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Categoria: ‘animais e outros bichos’

  1. Sobre galinhas, pintos e micos

    7 de março de 2014

    Sigo e sou amiga de veganos no FB. Acho lindo como eles enxergam as galinhas. Animais belos e bons. Eu enxergo muito diferentemente.

    Galinhas são egoístas, fazem qualquer coisa para ficarem em vantagem e comerem mais e melhor do que as outras. Elas prezam conforto e boa vida. Mães abandonam as crias ainda novinhas e indefesas, porque preferem dormir na árvore do que no ninho. Mães pisam em filhotes porque querem alcançar a comida antes deles. Mães deixam filhotes com sede e fome, porque não querem a comidinha deles – que eu coloco separadamente. Elas saem do lugar protegido e se jogam no mundo, com os piantes atrás, tentando alcançá-las. Se não conseguirem, que se danem.

    As outras galinhas e galos, então… Já peguei galo comendo pintinho. Vivo. Galinha matando pinto em aterrissagens não calculadas. Galinhas beliscando pintos para que eles saiam da fila da comida. Como se fosse pouca a comida. Sobra sempre, inclusive, mas, né? Sobrevivência é isso aí.

    Galinhas são arruaceiras, briguentas, barulhentas, agressivas, roubam ninho umas das outras. Isso tudo, estando livres. Tendo terra à beça pra ciscar. Meu sogro, recentemente, resgatou umas galinhas de granja, porque, quando a produção cai, elas são vendidas para abate. Ele não as quis salvar, só pensou que, apesar de pequenas, rendiam um caldo. Geralmente, elas são novinhas.

    Pois, bem, ele as levou pra casa, mas teve que mantê-las longe das outras. Elas simplesmente atacavam as galinhas “de roça”. Estresse? Provavelmente. Mas as minhas, que não têm de onde tirar estresse, fazem o mesmo.

    Galos brigam à toa, estupram, comem os ovos. Alguns são galantes, fazem a corte e constituem “família”, mas são raros – e os favoritos delas. A maioria, pega à força.

    E toda essa introdução é para dizer que, dos 11 pintinhos, morreram 11. Desidratados, famintos e imundos. Alguns deles, pisoteados pela mãe que os protegia de algum inimigo imaginário. Chegamos tarde para o salvamento. Resgatamos 5, mas não resistiram. E eu, que prometi não interferir, bem… Descumpri.

    E para me mostrar que bichos podem ser bons pais e solidários, os miquinhos que frequentam a casa enfrentaram, em grupo, uma das gatas que tentou pegar o filhotinho deles, que desceu da árvore para explorar o terreno. O filhote se salvou, a gata não o machucou – nem tentou, só ficou curiosa, mesmo – e a família saiu xingando horrores.

    Galinhas caíram definitivamente no meu conceito. Micos, subiram.


  2. INRI Cristo, o Anti-Cristo

    27 de fevereiro de 2014

    Eu estou com um mega problema e estou atirando pra todo lado. De repente, você pode me ajudar.

    Eu tive um único gato por 7 anos, o Rasputim. E, de repente, eu tinha 4.

    Rasputim começou a marcar território e foi o fim do sossego. A casa virou um mijódromo, mesmo sendo TODOS castrados e, 3 deles, fêmeas. Mas a gente se acostuma vai limpando.

    Mais 4 anos se passaram e, em poucos meses, apareceram mais 3 gatos na minha vida.

    Rasputim, cada vez mais velho, gagá e doidão, parou de marcar território em casa, se aposentou, mas virou um velho tarado que fica tentando cruzar com qualquer outro gato da casa.

    Dos três novos, uma das fêmeas, a Pixie, é mijona e anti-social. Os outros dois, Guapa e Will, são amigos.

    No fim das contas, eu tinha:

    • Um gato velho e pervertido – Rasputim;

    • 2 gatas castradas tentando dominar o território e demarcando com xixi – Gasolina e Pixie;

    • Um macho mais novo que, de vez em quando, dá uma marcadinha – Will;

    • Uma fêmea, da segunda leva, tão lesada que faz xixi onde dá a vontade – Panqueca;

    • E duas outras fêmeas que sabem usar a caixinha – Guapa e Biobio.

