Hate Dove

Meu fisioterapeuta me perguntou se sou feminista. “Eu seria o quê? Machista?” Ele disse: “pode ser neutra”. “Não, não posso ser neutra num mundo em que Dove existe”.

Odeio Dove, de coração. Odeio enquanto mulher, consumidora, “publicitária” e ser humano. Odeio a manipulação que Dove faz. A ideia errada que adoram propagar de que as mulheres se odeiam e têm baixa autoestima. E que Dove é a salvação, porque a marca nos entende e nos ajuda a nos enxergar. Balela.

A nova “campanha” Dove… :-* Coloque uma placa escrito “bonita” numa porta e “comum” na outra e faço igualzinho a dona que deu meia volta e não passou por nenhuma das duas. Se eu enxergar as placas, claro. Não aceito rótulos, minha gente! Não aceito poder ser somente bonita ou comum. Eu sou mais eu, poha! Sou mais eu desde 1984.

E, mais uma vez, que história é essa de que beleza é tudo? Beleza é joia, é bacana, é poder, mas é pra tão pouca gente. Dove podia parar com essa mania de nos definir pela estética. De ultra valorizar a estética e ficar apontando as coitadinhas que ficaram inseguras, porque a marca as fez pensar naquilo que não precisa. “Sou bonita?” Tanto faz, seja mais do que isso!

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Dove embute a ideia de que você se vê “pantufa”. Mas que pode chegar a “Havaianas”, se usar sabonete cremoso testado em animais. Só que a ideia aí do quadradinho é imbecil igual propaganda de Dove. Machista na mesma proporção.

Dê um basta nessa marca horrorosa, transmissora de ideias erradas, que diminuem mulheres. Pare de chorar assistindo essas campanhas de merda e comece a ver além. Tô te mostrando isso desde 2013. Passou da hora de acordar.

Sem Mimimi

Novalfen errou feio, errou rude na sua propaganda #semmimimi. Isso foi há duas semanas, gerou uma polêmica enorme e o caso se encerrou bonito: tiraram a propaganda do ar. Daí, achei bobagem dar pitacos aqui. Mas mudei de ideia. 

Um show de horror publicitário!
 
Pois então, chamar cólica de mimimi já seria, por si, uma burrice sem fim. Ainda mais se for pensar que ofenderam o público-alvo!
 
Dizer que não estavam falando de cólicas graves também não cola. Cólica leve é ruim também. Não é frescura. Não minimize a dor do outro! 
 
A agência sair em defesa da porcaria que fez dizendo que fomos nós que não entendemos é pracabá. No primeiro período de Publicidade, eu aprendi que a comunicação só se dá se o receptor entende a mensagem. Se não, houve ruído. Você viu a propaganda? É ruído puro! 
 
Por fim, Preta Gil lamentar a polêmica dizendo que não viu nada errado, que achou “a ideia superdivertida e pra cima. A campanha nasceu para discutir um assunto sério de uma forma leve, humorada, que tem tudo a ver com” ela é de uma can-sei-ra. Porque, não, a propaganda não quer discutir cólica, quer vender remédio. E se visse cólica como assunto sério, não chamaria de mimimi. 
 
Fora os homens babacas fazendo chacota das mulheres que protestaram. 
 
Propagandas de absorventes
 
E, depois disso tudo, eu fiquei pensando: quem são as pessoas que criam as propagandas voltada “aos problemas femininos”? Há mulheres nessas equipes? Elas atuam na criação, dão pitacos?!
 
É pra lá de inadequada a alegria de mulheres menstruadas, vestindo calça branca, em propagandas de absorventes que não deixam o sangue 100% líquido e azul em contato com você. Primeiro, porque menstruar costuma ser uma alegria apenas para aquela mulher que achou que poderia estar grávida e não queria o filho de jeito nenhum. Mesmo assim, só quando desce. Depois, vira o transtorno de sempre.
 
Segundo, usar absorvente externo é uma porcaria. Melhoraram depois das abas? Sim. Mas ninguém fica segura com um fraldão preso à calcinha. Às vezes, mesmo gigantescos e com abas, eles vazam. 
 
E sangue não é 100% líquido. Há partes sólidas que não são absorvidas. A mulher não fica sequinha nesses dias. Sem contar que a coisa toda tem cheiro de morrinha. É horrível.
 
A solução são os absorventes internos, tipo O.B. ou Tampax?! 
 
