Quero voltar pra casa

Em setembro, faz 8 anos que saí de Belo Horizonte.

Na época, a cidade estava caótica. O trânsito não fluía, os ônibus viviam lotados em qualquer hora do dia, a violência e a sujeira aumentavam. Se não bastasse, eu detestava meu emprego e meu namorado - atual marido – estava com Síndrome do Pânico, o que piorava tudo. Quando ele decidiu que vir para Itaúna seria o melhor para ele e quis que eu viesse junto, topei sem nem pensar.

Eu deveria ter pensado. Ter mais de 30 e ainda viver na casa dos pais – no meu caso, da avó – não é legal. É cômodo, é barato, é prático, é gostoso, mas não é “adulto”. E a tentativa de me tornar adulta, na verdade, foi o que mais me encantou. E me ferrou.

Não porque eu não goste de Itaúna – e realmente não gosto, por N motivos. Não gostar da cidade em que se mora não ferra ninguém. Mas os N motivos ferram e, faz tempo, eu me arrependo amargamente de ter vindo parar aqui. E piora: eu, simplesmente, não consigo sair daqui, nem a passeio.

Ter 8 gatos e não ter plena segurança para eles, me prende à casa. Não tenho mais alguém de confiança para olhá-los se eu tiver que me ausentar. Então, não me ausento. E não dá para carregá-los debaixo do braço nas inúmeras horas que me bate a vontade de bater em retirada. Não tenho para onde levar nem sequer os 4 que são exclusivamente meus. Não tenho grana nem pro caminhão de mudança.

É fato, a cidade me empobreceu. Em termos de dinheiro, nunca vi tanta desvalorização do meu trabalho e tanto calote, tanta má vontade em pagar. As pessoas ficam furiosas por receber notas fiscais – o que, diga-se de passagem, a Lei exige quando se presta um serviço – como se elas representassem um dedo na cara acusando uma dívida. Teve um cara de pau que nos respondeu com: “quer receber? Arrume um advogado. Só se lembre que EU sou advogado e, pra mim, sai de graça”. E essa criatura tem a pachorra de me cumprimentar e querer dar 3 beijinhos toda vez que a gente se encontra nessa cidade minúscula. A cara não queima. As caras não queimam.

Hoje, eu tenho MUITO menos dinheiro do que eu tinha há 8 anos, trabalhando numa loja e odiando cada segundo. Hoje, eu odeio mais meu trabalho do que quando trabalhava sábados e feriados atendendo pessoas que queriam meu projeto, mas não queriam os “nossos” móveis. E olha que a agência emenda feriados e até permite cerveja nas sextas, durante o almoço da “firma”. E não está melhor. Os sapos da loja – e olha que uma cliente chegou bêbada, certa vez, e me unhou, porque eu não teria lhe dado atenção – eram pequetitinhos perto dos cururus diários. A internet me contou que isso é mal da profissão, mas, aqui, estou engessada nela. Não posso reagir, não posso sair da “firma”, porque a “firma” é minha…

O custo de vida é alto. Supermercado e varejão são “pela hora da morte”. Ração e areia de gato, tenho que importar de outras cidades. Frete bem mais caro e sem Sedex 10, por ser interior. Qualidade de vida, que todo mundo falava, não tem. A cidade é feia e suja, a água é suja, a barulheira é generalizada, não tem prefeito de verdade há anos, não tem polícia, mas tem bandido à beça. Não tem pra onde ir ou o que fazer. As pessoas se suicidam aqui com muita frequência. E tem gente tão fútil e à toa que, diante disso tudo,  fica reparando as unhas dos outros – e eu não faço unhas, mais!

