Minorias

Eu vivo pensando em cotas, em gays, em preconceito, em discriminações, em estupidez humana e sempre penso no Rouanet. Prefiro esquecer a lei que leva seu nome – uma lei tristemente usada para o mal – e me lembrar do seu livro A Coruja e o Sambódromo! Li um pedacinho desse livro na faculdade, há uns 20 anos, e nunca mais consegui encontrá-lo. Mas me marcou a fala sobre particularismos. Um dia eu o encontro, novamente…

Como seres humanos, todos nós, num momento oportuno, nos fazemos de vítimas e/ou de especiais. Faz parte. Minha particularidade, minha minoria, é sempre a mais sofrida… Me separo do joio – ou do trigo, dependendo -, me uno aos “meus” e nos impomos de alguma maneira. “Pobre de nós, precisamos ser recompensados pelo que fizeram a nossas ta-ta-ta-ta-ta-ta-ta-taravó na Irlanda… Isso nos marcou muito…” E, assim, somos todos fadados a pagar, eternamente, pelos erros dos nossos antepassados – e dos dos outros, também.

Meu marido estava zoando – chuchuzinho que ele é – que o Aaron deveria fazer shows na Tanzânia, onde o corpo – albino – dele, morto, vale uma nota!

Se albinos, ainda hoje, são usados em magia negra; negros foram usados como escravos e, hoje, são considerados por muita gente - muita gente negra, inclusive – inferiores, vai se saber o porquê; se judeus foram perseguidos por Deus e todo o mundo desde tempos bíblicos – e antes – e ciganos são eternamente vistos como sujos e maus, como é que ficam os ruivos nisso?

Somos minoria, quase beirando a extinção. Somos zoados na tenra infância. Os meninos são ditos feios – mesmo quando lindos – por uma cambada de ignorantes generalizadores. Fomos perseguidos pela Igreja, que nos queimava nas fogueiras por sermos, supostamente, bruxos – como ousam nascer diferentes?! Antes disso, no Egito, já éramos sacrificados por sermos sinônimo de má sorte – como, repito, como ousam nascer diferentes?! Hoje em dia, corre por aí um boato de que somos “bons de cama” – mas que merda é essa? Ninguém tem obrigação de sequer fazer sexo meia boca, só por ter cabelo vermelho.

Eu, particularmente, então, além de ruiva, sou mulher, descendente de bispo com mula-sem-cabeça, brasileira, com um pé na ciganato… Sou minoria, rara, talvez, única. Cadê minha cota, cadê a parte que me cabe neste latifúndio?! Onde encontro meus privilégios de minoria sofrida?

A resposta é simples:

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Em outras palavras: parem já com isso! Saiam todos dessa onda! Vocês – nós – são a minoria numa particularidade qualquer, mas são a maioria que geme e chora pelas injustiças do mundo… O mundo é injusto, a vida é essa e cada um é um. Não gostou? Quem sabe, você, em vez de buscar a vantagem, não busque a mudança?! Hein? É, pelo menos, uma ideia?!

Joio ou trigo, somos farinha do mesmo saco. Burros ou inteligentes, somos todos gente. Brasileiros ou brasileiras, somos todos uns f*didos. Ninguém é melhor - ou mais coitado – do que ninguém. No fim, todo mundo morre. Enquanto o fim não chega, vamos tentar tornar este um lugar de, pelo menos, tolerância? Obrigada.

Amargor…

Ando de mau humor. Tanto, que dois posts escritos, corrigidos e ilustrados não entrarão no Pitacos. Tipo, vamos manter certo nível, aqui…

Atualmente, sou uma máquina cuspidora de palavrões. Pensei, até, em ter um “jarro de palavrões”, onde eu colocaria 1 real para cada obscenidade proferida. Marido disse que ficaríamos ricos - e quebraríamos, ao mesmo tempo…

É… Para não escrever nenhum, aqui, vou recorrer a citações, ok? This is me then:

0adae56088e997192c2196dfe011d253Não vejo nenhum bom motivo para agir de acordo com minha idade.

cca25169085df5105e46730f07ec91e1Ser adulto. Se você não está cansado, está fazendo isso errado.

c19cb39651b58386389fdb4850ca1f29Dinheiro não compra felicidade. Mas pobreza não compra nada.

MjAxMi05ZDcwYTVmNmE0MjBkNGZlEm vez de limpar e organizar minha casa, eu “pino” ideias de como limpar e organizar minha casa. A ironia não está perdida para mim.

02c193d6cfea00875540d5d558d8cf5a Algumas pessoas sugam o que há de bom de mim.

