Hate Dove

Meu fisioterapeuta me perguntou se sou feminista. “Eu seria o quê? Machista?” Ele disse: “pode ser neutra”. “Não, não posso ser neutra num mundo em que Dove existe”.

Odeio Dove, de coração. Odeio enquanto mulher, consumidora, “publicitária” e ser humano. Odeio a manipulação que Dove faz. A ideia errada que adoram propagar de que as mulheres se odeiam e têm baixa autoestima. E que Dove é a salvação, porque a marca nos entende e nos ajuda a nos enxergar. Balela.

A nova “campanha” Dove… :-* Coloque uma placa escrito “bonita” numa porta e “comum” na outra e faço igualzinho a dona que deu meia volta e não passou por nenhuma das duas. Se eu enxergar as placas, claro. Não aceito rótulos, minha gente! Não aceito poder ser somente bonita ou comum. Eu sou mais eu, poha! Sou mais eu desde 1984.

E, mais uma vez, que história é essa de que beleza é tudo? Beleza é joia, é bacana, é poder, mas é pra tão pouca gente. Dove podia parar com essa mania de nos definir pela estética. De ultra valorizar a estética e ficar apontando as coitadinhas que ficaram inseguras, porque a marca as fez pensar naquilo que não precisa. “Sou bonita?” Tanto faz, seja mais do que isso!

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Dove embute a ideia de que você se vê “pantufa”. Mas que pode chegar a “Havaianas”, se usar sabonete cremoso testado em animais. Só que a ideia aí do quadradinho é imbecil igual propaganda de Dove. Machista na mesma proporção.

Dê um basta nessa marca horrorosa, transmissora de ideias erradas, que diminuem mulheres. Pare de chorar assistindo essas campanhas de merda e comece a ver além. Tô te mostrando isso desde 2013. Passou da hora de acordar.

Descobrindo

Muita gente se sente em condições de julgar os outros. Eu cometia esse erro quase que o tempo todo, confesso. A coisa fica tão cotidiana que, de repente, escapole e lá está você (eu) fazendo de novo. Pois é. Prestemos atenção.

E assim como a gente julga sem nem perceber, há mulheres que sofrem abuso moral sem nem notar. Ou, se notam, logo decidem que é um exagero da parte delas, que é coisa de mulher, que não é nada. Porque, no fim das contas, fomos condicionadas a pensar assim. Se ofender é um enorme exagero e nada mais é do que uma prova de que mulher é tudo fora de controle.

Desta forma, quando o homem que você escolheu para ser seu par lhe diz para parar de cantar porque sua voz é feia, você para. E não canta mais, mesmo que cantar lhe dê prazer. Se diz que sua autoestima é tão alta que alguém deveria dar um jeito nela, você acha que é elogio. Se ele paulatinamente lhe chama de chata, é porque você é. Se culpa sua TPM (inexistente) por uma briga (que ele começou), é porque você está de TPM e, por isso, sensível demais. Se ele lhe chama de lésbica e de frígida porque ele não consegue lhe dar prazer, a culpa é sua, é óbvio! Se diz que você é a pior coisa que aconteceu na vida dele, você deve pedir desculpas e tentar melhorar. Ir embora?! Pra quê?! Pra onde? Por que?! Que exagero, mulher!

E você vai ficando, empurrando com a barriga. Olhando para as mulheres que apanham de seus pares e perguntando, toda cheia de empáfia: “não têm vergonha? Por que não vão embora?”. É claro que o “se fosse comigo” participa da conversa e, é claro, se fosse com você, tudo seria diferente. Mas será? Aliás, é?!

Não é. A diferença é que a mulher que é espancada não tem como negar o espancamento. Pode até se perceber como a culpada, mas sabe que algo está errado. A mulher que sofre gaslighting (palavrinha nova que aprendi aqui) quase sempre tem certeza de que não é nada, além de bobagem (feminina) dela. “Ele me ama” é a única certeza. “E está certo” é a grande probabilidade. E, assim, continua sendo dominada, sem saber o que fazer, simplesmente porque não percebe que algo tem que ser feito.