Queria estar em BH. Queria ter passado meus dois últimos aniversários no colo da minha avó, em vez de sozinha. Queria ter ido no Pai de Santo que planejo desde março. Queria ter me despedido da minha babá, que morreu sem saber o quanto eu a amava. Queria ter abraçado o meu pai quando meu irmão-cão teve que ser sacrificado. Queria conviver com meu meio-irmão. Queria ir às festas de família. Queria ter ido ao Espaço Veg e almoçado no Las Vegans antes de fecharem – o Las Vegans jura que reabre. Queria estar no teatro, agora mesmo.

Quero ter quem me ama e me tolera por perto. Quero minhas amigas! Eu nem tenho mais amigas…

Mundo de merda

Eu começo a acreditar que nada mais tem solução quando:

• Percebo que há estadunidenses em situação de miséria, enquanto os EEUU bombardeia o país dos outros por grana e petróleo - fiquei assistinado ao Michael Moore no fim de semana;

• Pessoas ainda matam umas as outras por causa de religião;

• Nosso país está à beira da bancarrota e, mesmo assim, Dilma continua em primeiro nas pesquisas;

• Minha prima, que declarava amor a mim a cada dia, deixou de ser minha amiga porque ousei discordar dela – ela é petista;

• Pessoas torturam animais. Por quê?

• Fábio Coala, um dos caras mais talentosos e maravilhosos que eu conheço, está passando aperto de grana;

• Fausto Fanti e Robin Williams se matam…

 

Boom!!!

“Passe um dia sem reclamar e veja como sua vida muda”. A minha muda de vida pra morte. Se eu não reclamar, eu explodo. Sem exagero.

Sim, eu sou chata, implicante, rabugenta, mas, acima de tudo, eu tenho enorme amor próprio. Eu não aguento engolir sapo ou ser desrespeitada ou ser abusada seja de que forma for. A grande m*rda é que, profissionalmente, é todo dia, o dia todo.

O “faz aí e se eu gostar eu pago à vista” me assusta pela cara de pau e incoerência. Aplica isso na profissão do pidão e veja se ele vai gostar. Não, não pode fazer alusões nem responder mal o cliente. Engole o choro, menina!

E o “te ignorei nesses últimos dois meses e agora preciso do trabalho pra ontem! Faz rapidinho enquanto eu vou te telefonando a cada 10 minutos para saber se já está pronto”. É muito amor! #SQN

Na linha telefônica ainda tem o “acabei de te mandar um e-mail. Chegou? Ótimo! Vamo ler juntos!”

Tem o “eu desmarquei 4 reuniões e nunca mais te liguei. Cadê você?! Tá tudo atrasado e a culpa é sua!!” Ah, a culpa… Que sentimento tão judaico-cristão. Tão atual e tão bíblico!!

Os clássicos “vou te pagar quando eu acabar a reforma lá de casa”, “vou ter que pagar multa? Mas foram só 15 dias de atraso…” e “não paguei porque você não fez o que eu pedi. Ah, eu não pedi? Pois bem, estou pedindo agora. Faz e eu vejo se ainda rola de te pagar” estão sempre presentes! <3

Isso, quando não somos tratados como meros faz-faz. É assim: “tá ótimo! Só muda a cor do fundo. Põe um degradê de laranja para amarelo na diagonal! E a letra, não gosto dessa letra – bota uma Comic Sans, que dá um charme! E põe essa foto, aqui. Está em baixa resolução e tem uma marca d’água, porque eu peguei no Google, mas é a que eu quero. Isso! A logo você pega nesse arquivo de Word e, quando acabar, me manda tudo no Corel, pra seu eu quiser mexer depois, lá na gráfica!”

“Faz do seu jeito, confio em você”, mas vai mudar umas 11 vezes de opinião antes de dar o ok num troço hediondo que não vai dar certo. E você ainda vai dizer que a culpa é minha! Eu sei. Te conheço.

Eu posso continuar até o infinito. Ou posso dar uma dica: Lucas Montagens. Faz do jeito que o clientão precisa e por muito menos!