173c92c960bb7b7466ecc61c6bf98206Não odeio pessoas matutinas. As manhãs não tem nada a ver com isso.

rxTA7C0mo um bom vizinho, fique por lá

883979_10151304914136610_153253413_oVocê não é bom em nada, mas ainda existem cotas para minorias

c653ea5983995c42e9751119a67efc3cOh, eu lhe ofendi com minha opinião? Você deveria ouvir as que eu mantenho pra mim

f3e4aca14af38ac92e83544ef3890930Não estou discutindo. Estou apenas explicando porquê estou certa.

ce358cb79c7f6c0945f5e0a7109cd07cEstá ok você discordar de mim. Não posso lhe obrigar a estar certo.

be8b24a7bc4905079c8c78e47e803e72Meu coração quer raízes. Minha mente quer asas. Não posso suportar a disputa.

Dilma-Papa

Não é uma citação, mas é uma boa razão para mau humor. E a dona ainda tem recorde de aceitação?!

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Celular

No fundo, não somos nem um pouco Homo sapiens. Nossa diretriz primária é matar. O que Darwin foi educado demais para dizer, meus amigos, é que dominamos a Terra não porque éramos os mais inteligentes, ou mesmo os mais cruéis, e sim porque sempre fomos os mais loucos, os mais desgraçados homicidas da floresta. (…) meu intuito não é acusar a humanidade. Se fosse, diria que para cada Michelangelo existe um Marquês de Sade, para cada Ghandi, um Eichmann, para cada Martin Luther King, um Osama Bin Laden. Vamos nos limitar ao seguinte: o homem dominou o planeta graças a dois traços essenciais. Um é a inteligência. O outro é a completa disposição para matar tudo e todos que possam vir a impedi-lo.

Diretor Ardal em Celular, de Stephen King

Libertação

Eu reclamei muito de 2011 e 2012. Foram anos atípicos, ruins, pesados. Aumentaram-se os clientes e funcionários, na agência, e aumentaram-se os problemas, os processos, os prejuízos. Minha “babá” – ou minha secretária pessoal – foi-se embora. Fiquei com raiva, muita. Aliás, vivia com raiva, com mau humor, a ponto de explodir. E explodi, um sem número de vezes. Se “aquele que ri ao invés de enfurecer-se é sempre o mais forte”, eu estava fraca, muito fraca.

Eu não tolero inapetência, descompromisso, estupidez, intriga, desrespeito. E isso tudo contagia! Tipo “chega-te aos bons, serás um deles, chega-te aos maus, serás pior do que eles.” Cheguei-me, inadvertidamente, aos maus e fui pior, em vários sentidos. Porque “dentro de mim há dois cachorros: um deles é cruel e mau; o outro é muito bom. Os dois estão sempre brigando. O que ganha a briga é aquele que eu alimento mais frequentemente”. O mau comeu demais nesses dois anos.

“O primeiro passo para a cura é saber qual é a doença” e eu, finalmente, fui forçada a descobrir. Pena que demorou. Eu sou crédula, eu confio. Ou sou prepotente demais para acreditar tão piamente em meu julgamento que nem escuto o que os outros dizem. E os outros param de dizer… Meu marido crê em conspirações a torto e a direito, é desconfiado e acho este comportamento cansativo e desgastante, mas ele não perde a razão, por isso. Há de se “confiar desconfiando”. Como se diz: “cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém” – se você não for a galinha, é claro.

Agora, está tudo bem. “Depois da tempestade vem a bonança”, por isso, “dias melhores virão”. E, no fim das contas, não há com o que me preocupar, porque “aqui se faz, aqui se paga”. Eu acredito muito nisto.

P.S.: sim, sobraram muitos provérbios do 1000º post e não quis desperdiçá-los. Lamento se fui cansativa, mas me diverti! Minha avó fala através de provérbio e é meio que uma homenagem à velhota!

1000º post

Cheguei ao 1000º post há uns 20 posts atrás. Infelizmente, muitos foram subtraídos por questões judiciais, o que comprova que liberdade de expressão é “manga de colete”.

Estranho é que nunca fiz nada ilegal, aqui. Não fiz apologia às drogas ou ao nazismo, não caluniei ou difamei pessoa alguma, não ofendi nem discriminei ninguém. Somente emiti opiniões, dei pitacos. E se para “cada cabeça, uma sentença”, a minha já foi condenada à forca uma porção de vezes. Mas de nada adianta a imposição judicial, porque se “não há marcas que o tempo não apague”, há as que perseguem a pessoa por escolha própria.

Acho interessante que meu blog seja usado contra mim. Acho estranho que pessoas que dizem que me odeiam o frequentem. Mas é aquela coisa: “você não pode impedir que abutres sobrevoem sua cabeça, mas pode impedir que eles façam um ninho nela”. Há quem tente, não há mais quem consiga.

Já houve. “As más companhias são como um mercado de peixe; acabamos por nos acostumar ao mau cheiro”. Tanto, que não percebemos que algo fede e nos deixamos enganar. “Um cão não morde a mão de quem o alimenta”, mas uma “cobra” não pensa duas vezes antes de fazê-lo. E “mesmo a melhor das cobras é uma cobra”, né?!