Hmmm. Vejamos… Você já viu alguma propaganda de absorvente interno alertar para o risco – mesmo que relativamente pequeno – de Síndrome do Choque Tóxico? Não, né?! Você até encontra isso na bula – quem lê? Eu. E os médicos falaram para eu parar de lê-las, para não desenvolver sintomas por influência – ou no site da Tampax, por exemplo, mas não vê nas propagandas. Daí, mocinha americana teve o choque, quase morreu, teve a perna amputada e está processando a fabricante do seu absorvente interno, porque não foi informada do risco que corria e começa-se a falar no assunto. Mas logo para-se.
 
A real preocupação de TODAS as empresas do ramo é mostrar que menstruação, cólica e TPM não passam de mimimi. Que incomodada ficava sua avó. Engole o choro, um Novalfem, enfia um absorvente pra dentro e vá trabalhar! Afinal, você não quer receber o mesmo salário que um homem?! Hein?!
 
Emendando cartelas
 
Se você não quer menstruar, joia, emende cartelas de anticoncepcional. Faz mal?! Bem, apesar de alguns ginecologistas afirmarem que não, se você pensar que trombose e embolia andam de mãos dadas, e cada vez mais frequentemente, com mulheres que usam anticoncepcional, emendando ou não, bem não deve fazer.
 
Carefree 21 dias
 
E para provar de vez que “fodam-se as mulheres, foda-se o planeta, a gente quer mais é lucrar com as inseguranças que a gente cria”, Carefree lança uma campanha que deu orgulho à agência de publicidade. Use Carefree durante 21 dias e seja linda, segura e feliz como a Thaila Ayala.
 
Como se usar absorvente TODOS OS DIAS fosse bom pra alguém, além da fabricante. Vamos entender de uma vez por todas que uma coisa é umidade natural, outra é corrimento e, no caso de corrimento, faz-se necessário buscar um bom ginecologista para se definir se há um problema em vez de usar um absorvente diário que pode piorar a situação?! Vamos?! E que não se faz necessário o uso de Carefree nunca!!! O absorvente diário protege a calcinha, não você! E, sinceramente, você é única, calcinhas, compram-se novas – com o dinheiro economizado em Carefree.
 
“Queremos incentivar esta experiência e garantir que mais mulheres sintam a sensação de limpeza e bem estar proporcionadas pelo uso diário de de Carefree”, explica uma mulher!!! Eu tomo banho todo dia – a média do brasileiro é 2 banhos por dia – e troco de calcinha a cada banho, pelo menos. Não me sinto suja, nem fedida, nem com mal estar. Já usando Carefree – e já usei, naqueles dias de expectativa do chico descer ou últimos dias, quando não há necessidade de um absorvente maior – fico com aquele cheiro “engraçado” de perfume e abafada.
 
Mas sem um pingo de pudor, a campanha quer fazer com que você ache problemas em ser úmida, que gaste uma grana com absorvente que não lhe trará benefício e, ainda, se acostume com isso: “A campanha está alinhada com pesquisas que revelam que o uso do produto por 21 dias ajuda a criar um hábito permanente.” A tal pesquisa, explica o artigo da agência, é uma teoria, defendida pelo médico Maxwell Maltz, segundo a qual 21 dias é o tempo que o cérebro precisa para interpretar um novo hábito como um padrão. O___O
 
Copinho
 
Conheci no Vista-se o tal do coletor. Não sabia da existência disso e fiquei muito curiosa. Uma coisa leva a outra e me convidaram para um grupo, fechado, de coletoras, no Facebook. Essas, sim, são mulheres empolgadas com menstruação, que ficam ansiosas pelo chico, que ficam felizes em fertilizar hortinha com seu sangue! Mulheres que se conhecem bem ou que estão em busca de autoconhecimento com a ajuda de outras mulheres. Mulheres que quebram o paradigma de que não somos amigas, unidas ou solidárias. Um grupo de puro amor.
 
Mulheres que se conhecem são mais felizes e plenas e não se deixam enganar por propagandas. Se você ainda é vítima de propaganda de absorventes e remedinhos pra cólica, conheça a Ginecologista Sincera, página no Facebook de duas ginecologistas que têm muito a dizer. Se você já tem as manhas, espalhe conhecimento, ajude outras pessoas a entenderem o universo feminino. Preconceito é ignorância e dar fim à ignorância dá fim ao preconceito.
 
P.S.: para quem não sabe, ainda, as partes vermelhinhas do texto são links. Clique neles. Vale a pena.

Descobrindo

Muita gente se sente em condições de julgar os outros. Eu cometia esse erro quase que o tempo todo, confesso. A coisa fica tão cotidiana que, de repente, escapole e lá está você (eu) fazendo de novo. Pois é. Prestemos atenção.