Até hoje à tarde, eu achava que ainda dava pra largar esse vidão de empresária :’( para ser hippie, vendendo pastel e coco, na praia, mas descobri que, para se ser hippie, é preciso ter dinheiro…

bichinhos-de-jardimTô no caminho concretado da mendicância e, quer saber? Bem feito pra mim! Quem mandou eu não ouvir meu pai? Ele me disse para eu fazer Direito ou Medicina. Fui teimar, me f*di…

Eu poderia estar roubando… Eu poderia estar matando…

O que há de errado, meu povo?!

Não assisti a nenhum jogo da Copa. Por que? Porque não.

Não vou dizer que detesto futebol – e detesto -, porque Copa é outra história. Copa é meio que guerra e um tipo de guerra em que o Brasil é bom adversário. A de 1994 foi tão emocionante, tão linda, tão tudo, que tenho a final, em VHS, até hoje. Mas eram outros tempos.

Em 1994, o Brasil estava bem. A hiper-inflação havia acabado de dar adeus, se podia sair às ruas sem medo e não havia muito do que reclamar – por falta de informação, provavelmente.- Sem contar que a seleção não ganhava uma Copa desde 1970 e, pá! Ganhou.

Hoje, tudo é diferente. Muito diferente. Para começo de conversa, a Copa é na nossa casa. Para fim de conversa, nossa economia está f*dida e mal paga. E no meio dessa conversa, você sabe, tem muita treta. A Copa tem servido para anestesiar ânimos e criar clichês. “Meu protesto é nas uras”, para mim, o pior deles. Via fazer o quê? Por fogo na urna?! Eu apóio!

Li um colunista falando que o Brasil já ganhou a Copa, porque está tudo dando certo. Quem compartilhou o texto, acrescentou: “chupa, seus pessimistas!” (sic). A meu ver, o Brasil só perde e mais, a cada dia. Sou pessimista? Então tá, me conta o que deu certo? Natal debaixo d’água? A grana mal gasta? As famílias desabrigadas? Os feriados para que o trânsito flua? Os colombianos buscando abrigo em Rondonópolis, porque agência de turismo credenciada pela FIFA deu cano neles? Assaltos ou tentativas? O pessoal que se propôs a trabalhar de graça ganhando comida estragada? Ou você se esquecendo que o Brasil está em crise porque o Neymar fez gol?

Não estou em clima de Copa. Não quero que o Brasil vença. Quero, sim, nossas merdas sendo espalhadas pelos ventiladores do mundo, porque vergonha na cara é meio caminho andado.

Você tem vergoínha da geral mandando a “presidanta” TNC? F*da-se você! Ela merece. Você merece. Deveria ter vergonha do que nos coloca numa situação dessas. E nem estou falando da Dilma ou do PT, mas de tradição. Somos tradicionalmente deselegantes, mal educados, hipócritas.

Você acha que vaiar o hino chileno é o cúmulo da nossa falta de educação e que isso é um vexame enquanto nação? Sério? Já foi à Disney? Ou a algum outlet em NY? Brasileiro já tem uma fama internacional consolidada de mal educado. Fura fila, fala alto demais, tenta passar a perna, entre outros atributos que generalizam, mas descrevem bem a maioria. Somos, orgulhosamente, mal educados. Nada de macacos, mas idiotas, independente de classe, credo ou cor.

Gregorio Duvivier, aquele fofo, disse que o brasileiro não é problema, mas solução. Mas para ser solução, o brasileiro - que é o problema, sim, e dos piores, porque nem sabe -tem que se propor a mudar. Mas brasileiro é acomodado, se acha esperto, adora falar mal do país, mas só da boca pra fora e sentado no rabo. O tão falado complexo de vira-lata nem sequer existe. Antes fôssemos vira-latas, raçudos, sobreviventes, honestos. Brasileiro se acha. Falta, agora, se encontrar!

