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Categoria: ‘Itaúna’

  1. Desconsolo

    4 de junho de 2013

    A morte é injusta. Leva pessoas que são boas, amadas, necessárias, felizes, bem-sucedidas. Deixa os maus. Ok, eventualmente, todo mundo morre. Mas “eventualmente” não me serve. Me serve o aqui, o agora. E foi daqui, agora, que a morte levou uma menina linda, talentosa, boa, generosa, feliz. Infelizmente, não deu tempo de sermos amigas. Infelizmente, não deu tempo de muitas outras coisas.

    Minha cabeça pirada fica tentando organizar a vida que ficou. As coisas que ela deixou de fazer. O ex-namorado. Os pacientes. Os funcionários. Fica tentando entender como as coisas se ajeitarão. Não é problema meu. As coisas se ajeitarão, “eventualmente”. Mas não consigo evitar.

    A morte me abala. Não porque ela era tão nova, não porque foi tão absurdamente de repente. Se fosse velha e/ou doente me abalaria, também. O “ser esperado” não facilita nada. Porque, veja bem, querendo ou não, é esperado o tempo todo.

    Doentio o senso de humor de quem inventou a “consciência da morte”, mas não se dignou a pregar o prazo de validade no fundo da embalagem. Cruel essa existência sem sentido e perecível, mas tão preciosa e amada.

    É tão incomensuravelmente triste. Passamos boa parte da vida nos iludindo – e aos outros -, dizendo que “tudo dará certo no final”. Quantas vezes eu mesma citei tal porcaria?… Nem sei. Mas nem sempre dá certo. E, cada vez mais, o final chega antes do que esperamos. Não é justo…

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  2. Vizinhança do barulho

    26 de maio de 2013

    Eu não tive muitos problemas com vizinhos lá em BH. No prédio em que morei boa parte da vida, a gente se dava bem com todos. As pessoas se respeitavam, havia limite. Mudamos para uma casa em frente ao prédio. Mudou-se um advogado para o nosso apartamento e, sim, ele deu trabalho. Mas só porque insistia em ouvir música gospel em altíssimo volume. Me incomodava, do outro lado da rua, nos fundos da casa. Nem imagino como era ser vizinha de janela do sujeito. Reclamavam, ele ameaçava – advogado, já viu… – e, por fim, não renovamos o contrato de aluguel dele. Foi um ano de inferno gospel – se fosse axé, sertanejo, Roberto Carlos ou seja lá o que for, naquele volume todo, seria inferno do mesmo jeito, ok?!

    Em Itaúna, tive problemas desde o primeiro dia. A minha primeira casa, aqui, tinha, de um lado, uma família composta de uma adolescente que berrava e batia porta o dia todo e seu irmão, que achava que tocava guitarra. Um saco. Do outro lado, um ex-militar que tomava conta da nossa vida, das nossas visitas e do nosso pé de acerola. Outro saco. De frente, uma louca que gostava de nos incomodar. Virava e mexia, lá estava ela no nosso portão, pedindo algum favor estranho ou reclamando que a gente ligava demais para ela de madrugada, sem se identificar, para reclamar do cachorro que eu nem sabia que ela tinha.

    Quando nos mudamos, contei sete casas vizinhas diretas. Sete!! Fora um terreno baldio. E fora as mais afastadas, mas nem tanto. Ai… A princípio foi bem tranquilo, mas, depois que morreram dois dos vizinhos bons e a única família problemática foi substituída por uma república, o trem degringolou… Dos sete, somente dois não incomodam, não interferem, não enchem o saco e não fazem barulho.

    Tenho vizinha que berra com o cachorro enquanto ele se esgoela em latidos. Tenho as que fazem aula de striptease aos gritinhos hietéricos. Tenho o terreno baldio cheio de mato. Tenho os que adoram tacar fogo nas coisas. Tenho a que odeia abacate. Tenho os que nos denunciam à vigilância sanitária por causa de sujeira.

