Fiquei pensando na frase da Anne, que postei há uns dias: “nenhum de nós realmente muda com o tempo; apenas nos tornamos mais integralmente o que somos.” Será mesmo?!
Eu deveria acreditar em mudança, já que vivem me dizendo que eu mudei demais. Mas, para ser sincera, não vejo isso. Eu sou a mesma pessoa “difícil” de 36 anos atrás – minha “dificuldade” se manifesta desde os 3 anos. Sempre fui. Sempre serei. Só cresci, amadureci e aprendi a sobreviver sendo como sou.
É claro que, como não sou uma sociopata completa, tenho algum traquejo social e sei me comportar como “pessoa normal” quando necessário. Sei ser, sem muito esforço, simpática e agradável, mesmo sem sê-lo em essência. É difícil manter “a personagem” por muito tempo, mas, felizmente, não é necessário.
Então, pensei em avaliar a “mudança” em outras pessoas. Tipo, traficante de drogas que vira pastor na cadeia. Tremenda mudança, não?! Não… O cara só muda a forma de exercer o poder e o tipo de viciado de quem explora.
Ainda na “linha religiosa”, temos atriz pornô/peladona de revista/”artista” que larga o mundo da fama e luxúria e se entrega a Jesus. Acredito total na entrega, mas esse povo não larga a fama e luxúria, só a redireciona. Ou você acha que a Sarah Shiva ou a Mara Maravilha ainda seriam lembradas se não se esforçassem, em nome de Jesus, para isso? E o público religioso costuma ser mais fiel – assim como Deus o é - do que os mundanos. Por isso, não é, necessariamente, uma mudança de vida, mas um redirecionamento na carreira.
E a Xuxa?! De puta a madre! Mudou, né?!
Nadica de nada. Carreirista de nascença. Essa não me engana mesmo! Gosta dela? Bom para vocês. Eu a detesto. E explico: eu tinha uns 10 anos quando ela começou na TV Manchete e eu assistia ao Clube da Criança. O programa era cheio de desenhos diferentes e divertidos, mas a apresentadora era sofrível. Sim, ela empurrava e era desagradável com as crianças. Ok, não havia Paquitas para conter a horda de selvagens, mas não justifica. Outra, ela se vestia (?) assim:
Daí, essa pessoa, que começou a carreira como namorada do Pelé, modelo e pelada de revistas, atriz de porno-chanchada e apresentadora erótica de programa infantil, hoje, aos 50 - de fato, há anos -, se faz de pura?! Hein?!
Apagar o passado na Internet não a levou a nada, além do vexame. Melhor ser Myrian Rios que não se envergonha do que já fez – deveria se envergonhar do que anda fazendo, mas isso é assunto para outra ocasião – e assume que já foi pelada e se sai com “era a época. Hoje, me arrependo”. Aceitável.
“Amor estranho amor” seria apenas mais um filme meio que erótico da dramaturgia brasileira se Xuxa não fosse o que é – uma falsa. A Marília Pêra, por exemplo, estrelou Pixote com um garoto de rua que foi escolhido para o papel. Tinha erotismo. O menino tinha 14 anos, mas parecia muito mais novo. E, para piorar a situação, abandonado pela fama, Pixote morreu, na vida real, aos 19 anos, alvejado pela polícia. Ninguém critica a Marília por ter feito o papel, o filme é considerado um clássico e não há nenhum processo para retirá-lo do Google.
Já a Xuxa… Bem, a moça, como eu disse, começou como namorada de famoso. E este famoso contou à Playboy, há uns anos, que ela era virgem quando começaram a se relacionar. Ele, que não “curtia virgem”, falou para ela resolver o problema com outro. E ela topou!!! Chame-me de moralista, mas numa situação dessas, qualquer mulher tem somente 3 opções:
1. Continuar virgem e manter o namoro assim mesmo. Ele que se alivie de outra forma ou em outra;
2. Convencer o cara a superar o trauma;
3. A única saída digna, de fato: pé na bunda do babaca!
Se sujeitar a ser “estreada” por terceiro para manter o namorado famoso é coisa de… Apresentadora infantil de 50 anos.
E o que isso tem a ver com mudança, Pi?! Tudo. A Xuxa não mudou. Continua sendo uma pessoa que faz qualquer coisa pela fama. De filme erótico a ficar de mimimi sobre relacionamentos para não sujar a imagem arduamente construída. Sem contar a entrevista para o Fantástico… Mudou a imagem, mas não mudou a pessoa. E não é uma boa pessoa, na minha nada humilde opinião.
“Não me julgue pelo meu passado. Não vivo mais lá.” Resposta esperta de gente que se assume e tapa na cara de gente, como eu, que julga!
Outra que simula mudança é Angelina. Outra pessoa que não compro. Mas como tá todo mundo de mimimi porque ela tirou os seios - e, pra variar, apareceu/contabilizou um bocado com a história -, vou dar um tempo pra garota.
E então? As pessoas mudam ou só se reafirmam? Sei lá. Há pessoas demais para que eu conclua isso só com meia dúzia de comportamentos públicos, mas tenho por mim que as pessoas aprendem, com o tempo, a simular melhor. Isso é importante para a sobrevivência de muita gente. O que a gente é, bem lá no fundo, está enraizado no nosso DNA. Isso, acredito que não muda. Mas é sempre válido o esforço para se ser melhor – ou o Batman?! Se o esforço for só para parecer melhor, seja o que você é – ou o Batman!! É mais seguro para os outros.












