Eleições

O Di Vasca perguntou, dia desses, se você (ou eu, qualquer um) acha que quem votar em algum candidato que não seja o seu é burro. Não sei responder com “sim” ou “não”, como ele exigiu, porque depende.

Depende… Se você vota no PT… Se você acredita nos dados da ONU sobre o Brasil… Se você “avalia” os números sem avaliar o que está por trás dos números… Se você realmente acredita no “eu não sabia de nada” que tem rolado a cada denúncia de corrupção… Se você tende à falácia, ao sofisma e à esquerda lulopetista… Sim, você é um abobalhado, na minha humilde opinião. Não uso a palavra “burro”, porque são animais que merecem respeito.

E minha humilde opinião casa com a desse senhor:

Ovos da polêmica

Dia desses eu disse que dissertaria sobre ovos e a polêmica vegana. Chegou a hora!!

Sim, eu sei que muitos - se é que há muitos – dos que vêm aqui não estão nem aí para veganismo, mas, ó, é o que tem pra hoje.

Estava eu trocando e-mails com uma vegana muito simpática - coisa cada vez mais rara de se encontrar -, quando surgiu o assunto “ovos”. Veganos são radicalmente contra o consumo dos ovos, seja como for. O principal argumento é que os ovos pertencem às galinhas, assim como o leite às mães – seja de qual espécie for – e a seus bebês. Ademais, criar galinhas com algum propósito é especismo e escravidão. Eu discordo.

Ganhei dois casais de penosas há uns 6 anos com o objetivo de ter ovos em casa. Elas ficavam presas num galinheiro e eram estressadas. Meu quintal tem cerca de 500m² e estava se enchendo de mato. Pensei: galinhas soltas são felizes e comem mato. Desde então, elas estão soltas, ciscando pela casa. Até dentro de casa, quando querem.

Depois de uns meses, uma conhecida, que tem lúpus e havia desenvolvido alergia às penosas dela, me doou quase todas, porque sabia que eu não as mataria. Vieram pavões, peruas, d’angolas, sedosas japonesas e muitas garnisés. Com o tempo, tive que doar pavões, peruas e d`angolas por causa do barulho que faziam. Não só por causa dos vizinhos reclamões, mas porque são aves que voam e precisam de mais espaço do que eu tenho. Doei com promessas de nunca serem mortas e estão quase todas bem. As d’angolas encontraram predadores pelo caminho… :-(

Minhas galinhas são mais livres do que meus gatos e cães. Elas andam por toda a casa, comem e defecam por todo lado. O limite é o muro da casa e, mesmo assim, se elas quiserem sair, conseguem, porque as asas não são cortadas. Não saem porque gostam do que têm aqui. E o limite que recentemente impus a elas é uma terrinha que telamos, para poder plantar.

Não fiz ninhos, elas botam onde querem. Já fui surpreendida por um punhado de pintinhos brotando da casinha do cachorro. Elas têm poleiros, mas preferem dormir nas árvores. Chocam quando querem, criam como querem e quando não querem eu assumo as crias. Pelos menos 1/3 delas foi criado por mim. Já ameacei não deixar mais elas chocarem, por causa dos abandonos, mas elas driblam proibições. Qualquer proibição.

Elas capinam porque é da natureza delas revirar a terra em busca de comida. Elas comem de tudo e o tempo todo, inclusive ovos! Minha avó diria para queimar o bico delas, mas eu não faria isso. Não preciso de muitos ovos e não me importo em compartilhar. Elas só não comem ração, porque não precisam de incentivo para botar – e porque não confio em rações.- E elas botam porque faz parte do ciclo de vida delas e seguem o ritmo delas.

Acho que é uma troca justa: eu dou comida, espaço, casa, proteção e carinho e elas me dão ovos. Por isso, não vejo mal em usar o propósito da galinha a meu favor, porque não a desfavorece em nada. Na natureza, isso é chamado de simbiose.

