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Categoria: ‘falso ego’

  1. Sou branquinha, e daí?

    2 de dezembro de 2013

    Isto, normalmente, não valeria um post. Mas me senti obrigada.

    Possivelmente, por eu ser branquinha, às vezes me falha a visualização do racismo contra negros. Tem ocasiões que só vejo quando alguém me aponta onde ele está. Eu nunca o senti na pele e, por mais que já tenha ouvido piadinhas sobre a minha cor e minhas sardas e por mais que isso tenha me magoado, sei que não é a mesma coisa.

    Para ser muito sincera, eu não entendo racismo, xenofobia, machismo/feminismo. Eu não entendo, e nem quero, esta separação. Não entender não quer dizer que eu nunca tenha tido uma atitude racista, xenófoba ou machista/feminista. Tenho minhas fraquezas e imbecilidades de tempos em tempos. Também atuo, por mais que eu negue, como parte de um grupo. Se a situação permite o absurdo, muitas vezes chafurdo nele. Mas eu fico me sentindo idiota, depois, e torço para que todos os envolvidos estivessem bêbados demais para se lembrarem do meu comportamento.

    Eu sou branca – fenótipo, porque, geneticamente, sou a mesma mistureba de quase todo brasileiro – e sei que pertenço ao “grupo privilegiado” só por isso. Se eu fosse rica, estaria lá no topo, mas, por hora, a base me serve, porque mesmo estar na base do “grupo privilegiado” me traz facilidades. Bom pra mim – e só pra mim.

    Tenho uns – poucos – amigos negros que passam por situações desagradáveis por serem negros. Ruim para eles? Sim, mas não só para eles. É ruim pra geral, é ruim pra humanidade, pra alma, pra vida! É ruim pensar que alguns são ruins com os outros só porque não curtem a quantidade de melanina que calhou de ter na pele desses outros.

    Então, o pensamento da Fernanda Lima, no contexto certinho, do jeito que saiu no jornalse tiraram do contexto, ela não reclamou ainda – me espanta: “O que eu tenho a ver com isso (racismo)? Só porque eu sou branquinha?” Para mim, tem tudo a ver, Fernanda! Se você é gente, tem tudo a ver.

    Não significa que ela seja a causa do racismo, mas leva-se em conta que sua escolha foi uma consequência. Como branquinha, lourinha, gauchinha, ela não representa a nação. Taí o ponto? Dois negros lindos e bem-sucedidos, também não – não, o povo brasileiro não é lindo nem rico, tamo tudo na merda! -, mas se aproxima mais da realidade da geral. Será? Talvez.

    Para mim, o que pega, não é a atitude da Fifa – que, aliás, não se cansa de ter atitudes erradas -, mas a da Fernanda, em se excluir. O discurso “eu não faço parte do problema nem da solução, muito antes pelo contrário. Só tô fazendo meu trabalho”, não é a resposta certa. Também não sei qual é. Mas pensar que, por eu ser branquinha e não ser racista, eu não tenho nada a ver com racismo, nunca sequer me passou pela cabeça. O racismo é um problema humano e, como humana, tenho tudo a ver com isso.

    As epidemias na Ásia, a fome na África, o tufão nas Filipinas, o suposto racismo da Fifa, tudo isso tem a ver comigo, tudo me atinge. Como diria o Mestre dos Magos, “o destino de um é partilhado por todos” e todos nós temos partilhado um mundo repleto de intolerância e ignorância. Se isso não lhe afeta, você não é só branquinha, você não é humana.


  2. Dia da Consciência Negra

    20 de novembro de 2013

    Dia 19 de Abril é Dia do Índio. Dia 18 de novembro é Dia de Celebração do Albinismo. Hoje, é Dia da Consciência Negra. Meu discurso está aí, por todo o blog, e não vou repeti-lo. O negócio é: hoje é Dia da Consciência Negra em se concordando ou não. Estabeleceram isso, firmaram em cartório e algumas cidades até comemoram com feriadão! Infelizmente, aqui a gente tem que trabalhar…

    Hoje é Dia da Consciência Negra e não o Dia de Se Tirar o Racismo do Armário. Também não é o Dia de se Resmungar que Sua Cor de Pele Não Ganhou Um Dia Só Dela. Não é o Dia de se Jogar na Cara do Negro o Sistema de Cotas Raciais. Não é O Dia do Mimimi em Redes Sociais – aliás, este dia é todo dia. Ou seja, hoje é dia de fazer exatamente o contrário do que está sendo feito por aí.

