Meu mini (quase) AVC

Li na Superinteressante que é cientificamente comprovado que expressar raiva aumenta a raiva. Que socar um saco e areia, gritar, xingar, etc., só pioram a situação. O melhor é contar até 10 (mil?) e deixar pra lá. Resolvi tentar.

Sexta, depois de receber um e-mail que me aborreceu ao extremo, pela desdém e absurda falta de respeito travestidos em gentileza, achei que era o momento ideal para testar a teoria.

Pois é… Cientistas deveria rever seus conceitos antes de sair por aí divulgando pesquisas, porque pode ser perigoso. Cada um é cada um e eu me conheço há 40 anos. Sei de mim. O teste não deu certo, claro. Além de me sentir mal fisicamente, eu tive pesadelos por dois dias até começar a xingar e deixar sair toda a raiva. Desopilar o fígado, como dizem. Aí, eu comecei a melhorar da nuca tensa, da dor de cabeça intensa, do formigamento no rosto e do desequilíbrio. Veias haviam se rompido numa das minhas mãos.

Desculpa, mundo, mas vou continuar jogando meus demônios para cima de você. Você os cria, eu os aliemento e os emancipo. Eles não vão habitar em mim.

E, pessoas, revejam seus conceitos. Cada vez mais entendo quem se descontrola e sai quebrando tudo. Há motivos. Pare de dá-los aos outros, por favor. Gentileza – a de verdade – gera gentileza. E abusos geram ódio. Ódio gera destruição. E pra quê?

Síndrome do Amigo Interno da Faculdade do Billy

Para quem não sabe, a S.A.I.F.B. é um transtorno de intolerância que faz com que pessoas que parecem tão normais e bacaninhas se tornem monstros quando se discorda delas. A S.A.I.F.B. é caracterizada pelo discurso: “como você ousa ser diferente?! Qual é?! Meu estilo de vida não serve, é?!”

Talvez alguma universidade americana, com o aval do Mark-zinho, esteja estudando este comportamento via Facebook. Eu, pelo menos, estou. É muito comum manifestações de ódio em questões religiosas, políticas, futebolísticas, animais e randômicas.

O tema mais interessante de se observar, hoje em dia, é veganismo x onivorismo. Ah, esses “ismos” maravilhosos e seus adeptos brigões!!

Entre sofismas maravilhosas como “se você ama um, por que come o outro?” e “sua hipócrita! Está provado que alfaces têm sentimentos” ou, um ótimo que vi, ontem: “veganos são sempre a favor de aborto, mas são contra a cadeia alimentar!”, pérolas cada vez mais brilhantes de sabedoria (#SQN) provam que isso é tudo bobagem. O importante é a Natureza exterminar essa corja toda e acabar logo com essa e qualquer outra discussão.

Screen-Shot-2014-07-05-at-8.14.01-PMAcho sensacional como pessoas que nem sabem do que estão falando falam com tanta propriedade! <3

Eu tento ser vegetariana estrita. Estou indo bem na minha tentativa. A maioria das pessoas é ovolactovegetariana por muito tempo antes do passo final, rumo ao veganismo. E faço isso por mim, pelos animais e pelo planeta. Minha consciência está tranquila, meu corpo está bem e o dedo médio fica em riste com bastante facilidade para as pessoas bacanudas que tentam me desestimular ou começam o discurso sobre alface e seus sentimentos mais profundos.

Em contrapartida, eu deixo você ser onívoro, sem nenhum discurso, sem nenhum julgamento. Sei da dificuldade de se libertar do status quo e sei que há pessoas que simplesmente não se importam. E, assim, cito, mais uma vez, o grade pensador contemporâneo Zeca Pagodinho: “cada um com seu cada um. Deixa o cada um dos outros.”

Não adianta insistir e impor sua verdade. As pessoas – isso inclui a mim e a você – hão de aprender, mesmo que seja aos poucos, em passos lentos, o que é certo ou errado pelo único ponto de vista que importa: o do planeta. Se não for assim, ou se estiver lento demais, a Natureza há de ensinar. Ela é ótima nisso!

Saiba mais sobre a S.A.I.F.B., clicando aqui. A partir de 9:27.

Implicância

Gatos são animais lindos, não importa raça. Para o convívio, eu, particularmente, prefiro os de pelos curtos, mais fácil de lidar, e vira-latas, menos propensos a doenças genéticas. Cor? Gosto de pretos, básicos, clássicos. Prefiro as fêmeas, que são menos peraltas, e pegar ainda filhote, porque filhote de gato é vida!