Não se engane com meu discurso. Eu amo o Brasil, assim como amo meu pai alcoólatra, supertalentoso, mas inútil e fracassado. Se eu tivesse tido escolha, nem os teria conhecido, mas não tive. Amo meu pai porque é o que tenho. Meu país, idem. Amar não significa aceitar incondicionalmente. Quero que o Brasil mude, que a nação se conscientize e deixe de adiar o inadiável. Do jeitinho que está, vai ruir.

Eu torço, e muito, pelo Brasil da vida real. Para o da Copa, que de dane.

P.S.: me incluo na lama, mas com um atenuante: eu sei no que estou erradando e tento melhorar, todo dia. :-)

Origami

Carol Gerber* disse que corações são fortes, não se quebram, só se dobram. O meu é um origami detalhado. Não sei se desamarrota algum dia.

Estou protovegetariana. O que quer dizer que ainda não sou vegetariana, mas vou ser.

Depois de um tempo, não há espaço para voltar, a opção é ir em frente. Eu não sou o Roberto Carlos, sou decente.

Não tolero mais cheiro de carne. Nem gosto de tocar nela. Se antes eu poderia muito bem passar um bife pro marido, agora eu saio da cozinha quando ele o faz. Não é frescura, é dor.

Dói, porque eu sei como esse “bife” viveu antes de virar almoço. Marido diz: “mas no Brasil não é assim. O gado é criado solto. Não há confinamento. E a morte é rápida”. É o nível de abstração dele, não tenho o direito de ir contra. Ainda mais, porque uso essa mesma abstração para continuar consumindo laticínios. Por enquanto…

A maioria das pessoas come carne porque faz questão de ignorar todo o processo. O “produto” chega suculento ao prato delas. Se elas soubessem os bastidores, não comeriam. Mas não sabem e, se sabem, abstraem pela gula. E não estou falando de degolar uma galinha, enquanto o corpo, sem cabeça, sai correndo. Estou falando de qualidade de vida do animal, de doenças, de remédios, de higiene, de armazenamento, de “maquiagem”, de preparo. A morte, para mim, é o menor dos problemas. Morrer faz parte. É todo o resto, é toda a “indústria do alimento” que me aterroriza.

E pior do que a indústria do alimento, hoje em dia, é a indústria da moda. Isso inclui vestimentas, cosméticos e essa poha toda que as pessoas usam para tentarem ser bonitas.

Os testes cosméticos têm sido banidos em lugares decentes. A China, sempre ela, insiste. Não entendo o porquê, além de por sadismo e desrespeito. Teste em animais não me impediram de ter alergia à Avon. Eu não sou um coelho. Ele não me representa.

Não me venha alegar que não há alternativas aos testes. Há. Muitas. Basta procurar – dá um Google aí.

Não me venha dizer que, mesmo que eu compre Natura, que não testa em animais, nada impede que o fornecedor da Natura faça os testes. Isso não é argumento. Baixar a cabeça para a violência, porque combatê-la parece impossível, nunca foi saída. Eu tento.

A saída talvez não seja assinar petições, mas eu as assino mesmo assim. Fazer pouco é melhor do que não fazer nada e criticar quem, pelo menos, faz algo. A saída talvez não seja o boicote às marcas que usam animais de alguma forma, já que é praticamente impossível se livrar delas – até absorventes higiênicos são testados em animais. E pra quê?!

A saída é, sempre, a conscientização. A saída é o amor.

No Facebook, tenho seguido a página do Anti-Fur Society. Acho que eles erram na abordagem. Eu fico chocada, escandalizada, aos prantos com algumas postagens, mas eu não uso peles – ou qualquer tipo de couro, seda ou lã -, eu não sou o alvo. O alvo nem olha e, ainda, reclama da violência das imagens. Às vezes, os membros da Anti-Fur são agressivos e infantis, mas eu tento entender. Impotência e horror destroem camadas de racionalidade. E o que se tem visto por aí é de se duvidar da razão, é de quebrar o mais forte dos corações.

Mas o problema deste mundo são os corações fúteis, frios e duros.