    É dia de você questionar o porquê de ser necessário um Dia do Orgulho Negro. Aproveita e se questiona por que ainda existe racismo e se você tem atitudes racistas em outros dias do ano, também. E não me venha com a balela de “somos todos iguais”, porque somos todos diferentes e de forma muita mais ampla do que a simples cor da pele. E aceitar as diferenças faz bem. É um bom começo.

    Talvez, um dia, a gente evolua a ponto de não ser mais necessário dedicar-se um dia somente para a reflexão. Daí, não precisaremos de Dia do Índio nem de Celebração do Albinismo ou da Consciência Negra, assim como do Dia da Mulher ou do Homem, etc. Mas, até lá, pense. O Dia da Consciência Humana já é todo dia. Use-a. Homenageie-a.


  3. Ai, me deixa!

    25 de outubro de 2013

    A Adriana gosta pegar no meu pé, porque eu curto água benta. “Você é a única ateia que acredita em água benta”! Talvez seja. E também curto benzedeiras, São Longuinho e fitinha do Senhor do Bonfim. Sei mais orações do que minha secretária, católica praticante. Às vezes, chamo meu anjo da guarda – e o xingo um bocado pelo péssimo serviço prestado! Agradecer, jamais! Ele nunca faz mais do que a obrigação dele!

    Mas, veja bem, ser ateu é não acreditar em Deus. A=não. Teu=Deus. Ser ateu não é religião e, para mim, não é nenhuma filosofia de vida. Não há dogmas nem regras. É só não ter ou crer num Deus. Eu não acredito na existência de Deus todo poderoso, Criador do Céu e da Terra. O Pai misericordioso. O onipotente, onipresente, onisciente. Meus santos e anjos são todos autônomos, não têm patrão. Viva o empreendedorismo!!

    Também gosto de coisas místicas, tipo leitura de cartas e quiromancia. Adoro mapa astral! Ser ateia não é, necessariamente, ser descrente em tudo o que é místico. E não acredito que o místico e Deus andam juntos. “Meu” místico também é autônomo: Mysticism Inc.

    Não uso a ciência para explicar todos os fatos. Não preciso explicar todos os fatos. Não preciso explicar nada!

    Se você acha que eu não sou realmente ateia porque não me encaixo num padrão… Bom, tanto faz. O que é meu é meu, o que eu sou sou eu e não é da sua conta, assim como não é da minha seus conceitos e crenças pessoais. Liberdade de credo é garantida pela Constituição, pela ONU, pelo Universo em expansão. Creia no que quiser, eu creio em mim.

    E por que estou divagando sobre isso? Porque uma pessoa questionou meu ateísmo – não foi a Adriana, ela só se diverte às minhas custas! -, assim como também questionou meu vegetarianismo manco. Essa pessoa acha que não posso ser ateia e que não comer carne não é natural – e cita a bíblia. Mas eu não sou natural. Sou humana, nada mais distante do natural. Não estou à mercê da Natureza. Nem meus gatos e meu cão o estão.

    E por falar em gatos, se até eles, que são naturais, optam por não comer meus pintinhos, eu, não-natural, naturalmente posso optar por não comer o que eu não quiser comer! Não é instinto, é escolha. E olha que até Deus é a favor do livre arbítrio…

    SANTO-AGOSTINHO-X-BOECIO

    Ou será que não?…

    Uma pessoa repleta de cultura inútil e vazia de sentido não vai encontrar alento para sua necessidade de gastar “conhecimento” comigo. Nem vai se preencher às minhas custas. Não sou obrigada, não tenho paciência e nem sou solidária deste tanto. Mas tenho uma sugestão a dar: seja legal, modere o prolixismo e faça amigos/escreva num blog. Em outras palavras: vá caçar quem lhe queira e me deixa!!