E assim como a gente julga sem nem perceber, há mulheres que sofrem abuso moral sem nem notar. Ou, se notam, logo decidem que é um exagero da parte delas, que é coisa de mulher, que não é nada. Porque, no fim das contas, fomos condicionadas a pensar assim. Se ofender é um enorme exagero e nada mais é do que uma prova de que mulher é tudo fora de controle.

Desta forma, quando o homem que você escolheu para ser seu par lhe diz para parar de cantar porque sua voz é feia, você para. E não canta mais, mesmo que cantar lhe dê prazer. Se diz que sua autoestima é tão alta que alguém deveria dar um jeito nela, você acha que é elogio. Se ele paulatinamente lhe chama de chata, é porque você é. Se culpa sua TPM (inexistente) por uma briga (que ele começou), é porque você está de TPM e, por isso, sensível demais. Se ele lhe chama de lésbica e de frígida porque ele não consegue lhe dar prazer, a culpa é sua, é óbvio! Se diz que você é a pior coisa que aconteceu na vida dele, você deve pedir desculpas e tentar melhorar. Ir embora?! Pra quê?! Pra onde? Por que?! Que exagero, mulher!

E você vai ficando, empurrando com a barriga. Olhando para as mulheres que apanham de seus pares e perguntando, toda cheia de empáfia: “não têm vergonha? Por que não vão embora?”. É claro que o “se fosse comigo” participa da conversa e, é claro, se fosse com você, tudo seria diferente. Mas será? Aliás, é?!

Não é. A diferença é que a mulher que é espancada não tem como negar o espancamento. Pode até se perceber como a culpada, mas sabe que algo está errado. A mulher que sofre gaslighting (palavrinha nova que aprendi aqui) quase sempre tem certeza de que não é nada, além de bobagem (feminina) dela. “Ele me ama” é a única certeza. “E está certo” é a grande probabilidade. E, assim, continua sendo dominada, sem saber o que fazer, simplesmente porque não percebe que algo tem que ser feito.

“Você merece aquilo que tolera”, disse uma amiga, dia desses. Dentro do contexto, fazia muito sentido, apesar da frase me incomodar. “Se você tolera, talvez mereça” me parece mais justo. Mais justo ainda é não tolerar merda nenhuma, por tempo nenhum, por motivo nenhum, senão, você vai acabar achando que merece o que tolera! Não se deixe tolerar, não se deixe merecer nenhuma forma de tortura e domínio, por favor.

Esteja atenta às coisas que você faz e às coisas que permite que façam com você.

Confesso que quando meu ex arranjou uma briga para justificar o nosso fim enquanto casal – supostamente já tendo uma mocinha 20 anos mais nova do que eu engatilhada (macaco gordo. Sacomé) –, eu não fiquei triste. Nem ofendida, humilhada nem nada sequer parecido (e ofensa e humilhação era o que esperavam de mim). Eu me senti aliviada. Assustada com o quanto e com as novas possibilidades, mas feliz.

Meu novo bom humor, meus novos pontos de vista, meu novo amor, meu novo desejo refletem quem eu sempre fui, mas não sabia ser. Não houve mudança, houve descoberta. Foram 40 anos de opressão e desqualificação, vindas de todo lado: sociedade, família, coleguinhas, “amigos”, marido. Eu deveria ser o que esperavam de mim? Sincerona com todo mundo, menos comigo?! Não mais…

Vá por mim: libertar-se até assusta, mas não dói. O que dói é não se pertencer.

Crazy Cat Lady

Comecei a reparar que existe uma certa torcida para que eu me apaixone pelo Dr. Bonitão. Ou que, pelo menos, a gente se agarre e role na relva ou coisa que o valha. Imagino que isso seria uma espécie de recompensa pela perna quebrada. Como se o meu acidente não tivesse acontecido em vão, mas fosse uma bela e dolorosa manobra do destino para me trazer o amor. Sem desdenhar, mas passo.

Já superei a fase de me apaixonar pelo meu ideal projetado na outra pessoa. É fria. Não suportaria que o príncipe encantado das minhas fantasias confirmasse, via Facebook, que comparecerá ao show “Sorriso Eu Gosto”. Seria muito desgosto. E, bem, considerando que nem sei de o Dr. é casado, solteiro ou “tico-tico no fubá” (expressão maravilhosamente terrível!), não tenho base para iniciar nosso relacionamento de sonho! É sério mesmo, vai que ele seja solteiro, mas adore Sorriso Maroto?! Ou pior! Que ele tenha nascido em Itaúna odeie gatos!!! 😮

Por essas e outras, apesar da torcida cada vez maior, continuaremos com nossa relação estritamente profissional. Não brincaremos de médico! Levaremos o assunto muito a sério, com exceção dos pequenos charminhos jogados de um lado e outro durante as consultas, só para descontrair.