Não vou ilustrar este post com imagens chocantes, não vou falar sobre chineses ou sobre caçadores. Você tem direito ao seu nível de abstração. Mas vou pedir, por favor:

Diga não ao uso de peles, mesmo as “faux”. Tem muito gato, cão e lebre sendo vendidos como sintéticos, porque são mais baratos, já que matar e esfolar não requer tecnologia. Um dos ratinhos dos meus gatos é feito de pele natural – descobri isso um dia desses… Animais sofrem muitíssimo para enfeitar roupas e acessórios. Isso não é certo.

 anti-furVocê pode viver sem minha pele. Mas eu, não.

E, na medida do possível, se liberte das abstrações. Eu sei que viver neste mundo não é fácil, não mesmo. Mas só é tão duro, porque há gente demais usando venda. Quando as pessoas se libertarem do medo, da preguiça, do comodismo e da vaidade besta, o mundo terá uma chance. E eu queria muito de ter a chance de ver isso acontecer…

* Personagem em Corações na Atlântida, do Stephen King. Amei o livro.

Algum nível de abstração

É muita coisa. É o excesso do que dizer que me cala. Não sei por onde começar; não há um começo claro. São 200 mil anos de História e… E?

De onde viemos está claro. Para onde iremos, também. O que nos move é o que eu gostaria de saber.

O que me move? Gatos. Gatos são o que me estagna, também. “Na verdade, eu acho que viver é o pior dos hábitos”* e me habituei firmemente a ele. Então, sigo, mas nem tanto.

A realidade tem sido tão bizarra e assustadoramente irreal, que quero refúgio. Eu preciso viver em algum nível de abstração e este não se encontra mais na terra prometida das redes sociais.

 

* Pete Riley, in Corações na Atlântida, de Stephen King.

 

Hipocrisia

Todo mundo é alegre e contente enquanto acha que está dando as cartas. Todo mundo está supersatisfeito enquanto não tem que assumir as consequências. Todos os outros são insuportáveis e dispensáveis, enquanto não se está perdendo dinheiro. O trabalho é chato, o salário é pouco, mas se pode-se chegar atrasado ou faltar quando bem entende, tá valendo. Todo chefe é bacana até que impõe limites para o excesso de liberdade. Toda chefe é joia enquanto faz vista grossa para a arrogância e incompetência. Todo dedo na cara é válido, desde que não seja na minha. Todo mundo é honesto até que é pego em flagrante. Toda hipocrisia é inocência, toda a culpa é do outro. Mas toda m*rda fede, não importa de quem seja.

Que espécie de caráter é esse que tem-se construído? Que mundo é este no qual temos vivido? Tem hora que cansa nadar contra a correnteza. E eu lhe digo, eu posso ser má. Eu posso ser péssima. E eu posso até gostar.

Que sorte que eu tenho bichos em casa.

Microcosmo

Há um pombo doente no meu quintal. Não o quero aqui, mas não consegui convencê-lo disso. Ele saiu da minha casa, pela porta da frente, mas entrou novamente. É um belo lugar para um pombo doente: tem abrigo, tem comida e um monte de gatos com calor demais para caçar pombo.

Há um punhado de pintinhos novos pela casa. O Toro resolveu não comer os que nasceram do lado dele. A mesma galinha que resgatei em setembro, mal criou os sobreviventes e voltou a viver perigosamente. Foi chocar quase que no mesmo lugar. Nasceram ontem e, ontem, contei 7. São 5, hoje. Ok. Ela é péssima mãe. Dos 11 que salvei, vivem 5, e só porque os continuei salvando.

galinha-louca

Em outra parte da casa, uma galinha roubou o ninho da outra. A roubada, inconformada, ficou por perto, possivelmente para avacalhar. Nasceram dois e fui colocar comida pros pequenos; ela me atacou. Consegui desviar – já sou craque, nisso -, mas fiquei furiosa. Principalmente, porque ela fez tanto estardalhaço, que a outra galinha, a mãe de fato – os ovos eram dela – , saiu do ninho e largou os pintinhos, novinhos, indefesos. A louca ficou atirando os ovos que ainda estavam por chocar, pra fora. Haja saco. Toquei a galinha, sem nenhum jeitinho, e pus os ovos pra dentro. Esperei a mãe voltar. Pus comida.

