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Categoria: ‘opinião’

  1. Um mundo mais do que enfeitado

    5 de janeiro de 2014

    A vó Edir costumava dizer que o mundo anda muito enfeitado. Ela era batista e, no geral, se referia à homossexualidade, hábitos e vestimentas. Eu acho que o mundo está mais do que enfeitado, só não sei qual palavra usar pra defini-lo…

    Mas eu sei que ando triste que só.

    O objetivo das redes sociais era, a meu ver, juntar pessoas com interesses em comum. Ok. O problema é o tipo de pessoas e de interesses que têm sido juntados. Às vezes, eu me assusto com os comentários, com a agressividades/ignorância/preguiça/estupidez com as quais as pessoas destilam seus preconceitos.

    1488060_595692070518500_1927261708_nHumano: Por que as pessoas estão cada vez mais intolerantes com as outras enquanto a Internet nos conecta mais próximos?

    Deus: Pessoas não estão diferentes do que sempre foram… Estúpidas. A Internet apenas fez com que fosse possível para nós vermos o quão grande é o abismo da estupidez humana. Tente não afundar.

    Às vezes, eu me assusto com o tamanho dos equívocos que fazem com que uma causa nobre se torne antipatizada. Vegetarianos/veganos, por exemplo, são mestres nisso. Mostram fotos horrendas, de maldade suprema, de sofrimento animal, com o objetivo de convencer aos adeptos da picanha e bacon a se tornarem vegetarianos. Não funciona. Não funciona comigo, que já sou vegetariana. Me dá tristeza, muita. E dá “fortes” argumentos aos adeptos da picanha e bacon para hostilizarem os vegetarianos/veganos, porque esses se sentem atacados e querem contra-atacar. E a causa animal se perde em meio a discussões imbecis.

    Ontem, eu estava lendo uma matéria sobre o consumo sustentável. Nos comentários, um vegano se impondo. Ok… Acontece. Para mim, o que interessou – e me assustou – é que não é possível o consumo sustentável. Não o tempo todo.

    Olha o tamanho do mundo! Olha a quantidade de gente que tem nele! Não dá para controlar tudo! Não dá para ficar sabendo de TODOS os pormenores e ter ânimo para continuar vivo. Em toda e qualquer indústria, seja de moda, de comida, de chá, todas elas cometem merda. Gente, bicho, o planeta sofre com essas merdas. O que fazer? Eu juro que não sei.

    A tal história do mosquito que é pequeno e um só, mas incomoda, é só isso: uma história. Se ele incomoda, você pega a raquete elétrica e acaba com ele. Não há exemplo de superação nisso!

    Eu faço minha pequena parte. Ajuda o mundo? Provavelmente, não. Mas me ajuda. É totalmente pessoal e egoísta cada gesto de bondade que eu tenho. Não como mais carne porque não apoio o modus operandi da indústria alimentícia. Estou a caminho de parar com o leite. Não uso uma porção de cosméticos porque sei que são testado em animais - mas devo usar uma porção de outros que não sei e, neste caso, a ignorância é uma bênção, porque eu não tenho grana para comprar produtos veganos nem condições de fazer meus próprios xampus. Não embrulho presentes, para não gerar mais lixo. E eu separo os lixos e reaproveito sacolinhas de supermercado para recolher os cocôs dos gatos. Não sigo moda/tendência há anos! Só compro o que realmente é útil e vou usar. Castrei os gatos e só não castrei o cão, porque ele não é meu e meu marido ainda não evoluiu em alguns aspectos.

    Em resumo, eu faço o que eu posso. O problema está em quem não faz/não pode nada. E não faz nem pode, porque é ignorante e estúpido demais para se mover. Não se preocupa com o outro e com o planeta, porque não pensa e, se pensa, deve ser algo do tipo: “ah, foda-se! Eu vou morrer, um dia, e deixa de ser problema meu. Vamo apoveitá enquanto tamo aqui!”.