    As turmas se dividem por tempo de casa. Tirando a Pixie, que não gosta de nenhum outro, os membros de cada turma se dão bem entre si, mas rivalizam a outra.

    O xixi é limpável, a confusão controlável, então, vida que segue. Ou seguia…

    No Natal passado, entrou mais um gato na minha casa, o INRI Cristo. Como não havia veterinário disponível, deixei-o separado, até ser testado e vacinado. E, mesmo vacinado, testado e castrado, ele continua separado, até hoje. Por que? Bom, ele é um encrenqueiro. Já bateu em todos os outros gatos, todos muito maiores do que ele. Nem sequer permite aproximação e parte pra briga. É assustador. Não sei como fazer para socializá-lo, já que ele é cattus non grato. Não posso mais deixá-lo preso no meu quarto, porque preciso viver e ele, também. E não tenho como doá-lo: eu o amo e ele é um vira-lata comum de um ano de idade.

    O que eu faço com ele?!


  3. Origami

    21 de fevereiro de 2014

    Carol Gerber* disse que corações são fortes, não se quebram, só se dobram. O meu é um origami detalhado. Não sei se desamarrota algum dia.

    Estou protovegetariana. O que quer dizer que ainda não sou vegetariana, mas vou ser.

    Depois de um tempo, não há espaço para voltar, a opção é ir em frente. Eu não sou o Roberto Carlos, sou decente.

    Não tolero mais cheiro de carne. Nem gosto de tocar nela. Se antes eu poderia muito bem passar um bife pro marido, agora eu saio da cozinha quando ele o faz. Não é frescura, é dor.

    Dói, porque eu sei como esse “bife” viveu antes de virar almoço. Marido diz: “mas no Brasil não é assim. O gado é criado solto. Não há confinamento. E a morte é rápida”. É o nível de abstração dele, não tenho o direito de ir contra. Ainda mais, porque uso essa mesma abstração para continuar consumindo laticínios. Por enquanto…

    A maioria das pessoas come carne porque faz questão de ignorar todo o processo. O “produto” chega suculento ao prato delas. Se elas soubessem os bastidores, não comeriam. Mas não sabem e, se sabem, abstraem pela gula. E não estou falando de degolar uma galinha, enquanto o corpo, sem cabeça, sai correndo. Estou falando de qualidade de vida do animal, de doenças, de remédios, de higiene, de armazenamento, de “maquiagem”, de preparo. A morte, para mim, é o menor dos problemas. Morrer faz parte. É todo o resto, é toda a “indústria do alimento” que me aterroriza.

    E pior do que a indústria do alimento, hoje em dia, é a indústria da moda. Isso inclui vestimentas, cosméticos e essa poha toda que as pessoas usam para tentarem ser bonitas.

    Os testes cosméticos têm sido banidos em lugares decentes. A China, sempre ela, insiste. Não entendo o porquê, além de por sadismo e desrespeito. Teste em animais não me impediram de ter alergia à Avon. Eu não sou um coelho. Ele não me representa.

    Não me venha alegar que não há alternativas aos testes. Há. Muitas. Basta procurar – dá um Google aí.

    Não me venha dizer que, mesmo que eu compre Natura, que não testa em animais, nada impede que o fornecedor da Natura faça os testes. Isso não é argumento. Baixar a cabeça para a violência, porque combatê-la parece impossível, nunca foi saída. Eu tento.

    A saída talvez não seja assinar petições, mas eu as assino mesmo assim. Fazer pouco é melhor do que não fazer nada e criticar quem, pelo menos, faz algo. A saída talvez não seja o boicote às marcas que usam animais de alguma forma, já que é praticamente impossível se livrar delas – até absorventes higiênicos são testados em animais. E pra quê?!

    A saída é, sempre, a conscientização. A saída é o amor.

    No Facebook, tenho seguido a página do Anti-Fur Society. Acho que eles erram na abordagem. Eu fico chocada, escandalizada, aos prantos com algumas postagens, mas eu não uso peles – ou qualquer tipo de couro, seda ou lã -, eu não sou o alvo. O alvo nem olha e, ainda, reclama da violência das imagens. Às vezes, os membros da Anti-Fur são agressivos e infantis, mas eu tento entender. Impotência e horror destroem camadas de racionalidade. E o que se tem visto por aí é de se duvidar da razão, é de quebrar o mais forte dos corações.