Agradeço a você, caro(a) amigo(a), que torce por mim, mas já me acostumei com a ideia de ser um “crazy cat lady” e já tenho, inclusive, o roupão que pretendo usar para arrastar pantufas em casa, enquanto grito com os gatos!! 😉

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Meu mini (quase) AVC

Li na Superinteressante que é cientificamente comprovado que expressar raiva aumenta a raiva. Que socar um saco e areia, gritar, xingar, etc., só pioram a situação. O melhor é contar até 10 (mil?) e deixar pra lá. Resolvi tentar.

Sexta, depois de receber um e-mail que me aborreceu ao extremo, pela desdém e absurda falta de respeito travestidos em gentileza, achei que era o momento ideal para testar a teoria.

Pois é… Cientistas deveria rever seus conceitos antes de sair por aí divulgando pesquisas, porque pode ser perigoso. Cada um é cada um e eu me conheço há 40 anos. Sei de mim. O teste não deu certo, claro. Além de me sentir mal fisicamente, eu tive pesadelos por dois dias até começar a xingar e deixar sair toda a raiva. Desopilar o fígado, como dizem. Aí, eu comecei a melhorar da nuca tensa, da dor de cabeça intensa, do formigamento no rosto e do desequilíbrio. Veias haviam se rompido numa das minhas mãos.

Desculpa, mundo, mas vou continuar jogando meus demônios para cima de você. Você os cria, eu os aliemento e os emancipo. Eles não vão habitar em mim.

E, pessoas, revejam seus conceitos. Cada vez mais entendo quem se descontrola e sai quebrando tudo. Há motivos. Pare de dá-los aos outros, por favor. Gentileza – a de verdade – gera gentileza. E abusos geram ódio. Ódio gera destruição. E pra quê?

Síndrome do Amigo Interno da Faculdade do Billy

Para quem não sabe, a S.A.I.F.B. é um transtorno de intolerância que faz com que pessoas que parecem tão normais e bacaninhas se tornem monstros quando se discorda delas. A S.A.I.F.B. é caracterizada pelo discurso: “como você ousa ser diferente?! Qual é?! Meu estilo de vida não serve, é?!”

Talvez alguma universidade americana, com o aval do Mark-zinho, esteja estudando este comportamento via Facebook. Eu, pelo menos, estou. É muito comum manifestações de ódio em questões religiosas, políticas, futebolísticas, animais e randômicas.

O tema mais interessante de se observar, hoje em dia, é veganismo x onivorismo. Ah, esses “ismos” maravilhosos e seus adeptos brigões!!

Entre sofismas maravilhosas como “se você ama um, por que come o outro?” e “sua hipócrita! Está provado que alfaces têm sentimentos” ou, um ótimo que vi, ontem: “veganos são sempre a favor de aborto, mas são contra a cadeia alimentar!”, pérolas cada vez mais brilhantes de sabedoria (#SQN) provam que isso é tudo bobagem. O importante é a Natureza exterminar essa corja toda e acabar logo com essa e qualquer outra discussão.

Screen-Shot-2014-07-05-at-8.14.01-PMAcho sensacional como pessoas que nem sabem do que estão falando falam com tanta propriedade! <3

Eu tento ser vegetariana estrita. Estou indo bem na minha tentativa. A maioria das pessoas é ovolactovegetariana por muito tempo antes do passo final, rumo ao veganismo. E faço isso por mim, pelos animais e pelo planeta. Minha consciência está tranquila, meu corpo está bem e o dedo médio fica em riste com bastante facilidade para as pessoas bacanudas que tentam me desestimular ou começam o discurso sobre alface e seus sentimentos mais profundos.

Em contrapartida, eu deixo você ser onívoro, sem nenhum discurso, sem nenhum julgamento. Sei da dificuldade de se libertar do status quo e sei que há pessoas que simplesmente não se importam. E, assim, cito, mais uma vez, o grade pensador contemporâneo Zeca Pagodinho: “cada um com seu cada um. Deixa o cada um dos outros.”

Não adianta insistir e impor sua verdade. As pessoas – isso inclui a mim e a você – hão de aprender, mesmo que seja aos poucos, em passos lentos, o que é certo ou errado pelo único ponto de vista que importa: o do planeta. Se não for assim, ou se estiver lento demais, a Natureza há de ensinar. Ela é ótima nisso!

Saiba mais sobre a S.A.I.F.B., clicando aqui. A partir de 9:27.