Cheguei lá, agora, para ver se estavam bem. Não. Nasceram mais dois, mas um deles estava fora do ninho, muito machucado, sujo, gelado. Achei que estivesse morto, mas ainda não. Agorinha mesmo, digito com um só mão, para que a outra aqueça o pobrezinho. Não sei se vai sobreviver, mas não quero que morra se sentindo abandonado. Sou destas.

E sou do tipo que marcou bem a sem-vergonha. Ela vai morrer.

Os pernilongos estão se divertindo às custas do meu sangue.

A Gasolina está com uma ferida enorme no nariz, que o veterinário disse ser câncer. “Tem certeza?”. “Não”. Então, por que me apavorar?! Quarta, vamos fazer o exame. Até o resultado, eu morro um pouquinho todo dia…

O Toro está com berne e não sei lidar com isso.

Pudim está gagá, andando prum lado e pro outro, sem rumo, miando, dia e noite.

Will sumindo, todo santo dia.

Tudo isso parece uma bobagem tão grande, né?! Mas pesa. Ainda mais quando se resolve andar na esteira e se liga a TV. 15 minutos. Desliguei as duas. Ver crianças morrendo queimadas em ônibus me deixou muito mal.

É uma tremenda maldade ser largado neste mundo sem sequer um manual de funcionamento. Se eu tivesse pelo menos uma pista, uma ideia dos porquês, do sentido disso tudo, talvez fosse mais fácil passar pelas etapas. Andar às cegas, supondo sempre, é o que me apavora. Morrer faz parte. Detesto, mas de que isso adianta?… Viver, até as pequenas coisinhas, é que complicado…

Atualização (08/01): o Toro estava com mais de 200 larvas comendo a perna dele. Ele não chora, ele não reclama, eu não presto atenção… O pombo doente foi comido pelas galinhas. Sobraram só as asas. O pintinho não sobreviveu e acho que a culpa foi minha… A taxa de “agiotagem” para conseguir o exame da Gasolina antes de 15 dias é de R$ 70,00.

Um mundo mais do que enfeitado

A vó Edir costumava dizer que o mundo anda muito enfeitado. Ela era batista e, no geral, se referia à homossexualidade, hábitos e vestimentas. Eu acho que o mundo está mais do que enfeitado, só não sei qual palavra usar pra defini-lo…

Mas eu sei que ando triste que só.

O objetivo das redes sociais era, a meu ver, juntar pessoas com interesses em comum. Ok. O problema é o tipo de pessoas e de interesses que têm sido juntados. Às vezes, eu me assusto com os comentários, com a agressividades/ignorância/preguiça/estupidez com as quais as pessoas destilam seus preconceitos.

1488060_595692070518500_1927261708_nHumano: Por que as pessoas estão cada vez mais intolerantes com as outras enquanto a Internet nos conecta mais próximos?

Deus: Pessoas não estão diferentes do que sempre foram… Estúpidas. A Internet apenas fez com que fosse possível para nós vermos o quão grande é o abismo da estupidez humana. Tente não afundar.

Às vezes, eu me assusto com o tamanho dos equívocos que fazem com que uma causa nobre se torne antipatizada. Vegetarianos/veganos, por exemplo, são mestres nisso. Mostram fotos horrendas, de maldade suprema, de sofrimento animal, com o objetivo de convencer aos adeptos da picanha e bacon a se tornarem vegetarianos. Não funciona. Não funciona comigo, que já sou vegetariana. Me dá tristeza, muita. E dá “fortes” argumentos aos adeptos da picanha e bacon para hostilizarem os vegetarianos/veganos, porque esses se sentem atacados e querem contra-atacar. E a causa animal se perde em meio a discussões imbecis.