    Mas o problema deste mundo são os corações fúteis, frios e duros.

    Não vou ilustrar este post com imagens chocantes, não vou falar sobre chineses ou sobre caçadores. Você tem direito ao seu nível de abstração. Mas vou pedir, por favor:

    Diga não ao uso de peles, mesmo as “faux”. Tem muito gato, cão e lebre sendo vendidos como sintéticos, porque são mais baratos, já que matar e esfolar não requer tecnologia. Um dos ratinhos dos meus gatos é feito de pele natural – descobri isso um dia desses… Animais sofrem muitíssimo para enfeitar roupas e acessórios. Isso não é certo.

     anti-furVocê pode viver sem minha pele. Mas eu, não.

    E, na medida do possível, se liberte das abstrações. Eu sei que viver neste mundo não é fácil, não mesmo. Mas só é tão duro, porque há gente demais usando venda. Quando as pessoas se libertarem do medo, da preguiça, do comodismo e da vaidade besta, o mundo terá uma chance. E eu queria muito de ter a chance de ver isso acontecer…

    * Personagem em Corações na Atlântida, do Stephen King. Amei o livro.


  4. Micos

    24 de janeiro de 2014

    Impossível odiar os micos por muito tempo. Eles são pequenos marginais, mas não chegam a ser um Bieber. São simpáticos, bonitinhos, cativantes. Não firmei amizade – e nem vou -, mas também não quero mais a caveira deles.

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  5. Meu reality show

    19 de janeiro de 2014

    Eu queria muito ter meu próprio reality show. Iria ser muito bom. Minha vida é um drama sem fim só pra mim. As outras pessoas parecem se divertir com ela, então, por que não capitalizar? Minha grana é sempre curta, mesmo.

    O tema da abertura da primeira temporada poderia ser aquela música do KLB, que diz: “vida, devolva minhas fantasias”, etc.

    Ele se chamaria Farmília e mostraria, com bastante edição, o que é ter uma agência de publicidade em Itaúna, repleta de bichos, insanidade e dramas.

    Agora mesmo, o Toro está internado por causa da bicheira. A assistente do veterinário me disse: “não fica assim, a culpa não é sua”. Sorri para não dizer: “eu sei. A culpa é do seu patrão açougueiro.”

    A Nikita está desconsolada sem o Toro. Sou uma cat person extremamente cansada e não dou conta de lidar com energia e carência de cachorro.

    A Gasolina está com câncer de pele no nariz. E, desta vez, a culpa é minha, que nunca passei filtro solar nela, mesmo sabendo que ela curte ficar ao sol.

    IMG_0600Remelenta, porque o veterinário pediu para não limpar antes de saber do que se tratava, já que poderia ser algo contagioso.

    Do punhado de pintinho que nasceu, só tem um punhadinho. Hoje, nasceram mais, e já morreu, pelo menos, um. Teve parte da cabeça arrancada. Quem matou?! Pode ter sido o galo que peguei em flagrante no ninho. Pode ter sido tiú (ou teiú), já que a Gasolina encontrou um baita de um filhote. Pode ter sido mico. Até camundongo, não descarto.

    Galinhas são bichos muito estranhos. As melhores cenas seriam protagonizadas por elas. É muita loucura e tumulto por muito pouco.

    E “temos” micos. E eu os odeio. Muito! Parecem gente, aquelas pragas. Parecem MST dando rolezinho. Saqueiam e sacaneam as galinhas. Invadiram e se sentem à vontade na minha casa. Comem os ovos, comem os pintinhos, comem as frutas todas do pomar, empesteiam a casa com pulgas, assoviam o tempo todo. E o Ibama nem me deixa matá-los… Micos, eu mataria… Odeio-os.

    Cristo, o gato novo, não se adaptou aos outros. E o pior é que, ao contrário de todas as outras aquisições, a culpa é dele. Todo mundo ficou de boa, tranquilo, com aquela cara de: “mais um, sei…”. E ele fingiu de legal e atacou todos, um por um. Tocou o terror e ganhou a alcunha de Anti-Cristo. Está aqui, sendo lindo e fofo comigo, trancado num cômodo, esperando o Sr. Limite chegar.

