Sexo, livros e gemidos

Como minha obsessão da vez é ler, acabei lendo um punhado de livro erótico (ou só wanne be), esses dias. Afinal, todo o livro, hoje em dia, exala sexo. Tipo, toda a saga da Sookie é erótica – apesar dela ter ficado um livro inteiro na seca! -, mas não são livros sobre sexo. Esses são:

80 Dias – A Cor da Luxúria, livro de Vina Jackson, aposto que segue a linha de Grey, que não li nem vou. Moça pobre, cara rico. Se descobrem fetichistas e realizam suas fantasias SM um com o outro. Não é sexy – não, pra mim -, não é bem escrito, a história é besta e nem quis saber dos outros 2 da trilogia.

A História de O, da Anaïs Nin, que é antigo, famoso e tenho certeza que inspirou os livros sadô-masô que pipocam nas livrarias. Achei brutal. Não me representa nem em versão light.

S.E.G.R.E.D.O. – L. Marie Adeline – é divertidinho. Mocinhas sexualmente reprimidas têm 9 fantasias sexuais patrocinadas por um grupo beneficente. As fantasias são de fuén a bacaninhas, bem na medida para as moçoilas envolvidas, e a historinha é acompanhável. Li os dois já lançados por aqui e aguardo o terceiro só pra saber se ela vai ficar com ele. Sou romântica. 😀

Eu, Dommenique, de Dommenique Luxor, é mais um de dominação e é a história real de uma brasileira que largou o serviço público para fazer serviço privado como dominatrix. Achei um tédio, MUITO mal escrito e sem tesão. Se a mulher fala tanto durante as sessões como deu a entender no livro, vai morrer de fome. Ou não, mas não me interessei em descobrir. Parei no segundo capítulo.

Acabei de ler Prick. A autora, Sabrina Paige, segundo disseram, é obcecada por clichês que tentam ser “provocativos e polêmicos”, então, decidiu escrever uma série de livros sobre sexo entre irmãos postiços – irmãos por criação ou por casamentos dos pais, sem laços sanguíneos. – Neste, a cada três frases, o casal está trepando. A pessoas fica assada só de ler…

Dos wanna be – tem erotismo mal usado como pano de fundo para uma história sem graça – abandonei Insônia, da Série Nefilins, da Mari Scotti, quase no final – porque o livro um não fecha a própria história, que continua obrigatoriamente no livro 2. Picaretagem grosseira. – Anjos e sexo – só imaginado, nada efetivo. -, clichê, mal escrito, mal pensado, cheio de erros e falhas, mau. Pensei em dedicar um post só para falar do quanto este livro é ruim, mas deixa pra lá… Uma pessoa que adota o nome artístico de Mari Scotti  não merece minha atenção…

O que todos os livros têm em comum, além de muita penetração (menos o da Mariscote, que até nisso deixa a desejar)? Dinheiro compra felicidade e satisfação sexual. Sim, os caras são ricos – no S.E.G.R.E.D.O. eles nem precisam sê-lo, já que alguém rico banca tudo – e são sempre poderosos/influentes/celebridades. Além de fortes, absolutamente em forma e caralhudos. Tipos com menos de16cm não passam nem na porta da historinha. Se tiver barriguinha, então, nem será citado como, sei lá, policial aposentado de meia idade.

Os pintos enrijecem num olhar e as mulheres escorrem só de vê-los!! Todo mundo é sexy de se ver e gostoso de se comer. Há mulheres gordinhas, isso pode, desde que sejam muito bonitas e com as gordurinhas preenchendo os lugares certos (coxas firmes, peitos naturais autos e duros, bunda sem celulite e/ou estria), mas homens são 0% de gordura.

