27 de Abril é Dia do Designer Gráfico. 1º de fevereiro é Dia do Publicitário. 5 de Novembro é Dia do Designer. 4 de Dezembro é Dia Mundial da Propaganda. Tantas datas para se comemorar, tão pouco a se comemorar…
Eu me lembro da propaganda do meu primeiro sutiã. Lembro o nome da modelo e a marca.
Eu me lembro do Pool da Gata e do Gato. Das músicas do D’Arby, que ainda amo. Das falas.
Melissinhas e as ruivinhas. Clássicas!
“Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”
“Também, tem duas embalagens!” Slogans difíceis de esquecer!
“Coca-Cola dá mais vida. Coca-Cola, um sorriso!” Os jingles eram ótimos!
Não que hoje não haja ótimas propagandas. Até há. Mas estão perdidas em meio a um monte de porcaria! E nada mais é memorável. O objetivo é ser “viral”, circular na Internet até cansar, virar meme, ganhar prêmio e sumir.
Antigamente, propaganda era cara, tinha que durar, tinha que atingir em cheio.
E não era cara só para o anunciante/cliente. Estudar Publicidade era para os bons, pois eram pouquíssimas faculdades e não era fácil entrar nelas. Por isso, havia poucos profissionais em poucas agências. Se o cliente era mala, não conseguia agência e, como não existia “Programa CorelDRAW para todos”, não existia “sobrinho” para substituir agência. O trabalho era valorizado, o cliente era valorizado. Todo mundo ficava feliz e prosperava junto.
Há coisas - como curso superior - que não deveriam ser democratizadas, eu lhe digo. Não hoje em dia. Primeiro, vamos dar base para os alunos, investir no básico, na alfabetização, no desenvolvimento do raciocínio que ninguém vai precisar de cota para fazer faculdades. E ninguém vai aceitar fazer péssimos cursos em péssimas faculdades. E ninguém - tá, quase ninguém - vai se formar como péssimo profissional.
É triste ver o perfil do “profissional de comunicação”, nestes tempos. Jornalista que não sabe escrever, pensar, ler ou entrevistar. Publicitário que não pode fazer braimstorming - porque não tem ideias -, que não tem tempo de rough¹, que não sabe “criar” sem a ajuda da Internet. E que fica impondo jargões, como se todo mundo tivesse obrigação de saber o pouco que ele aprendeu na “facul”.
Se não bastasse, ainda tem isso:
Mais dramas tirinhas, aqui.
Sempre teve disso?! Duvido. Clientes costumavam valorizar o profissional, pagando bem e poupando o tempo dele com o que interessa, que é criar bem.
E não é só cliente que complica a vida, não. Como há milhares de agências e “eugências”, o fornecedor está - quase que literalmente - c***ndo para as agências. “Se não quer, tem quem - não me conheça - queira!” Eles só se esquecem que há milhares de graficazinhas/representantes, também!
Então, em meio a um mercado de m**da, como faz para sobreviver? Ah… Tem a tal da licitação publicitária! Um negoção. Mas, infelizmente, cheira a vestibular com sistema de cotas para “peixe”. É que, mesmo você sendo o melhor, não é garantido que você ganhe. E se ganhar, pode ser que tentem lhe levar para o lado negro da força. Coisas da vida…
Abre parênteses:
E por falar em lado negro:
Não se iluda!! Isto é outra coisa que não Publicidade/Design, porque, vou lhe contar, esta mudança não vale o que foi pago. Não mesmo. Leia a respeito, aqui.
E que saco esta chateação dos Designers com a pobre “logomarca”. Ok, logo=marca, logo, logomarca=marcamarca. Tá. Mas, se há comunicação e o leigo entendeu o que é, ótimo! Não dou conta é de cliente perguntando sobre o slogan, querendo dizer logo!
Fecha parênteses.
Ah! Você também pode abrir uma lojinha de produtinhos imbecis e metidos a besta e ahazar no Facebook!! Esqueça o que você estudou sobre direitos autorais. Esqueça que você sabe que não se pode usar uma marca sem autorização. Esqueça que existe uma tal de ANVISA que não lhe permite trocar rótulos de produtos ao seu bel-prazer. Esqueça!! Ahaze!!
Outra opção é desistir de tudo e ir vender pastel de camarão na praia!
Como eu persisto no erro, vivo estressada. Sobrevivo fazendo continhas e deixando uma dividazinhas pra trás, pra quando der… Mas se eu pelo menos soubesse fazer pastel…
1. Rascunho, estudo feito à mão.