    E ainda tem os outros gatos, loucos e divertidos, fazendo coisas de gatos. E eu, louca e histérica, tentando por ordem nesse imenso galinheiro que é minha farmília.

    Você assistiria e comentaria no Twitter e no FB. Certeza!

    P.S.: querido Ibama, ninguém matou o tiú. Nós o capturamos e soltamos no bairro de rico seguinte, porque há de ter comida lá. Lixo, tem.

    tiu

    lixo


  6. Microcosmo

    6 de janeiro de 2014

    Há um pombo doente no meu quintal. Não o quero aqui, mas não consegui convencê-lo disso. Ele saiu da minha casa, pela porta da frente, mas entrou novamente. É um belo lugar para um pombo doente: tem abrigo, tem comida e um monte de gatos com calor demais para caçar pombo.

    Há um punhado de pintinhos novos pela casa. O Toro resolveu não comer os que nasceram do lado dele. A mesma galinha que resgatei em setembro, mal criou os sobreviventes e voltou a viver perigosamente. Foi chocar quase que no mesmo lugar. Nasceram ontem e, ontem, contei 7. São 5, hoje. Ok. Ela é péssima mãe. Dos 11 que salvei, vivem 5, e só porque os continuei salvando.

    galinha-louca

    Em outra parte da casa, uma galinha roubou o ninho da outra. A roubada, inconformada, ficou por perto, possivelmente para avacalhar. Nasceram dois e fui colocar comida pros pequenos; ela me atacou. Consegui desviar – já sou craque, nisso -, mas fiquei furiosa. Principalmente, porque ela fez tanto estardalhaço, que a outra galinha, a mãe de fato – os ovos eram dela – , saiu do ninho e largou os pintinhos, novinhos, indefesos. A louca ficou atirando os ovos que ainda estavam por chocar, pra fora. Haja saco. Toquei a galinha, sem nenhum jeitinho, e pus os ovos pra dentro. Esperei a mãe voltar. Pus comida.

    Cheguei lá, agora, para ver se estavam bem. Não. Nasceram mais dois, mas um deles estava fora do ninho, muito machucado, sujo, gelado. Achei que estivesse morto, mas ainda não. Agorinha mesmo, digito com um só mão, para que a outra aqueça o pobrezinho. Não sei se vai sobreviver, mas não quero que morra se sentindo abandonado. Sou destas.

    E sou do tipo que marcou bem a sem-vergonha. Ela vai morrer.

    Os pernilongos estão se divertindo às custas do meu sangue.

    A Gasolina está com uma ferida enorme no nariz, que o veterinário disse ser câncer. “Tem certeza?”. “Não”. Então, por que me apavorar?! Quarta, vamos fazer o exame. Até o resultado, eu morro um pouquinho todo dia…

    O Toro está com berne e não sei lidar com isso.

    Pudim está gagá, andando prum lado e pro outro, sem rumo, miando, dia e noite.

    Will sumindo, todo santo dia.

    Tudo isso parece uma bobagem tão grande, né?! Mas pesa. Ainda mais quando se resolve andar na esteira e se liga a TV. 15 minutos. Desliguei as duas. Ver crianças morrendo queimadas em ônibus me deixou muito mal.

    É uma tremenda maldade ser largado neste mundo sem sequer um manual de funcionamento. Se eu tivesse pelo menos uma pista, uma ideia dos porquês, do sentido disso tudo, talvez fosse mais fácil passar pelas etapas. Andar às cegas, supondo sempre, é o que me apavora. Morrer faz parte. Detesto, mas de que isso adianta?… Viver, até as pequenas coisinhas, é que complicado…

    Atualização (08/01): o Toro estava com mais de 200 larvas comendo a perna dele. Ele não chora, ele não reclama, eu não presto atenção… O pombo doente foi comido pelas galinhas. Sobraram só as asas. O pintinho não sobreviveu e acho que a culpa foi minha… A taxa de “agiotagem” para conseguir o exame da Gasolina antes de 15 dias é de R$ 70,00.