É sempre a mesma história, “não há pior inimigo que um falso amigo” e a gente só reconhece um desses quando é tarde demais. Mas “se uma pessoa te enganar, ela merece uma surra, se essa mesma pessoa voltar a te enganar, quem merece a surra é você”. Por isso, fique esperto! “Tudo o que acontece uma vez pode nunca mais acontecer, mas tudo o que acontece duas vezes, acontecerá certamente uma terceira.”

“É muito fácil ser pedra, o difícil é ser vidraça.” E eu, ao ter um blog de opinião e não ser anônima, optei por ser os dois. “Todos os fatos têm três versões: a sua, a minha e a verdadeira” e, aqui, eu mostro a minha, com minha verdade individual, com minha verdade questionável. E para me questionar ou para compactuar com minha versão é que há comentário abertos.

Nestes dois anos e meio de blog, 1000 e poucos posts, eu aprendi a “não cair antes de ser empurrada”, mas prefiro usar qualquer empurrão como impulso. E “se eu cair, do chão não passo”.

Outra coisa que aprendi é a não me arrepender, porque “há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”.  Mas eu “costumo voltar atrás, sim. Não tenho compromisso com o erro”*. Nem por isso, apago posts – a não ser quando sou ameaçada com multa diária -, então, o que foi escrito pode ser lido e, se a minha opinião mudar, bola pra frente, post novo. Porque “você pode encarar um erro como uma besteira a ser esquecida ou como um resultado que aponta uma nova direção”**. Prefiro a segunda opção.

E assim, vou vivendo e postando, sempre “esperando o melhor, preparando-me para o pior e aceitando o que vier”.

“entre aspas” Provérbio populares de todo o mundo!

* Juscelino Kubitschek
** Steve Jobs

F* U

‎Certa vez, um mestre respondeu a seu discípulo a propósito de haver quem falasse mal ou bem dele:

_ Não se preocupe, pequeno gafanhoto. Lembre-se que, enquanto existe uma pessoa que não gosta de você, existem outras muitas que gostarão muito.
Da mesma forma, se há uma pessoa que gosta de você, existirão muitas outras que não lhe suportarão.
Por isso, gostar ou não gostar é completamente irrelevante.

Esse cara não é mestre à toa!

Frases bacanas

Quem reclamou que eu estou sumida do blog – só uma pessoa e, mesmo assim, só comentou. Nem reclamou de verdade! – vai ter “diversão” pra semana toda. Tem leitura, aqui, pra mais de metro.

Como vou lá cuidar da vida, agora, deixo vocês com frases com as quais me identifiquei nos meus últimos livros lidos. Todas de Stephen King.

De The Green Mile:

As pessoas consideram-me um tudo-nada distanciado, porque durante o dia não vou à sala da televisão, mas isso deve-se ao fato de não conseguir suportar os programas, e não as pessoas. Oprah, Ricki Lake, Carnie Wilson, Rolanda – o mundo está a desmoronar-se em redor dos nossos ouvidos, e tudo o que interessa a estes apresentadores é falar acerca de foder mulheres de saias curtas, e de homens que têm sempre as camisas abertas.

A mão de um homem é como um animal que só está meio domesticado; a maior parte das vezes é boa, mas por vezes descontrola-se e morde a primeira coisa que lhe surge à frente.

Por vezes, é-nos impossível ajudar as pessoas. Por vezes, é preferível nem sequer tentar.

Por vezes não existe diferença absolutamente nenhuma entre a salvação e a danação.

De O Corpo:

As coisas mais importantes são as mais difíceis de expressar. São coisas das quais você se envergonha, pois as palavras as diminuem — as palavras reduzem as coisas que pareciam ilimitáveis quando estavam dentro de você à mera dimensão normal quando são reveladas. Mas é mais que isso, não? As coisas mais importantes estão muito perto de onde seu segredo está enterrado, como pontos de referência para um tesouro que seus inimigos adorariam roubar. E você pode fazer revelações que lhe são muito difíceis e as pessoas o olharem de maneira esquisita, sem entender nada do que você disse nem por que eram tão importantes que você quase chorou enquanto estava falando. Isso é pior, eu acho. Quando o segredo fica trancado lá dentro não por falta de um narrador, mas de alguém que compreenda.

Do conto “A morte de Jack Hamilton”

Fui criado como cristão — admito que me afastei um pouco ao longo da jornada — e acredito no seguinte: a gente faz o que pode, mas tudo bem; aos olhos de Deus, nenhum de nós é muito melhor do que moscas amarradas em fios, e o que importa é quanta luz solar o sujeito pode espalhar ao longo do caminho.

E devo retornar na próxima sexta ou, se acontecer algo realmente relevante, antes disso! Até!