Não, este não é um blog - mais um - voltado aos mimimis da profissão Publicidade e Propaganda. Mas é que contaram-me, há umas duas semanas - procê ver quanto tempo faz que eu estou escrevendo este post… -, que um dileto graduado de uma faculdade da qual falei o que penso, aqui no blog – o que não é, necessariamente, mal nem a verdade -, ficou tão furioso, à ocasião, que teria me telefonado e “lavado minha cara”. Como ele não fez isso, muito antes pelo contrário, vê-se que:
1. O cara é loroteiro e covarde!
2. Pelo menos, tem bom senso. Porque eu o esfolaria vivo. Pode me xingar nos comentários - muita gente o fez -, mas não ouse me telefonar para discutir bobagem. Nunca!
De lá pra cá, minha opinião não mudou nem uma vírgula. A tal faculdade, para mim, é ruim – ou era, já que os cursos citados no post foram fechados. Sintoma? – e formou muita gente ruim. Toda gente é ruim?! Não. A minha agência, depois daquele episódio, chegou a contratar uma mocinha formada lá. Ela não apresentou currículo - esperta -, mas apresentou portfolio e este era muito bom! Só fiquei sabendo da formação dela, na verdade, quando ela me adicionou no Facebook.
E minha formação, foi boa?! Hmmm… A Escola de Design da UEMG, que então era chamada de FUMA, foi ok.
Eu tinha feito 3 semestres na PUC, em Publicidade e Propaganda, e não tinha gostado do curso. Não, não foi bem isso. Estávamos em 1993 e não havia computadores no curso – mas tinha máquina de escrever e aula de datilografia, juro! Achei terrivelmente limitante criar sem recursos, porque, sim, computador ajuda, e muito, os inaptos. E eu sou limitada no desenho e terrivelmente incapaz na fotografia – ainda mais a de filme. Ter que fazer TUDO à mão me restringia. As ideias existiam e eram boas, mas eu não conseguia colocá-las no papel. Larguei o curso e fui aprender o básico.
E, assim, cheguei à FUMA para estudar… Decoração. Por quê? Nem eu sei. Achei que poderia ser legal. E foi. Aprendi muito em termos de técnica de desenho. Havia professores-inimigos – um babaca, inclusive, que dizia às alunas de Decoração que éramos donas de casa em potecial esperando pelo casamento -, que não queriam ensinar porque não queriam que os alunos aprendessem e concorressem com eles no mercado. Mas havia professores empenhados, caprichosos, exigentes e bons. Me formei decoradora razoável, paisagista habilidosa e de bom gosto e sabendo mais de estética do que imaginei ser possível. Limitada na arte de fazer um projeto, à mão, que salte aos olhos - em termos de desenho e colorido, mesmo -, mas, considerando que, hoje em dia, decoradoras apresentam fotos de viagens e revistas Vogue como “projeto”, apesar dos inúmeros programas que fazem o 3D sem esforço, eu sou muito boa. Mas amar a profissão, não amo.
Por isso, fui fazer Design Gráfico. Mais desenho, mas com técnicas diferentes. Mais, mas muito mais professores-inimigos. De fato, havia muito professor recém-formado no próprio curso de Design Gráfico, ou seja, gente sem experiência de mercado, sem distância dos dias de estudante dentro daquela própria escola – imagina se esse povo tinha sequer uma pós-graduação... Gente que nos via, cada vez mais, como adversários e, muitas vezes, como mão-de-obra gratuita. Teve professora de Ergonomia que não ensinou nada, mas reformou as tetas às custas de trabalho de aluno – vendido a um shopping. Teve professor que fez o mestrado com nossa ajuda, já que líamos e resumíamos os livros que ele era obrigado a ler. Teve professor baixando bola de aluno e da profissão, de propósito. Teve professor se envolvendo em intriga e buscando vingança – tão colegial. Mas teve professor que ensinou, exigiu, apoiou e fez de muita gente ali bons profissionais.
E eu?! A faculdade não me fez. Eu aprendi o que me coube aprender, o que continuava sendo limitado. Sim, eu sou uma profissional cheia de limitações. Ainda não sei desenhar tudo o que preciso. Sei trabalhar razoavelmente com programas de computador que só aprendi depois de sair da faculdade. O mercado, de fato, foi quem me ensinou muito, mas, ainda bem, havia a base que a faculdade me deu, senão, eu estaria perdida! Porque a faculdade me mostrou algo de fundamental: que eu não sou a melhor. Se dependesse do meu ego, eu estaria afirmando que sou excelente, que eu é que sei! Mas a FUMA me mostrou que há melhores, muitos e muito melhores. Reafirmou minhas limitações e me impediu de me enxergar através de lentes que distorcem a realidade, graças a professores cruéis, mas honestos. Pena que não fez isso por todos os meus colegas – sempre há os relutantes, sem noção, que vêem crítica como “inveja” e se recusam a enxergar a verdade. Ou que só tem muito mau gosto mesmo! Tem gente MUITO ruim, formada lá, comigo, neste mercado aí. Dá dó.
E, ao mesmo tempo, há tanto profissional autodidata que dá show!
As minhas duas profissões não exigem diploma, curso técnico ou coisa que o valha. Por que o mau designer só consegue, como dano ao público, promover a feiúra e o mau gosto – como pode-se confirmar nas fotos a seguir. Se bem que duvido que isso seja coisa de designer. Duvido até de sobrinho… -, caso faça alguma grande bobagem. E quem tem noção do belo quase sempre consegue se virar bem sem a teoria, sem a técnica.
“Lindos” mascotes! Foi um designer quem fez?
Minhas faculdades não foram isso tudo, mas tirei proveito de tudo o que era aproveitável e não saí de lá me achando a phoda, sem entendimento de minhas limitações nem me achando a pessoa mais criativa do mundo. Minhas faculdades me deram senso estético e, acima de tudo, consciência. Isso é uma coisa que faz falta em muito formado naquela faculdade da qual falei o que penso – seja jornalista, seja publicitário – e, por isso, existe o tal post. E, agora, me cansei e encerro o caso.





