Correios – até quando?

Eu já reclamei dos Correios um zilhão de vezes. Já que Lula curte uma comparação com FHC, bom, na época do FHC era a estatal mais confiável do Brasil. Hoje… Aliás, há uns 16 anos, a coisa só decai. Serviços cada vez mais caros e ineficientes.

Meu primo me disse que o Senado aprovou a privatização dos Correios. Espero que se concretize. Entre outros motivos, abre-se concorrência e outras empresas podem começar a fazer o serviço. Porque, por enquanto, por causa de protecionismo, há coisas que só os Correios podem fazer.

E há coisas que os Correios deveriam fazer, mas não fazem. Como entregar encomendas, por exemplo. O rastreamento já não funciona bem faz um tempo. Muitas vezes, a encomenda fica lá em Pernambuco até chegar na sua casa, em MG, assim, de repente. Outras, você verifica que saiu pra entregar, fica em casa esperando e, quando dá o refresh, sua encomenda está voltando para SP, porque tentaram te entregar há 10 minutos e você supostamente não estava em casa. Só que você estava em casa. E não há nenhuma notificação em sua caixa do correio garantindo que a tentativa foi feita. Sei lá. Imagino que o carteiro estava com fome e resolveu ir lanchar em vez de me entregar a encomenda pela qual eu paguei R$ 19,00 de frete para receber hoje!

E você pensa em reclamar no site dos Correios? Boa sorte.

Uma semana sem Cristo

Com pouco mais de cinco semanas de perna quebrada, perdi:

• A evolução e o carinho dos meus filhotes. Meu sonho de ter bebês em casa se realizou, mas ficou pela metade. Depois de quase um mês sem conseguir ir até eles e sem os deixarem vir até mim, eles não me conhecem mais, não se interessam por mim e, principalmente, cresceram e deixaram de ser bebezinhos miudinhos longe dos meus olhos;

• O último fiapo de carinho que eu sentia pelo meu pai. Ele está cuidando dos gatos. Ok, agradeço. Mas ele faz questão de fazer TUDO exatamente ao contrário do que eu peço. Não é à toa que Cristo fugiu. Não é à toa que um dos filhotes quase fez o mesmo. Ele me faz sentir raiva e frustração;

• Oportunidades. Um punhado delas. De todos os tipos;

• Paciência. Depender dos outros é tão insuportavelmente desagradável que eu fiquei mal agradecida por diversas vezes. Shame on me;

• Privacidade;

• Massa muscular, força e equilíbrio. Minha coluna está em frangalhos e estou ferrada para recuperar e/ou consertar tudo que se estragou;

• Até agora, pouco mais de cinco semanas. E, pior, seis fins de semana, incluindo um com uma hora a mais.

Mas o mais terrível de tudo, sem sombra de dúvidas, foi perder Cristo. Faz com que tudo isso aí  em cima tenha sido totalmente em vão. Faz com que meu coração esteja em frangalhos, meu humor, péssimo e minha carência, em potência máxima. Perdi um filho, meu melhor amigo, meu companheiro. E nem tenho ideia se ele está vivo, em perigo, ferido… :'(

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32º Dia

Querido diário, lá se vão 32 dias desde que quebrei a perna.

As pessoas têm gostado de dizer que sou forte, guerreira, como seu eu fosse uma heroína e, não, alguém que está simplesmente arcando com as consequências de uma decisão errada. Como se isso fosse voluntário, só que eu  não tenho escolha. Claro, tenho a escolha de encarar tudo de bom humor e, na medida do possível, é o que faço, já que mau humor não ajuda em nada. Só não imaginei que teria que ser Pollyanna por tanto tempo.

Mais uma vez, subestimei minha fratura. Com 30 dias, já me imaginava voltando a caminhar, mas ainda não posso sequer apoiar o pé.

Estou fazendo Fisioterapia e, surprise surprise, não é tão ruim quanto me alertaram. Também não é gostoso, mas é minha oportunidade diária de sair de casa e ver pessoas diferentes. O que também não é gostoso, mas distrai. E meu pé que, apesar de não ter sido fraturado, é o problema, voltou a se mexer. Ainda está MUITO inchado e dolorido, mas está indo. Vejo progressos.