Mas, apesar da minha preferência, temos duas de pelo longo, dois machos e nenhum pretinho. Só a Pixie – e o Santa, se for ficar – chegou adulta. Isso aconteceu porque eu não escolho gato. Eu fico com os que me aparecem, os que me escolhem. Prefiro assim. Se vou bancar a dona, que seja a dona que eles escolheram ter. E a vida vai bem, obrigada.

As pessoas mais rasinhas escolhem gato pela aparência. Gatos têm, para elas, que ser lindos. Gato ostentação! Ok. Há outras que gostam de característica próprias de algumas raças, seja física ou comportamental. Ok, também. Desde que tratem direitinho, protegendo, amando, cuidando, castrando e não inventando de abandonar, a motivação da pessoa é o que menos me importa.

Pessoas têm suas preferências, fazer o quê? Sei que em São Paulo, pelo menos, na ONG Adote Um Gatinho, os pretinhos são preteridos. No Rio, na 4Patinhas, são os frajolas – gatos preto e branco – que ficam para trás. São muito comuns… Em Itaúna, se não tiver raça – ou, pelo menos, “cara de raça” – , difícil encontrar quem queira… Mas, em qualquer lugar, coloque um persa ou sialata - siamês vira-lata – ou uma gata toda amarela – raríssima – ou um gato todo branco com olhos azuis para adoção para ver se não dá briga entre pretendentes. Dá.

Por isso tudo que acho esta campanha, que tem rolado há um tempo, imbecil:

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Na minha opinião, ela não faz nada além de confirmar o preconceito, afinal, pessoas são escolhidas ou preteridas pela cor de cabelo e/ou pele o tempo todo.

Sinta-se totalmente confortável em discordar de mim, principalmente – mas não exclusivamente – se seu coração se encheu de amor e você decidiu, agora mesmo, que quer um gato escaminha para todo o sempre. E, Sávio, se por causa deste post você decidir namorar uma ruiva, lhe perdoarei por tudo o que você me disse na 8ª série!

E para quem não sabe, gato escaminha são esses de pelagem mesclada, geralmente preta e marrom. Minha avó chamaria de “pano queimado”. A Pixie, minha gata feiosa, é mescla de tigrado com escaminha, ou seja, ela mistura estampas. Há quem ache a Pixie linda, há quem ache escaminhas lindos. Mas, para a maioria, é um gato comum e/ou esquisito. Não é, definitivamente, uma padronagem popular.

Eu continuo achando que tanto faz a pelagem. Mas, se as escaminhas são as mais rejeitadas da vida, que tal promover a excentricidade, a diferença, a exclusividade – já que os padrões dificilmente se repetirão -, o quanto você é mais bonito ao lado de uma gato feio, o quanto você é mais legal por tê-lo escolhido, sei lá, qualquer psicologismo mais eficiente do que comparar o pobre do gato a uma ruiva.

O vento da mudança

Fiquei pensando na frase da Anne, que postei há uns dias: “nenhum de nós realmente muda com o tempo; apenas nos tornamos mais integralmente o que somos.” Será mesmo?!

Eu deveria acreditar em mudança, já que vivem me dizendo que eu mudei demais. Mas, para ser sincera, não vejo isso. Eu sou a mesma pessoa “difícil” de 36 anos atrás – minha “dificuldade” se manifesta desde os 3 anos. Sempre fui. Sempre serei. Só cresci, amadureci e aprendi a sobreviver sendo como sou.

É claro que, como não sou uma sociopata completa, tenho algum traquejo social e sei me comportar como “pessoa normal” quando necessário. Sei ser, sem muito esforço, simpática e agradável, mesmo sem sê-lo em essência. É difícil manter “a personagem” por muito tempo, mas, felizmente, não é necessário.

Então, pensei em avaliar a “mudança” em outras pessoas. Tipo, traficante de drogas que vira pastor na cadeia. Tremenda mudança, não?! Não… O cara só muda a forma de exercer o poder e o tipo de viciado de quem explora.

Ainda na “linha religiosa”, temos atriz pornô/peladona de revista/”artista” que larga o mundo da fama e luxúria e se entrega a Jesus. Acredito total na entrega, mas esse povo não larga a fama e luxúria, só a redireciona. Ou você acha que a Sarah Shiva ou a Mara Maravilha ainda seriam lembradas se não se esforçassem, em nome de Jesus, para isso? E o público religioso costuma ser mais fiel – assim como Deus o é - do que os mundanos. Por isso, não é, necessariamente, uma mudança de vida, mas um redirecionamento na carreira.

E a Xuxa?! De puta a madre! Mudou, né?!

