Vamos agradecer

Agradecer:
Mostrar gratidão:
1. remercear, regraciar, penhorar, gratular, gratificar, reconhecer.

Recompensar um gesto ou atitude:
2. remunerar, recompensar, retribuir, compensar.

Família. A definição da minha é: um monte de gente que é obrigada a se dar bem, mas não se dá.

Minha adorável tia começou um mimimi de que eu sou mal agradecida. Então, vou começar a sessão “eu agradeço”:

Primeiramente, agradeço a essa tia por não ter querido ser minha fiadora no apartamento que eu alugaria em dezembro. Já estava tudo combinado, mas houve uma mudança na lei e o fiador sairia perdendo até a casa, em caso de calote do fiado. Como, aparentemente, não confia em mim, ela descombinou e alegou que havia pedido, enfim, o apartamento da minha avó e que o locatário iria sair em 27 de dezembro. Eu disse que preferia não esperar até dia 27, que preferia pagar mais caro e ir embora de onde eu estava. Mas era pura frescura minha! Claro.

Passei um mês de m*rda em Itaúna, praticando bravamente o exercício da tolerância. Dia 23 de dezembro, antes que a Olívia parisse, catei algumas coisas, dois gatos, e fui pra casa da minha avó, para esperar o apartamento vagar. Vagou? Até hoje, não. Vai vagar? ¯\_(ツ)_/¯ Se depender dos envolvidos, nunca.

Portanto, agradeço à minha tia eu não ter casa até hoje e todas consequências disso. Obrigada. De coração. Quebrar o tornozelo, depender dos outros, não ter meu espaço, minhas coisas e quatro dos meus gatos comigo e nem emprego, tudo isso tem sido sensacional. Uma experiência e tanto! Preferia que fosse tudo ao contrário, mas, hei, é dia de agradecer!

Agradeço ao meu pai por não falar comigo há três meses. Me polpa de mais aborrecimentos. Agradeço a ele por ter tomado frente no cuidado dos gatos, quando quebrei o tornozelo, mesmo tendo feito tudo ao contrário do que eu recomendei. Os gatos estão obesos por excesso de patê; têm saído de casa, porque ele se recusou a colocar as telas que eu pedi (e pagaria por elas) e, qualquer dia, algum não volta mais; Cristo se foi, mas, hei, é dia de agradecer!

Agradeço a minha avó ter me deixado ficar na casa dela e por cuidar de mim, do jeito que ela dá conta, desde sempre.

Eu deveria agradecer a meus fisioterapeutas, meu médico, as pessoas queridas que torcem por mim, a meu primo, pelas caronas. E agradeço, reconheço, retribuo e/ou remunero sempre. Mas, sinceramente, eu preferia não dever nada a ninguém. Preferia não ter motivo pra isso, mas só porque sou mal agradecida.

Um tal Thiago

Existe (☠) um tal Thiago que estudou comigo há uns 15 anos, do qual nunca gostei e, cada vez mais, me dou razão quanto a isso.

Entre inúmeros palpites que via ele destribuindo em posts de amigos, sempre de forma prolixa/enfadonha/prepotente, um me incomodou a ponto de eu preferir ignorar a existência dele para o resto da minha. E, ao mesmo tempo, motiva este post (de adeus a ele).

Quando a Índia proibiu passarinhos presos em gaiolas, ele vibrou pela enormidade espiritual da Índia. Os orientais, esses evoluídos! Eu, por minha vez, mesmo acreditando que lugar de passarinho não é e nunca foi em gaiolas, fiquei pensando em estupro. Pessoas tão evoluídas espiritualmente, tão a frente de nós, reles brasileiros (sim, teve essa comparação no comentário dele), que nem prendem passarinhos em gaiolas. Mas soltam seus passarinhos metafóricos pelas ruas e violam mulheres. Mulheres, essas, que serão culpadas por terem sido estupradas.