    O cara da vigilância veio inspecionar minha casa, por causa de uma denúncia de vizinho. Viram a aranha no blog, foi isso?! Só sei que o cara não achou uma larvinha de inseto aqui, uma aguinha parada que seja, ficou encantado com o quintal, cheio de galinhas, mas limpinho. Não encontrou matinho nenhum. Nada. E comentou: “seus vizinhos não tem o que fazer”. Não devem ter, mesmo.

    Daí, quando vejo o senhor que matou os vizinhos por causa do barulho, fico chocada. Se eu não matei ninguém, ele não podia se dar ao direito, com ou sem síndrome de Guillain-Barré. Se extrema falta de educação, excesso de barulho, falta de limite, invasão de privacidade, fumaça e picuinha ainda não me levaram ao limite, talvez nada leve. A não ser que mexam com qualquer um dos meus gatos. Se acontecer, Deus queira que não, nunca, vai ter vingança, na certa.

     


  3. Malditas aranhas!

    14 de maio de 2013

    Faz frio em Itaúna. E as aranhas, friorentas, tentam se abrigar na minha casa. Semana passada, uma belezura cinzenta e peluda passou sobre meu pezinho, na cozinha. Hoje, encontramos duas armadeiras na área íntima. Fofuras de aranhas mais venenosas e agressivas do mundo, de acordo com o Guiness Book.

    A da manhã fez sucesso no meu Facebook.

    aranha-1Olha a linda!

    A da noite foi tão difícil de matar que não rolou sessão fotográfica. E eu gritei a plenos pulmões! Mas o Raid preto nos salvou!

    Como dizia Axl, “you’re in the jungle baby! You’re gonna die!“. No caso, a selva é minha e quem morre é elas.


  4. Fim de semana

    13 de maio de 2013

    Sexta estava bem frio. Vesti meu capote¹ e lá fomos nós para um casamento no condomínio. O lugar é lindo, mas é aberto e à beirinha da barragem, ou seja, gelo!

    É o segundo casamento a que fui que aconteceu lá e, juro, foram os dois melhores! O primeiro, há uns dois anos, aconteceu durante o dia, também no outono. Casamento de chilena – linda – e teve muito vinho da terra dela. A festa foi ótima e descontraída e comi doce à beça! Olho de sogra caramelado é o que há!!

    O de sexta foi mais formal, à noite. A noiva estava lindíssima, passando frio num belíssimo vestido tomara-que-caia, nervosíssima, mas encantadora. Fez a entrada mais bonita que já vi! Quase chorei - inédito, isso! A cerimônia teve até fogos de artifício e foi muito bonita.

    A festa foi inacreditável. Nunca vi tanta fartura! Mesa de tira-gosto com carpaccio de salmão? Tinha. Garçom disputando a nossa atenção? Demais! Jantar à la carte – como se precisasse de mais comida – e sobremesas variadas? Hã-hã. Globo filmando? Sim, senhor! Sabe o que não tinha? Bebida alcoólica! E não fez falta! Achei bem bacana da parte deles, além de corajoso à beça. Todo mundo se divertiu – o músico era muito bom, também – e pode voltar para casa em segurança.

    Foi tudo muito bom e bonito! Torço para que eles continuem sendo muito felizes!

    Sábado, tentei fazer muita coisa, mas o Dia das Mães dos atrasadinhos lotou o Centro e acabei voltando para casa, para curtir ressaca de comida!

    Domingo, fomos para o sítio dos sogros. Primo Lu – italiano – fez macarrão para mim e minha nova “mãe”, que não comemos camarão – meu sogro fez risotto de frutos do mar. Tia Linda fez bolo de limão – meu favorito!! – para comemorar o aniversário do Tio Lulu. No fim das contas, quase saí carregada de tanto que comi! Começo a entender a obesidade quando comida passa a ser tão prazerosa… Medo…

    Minha nova “mãe” é a mãe do Tio Lulu, namorido da minha cunhada. Foi identificação total na frescura e na loucura! Adorei-a!! Adotei-a!!