     


  4. Minorias

    19 de outubro de 2013

    Eu vivo pensando em cotas, em gays, em preconceito, em discriminações, em estupidez humana e sempre penso no Rouanet. Prefiro esquecer a lei que leva seu nome – uma lei tristemente usada para o mal – e me lembrar do seu livro A Coruja e o Sambódromo! Li um pedacinho desse livro na faculdade, há uns 20 anos, e nunca mais consegui encontrá-lo. Mas me marcou a fala sobre particularismos. Um dia eu o encontro, novamente…

    Como seres humanos, todos nós, num momento oportuno, nos fazemos de vítimas e/ou de especiais. Faz parte. Minha particularidade, minha minoria, é sempre a mais sofrida… Me separo do joio – ou do trigo, dependendo -, me uno aos “meus” e nos impomos de alguma maneira. “Pobre de nós, precisamos ser recompensados pelo que fizeram a nossas ta-ta-ta-ta-ta-ta-ta-taravó na Irlanda… Isso nos marcou muito…” E, assim, somos todos fadados a pagar, eternamente, pelos erros dos nossos antepassados – e dos dos outros, também.

    Meu marido estava zoando – chuchuzinho que ele é – que o Aaron deveria fazer shows na Tanzânia, onde o corpo – albino – dele, morto, vale uma nota!

    Se albinos, ainda hoje, são usados em magia negra; negros foram usados como escravos e, hoje, são considerados por muita gente - muita gente negra, inclusive – inferiores, vai se saber o porquê; se judeus foram perseguidos por Deus e todo o mundo desde tempos bíblicos – e antes – e ciganos são eternamente vistos como sujos e maus, como é que ficam os ruivos nisso?

    Somos minoria, quase beirando a extinção. Somos zoados na tenra infância. Os meninos são ditos feios – mesmo quando lindos – por uma cambada de ignorantes generalizadores. Fomos perseguidos pela Igreja, que nos queimava nas fogueiras por sermos, supostamente, bruxos – como ousam nascer diferentes?! Antes disso, no Egito, já éramos sacrificados por sermos sinônimo de má sorte – como, repito, como ousam nascer diferentes?! Hoje em dia, corre por aí um boato de que somos “bons de cama” – mas que merda é essa? Ninguém tem obrigação de sequer fazer sexo meia boca, só por ter cabelo vermelho.

    Eu, particularmente, então, além de ruiva, sou mulher, descendente de bispo com mula-sem-cabeça, brasileira, com um pé na ciganato… Sou minoria, rara, talvez, única. Cadê minha cota, cadê a parte que me cabe neste latifúndio?! Onde encontro meus privilégios de minoria sofrida?

    A resposta é simples:

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    Em outras palavras: parem já com isso! Saiam todos dessa onda! Vocês – nós – são a minoria numa particularidade qualquer, mas são a maioria que geme e chora pelas injustiças do mundo… O mundo é injusto, a vida é essa e cada um é um. Não gostou? Quem sabe, você, em vez de buscar a vantagem, não busque a mudança?! Hein? É, pelo menos, uma ideia?!

    Joio ou trigo, somos farinha do mesmo saco. Burros ou inteligentes, somos todos gente. Brasileiros ou brasileiras, somos todos uns f*didos. Ninguém é melhor - ou mais coitado – do que ninguém. No fim, todo mundo morre. Enquanto o fim não chega, vamos tentar tornar este um lugar de, pelo menos, tolerância? Obrigada.


  5. FUMA

    13 de maio de 2013

    Não, este não é um blog - mais um - voltado aos mimimis da profissão Publicidade e Propaganda. Mas é que contaram-me, há umas duas semanas - procê ver quanto tempo faz que eu estou escrevendo este post… -, que um dileto graduado de uma faculdade da qual falei o que penso, aqui no blog – o que não é, necessariamente, mal nem a verdade -, ficou tão furioso, à ocasião, que teria me telefonado e “lavado minha cara”. Como ele não fez isso, muito antes pelo contrário, vê-se que:

    1. O cara é loroteiro e covarde!
    2. Pelo menos, tem bom senso. Porque eu o esfolaria vivo. Pode me xingar nos comentários - muita gente o fez -, mas não ouse me telefonar para discutir bobagem. Nunca!