Dona Conceição, companheira de Fisio, 80 anos, 4 vezes graduada em cursos na área da Educação, mãe de uma brilhante mulher com 8 graduações e avó de vários netos que seguem o caminho dos estudos, deu-me o precioso conselho: “esteja sempre linda e bem cuidada”. Para ser bem sincera, nem estou tentando. Meu cabelo está caindo em tufos. Minha massa muscular derreteu todinha e mal tenho forças para dar meus pulos de muleta. A posição em que passo meus dias mais a comilança que me é desnecessária, mas que alegra a vovó, estão me deixando pançuda. Me mantenho depilada e de unhas aparadas e isso é tudo em estética que tenho me empenhado – mesmo porquê tem mais a ver com higiene…

Nesses 32 dias, não vi as 6 peças de teatro que eu queria, não fui à FNAC conhecer o Alexandre Beck, o pai do Armandinho, não fui aos festivais gastronômicos e às exposições que estavam acontecendo. Pelo menos, comemorei meu aniversário, terça, na casa de queridas amigas, que me prepararam uma festinha vegana. Uma pausa maravilhosa para a alegria e o amor. Mas, na maior parte do tempo, estive tão somente definhando, em uma casa que não é a minha. Deixei o Diabo montar sua oficina na minha cabeça vazia e, por vezes, fiquei amarga e infeliz. Mas estava sendo salva, paulatinamente, por Cristo, o gato, que vinha me dar cabeçadinhas, ronronando pouquinho, porque ele é contido, e me fazendo companhia. Só que, na sexta, ele sumiu.

armandinhobolo

cristo1Demorou tanto a acontecer que imaginei que não mais aconteceria. Por 30 dias, ele foi livre e não foi embora. Daí, resolveu que era hora e se foi… Quebrei minha perna para evitar que isso acontecesse e, de perna quebrada, inútil, não tive como evitar o inevitável, já que meu pai é teimoso e incapaz de enxergar as coisas pelo meu ponto de vista. As pessoas têm que parar de achar que gatos devem dar suas voltinhas. Não devem, não neste mundo, não nesta época. Há doenças, brigas, cães ferozes, arames farpados e cercas elétricas, pessoas ruins e trânsito intenso, tudo isso, contra os gatos.

Sexta, Cristo se foi, Pollyanna morreu e, desde então, sou só dissabor, um barco sem mar, um campo sem flor…

Peripécias da Pi

O dia havia amanhecido lindo e azul, depois de uma noite de chuva. Acordei às 7h, como em todas as quartas-feiras, e pensei em fazer uma horinha na cama, com preguiça de ir caminhar. Mas os gatos, como sempre, não me permitiram.

Fora do quarto, estava fresco e deixei os gatos saírem pra passear, enquanto eu trocava águas e enchia as vasilhas de comida.

Cristo aproveitou que baixei a guarda e subiu na jaboticabeira. Foi-se lá pra cima, inalcansável. E, claro, me apavorei. Se ele descesse para o telhado, havia o perigo de uma porção de cercas elétricas que, possivelmente, ainda estariam ligadas. Se continuasse pela árvore, havia risco de queda, pura e simples.

Aguardei para ver se ele descia sozinho, sem acidentes, mas ele preferiu o telhado, mesmo. E lá chegando, começou a miar. Um miado sofrido… Quanto mais ele miava, mais eu me decidia a pegar a escada e subir. Só que eu estava sozinha. Meu pai ainda demoraria uns 30 minutos pra chegar – muito tarde – e minha avó não me deixaria subir, muito menos me ajudaria. Fui.

Armei a escada, aproximei do telhado, testei, subi. Ele correu pra longe de mim. Desci. Pensei. Levei a escada para um outro ponto do telhado. Testei. Rearrumei e retestei. Subi. E a escada escorregou e caiu.

Minha vida não passou diante dos meus olhos, mas as possibilidades, sim. Se eu caísse pra frente, com a escada, eu poderia bater com a cara no chão e/ou quebrar os braços. Pra trás… A pilastra estava longe, não estava alto, achei melhor. Me projetei pra trás. Mas minha perna esquerda resolveu se enganchar entre os degraus. Ainda tentei puxá-la (tenho um bruto hematoma para provar), mas o pé ficou.

Bati no chão em silêncio, com suavidade e algumas fraturas na perna.

Minha avó apareceu xingando: “vai acordar os vizinhos!” Meu pai apareceu na janela – ele mora exatamente do lado – xingando: “quê que você tá aprontando” emendando com “eu te falei pra não mexer nessa escada!!!”. Enfim, família, eu quebrei a perna. Chamem alguém pra me ajudar.