Se eu fosse ter galinhas sem nenhum propósito, eu não as teria. São bichinhos bagunceiros, brigões e extremamente barulhentos, cuja manutenção me custa um bom dinheiro. Não são “doninhas” simpáticas e autossuficientes. Se não fosse por mim, das cerca de 50 que moram aqui, somente uma delas teria nascido e, mesmo assim, já estaria morta, já que tem uma doença genética que faz com que seu bico cresça infinitamente e precisa ser alimentada em separado.

Há as teorias que dizem que vacas, porcos, galinhas, carneiros, bodes, burricos e qualquer outro animal que tenha um “propósito” na vida humana estariam extintos num mundo vegano/abolicionista. Humanos começaram a criar cavalos para transporte e tração. Cães para segurança, companhia e ajuda na caça. Gatos, porque caçam ratos. Mesmo hoje, há um propósito na criação de animais, mesmo que seja tirar fotos deles para o Instagram. Em troca, bons humanos dão amor, comida, cuidados, segurança. Sem troca, não há animais de estimação e vai ter que haver muito vegano e muito santuário para evitar a extinção de um punhado de bichos domesticados que não se viram mais muito bem na natureza. Ou que, na falta de predador, podem se virar até bem demais e destruir geral.

Enfim, não vou enterrar os ovos ou distribui-los por aí ou deixar para as galinhas consumi-los integralmente, porque não vejo motivo. Assim como, apesar do cocô das galinhas também sair das cloacas delas, não vou deixar de usá-lo como fertilizante para minhas plantas. E se eu porventura viesse a ser mãe, doaria meu leite excedente a banco de leite, porque ele não precisaria ser somente do meu filho.

Há, neste mundo, inúmeros animais explorados, escravizados, maltratados, mutilados, assassinados, torturados e os meus – sim, meus, propriedades minhas, diante da Lei – não estão entre eles. Não como outros ovos além dos das minhas galinhas e minha consciência está tranquilona.

Não faço questão, como nunca fiz, de ser vegana. Acho complicado, engessante e frustrante – além de impossível – tentar fugir de tudo o que fere qualquer ser vivo neste mundo, neste tempo.

Sou bem-estarista, sim, porque sei que não se obriga a mudança de hábito só com palavras – agressivas – ou lógica incompleta e o despertar de consciência varia de caso a caso, de pessoa a pessoa. Se pessoas e animais de estimação vão continuar a consumir carne – meus gatos jamais serão vegetarianos -, leite e ovos, não importa o argumento, que seja em menor quantidade e de animais que tiveram a oportunidade de viver o melhor possível.

Os problemas do planeta não estão somente ligados ao que se come, mas como e quanto se come. A quanto e como se consome. A quanto lixo se produz e a destinação que se dá a ele. À quantidade de energia elétrica e água consumidas e desperdiçadas. Aos produtos cosméticos e de higiene que se usa e quais as consequências desse uso ao meio ambiente. E, também, à quantidade de amor e solidariedade que se tem pelo próximo. Minimizar tudo a poucos culpados é simplista e preguiçoso e é a cara da Marina Silva, além de dar a falsa ideia de que se está fazendo a coisa certa e toda a parte que lhe cabe neste latifúndio quando se torna um vegan extremista. Ao vegan extremista tem faltado empatia ao seu semelhante, o que causa mais conflito e rejeição do que traz soluções.

Escolarizando o Mundo

Desde que comecei a assistir a documentários, como o que postei há umas semanas, e passei a seguir o Movimento Zeitgeist, e a ler livros como O Caçador de Pipas, que tenho acreditado cada vez mais que o 11 de Setembro é inside job e que os EEUU são mesmo “o grande satã’. Herdaram o “grande mal” da Inglaterra colonizadora, está certo, mas renderam a herança e o resultado é este aí, que você vê hoje. Um mundo consumista, sem valores éticos e/ou espirituais, sofrendo de um câncer agressivo, em metástase.

Não, não sou uma fanática por teorias da conspiração, mas uma pessoa que começou a enxergar o entorno. Tudo faz tanto sentido, agora.