    De lá pra cá, minha opinião não mudou nem uma vírgula. A tal faculdade, para mim, é ruim – ou era, já que os cursos citados no post foram fechados. Sintoma? – e formou muita gente ruim. Toda gente é ruim?! Não. A minha agência, depois daquele episódio, chegou a contratar uma mocinha formada lá. Ela não apresentou currículo - esperta -, mas apresentou portfolio e este era muito bom! Só fiquei sabendo da formação dela, na verdade, quando ela me adicionou no Facebook.

    E minha formação, foi boa?! Hmmm… A Escola de Design da UEMG, que então era chamada de FUMA, foi ok.

    Eu tinha feito 3 semestres na PUC, em Publicidade e Propaganda, e não tinha gostado do curso. Não, não foi bem isso. Estávamos em 1993 e não havia computadores no curso – mas tinha máquina de escrever e aula de datilografia, juro! Achei terrivelmente limitante criar sem recursos, porque, sim, computador ajuda, e muito, os inaptos. E eu sou limitada no desenho e terrivelmente incapaz na fotografia – ainda mais a de filme. Ter que fazer TUDO à mão me restringia. As ideias existiam e eram boas, mas eu não conseguia colocá-las no papel. Larguei o curso e fui aprender o básico.

    E, assim, cheguei à FUMA para estudar… Decoração. Por quê? Nem eu sei. Achei que poderia ser legal. E foi. Aprendi muito em termos de técnica de desenho. Havia professores-inimigos – um babaca, inclusive, que dizia às alunas de Decoração que éramos donas de casa em potecial esperando pelo casamento -, que não queriam ensinar porque não queriam que os alunos aprendessem e concorressem com eles no mercado. Mas havia professores empenhados, caprichosos, exigentes e bons. Me formei decoradora razoável, paisagista habilidosa e de bom gosto e sabendo mais de estética do que imaginei ser possível. Limitada na arte de fazer um projeto, à mão, que salte aos olhos - em termos de desenho e colorido, mesmo -, mas, considerando que, hoje em dia, decoradoras apresentam fotos de viagens e revistas Vogue como “projeto”, apesar dos inúmeros programas que fazem o 3D sem esforço, eu sou muito boa. Mas amar a profissão, não amo.

    Por isso, fui fazer Design Gráfico. Mais desenho, mas com técnicas diferentes. Mais, mas muito mais professores-inimigos. De fato, havia muito professor recém-formado no próprio curso de Design Gráfico, ou seja, gente sem experiência de mercado, sem distância dos dias de estudante dentro daquela própria escola – imagina se esse povo tinha sequer uma pós-graduação... Gente que nos via, cada vez mais, como adversários e, muitas vezes, como mão-de-obra gratuita. Teve professora de Ergonomia que não ensinou nada, mas reformou as tetas às custas de trabalho de aluno – vendido a um shopping. Teve professor que fez o mestrado com nossa ajuda, já que líamos e resumíamos os livros que ele era obrigado a ler. Teve professor baixando bola de aluno e da profissão, de propósito. Teve professor se envolvendo em intriga e buscando vingança – tão colegial. Mas teve professor que ensinou, exigiu, apoiou e fez de muita gente ali bons profissionais.

    E eu?! A faculdade não me fez. Eu aprendi o que me coube aprender, o que continuava sendo limitado. Sim, eu sou uma profissional cheia de limitações. Ainda não sei desenhar tudo o que preciso. Sei trabalhar razoavelmente com programas de computador que só aprendi depois de sair da faculdade. O mercado, de fato, foi quem me ensinou muito, mas, ainda bem, havia a base que a faculdade me deu, senão, eu estaria perdida! Porque a faculdade me mostrou algo de fundamental: que eu não sou a melhor. Se dependesse do meu ego, eu estaria afirmando que sou excelente, que eu é que sei! Mas a FUMA me mostrou que há melhores, muitos e muito melhores. Reafirmou minhas limitações e me impediu de me enxergar através de lentes que distorcem a realidade, graças a professores cruéis, mas honestos. Pena que não fez isso por todos os meus colegas – sempre há os relutantes, sem noção, que vêem crítica como “inveja” e se recusam a enxergar a verdade. Ou que só tem muito mau gosto mesmo! Tem gente MUITO ruim, formada lá, comigo, neste mercado aí. Dá dó.