Nadica de nada. Carreirista de nascença. Essa não me engana mesmo! Gosta dela? Bom para vocês. Eu a detesto. E explico: eu tinha uns 10 anos quando ela começou na TV Manchete e eu assistia ao Clube da Criança. O programa era cheio de desenhos diferentes e divertidos, mas a apresentadora era sofrível. Sim, ela empurrava e era desagradável com as crianças. Ok, não havia Paquitas para conter a horda de selvagens, mas não justifica. Outra, ela se vestia (?) assim:

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Daí, essa pessoa, que começou a carreira como namorada do Pelé, modelo e pelada de revistas, atriz de porno-chanchada e apresentadora erótica de programa infantil, hoje, aos 50 - de fato, há anos -, se faz de pura?! Hein?!

Apagar o passado na Internet não a levou a nada, além do vexame. Melhor ser Myrian Rios que não se envergonha do que já fez – deveria se envergonhar do que anda fazendo, mas isso é assunto para outra ocasião – e assume que já foi pelada e se sai com “era a época. Hoje, me arrependo”. Aceitável.

“Amor estranho amor” seria apenas mais um filme meio que erótico da dramaturgia brasileira se Xuxa não fosse o que é – uma falsa. A Marília Pêra, por exemplo, estrelou Pixote com um garoto de rua que foi escolhido para o papel. Tinha erotismo. O menino tinha 14 anos, mas parecia muito mais novo. E, para piorar a situação, abandonado pela fama, Pixote morreu, na vida real, aos 19 anos, alvejado pela polícia. Ninguém critica a Marília por ter feito o papel, o filme é considerado um clássico e não há nenhum processo para retirá-lo do Google.

Já a Xuxa… Bem, a moça, como eu disse, começou como namorada de famoso. E este famoso contou à Playboy, há uns anos, que ela era virgem quando começaram a se relacionar. Ele, que não “curtia virgem”, falou para ela resolver o problema com outro. E ela topou!!! Chame-me de moralista, mas numa situação dessas, qualquer mulher tem somente 3 opções:

1. Continuar virgem e manter o namoro assim mesmo. Ele que se alivie de outra forma ou em outra;
2. Convencer o cara a superar o trauma;
3. A única saída digna, de fato: pé na bunda do babaca!

Se sujeitar a ser “estreada” por terceiro para manter o namorado famoso é coisa de… Apresentadora infantil de 50 anos.

E o que isso tem a ver com mudança, Pi?! Tudo. A Xuxa não mudou. Continua sendo uma pessoa que faz qualquer coisa pela fama. De filme erótico a ficar de mimimi sobre relacionamentos para não sujar a imagem arduamente construída. Sem contar a entrevista para o Fantástico… Mudou a imagem, mas não mudou a pessoa. E não é uma boa pessoa, na minha nada humilde opinião.

quote“Não me julgue pelo meu passado. Não vivo mais lá.” Resposta esperta de gente que se assume e tapa na cara de gente, como eu, que julga!

Outra que simula mudança é Angelina. Outra pessoa que não compro. Mas como tá todo mundo de mimimi porque ela tirou os seios - e, pra variar, apareceu/contabilizou um bocado com a história -, vou dar um tempo pra garota.

E então? As pessoas mudam ou só se reafirmam? Sei lá. Há pessoas demais para que eu conclua isso só com meia dúzia de comportamentos públicos, mas tenho por mim que as pessoas aprendem, com o tempo, a simular melhor. Isso é importante para a sobrevivência de muita gente. O que a gente é, bem lá no fundo, está enraizado no nosso DNA. Isso, acredito que não muda. Mas é sempre válido o esforço para se ser melhor – ou o Batman?! Se o esforço for só para parecer melhor, seja o que você é – ou o Batman!! É mais seguro para os outros.

 

When doves cry

Por falar em propaganda, sou só eu que detesto as da Dove?! De-tes-to!

Acho inadmissível que uma marca que manipula luz, fotos e informações para que toda “mulher Dove” seja “naturalmente” bonita venha me falar de manipulação de imagem e de mercado cruel com a mulher.

E qual é esse tal de mercado cruel? É a moda? É a publicidade?! Mesmo?! A moda e a publicidade nunca me falaram que eu era feia. Quem me falava que eu era feia eram as pessoas a minha volta, antes que a moda e a publicidade dessem um jeito. A moda fez com que o diastema fosse aceito. Ninguém achou bonito, ninguém correu pro dentista para abrir espaço. Mas muita gente parou de implicar! A moda adora as diferenças! A publicidade adora ruivas! E ver ruivas em campanhas e propagandas fez com que começássemos a ser aceitas. Quando eu era criança, era típico o pensamento: “crianças ruivas são tão fofinhas… Pena que crescem”. Pois eu cresci e pena nenhuma!

Ah… Mas e a anorexia?! É culpa da moda! Mesmo?!