O cara real mais próximo do que é caracterizado nos livros, em termos físicos, é Jason Momoa. São Jason Momoas de olhos azuis (maioria), cabelos louros, barbeados, pele clara ou quaisquer outras variações sobre o mesmo corpo, como naqueles programinhas de editar um avatar. E como não estão sobrando Momoas – ainda mais milionários, cheios de tesão e a fim de nós, reles mortais – por aí, se é só isso o que as mulheres querem, faz sentido ter tantos livros para aplacar a frustração da geral.

A minha é imensa. Do jeito que as coisas são descritas, fico mesmo é com dó de mim. Se depender da minha conta bancária, da minha bunda pequena e dos meus quase 42 anos, não realizarei nenhuminha das supostas fantasias que eu deveria ter. Pobre de mim que sou pobre…

Do além

E enquanto o 13 não chega, fui dar uma olhada nas outras criações de Charlaine Harris.

Segundo a orelha do livro Surpresa do Além, “Charlaine produz horror com um toque de irreverência” – Revista Veja – e tem “um humor sagaz e direto” – Publisher Weekly. – A série Harper Connelly Misteries, ainda segundo a orelha, superará a de Sookie Stackhouse. Inclusive, já está sendo produzida a série para TV, com Ridley Scott na direção (!!). Tenho certeza de que funcionará. Mas os livros são mais fracos do que minha perna esquerda – ou a direita de Harper.

Harper, que foi atingida por um raio, aos 15, e tem o superpoder de encontrar cadáveres, está longe de ter o carisma de Sookie. É meio óbvio que ela quer muito ter algo mais com seu irmão postiço e a leve tensão sexual é bem xexelenta. E ela é burra como uma porta.

Como a história é toda contada em primeira pessoa, as pistas que ela tem são as que você tem. E eu consegui desvendar os dois mistérios (Visão do Além e Surpresa do Além, primeiro e segundo livros da série) em menos de 1/3 do livro. E tive certeza de estar certa antes do meio. Não que eu seja espertinha. Sou tonta, mesmo. Mas é que a autora entrega todas as pistas, certinhas e diretinhas, e fica até difícil não conseguir pegá-las, mas Harper não presta atenção em nada e se perde até ser tarde – 5 últimas páginas.

Não tem NADA de terror, suspense e humor sagaz. NADA!!

E se eu fosse usar as regras de como escrever um bom livro, do Stephen King, sobre os dessa série, eu cortaria bem mais de 30% do texto. É muita redundância, é muita recapitulação, é muita confusão com números – mas, a isso, culpo o tradutor, que não deve sacar muito de medidas americanas. Aliás, a Lua de Papel deveria investir mais na revisão. Os dois livros estão repletos de erros!!

Como o terceiro livro está custando R$ 43,00, parei no segundo e tá de bom tamanho.

Fico pensando: “True Blood”, até perder o rumo, foi sucesso, inclusive no Brasil. Tem gente à beça querendo ler os livros que inspiraram a série, mas só foram vendidos até o 6, por aqui. Nem ideia de quando e se os outros chegarão. No entanto, investiram nessa outra série – fraca – da autora. Vai entender…

True blood

Networking é a palavra da vez. Mantenha contato – e próximo de você – com as pessoas úteis. Frio, isso? Nhé. Não é o que fazemos o tempo todo? Pra que cargas d’água ficaríamos “presos” às pessoas inúteis?

Enfim, foi através de contato útil que consegui os livros da Saga Sookie Stackhouse, do 6 ao 12. Faltou o 13, que acabei importando do Portugal por míseros R$ 137,00 – fora impostos do cartão. – Aguardo a chegada com ansiedade profunda, ainda mais depois do final do livro 12!!

Assim que consegui os livros, abandonei – faltando 4 páginas – o livro – péssimo – que eu estava lendo e me mudei de mala e cuia para Bon Temps. Não me arrependo de nada!