    É… Contra todas as previsões, tenho me divertido muito, este ano! Tá tudo bom!

     

    1. A palavra me surgiu do além-túmulo! Só pode. Para os novinhos, que talvez não saibam, significa: casaco comprido e amplo, para tempo frio.

     


  5. Pimenta é refresco

    5 de maio de 2013

    Este ano, fui convidada a ser capa de uma revista social daqui de Itaúna. Aceitei meio que em pânico, porque não gosto de aparecer e não sei me comportar! Sou uma selvagem!

    E qual não foi minha surpresa, neste fim de semana, quando fui parar na quarta-capa, em uma citação na coluna social, de um jornal local?! Meus momentos de fama se perpetuam!! Vou acabar me acostumando!

    E, enquanto isso, teve quem se gabou de não ter o nome sujo em capa de jornal e teve que retirar, literalmente, o que disse… Tá sujo na capa, no miolo e na quarta-capa! É muita m*rda, viu?!


  6. Menosquências…

    3 de maio de 2013

    Antes de mais nada, deixe-me esclarecer: a enquete ali do lado não tem nada a ver com minha vida, situação ou coisa que o valha. É apenas curiosidade que surgiu em meio às minhas leituras.

    Minha opinião, se é que interessa a alguém, é que vingança me dá preguiça. Fria, então… Porque, no calor do momento, até vale um descontrole. Mas ficar requentando ódio por muito tempo, ficar revivendo dores, nhé. Não é comigo. E eu tenho aquela crença de que a vida se encarrega. Na verdade, acho que todo filho da p*ta se ferra sozinho, se enrosca, se dá mal no meio do caminho. É típico da raça. Eles se acham espertos demais!

    Agora, se a vida me der a oportunidade de empurrar o cara pra fogueira… Eu topo.

    Mas o objetivo do post é outro! É que minhas orelhinhas estão ardendo! Foram puxadas duas vezes, em três dias…

    Na terça, mereci! Eu estava fofocando, assim, à toa, sem nenhum objetivo e propósito. Minha cunhada sempre disse que o primeiro sintoma de que me enturmei com Itaúna é que passei a fofocar. Mas não é bem por aí. Fofoquinha do tipo: “fulano se casou”, “sicrano se separou”, “beltrana engravidou” é típica da humanidade. É simples constatação de acontecimentos. Em cidade de interior só parece maior porque mais gente se conhece. Mas a intriguinha gratuita, daquele tipo em que a gente fala do outro como se fosse melhor do que ele - e era isso o que eu estava a fazer - é duma feiúra! E por quê eu fiz? Não sei o que me deu. Baixou um espírito de porco - tadinhos dos porcos - ou a má influência ainda anda à espreita. De verdade, não sei. Mas senti tanta vergonha de ter sido chamada à atenção que fiquei vermelha e tentando, em vão, me justificar.

    E, então, parei de fofocar? Duvido. Mas, pelo menos, daqui por diante, fa-lo-ei com vergonha! É, isso é falta de vergonha, eu sei, mas, cara, falar mal do outro é irresistível! É antopológico! É se sentar no seu rabinho, se esquecer que você é um bosta, e avaliar o outro. Julgar e condenar… Ok. É feio. Vou me policiar.

    Outro puxão de orelha veio ontem. A pessoa me disse que me falta elegância – esqueci a palavra exata, mas esta serve, no contexto – em uns posts aqui. Que eu não penso no outro, que eu generalizo sem medir consequências, que eu pego pesado no lado pessoal. E é fato. Esta sou eu. De uma indelicadeza e falta de classe que só. E, quer saber? Essa vai continuar sendo eu. Aqui é minha terapia. Escrevo, você lê - ou não - e vida que segue. A minha, mais leve. Eu escrevo no calor do momento - e já até me aconteceu de me arrepender da bobagem registrada. É o que se passa ali, naquela hora. Se fosse para escrever bem, com classe e bonito, eu deixaria o sentimento de molho até poder formular o texto bem bacana, classudo e emocionante. Quem sabe, virar meme com minhas frases belas?! Não! Não é esse o objetivo!!