    E engana-se quem acha que isso é problema terceiromundista, de pobre, sem acesso a educação. É claro que pobreza e ignorância andam juntas e perpetuam a tragédia, mas, né?, como os digníssimos governos conseguiriam se manter no poder se não fosse a ignorância?! O problema é global, sem fronteiras de credo, raça, condição social. O problema é uma Myle Cyrus - desnececyrus – da vida usando casacão de pele de verdade. Uma riquinha cercada por informação, se lixando para o mundo e o que vão pensar dela. “Sou rebelde”. Sei. Não passa de uma mocinha que conseguiu “se achar” tanto, que achou quem achasse junto!

    É mais gente que acha junto do que gente que pensa por si ou que se alinha a uma causa nobre: sobrevivência. É mais gente obcecada por fama e glamour e menos gente que faz. É medonho.

    Às vezes, penso que o melhor seria cruzar os braços e esperar pelo fim. Talvez, o homem da tabuleta esteja certo e o fim esteja próximo…

    the-end-is-nearSometimes, I hope so…


  2. Implicância

    27 de dezembro de 2013

    Gatos são animais lindos, não importa raça. Para o convívio, eu, particularmente, prefiro os de pelos curtos, mais fácil de lidar, e vira-latas, menos propensos a doenças genéticas. Cor? Gosto de pretos, básicos, clássicos. Prefiro as fêmeas, que são menos peraltas, e pegar ainda filhote, porque filhote de gato é vida!

    Mas, apesar da minha preferência, temos duas de pelo longo, dois machos e nenhum pretinho. Só a Pixie – e o Santa, se for ficar – chegou adulta. Isso aconteceu porque eu não escolho gato. Eu fico com os que me aparecem, os que me escolhem. Prefiro assim. Se vou bancar a dona, que seja a dona que eles escolheram ter. E a vida vai bem, obrigada.

    As pessoas mais rasinhas escolhem gato pela aparência. Gatos têm, para elas, que ser lindos. Gato ostentação! Ok. Há outras que gostam de característica próprias de algumas raças, seja física ou comportamental. Ok, também. Desde que tratem direitinho, protegendo, amando, cuidando, castrando e não inventando de abandonar, a motivação da pessoa é o que menos me importa.

    Pessoas têm suas preferências, fazer o quê? Sei que em São Paulo, pelo menos, na ONG Adote Um Gatinho, os pretinhos são preteridos. No Rio, na 4Patinhas, são os frajolas – gatos preto e branco – que ficam para trás. São muito comuns… Em Itaúna, se não tiver raça – ou, pelo menos, “cara de raça” – , difícil encontrar quem queira… Mas, em qualquer lugar, coloque um persa ou sialata - siamês vira-lata – ou uma gata toda amarela – raríssima – ou um gato todo branco com olhos azuis para adoção para ver se não dá briga entre pretendentes. Dá.

    Por isso tudo que acho esta campanha, que tem rolado há um tempo, imbecil:

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    Na minha opinião, ela não faz nada além de confirmar o preconceito, afinal, pessoas são escolhidas ou preteridas pela cor de cabelo e/ou pele o tempo todo.

    Sinta-se totalmente confortável em discordar de mim, principalmente – mas não exclusivamente – se seu coração se encheu de amor e você decidiu, agora mesmo, que quer um gato escaminha para todo o sempre. E, Sávio, se por causa deste post você decidir namorar uma ruiva, lhe perdoarei por tudo o que você me disse na 8ª série!

    E para quem não sabe, gato escaminha são esses de pelagem mesclada, geralmente preta e marrom. Minha avó chamaria de “pano queimado”. A Pixie, minha gata feiosa, é mescla de tigrado com escaminha, ou seja, ela mistura estampas. Há quem ache a Pixie linda, há quem ache escaminhas lindos. Mas, para a maioria, é um gato comum e/ou esquisito. Não é, definitivamente, uma padronagem popular.

    Eu continuo achando que tanto faz a pelagem. Mas, se as escaminhas são as mais rejeitadas da vida, que tal promover a excentricidade, a diferença, a exclusividade – já que os padrões dificilmente se repetirão -, o quanto você é mais bonito ao lado de uma gato feio, o quanto você é mais legal por tê-lo escolhido, sei lá, qualquer psicologismo mais eficiente do que comparar o pobre do gato a uma ruiva.