Eu invejo a Sookie. A vida dela é um caos e eu não aguentaria um dia inteiro? Sim. Se bem que ela faz péssimas escolhas e (acho que) eu faria as corretas. Claro, não teríamos 13 livros para contar minha história, mas minha vida seria colorida e feliz! 😀

É um mundo tão rico, mágico e diverso, o dos livros. E são tantos homens lindos, maravilhosos, deliciosos na vida da moça que até da água na boca. Quinn e Sam são meus favoritos da vida toda. Alcide é interessante, mas me cansou (graças aos dramas dele, Sookie quase morreu umas 12 vezes). Eric é de se lamber os beiços e até comecei a me afeiçoar pelo Bill, mas eu JAMAIS transaria com um vampiro.

O cara está morto, frio e sem um batimentozinho cardíaco sequer. E ejacula o quê? Bom, se choram lágrimas de sangue, imagino que se repita lá em baixo. Eles são lindos, jovens e “imortais”, mas qual a graça nisso? Como eu também JAMAIS me tornaria uma deles, continuaria envelhecendo e murchando, enquanto meu amante estaria sempre em plena forma. Eu me sentiria tão transitória e pequena na vida tão longa dele, que meu ego não lidaria bem.

E os vampiros (em geral) se acham e não entendo o por quê. Eles são poderosos, cheios de artimanhas e truques e têm força extrema, mas somente à noite. O dia amanhece e eles correm, feito frágeis minhocas, para se enfiar na terra e passar as horas de sol totalmente indefesos. E imortalidade? Eles podem ser destruídos com prata, decapitação, explosão, sol ou estaca de madeira. Eu não teria capacidade de matá-los, verdade, mas há quem possa e, assim, a tal da imortalidade só se dá porque não morrerão de velhice ou de doença. É muita vulnerabilidade para tanta prepotência. E, convenhamos, eles não passam de ex-humanos. Humanos mortos e reanimados. E, embora sejamos frágeis em relação a eles, podemos tomar sol e tomar o planeta todo, como já fizemos. Seria só desejarmos para eliminá-los da face da Terra, como também já fizemos com várias espécies mais fortes e mais poderosas do que nós.

E, para piorar a situação vampira, nos livros da saga, os coitados ainda têm que obedecer aos seus criadores e de todo qualquer outro vampiro com mais poder POLÍTICO!! Que inferno!! E é exatamente por causa de toda essa subserviência que Sookie tem uma vida de merda ao lado do Eric. Para quê viver para sempre se é para se ter uma vida chata?

Já os de dupla natureza são humanos melhorados!! Quinn é um deles. Ele se torna um tigre nas noites de lua cheia ou quando bem entender, já que ele é foda. Ele é grande, quente, um bom homem, inteligente, tolerante e gentil. Na medida.

O Sam é metamorfo e se transforma no que quiser. Prefere seu um border collie. Fofo. E é tão perfeito quanto o Quinn, só menor! Eu terminaria minha saga ao lado dele, se eu fosse Sookie. Sendo eu mesma, escolheria o Quinn.

A história de Sookie é tolinha, cheia de clichês românticos, confusão, drama, inúmeras quase-mortes e interesses sensuais da mocinha. Tudo funciona como numa grande novela, que é o que é. Não é maravilhosamente bem escrita, mas funciona, já que a história é boa e os personagens transbordam carisma. Charlaine se perde com tanta gente e fatos, mas, pelo menos, não perde o rumo. Ela é consistente e não há um livro mais fraco na série. Até agora, pelo menos. E a vida de Sookie, mesmo com todos os problemas e conflitos, é sensacional. Vou sentir saudades quando tiver que me mudar de Bon Temps…

Dead-Ever-AfterFaltam esses: o final – a caminho – e, aparentemente, mais um de contos.

Crise de abstinência

Como Stephen King não para de lançar livros e, por algum milagre, a Suma não para de traduzi-los e lançá-los no Brasil, eu sempre tenho alguma coisa do Rei para ler. Mas, mesmo com pelo menos dois livros dele me esperando, arranjei outros vícios.