Depois de meia hora caída no chão, imóvel, com milhares de formiguinhas andando sobre mim, a ajuda apareceu. Três mocinhos me imobilizaram na maca e me levaram para o Life Center. Fiz respiração cachorrinho enquanto eles colocavam a tala. Fiquei pensando: parto não pode doer mais do que isso.

Cheguei ao hospital imaginando que estava tudo resolvido. Seria assim: uma radiografia, constatava-se a fratura, punha-se o osso no lugar, enfaixava-se, engessava-se. Injeções, sessão de bronca do doutor e alta. Ainda chegaria em casa a tempo de descansar e trabalhar na parte da tarde.

Na real, foi assim: espera. “Onde dói?”. Radiografia. “Menina, você fez estrago, hein?”. Espera. “Vai ter que operar. Se der, ainda hoje.” Espera. Xixi na comadre. Espera. Moça veio tirar sangue e quase leva o braço. Espera. Moço veio colocar o catéter. Remédio pra dor – que não fez nem cosquinha. Espera no corredor. Peço água. Médico, já meu íntimo, me chamando de Pat, diz que eu não posso, porque vou ser operada no começo da tarde. “Mas são 10:30!!!” Bebo água escondido. Espera. Desço para a enfermaria, enquanto não vaga um quarto. Vem meu pai, vai minha tia. Dona Nadir, possivelmente com Alzheimer, dá um show na enfermaria. “Deus, vem me buscar. Nenhum velho deveria sofrer assim.” Metade era manha, mas ela tinha pedra nos rins. Não estava fácil para ela, também. Aliás, para ninguém ali.

A dor individual parece menor diante da dor coletiva, mas, ainda assim, precisei de Tilex. E de morfina. E nada foi de muita ajuda. Meu pai se foi, minha tia voltou e conseguimos um quarto. Sobe pro quarto. Espera.

Eram 20:30 quando chegou o enfermeiro para me ajudar a me despir para a cirurgia. “Está de jejum?” Oi? Desde às 19h do dia anterior!!!

O bloco cirúrgico estava lotado! Não havia espaço para manobrar macas. Mas, ali, a espera foi curta. Fui logo pra sala, o anestesista já veio logo se apresentando e me dando drogas das boas!! Apaguei. Acordei com o médico falando dos meus hematomas e me mostrando as fotos da cirurgia.

antes depoisTrês fraturas no tornozelo e uma no pilão da tíbia e tenho minha própria Torre Eiffel!!

À 1:30 desci pro quarto. Não dava mais para comer. Dormir foi tarefa inglória, mas sobrevivi. Recebi alta na tarde de quinta e estou em ritmo de axé (tira o pé do chão!!) desde então.

Passei por 11 enfermeiros – o moço do catéter, Jordano, Jackson, Patricia e Úrsula estão no meu coração. Contei minha história para cada um. Já via o momento da peregrinação para ver a moça que se estropiou buscando Cristo. O anestesista foi uma pessoa maravilhosa e não passei nada de mal com a anestesia. O ortopedista, bonitão, é também competente, simpático e debochado. Deu tudo certo.

Meu pai cuida dos gatos. Minha avó cuida dos cuidados. Minha tia cuida das compras e transporte. Cristo voltou e cuida de me dar carinho todo dia. Tudo certo, aqui também.

Hoje, tive retorno médico – e consegui as fotos que ilustram este post – e conheci mais uma vítima das escadas de armar de alumínio! O cara quebrou o calcanhar! Pela cara do doutor, ele está pior do que eu.

Aprendi coisas nesta aventura!

• A não me precipitar mais. Que chamar os Bombeiros para resgatar o gato em vez de me arriscar a ter que chamar o Samu para me socorrer é o mais sensato.

• Que família é uma formação de elementos difíceis, mas esse amor que (n)os une ajuda a remendar ossos.

Reafirmei coisas:

• Gatos são excelentes companheiros, são solidários e amigos!! Não são cães e não têm que ser comparados a cães.

• Amigos não têm que ser testados nem amizades são medidas em momentos difíceis. Alguns são mais participativos, outros são contemplativos, há os escondidos, que esperam o pior passar para dar um “oi”. Há, até, os totalmente desinformados, que nem sabem o que está – e se está – acontecendo. Todos são ótimos! Todos são bem-vindos!

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E, pra fechar, um conselho de amiga: tenha um bom plano de saúde em dia. Se eu tivesse que pagar por todo o atendimento que tive, que foi o melhor possível, eu teria que vender um rim. Planos de saúde são caros e parece desperdício de dinheiro, mas nunca se sabe… Até às 7h de quarta passada, eu fazia planos de caminhar na Silva Lobo e, depois, entrar em alguma academia, para me matricular na musculação. Jamais esperava terminar – muito menos, começar! – meu dia num hospital…

 

Boom!!!