    Ofendi alguém?! Realmente lamento, mas não muito – ah, dependendo de quem, nadinha mesmo. Esse alguém sempre tem a chance de revidar nos comentários. Sempre. Posso treplicar partindo pra baixaria, se me der na telha, mas, né?! A vida é assim mesmo. Acontece - e me aconteceu no episódio aí de cima – de cair o nível. Mas, ó, manter a pose no dia a dia, na vida real é tão difícil. É tão frequente o meu uso de focinheira para tratar com os outros que, aqui, eu não me seguro. Não quero me censurar.

    Outro dia, no aniversário do blog, eu cheguei a cogitar me livrar dele. Achei que eu estava ficando velha pra bloggar e talvez esteja. Mas não quero partir pros tarjas-pretas ou pra análise - na qual, para mim, eu não acredito - por isso, o blog ainda me serve. E, nele, vou continuar sem patrulhamento – mas se minha advogada mandar tirar, eu tiro… Aceite-me como sou, bata boca comigo ou caia fora! Ou nada disso. Mas, lembre-se, você é livre para se livrar de mim. Eu sou livre para me ser!

    Não fiquei ofendida ou triste ou arrasada com nenhum dos “puxões de orelha”. Aliás, gostei deles como início de auto-análise. Foi válido e agradeço os toques!

    Segundo minha nova “ídola”, Anne Rice, em A Rainha dos Condenados, “nenhum de nós realmente muda com o tempo; apenas nos tornamos mais integralmente o que somos.” Se é para ser assim, que eu, pelo menos, saiba bem o que sou e o seja direito!


  7. Atualizando

    7 de abril de 2013

    • Pois é. Conforme dito, passei minha Semana Santa - o fim de semana prolongado, pelo menos - capinando. Arranquei mato pela raiz. Catei cocos, galhos, folhas e matinhos. Coloquei tudo na caçamba. Tudo muito tranquilo. Mas, depois disso:

    cacambaIsso representa 1/3 dos meus problemas na casa

    Minhas pernas estavam mortas. Tive cãimbra na parte posterior das coxas. Mal me mexia… Mas confesso que gostei. Eu tenho horror a academia ou caminhadas. Coisas mais sem propósito. Tá, eu sei, saúde. Mas preciso de mais do que isso para me mexer. Combinar atividade física com utilidade pessoal é um começo. Vou cuidar do jardim e do quintal, de agora em diante. E fiz isso a semana toda.

    • Durante a arrumação do quintal, encontrei um ninho de galinha sob as folhas de um dos coqueiros. Quase matei a coitada tentando tirar as folhas. Mas a percebi a tempo e marido arrumou o “telhadinho” dela, novamente. Depois de tê-la descoberto, fiquei preocupada e ia visitá-la todos os dias para ver se estava bem.

    Ontem, em meio às chuvas, fui procurar os gatos e a descobri, morta, num outro canto. Desconfiei do Will, que tem mania de perseguir as galinhas. Mas, felizmente, não foi ele, foi gambá. O ninho foi devassado, ela estava totalmente sem sangue. Que tristeza… Ela era bacana e iria ter muitos pintinhos, com os quais eu já sonhava - e perdia o sono. A natureza é bem cruel…

    • Então, decidimos não ser mais tão amigos da natureza e vamos exterminar as aranhas do nosso jardim. São inúmeras, feias e, algumas, resolveram dar voltinhas dentro da casa. Já pegamos uma armadeira, há um tempo. Ontem, depois de horas e horas tentando cavar debaixo da geladeira, a Guapa pegou uma aranha de grama bem grandona, horrível! Aliás, a grama está repleta delas… Eu nunca tive medo de aranhas, mas tenho tido pavor. Temo pelos gatos… Temo por mim, que fiquei grudada na teia de uma aranha de teia dourada, na véspera do meu aniversário - e tive urticária. Tenso.