Primeiro, foi Dexter. A série me cansou. Não por demérito dela, mas pela minha incapacidade de manter-me atenta à TV (ou tela de computador) por mais de meia hora. Então, cada episódio durava dois episódio e foi ficando chato. Mas eu adorei os livros.

A série tem uma primeira temporada incrível. Muito superior ao livro. Mas os livros e a série foram rumando caminhos diversos e, mesmo que o Jeff Lindsay (o autor) sofra do “complexo de Dan Brown” – a história é SEMPRE a mesma, só muda o endereço – e seja realmente impossível imaginar que Miami tenha tantos serial killers quanto o autor quer nos fazer acreditar, ele conseguiu prender minha atenção. Isso, porque Dexter, o assassino, é delicioso. É um dos personagens mais bem construídos e absolutamente carismáticos que eu já conheci.

2089_tam9O timing da Camiseteria está o mesmo que o meu!

Jeff não é um bom escritor, mas é um bom contador de histórias e, pra mim, está de bom tamanho. O mesmo posso dizer de Charlaine Harris. Ela se confunde absurdamente ao longo da história de Sookie Stakehouse e as descrições contraditórias – ela, definitivamente, precisaria de um caderninho de consultas e, para piorar, a tradução não ajuda em nada – e os inúmeros e desnecessários flashbacks cansam, mas, mesmo repletos de clichês, os livros são divertidos. A vida da Sookie é uma tragédia, mas é impossível não sentir MUITA inveja dela. Ela atrai problemas na mesma proporção que atrai homens (ou mitos) lindos e grandes e… Pelamordedeus!! Eric Northman. Alcide Herveaux. Encerro meus argumentos.

Meu único problema relacionado a meu vício é a abstinência. O oitavo e derradeiro Dexter (Dexter is Dead) foi lançado este ano nos Estados Unidos e demorará mais do que eu dou conta de suportar para chegar ao Brasil. Mas Sookie Stakehouse é ainda pior. São 13 livros da Saga Sangue Fresco, mas só cinco deles foram lançados no Brasil, até onde descobri. E já li todos eles.

Como a Saída de Emergência lançou tudo em Portugal, fui ver se os conseguia de além mares. O preço é bom e enviam pra cá. Joia. Mas o frete é bem caro e ainda tem o IOF e o euro altíssimo para acabar com minha alegria. Desisti… E me contive para não pedir pra ninguém trazê-los pra mim, porque sei que quem está viajando não está a fim de ficar procurando e enchendo a mala com encomenda-mala.

Por isso, sofro… E, sofrendo, comecei a escrever meu próprio livro. 😀

Sobre a escrita

Poxa… Quase um mês sem aparecer por aqui e nem fez falta pra ninguém! Nem pra mim!

Eu tinha até um bocado de coisas a dizer, tipo: O Vilarejo é um livrinho infantil e tolo, repleto de chichês (7 pecados capitais. Jura?) e escrito com ligeireza e superficialidade, quase preguiça. Se eu tivesse uns 16 anos, talvez gostasse, porque tem figuras (!!), mas como fui lê-lo aos 41, acreditando (nem tanto) nas críticas que diziam que Raphael Montes era o Stephen King brasileiro, tive uma tremenda decepção. Stephen cria personagens cativantes, aos quais a gente se apega. Raphael cita personagens que vão morrer dali a pouco e ninguém vai dar falta. Mas confesso que o final da “luxúria” até me surpreendeu. Não, o Raphael não é exatamente ruim, só não é digno de ser comparado ao King.

Motivada por livros mal escritos, resolvi voltar a escrever. Sem pretensões, talvez, mas, a princípio, como um exercício de criatividade. E é surpreendente como as histórias fluem, como se não me pertencessem. Ao contrário, eu pertenço a elas e elas me usam para prendê-las numa página do Text Edit. Me prometi escrever uma por dia (escrevo contos curtos. Já postei uns aqui, em estorinhas) ou, pelo menos, todo dia, mas não rolou. Está muito calor e comprei um tabletzinho para leitura (Lev, da Saraiva), que é uma pequena porcaria que trava muito e me irrita, mas é relativamente barato, leve e mais confortável que o laptop. Ou seja, às vezes, eu começo a ler e não tenho tempo nem para meus contos.