Daí, essa semana, ele disse que detesta o feminismo (“mais do que Roberto Carlos e calor. Juntos.”) e que não precisa dele para achar “aviltante” os adesivos de Dilma nos tanques de gasolina; ele se baseia, para isso, em seus “valores antiquados”. Ele também alega que os adesivos nada tem a ver com “cultura de estupro”. É somente falta de respeito básica de brasileiro (falou o lorde inglês).

Enquanto isso, a cada 25 minutos, uma mulher é atacada pela cultura de estupro da Índia espiritualmente evoluída. Outras tantas no restante do mundo. Feminismo? Eu não preciso dele para achar isso aviltante. Mas precisamos dele para, um dia, não achar mais isso acontecendo por aí.

Eu não vivo por valores antiquados. Muitas mulheres têm morrido por causa deles.

Hate Dove

Meu fisioterapeuta me perguntou se sou feminista. “Eu seria o quê? Machista?” Ele disse: “pode ser neutra”. “Não, não posso ser neutra num mundo em que Dove existe”.

Odeio Dove, de coração. Odeio enquanto mulher, consumidora, “publicitária” e ser humano. Odeio a manipulação que Dove faz. A ideia errada que adoram propagar de que as mulheres se odeiam e têm baixa autoestima. E que Dove é a salvação, porque a marca nos entende e nos ajuda a nos enxergar. Balela.

A nova “campanha” Dove… :-* Coloque uma placa escrito “bonita” numa porta e “comum” na outra e faço igualzinho a dona que deu meia volta e não passou por nenhuma das duas. Se eu enxergar as placas, claro. Não aceito rótulos, minha gente! Não aceito poder ser somente bonita ou comum. Eu sou mais eu, poha! Sou mais eu desde 1984.

E, mais uma vez, que história é essa de que beleza é tudo? Beleza é joia, é bacana, é poder, mas é pra tão pouca gente. Dove podia parar com essa mania de nos definir pela estética. De ultra valorizar a estética e ficar apontando as coitadinhas que ficaram inseguras, porque a marca as fez pensar naquilo que não precisa. “Sou bonita?” Tanto faz, seja mais do que isso!

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Dove embute a ideia de que você se vê “pantufa”. Mas que pode chegar a “Havaianas”, se usar sabonete cremoso testado em animais. Só que a ideia aí do quadradinho é imbecil igual propaganda de Dove. Machista na mesma proporção.

Dê um basta nessa marca horrorosa, transmissora de ideias erradas, que diminuem mulheres. Pare de chorar assistindo essas campanhas de merda e comece a ver além. Tô te mostrando isso desde 2013. Passou da hora de acordar.

Descobrindo

Muita gente se sente em condições de julgar os outros. Eu cometia esse erro quase que o tempo todo, confesso. A coisa fica tão cotidiana que, de repente, escapole e lá está você (eu) fazendo de novo. Pois é. Prestemos atenção.

E assim como a gente julga sem nem perceber, há mulheres que sofrem abuso moral sem nem notar. Ou, se notam, logo decidem que é um exagero da parte delas, que é coisa de mulher, que não é nada. Porque, no fim das contas, fomos condicionadas a pensar assim. Se ofender é um enorme exagero e nada mais é do que uma prova de que mulher é tudo fora de controle.

Desta forma, quando o homem que você escolheu para ser seu par lhe diz para parar de cantar porque sua voz é feia, você para. E não canta mais, mesmo que cantar lhe dê prazer. Se diz que sua autoestima é tão alta que alguém deveria dar um jeito nela, você acha que é elogio. Se ele paulatinamente lhe chama de chata, é porque você é. Se culpa sua TPM (inexistente) por uma briga (que ele começou), é porque você está de TPM e, por isso, sensível demais. Se ele lhe chama de lésbica e de frígida porque ele não consegue lhe dar prazer, a culpa é sua, é óbvio! Se diz que você é a pior coisa que aconteceu na vida dele, você deve pedir desculpas e tentar melhorar. Ir embora?! Pra quê?! Pra onde? Por que?! Que exagero, mulher!