“Passe um dia sem reclamar e veja como sua vida muda”. A minha muda de vida pra morte. Se eu não reclamar, eu explodo. Sem exagero.

Sim, eu sou chata, implicante, rabugenta, mas, acima de tudo, eu tenho enorme amor próprio. Eu não aguento engolir sapo ou ser desrespeitada ou ser abusada seja de que forma for. A grande m*rda é que, profissionalmente, é todo dia, o dia todo.

O “faz aí e se eu gostar eu pago à vista” me assusta pela cara de pau e incoerência. Aplica isso na profissão do pidão e veja se ele vai gostar. Não, não pode fazer alusões nem responder mal o cliente. Engole o choro, menina!

E o “te ignorei nesses últimos dois meses e agora preciso do trabalho pra ontem! Faz rapidinho enquanto eu vou te telefonando a cada 10 minutos para saber se já está pronto”. É muito amor! #SQN

Na linha telefônica ainda tem o “acabei de te mandar um e-mail. Chegou? Ótimo! Vamo ler juntos!”

Tem o “eu desmarquei 4 reuniões e nunca mais te liguei. Cadê você?! Tá tudo atrasado e a culpa é sua!!” Ah, a culpa… Que sentimento tão judaico-cristão. Tão atual e tão bíblico!!

Os clássicos “vou te pagar quando eu acabar a reforma lá de casa”, “vou ter que pagar multa? Mas foram só 15 dias de atraso…” e “não paguei porque você não fez o que eu pedi. Ah, eu não pedi? Pois bem, estou pedindo agora. Faz e eu vejo se ainda rola de te pagar” estão sempre presentes! <3

Isso, quando não somos tratados como meros faz-faz. É assim: “tá ótimo! Só muda a cor do fundo. Põe um degradê de laranja para amarelo na diagonal! E a letra, não gosto dessa letra – bota uma Comic Sans, que dá um charme! E põe essa foto, aqui. Está em baixa resolução e tem uma marca d’água, porque eu peguei no Google, mas é a que eu quero. Isso! A logo você pega nesse arquivo de Word e, quando acabar, me manda tudo no Corel, pra seu eu quiser mexer depois, lá na gráfica!”

“Faz do seu jeito, confio em você”, mas vai mudar umas 11 vezes de opinião antes de dar o ok num troço hediondo que não vai dar certo. E você ainda vai dizer que a culpa é minha! Eu sei. Te conheço.

Eu posso continuar até o infinito. Ou posso dar uma dica: Lucas Montagens. Faz do jeito que o clientão precisa e por muito menos!

Até hoje à tarde, eu achava que ainda dava pra largar esse vidão de empresária :'( para ser hippie, vendendo pastel e coco, na praia, mas descobri que, para se ser hippie, é preciso ter dinheiro…

bichinhos-de-jardimTô no caminho concretado da mendicância e, quer saber? Bem feito pra mim! Quem mandou eu não ouvir meu pai? Ele me disse para eu fazer Direito ou Medicina. Fui teimar, me f*di…

Eu poderia estar roubando… Eu poderia estar matando…

Desabafo anônimo

Aconteceram umas coisas felinas que me destruíram, esta semana. É… Sou daquele tipo de gente que assume a dor dos outros. Só que também sou do tipo de gente que odeia quem me faz sofrer.

Ia mandar esta falação toda, abaixo, à minha algoz, mas achei que ela já tem seus próprios problemas. Como escrever isso me liberou de uma enxaqueca dos infernos, resolvi postar aqui, só para desabafar, mesmo…

“Ei… Sei que não é momento de te chatear, mas preciso…

Eu tenho um certo pé atrás com você desde que você saiu xingando todo mundo pelo baixo número de compartilhamentos de um post. Como se a responsabilidade de cuidar dos bichanos que você pega fosse compartilhada. Não é. É sua. Eu só lhe “sigo”. Ajudo quando vejo possibilidade, mas sob minha responsabilidade já estão 9 gatos, dos quais eu cuido com a mixaria que eu ganho sendo designer no interior de Minas.

Daí, para tentar apagar o mal estar, e para tentar conhecer a pessoa por trás da página, resolvi ver seu perfil no FB, o que não ajudou. Achei “sua religião” agressiva demais. Não que eu seja ovelha pagadora de dízimo, longe disso, sou ateia – sem orgulho, só me aconteceu de ser assim -, mas achei feio você escrever daquela maneira. Ofensivo. Principalmente para alguém que vive pedindo orações. E vive pedindo orações, porque as coisas ao redor não estão legais.