E se não me sobra tempo para escrever o que me dá prazer, imagina para vir aqui dar pitacos neste mundo chatinho? Ou contar sobre a segunda cirurgia no tornozelo (realizada em 08 de setembro, correu bem, mas não adiantou muita coisa em relação ao movimento. Em resumo: ainda manco)? E que o Doutor, diante disso, quer tentar mais uma vez, daqui a uns 4 meses, tirar o restante dos pinos e, se necessário, alongar meu tendão de Aquiles cirurgicamente (aparentemente, ele é o problema)? E que vou começar a fazer hidroginástica totalmente contra minha vontade, somente para a felicidade do Doutor – é sério. Ele disse que ficou muito feliz com a notícia! -? Porque, meu bem, nada muito interessante ou digno de nota tem acontecido. Então, vamos todos nos poupar de blá blá blá, né?!

Se alguém se interessar pelos meus continhos, depois eu conto onde encontrá-los. E quando algo que não seja uma tremenda perda de tempo minha e sua ocorrer, eu retorno às atividades pitaqueiras.

Beijo e não me deixe só!! 😀

O Livro do Riso e do Esquecimento

Li O Livro do Riso e do Esquecimento em 1996. Era emprestado da minha então amiga Vivi. Eu havia lido A Insustentável Leveza do Ser, mesmo tendo detestado o filme, e estava apaixonada por Milan Kundera, e ela sugeriu esse outro. Amei. E, como era do meu costume naquela época, copiei frases e trechos com os quais me identifiquei.

Em 1996, eu não escrevia nem lista de compras. Vivi achava um absurdo eu estar namorando e nunca ter escrito uma carta de amor para o sujeito. De certa forma, foi ela quem me empurrou para a escrita e tomei gosto. Não escrevi a tal carta de amor, nem poeminhas, mas textinhos. Já até postei um aqui. Mas, lendo estes trechos dO Livro, Milan me dissuadiu a avançar na escrita:

“Escrevemos livros porque nossos filhos se desinteressam de nós. Nós nos dirigimos ao mundo anônimo porque nossa mulher tapa os ouvidos quando falamos com ela.”

“A irresistível proliferação da grafomania entre os políticos, os motoristas de táxi, as parturientes, os amantes, os assassinos, os ladrões, as prostitutas, os prefeitos, os médicos e os doentes me demonstra que todo homem sem exceção traz em si sua potencialidade de escritor, de modo que toda a espécie humana poderia com todo direito sair na rua e gritar: Somos todos escritores!

“Pois cada um de nós sofre com a idéia de desaparecer, sem ser ouvido e notado, num universo indiferente, e por isso quer, enquanto é tempo, transformar a si mesmo em seu próprio universo de palavras.

“Quando um dia (isso acontecerá logo) todo homem acordar escritor, terá chegado o tempo da surdez e da incompreensão universais.”

Fiquei com vergonha, me senti desinteressante e pretensiosa por tentar escrever. Ok, eu não tinha intenção de livro, nem de blog, mas achei que realmente eu não tinha nada a acrescentar. Com o tempo, me esqueci do Milan, por pura necessidade. No começo, eu precisava me expressar através dos meus textinhos. Resolvia dores de amores e tentava me entender através das personagens, quase sempre ruivas e problemáticas. Me encontrei, acho, e deixei minha pretensão aflorar. Comecei a procurar “ouvidos anônimos” para minha ladainha. Você, talvez. Ou eu apenas estava seguindo o fluxo, num momento onde todo mundo tinha um blog, todo mundo era escritor, ao menos por 120 dias.