  7. Implicância

    27 de dezembro de 2013

    Gatos são animais lindos, não importa raça. Para o convívio, eu, particularmente, prefiro os de pelos curtos, mais fácil de lidar, e vira-latas, menos propensos a doenças genéticas. Cor? Gosto de pretos, básicos, clássicos. Prefiro as fêmeas, que são menos peraltas, e pegar ainda filhote, porque filhote de gato é vida!

    Mas, apesar da minha preferência, temos duas de pelo longo, dois machos e nenhum pretinho. Só a Pixie – e o Santa, se for ficar – chegou adulta. Isso aconteceu porque eu não escolho gato. Eu fico com os que me aparecem, os que me escolhem. Prefiro assim. Se vou bancar a dona, que seja a dona que eles escolheram ter. E a vida vai bem, obrigada.

    As pessoas mais rasinhas escolhem gato pela aparência. Gatos têm, para elas, que ser lindos. Gato ostentação! Ok. Há outras que gostam de característica próprias de algumas raças, seja física ou comportamental. Ok, também. Desde que tratem direitinho, protegendo, amando, cuidando, castrando e não inventando de abandonar, a motivação da pessoa é o que menos me importa.

    Pessoas têm suas preferências, fazer o quê? Sei que em São Paulo, pelo menos, na ONG Adote Um Gatinho, os pretinhos são preteridos. No Rio, na 4Patinhas, são os frajolas – gatos preto e branco – que ficam para trás. São muito comuns… Em Itaúna, se não tiver raça – ou, pelo menos, “cara de raça” – , difícil encontrar quem queira… Mas, em qualquer lugar, coloque um persa ou sialata - siamês vira-lata – ou uma gata toda amarela – raríssima – ou um gato todo branco com olhos azuis para adoção para ver se não dá briga entre pretendentes. Dá.

    Por isso tudo que acho esta campanha, que tem rolado há um tempo, imbecil:

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    Na minha opinião, ela não faz nada além de confirmar o preconceito, afinal, pessoas são escolhidas ou preteridas pela cor de cabelo e/ou pele o tempo todo.

    Sinta-se totalmente confortável em discordar de mim, principalmente – mas não exclusivamente – se seu coração se encheu de amor e você decidiu, agora mesmo, que quer um gato escaminha para todo o sempre. E, Sávio, se por causa deste post você decidir namorar uma ruiva, lhe perdoarei por tudo o que você me disse na 8ª série!

    E para quem não sabe, gato escaminha são esses de pelagem mesclada, geralmente preta e marrom. Minha avó chamaria de “pano queimado”. A Pixie, minha gata feiosa, é mescla de tigrado com escaminha, ou seja, ela mistura estampas. Há quem ache a Pixie linda, há quem ache escaminhas lindos. Mas, para a maioria, é um gato comum e/ou esquisito. Não é, definitivamente, uma padronagem popular.

    Eu continuo achando que tanto faz a pelagem. Mas, se as escaminhas são as mais rejeitadas da vida, que tal promover a excentricidade, a diferença, a exclusividade – já que os padrões dificilmente se repetirão -, o quanto você é mais bonito ao lado de uma gato feio, o quanto você é mais legal por tê-lo escolhido, sei lá, qualquer psicologismo mais eficiente do que comparar o pobre do gato a uma ruiva.


  8. Há de enlouquecer-se

    Imagina o desespero: a última vez que você viu seu gato, foi às 7:30 da manhã. Ele saiu pela sua janela e nunca mais voltou. Tudo bem. Nunca mais é muito tempo. Mas eram 20h e estava armando uma tempestade de filme “Poltergeist”. Pipocavam um sem número de trovões. Sem tempo de manifestarem-se individualmente, eles rugiam todos juntos. Era tal qual estar dentro de um avião, só que com muito vento e chuva.

    Meu bisa costumava falar que “muito peido é sinal de pouca bosta” e tentei acreditar, já que era muito “peido” de verdade. Mas quando veio a “bosta”!… Foi muita!

    E nada de Will.