Este documentário, abaixo, não só reafirma meu pensamento, como me deixou feliz por não ter me dado bem no colégio. Eu detestava os professores limitadores e abusivos, as regras, a catequização, a padronização, a humilhação de ser comparada e perder, sempre. Sair do colégio foi um alívio. Fazer uma faculdade avacalhada foi o que me permitiu me formar. E, de certa forma, eu não estava errada. Ok, ainda estou errada para o mundo em que vivo, mas estou certa para mim. No fim das contas, é o que me importa.

Não adiantam cotas raciais nem salários melhores para professores, se continuarmos migrando da sabedoria para o conhecimento e do conhecimento para a informação. Somos ignorantes e não sabemos, somos idiotizados com diploma.

Quando seremos tratados como animais humanos pertencentes a um ecossistema, em vez de engrenagens/consumidores que movem uma economia? Somente quando o sistema vigente falir? Parece que está falindo, mas, talvez, já seja tarde demais…

O que comer?

Minha amiga Jane estava preocupada com o que comer, já que, a cada momento, sai uma pesquisa contradizendo a anterior sobre os malefícios de determinados alimentos.

Diante de tantas pesquisa imbecis e com resultados manipulados e mentirosos, assim como inúteis, cruéis e egoístas, eu tenho acreditado em cientistas da mesma forma com que acredito em pastores e clérigos em geral. Ou seja, eu desconfio…

Sendo assim, eu uso meu bom senso para escolher o que comer. E é fácil!!

Prefiro alimentos orgânicos e de origem conhecida. Se puder ser de uma hortinha caseira, tanto melhor. Aliás, tenho projeto de fazer uma horta aqui em casa, assim que eu conseguir restringir os acessos das galinhas.

Tento variar os vegetais o máximo possível, para conseguir me nutrir com a maior quantidade e variedade de vitaminas e minerais. Ao mesmo tempo, vario os agrotóxicos ingeridos!

Não me empanturro. Como muito, é verdade, mas somente o necessário para me satisfazer, sem me lotar. Isso é bom para mim – que me mantenho saudável e nos 59kg há 4 anos – e para o planeta – que não precisa se sobrecarregar na produção de alimentos para satisfazer minha gula.

Prefiro alimentos integrais aos refinados e os vivos aos processados. Comida congelada industrial? Tô fora! Fast food? Idem! Bolacha, biscoito? Os feito em casa, preferencialmente. E pouco! Refrigerante e suco de caixinha adoçado? Só em caso de sede extrema e nenhuma outra opção de bebida.

Não que eu não coma nada industrializado. Apesar do preço, gosto dos sucos Greenday. A marca Natural One é mais em conta e tem sabores mais variado e também é ótima para aqueles dias de preguiça de lavar, descascar, picar, espremer, lavar o equipamento. Ambos prometem zero de açúcar e de conservantes. Também consumo as geleias 100% da Queensberry. 100% fruta! Apesar do uso de transgênicos, de vez em quando eu mando uns Doritos pra dentro. Cookies Mãe Terra tem muito sódio, mas não é sempre que eu como, então, não pesa. Apesar de detestar soja, estou disposta a experimentar os produtos congelados Mr. Veggy.

Comer direito não é nenhum mistério e você não precisa pirar com pesquisas. Mantenha em mente que o pressuposto de um alimento é alimentar. Conservantes e sódio, açúcares e gorduras em excesso não alimentam, pelo contrário, roubam nutrientes e fazem mal, então, evite-os. No mais, seja equilibrado em sua dieta e seja feliz!

Radicais livres

Existem pessoas chatas aos montes. Se calhou de alguma delas ser vegana ou carnista, ateia ou evangélica, petista ou tucana, atleticana ou cruzeirense, calhou de se ter um radical chato de espécie específica. Daí falar que veganos/carnistas/ateus/evangélicos/petistas/tucanos/atleticanos/cruzeirenses são todos chatos; xiitas; pessoas que têm que impor a você verdade delas, senão não sossegam; segregadores ou qualquer outra porcaria deste tipo, bem, é uma boa pernada de distância. Generalizações não costumam ser coisa boa.