  3. Encerrando 2013 – Parte II

    23 de dezembro de 2013

    TOP-Pi 10 | O PIOR DE 2013:

    1. Morte. Morreu gente que eu amava; morreu gente que eu admirava e morreram muitos gatinhos que eu acompanhava… Mas vaso ruim continua inquebrável.

    2. Futebol – incluem-se: Copa, torcidas, times, jogadores, tapetão.

    3. Patifaria generalizada. Em uma palavra: Brasil.

    4. A mesma pindaíba de sempre.

    5. Trabalhar com publicidade:

    6. Enxaquecas. Por quê? :-(

    7. Vizinhos. O de sempre e cada vez mais: barulho, sujeira, desrespeito e até veneno no meu abacateiro!

    8. Serviços básicos: Internet rápida mais lenta e cara do mundo, serviço autônomo de água e esgoto que manda água suja e com pressão variável – quando manda – e luz que desliga quando menos pode e, quando volta, destrói tudo. As mazelas da vida no interior…

    9. Self e outras manias chatas.

    10. Visitas indesejadas: pernilongos, cobras, aranhas, hordas de pombos piolhentos e de micos pulguentos. Tenho horror a micos. Tenho horror a pulgas. Como seres tão pequenos conseguem ser tão incômodos e indestrutíveis?


  4. Encerrando 2013

    22 de dezembro de 2013

    Todo ano, nesta época, eu faço os Top-Pi. Este ano, só por tradição autoimposta, teremos, também… Bora lá.

    TOP-Pi 10 | O MELHOR DE 2013:

    1. Nikita Cristina: chegou há duas semanas roubando corações. Ela é feiosa, fedorenta, carente, late agudo – e muito -, mas fez a vida do Toro tão mais feliz! Só por isso, já é a melhor do ano!

    2. Amizades: antigas e novas, virtuais e reais – vocês são cada vez em maior número! Estou me sentindo sociável! E sinto que existe uma boa parte da humanidade que ainda vale a pena.

    3. FIQ! Se ano passado foram: “tirinhas hilárias – preciso delas para viver. E cada vez mais!”, este ano foram os autores das tirinhas e seus livrinhos. São pessoas lindas com trabalhos lindos! Amei conhecê-los e descobrir que são “real deal”.

    4. Vegetarianismo. Mesmo manco, me fez muito bem. E melhor.

    5. Trabalho voluntário. Não sei desde quando admiro a 4Patinhas. Nem sei como a conheci, mas é a ONG que eu mais procuro ajudar, porque eu acredito piamente. Sim, eu sei, pessoas tendem a falhar. Mas como disse meu amigo Estevão Ribeiro, “errar é complicado, mas quem pode nos culpar por algo tão genuinamente humano, né?” Né?! Eles fazem o melhor que podem e ajudam muito a muitos! Este ano, comecei a fazer trabalho pro bono para eles e me sinto muito feliz com isso! Queria poder fazer mais.

    6. Stephen King continua sendo o dono do meu coração. Amei ler velharias e amei ler livros novos. Mostra que ele ainda tem muita estrada para rodar! Tentei Anne Rice, tentei Agatha Christie, estou tentando Isaac Asimov, mas o Stephen é King.

    7. Ideias! Elas não param de chegar! Se eu tiver tempo/boa vontade, pô-las-ei em prática, em 2014!

    8. Mobilização popular. Pode ter sido fogo de palha, mas me acalentou o coração. Por alguns instantes, eu acreditei…

    9. Facebook. Eu, de verdade, detesto o Facebook. É um troço muito do chato, bagunçado e cheio de regrinhas e pessoas tolas, mas… Todo mundo tá lá e, no meio de muita bobagem, tem gente boa. Encontrei God, uma pessoa que, se não for boa, mente muito bem. Encontrei Awkward Moments Childeren’s Bible, que me diverte muito. Entrei em grupos de loucos por gatos, porque é bom ter companhia nas neuroses.