“Você merece aquilo que tolera”, disse uma amiga, dia desses. Dentro do contexto, fazia muito sentido, apesar da frase me incomodar. “Se você tolera, talvez mereça” me parece mais justo. Mais justo ainda é não tolerar merda nenhuma, por tempo nenhum, por motivo nenhum, senão, você vai acabar achando que merece o que tolera! Não se deixe tolerar, não se deixe merecer nenhuma forma de tortura e domínio, por favor.

Esteja atenta às coisas que você faz e às coisas que permite que façam com você.

Confesso que quando meu ex arranjou uma briga para justificar o nosso fim enquanto casal – supostamente já tendo uma mocinha 20 anos mais nova do que eu engatilhada (macaco gordo. Sacomé) –, eu não fiquei triste. Nem ofendida, humilhada nem nada sequer parecido (e ofensa e humilhação era o que esperavam de mim). Eu me senti aliviada. Assustada com o quanto e com as novas possibilidades, mas feliz.

Meu novo bom humor, meus novos pontos de vista, meu novo amor, meu novo desejo refletem quem eu sempre fui, mas não sabia ser. Não houve mudança, houve descoberta. Foram 40 anos de opressão e desqualificação, vindas de todo lado: sociedade, família, coleguinhas, “amigos”, marido. Eu deveria ser o que esperavam de mim? Sincerona com todo mundo, menos comigo?! Não mais…

Vá por mim: libertar-se até assusta, mas não dói. O que dói é não se pertencer.

Perdida

Ando de muito bom humor. Meio porque ficar de mau humor não ajuda nada, meio porque minha nova persona tem tanto apelo, que sou obrigada a manter a pose. E estou gostando disso.

Quando me atraso ou não vou à fisio, o pessoal reclama. Faço falta! Dizem que meu “astral” é tão bom, que motiva. Eu, como agente motivacional!! Quem diria?! Tudo bem que Verinha, minha colega lutadora, seria uma pessoa extremamente alegre com ou sem mim, lá. Mas gosto (e acredito) do carinho e reforço positivo. A ideia de que eu sou de bem com a vida me deixa de bem com a vida. Nem que seja por obrigação. E, em retorno, todo mundo me apóia e torce por mim! É lindo!

Mas se o humor está bom, a paciência está curta. Gente azeda, resmunguenta, reclamona e mal-humorada (tipo meu antigo eu) me cansa fácil. Me afasta. Não quero pegar ranço. Não quero me contaminar.

Só que nem tudo são flores. Apesar de alegrinha e evitando a fadiga, ando meio sem rumo. Trabalhar e manter vínculo com um ex que faz tudo do jeito dele (do jeito que eu acho errado e que está dando errado), me incomoda. Depender disso para pagar minhas contas me deixa tensa. Tão tensa, que ainda não tenho casa. Já ando, já poderia estar caçando meu rumo, mas não estou confiante de poder arcar com as despesas de mulher cheia de gastos e gatos. E, assim, gatos e coisas que me fazem MUITA falta continuam espalhados por aí.

Eu tinha planos de emancipação para este ano, no entanto, não consegui colocar nenhum para funcionar. Quebrei a perna e me perdi. Perdi o foco. Sei que já passou da hora de eu retomar as rédeas e seguir, mas é tão difícil! Vira um ciclo vicioso: não cuido dos meus projetos por falta de um espaço meu e não tenho um espaço meu porque não cuido dos meus projetos.

Acho que estou precisando de um agente motivacional – munido de bússola – na minha vida. 😉

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E aí que aconteceu, enfim. E, primeiro, eu fiquei assustada. Depois, encantada. E já ia partir para o revezamento assustada-encantada quando resolvi que eu deveria contar pra alguém. Um só alguém. Escolhi, ponderei, esperei quase uma semana. Contei. E a resposta foi tipo:

“Poxa… Pelo menos você está viva. Se pega nisso. Bjo.”