    Ele devia estar na laje, sob o telhado da casa. Só pode. Não tem como ele sair da casa. Os stray cats que entram aqui, passam por arame de contenção para muro - aquela porcaria enrolada, cheio de navalhinha – e cercas elétricas dos amados vizinhos. Meu gato é de casa, mimado, não passa por isso, porque não precisa. Mas nada me impediu de surtar. Quero dizer, quase nada.

    Numa última tentativa, abri a porta da frente e fui procurá-lo no jardim. Vai que. Nisso, entra um gato. Não qualquer gato, mas um gato que andava visitando meu quarto, desde o Natal. Quando fechei a porta, lá estava ele, na sala.

    IMG_0510Manhã de Natal e Santa cheirando as toalhas que iam ser lavadas. Em primeiro plano, Pudim!

    Pus comida, água e caixa de areia para o sacudo e tentei firmar amizade. Ele comeu, usou a caixa, mas não quis saber de mim. Tá lá, na sala, agora mesmo, dormindo dentro do sofá, depois de ter passado a noite destruindo as persianas…

    persianas

    E foi quando eu ia indo levar a caixa de areia pro Santa – como ele chegou pela primeira vez no natal, com um saco gigante, o apelidei de Santa Claws, ou Papai Garras! – que vi Will, do lado de fora da janela, totalmente molhado. Abri e ele entrou, como se estivesse tudo supernormal. Fanfarrão!

    A chuva passou, transpôs o asfalto da rua para meu passeio, arrancou galhos das árvores, não matou minhas galinhas e trouxe mais um amiguinho. Sim, este vaga-lume!

    IMG_0547 Me falta uma macro boa e talento, eu sei, mas eu não sou fotógrafa e não preciso!!

    E enquanto tudo isso acontecia, a Panqueca estava fechada no quarto de roupas. Ninguém se lembrou dela e ela passou a noite lá…

    panqueca


  9. S.O.S.

    7 de dezembro de 2013

    Se estivesse ao meu alcance, eu ajudaria todo e qualquer bichinho que precisasse de ajuda. Mas meus braços são curtos para o tanto do mundo que eu gostaria de abraçar. Por isso, optei por cuidar do que cabe no meu comprimento. Temos em casa 7 gatos, sendo 6 resgatados. Alimentamos pelo menos 3 gatos andarilhos, que jantam na área de serviço. Temos um “cachorro idiota” – referência ao Covarde, ok? – que precisa de um outro cachorro para aprender como é que é – estamos providenciando. Temos gastos enormes com isso e nos viramos, porque não é só comida, é comida, antipulgas, vermífugo, vacinas e consultas no veterinário. É caro ter muito bicho em casa.

    Assim, raramente ajudo financeiramente outros responsáveis por bichos. Principalmente, porque me falta grana para isso. Sei que, numa vaquinha, doar pouquinho já ajuda, que de grão em grão se chega lá. Mas a regra é a mesma para quem doa: se eu doar um porquinho para cada, e é sempre muita gente precisando, fica pesado para mim. E não quero/posso/tenho condições de escolher/priorizar quem merece mais.

    De qualquer forma, compartilho, sempre que acho pertinente, os pedidos de ajuda. Aí, sim, eu tenho como definir quem vai ou não levar meu “compartilhar”.

    Meu critério é:

    1. Eu tenho que ver o pedido. Por mais incrível que possa parecer, eu não fico 24 horas por dia no Facebook e, apesar de ter bem poucos amigos em relação à maioria das pessoas, nem sempre o post de um amigo me aparece na timeline. Coisas do Facebook. Ele prioriza as pessoas com quem mais demonstro afinidades e, mesmo assim, às vezes, falha.

    Então, entenda: posts são perenes. Não espere que todo mundo veja. E o Facebook é louco, sem critério e nem sempre mostra seu post aos outros.

    2. Eu tenho que ter condições de ajudar.

    Se não tenho amigos que se interessam por bichos na região de onde vem o pedido de resgate; adotante; transfusão de sangue; mãe de leite; “procura-se” ou lar temporário, não costumo compartilhar. Simplesmente, porque as chances de meus compartilhamentos ficarem ao léu são enormes. E o que tem isso? Quanto mais eu lotar minha timeline com pedidos de ajuda, menos gente disposta a ajudar eu vou ter.