E você vai ficando, empurrando com a barriga. Olhando para as mulheres que apanham de seus pares e perguntando, toda cheia de empáfia: “não têm vergonha? Por que não vão embora?”. É claro que o “se fosse comigo” participa da conversa e, é claro, se fosse com você, tudo seria diferente. Mas será? Aliás, é?!

Não é. A diferença é que a mulher que é espancada não tem como negar o espancamento. Pode até se perceber como a culpada, mas sabe que algo está errado. A mulher que sofre gaslighting (palavrinha nova que aprendi aqui) quase sempre tem certeza de que não é nada, além de bobagem (feminina) dela. “Ele me ama” é a única certeza. “E está certo” é a grande probabilidade. E, assim, continua sendo dominada, sem saber o que fazer, simplesmente porque não percebe que algo tem que ser feito.

“Você merece aquilo que tolera”, disse uma amiga, dia desses. Dentro do contexto, fazia muito sentido, apesar da frase me incomodar. “Se você tolera, talvez mereça” me parece mais justo. Mais justo ainda é não tolerar merda nenhuma, por tempo nenhum, por motivo nenhum, senão, você vai acabar achando que merece o que tolera! Não se deixe tolerar, não se deixe merecer nenhuma forma de tortura e domínio, por favor.

Esteja atenta às coisas que você faz e às coisas que permite que façam com você.

Confesso que quando meu ex arranjou uma briga para justificar o nosso fim enquanto casal – supostamente já tendo uma mocinha 20 anos mais nova do que eu engatilhada (macaco gordo. Sacomé) –, eu não fiquei triste. Nem ofendida, humilhada nem nada sequer parecido (e ofensa e humilhação era o que esperavam de mim). Eu me senti aliviada. Assustada com o quanto e com as novas possibilidades, mas feliz.

Meu novo bom humor, meus novos pontos de vista, meu novo amor, meu novo desejo refletem quem eu sempre fui, mas não sabia ser. Não houve mudança, houve descoberta. Foram 40 anos de opressão e desqualificação, vindas de todo lado: sociedade, família, coleguinhas, “amigos”, marido. Eu deveria ser o que esperavam de mim? Sincerona com todo mundo, menos comigo?! Não mais…

Vá por mim: libertar-se até assusta, mas não dói. O que dói é não se pertencer.

Perdida

Ando de muito bom humor. Meio porque ficar de mau humor não ajuda nada, meio porque minha nova persona tem tanto apelo, que sou obrigada a manter a pose. E estou gostando disso.

Quando me atraso ou não vou à fisio, o pessoal reclama. Faço falta! Dizem que meu “astral” é tão bom, que motiva. Eu, como agente motivacional!! Quem diria?! Tudo bem que Verinha, minha colega lutadora, seria uma pessoa extremamente alegre com ou sem mim, lá. Mas gosto (e acredito) do carinho e reforço positivo. A ideia de que eu sou de bem com a vida me deixa de bem com a vida. Nem que seja por obrigação. E, em retorno, todo mundo me apóia e torce por mim! É lindo!

Mas se o humor está bom, a paciência está curta. Gente azeda, resmunguenta, reclamona e mal-humorada (tipo meu antigo eu) me cansa fácil. Me afasta. Não quero pegar ranço. Não quero me contaminar.

Só que nem tudo são flores. Apesar de alegrinha e evitando a fadiga, ando meio sem rumo. Trabalhar e manter vínculo com um ex que faz tudo do jeito dele (do jeito que eu acho errado e que está dando errado), me incomoda. Depender disso para pagar minhas contas me deixa tensa. Tão tensa, que ainda não tenho casa. Já ando, já poderia estar caçando meu rumo, mas não estou confiante de poder arcar com as despesas de mulher cheia de gastos e gatos. E, assim, gatos e coisas que me fazem MUITA falta continuam espalhados por aí.

Eu tinha planos de emancipação para este ano, no entanto, não consegui colocar nenhum para funcionar. Quebrei a perna e me perdi. Perdi o foco. Sei que já passou da hora de eu retomar as rédeas e seguir, mas é tão difícil! Vira um ciclo vicioso: não cuido dos meus projetos por falta de um espaço meu e não tenho um espaço meu porque não cuido dos meus projetos.