Implicância

Gatos são animais lindos, não importa raça. Para o convívio, eu, particularmente, prefiro os de pelos curtos, mais fácil de lidar, e vira-latas, menos propensos a doenças genéticas. Cor? Gosto de pretos, básicos, clássicos. Prefiro as fêmeas, que são menos peraltas, e pegar ainda filhote, porque filhote de gato é vida!

Mas, apesar da minha preferência, temos duas de pelo longo, dois machos e nenhum pretinho. Só a Pixie – e o Santa, se for ficar – chegou adulta. Isso aconteceu porque eu não escolho gato. Eu fico com os que me aparecem, os que me escolhem. Prefiro assim. Se vou bancar a dona, que seja a dona que eles escolheram ter. E a vida vai bem, obrigada.

As pessoas mais rasinhas escolhem gato pela aparência. Gatos têm, para elas, que ser lindos. Gato ostentação! Ok. Há outras que gostam de característica próprias de algumas raças, seja física ou comportamental. Ok, também. Desde que tratem direitinho, protegendo, amando, cuidando, castrando e não inventando de abandonar, a motivação da pessoa é o que menos me importa.

Pessoas têm suas preferências, fazer o quê? Sei que em São Paulo, pelo menos, na ONG Adote Um Gatinho, os pretinhos são preteridos. No Rio, na 4Patinhas, são os frajolas – gatos preto e branco – que ficam para trás. São muito comuns… Em Itaúna, se não tiver raça – ou, pelo menos, “cara de raça” – , difícil encontrar quem queira… Mas, em qualquer lugar, coloque um persa ou sialata – siamês vira-lata – ou uma gata toda amarela – raríssima – ou um gato todo branco com olhos azuis para adoção para ver se não dá briga entre pretendentes. Dá.

Por isso tudo que acho esta campanha, que tem rolado há um tempo, imbecil:

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Na minha opinião, ela não faz nada além de confirmar o preconceito, afinal, pessoas são escolhidas ou preteridas pela cor de cabelo e/ou pele o tempo todo.

Sinta-se totalmente confortável em discordar de mim, principalmente – mas não exclusivamente – se seu coração se encheu de amor e você decidiu, agora mesmo, que quer um gato escaminha para todo o sempre. E, Sávio, se por causa deste post você decidir namorar uma ruiva, lhe perdoarei por tudo o que você me disse na 8ª série!

E para quem não sabe, gato escaminha são esses de pelagem mesclada, geralmente preta e marrom. Minha avó chamaria de “pano queimado”. A Pixie, minha gata feiosa, é mescla de tigrado com escaminha, ou seja, ela mistura estampas. Há quem ache a Pixie linda, há quem ache escaminhas lindos. Mas, para a maioria, é um gato comum e/ou esquisito. Não é, definitivamente, uma padronagem popular.

Eu continuo achando que tanto faz a pelagem. Mas, se as escaminhas são as mais rejeitadas da vida, que tal promover a excentricidade, a diferença, a exclusividade – já que os padrões dificilmente se repetirão -, o quanto você é mais bonito ao lado de uma gato feio, o quanto você é mais legal por tê-lo escolhido, sei lá, qualquer psicologismo mais eficiente do que comparar o pobre do gato a uma ruiva.

O vento da mudança

Fiquei pensando na frase da Anne, que postei há uns dias: “nenhum de nós realmente muda com o tempo; apenas nos tornamos mais integralmente o que somos.” Será mesmo?!

Eu deveria acreditar em mudança, já que vivem me dizendo que eu mudei demais. Mas, para ser sincera, não vejo isso. Eu sou a mesma pessoa “difícil” de 36 anos atrás – minha “dificuldade” se manifesta desde os 3 anos. Sempre fui. Sempre serei. Só cresci, amadureci e aprendi a sobreviver sendo como sou.

É claro que, como não sou uma sociopata completa, tenho algum traquejo social e sei me comportar como “pessoa normal” quando necessário. Sei ser, sem muito esforço, simpática e agradável, mesmo sem sê-lo em essência. É difícil manter “a personagem” por muito tempo, mas, felizmente, não é necessário.

Então, pensei em avaliar a “mudança” em outras pessoas. Tipo, traficante de drogas que vira pastor na cadeia. Tremenda mudança, não?! Não… O cara só muda a forma de exercer o poder e o tipo de viciado de quem explora.

Ainda na “linha religiosa”, temos atriz pornô/peladona de revista/”artista” que larga o mundo da fama e luxúria e se entrega a Jesus. Acredito total na entrega, mas esse povo não larga a fama e luxúria, só a redireciona. Ou você acha que a Sarah Shiva ou a Mara Maravilha ainda seriam lembradas se não se esforçassem, em nome de Jesus, para isso? E o público religioso costuma ser mais fiel – assim como Deus o é – do que os mundanos. Por isso, não é, necessariamente, uma mudança de vida, mas um redirecionamento na carreira.