    E, ao mesmo tempo, há tanto profissional autodidata que dá show!

    As minhas duas profissões não exigem diploma, curso técnico ou coisa que o valha. Por que o mau designer só consegue, como dano ao público, promover a feiúra e o mau gosto – como pode-se confirmar nas fotos a seguir. Se bem que duvido que isso seja coisa de designer. Duvido até de sobrinho… -, caso faça alguma grande bobagem. E quem tem noção do belo quase sempre consegue se virar bem sem a teoria, sem a técnica.

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    testiculo1“Lindos” mascotes! Foi um designer quem fez?

    Minhas faculdades não foram isso tudo, mas tirei proveito de tudo o que era aproveitável e não saí de lá me achando a phoda, sem entendimento de minhas limitações nem me achando a pessoa mais criativa do mundo. Minhas faculdades me deram senso estético e, acima de tudo, consciência. Isso é uma coisa que faz falta em muito formado naquela faculdade da qual falei o que penso – seja jornalista, seja publicitário – e, por isso, existe o tal post. E, agora, me cansei e encerro o caso.


  6. Pimenta é refresco

    5 de maio de 2013

    Este ano, fui convidada a ser capa de uma revista social daqui de Itaúna. Aceitei meio que em pânico, porque não gosto de aparecer e não sei me comportar! Sou uma selvagem!

    E qual não foi minha surpresa, neste fim de semana, quando fui parar na quarta-capa, em uma citação na coluna social, de um jornal local?! Meus momentos de fama se perpetuam!! Vou acabar me acostumando!

    E, enquanto isso, teve quem se gabou de não ter o nome sujo em capa de jornal e teve que retirar, literalmente, o que disse… Tá sujo na capa, no miolo e na quarta-capa! É muita m*rda, viu?!


  7. When doves cry

    28 de abril de 2013

    Por falar em propaganda, sou só eu que detesto as da Dove?! De-tes-to!

    Acho inadmissível que uma marca que manipula luz, fotos e informações para que toda “mulher Dove” seja “naturalmente” bonita venha me falar de manipulação de imagem e de mercado cruel com a mulher.

    E qual é esse tal de mercado cruel? É a moda? É a publicidade?! Mesmo?! A moda e a publicidade nunca me falaram que eu era feia. Quem me falava que eu era feia eram as pessoas a minha volta, antes que a moda e a publicidade dessem um jeito. A moda fez com que o diastema fosse aceito. Ninguém achou bonito, ninguém correu pro dentista para abrir espaço. Mas muita gente parou de implicar! A moda adora as diferenças! A publicidade adora ruivas! E ver ruivas em campanhas e propagandas fez com que começássemos a ser aceitas. Quando eu era criança, era típico o pensamento: “crianças ruivas são tão fofinhas… Pena que crescem”. Pois eu cresci e pena nenhuma!

    Ah… Mas e a anorexia?! É culpa da moda! Mesmo?!

    Assisti no Discovery, há um tempão, um programa sobre a mais nova anoréxica do mundo. A garota, aos 8, parou de comer. E não foi porque Paris gosta de modelos magérrimas. Foi porque ela assistiu a “The big looser – Perder para ganhar” na TV e associou a perda de peso à satisfação e vitória! O mesmo programa mostra que anoréxicas são meninas perturbadas e controladoras que querem exercer poder e controle sobre as próprias vontades, sobre o próprio corpo. A maioria nunca vai ser modelo, nem quer.

    Mas há as modelos que morrem de inanição, todo ano! É, há. Assim como também há as que vivem anos de glória e fortuna com poucos quilos de peso, sem grandes – ou pequenos - sacrifícios ou problemas. Se você não tem como ser do time dois, não vá para o time um. Bom senso está sempre na moda.