Tenho conhecidos – amigos de FB – radicais. Excluí, recentemente, uma pessoa tão absurda, que me deu preguiça. Excluo, também, quem ameaça excluir quem discorda. Já tomo a iniciativa. É claro que eu adoro pensar que estou certa, mas não me importo em ver opiniões contrárias às minhas, desde que se apresentem com carinho, sem chutar minha porta e enfiar o dedo na minha cara. Eu não me imponho e não aceito quem se impõe a mim. E, assim, convivo bem com carnistas, petistas, evangélicos e cruzeirenses, assim como com seus opostos, desde que todos bem educadinhos.

Opiniões cansam, às vezes, mas também contribuem com nosso crescimento pessoal, com nossas certezas, com o surgimento de dúvidas. Mas há opiniões que de tão imbecis e hipócritas e infundadas e irreais e desrespeitosas me dão nojo. Walcyr Carrasco teve a manha de fazer tudo isso ao mesmo tempo e mais. Para defender o seu carnismo, o cara usou Hitler como argumento. Pronto. Apelou, perdeu. Como se precisasse chegar a este ponto para perder. Sinceramente…

Vegetarianos estão certos, por N motivos, na forma de pensar e agir. E é por isso que incomodam tanto, a ponto de ter tanta gente pregando contra, criando “argumentos”, brigando, sofismando, se sentindo julgado. E é por isso que tanta gente tenta se tornar vegetariano. Eu, entre elas.

A ética com todas as espécies, o fim do especismo, o fim dos criatórios cruéis, o fim do uso de um ser vivente e senciente como produto de consumo ou de teste, tudo isso é correto. Não há argumentos que consigam colocar nada disso em cheque. Tente! O máximo que você vai conseguir é citar os leões, a cadeia alimentar, a evolução da espécie, o sentimento do alface ou chegar a um “Hitler era vegetariano!”. E vai errar em cada um dos argumentos.

vegan-sidekickComer carne não é uma necessidade há séculos, mas é um costume há milênios. O consumo de produtos de origem animal, hoje em dia, é uma compactuação com a dor, o sofrimento, a crueldade, a exploração, a escravização de seres vivos, além da degradação ambiental, através do desmatamento e do efeito estufa. É desumano. Sim, é gostoso e a feijoada vegana jamais estará aos pés de um pezinho de porco. Ok, mas eu não vivo de acordo com o que é gostoso, não sou hedonista nem sei se cabe sê-lo neste planeta. Optei por abrir mão de um prazer – que é só o que comer carne é – por aquilo que é ético e permanente. O prazer passa. Comida, daqui há umas poucas horas, vira merda – quando não colesterol, diabetes, câncer. Seu lindo sapato de couro, que dura mais do que o sintético, daqui a pouco cai de moda e vira lixo. Você, daqui a pouco morre e vira necrochorume. Mas o planeta permanece e seu rastro por ele permanece por um bocado de tempo.

Eu quero deixar um rastro pequeno, mesmo com um atraso de 40 anos. Eu nem tenho descendentes com os quais me preocupar e, mesmo assim, quero deixar um planeta vivo e saudável. Isso é o que minha consciência me pede. Já as dos outros, bom, os outros é que deverão lidar com elas, então… Só acredito que se sua consciência estiver carregada, como a do Carrasco, repense seus conceitos em vez de apelar.

Nota: Hitler, antes de qualquer coisa, era ser humano. Ou seja, se for comparar, f*deu pra geral!

Solteironas

Hoje mais uma amiguinha postou mais um textinho sobre mulheres solteiras e os porquês. Me abstive de dar palpite sobre o assunto, porque ela me acha agressiva (ui!), mas foi maior do que eu. Vim fazê-lo aqui. Mas, veja bem, é só um palpite, um pitaco, uma opinião pautada única e exclusivamente em minhas experiências de vida e minhas observações cotidianas. Não é um tratado, não é um estudo, não é um fato. Certo?