Acho que estou precisando de um agente motivacional – munido de bússola – na minha vida. 😉

o_o

E aí que aconteceu, enfim. E, primeiro, eu fiquei assustada. Depois, encantada. E já ia partir para o revezamento assustada-encantada quando resolvi que eu deveria contar pra alguém. Um só alguém. Escolhi, ponderei, esperei quase uma semana. Contei. E a resposta foi tipo:

“Poxa… Pelo menos você está viva. Se pega nisso. Bjo.”

Que porcaria de resposta é essa?! Resolvi contar pra mais uma pessoa. E ela disse algo como:

“Nossa… Se você souber o quê está fazendo, pode ser legal, né?! Mas não quero me meter nisso, tá?”

Tá. Mais uma?!

“Nossa Senhora!!! Que notícia incrível!!! Você sabe o que fazer?! Não?! Então, primeiro você…” E me passou o manual completo de ações e reações. Incrível.

Pois é. Decidi que isso vai se tornar meu pequeno segredinho. Já compartilhado com três pessoas, é claro. Mas, dependendo de mim, morre aí. Achei que era quase banal, mas, pelo visto, é intenso e incômodo. Pelo menos, agora, eu estou somente assustada!

Me me me*

NO Livro do Riso e do Esquecimento, Tamina ouve. Todas as pessoas que acreditam ter algo a dizer sobre si a procuram, porque ela ouve e não interrompe. Gosto deste trecho:

“Mas será que ela escuta mesmo? Ou não faz outra coisa senão olhar, muito atenta, muito calada? Não sei, e isso não tem muita importância. O que conta é que ela não interrompe. Vocês sabem o que acontece quando duas pessoas conversam. Uma fala e a outra lhe corta a palavra: ‘é exatamente como eu, eu…’ e começa a falar de si até que a primeira consiga por sua vez cortar: ‘é exatamente como eu, eu…’, 

“Essa frase, ‘é exatamente como eu, eu…’, parece ser um eco aprovador, uma maneira de continuar a reflexão do outro, mas é um engodo: na verdade, é uma revolta brutal contra uma violência brutal, um esforço para libertar nosso próprio ouvido da escravidão e ocupar à força o ouvido do adversário. Pois toda a vida do homem entre seus semelhantes nada mais é do que um combate para se apossar do ouvido do outro. Todo mistério da popularidade de Tamina é que ela não deseja falar de si mesma. Ela aceita sem resistência os ocupantes do seu ouvido e nunca diz: ‘é exatamente como eu, eu…’.”

Eu não tenho sido Tamina, assim como não me poria no lugar dos que falam e falam. De fato, eu passei boa parte da vida me policiando para não falar demais, muito menos sobre mim, pessoa desinteressante para os demais. Meu exercício de falar e falar e emitir opiniões acontece basicamente aqui. Fora deste meu mundo particular, prefiro ouvir.

Claro, houve uma fase em que eu não era “eu”. E falei e falei até me encontrar. E não me arrependi de ter falado demais, como disse a má língua, mas de não ter falado demais mais cedo.

Mas, agora, estou sem saco para a história do outro. Parei de ler blogs, reduzi minhas espiadas no Facebook e me cansei do Whatsapp. Sei que é fase e tem a ver com meu estado jururu de ser. E tem a ver comigo, tendo que contar a história de como quebrei o tornozelo, sempre, repetindo, sempre, como Sísifo. Fico com vontade de passar o link do post, mas tenho me obrigado a ser gentil, afinal, ninguém tem nada a ver com meu mau humor. Bom… Não “ninguém”, mas os desconhecidos curiosos não têm. Sorrio, conto a história sem muitos detalhes, ouço as mesmas piadinhas sobre trocar lâmpadas/bênçãos do Senhor, sorrio mais um pouco e sempre alguém diz: “imagino a dor”. Eu não imagino.