    Se formos pensar um tiquinho, distúrbio de imagem é uma coisa de nosso tempo e não é culpa de um ou de outro. É uma somatória de perturbações. Mulheres loucas + reality shows + Hollywood + cirurgiões picaretas + “avanços” cosméticos + consumo exagerado. Afinal, você já viu alguma modelo com a cara da Donatella? Ela é rica, mas é bonita?! Ela já foi anoréxica, alguém copiou?!

    Ah, mas as publicidades de cosméticos alisam tanto as mulheres que elas nem tem poros, mais. Mulheres famosas não tem poros desde de Rita Hayworth! Se não houver exageros/erros na manipulação da foto, ela fica fantástica! E a gente quer igual. Para alcançar a ilusão, temos cosméticos de “efeito Cinderela” - que saem com o banho - que resolvem o problema. Trabalhar a luz e sombra na maquiagem, nos contornos do rosto e do nariz faz uma plástica instantânea e poderosa. Meio quilo de sérum/primer lhe deixam lisinha por um dia! Igualzinho no Photoshop. Quer algo mais permanente? Botox! Liso intenso por até 6 meses!

    E lábios carnudos?! Podemos ter, também! Cabelos lisos? Claro! Louros?! Intensos!! E olhos claros para todas!! Dentes da Halle Berry são tendência! Até ela comprou pra si!! Pele bronzeada em pleno inverno ártico?! Por que não?! Peitão? Bundão? Combinam com o bocão!! Celulite e estrias ainda não tem solução definitiva, mas, vá, até a Kim as tem…

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    E precisa parecer natural?! Claro que não!! Precisa ter cara de “mexido”, para mostrar poder aquisitivo!!

    O “nosso novo padrão de beleza” não veio da moda ou da publicidade. Veio da eterna insatisfação do ser humano com a aparência (humana). Veio com a falta de raciocínio e de bom senso. Veio da superficialidade dos nossos dias, veio das empresas de cosméticos que viram o filão! Veio de você, que se emociona com propaganda de Dove, cheia de coitadas que se sentem feias porque não podem fazer plástica… Assistem, choram enquanto pensam “mas ela bem que podia arrumar estes dentes…”. Sei. Tô te vendo!

    E, na sincera total, Dove, foram as pessoas comuns que baixaram minha bola, enquanto eu permiti que elas fizessem isso. As mesmas que, se não estiverem sendo filmadas, são “sinceras” e precisas em apontar defeitos. Que me fariam muito mais feia e triste num retrato falado do que eu jamais poderia me fazer. E, na boa, isso é propaganda e, não, realidade. Se fosse, seria documentário – e, mesmo assim, eu duvidaria e faria pouco, vindo de quem vem. A manipulação já começa em se contratar um cara para fazer dois desenhos em que, obrigatoriamente, o primeiro TEM QUE SER menos bacana que o segundo – tá no roteiro, senão, não tem propaganda. A manipulação se perpetua na musiquinha triste e com a tendência das mídias digitais em promover o politicamente correto de boutique.

    Vamos cair na real mesmo, de verdade? Quase ninguém é lindo. Somos quase todos meramente razoáveis, esteticamente. Com ou sem maquiagem, como ou sem banho de loja. E não precisamos de mais do que isso para nos amarmos e sermos amados. Afinal, não foram as minhas leitora que me disseram que o importante para uma mulher é não ser burra?! Que beleza nem é fundamental?! Então, quem de nós está preocupada com defeitinho besta? Quem aqui precisa ser perfeita para se sentir segura?!

    Outra coisa que me incomoda é que, segundo as estatísticas da Dove, somente 4% das mulheres estão satisfeitas com a aparência. Mesmo?! Você tem Facebook? Já viu quanta amiga posta fotos horrendas, em frente ao espelho, fazendo bico, de batom Snob, se achando lindona?! Elas representam mais de 4% das pessoas que você conhece?! Aposto que sim. Então, onde estão essas 96% de infelizes?! Escondidas?!

    Sabe, no fim das contas, há vantagens nesta loucura coletiva! Se antes, só era feio quem não tinha grana, hoje só é muito destrutivamente feio quem tem grana o bastante! E viva a mediocridade física!

    Update: a Luana me passou a dica de um texto, muito bom, porém, em inglês, de uma moça que viu além na propaganda de Dove. E concordei demais. Vale a leitura – peça ajuda ao Google Tradutor, se necessário!