Que porcaria de resposta é essa?! Resolvi contar pra mais uma pessoa. E ela disse algo como:

“Nossa… Se você souber o quê está fazendo, pode ser legal, né?! Mas não quero me meter nisso, tá?”

Tá. Mais uma?!

“Nossa Senhora!!! Que notícia incrível!!! Você sabe o que fazer?! Não?! Então, primeiro você…” E me passou o manual completo de ações e reações. Incrível.

Pois é. Decidi que isso vai se tornar meu pequeno segredinho. Já compartilhado com três pessoas, é claro. Mas, dependendo de mim, morre aí. Achei que era quase banal, mas, pelo visto, é intenso e incômodo. Pelo menos, agora, eu estou somente assustada!

Me me me*

NO Livro do Riso e do Esquecimento, Tamina ouve. Todas as pessoas que acreditam ter algo a dizer sobre si a procuram, porque ela ouve e não interrompe. Gosto deste trecho:

“Mas será que ela escuta mesmo? Ou não faz outra coisa senão olhar, muito atenta, muito calada? Não sei, e isso não tem muita importância. O que conta é que ela não interrompe. Vocês sabem o que acontece quando duas pessoas conversam. Uma fala e a outra lhe corta a palavra: ‘é exatamente como eu, eu…’ e começa a falar de si até que a primeira consiga por sua vez cortar: ‘é exatamente como eu, eu…’, 

“Essa frase, ‘é exatamente como eu, eu…’, parece ser um eco aprovador, uma maneira de continuar a reflexão do outro, mas é um engodo: na verdade, é uma revolta brutal contra uma violência brutal, um esforço para libertar nosso próprio ouvido da escravidão e ocupar à força o ouvido do adversário. Pois toda a vida do homem entre seus semelhantes nada mais é do que um combate para se apossar do ouvido do outro. Todo mistério da popularidade de Tamina é que ela não deseja falar de si mesma. Ela aceita sem resistência os ocupantes do seu ouvido e nunca diz: ‘é exatamente como eu, eu…’.”

Eu não tenho sido Tamina, assim como não me poria no lugar dos que falam e falam. De fato, eu passei boa parte da vida me policiando para não falar demais, muito menos sobre mim, pessoa desinteressante para os demais. Meu exercício de falar e falar e emitir opiniões acontece basicamente aqui. Fora deste meu mundo particular, prefiro ouvir.

Claro, houve uma fase em que eu não era “eu”. E falei e falei até me encontrar. E não me arrependi de ter falado demais, como disse a má língua, mas de não ter falado demais mais cedo.

Mas, agora, estou sem saco para a história do outro. Parei de ler blogs, reduzi minhas espiadas no Facebook e me cansei do Whatsapp. Sei que é fase e tem a ver com meu estado jururu de ser. E tem a ver comigo, tendo que contar a história de como quebrei o tornozelo, sempre, repetindo, sempre, como Sísifo. Fico com vontade de passar o link do post, mas tenho me obrigado a ser gentil, afinal, ninguém tem nada a ver com meu mau humor. Bom… Não “ninguém”, mas os desconhecidos curiosos não têm. Sorrio, conto a história sem muitos detalhes, ouço as mesmas piadinhas sobre trocar lâmpadas/bênçãos do Senhor, sorrio mais um pouco e sempre alguém diz: “imagino a dor”. Eu não imagino.

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Não imagino nem me lembro dela. Stephen King se lembra da dor de ouvido que teve aos 4 anos de idade. Eu não me lembro nem quero lembrar da dor de quebrar o tornozelo há 71 dias. Sei que foi ruim – comparei ao parto natural -, sei que não chorei. Lembro que senti medo de nunca mais ver Cristo, que havia ficado no telhado e sobre o qual eu não recebia notícias – foi a única vez que eu chorei.- Senti muita fome e muita sede, que o Dr. Bonitão não me permitia “saciar” – palavra horrorosa! – Só. Eu passei as 14 horas de espera me projetando para um futuro em que eu olharia para este dia e diria: “que aventura”. Ainda não cheguei neste ponto, mas estou próxima.

