Dia desses, marido estava “discutindo” virtualmente com o Solon Maia, o médico responsável pelas tirinhas “Meus Nervos“. Apesar de gostarmos do trabalho dele, como cartunista, tenho minhas dúvidas sobre a capacidade dele de lidar com doentes. Sei que as tirinhas são de humor e tal, mas a verdade está ali, camuflada em riso. E a verdade é: se você não gosta de pessoas, não irá gostar de pessoas doentes.
Há uma forte generalização quanto à falta de qualidade dos serviços médicos oferecidos no Brasil. E se não houvesse tanta gente ruim, não haveria espaço para tamanha generalização.
Existem médicos bons. Mesmo assim, não sei se tenho ou não ovário policístico, porque nenhuma ginecologista achou pertinente descobrir. Para controlar a ovulação de gambá – ovulo até três vezes por mês – e o ciclo confuso, pílula. Ela me faz mal? Dane-me!
Mas como a Rafaela ficou tristinha deu falar de médicos, assim como a Ana fica toda ofendida quando eu falo de funcionários públicos – gente, se vocês prestam, não vistam a carapuça, né?! -, resolvi enumerar minhas experiências que me fizeram não gostar de médicos:
• Tenho tendinite há uns 20 anos. Ela melhora e piora, dependendo do tempo. Decidi ir a um ortopedista para saber o que fazer. Ele pediu uns raio-x do meu pé e me disse que tenho pé chato. Achei estranho, pé chato encosta quase todo no chão, o que não é o caso do meu. Mas, ok, pode ter sido apenas uma confusão com palavras: chato/cavo. Ele me mandou comprar uma palmilha caríssima e usá-la. Joia, usei. Voltei lá, para o retorno, e a palmilha não tinha chegado nem perto de resolver o problema. Ele se saiu com essa: “case-se com um preto e garanta filhos melhores do que você. Esse povo branco é cheio de frescura. Para você, então, não tem solução, mas garanta o melhor para seus filhos.” E dane-se meu pé doendo.
• Óbvio, nunca mais voltei lá e arranjei outro médico. Esse foi ótimo e me falou: “sabe qual é o problema? Você é preguiçosa. Vai enrijecer essa bunda mole! Vai fazer ginástica! Vai subir aquele morro que tem em frente sua casa!” Mas e meu pé?! Ainda dói.
• Quando eu tinha uns 20 e tantos, fui dar uma olhada no meu fígado, que andava rejeitando remédios. O médico, meio velho demais, me pediu para tirar toda a roupa. Para examinar meu fígado?! Não vi necessidade de ficar pelada para isso e fui embora.
• E o dermatologista que tinha vitiligo? Fiquei sem graça de tentar descobrir uma solução para as sardas com alguém que tinha problemas maiores… O cara me achou confusa, porque inventei um outro motivo para estar ali, e me receitou anti-depressivos e me encaminhou a uma psiquiatra. Hein?!
• Passei por 8 oftalmologistas até descobrir que estava com conjutivite causada pela prescrição inadequanda de produto de higienização para minhas lentes. Quase ficou crônica!!
• E o oftalmo que me deu receita para óculos muito mais alta que meu grau, porque ele queria me convencer a operar e a Unimed só patrocinava cirurgia para quem tivesse mais de 7 graus? Ainda bem que resolvi consultar outro, senão, teria usado óculos errados.
• E teve a vez que fui ao veterinário para descobrir como tratar de um fungo, porque todos os dermatologistas estavam ocupados demais aplicando botox!!
• Teve uma ótima!! Eu estava com prolactina alta e a médica pediu uma tomografia. Levei à neurologista e ela me disse que eu tinha um tumor na hipófise. Por sorte, sou calma e resolvi pedir uma segunda opinião. Levei o mesmo resultado a outro médico, que me disse: “nada de errado.” “E o meu tumor?”, perguntei. “Não passa de uma sombra. Nem de longe isso seria um tumor.” Fiquei com essa opinião e ainda estou viva.
• E não é só comigo, não. Marido estava com uma dor estranha e foi ao hospital. O médico que o examinou disse que não sabia o que era, receitou uns remédios, mesmo assim, e disse que, se não melhorasse, ele deveria procurar um médico. Sei… Era o que ele estava fazendo, não?!
Por essas e outras experiências pessoais, não sou fã de médicos. E nem estou contando com o hábito deles de deixar que os representantes de farmácias entrem antes de você, mesmo que você seja o próximo e a sua consulta já esteja atrasada há horas. Só acredito que muitos médicos deveriam ter escolhido uma outra profissão ou uma outra especialização, tipo, legista ou pesquisa. Porque se você não se interessa por pessoas, não lide com pessoas.