    Sei que aranhas são úteis e tal, mas o medo é maior do que o que eu sei e o que elas representam.

    • A Guapa é uma gata suicida. Brincando com aranha, subindo em árvore e não conseguindo descer ou se enroscando na cerca elétrica do vizinho, ela passou o fim de semana tentando me enlouquecer.

    • Preciso emagrecer. Engordei tudo o que emagreci em 2010/2011. Alergias, estresse, irritação e, principalmente, comer muito e ser sedentária foram terríveis com minha aparência. Não é só gordurinhas, dei uma envelhecida cruel. Tenho dois meses para resolver isso. Dia 29/06 tem Feminino Plural e amo a festa. Quero estar lindona!!

    • E por falar em comer muito, as pizzas e a parmegiana do Lódi e os sanduíches do Califórnia estão me ajudando a engordar! Há poucos bons lugares para se comer em Itaúna, mas estes dois são supimpas!!

    E o Pinterest, aquele gordo, tem me feito fazer coisas tão gostosas que está duríssimo…

    • E enquanto não consigo comprar os livros do Stephen King que ainda não li, resolvi ler outros autores. Anne Rice me agradou muito! Estou mergulhada nas Crônicas Vampirescas!

     

     


  8. Peleja constante

    22 de fevereiro de 2013

    Tá bom, tá bom… A culpa não é de Itaúna. Talvez dos itaunenses, que se contentam com pouco. Talvez de Deus, que não foi misericordioso com este lugar, esquecido por Ele…

    Não transferi meu título de eleitor para cá. Não transferirei. Porque eu não tenho interesse em votar, porque eu não pretendo estar aqui nas próximas eleições municipais, mas, principalmente, porque não.

    O novo prefeito, como eu havia previsto, é o velho prefeito com mais aliados. Namorada, amigos e aliados dos mais variados com emprego na Prefeitura, coleta de lixo ineficaz e supostamente superfaturada, cidade esburacada, ou seja, mais do mesmo. Tipo, sai pinto, entra pau. E o Vergonhas de Itaúna?! Dizem que é (era) do sobrinho do prefeito, então, nem notícias dele. Calado. Zip.

    Enquanto isso, o Eike planeja construir uma barragem lá pros lados de Itatiaiuçu, para rejeitos de mineração ou coisa que o valha. A médio prazo, Itaúna ficará sem água, pois a barragem, literalmente, barra a vinda de água para o São João, o rio que abastece a cidade. E o que fazer? Tentar lucrar com isso!

    Entendo que o Eike é biliardário. Entendo que o dinheiro compra (quase) tudo, inclusive, um engenheiro ambiental fodão que aprova uma empreitada tão totalmente antiecológica como esta. Entendo que ficamos de mãos atadas. E entendo que Itaúna tem mais Ferrari por habitante do que qualquer outro lugar na América Latina – Ferrari, aquele carro caro e baixo, que não transita por essas ruas encalombadas e esburacadas. Ou seja, se juntar – pouco -, Itaúna tem muito mais grana que o Eike. Mas nenhum interesse em cuidar da cidade.

    Os ricos, aqui, especulam. Só. Dão grana para qualquer candidato para que, aquele que ganhar, não lhes encha o saco. Compram casas em processo de tombamento e as transformam em estacionamento. Contratam empresa de BH para construir suas mansões de um quarteirão. Contratam empresas de BH para organizar suas festas de casamento – e a polícia de Itaúna para a segurança dos convidados. Ninguém faz nada pela cidade, muito antes pelo contrário.