Sei que os seus “resgatinhos” são frágeis, na maioria, têm probleminhas, mas eles estavam morrendo dia após dia e eu ficava me perguntando: o que ela está fazendo de errado? Talvez, nada. Pode ser que estivesse tudo certo, mas, sei lá… Muita morte em pouco tempo… Eu investigaria. Mas, né?, eu ouço cascos e penso em zebras…

E, então, sua casa quase pega fogo por negligência. Você sabia do problema e não o resolveu por falta de dinheiro? Você colocou bichos e pessoas em risco! Falta de dinheiro não justifica isso! Faz vakinha, faz empréstimo, pede ajuda, mas não deixa a casa pegar fogo com um punhado de gatos dentro!

Depois disso, me choquei quando você EXIGIU testes FELV para uma possível mãe de leite para os filhotes. O problema está na palavra e no caps lock! Você pedia um favor… Não cabe exigência num favor! E já pensou se uma gata saudável e testada fosse para sua casa e saísse morta por um vírus que se espalhou por aí?! Você exige dos outros, mas não apresenta garantias?

Você faz quarentena com os gatos resgatados? Porque a doença, certamente, chegou com algum deles e é sabido que gatos de fora não devem ser misturados aos que estão dentro antes de todas as vacinas e exames. Nem precisava lhe dizer isso, né?!

Escrevi tudo isso sem certeza se iria lhe enviar ou não. Se envio, é por mim, por puro egoísmo, porque eu sinto dó da situação, mas, também, raiva. Não queria estar na sua pele, não consigo sequer imaginar que merda devem estar sendo esses dias para você. Pelos gastos, pelos gastos emocionais, pelas perdas… Me solidarizo com isso, com certeza, mas não consigo não me sentir infeliz com as mortes dos pequeninos e com a doença do meu gatinho favorito dentre os seus.

Desculpa, mas eu não sei lidar com perdas, eu tenho que culpar alguém. Calhou de ser você. Lamento ser a pessoa horrível que aponta o dedo quando você mais precisa de apoio, mas esta sou eu. Provavelmente, estou sendo injusta, mas espero que não me odeie por isso…

Abraço.”

 

Mi mi mi

Desta vez não foi falta de tempo, correria ou falta de assunto. Sumi daqui porque há momentos que a vida fica tão estranha que a gente precisa avaliar tudo em silêncio, de si para consigo.

Avaliei e defini: quero me mudar do Brasil. Minha preguiça de buscar meus antepassados europeus vai ter que acabar. Quero sair daqui pra nunca mais! Sim, antes disso, muita água ainda vai rolar, mas há de rolar na direção certa.

Havia uma propaganda antiga, de banco, que dizia: “a gente não escolhe o país onde nasce, mas constrói o país onde vive”. Sempre achei isso lindo, verdadeiro de montão. Mas o que se pode construir com corrupção, estupidez, ignorância, policiamento politicamente correto totalmente equivocado, burrocracia, leis trabalhistas irreais, impostos abusivos, Marina Dias, Lula e Dilma, abuso de poder e mais corrupção? Eu não consegui construir nem um galinheiro. Cheguei de tentar.

Mas, enfim, enquanto estou aqui, no Brasil, e aguardo a hora do jantar, vamos fazer um apanhado das últimas semanas em minha vida? Então, senta e chora comigo!

Dia 10/09: lançamento mundial do primeiro disco do Gemini Syndrome! Eu já havia escutado, por stream, e já havia decorado todas as músicas! Mas… A coisa real é outra coisa! Não… É a mesma coisa, mas fiquei felizona de receber meus arquivos por e-mail!!

Dia 15/09: eu iria a BH para comemorar o aniversário do meu meio-irmão favorito, quando recebi a notícia da morte de um parente. Meus parentes não morrem, a gente é tudo vaso ruim, que não quebra mesmo. Além do susto, da tristeza, da dor de ver minha avó arrasada, ainda teve uma tal de burocracia para f*der geral. Como o Estado é desrespeitoso com a dor dos outros. Como podem demorar tanto para liberar um corpo e ainda zoar: “ah, pra que pressa? Já está morto!”. E que coisa mais triste ver alguém que você amou, que fez parte da sua infância, que deixou traços na sua personalidade ser colocado embaixo da terra… A vida nunca me preparou para isso…

Dia 23/09: inauguração da nova loja Beth Mendes. Importante? Importantíssimo! Primeiro, porque são minhas clientes do coração. Segundo, minhas amigas. Terceiro, porque a Virgínia, da Doce Deleite, fez os salgados do coquetel! Quatro, porque deu TUDO certo! Valeu cada segundo de estresse anterior a essa inauguração!

