louca e histérica, tentando por ordem nesse imenso galinheiro que é minha farmília.

Você assistiria e comentaria no Twitter e no FB. Certeza!

P.S.: querido Ibama, ninguém matou o tiú. Nós o capturamos e soltamos no bairro de rico seguinte, porque há de ter comida lá. Lixo, tem.

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lixo

Microcosmo

Há um pombo doente no meu quintal. Não o quero aqui, mas não consegui convencê-lo disso. Ele saiu da minha casa, pela porta da frente, mas entrou novamente. É um belo lugar para um pombo doente: tem abrigo, tem comida e um monte de gatos com calor demais para caçar pombo.

Há um punhado de pintinhos novos pela casa. O Toro resolveu não comer os que nasceram do lado dele. A mesma galinha que resgatei em setembro, mal criou os sobreviventes e voltou a viver perigosamente. Foi chocar quase que no mesmo lugar. Nasceram ontem e, ontem, contei 7. São 5, hoje. Ok. Ela é péssima mãe. Dos 11 que salvei, vivem 5, e só porque os continuei salvando.

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Em outra parte da casa, uma galinha roubou o ninho da outra. A roubada, inconformada, ficou por perto, possivelmente para avacalhar. Nasceram dois e fui colocar comida pros pequenos; ela me atacou. Consegui desviar – já sou craque, nisso -, mas fiquei furiosa. Principalmente, porque ela fez tanto estardalhaço, que a outra galinha, a mãe de fato – os ovos eram dela – , saiu do ninho e largou os pintinhos, novinhos, indefesos. A louca ficou atirando os ovos que ainda estavam por chocar, pra fora. Haja saco. Toquei a galinha, sem nenhum jeitinho, e pus os ovos pra dentro. Esperei a mãe voltar. Pus comida.

Cheguei lá, agora, para ver se estavam bem. Não. Nasceram mais dois, mas um deles estava fora do ninho, muito machucado, sujo, gelado. Achei que estivesse morto, mas ainda não. Agorinha mesmo, digito com um só mão, para que a outra aqueça o pobrezinho. Não sei se vai sobreviver, mas não quero que morra se sentindo abandonado. Sou destas.

E sou do tipo que marcou bem a sem-vergonha. Ela vai morrer.

Os pernilongos estão se divertindo às custas do meu sangue.

A Gasolina está com uma ferida enorme no nariz, que o veterinário disse ser câncer. “Tem certeza?”. “Não”. Então, por que me apavorar?! Quarta, vamos fazer o exame. Até o resultado, eu morro um pouquinho todo dia…

O Toro está com berne e não sei lidar com isso.

Pudim está gagá, andando prum lado e pro outro, sem rumo, miando, dia e noite.

Will sumindo, todo santo dia.

Tudo isso parece uma bobagem tão grande, né?! Mas pesa. Ainda mais quando se resolve andar na esteira e se liga a TV. 15 minutos. Desliguei as duas. Ver crianças morrendo queimadas em ônibus me deixou muito mal.

É uma tremenda maldade ser largado neste mundo sem sequer um manual de funcionamento. Se eu tivesse pelo menos uma pista, uma ideia dos porquês, do sentido disso tudo, talvez fosse mais fácil passar pelas etapas. Andar às cegas, supondo sempre, é o que me apavora. Morrer faz parte. Detesto, mas de que isso adianta?… Viver, até as pequenas coisinhas, é que complicado…

Atualização (08/01): o Toro estava com mais de 200 larvas comendo a perna dele. Ele não chora, ele não reclama, eu não presto atenção… O pombo doente foi comido pelas galinhas. Sobraram só as asas. O pintinho não sobreviveu e acho que a culpa foi minha… A taxa de “agiotagem” para conseguir o exame da Gasolina antes de 15 dias é de R$ 70,00.