    10. Livramo-nos do mal. Amém!

     nikitaNikita, Chispita, Pequetita, Chiquita, Chiquitita. Princesinha da casa!


  5. Povo Estranho II

    21 de dezembro de 2013

    Em BH, na Rua Fernandes Tourinho, 455, para ser mais exata, há um restaurante chinês – Dragon Center -, de chineses, que serve a melhor comida chinesa que já comi na vida. O preço é bom, a variedade é enorme e o ambiente é ok.

    Eu costumava passar uma tarde ou outra, lá, comendo muito! Muito! E acaba aí minha simpatia pela China.

    Não, eu não conheço a China. George Michael, na época do Wham!, foi e não gostou. George Michael não é meu formador de opinião, mas, nisto, confio nele.

    É que a China… Tem chineses… E chineses… Eu sei que é puro preconceito. Generalização grosseira, mesmo, mas…

    Como confiar num povo que falsifica ovo?! Como compreender pessoas que dão, acidentalmente (?), descarga em bebêsArrancam olhos de sobrinhos? Escravizam? Falsificam reflorestamento? Se matam a torto e a direito?

    Eu sei que são mais de 1,3 bilhão de pessoas e, apesar de bizarros, são casos isolados e não, necessariamente, representam todo um povo, mas… A China lidera o ranking de mortes por exaustão no mundo. O número de vítimas de ataques cardíacos e AVC provocados pelo estresse de trabalho é de 600 mil por ano! E eles comem cachorro!!!

    Não estou dizendo que o Brasil – e o brasileiro – não tenha suas estranhezas. Estou somente sentando no rabo e falando do rabo alheio.

    P.S.: havia me esquecido desta falsificação sensacional: leão!!


  6. O Livro do Esquecimento

    14 de dezembro de 2013

    Acho que foi nO Livro do Riso e do Esquecimento que Milan Kundera comentou sobre a prepotência de se escrever um livro. Afinal, o que você poderia ter de tão interessante e novo a contar que faria com que outras pessoas quisessem lê-lo? O quê? Apesar de minha resposta ter sido: “nada, né?”, cá estou eu, escrevendo opiniões em público. Mas me justifico: aqui, não há a pretensão em ser lida.

    De toda forma, deixei de lado a ideia de ser escritora. Não que eu tivesse alguma intenção de o ser quando li Milan Kundera. Naquela época, eu havia desistido até do jornalismo. Eu não queria escrever. E, quando eu comecei a querer, mantive o Milan em mente. Deixei passar a vontade.

    Então, escrevo uns continhos lá, umas crônicas ali, dou uns pitacos aqui e vou gastando minhas histórias, assim. Às vezes, dá vontade de ir além, mas ainda prefiro não.

    E é esse “prefiro não” que tem faltado à muita gente. Prefira não escrever um livro quando o que você tem a oferecer é um misto do Velho Testamento + o pior de Anne Rice + Cavalheiros do Zodíaco. Arcanjo usando o golpe “Ira dos Deuses” numa batalha? Poupe-me, por favor!

    Eu sei que, apesar deu amar ler, não sou o público de qualquer autor. Até leio Dan Brown, mas nunca serei seu público. Acho os livros dele todos iguais. Ele não sabe variar temática nem caracterização dos personagens e, invariavelmente, explica demais, como se o seu leitor fosse tonto. Talvez o seja… Mas ele me entretém e dou valor a isso. Se eu leio um livro de 400 páginas, xingando, mas querendo chegar ao fim, o mérito é do cara. Ruim é chegar na página 15 – de 395 – me perguntando: “falta muito, ainda?”. Pois é…

    Esta semana, abandonei dois livros pelo caminho. Coincidentemente, os dois tinham relação com o Velho Testamento. Os dois eram prepotentes. Não só o conteúdo, em si, mas a forma de escrevê-lo. Perdoo um autor pretensioso, mas não perdoo uma escrita pretensiosa. Não!

    Por isso, volto para a segurança do Stephen King – que é bom até quando é ruim – e me rendo a Isaac Asimov e seus robôs, porque a vida é muito curta para ser gasta com livros ruins.