Então… Não li o texto até o fim, achei chato. O cara começou a analisar estatísticas e blá blá blá. Até agora, entre o texto mimizento de a culpa é da sociedade/minha mãe/dos homens e o debochado “vocês é que são chatas”, só li este último até o fim. Porque não era chato – o assunto, em si, o é.

Minha opinião: se você está solteira e isso lhe incomoda, esqueça tratados sociais e sociológicos, esqueça os psicologismos que, se ajudassem, não teria tanta gente com a cabeça f*dida por aí e parta do pressuposto que a culpa é sua. Avalie-se. Você está fazendo alguma coisa errada? Tipo, você tem saído somente com seu amigo gay, lindo e interessante, mas com o qual você não tem a menor chance e que, por ser lindo e não obviamente gay, afasta os homens que poderiam se interessar por você? Não? Tem certeza? Tem amiguinha minha, solteira, que divulgou o texto culpando os homens, que tem feito isso. Eu vejo as fotos!!

Aliás, você tem saído? Tem encontrado amigos de ambos os sexos, ido a shows, à biblioteca, a bares ou a quaisquer lugares em que possa encontrar pessoas com interesses similares aos seus? Você começa uma conversa com um homem que você acabou de conhecer falando de sua seca sexual ou sobre o fato de que você “resolveu esperar”? Você fala em ter filhos e família logo de cara? Não?! Nada errado com você, então. Ok. Agora, comece a procurar a culpa nos outros. Ou… Dane-se a culpa e siga em frente, vivendo sua vida. Um dia, acontece. Ou não. Faz parte.

Se não acontecer, em vez de ficar fungando solidão, monte uma república e vá viver com pessoas que se assemelham a você – depois de uma certa idade, não rola de ficar aturando diferenças, né? – Ou adote um cachorro, que vai lhe obrigar a dar voltinhas nas ruas e dar um up no traseiro, além de lhe amar incondicionalmente. Não quer sair? Gatos são ótimas companhias, além de quentinhos e engraçados. Caramba, quem tem bicho nunca está sozinho! Sim, sim, você passa o dia inteiro na rua e não tem tempo para cuidar de um bichinho… Entendo… Vá viajar, vá fazer serviço comunitário, vá ao cinema ou curta-se a ponto de não mais sentir solidão, porque você é excelente companhia. Faça qualquer coisa, menos compartilhar texto mimimi sobre ser solteira. #NobodyYesDoor

Valesca Pensadora

Enquanto eu estive ausente, houve uma onda de #mimimi porque um professor falou que Valesca Popozuda é uma pensadora contemporânea. E não é?

Pelas redes sociais, fico vendo o que as pessoas postam, no que elas acreditam - e, no próximo post, desacreditam – e defendem e concluo: Valesca Popozuda pensa mais e melhor do que muito conhecido meu. Ainda mais num mundo em que mulheres acham que a culpa delas estarem encalhadas é da educação que receberam/sociedade/homens, em que uma pessoa me diz: “tá ruim, mas não troco o certo pelo duvidoso” – pausa para um “oi?!”. Prefere o ruim certo ao duvidoso que não se sabe e, vá lá, pode ser até bom? – ou que as pessoas ameaçam bloquear quem discorde delas, porque, apesar delas vomitarem opinião o tempo todo, elas acreditam que “quanto mais a gente amadurece, mais a opinião dos outros se torna irrelevante”. É, tem disso.

Tem coisa que eu sou capaz e abstrair. Tem coisa que não. E, no fim, “beijinho no ombro pro recalque passar longe” é, de longe, muito mais sabedoria do que a maioria das frases feitas postadas em meme e entre aspas que se vê por aí. E mais: a música/o pensamento da Valesca representa a grande maioria das pessoas que estão online. Pessoas egocêntricas, vaidosas, sexualizadas ao extremo, “invejadas” e criadoras de novos significados – e grafias – para as palavras. Mas, pelo menos, Valesca é bem simpática.

Não culpe Valesca, não culpe o professor. Cada geração produz o pensador que a representa. Esta, produziu Valesca Popozuda. Aceite.

O que há de errado, meu povo?!