Eu tenho um blog, mais ou menos abandonado, há 5 anos. Tenho inúmeras ideias para posts que nunca saem da cabeça pro computador. Tenho algumas ideias para contos que talvez eu nunca escreva. Estou lendo Sobre a Escrita, do Stephen King, para me situar sobre a escrita e saber se ela é para mim ou se devo tirar o cavalo da chuva de vento que, segundo a minha avó, vem por aí!

Eu gosto de escrever. Não costumo reler posts e textos, mas gosto que eles estejam a minha disposição. Gosto que me leiam, também. Gosto que me gostem.

Nunca vou ter a facilidade de escrita que Milan e Stephen parecem ter. Meus pensamentos fluem direitinho, mas se perdem quando passam pelo teclado. Já perdi boas histórias por pensá-las longe do computador. Mas as histórias que conseguem ser escritas ao mesmo tempo em que o pensamento voa são bacaninhas, eu acho. São surpreendentes e assustadoras por serem independentes do meu eu. Não sei de onde vem nem como chegam onde chegam e, por isso, me dão prazer.

O Livro do Riso e do Esquecimento é de 1978, mas é muito atual e interessante. Recomendo.

Gastando dinheiro – ou investindo em cultura?

Adoro o Catarse. A plataforma de financiamento coletivo parece uma grande bolsa de apostas + liquidação. São, no máximo, 60 dias de prazo para fazer acontecer. A gente tem a oportunidade de fazer parte da História do projeto e, assim, torce, divulga e ainda paga um preço bem legal pelo produto + recompensas.

Eu sou apoiadora compulsiva de quadrinhos. Minha lista tem 14 apoios na área e todos concretizados. Uma ou duas decepções – livros que prometeram, mas não cumpriram -, mas, de modo geral, tenho estado satisfeita.

Estão em fase de apoio e recomendo:

Dois livrinhos: dois livros: Blue, uma coletânea de quadrinhos tragicômicos, e Dúvidas Cruéis de um Idiota, um livrinho recheado de dúvidas sobre o mundo. Muito divertidos, assim como o vídeo de apresentação do projeto, que foi quem me ganhou! Mas corra, porque está chegando ao fim!

Beladona: versão impressa de uma das minhas webseries favoritas.

Nada com coisa alguma: coletânea de tira do quadrinista José Aguiar.

O Homem da Capa Amarela: é sobre um justiceiro contra políticos corruptos. Parece bem legal. Na dúvida, clique aqui e baixe o primeiro capítulo.

Remendos: coletânea de tirinhas do site Sushi de Kriptonita. Ótimo site!

Quad 2: 4 histórias de 4 cartunistas.

Inconcebível: desculpe, Valter, mas seu vídeo dá sono, depõe contra. Mas… Fiquei curiosa com a história e terá meu apoio.

O Catarse tem muitas outras áreas de interesse, caso não curta quadrinhos. Tenho certeza que algum projeto merecerá seu apoio.

P.S.: para quem gosta de bichos, um projeto bem bacana no Catarse: Animal de Estimação Não é Brinquedo Não. É um livro voltado ao público infantil que ensina sobre o respeito aos animais.

Catarse

Eu estou pobrinha. Este ano está particularmente complexo. A cidade está empobrecida, muita empresa e loja quebrando e publicidade, por incrível que pareça, é a primeira “despesa” a ser cortada. Diante deste cenário, estou evitando gastos supérfluos.

Estava dando certo até que um amigo anunciou um projeto no Catarse. Um projeto puxou o outro e, de repente, eu estava apoiando 4 – e desejando muito mais dois. Um outro amigo disse que sou mecenas, por sempre apoiar os projetos de artistas. Eu sou é descontrolada, mesmo. Mas… Sei lá… Para quem se importa pouco com pessoas, eu me importo muito com sensibilidades e ver um projeto bacana ser engavetado me dói. Minha contribuição é pelo projeto e, principalmente, pelo autor. E, no fim das contas, em vez de apoiar com o pouco que me cabe, eu apoio com um muito que me excede… O bom é que ainda não me arrependi.

blueQuem resiste a esse olhar?