Ontem, eu estava lendo uma matéria sobre o consumo sustentável. Nos comentários, um vegano se impondo. Ok… Acontece. Para mim, o que interessou – e me assustou – é que não é possível o consumo sustentável. Não o tempo todo.

Olha o tamanho do mundo! Olha a quantidade de gente que tem nele! Não dá para controlar tudo! Não dá para ficar sabendo de TODOS os pormenores e ter ânimo para continuar vivo. Em toda e qualquer indústria, seja de moda, de comida, de chá, todas elas cometem merda. Gente, bicho, o planeta sofre com essas merdas. O que fazer? Eu juro que não sei.

A tal história do mosquito que é pequeno e um só, mas incomoda, é só isso: uma história. Se ele incomoda, você pega a raquete elétrica e acaba com ele. Não há exemplo de superação nisso!

Eu faço minha pequena parte. Ajuda o mundo? Provavelmente, não. Mas me ajuda. É totalmente pessoal e egoísta cada gesto de bondade que eu tenho. Não como mais carne porque não apoio o modus operandi da indústria alimentícia. Estou a caminho de parar com o leite. Não uso uma porção de cosméticos porque sei que são testado em animais - mas devo usar uma porção de outros que não sei e, neste caso, a ignorância é uma bênção, porque eu não tenho grana para comprar produtos veganos nem condições de fazer meus próprios xampus. Não embrulho presentes, para não gerar mais lixo. E eu separo os lixos e reaproveito sacolinhas de supermercado para recolher os cocôs dos gatos. Não sigo moda/tendência há anos! Só compro o que realmente é útil e vou usar. Castrei os gatos e só não castrei o cão, porque ele não é meu e meu marido ainda não evoluiu em alguns aspectos.

Em resumo, eu faço o que eu posso. O problema está em quem não faz/não pode nada. E não faz nem pode, porque é ignorante e estúpido demais para se mover. Não se preocupa com o outro e com o planeta, porque não pensa e, se pensa, deve ser algo do tipo: “ah, foda-se! Eu vou morrer, um dia, e deixa de ser problema meu. Vamo apoveitá enquanto tamo aqui!”.

E engana-se quem acha que isso é problema terceiromundista, de pobre, sem acesso a educação. É claro que pobreza e ignorância andam juntas e perpetuam a tragédia, mas, né?, como os digníssimos governos conseguiriam se manter no poder se não fosse a ignorância?! O problema é global, sem fronteiras de credo, raça, condição social. O problema é uma Myle Cyrus - desnececyrus – da vida usando casacão de pele de verdade. Uma riquinha cercada por informação, se lixando para o mundo e o que vão pensar dela. “Sou rebelde”. Sei. Não passa de uma mocinha que conseguiu “se achar” tanto, que achou quem achasse junto!

É mais gente que acha junto do que gente que pensa por si ou que se alinha a uma causa nobre: sobrevivência. É mais gente obcecada por fama e glamour e menos gente que faz. É medonho.

Às vezes, penso que o melhor seria cruzar os braços e esperar pelo fim. Talvez, o homem da tabuleta esteja certo e o fim esteja próximo…

the-end-is-nearSometimes, I hope so…

Dúvida do momento

Me ajude, por favor. Eu quero saber:

1. As pessoas estão mais imbecis?

2. As pessoas sempre foram imbecis e as redes sociais são apenas o meio de expressão da imbecilidade?

3. As redes sociais fizeram a imbecilidade latente se manifestar?

Eu meio que era contra rotular as outras pessoas de imbecis, porque é feio e dá um arzinho arrogante em quem aponta – o que é mais feio ainda. Mas tem sido difícil fazer bonito…

rickA ignorância pode ser uma alegria para o ignorante, mas para o resto de nós, é uma merda!