Não assisti a nenhum jogo da Copa. Por que? Porque não.

Não vou dizer que detesto futebol – e detesto -, porque Copa é outra história. Copa é meio que guerra e um tipo de guerra em que o Brasil é bom adversário. A de 1994 foi tão emocionante, tão linda, tão tudo, que tenho a final, em VHS, até hoje. Mas eram outros tempos.

Em 1994, o Brasil estava bem. A hiper-inflação havia acabado de dar adeus, se podia sair às ruas sem medo e não havia muito do que reclamar – por falta de informação, provavelmente.- Sem contar que a seleção não ganhava uma Copa desde 1970 e, pá! Ganhou.

Hoje, tudo é diferente. Muito diferente. Para começo de conversa, a Copa é na nossa casa. Para fim de conversa, nossa economia está f*dida e mal paga. E no meio dessa conversa, você sabe, tem muita treta. A Copa tem servido para anestesiar ânimos e criar clichês. “Meu protesto é nas uras”, para mim, o pior deles. Via fazer o quê? Por fogo na urna?! Eu apóio!

Li um colunista falando que o Brasil já ganhou a Copa, porque está tudo dando certo. Quem compartilhou o texto, acrescentou: “chupa, seus pessimistas!” (sic). A meu ver, o Brasil só perde e mais, a cada dia. Sou pessimista? Então tá, me conta o que deu certo? Natal debaixo d’água? A grana mal gasta? As famílias desabrigadas? Os feriados para que o trânsito flua? Os colombianos buscando abrigo em Rondonópolis, porque agência de turismo credenciada pela FIFA deu cano neles? Assaltos ou tentativas? O pessoal que se propôs a trabalhar de graça ganhando comida estragada? Ou você se esquecendo que o Brasil está em crise porque o Neymar fez gol?

Não estou em clima de Copa. Não quero que o Brasil vença. Quero, sim, nossas merdas sendo espalhadas pelos ventiladores do mundo, porque vergonha na cara é meio caminho andado.

Você tem vergoínha da geral mandando a “presidanta” TNC? F*da-se você! Ela merece. Você merece. Deveria ter vergonha do que nos coloca numa situação dessas. E nem estou falando da Dilma ou do PT, mas de tradição. Somos tradicionalmente deselegantes, mal educados, hipócritas.

Você acha que vaiar o hino chileno é o cúmulo da nossa falta de educação e que isso é um vexame enquanto nação? Sério? Já foi à Disney? Ou a algum outlet em NY? Brasileiro já tem uma fama internacional consolidada de mal educado. Fura fila, fala alto demais, tenta passar a perna, entre outros atributos que generalizam, mas descrevem bem a maioria. Somos, orgulhosamente, mal educados. Nada de macacos, mas idiotas, independente de classe, credo ou cor.

Gregorio Duvivier, aquele fofo, disse que o brasileiro não é problema, mas solução. Mas para ser solução, o brasileiro – que é o problema, sim, e dos piores, porque nem sabe -tem que se propor a mudar. Mas brasileiro é acomodado, se acha esperto, adora falar mal do país, mas só da boca pra fora e sentado no rabo. O tão falado complexo de vira-lata nem sequer existe. Antes fôssemos vira-latas, raçudos, sobreviventes, honestos. Brasileiro se acha. Falta, agora, se encontrar!

Não se engane com meu discurso. Eu amo o Brasil, assim como amo meu pai alcoólatra, supertalentoso, mas inútil e fracassado. Se eu tivesse tido escolha, nem os teria conhecido, mas não tive. Amo meu pai porque é o que tenho. Meu país, idem. Amar não significa aceitar incondicionalmente. Quero que o Brasil mude, que a nação se conscientize e deixe de adiar o inadiável. Do jeitinho que está, vai ruir.

Eu torço, e muito, pelo Brasil da vida real. Para o da Copa, que de dane.