    Obs.: aceito dicas de leitura, caso alguém passe por aqui!!


  7. Geração Y

    3 de dezembro de 2013

    Não vou generalizar, porque nem todo indivíduo que nasceu entre 1980 e 1990 e poucos se encaixa na definição. Mas, quem se encaixa, me explica: que poha é essa que passa pela cabeça de vocês? Se é que passa alguma coisa…

    Trabalho não é sinônimo de farra. Fazer só o que se tem vontade e na hora que se tem vontade, chegar quando quer, faltar quando der na telha e ficar o dia TODO pendurado no celular/Facebook/Twitter/chat PESSOAL é o extremo oposto de trabalho. Trabalho não é prazer. Pode-se – deve-se – ter prazer, mas não é pressuposto. Você pode ser funcionário do Google ou do Facebook, você pode ser seu próprio chefe que, até assim, trabalho é compromisso. É cumprir tarefas, ame-as ou não.

    Seu salário é pago pela sua função, não porque você é simpático/alegre/gente boa. E cumprir sua função é o que justifica seu salário. Você NÃO ESTÁ FAZENDO FAVOR em cumprir suas funções. Nem é injusto você levar “puxão de orelha” – entre aspas, viu?, ninguém feriu sua sagrada orelhinha que mamãe passou cotonete! – quando não faz o que deveria ter feito. Para com isso de “não sou obrigado”, porque é sim!!!!!

    A vida não gira em torno do seu umbigo. Você não é melhor do que ninguém - e corre o risco de estrelar no TOP 10 dos piores do mundo. Arrogância é falta de educação. E sua infelicidade é plenamente justificada pela sua falta de visão de mundo. Acorda!

    yVOCÊ NÃO É ESPECIAL!!!


  8. Sou branquinha, e daí?

    2 de dezembro de 2013

    Isto, normalmente, não valeria um post. Mas me senti obrigada.

    Possivelmente, por eu ser branquinha, às vezes me falha a visualização do racismo contra negros. Tem ocasiões que só vejo quando alguém me aponta onde ele está. Eu nunca o senti na pele e, por mais que já tenha ouvido piadinhas sobre a minha cor e minhas sardas e por mais que isso tenha me magoado, sei que não é a mesma coisa.

    Para ser muito sincera, eu não entendo racismo, xenofobia, machismo/feminismo. Eu não entendo, e nem quero, esta separação. Não entender não quer dizer que eu nunca tenha tido uma atitude racista, xenófoba ou machista/feminista. Tenho minhas fraquezas e imbecilidades de tempos em tempos. Também atuo, por mais que eu negue, como parte de um grupo. Se a situação permite o absurdo, muitas vezes chafurdo nele. Mas eu fico me sentindo idiota, depois, e torço para que todos os envolvidos estivessem bêbados demais para se lembrarem do meu comportamento.

    Eu sou branca – fenótipo, porque, geneticamente, sou a mesma mistureba de quase todo brasileiro – e sei que pertenço ao “grupo privilegiado” só por isso. Se eu fosse rica, estaria lá no topo, mas, por hora, a base me serve, porque mesmo estar na base do “grupo privilegiado” me traz facilidades. Bom pra mim – e só pra mim.

    Tenho uns – poucos – amigos negros que passam por situações desagradáveis por serem negros. Ruim para eles? Sim, mas não só para eles. É ruim pra geral, é ruim pra humanidade, pra alma, pra vida! É ruim pensar que alguns são ruins com os outros só porque não curtem a quantidade de melanina que calhou de ter na pele desses outros.

    Então, o pensamento da Fernanda Lima, no contexto certinho, do jeito que saiu no jornalse tiraram do contexto, ela não reclamou ainda – me espanta: “O que eu tenho a ver com isso (racismo)? Só porque eu sou branquinha?” Para mim, tem tudo a ver, Fernanda! Se você é gente, tem tudo a ver.