Se você não é descontrolado(a) como eu, há projetos dos mais diversos no Catarse que valem o investimento. Eu, particularmente, gosto de quadrinhos e indico:

Mas cuidado! Catarse vicia!

 

O Livro do Esquecimento

Acho que foi nO Livro do Riso e do Esquecimento que Milan Kundera comentou sobre a prepotência de se escrever um livro. Afinal, o que você poderia ter de tão interessante e novo a contar que faria com que outras pessoas quisessem lê-lo? O quê? Apesar de minha resposta ter sido: “nada, né?”, cá estou eu, escrevendo opiniões em público. Mas me justifico: aqui, não há a pretensão em ser lida.

De toda forma, deixei de lado a ideia de ser escritora. Não que eu tivesse alguma intenção de o ser quando li Milan Kundera. Naquela época, eu havia desistido até do jornalismo. Eu não queria escrever. E, quando eu comecei a querer, mantive o Milan em mente. Deixei passar a vontade.

Então, escrevo uns continhos lá, umas crônicas ali, dou uns pitacos aqui e vou gastando minhas histórias, assim. Às vezes, dá vontade de ir além, mas ainda prefiro não.

E é esse “prefiro não” que tem faltado à muita gente. Prefira não escrever um livro quando o que você tem a oferecer é um misto do Velho Testamento + o pior de Anne Rice + Cavalheiros do Zodíaco. Arcanjo usando o golpe “Ira dos Deuses” numa batalha? Poupe-me, por favor!

Eu sei que, apesar deu amar ler, não sou o público de qualquer autor. Até leio Dan Brown, mas nunca serei seu público. Acho os livros dele todos iguais. Ele não sabe variar temática nem caracterização dos personagens e, invariavelmente, explica demais, como se o seu leitor fosse tonto. Talvez o seja… Mas ele me entretém e dou valor a isso. Se eu leio um livro de 400 páginas, xingando, mas querendo chegar ao fim, o mérito é do cara. Ruim é chegar na página 15 – de 395 – me perguntando: “falta muito, ainda?”. Pois é…

Esta semana, abandonei dois livros pelo caminho. Coincidentemente, os dois tinham relação com o Velho Testamento. Os dois eram prepotentes. Não só o conteúdo, em si, mas a forma de escrevê-lo. Perdoo um autor pretensioso, mas não perdoo uma escrita pretensiosa. Não!

Por isso, volto para a segurança do Stephen King – que é bom até quando é ruim – e me rendo a Isaac Asimov e seus robôs, porque a vida é muito curta para ser gasta com livros ruins.

Obs.: aceito dicas de leitura, caso alguém passe por aqui!!

Eu queria ficar no FIQ

fiqFIQ!

A Internet é uma terra mágica que nos conecta a todos. E colher os frutos desta conexão é o que há!

Adoro as tiras do Coala. Adoro o trabalho dele, mas adorei, acima de tudo, conhecê-lo pessoalmente. Pensa: eu, um quadradinho numa rede social, ser reconhecida pelo outro quadradinho. Mas, não qualquer quadradinho! Um quadradinho que eu admiro! “Você tem um gato cinza!”

Sr. e Sra. Coala são as duas pessoas mais fofas, simpáticas e cute-cute da vida! Eu e marido ficamos conversando com eles como se fôssemos melhores amigos! E eu me senti simpática! Eu! Simpática!!

familia-coalaMarido, Sr. Coala, eu – fotogenia, a gente se vê por aí… – e Sra. Coala. casalmaislindodedeuscutecutejatocomsaudades

Queria poder ir a FIQ todos os dias – termina domingo – só para continuar fazendo de conta que eles são realmente meus amigos! Queria ter um apartamento no Guarujá só para pegar elevador com o Coala em dia de chuva!!