sisifo

Não imagino nem me lembro dela. Stephen King se lembra da dor de ouvido que teve aos 4 anos de idade. Eu não me lembro nem quero lembrar da dor de quebrar o tornozelo há 71 dias. Sei que foi ruim – comparei ao parto natural -, sei que não chorei. Lembro que senti medo de nunca mais ver Cristo, que havia ficado no telhado e sobre o qual eu não recebia notícias – foi a única vez que eu chorei.- Senti muita fome e muita sede, que o Dr. Bonitão não me permitia “saciar” – palavra horrorosa! – Só. Eu passei as 14 horas de espera me projetando para um futuro em que eu olharia para este dia e diria: “que aventura”. Ainda não cheguei neste ponto, mas estou próxima.

Dor não é mérito, não é um presente, não é algo que eu queira guardar comigo. Deixo ela lá, no momento dela.

Mas tê-la sentido me permitiu ser mais solidária com a dor do outro, o que a sente. Dr. Bonitão achou engraçadinho eu considerar “meus amigos” os pacientes quebrados, que aguardavam atendimento nos dias de meus retornos, e sempre pedir notícias deles. Naquele momento, éramos amigos, sim. Somente nós, ali, entendíamos a dor do outro, que incluía a dependência, a impotência e um desespero intenso, mas calmo, para não incomodar os “inteiros”.

Pois é… Hoje, se não for para você me falar, em poucas palavras, da sua dor física, eu não me interesso por você. Não me conte sobre sua experiência com a doença da sua mãe ou do seu pai, não me interessa a sua mágoa profunda, não me interessam os seus sentimentos. Não me interessa o seu “me me me” sobre o mundo ou sobre mim. E, principalmente, não me interessa sua opinião sobre a dor de alguém, quando o assunto é esse alguém. O mundo gira em torno dos umbigos dos que sentem dor, não dos que acham que a conhecem.

* Eu eu eu

Perdão, mas eu não perdoo

Há uma certa super-valorização do perdão. Perdoar é divino, elevado, espiritual e intelectualmente: só o sábio perdoa. Discordo. Eu prefiro esquecer, deixar pra lá, sacudir a poeira e dar a volta por cima – isso, para delitos leves. Os pesados têm troco – a oficializar o perdão.

Pedir perdão, principalmente tardiamente, funciona para o ego do babaca que lhe ferrou e ficou sentindo uma reles culpinha. Ou, o mais provável, teve um orgulho danado do estrago causado é quer reviver, reatuar a farsa. Além de querer ter certeza do tamanho do trauma e de que não foi esquecido. São vaidosos, os sacanas.

Eu posso até dizer que perdoo para acabar logo com isso, mas não é sincero. Não vou guardar nova raiva em mim, mas vou excluir novamente a pessoa da minha vida e continuar seguindo.

Se a pessoa insistir em ficar, bom, eu vou magoá-la. Eu vou ferrar com ela, eu vou destruí-la. Vou fazê-la se arrepender de ter me procurado. Ou vou ignorá-la e continuar seguindo.

Pessoa, fez merda? Da grande? Peça desculpas ou remedie imediatamente. Se não der, deixe a vítima em paz e SE perdoe. Não vá foder a vida de alguém duas vezes com a mesma história. Seu pedido de perdão não é uma “homenagem” ou um ato de amor com o outro, é puro egocentrismo e cretinice. Vá por mim.

Mundo enfeiado

Sou direta, simples, honesta. Não sou ciumenta, respeito liberdades e individualidades. Não me envolvo com homem comprometido – mesmo sendo tentador, às vezes. Raramente me ofendo, procuro não ofender. Não curto polêmicas nem discuto política, futebol ou religião – e acho que peco nisso, mas é seguro assim. Gosto de música, não de qualquer música, mas posso muito bem me divertir num show de arrocha. Juro. Não bebo, mas posso beber, desde com muita moderação. Não fumo, aliás, tenho alergia braba a cigarro, mas não me incomodo (muito) ou incomodo os fumantes da área. Nunca experimentei nenhuma droga, mas não julgo quem curte. Sou vegetariana, mas não faço discursos nem tento convencer ninguém de nada. De nada mesmo. Minhas verdades me pertencem e sou feliz com elas. Sim, tenho sido feliz. E, por isso, quase não tenho reclamado.