E a Xuxa?! De puta a madre! Mudou, né?!

Nadica de nada. Carreirista de nascença. Essa não me engana mesmo! Gosta dela? Bom para vocês. Eu a detesto. E explico: eu tinha uns 10 anos quando ela começou na TV Manchete e eu assistia ao Clube da Criança. O programa era cheio de desenhos diferentes e divertidos, mas a apresentadora era sofrível. Sim, ela empurrava e era desagradável com as crianças. Ok, não havia Paquitas para conter a horda de selvagens, mas não justifica. Outra, ela se vestia (?) assim:

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Daí, essa pessoa, que começou a carreira como namorada do Pelé, modelo e pelada de revistas, atriz de porno-chanchada e apresentadora erótica de programa infantil, hoje, aos 50 – de fato, há anos -, se faz de pura?! Hein?!

Apagar o passado na Internet não a levou a nada, além do vexame. Melhor ser Myrian Rios que não se envergonha do que já fez – deveria se envergonhar do que anda fazendo, mas isso é assunto para outra ocasião – e assume que já foi pelada e se sai com “era a época. Hoje, me arrependo”. Aceitável.

“Amor estranho amor” seria apenas mais um filme meio que erótico da dramaturgia brasileira se Xuxa não fosse o que é – uma falsa. A Marília Pêra, por exemplo, estrelou Pixote com um garoto de rua que foi escolhido para o papel. Tinha erotismo. O menino tinha 14 anos, mas parecia muito mais novo. E, para piorar a situação, abandonado pela fama, Pixote morreu, na vida real, aos 19 anos, alvejado pela polícia. Ninguém critica a Marília por ter feito o papel, o filme é considerado um clássico e não há nenhum processo para retirá-lo do Google.

Já a Xuxa… Bem, a moça, como eu disse, começou como namorada de famoso. E este famoso contou à Playboy, há uns anos, que ela era virgem quando começaram a se relacionar. Ele, que não “curtia virgem”, falou para ela resolver o problema com outro. E ela topou!!! Chame-me de moralista, mas numa situação dessas, qualquer mulher tem somente 3 opções:

1. Continuar virgem e manter o namoro assim mesmo. Ele que se alivie de outra forma ou em outra;
2. Convencer o cara a superar o trauma;
3. A única saída digna, de fato: pé na bunda do babaca!

Se sujeitar a ser “estreada” por terceiro para manter o namorado famoso é coisa de… Apresentadora infantil de 50 anos.

E o que isso tem a ver com mudança, Pi?! Tudo. A Xuxa não mudou. Continua sendo uma pessoa que faz qualquer coisa pela fama. De filme erótico a ficar de mimimi sobre relacionamentos para não sujar a imagem arduamente construída. Sem contar a entrevista para o Fantástico… Mudou a imagem, mas não mudou a pessoa. E não é uma boa pessoa, na minha nada humilde opinião.

quote“Não me julgue pelo meu passado. Não vivo mais lá.” Resposta esperta de gente que se assume e tapa na cara de gente, como eu, que julga!

Outra que simula mudança é Angelina. Outra pessoa que não compro. Mas como tá todo mundo de mimimi porque ela tirou os seios – e, pra variar, apareceu/contabilizou um bocado com a história -, vou dar um tempo pra garota.

E então? As pessoas mudam ou só se reafirmam? Sei lá. Há pessoas demais para que eu conclua isso só com meia dúzia de comportamentos públicos, mas tenho por mim que as pessoas aprendem, com o tempo, a simular melhor. Isso é importante para a sobrevivência de muita gente. O que a gente é, bem lá no fundo, está enraizado no nosso DNA. Isso, acredito que não muda. Mas é sempre válido o esforço para se ser melhor – ou o Batman?! Se o esforço for só para parecer melhor, seja o que você é – ou o Batman!! É mais seguro para os outros.

 

When doves cry

Por falar em propaganda, sou só eu que detesto as da Dove?! De-tes-to!

Acho inadmissível que uma marca que manipula luz, fotos e informações para que toda “mulher Dove” seja “naturalmente” bonita venha me falar de manipulação de imagem e de mercado cruel com a mulher.

E qual é esse tal de mercado cruel? É a moda? É a publicidade?! Mesmo?! A moda e a publicidade nunca me falaram que eu era feia. Quem me falava que eu era feia eram as pessoas a minha volta, antes que a moda e a publicidade dessem um jeito. A moda fez com que o diastema fosse aceito. Ninguém achou bonito, ninguém correu pro dentista para abrir espaço. Mas muita gente parou de implicar! A moda adora as diferenças! A publicidade adora ruivas! E ver ruivas em campanhas e propagandas fez com que começássemos a ser aceitas. Quando eu era criança, era típico o pensamento: “crianças ruivas são tão fofinhas… Pena que crescem”. Pois eu cresci e pena nenhuma!