    É sério. As pessoas começam a pensar: “lá vem a louca dos gatos, de novo” e me ignoram. Claro que muita gente nem vê meus posts pelo motivo nº 1, aqui de cima, mas muita gente vê e deixa pra lá. Se o objetivo é sensibilizar, a dose cavalar faz efeito contrário. O negócio é ser homeopático.

    Ok. E daí?! Daí que este post só existe porque tenho visto tanta gente reclamando, esbravejando, praguejando e ameaçando cortar relações contra pessoas que não doam/compartilharam posts, que eu mesma comecei a ficar com antipatia.

    Veja bem, a obrigação e responsabilidade é única e exclusiva de quem se meteu a criar/resgatar um bicho. E, mesmo assim, há inúmeras pessoas folgando e exigindo deslocar a obrigação para outros.

    Tem gente que resgata e corre para uma ONG exigindo que ela tome conta do caso. Tem gente que recolhe um cão paralítico na rua e corre para o Facebook, faz uma página e exige que os outros paguem pelas fraldas e ração. Tem gente que acha que só compartilhar o post não demonstra amor a bichos e exige que você pague por alguma despesa para provar que ama. Eu penso que cada um deveria cuidar do seu cada um e parar de exigir dos outros.

    Penso que, em caso de desemprego, falência, emergência, eu recorreria primeiramente a meus parentes e amigos muito muito chegados antes de recorrer a pessoas no Facebook. Mas não digo que recorrer a pessoas do Facebook ou a ONGs ou a comunidades protetoras seja errado. Errado é transferir para os outros a total responsabilidade que supostamente você tomou para si. Errado é tirar o corpo fora e colocar todo mundo na sua fogueira.

    Então, vamos todos com calma, que solidariedade não é algo que se toma à força. Conquiste a ajuda com mérito e carinho, não com dedo na cara. E faça sua parte sem impor que os outros tomem parte junto com você.

    Sei o quanto é terrível e devastador se sentir incapaz por causa de uma bobagem como dinheiro, mas ou se revoluciona o mundo em que vivemos ou se aceita que a coisa funciona como funciona. Em todo caso, é incrível o quanto tem gente disposta a ajudar, se você pedir com jeito.

    No mais, castre seus bichos; tele sua casa, caso tenha gato, para que ele não tenha acesso à rua; não misture bicho novo, que ainda não foi examinado/vacinado com os bichos da casa; não deixe seu cachorro escapar para a rua; não abrace causas que você não dá conta de lidar e seja feliz.

     

     


  10. O gato é meu!

    9 de novembro de 2013

    Um tempo atrás, por causa das inúmeras postagens sobre abandono de gatos pelos motivos mais imbecis, traduzi um post do Geminites para o 4Patinhas e coloquei na página destes. Tudo lindo, até que alguém da patrulha do politicamente correto para gatos comentou: “Só achei errado a frase final…’não sou seu gato’…ele nunca foi e nunca será, não somos donos, somos companheiros nessa vida.”

    gato

    Acho uma bobagem esta história de não ser o dono de um gato. Por que não? Eles nem se ofendem com semântica. Gatos são seres vivos, mas, perante a Lei, podem ser propriedade. Os meus não são livres e independentes. Eu não os deixo ser!

    Mas há situações em que você se vê como o dono do gato, mas ele não é seu.

    O gato não é seu quando você o alimenta com restos de comida e não se importa em comprar ração e petiscos de qualidade, com baixo nível de sódio, que não tenham sido feitos na China, para que ele viva muito e bem.

    O gato não é seu quando você não o castra, porque é um miserável mão-de-vaca que não se importa se as consequências disso forem tumores, brigas violentas na vizinhança e bebês.

    O gato não é seu quando você não se certifica de que ele está em segurança na sua casa, que, não por acaso, deve ter tela nas janelas e/ou proteção nos muros e árvores.

    Não é seu quando você não o vacina, não cuida da saúde dele. Quando você vai à farmácia comprar paracetamol em vez de consultar um veterinário.

    Definitivamente, o gato não é seu quando você não se dedica a ele o suficiente para que ele o seja.

    Os meus gatos são meus! E para sempre.


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