    Ao mesmo tempo, os mesmos problemas de sempre. Os serviços de água e luz são uma bosta – com o perdão do meu francês. A água está sempre suja – ou clorada demais. Não tem Omo que lave branco, quando a água é amarela. Meu lava-louças morreu entupido de sujeira da água – e ninguém conserta lava-louças na região. Minha máquina de lavar roupas funciona a meia bomba, pelo mesmo motivo. Hoje, meu microondas morreu afogado, porque desligaram a água e, quando a religaram, veio junto tanto ar, sujeira e pressão, que o cano estourou. Resultado: cozinha inundada e mais prejuízo.

    Sem contar as visitas do esgoto dos ricos, a cada 4 anos. Mas nem reclamo mais. Poderia ser pior; eu poderia morar na casa vizinha, onde as visitas do esgoto são mais frequentes – para minha sorte, quando vaza lá, não vaza aqui.

    A Cemig, há uns dois meses, me deixou 13 horas seguidas sem luz, porque choveu. Graças a instabilidade da energia fornecida, tivemos perda de 4 nobreaks, 1 TV 37 polegadas, 1 monitor da Apple, 1 fonte do Mac, 3 ventiladores e um punhado de lâmpadas – inclusive, de LED.

    Não vou citar falta de mão de obra qualificada e gente que queira trabalhar honestamente, falta de compromisso e ineficiência generalizada, porque isso é meio que do seu humano neste nível de evolução, né?! Não é privilégio da cidade.

    Mas cito a falta de vontade de ser melhor, de fazer melhor, de viver melhor.

    Eu, que nunca me contentei com pouco, reclamo aqui e, se está a meu alcance, não fico só nisso. Eu não cruzo os braços, eu processo. Afinal, se dói no bolso, dói de verdade.

     


  9. “MAL (SIC) IGUAL AO PICA PAU”

    7 de fevereiro de 2013

    Vieram me contar que uma pessoa que eu já quis bem disse que eu e meu marido somos: “bostas ralas” que vivem “enclausurado em uma casa redeado (SIC) de mijo, sujeira e SOZINHOS.” Sobre isso, tenho a dizer:

    Que dó! Esperava mais…

    Eu viveria enclausurada numa boa, mas ainda me obrigo a sair de casa, sob protesto. E não troco meus mijões por todo o ouro do mundo! Mijo a gente limpa, é só passar o Sekito e enxaguar. Tem produtinhos ótimos para limpeza e, para deixar a casa cheirosa, há outros tantos. Agora, que não temos mais chechelentos, cheios de fricote com cheirinhos, andando e espirrando pela casa, podemos deixá-la gostosinha!

    Quanto à sujeira, nos livramos de metade dela o dia 24/10. De boa parte, em 21/12, e o que restava foi embora no dia 26/01. Ou seja, estamos limpos!!

    SOZINHOS? Muitas vezes, sim.

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    O silêncio nos comentários do meu blog pode dar a impressão de que estou falando sozinha, aqui. Mas sei que não. E mesmo que estivesse, a vida real é cheia de pessoas que nos apoiam, que estão conosco. Semana passada, fiquei muito comovida com uma cliente que, de passagem por Itaúna, veio só para me dar um abraço. Ela achou que eu precisava e achou certo. Pudemos contar, nesses últimos tempos, com o carinho e apoio de uma porção de pessoas: CLIENTES, amigos, parceiros, colegas, família. E digo: estamos muito bem acompanhados. Para dois “bostas ralas”, estamos até bem demais!

    Acredito, cada vez mais, que algumas dificuldades surgem nas nossas vidas para nos colocar no nosso lugar, para que a gente se localize no mundo. Eu, por minha vez, percebi que sou uma pessoa de muita sorte. Passo por uns apertos brabos, não sou rica, não tenho posses nem poder, mas isso faz tão pouca diferença no montante. O que faz a diferença é que tenho poucos, mas bons amigos. Tenho uma família que se ama, se apoia, se cuida, que não tem pelo quê disputar e que é joia. Nem sempre fomos assim, mas somos assim agora e é só isso que importa. Tenho saúde. Tenho amor, mais do que consigo lidar. E, mesmo que exista um maior número de pessoas que me detestam, neste mundo, do que das que me amam, isso nem faz cosquinha. Porque, no final, o amor que você leva é o amor que você dá. E eu tenho muito!