Ah… Mas e a anorexia?! É culpa da moda! Mesmo?!

Assisti no Discovery, há um tempão, um programa sobre a mais nova anoréxica do mundo. A garota, aos 8, parou de comer. E não foi porque Paris gosta de modelos magérrimas. Foi porque ela assistiu a “The big looser – Perder para ganhar” na TV e associou a perda de peso à satisfação e vitória! O mesmo programa mostra que anoréxicas são meninas perturbadas e controladoras que querem exercer poder e controle sobre as próprias vontades, sobre o próprio corpo. A maioria nunca vai ser modelo, nem quer.

Mas há as modelos que morrem de inanição, todo ano! É, há. Assim como também há as que vivem anos de glória e fortuna com poucos quilos de peso, sem grandes – ou pequenos – sacrifícios ou problemas. Se você não tem como ser do time dois, não vá para o time um. Bom senso está sempre na moda.

Se formos pensar um tiquinho, distúrbio de imagem é uma coisa de nosso tempo e não é culpa de um ou de outro. É uma somatória de perturbações. Mulheres loucas + reality shows + Hollywood + cirurgiões picaretas + “avanços” cosméticos + consumo exagerado. Afinal, você já viu alguma modelo com a cara da Donatella? Ela é rica, mas é bonita?! Ela já foi anoréxica, alguém copiou?!

Ah, mas as publicidades de cosméticos alisam tanto as mulheres que elas nem tem poros, mais. Mulheres famosas não tem poros desde de Rita Hayworth! Se não houver exageros/erros na manipulação da foto, ela fica fantástica! E a gente quer igual. Para alcançar a ilusão, temos cosméticos de “efeito Cinderela” – que saem com o banho – que resolvem o problema. Trabalhar a luz e sombra na maquiagem, nos contornos do rosto e do nariz faz uma plástica instantânea e poderosa. Meio quilo de sérum/primer lhe deixam lisinha por um dia! Igualzinho no Photoshop. Quer algo mais permanente? Botox! Liso intenso por até 6 meses!

E lábios carnudos?! Podemos ter, também! Cabelos lisos? Claro! Louros?! Intensos!! E olhos claros para todas!! Dentes da Halle Berry são tendência! Até ela comprou pra si!! Pele bronzeada em pleno inverno ártico?! Por que não?! Peitão? Bundão? Combinam com o bocão!! Celulite e estrias ainda não tem solução definitiva, mas, vá, até a Kim as tem…

kim-kardashian-cellulite-coverE precisa parecer natural?! Claro que não!! Precisa ter cara de “mexido”, para mostrar poder aquisitivo!!

O “nosso novo padrão de beleza” não veio da moda ou da publicidade. Veio da eterna insatisfação do ser humano com a aparência (humana). Veio com a falta de raciocínio e de bom senso. Veio da superficialidade dos nossos dias, veio das empresas de cosméticos que viram o filão! Veio de você, que se emociona com propaganda de Dove, cheia de coitadas que se sentem feias porque não podem fazer plástica… Assistem, choram enquanto pensam “mas ela bem que podia arrumar estes dentes…”. Sei. Tô te vendo!

E, na sincera total, Dove, foram as pessoas comuns que baixaram minha bola, enquanto eu permiti que elas fizessem isso. As mesmas que, se não estiverem sendo filmadas, são “sinceras” e precisas em apontar defeitos. Que me fariam muito mais feia e triste num retrato falado do que eu jamais poderia me fazer. E, na boa, isso é propaganda e, não, realidade. Se fosse, seria documentário – e, mesmo assim, eu duvidaria e faria pouco, vindo de quem vem. A manipulação já começa em se contratar um cara para fazer dois desenhos em que, obrigatoriamente, o primeiro TEM QUE SER menos bacana que o segundo – tá no roteiro, senão, não tem propaganda. A manipulação se perpetua na musiquinha triste e com a tendência das mídias digitais em promover o politicamente correto de boutique.

Vamos cair na real mesmo, de verdade? Quase ninguém é lindo. Somos quase todos meramente razoáveis, esteticamente. Com ou sem maquiagem, como ou sem banho de loja. E não precisamos de mais do que isso para nos amarmos e sermos amados. Afinal, não foram as minhas leitoras que me disseram que o importante para uma mulher é não ser burra?! Que beleza nem é fundamental?! Então, quem de nós está preocupada com defeitinho besta? Quem aqui precisa ser perfeita para se sentir segura?!