P.S.: me incluo na lama, mas com um atenuante: eu sei no que estou erradando e tento melhorar, todo dia. :-)

Um mundo mais do que enfeitado

A vó Edir costumava dizer que o mundo anda muito enfeitado. Ela era batista e, no geral, se referia à homossexualidade, hábitos e vestimentas. Eu acho que o mundo está mais do que enfeitado, só não sei qual palavra usar pra defini-lo…

Mas eu sei que ando triste que só.

O objetivo das redes sociais era, a meu ver, juntar pessoas com interesses em comum. Ok. O problema é o tipo de pessoas e de interesses que têm sido juntados. Às vezes, eu me assusto com os comentários, com a agressividades/ignorância/preguiça/estupidez com as quais as pessoas destilam seus preconceitos.

1488060_595692070518500_1927261708_nHumano: Por que as pessoas estão cada vez mais intolerantes com as outras enquanto a Internet nos conecta mais próximos?

Deus: Pessoas não estão diferentes do que sempre foram… Estúpidas. A Internet apenas fez com que fosse possível para nós vermos o quão grande é o abismo da estupidez humana. Tente não afundar.

Às vezes, eu me assusto com o tamanho dos equívocos que fazem com que uma causa nobre se torne antipatizada. Vegetarianos/veganos, por exemplo, são mestres nisso. Mostram fotos horrendas, de maldade suprema, de sofrimento animal, com o objetivo de convencer aos adeptos da picanha e bacon a se tornarem vegetarianos. Não funciona. Não funciona comigo, que já sou vegetariana. Me dá tristeza, muita. E dá “fortes” argumentos aos adeptos da picanha e bacon para hostilizarem os vegetarianos/veganos, porque esses se sentem atacados e querem contra-atacar. E a causa animal se perde em meio a discussões imbecis.

Ontem, eu estava lendo uma matéria sobre o consumo sustentável. Nos comentários, um vegano se impondo. Ok… Acontece. Para mim, o que interessou – e me assustou – é que não é possível o consumo sustentável. Não o tempo todo.

Olha o tamanho do mundo! Olha a quantidade de gente que tem nele! Não dá para controlar tudo! Não dá para ficar sabendo de TODOS os pormenores e ter ânimo para continuar vivo. Em toda e qualquer indústria, seja de moda, de comida, de chá, todas elas cometem merda. Gente, bicho, o planeta sofre com essas merdas. O que fazer? Eu juro que não sei.

A tal história do mosquito que é pequeno e um só, mas incomoda, é só isso: uma história. Se ele incomoda, você pega a raquete elétrica e acaba com ele. Não há exemplo de superação nisso!

Eu faço minha pequena parte. Ajuda o mundo? Provavelmente, não. Mas me ajuda. É totalmente pessoal e egoísta cada gesto de bondade que eu tenho. Não como mais carne porque não apoio o modus operandi da indústria alimentícia. Estou a caminho de parar com o leite. Não uso uma porção de cosméticos porque sei que são testado em animais - mas devo usar uma porção de outros que não sei e, neste caso, a ignorância é uma bênção, porque eu não tenho grana para comprar produtos veganos nem condições de fazer meus próprios xampus. Não embrulho presentes, para não gerar mais lixo. E eu separo os lixos e reaproveito sacolinhas de supermercado para recolher os cocôs dos gatos. Não sigo moda/tendência há anos! Só compro o que realmente é útil e vou usar. Castrei os gatos e só não castrei o cão, porque ele não é meu e meu marido ainda não evoluiu em alguns aspectos.

Em resumo, eu faço o que eu posso. O problema está em quem não faz/não pode nada. E não faz nem pode, porque é ignorante e estúpido demais para se mover. Não se preocupa com o outro e com o planeta, porque não pensa e, se pensa, deve ser algo do tipo: “ah, foda-se! Eu vou morrer, um dia, e deixa de ser problema meu. Vamo apoveitá enquanto tamo aqui!”.