  10. Vovó

    27 de janeiro de 2013

    Todo encontro que tenho com minha avó é mais ou menos previsível. Porque, das duas, uma: ou ela vai me provocar e começamos uma briga antes do “olá, como vai” ou ela aguarda um pouco e começa com alguma crítica: “seu cabelo está precisando de um corte”, “que palidez! Passa um batom, menina”, “como você é lambona e desleixada!” ou “você está gorda – antes, era magra – demais”. Mas o favorito é “larga mão dessa Taúna, vai trabalhar, ganhar dinheiro, receber férias e 13º, aposentar. Olha sua prima! É professora. Tira férias 3 meses por ano!”.

    É do temperamento da minha avó implicar. Minha tia, há 18 anos, ouve ela dizer: “você tinha um corpo! Agora, taí, desleixada e gorda” e, logo depois disso, minha avó reclama que ela não comeu tudo e não quis sobremesa. Quando era chefe de cozinheiras, minha avó implicava tanto com a fritura do bolinho de espinafre, que uma de suas subalternas, à época, nunca mais sequer comeu um desses malditos bolinhos: “se der perninha, vai ter que fritar tudo de novo!”, minha avó dizia. E, claro, sempre dá perninha! Sem contar a cozinheira que puxou a faca para ela, por não aguentar mais ouvir desaforos. Ela não se emendou nem com ameaça de morte, imagina se alguma coisa dá jeito. Não dá.

    Mas o que vovó não sabe é que, se ela não gosta das minhas escolhas, ela não deveria ter me forçado a elas. Sim, minha más escolhas são diretamente relacionadas às más escolhas que minha avó fez comigo. Tanta crítica destrói a auto-estima de uma criança. Eu cresci sendo medrosa, sem muita vontade de tentar as coisas. Eu era diferente – ruiva e sardenta – e ouvia minha avó dizer que o meu diferente era feio. Eu era tímida e ouvia minha avó dizer que minha timidez era incapacidade (eu não era uma “menina ativa”, segundo ela). Eu gostava de costurar e minha avó me proibiu, porque eu iria me machucar. Insisti nas costuras até que me machuquei com uma agulha. Pelo visto, minha avó estava certa. Nisso e em tudo mais. E, assim, fui crescendo sem crescer, sem aprender coisas diferentes, sem me machucar fisicamente, sem querer.

    Continuo sendo medrosa – talvez, por isso, não gosto de viajar -, tenho preguiça de tentar, desisto facilmente, não sou ativa até hoje! Mas tenho meus atos de rebelião! E acredito que por isso fiz uma tatuagem aos 18 - para mostrar, para mim!, ser capaz de decisões. E ela ficou orgulhosa, acredite ou não -, e por isso não fiz Direito – para me arriscar em algo novo, desconhecido e “sem futuro”, como o Design – e por isso vim para Itaúna – para me livrar das garras negativas dela e tentar virar gente.

    A influência da minha avó corre nas minhas veias. É nociva e venenosa, mas já faz parte de mim. Não mata, mas incapacita, se eu deixar. Mas não me entenda mal, eu amo esta velha! Muito. Não consigo conceber a ideia de uma vida sem ela.

    Eu não sou o que nem ela nem eu gostaríamos que eu fosse, mas sei que ela se orgulha de mim, me ama e me apóia, sempre. Todas as nossas escolhas erradas não me trouxeram onde nós gostaríamos que eu estivesse, mas me trouxeram a quem eu gostaria de estar com. Então, como se diz em Itaúna, “teve bom”. E, de mais a mais, como não me canso de repetir, enquanto houver vida, há esperança! Um dia eu chego lá – no meu “lá” ou no dela.


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