Dor não é mérito, não é um presente, não é algo que eu queira guardar comigo. Deixo ela lá, no momento dela.

Mas tê-la sentido me permitiu ser mais solidária com a dor do outro, o que a sente. Dr. Bonitão achou engraçadinho eu considerar “meus amigos” os pacientes quebrados, que aguardavam atendimento nos dias de meus retornos, e sempre pedir notícias deles. Naquele momento, éramos amigos, sim. Somente nós, ali, entendíamos a dor do outro, que incluía a dependência, a impotência e um desespero intenso, mas calmo, para não incomodar os “inteiros”.

Pois é… Hoje, se não for para você me falar, em poucas palavras, da sua dor física, eu não me interesso por você. Não me conte sobre sua experiência com a doença da sua mãe ou do seu pai, não me interessa a sua mágoa profunda, não me interessam os seus sentimentos. Não me interessa o seu “me me me” sobre o mundo ou sobre mim. E, principalmente, não me interessa sua opinião sobre a dor de alguém, quando o assunto é esse alguém. O mundo gira em torno dos umbigos dos que sentem dor, não dos que acham que a conhecem.

* Eu eu eu

Perdão, mas eu não perdoo

Há uma certa super-valorização do perdão. Perdoar é divino, elevado, espiritual e intelectualmente: só o sábio perdoa. Discordo. Eu prefiro esquecer, deixar pra lá, sacudir a poeira e dar a volta por cima – isso, para delitos leves. Os pesados têm troco – a oficializar o perdão.

Pedir perdão, principalmente tardiamente, funciona para o ego do babaca que lhe ferrou e ficou sentindo uma reles culpinha. Ou, o mais provável, teve um orgulho danado do estrago causado é quer reviver, reatuar a farsa. Além de querer ter certeza do tamanho do trauma e de que não foi esquecido. São vaidosos, os sacanas.

Eu posso até dizer que perdoo para acabar logo com isso, mas não é sincero. Não vou guardar nova raiva em mim, mas vou excluir novamente a pessoa da minha vida e continuar seguindo.

Se a pessoa insistir em ficar, bom, eu vou magoá-la. Eu vou ferrar com ela, eu vou destruí-la. Vou fazê-la se arrepender de ter me procurado. Ou vou ignorá-la e continuar seguindo.

Pessoa, fez merda? Da grande? Peça desculpas ou remedie imediatamente. Se não der, deixe a vítima em paz e SE perdoe. Não vá foder a vida de alguém duas vezes com a mesma história. Seu pedido de perdão não é uma “homenagem” ou um ato de amor com o outro, é puro egocentrismo e cretinice. Vá por mim.

Mundo enfeiado

Sou direta, simples, honesta. Não sou ciumenta, respeito liberdades e individualidades. Não me envolvo com homem comprometido – mesmo sendo tentador, às vezes. Raramente me ofendo, procuro não ofender. Não curto polêmicas nem discuto política, futebol ou religião – e acho que peco nisso, mas é seguro assim. Gosto de música, não de qualquer música, mas posso muito bem me divertir num show de arrocha. Juro. Não bebo, mas posso beber, desde com muita moderação. Não fumo, aliás, tenho alergia braba a cigarro, mas não me incomodo (muito) ou incomodo os fumantes da área. Nunca experimentei nenhuma droga, mas não julgo quem curte. Sou vegetariana, mas não faço discursos nem tento convencer ninguém de nada. De nada mesmo. Minhas verdades me pertencem e sou feliz com elas. Sim, tenho sido feliz. E, por isso, quase não tenho reclamado.