  8. Devaneio

    17 de março de 2013

    Eu fui chamada de fútil, no meu primeiro ano de Design Gráfico. Era um trabalho faculdade, em que se passava um folha de papel com seu nome e, anonimamente, pessoas escreviam sobre você. Escreveram coisas boas e coisas não muito legais, mas foi “fútil” que me incomodou.

    Eu não sou, nem era, fútil. Talvez, na época, eu era bem menos despreocupada com a vida, o universo e tudo mais. Eu tinha tempo para garotos, música e comprinhas aleatórias, mas nunca fui alienada, nunca fui rasa. O que me deixou encafifada foi não entender o porquê daquilo. O que, em mim, transparecia futilidade?

    Eu estudei Decoração, antes de Design Gráfico. Os caras costumavam zoar que a gente deveria ser muito burra pra gastar 4 anos descobrindo onde se coloca uma cadeira numa sala. Ok, entendia a piada, eu quase pensava a mesma coisa antes de entrar no curso. Eu não me encaixei no estereótipo vigente, pois, apesar da aula de Prática Profissional ensinar que a gente deveria se vestir assim e se maquiar e pentear assado, eu era - e sou - uma mulher de cara limpa, óculos escuros, calça jeans, camiseta e, se possível, um bom coturno. Nem unha eu fazia. Nem brinco eu usava. Nem cabelo eu penteava. Como minha avó diz, uma desleixada - talvez, por isso, não trabalhe na área. Onde se encaixa, visualmente, o conceito de fútil nisso? Porque de uma coisa eu sabia: ninguém que já tivesse conversado comigo havia escrito aquilo.

    Nove anos depois, descobri, graças ao Face, quem me chamou de fútil. Um amigo postou uma foto de macro duma mosca, no Pinterest, e comentei que era “tão linda que dava pena bater nela com o jornal”. O pin e o comentário foram parar na minha página, no FB, e o babaca comentou: “bate nele com a Vogue”. Ok, me chamou de fútil novamente. Não que ler Vogue seja futilidade, mas o tom, a sugestão de “até parece que você tem jornal em casa” mostrava que era o que ele pensava. O estranho é que a mulher do cara é “designer e vendedora de semijoia”. Poha, isso é raso. Semijoia é bijou cara e só. Não é joia, não é bijou, é futilidade de quem gosta de pagar caro no que pode ser barato. E eu é que sou fútil…

    A prática de se sentar no rabo para criticar o outro é bem comum. Eu faço isso, também, mas conscientemente - e com certa vergonha. Mas o cara é um “homem de Deus”, evangélico praticante, cheio de moral e me espanta como ele poderia ser tão fútil em me julgar sem nunca ter tido qualquer curiosidade em me conhecer… Não que evangélicos tenham que ser “pessoas diferenciadas” - seja lá o que isso signifique -, de modo geral, mas ele se considera assim. Sei lá, soberba é pecado capital.


  9. Clube dos cafajestes

    8 de fevereiro de 2013

    Baixando o nível em 3… 2… 1…

    Ei, você! Sim, você! Você que acha que venho dedicando post a sua pessoa numa altura dessa do campeonato. Como, diferentemente de você, eu não vim ao mundo para decepcionar as pessoas, lhe dedico: este é pra tu, jaburu!

    Em 2010, fiz um post sobre The Brekfast Club, um dos meus filmes favoritos.

    Estranho é que, de repente, me dei conta que presenciei uma versão real do filme, recentemente. Não da parte dos garotos no colégio, em detenção, mas, especificamente, da carta final. Eis, redigida, tal versão:

    “Caros Sr. e Sra. Otário, aceitamos o fato de que tivemos que sacrificar o 2012 de vocês inteiro por ambição… o que fizemos foi errado, mas acho que vocês estão loucos para achar que nos arrependemos e deixamos de pensar só em nós mesmos. Vocês nos enxergavam como você desejavam nos enxergar… Em termos mais simples e com as definições mais convenientes. Mas o que descobrimos é que cada um de nós é: uma prostituta de baixo meretrício, uma coitada, um caso perdido, uma “princesa” e um criminoso.