Tenho defeitos, também. Ontem, descobri que meus piores estão na primeira frase deste post: sou direta, simples, honesta. Ninguém quer isso, ninguém gosta disso. Ser direta, então, que coisa mais assustadora. O negócio é fazer rodeios, é enrolar. Honestidade?! Que loucura é essa?! Minta! Egos agradecem o carinho! Ser simples é menos pecaminoso, mas como não existem mulheres simples, há algo de muito errado comigo.

Um exemplo de como as coisas são complexas, hoje em dia, é que eu sempre fui atrás de quem eu queria, desde que eu tinha 13 anos. Não pode mais! Bata cabelo e jogue charme até que o rapaz lhe note em meio a milhares de mulheres e pense se quer fazer alguma coisa a respeito. Iniciar uma conversa ou chamar um cara para ir ao teatro é quase um crime, em BH. Mesmo. E enquanto eu acho que tudo poderia muito bem ser assim:

_ Ei! Gosto de você. Fica comigo?
_ Hmmm… Não quero…
_ Alguma chance de você mudar de ideia?
_ Não.
_ Ok, então.

As coisas são cada vez mais assim:

_ Ei! Gosto de você. Fica comigo?
_ O quê?! Sua oferecida!! Sabe quantos sinais você avançou nessa proposta indecente?! O que você quer de mim?! Quem você pensa que eu sou?!
_ Oi?! Mas, enfim, você quer ou não ficar comigo?
_ Quero, mas não vou, porque você me insulta com sua insistência.

Isso me dá preguiça, mas procuro não esquentar a cabeça. Quem me quiser vai ter que querer como sou e sou assim. Nem disfarço. Se ninguém me quiser, ok, eu me quero, sem tirar nem por. E me basto.

Agradeço imenso

É impressionante a quantidade de pessoas que se sentem à vontade para se envolver no fim de relacionamento de duas pessoas. Talvez seja porque relacionamentos não pertencem somente a duas pessoas. Casamentos – e términos – são eventos sociais. Testemunham o começo e querem participar do fim. E, assim, fazem suas apostas de quem se dará melhor e escolhem lado e tomam as dores.

No meu caso, especificamente, eu sou a “vítima”. Foi ele quem terminou e é ele quem já tem namorada “sem nem mesmo respeitar o período de ‘luto'”. Então, sou eu quem tem recebido as mensagens de apoio, de “força” e de ofensas a ele.

Ele me perguntou se eu o tenho defendido. Não. Não é mais meu papel.

Não vou dizer que estou adorando as atenções, porque não estou, mas também não estou odiando. É invasivo, muitas vezes, é injusto, noutras, mas é interessante, antropologicamente falando.

O justo seria eu dizer que o amor já havia se acabado e havia somente uma tolerância branda entre nós. Assim como uma preguiça imensa e uma sensação de desespero da minha parte, pois havia uma empresa e inúmeros bichos nos prendendo um ao outro. Ainda há, mas não há mais prisão.

Se eu tivesse tido coragem, vontade, vergonha na cara, eu teria partido em 2007, quando a coisa se mostrou inviável. Em vez disso, empurrei com a barriga e chorei no cantinho, atos de extrema covardia e pobreza de espírito. Portanto, se sou “vítima”, sou por escolha própria. O que ele fez – mesmo que da pior forma -, foi me libertar. Agradeço imenso.

Quanto à namorada dele, parece que todo mundo a minha volta tem uma opinião e uma opinião somente. Eu não me sinto com vontade de julgá-la, cada um sabe de si.

Quanto a mim, estou tratando da minha própria vida e ter tanta opinião e julgamento mais atrapalham do que consolam. Estão me forçando a cumprir um papel que não me cabe, mas o tenho desempenhado, mesmo assim. Por isso, parafraseando Dani Calabresa, recomendo: “todas as pessoas perfeitas e santos canonizados: podem guardar as pedras”. Agradeço imenso.