Tenho defeitos, também. Ontem, descobri que meus piores estão na primeira frase deste post: sou direta, simples, honesta. Ninguém quer isso, ninguém gosta disso. Ser direta, então, que coisa mais assustadora. O negócio é fazer rodeios, é enrolar. Honestidade?! Que loucura é essa?! Minta! Egos agradecem o carinho! Ser simples é menos pecaminoso, mas como não existem mulheres simples, há algo de muito errado comigo.

Um exemplo de como as coisas são complexas, hoje em dia, é que eu sempre fui atrás de quem eu queria, desde que eu tinha 13 anos. Não pode mais! Bata cabelo e jogue charme até que o rapaz lhe note em meio a milhares de mulheres e pense se quer fazer alguma coisa a respeito. Iniciar uma conversa ou chamar um cara para ir ao teatro é quase um crime, em BH. Mesmo. E enquanto eu acho que tudo poderia muito bem ser assim:

_ Ei! Gosto de você. Fica comigo?
_ Hmmm… Não quero…
_ Alguma chance de você mudar de ideia?
_ Não.
_ Ok, então.

As coisas são cada vez mais assim:

_ Ei! Gosto de você. Fica comigo?
_ O quê?! Sua oferecida!! Sabe quantos sinais você avançou nessa proposta indecente?! O que você quer de mim?! Quem você pensa que eu sou?!
_ Oi?! Mas, enfim, você quer ou não ficar comigo?
_ Quero, mas não vou, porque você me insulta com sua insistência.

Isso me dá preguiça, mas procuro não esquentar a cabeça. Quem me quiser vai ter que querer como sou e sou assim. Nem disfarço. Se ninguém me quiser, ok, eu me quero, sem tirar nem por. E me basto.

Agradeço imenso

É impressionante a quantidade de pessoas que se sentem à vontade para se envolver no fim de relacionamento de duas pessoas. Talvez seja porque relacionamentos não pertencem somente a duas pessoas. Casamentos – e términos – são eventos sociais. Testemunham o começo e querem participar do fim. E, assim, fazem suas apostas de quem se dará melhor e escolhem lado e tomam as dores.

No meu caso, especificamente, eu sou a “vítima”. Foi ele quem terminou e é ele quem já tem namorada “sem nem mesmo respeitar o período de ‘luto'”. Então, sou eu quem tem recebido as mensagens de apoio, de “força” e de ofensas a ele.

Ele me perguntou se eu o tenho defendido. Não. Não é mais meu papel.

Não vou dizer que estou adorando as atenções, porque não estou, mas também não estou odiando. É invasivo, muitas vezes, é injusto, noutras, mas é interessante, antropologicamente falando.

O justo seria eu dizer que o amor já havia se acabado e havia somente uma tolerância branda entre nós. Assim como uma preguiça imensa e uma sensação de desespero da minha parte, pois havia uma empresa e inúmeros bichos nos prendendo um ao outro. Ainda há, mas não há mais prisão.

Se eu tivesse tido coragem, vontade, vergonha na cara, eu teria partido em 2007, quando a coisa se mostrou inviável. Em vez disso, empurrei com a barriga e chorei no cantinho, atos de extrema covardia e pobreza de espírito. Portanto, se sou “vítima”, sou por escolha própria. O que ele fez – mesmo que da pior forma -, foi me libertar. Agradeço imenso.

Quanto à namorada dele, parece que todo mundo a minha volta tem uma opinião e uma opinião somente. Eu não me sinto com vontade de julgá-la, cada um sabe de si.

Quanto a mim, estou tratando da minha própria vida e ter tanta opinião e julgamento mais atrapalham do que consolam. Estão me forçando a cumprir um papel que não me cabe, mas o tenho desempenhado, mesmo assim. Por isso, parafraseando Dani Calabresa, recomendo: “todas as pessoas perfeitas e santos canonizados: podem guardar as pedras”. Agradeço imenso.

Anal-ogia

Final do mês passado, cá estava eu, em meio a um mimimi sem fim. Mas como tudo que está ruim pode piorar, veio o meu mais recente mimimi com meu quase AVC. Daí, quando você acha que já chegou ao fundo do poço, quando você já sente a lama encostar no seu traseiro, vem mais uma bomba e descobre-se que o poço, de fato, não tem fim.