Dia 24/09: chegou a superesteira max-plus que compramos – a perder de vista – no Submarino. E chegou com defeito… Para trocar, 30 dias. Ou seja, perdi 30 dias de bunda dura…

Dia 27/09: já que não vou emagrecer tão cedo, comprei uma “Caixa da Felicidade” – 12 brigadeiros de chocolate meio amargo, 3 superpalhas italianas de Nutella, 3 cookies duplos recheados com ganache -, da Doce Deleite, com um plus de 20 amor-em-pedaço. São Glutão, comi como se não houvesse mais tarde! Comi como se não houvesse cárie, diabetes e gordura localizada! Comi e quis mais!

doce-deleiteNhami!

Dia 30/09: ainda bem que comi tantos doces no fim de semana. Acordei feliz, me arrumei para trabalhar, até passei batom! Não durou 2 horas, essa alegria. Que merda de profissão eu fui arranjar…

Dia 02/10: chegou o livrinho do Coala!! Gente, que lindeza!!

o-monstroBloco de notas com capa exclusiva do Monstro + livro autografado +  livreto de esboços e artes conceituais + poster exclusivo do Monstro. Faltou o Monstro, em si, mas o pacote em que ele vinha já tinha acabado…

 Dia 04/10: chegaram as minhas coisinhas do Gemini Syndrome: CD, camiseta – que já estou com ela -, chaveiro e as cartinhas!!

gemini-syndromeCD e cartinhas. A camisa e o chaveiro já estão em uso!!

Chegou minha impressão do Armandinho!!

armandinhoEm breve, vai ter livrinho dele, também!

Pode não parecer que a vida anda tão ruim, mas anda. Claro, há recompensas, às vezes. Um cliente bem agradecido já vale o dia. A chegada do Correio me alegra o coração. Ver coisas legais e saber do sucesso de pessoas legais é ótimo – mesmo que a gente, mesmo, esteja na merda. Abraçar minha avó, ver gente que eu gosto que eu não via há anos é sempre bom! Viver nunca deixou de valer a pena, mas há coisas na vida que não valem nada. E é delas que eu quero me livrar.

Boa sorte para mim.

Feiura

Reforma ortográfica

É sério que “feiúra” não tem mais acento ou isso é coisa do corretor? Eu era muito boa em Português, mas estas novas regras ortográficas me ferraram. Nada mais faz sentido. O pior é a imbecilidade da coisa. Não há como falarmos a mesma língua, é impossível. Portugueses escrevem e falam de forma diferente, simplesmente porque tem vocabulário diferente. Isso não muda!

A Superinteressante fez uma matéria sobre um mundo com uma língua só e, segundo eles, isso não teria como ser, simplesmente porque culturas diferentes criam/usam palavras e expressões diferentes.

Eu não tenho sotaque mineiro, porque o tal sotaque consiste em engolir letras e juntar palavras. Minha tia nunca me permitiu tal disparate. Mas uso expressões típicas da minha terra – isso não inclui, ainda bem, o “olha só procê vê”. Uso a palavra “arredar”, que, para minha surpresa, não é conhecida por aí e, por aqui, é comum demais! “Demais” também é coisa de mineiro!

“Um assunto pentelho”

Eu acho a Nanda Costa – ou Nada Consta, como diria Katylenne – uma mulher sem sal. Ela tem um corpo legal, mas a cara de pobre me incomoda – nem vou tentar ser politicamente correta, porque a expressão é essa mesmo: “cara de pobre”. Apesar da sem-gracesa da pessoa, achei a Playboy dela linda. A mais artística que eu já vi. A mais tudo a ver. O cenário favoreceu demais a moça, porque ela se encaixou feito uma luva, ali. Não pela cara de pobre, mas pela brejeirice, morenice, sudorese. Achei bonito. Achei que os pelos foram uma jogada excelente. Primeiro, porque tem relevância com o personagem. Uma perereca careca não combina com uma mulher cubana gostosa. Segundo, de uma hora para outra, a existência de pelos pubianos se tornou MUITO mais polêmica que mamilos e iria dar – e deu – o que falar. Mídia espontânea! Tanto, que só vi as fotos por causa do reboliço em torno da Chewbacca da moça.