E engana-se quem acha que isso é problema terceiromundista, de pobre, sem acesso a educação. É claro que pobreza e ignorância andam juntas e perpetuam a tragédia, mas, né?, como os digníssimos governos conseguiriam se manter no poder se não fosse a ignorância?! O problema é global, sem fronteiras de credo, raça, condição social. O problema é uma Myle Cyrus – desnececyrus – da vida usando casacão de pele de verdade. Uma riquinha cercada por informação, se lixando para o mundo e o que vão pensar dela. “Sou rebelde”. Sei. Não passa de uma mocinha que conseguiu “se achar” tanto, que achou quem achasse junto!

É mais gente que acha junto do que gente que pensa por si ou que se alinha a uma causa nobre: sobrevivência. É mais gente obcecada por fama e glamour e menos gente que faz. É medonho.

Às vezes, penso que o melhor seria cruzar os braços e esperar pelo fim. Talvez, o homem da tabuleta esteja certo e o fim esteja próximo…

the-end-is-nearSometimes, I hope so…

Implicância

Gatos são animais lindos, não importa raça. Para o convívio, eu, particularmente, prefiro os de pelos curtos, mais fácil de lidar, e vira-latas, menos propensos a doenças genéticas. Cor? Gosto de pretos, básicos, clássicos. Prefiro as fêmeas, que são menos peraltas, e pegar ainda filhote, porque filhote de gato é vida!

Mas, apesar da minha preferência, temos duas de pelo longo, dois machos e nenhum pretinho. Só a Pixie – e o Santa, se for ficar – chegou adulta. Isso aconteceu porque eu não escolho gato. Eu fico com os que me aparecem, os que me escolhem. Prefiro assim. Se vou bancar a dona, que seja a dona que eles escolheram ter. E a vida vai bem, obrigada.

As pessoas mais rasinhas escolhem gato pela aparência. Gatos têm, para elas, que ser lindos. Gato ostentação! Ok. Há outras que gostam de característica próprias de algumas raças, seja física ou comportamental. Ok, também. Desde que tratem direitinho, protegendo, amando, cuidando, castrando e não inventando de abandonar, a motivação da pessoa é o que menos me importa.

Pessoas têm suas preferências, fazer o quê? Sei que em São Paulo, pelo menos, na ONG Adote Um Gatinho, os pretinhos são preteridos. No Rio, na 4Patinhas, são os frajolas – gatos preto e branco – que ficam para trás. São muito comuns… Em Itaúna, se não tiver raça – ou, pelo menos, “cara de raça” – , difícil encontrar quem queira… Mas, em qualquer lugar, coloque um persa ou sialata - siamês vira-lata – ou uma gata toda amarela – raríssima – ou um gato todo branco com olhos azuis para adoção para ver se não dá briga entre pretendentes. Dá.

Por isso tudo que acho esta campanha, que tem rolado há um tempo, imbecil:

1510941_1443470052531477_1995130674_n

Na minha opinião, ela não faz nada além de confirmar o preconceito, afinal, pessoas são escolhidas ou preteridas pela cor de cabelo e/ou pele o tempo todo.

Sinta-se totalmente confortável em discordar de mim, principalmente – mas não exclusivamente – se seu coração se encheu de amor e você decidiu, agora mesmo, que quer um gato escaminha para todo o sempre. E, Sávio, se por causa deste post você decidir namorar uma ruiva, lhe perdoarei por tudo o que você me disse na 8ª série!

E para quem não sabe, gato escaminha são esses de pelagem mesclada, geralmente preta e marrom. Minha avó chamaria de “pano queimado”. A Pixie, minha gata feiosa, é mescla de tigrado com escaminha, ou seja, ela mistura estampas. Há quem ache a Pixie linda, há quem ache escaminhas lindos. Mas, para a maioria, é um gato comum e/ou esquisito. Não é, definitivamente, uma padronagem popular.

Eu continuo achando que tanto faz a pelagem. Mas, se as escaminhas são as mais rejeitadas da vida, que tal promover a excentricidade, a diferença, a exclusividade – já que os padrões dificilmente se repetirão -, o quanto você é mais bonito ao lado de uma gato feio, o quanto você é mais legal por tê-lo escolhido, sei lá, qualquer psicologismo mais eficiente do que comparar o pobre do gato a uma ruiva.