Contarei o ocorrido, usando uma analogia, para evitarmos mais um processo.

O cara canta a moça, paquera, conquista. Eles começam a namorar, firmam compromisso. As famílias se conhecem. Ele a pede em casamento, ela – mais por necessidade do que por amor – aceita. Começa a cuidar dos preparativos: vestido, festa, etc. A mãe do noivo exige tudo do bom e do melhor, muito além das posses da noiva. Ela, relutantemente, aceita mais uma vez.

Na véspera do casamento, ele pede: “quero anal”. Ela diz: “mas isso não faz parte do combinado. Não!” Ele responde: “se não fizer anal, eu não caso”. Ela não casa e fica com as dívidas contraídas.

Por “anal”, lê-se “trabalhar muito, rápido, bem e de graça”. Porque é bem assim na minha honrada profissão. Toda vez que alguém quer abusar de você, quer te f*der, usa dos seguintes argumentos, sempre nessa ordem: “se você não quer, há que, queira” ou “se você não quer, eu não te quero”, seguido de: “isso é falta de ética sua” e de: “falta profissionalismo a você”. Ou seja, uma agência agir sem ética e sem profissionalismo, para o leigo, é exatamente o contrário do que manda o código de ética da minha profissão: não trabalhe de graça nem por valor irrisório, pois isso ferra com o mercado!

Eu faço trabalho pro bono, ou seja, de graça, para quem EU escolho fazer, dentro das minhas possibilidades, desde que minhas possibilidades atendam ao cliente. Minhas clientes pro bono estão satisfeitas e felizes com meu trabalho. E eu vejo um retorno que me dá um prazer enorme! Ter um post compartilhado por mais de mil pessoas em uma hora e elogiado paga meu esforço, mas só porque é uma associação que faz um trabalho incrível e que eu acredito muito. A excelente aceitação mostra que, ao contrário do que alguns mal pagantes gostam de divulgar, eu sei o que estou fazendo e faço bem.

Sou profissional o suficiente para já ter feito trabalhos para empresas das quais eu não gosto nem acredito, porque fui contratada – e ainda e nem tão cedo estarei em posição de escolher demais. Um dó de mim – e ética o suficiente para fazer bem feito e sem usar de mentiras, falácias e subterfúgios.

Fica a dica para quem quer contratar ilustrador, designer, agência de publicidade ou qualquer outro profissional repleto de ética:

graficoEsse gráfico serve pra muita profissão!

Para contratar “sobrinho” ou micreiro, pode chorar preço e pagar só se gostar. Eles não têm ética nem são profissionais e dificilmente farão alguma coisa boa – sem plagiar.

Se quer um serviço bem feito, comece sabendo que comunicação é uma parceria entre cliente e profissional. É um trabalho de colaboração e se você quer levar vantagem ou se impor de alguma forma, pare agora mesmo! Não vai dar certo.

E antes de sair resmungando, caluniando e difamando por aí, lembre-se que isso dá processo e que respeito é uma via de mão dupla. Dê-se…

especialista e-se artista

Gente estúpida. Gente hipócrita.

Em julho, um agente da zoonoses veio a minha casa. Houve denúncia anônima de que, por eu ter gatos, galinhas e cães, havia infestação de ratos na casa do vizinho. Não tem na minha. Se ele tem ratos em casa, bem…, ele deveria tentar criar gatos, cães ou galinhas.

O agente não encontrou nenhum problema e lá se foi.