Outra coisa que me incomoda é que, segundo as estatísticas da Dove, somente 4% das mulheres estão satisfeitas com a aparência. Mesmo?! Você tem Facebook? Já viu quanta amiga posta fotos horrendas, em frente ao espelho, fazendo bico, de batom Snob, se achando lindona?! Elas representam mais de 4% das pessoas que você conhece?! Aposto que sim. Então, onde estão essas 96% de infelizes?! Escondidas?!

Sabe, no fim das contas, há vantagens nesta loucura coletiva! Se antes, só era feio quem não tinha grana, hoje só é muito destrutivamente feio quem tem grana o bastante! E viva a mediocridade física!

Update: a Luana me passou a dica de um texto, muito bom, porém, em inglês, de uma moça que viu além na propaganda de Dove. E concordei demais. Vale a leitura – peça ajuda ao Google Tradutor, se necessário!

Vovó

Todo encontro que tenho com minha avó é mais ou menos previsível. Porque, das duas, uma: ou ela vai me provocar e começamos uma briga antes do “olá, como vai” ou ela aguarda um pouco e começa com alguma crítica: “seu cabelo está precisando de um corte”, “que palidez! Passa um batom, menina”, “como você é lambona e desleixada!” ou “você está gorda – antes, era magra – demais”. Mas o favorito é “larga mão dessa Taúna, vai trabalhar, ganhar dinheiro, receber férias e 13º, aposentar. Olha sua prima! É professora. Tira férias 3 meses por ano!”.

É do temperamento da minha avó implicar. Minha tia, há 18 anos, ouve ela dizer: “você tinha um corpo! Agora, taí, desleixada e gorda” e, logo depois disso, minha avó reclama que ela não comeu tudo e não quis sobremesa. Quando era chefe de cozinheiras, minha avó implicava tanto com a fritura do bolinho de espinafre, que uma de suas subalternas, à época, nunca mais sequer comeu um desses malditos bolinhos: “se der perninha, vai ter que fritar tudo de novo!”, minha avó dizia. E, claro, sempre dá perninha! Sem contar a cozinheira que puxou a faca para ela, por não aguentar mais ouvir desaforos. Ela não se emendou nem com ameaça de morte, imagina se alguma coisa dá jeito. Não dá.

Mas o que vovó não sabe é que, se ela não gosta das minhas escolhas, ela não deveria ter me forçado a elas. Sim, minha más escolhas são diretamente relacionadas às más escolhas que minha avó fez comigo. Tanta crítica destrói a auto-estima de uma criança. Eu cresci sendo medrosa, sem muita vontade de tentar as coisas. Eu era diferente – ruiva e sardenta – e ouvia minha avó dizer que o meu diferente era feio. Eu era tímida e ouvia minha avó dizer que minha timidez era incapacidade (eu não era uma “menina ativa”, segundo ela). Eu gostava de costurar e minha avó me proibiu, porque eu iria me machucar. Insisti nas costuras até que me machuquei com uma agulha. Pelo visto, minha avó estava certa. Nisso e em tudo mais. E, assim, fui crescendo sem crescer, sem aprender coisas diferentes, sem me machucar fisicamente, sem querer.

Continuo sendo medrosa – talvez, por isso, não gosto de viajar -, tenho preguiça de tentar, desisto facilmente, não sou ativa até hoje! Mas tenho meus atos de rebelião! E acredito que por isso fiz uma tatuagem aos 18 – para mostrar, para mim!, ser capaz de decisões. E ela ficou orgulhosa, acredite ou não -, e por isso não fiz Direito – para me arriscar em algo novo, desconhecido e “sem futuro”, como o Design – e por isso vim para Itaúna – para me livrar das garras negativas dela e tentar virar gente.

A influência da minha avó corre nas minhas veias. É nociva e venenosa, mas já faz parte de mim. Não mata, mas incapacita, se eu deixar. Mas não me entenda mal, eu amo esta velha! Muito. Não consigo conceber a ideia de uma vida sem ela.

Eu não sou o que nem ela nem eu gostaríamos que eu fosse, mas sei que ela se orgulha de mim, me ama e me apóia, sempre. Todas as nossas escolhas erradas não me trouxeram onde nós gostaríamos que eu estivesse, mas me trouxeram a quem eu gostaria de estar com. Então, como se diz em Itaúna, “teve bom”. E, de mais a mais, como não me canso de repetir, enquanto houver vida, há esperança! Um dia eu chego lá – no meu “lá” ou no dela.