    Não significa que ela seja a causa do racismo, mas leva-se em conta que sua escolha foi uma consequência. Como branquinha, lourinha, gauchinha, ela não representa a nação. Taí o ponto? Dois negros lindos e bem-sucedidos, também não – não, o povo brasileiro não é lindo nem rico, tamo tudo na merda! -, mas se aproxima mais da realidade da geral. Será? Talvez.

    Para mim, o que pega, não é a atitude da Fifa – que, aliás, não se cansa de ter atitudes erradas -, mas a da Fernanda, em se excluir. O discurso “eu não faço parte do problema nem da solução, muito antes pelo contrário. Só tô fazendo meu trabalho”, não é a resposta certa. Também não sei qual é. Mas pensar que, por eu ser branquinha e não ser racista, eu não tenho nada a ver com racismo, nunca sequer me passou pela cabeça. O racismo é um problema humano e, como humana, tenho tudo a ver com isso.

    As epidemias na Ásia, a fome na África, o tufão nas Filipinas, o suposto racismo da Fifa, tudo isso tem a ver comigo, tudo me atinge. Como diria o Mestre dos Magos, “o destino de um é partilhado por todos” e todos nós temos partilhado um mundo repleto de intolerância e ignorância. Se isso não lhe afeta, você não é só branquinha, você não é humana.


  9. Dia da Consciência Negra

    20 de novembro de 2013

    Dia 19 de Abril é Dia do Índio. Dia 18 de novembro é Dia de Celebração do Albinismo. Hoje, é Dia da Consciência Negra. Meu discurso está aí, por todo o blog, e não vou repeti-lo. O negócio é: hoje é Dia da Consciência Negra em se concordando ou não. Estabeleceram isso, firmaram em cartório e algumas cidades até comemoram com feriadão! Infelizmente, aqui a gente tem que trabalhar…

    Hoje é Dia da Consciência Negra e não o Dia de Se Tirar o Racismo do Armário. Também não é o Dia de se Resmungar que Sua Cor de Pele Não Ganhou Um Dia Só Dela. Não é o Dia de se Jogar na Cara do Negro o Sistema de Cotas Raciais. Não é O Dia do Mimimi em Redes Sociais – aliás, este dia é todo dia. Ou seja, hoje é dia de fazer exatamente o contrário do que está sendo feito por aí.

    É dia de você questionar o porquê de ser necessário um Dia do Orgulho Negro. Aproveita e se questiona por que ainda existe racismo e se você tem atitudes racistas em outros dias do ano, também. E não me venha com a balela de “somos todos iguais”, porque somos todos diferentes e de forma muita mais ampla do que a simples cor da pele. E aceitar as diferenças faz bem. É um bom começo.

    Talvez, um dia, a gente evolua a ponto de não ser mais necessário dedicar-se um dia somente para a reflexão. Daí, não precisaremos de Dia do Índio nem de Celebração do Albinismo ou da Consciência Negra, assim como do Dia da Mulher ou do Homem, etc. Mas, até lá, pense. O Dia da Consciência Humana já é todo dia. Use-a. Homenageie-a.


  10. Rei do camarote

    3 de novembro de 2013

    Parece que a boa do fim de semana foi rir do tal “Rei do Camarote”.

    Eu não ri… Confesso que me deu tristeza, vontade de dar um abraço nele e dizer: “vai passar”…

    O cara me pareceu tão… Triste. Sozinho. Inseguro. Imaturo. Bebendo champanhe porque “são status”, quando ele prefere vodka. Tendo coisas somente para agradar aos outros, para despertar inveja, cobiça, desejo. Dançando sem querer dançar. Indo pra “balada” pagar merenda pra galera!

    (Aliás, as palavras “balada” e “galera” ainda são usadas? É old school, tipo “curti”… Ah, é tão démodé! Daqui a pouco, vai ter gente trazendo “cocota” e “chuchu beleza” de volta.)

    “Já transei com mulher na balada. No banheiro” foi o ápice do meu dó… Ai… Coitado…

    Não senti inveja dele, não ri da sexualidade dele nem do ridículo prestado. Só pensei: “era tão pobre, mas tão pobre, que só tinha dinheiro”… Deve ser de Itaúna…


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