    Isso responde a sua pergunta? Sinceramente, o Clube dos Cafajestes.”

    Se sentiu?!

    E, sinceramente, o que você ainda vem fazer aqui?!


  10. Mau perdedor

    30 de julho de 2012

    Por mim, eu nem saberia que as Olimpíadas estão aí, mas marido gosta dos jogos – menos futebol – e assiste a todas as competições possíveis. Chato. Ainda bem que estou numas de ler.

    Ele estava assistindo à competição de solo da ginástica olímpica quando Diego Hypólito caiu. Não foi um tombo de bunda, como na última vez que o vi, e que foi engraçado, mas foi um tombo feio que o fez perder possibilidade de medalha. Ele quis chorar. Ele chorou.

    Passou um tempinho e Diego foi dar entrevista. Mudei de canal, porque me deprimiu, me chocou e me fez questionar o que era o tal do espírito esportivo.

    Diego estava triste. Ok, Olimpíadas acontecem a cada 4 anos e sair, de cara, é dureza. Mas nada me preparou para tamanho derrotismo e auto-comiseração.

    “Eu tenho é que me desculpar mais uma vez pelo meu segundo fracasso em Olimpíadas. Não era a imagem que eu queria passar. Eu caí novamente e só tenho que agradecer à Federação, clube e patrocinador, que acreditaram em mim”, ele disse.

    Se eu fosse patrocinadora, caía fora dessa. Eu não ponho meu dinheiro em fracassado.

    Perder faz parte do jogo. Alguém tem que perder para alguém ganhar. No caso, ele perdeu. Mas fracasso é uma palavra pesada. Sim, significa “não alcançar o objetivo” e foi fato, mas a conotação, a dor empregada… Deu-me vontade de fazer um “L” com os dedos, sobre a testa, e gritar “LOSER”!! Só que ele não o é. O cara é bom! O cara ganhou muitas vezes, muitas medalhas. Como pode se pintar com tintas tão feias?!

    “Todo atleta tem lesões e seria muita pretensão minha falar que eu caí por causa disso. Eu sei o que aconteceu e não foi isso. Fico muito triste e decepcionado com o meu desempenho em Olimpíadas. O meu objetivo era estar pelo menos na final e nem isso eu consegui. Pode ser que eu não mereça, eu não competi bem e errei. Eu não posicionei a perna direito e agora tenho quatro anos para tentar ajustar isso”, completou.

    Eu acredito em pretensão, no sentido de intenção, desejo ou ambição. Não conheço campeões sem pretensão. A pretensão (no sentido de vaidade e presunção) também é parte de se acreditar apto a vencer, que se é o melhor, que se mereça o prêmio. Se você não merecer, pra que competir? E, não, não vale competir, somente. Isso é papo de quem perde. O que conta para quem está ali é ganhar!

    Mas se não foi o caso ganhar, se houve uma lesão, um erro, má sorte, nervos em frangalhos ou coisa que o valha que impediu o êxito, bola pra frente! Vale chorar. Não vale ter pena de si em público. Sentir dó de si mesmo é tão pequeno, que não cabe na grandeza de um atleta olímpico como ele.

    Como eu disse, mudei de canal e não vi se teve mais mi mi mi. Naquele momento, senti antipatia do Diego. E fiquei em dúvida se, se eu fosse a repórter, o teria abraçado ou esbofeteado, dizendo para voltar a si. Quieta eu não ficaria.

    No fim, fiquei me questionando se não falta alguém para dar apoio psicológico a esses atletas? Ou o Diego é só sensível mesmo? O peso da responsabilidade – e da pretensão de todos sobre ele – é tamanho que o cara nem se ergue quando cai? Não pode… Se a preparação física foi exemplar, talvez tenha carecido de uma preparação de espírito. Vale pensar nisso.

    Sinceramente, espero que ele se recomponha nos próximos 4 anos, encontre equilíbrio como pessoa e volte a ser “uma esperança de medalhas”. Não pelo Brasil, pelo qual estou me lascando, mas pelo homem e atleta que ele é. E, Diego, comece a usar Shampoo Johnson’s – quem sabe, um futuro patrocinador? -, porque, na boa, chega de lágrimas!


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