Sei que esse assunto é super-mês passado, mas retorno a ele, porque se encaixa como uma luva neste post. Se encaixa em feiura. Feiura, para mim, é essa nova mulher, cheia de regras, de paradigmas tolos. Ela tem que ter cabelo de progressiva – de preferência, com babyliss nas pontas. Tem que ter silicone nos seios – pelo menos. Tem que ter barriga tanquinho e pernas de gladiador. Tem que ter a vulva careca.

Para começo de conversa, acho o fim essa padronização. Sei que tem moça que se encaixa aí feliz da vida. Não a julgo. Mas não esperava que os homens fossem reclamar de pelos pubianos. Isso, nunca!

Ninguém tem o direito de dizer que uma mulher não é bonita porque opta por ser natural. O natural, por si só, já é belo. Cabelo crespo, barriga fofa – porque quem tem máquina de lavar em casa não precisa de um tanquinho no abdômen, né não?! -, peito pequeno, partes peludas… Nada disso é feio. Tudo isso junto não é feio. Feio é não se aceitar. Mas feiura mesmo é não aceitar o outro por tão pouco. Viva a diferença, meu povo!

E não me venham culpar a moda, as revistas, a TV, Hollywood ou o escambau, porque quem escolhe seguir padrões são indivíduos. Ninguém obriga.

Almas secas

Esta semana, no Facebook, duas coisas me chocaram. Uma delas me fez chorar.

Nenhuma delas é ligada a violência física, mas ambas são de uma crueldade absurda.

Caso 1:

Um pai colocou em seu próprio Facebook uma foto dele “amamentando” a filha. Esta:

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A história:

A mãe da criança saiu, depois de amamentar e colocar a menina para dormir, para um compromisso rápido. O pai ficou com a menina. Acontece que, ao contrário do esperado, a menina acordou antes da mãe chegar e começou a chorar. O pai, meio que desesperado, imaginou que não seria fome, pois fazia pouco tempo que ela havia mamado, mas carência, talvez. Então, pegou a menina no colo e colocou o peito peludo na boca dela. Ela agarrou o peito com as gengivas, não sugou, mas se acalmou e voltou a dormir.

Moral da história:

Palavras dele: “É assim , eu sou homem, não produzo leite, mas acredito que o amamentar vai muito alem disso, é um contato direto que você tem com o seu filho/filha, é como se você mostra-se pra ele o que é AMOR/CARINHO/ATENÇÃO , mas numa língua em que ambos entendam.”

Eu, pessoa com alma suculenta:

Achei lindo demais! Achei a atitude bacana, o post adorável, a mensagem – que vai além, alerta para a importância da amamentação, num mundo repleto de NAN e mulheres que têm medo de peito caído – é sensacional e a foto, adorável.

Pessoas de almas secas:

O cara foi acusado de pedofilia, de querer aparecer, de tentar tomar “O DIREITO SAGRADO DA MULHER” – assim, mesmo, com Caps ligado! – de amamentar. A mãe foi acusada de negligência, por não prever uma eventualidade e deixar uma mamadeira.

Fiquei passada…

 Caso 2:

A história:

Um garoto, Dudu, viu um dos casos do 4Patinhas: o Steve, um gatinho sofrido, estava “chorando sangue”, por causa de uma infecção nos olhos. Dudu se comoveu e pediu para sua mãe levá-lo à ONG, pois ele iria doar o dinheiro do cofrinho, que  juntava para comprar um videogame, para o tratamento do gato.

Eu, pessoa com alma suculenta:

Fiquei encantada, emocionada com o garoto, com o desprendimento dele. Vi esperança no futuro. Acreditei um tiquinho na humanidade.

Outras pessoas, ainda mais suculentas do que eu, fizeram uma Vakinha para o garoto, para comprar o videogame para ele.

Pessoas de almas secas:

Perseguiram a mãe do garoto, no FB. Acusaram-na de querer aparecer, de forçar uma situação para não ter que comprar o videogame, mas, sim, ganhar, através de apelos demagogos. Fizeram o menino chorar. Me fizeram chorar. Cabô esperança. Transformaram uma coisa tão bonita em feiura. A mesma que elas carregam na alma.

Vida besta

Minha avó me ligou, nesta terça, para dizer que sonhou comigo, mas que não se lembrava sobre o que era, então, resolveu descobrir se eu estava bem. “Não, estou trabalhando e odeio isso”, eu disse. Ao que ela respondeu: “deveria ter aproveitando quando você era bonita e se casado com um homem rico”.