Vizinho quietou? Não. Chamou o pessoal da dengue. A denúncia, agora, era de foco de mosquito, aqui. Veio a mulherzinha da dengue e implicou com as vasilhas d’água. Tem pra tudo que é canto. Tem para gatos, gatos de rua, cães, sapos, micos e galinhas. Troco água de todas duas vezes ao dia – não desperdiço água, jogo para as árvores. Dengue instantânea ainda não ouvi falar. E quer saber de algo estranho? Achei que ela implicaria com o vaso de orquídea e com as bromélias – como todo povo da dengue implica – que estavam, sim, cheias d’água, mas, não. Nem tchum. Veio com o propósito claro de achar defeito nas coisas dos bichos.

As denúncias acontecem regularmente desde 2013. Sujeira? Tem folha seca. Estamos no fim de um inverno ultra seco. Tenho árvores. Folhas caem. Flores, também. O chão está cheio de flor de ipê. Cocô de galinha? Vira adubo para a compostagem e horta, assim como as frutas que caem. E cocô de cachorro? Tem, mesmo. Eles defecam. Numa caixa cheia de areia, que o jardineiro limpa, quando vem. Fica sequinho, ainda mais com esse tempo, não dá mosquito e não fede na casa de ninguém.

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Ipê do marido

Tem uns cocos e folhas de coqueiro que caíram na última ventania. A gente ia pedir uma caçamba para eu recolher tudo isso, mas, depois de mais uma denúncia, achei melhor, não. Caçamba custa R$ 120,00. Colocar folha seca num tambor e colocar fogo, como os vizinhos fazem, é de grátis! E incomoda!!

Não tem mato. Nem sequer grama. As galinhas não permitem.

Fico pensando… Se a sujeira propriamente dita não existe – a não ser quando um dos vizinhos produz e joga aqui -, será o quê que incomoda tanto?

nojoCanal de águas pluviais que meu adorável vizinho (#SQN) usou para escoar o esgoto dele, que estourou. Escoou cal e areia da construção, também, para o meu quintal. Um darling.

Barulho? A Nikita é meio pinscher e late um bocado. Incomoda? Sim. Mais do que os netos da vizinha berrando o dia inteiro? Não, mesmo! Mais do que os cães dos outros vizinhos? Não. Menos. O Toro é quase mudo.

Galinhas? Elas são um saco e fazem bastante barulho durante o dia. Mas o SAAE, que tem mexido na rua, faz mais. Os jardineiros da praça e do vizinho biliardário, também. O vizinho babacão que liga e desliga o alarme o dia todo é bem pior do que quaisquer galinhas. Aliás, esse faz festa todo final de semana e não se importa com decibéis ou respeito. Os netos da outra? Gritam e/ou choram bagarai. O cão da casa do lado? Late histericamente! E ainda tem os caras que andam de skate na praça e a turma que ensaia batucada toda quarta-feira até as 22h. A festa que está rolando na cidade incomodou mais de 100 pessoas que ligaram para a polícia antes das 2h da manhã de hoje. Barulho é o que não falta.

Os gatos invadem as casas da vizinhança? Não, apesar das insinuações. A Panks subia no telhado da vizinha, mas demos um jeito nisso. Ninguém mais tem subido. Mas há outros gatos por aqui. Tem o Cy velho de guerra; tem uma escaminha linda que encontrei dormindo na folhas secas e que não quis ser minha amiga; o irmão louro dela, que também me esnobou. Tem o Panqueco, um gatão peludo, que andou frequentando a casa. E mais um punhado de outros. São meus? Não. Sou responsável por eles? Também, não. “Infelizmente” para as duas perguntas/respostas.

Realmente não entendo. O quintal da casa é tão agradável, que recebo visitas das mais variadas. Sapos vêm se abrigar aqui. Gatos dormem e comem na minha área de serviço. Maritaquinhas, corujas, gaviões e um bom punhado de outras aves passam por aqui todos os dias, mesmo tendo um parque florestal logo em frente. Os micos dividem conosco frutas e ovos. É um lugar acolhedor. Seria mais se não tivesse tanta gente estúpida e hipócrita ao redor.

fcc430a62e9a3b24fc9c104c8140af20E eu fico com a pureza da resposta do Seu Micks:b257974402e427aa0cc4a033b9c75fc2