Acabei de ler O Iluminado. Como não me lembrava do filme, não fazia ideia do final. Fiquei tão tensa que estou com dor no corpo. Pode isso?! Hoje, se tudo der certo, vou assistir às duas versões cinematográficas do livro e não vou ficar tensa, porque já sei que pior do que li não tem jeito de ser.
AÃ, com o corpo dolorido e a cabeça latejando, como se eu estivesse possuÃda pelo Overlook, tive que me levantar para tomar um Cefaliv. E me deitar novamente está fora de cogitação, porque me dá refluxo. Sério, acordei com uns 100 anos… Então, cá estou eu, tentando me distrair…
Quando eu comecei o blog, há quase dois anos, eu queria fama, dinheiro e muitos comentários. Mas desisti disso rapidinho. Porque eu não sou do tipo simpática-alegre-pulante que usa expressões como “mini-nojinho” e vive de algodão doce e maçã do amor – no cérebro, não, na pança. Eu sou azeda. E não sei fingir ser outra coisa. Apesar do marido viver dizendo que sou tão fofa, aqui, no blog, que ele até evita me “visitar”. Mentira dele. Ele é que não me nota, mais…
E encontrei no blog uma forma ótima de auto-conhecimento. Isso, em “público”. E, por isso, não rola deu me censurar. Já basta os JuÃzes fazerem isso. Uns 15 posts já foram obrigados a sair daqui. Bobagem. Não mudei de opinião e não vou mudar. E aprendi, com Itaúna, que fofoca chega mais longe do que propaganda. Podem até me “calar”, mas a mensagem propaga por outras bocas…
De qualquer forma, considerando que minha tia sempre achou que eu precisava de terapia para mostrar meus sentimentos, que o marido acredita que não tenho sentimentos e que a professora de História do segundo ano – que me acusou injustamente de colar* - disse que eu era uma ostra, fechada, esperando para mostrar minha linda pérola – tinha jeito de ser mais ridÃcula? – estou evoluindo no quesito “me expor”.
E é por isso que posso vir aqui e dizer: a culpa é minha. 2010 e 2011 não tem culpa dos meus erros, da minha preguiça, da minha intolerância, do meu niilismo. Sim, aconteceram coisas ruins nesses anos, mas não acontece todo ano? Afinal de contas, eu não vivo no mundo dos mini-nojinhos e algodão doce. Mas as coisas boas não dependem, simplesmente, de ponto de vista? Então, não bastaria abrir os olhos para enxergar que fazer os 10 melhores foi mais fácil do que os 10 piores? Que a Pixie trouxe um desequilÃbrio absurdo à casa, é a gata mais chata do universo e, mesmo assim, eu a amo e sou feliz de tê-la comigo? Que a casa é suja porque não tenho pulso de dizer à empregada que ela deveria falar menos e fazer mais e do MEU jeito? Que doenças e mortes acontecem e, por pior que sejam, fazem parte da vida. São inevitáveis. E que tendo 2, 20 ou 200 pessoas lendo este blog, ele é meu, essencialmente EU, e pouco me importa se gostam ou não, se comentam ou não, se concordam ou não. Porque eu também sou um ponto de vista. Existem outros. É só olhar na direção que mais te agrada.
De qualquer forma, se você costuma vir aqui – mesmo que não comente, que discorde e me xinge ou concorde e fique felizinha de não estar sozinha numa opinião, se se frustra porque não tem post ou lê esses meus testamentos até o fim -, pode ter certeza que tem em mim uma amiga. E da melhor forma que eu sei ser: à distância! É sério: eu amo ter um blog. E amo você que me lê.
 * eu tinha uma capacidade anormal de acertar questões de múltipla-esccolha sem nem abrir a prova. Minha maior façanha foi tirar 11 em 12 numa prova que eu nem abri. Poderia ter usado este talento para jogar na loteria, mas disperdicei em provas para as quais eu poderia ter estudado…