Meu marido ficou puto com isso – e eu é que fui chamada de feia – e disse que nenhum homem rico me toleraria – mais ofensas… Mas o negócio é: se eu fosse mulher talhada para casar com homem rico – ou até mesmo ter um caso com um – eu não seria quem eu sou. Eu seria tolerável, no mínimo.

Pensando bem, se a pessoa não tem o talento para se casar com cara rico, esse passa ser um dos trabalhos mais árduos do mundo. Bem remunerado, pode até ser, mas muito difícil. E eu não quero TER QUE trabalhar.

Infelizmente, não fui talhada a nada, a não ser a ser uma questionadora, resmungona e infeliz. E, para ser sincera, eu bem gosto de ser assim, já que nunca tentei mudar. Ser feliz não me interessa. Eu só não queria TER QUE trabalhar. Essa poha não enobrece nada. Ao contrário, empobrece – em aspectos mais nobres do que dinheiro -, toma tempo – de dormir, de aprender, de se divertir, de ser criativo -, gera estresse. E para quê? Conseguir – a duras penas, diga-se de passagem – pagar as contas no fim do mês?

Eu só condeno os vagabundos, os encostados, os à toa por pura inveja. Desdém de quem quer comprar.

Há quem argumente que ficar à toa cansa. Nunca me casei. Em todas as vezes que tive a oportunidade, abracei a causa e curti muito! E, mesmo assim, não TER QUE trabalhar não é sinônimo de ficar à toa. Plantar árvores, cuidar da horta, vacinar as galinhas, arrumar o armário, se atualizar em True Blood, ler, escrever, se voluntariar em alguma causa na qual acredita, aprender matemática são atividades – para as quais, infelizmente, não tenho tido tempo e/ou disposição.

E, daí, quando li isso no Pinterest…

668e74281d2e138d4fd1e4c475bd7630Alguma vezes, Deus não muda sua situação porque Ele está tentado mudar seu coração.

… Fiquei pensando: será que eu trabalho porque Deus quer mudar meu coração de “batendo” para “infartado”? Só pode…

Não é por R$ 0,20, mas é por muito de pouco…

Coisas tão pequeninas vão tomando forma, vão crescendo, se agigantando. Vão tomando conta da vida da gente, espremendo, sufocando. Coisinhas tão insignificantes que, de repente, são a razão das imensas tristezas. A Adriana diria: “morre que passa”. Eu, por minha vez, sou mais propícia a matar o que me mata. Enquanto não morro e não mato, reclamo. E saio em protesto!

Não é por 20 centavos.
É por ter que engolir um sapo por dia, sem mastigar, e ser obrigado a sorrir.
É por ser destratado por fornecedor e ter que escutar xingo de cliente – porque fornecedor imbecil, ainda, foi inventar futrica.
É por ser sabotado pelo “concorrente-predador” – que ferra o cliente para culpar você. Sim, ele existe…
É por nunca conseguir pagar a prestação do carro em dia, porque um porção de pessoas nunca lhe paga em dia.
É por ser sacaneado por funcionários cheios de regalias.
É por ter a casa mijada pelo gato que você resgatou e trata muito bem.
É pelas galinhas comendo a ração do cachorro.
É pelos mosquitos-palha e pernilongos.
É pela vizinha que se sente no direito de envenenar seu pomar e de deixar o alarme da casa apitando na sua orelha pelo fim de semana afora.
É por ler gente que você admirava escrever bobagens que ofendem sua inteligência.
É por perceber que a CNN sabe o que está acontecendo no Brasil, mas alguns de seus amigos, não.
É por ser “ameaçado”, por babaca de Esquerda, de perder a amizade dele no Facebook no caso de você ousar pensar diferentemente dele – já era, velhinho!
É por comentários infelizes de infelizes.
É por ter fome e não ter bacon.
É por não ter tempo de ser legal.
É por nunca viajar.
É por sonhar com um mundo melhor e acordar se sentindo um idiota.
É por ser pobre – ou classe média, o que dá quase no mesmo – num país tão incrivelmente rico.
É pela “bancada evangélica”, pela inflação, pelos corruptos e corruptores, pela roubalheira, pelo abuso de poder, pela bolsa-ignorantes, pelo vandalismo – encomendado ou não.
É por pagar imposto pra caramba mais o vale-transporte do funcionário – que é quando os 20 centavos fazem, mesmo, a diferença – e não ter retorno de nada.