O estande da Webcomix foi meu paraíso pessoal. Comprei bastante, lá. E viciei nesse negócio de pegar autógrafo em livros. Desenhista desenha no autógrafo!! Como não amar?! Mas apesar de ser o estande do Carlos Ruasídolo mor, pelo que percebemos – , Guilherme Bandeira, Marcos Noel, Digo Freitas, além do Coala, não foi o único paraíso que encontramos!

01

02Comprinhas… E minha bolsa de galinha, um sucesso!!

autografosAutógrafos!!

Marido nadou de braçada no estande The White Russian Society. Parecia menino pequeno com os livros dos irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon e do Gustavo Duarteuma simpatia! – nas mãos, pedindo autógrafo! Eu gostei mesmo foi do Murilo Martins! Achei os livros muito criativos e comprei I’m a German Shepherd com muita alegria no coração!

wrs-fiq2013

No Balão Editorial, fiz a festa! Comprei todos os livros do Estevão Ribeiro que haviam lá, além da pelúcia do Héctor! Viciada, fui atrás do meu autógrafo!

Estevão é meu amigo de Facebook, e é tão meu amigo, que nem perguntou meu nome na hora do autógrafo. E lá se foi com “Para Beatriz”.

beatrizMeu nome é Patrícia, mas poderia ser Beatriz!

Gafe?! Que nada! Morremos de rir! Somos amigos o suficiente para não nos importarmos com bobagem e ele se saiu bem: “melhor errar seu nome do que o da minha mulher!” Concordei, claro!

Gafe, quem cometeu fui eu. Duas!

Depois de mais de uma hora procurando pelo Orlandeli, fui atrás do Vitor Cafaggi para saber se ele sabia onde o cara estava. Sabia! Enfim, alguém sabia! Porque o negócio foi sério: ninguém no FIQ, seja organização, produção ou voluntário, NINGUÉM conseguia me dizer se ele estava num estande ou numa das inúmeras mesas. Mas ele e o Vitor são amigos e, aleluia, mesa 25.

Chegando lá, soltei: “Orlandeli, você precisa ficar famoso, porque ninguém sabe quem é você”. Simpática, né?! Fofa! Brilhei infinitamente! E só me dei conta do quando eu fui escrota quando eu cheguei em casa!

Se algo justifica tamanha falta de noção, é a própria falta de noção, em si. A Internet aproxima e a gente se sente realmente próximo, íntimo a ponto de fazer comentário idiota sem achar que isso pode ofender. Eu, falando com um cara que nunca me viu mais gorda, como se ele fosse tão meu amigo que me perdoasse pelas minhas indiscrições…

A gafe 2? Com o próprio Vitor. Ele foi meu colega de faculdade e foi sócio do meu marido, na primeira agência dele. E o cara é meu amigo – distante, vá lá, mas, pelo menos, a gente se conhece em carne e osso há mais de dez anos.

Encontrei com ele algumas vezes, fui atrás dele para me localizar outro autor e simplesmente me esqueci de comprar o livro dele. Eu queria? Sim! Valente é fofo! Fui ao estande para isso, duas vezes, mas ele estava com uma fila imensa de autógrafos e eu não quis esperar. Pensei em voltar depois e… Esqueci do caso! Sou um monstro!!

Justifico que eu estava inebriada de HQ! Não estava com minhas faculdades mentais em plena função! Tanto que, hoje, acordei com ressaca.

Arrependimentos? Claro: voltei para casa sem Valente por Opção, com vergonha do Orlandeli, sem ter conhecido o Laerte – que, ao que parece, só vai no domingo – e com a capacidade só minha de ficar horrorosa em todas as fotos! Mas me diverti a valer e, daqui a dois anos, tô batendo ponto lá, novamente.

Este FIQ acontece na Serraria Souza Pinto, em BH, até domingo, dia 17. Se estiver por perto, vá! A entrada é gratuita e os livros são muito baratos! Ah! Estacione direitinho, porque a polícia não poupou multas!