Assisti no Discovery, há um tempão, um programa sobre a mais nova anoréxica do mundo. A garota, aos 8, parou de comer. E não foi porque Paris gosta de modelos magérrimas. Foi porque ela assistiu a “The big looser – Perder para ganhar” na TV e associou a perda de peso à satisfação e vitória! O mesmo programa mostra que anoréxicas são meninas perturbadas e controladoras que querem exercer poder e controle sobre as próprias vontades, sobre o próprio corpo. A maioria nunca vai ser modelo, nem quer.

Mas há as modelos que morrem de inanição, todo ano! É, há. Assim como também há as que vivem anos de glória e fortuna com poucos quilos de peso, sem grandes – ou pequenos - sacrifícios ou problemas. Se você não tem como ser do time dois, não vá para o time um. Bom senso está sempre na moda.

Se formos pensar um tiquinho, distúrbio de imagem é uma coisa de nosso tempo e não é culpa de um ou de outro. É uma somatória de perturbações. Mulheres loucas + reality shows + Hollywood + cirurgiões picaretas + “avanços” cosméticos + consumo exagerado. Afinal, você já viu alguma modelo com a cara da Donatella? Ela é rica, mas é bonita?! Ela já foi anoréxica, alguém copiou?!

Ah, mas as publicidades de cosméticos alisam tanto as mulheres que elas nem tem poros, mais. Mulheres famosas não tem poros desde de Rita Hayworth! Se não houver exageros/erros na manipulação da foto, ela fica fantástica! E a gente quer igual. Para alcançar a ilusão, temos cosméticos de “efeito Cinderela” - que saem com o banho - que resolvem o problema. Trabalhar a luz e sombra na maquiagem, nos contornos do rosto e do nariz faz uma plástica instantânea e poderosa. Meio quilo de sérum/primer lhe deixam lisinha por um dia! Igualzinho no Photoshop. Quer algo mais permanente? Botox! Liso intenso por até 6 meses!

E lábios carnudos?! Podemos ter, também! Cabelos lisos? Claro! Louros?! Intensos!! E olhos claros para todas!! Dentes da Halle Berry são tendência! Até ela comprou pra si!! Pele bronzeada em pleno inverno ártico?! Por que não?! Peitão? Bundão? Combinam com o bocão!! Celulite e estrias ainda não tem solução definitiva, mas, vá, até a Kim as tem…

kim-kardashian-cellulite-coverE precisa parecer natural?! Claro que não!! Precisa ter cara de “mexido”, para mostrar poder aquisitivo!!

O “nosso novo padrão de beleza” não veio da moda ou da publicidade. Veio da eterna insatisfação do ser humano com a aparência (humana). Veio com a falta de raciocínio e de bom senso. Veio da superficialidade dos nossos dias, veio das empresas de cosméticos que viram o filão! Veio de você, que se emociona com propaganda de Dove, cheia de coitadas que se sentem feias porque não podem fazer plástica… Assistem, choram enquanto pensam “mas ela bem que podia arrumar estes dentes…”. Sei. Tô te vendo!

E, na sincera total, Dove, foram as pessoas comuns que baixaram minha bola, enquanto eu permiti que elas fizessem isso. As mesmas que, se não estiverem sendo filmadas, são “sinceras” e precisas em apontar defeitos. Que me fariam muito mais feia e triste num retrato falado do que eu jamais poderia me fazer. E, na boa, isso é propaganda e, não, realidade. Se fosse, seria documentário – e, mesmo assim, eu duvidaria e faria pouco, vindo de quem vem. A manipulação já começa em se contratar um cara para fazer dois desenhos em que, obrigatoriamente, o primeiro TEM QUE SER menos bacana que o segundo – tá no roteiro, senão, não tem propaganda. A manipulação se perpetua na musiquinha triste e com a tendência das mídias digitais em promover o politicamente correto de boutique.

Vamos cair na real mesmo, de verdade? Quase ninguém é lindo. Somos quase todos meramente razoáveis, esteticamente. Com ou sem maquiagem, como ou sem banho de loja. E não precisamos de mais do que isso para nos amarmos e sermos amados. Afinal, não foram as minhas leitora que me disseram que o importante para uma mulher é não ser burra?! Que beleza nem é fundamental?! Então, quem de nós está preocupada com defeitinho besta? Quem aqui precisa ser perfeita para se sentir segura?!

Outra coisa que me incomoda é que, segundo as estatísticas da Dove, somente 4% das mulheres estão satisfeitas com a aparência. Mesmo?! Você tem Facebook? Já viu quanta amiga posta fotos horrendas, em frente ao espelho, fazendo bico, de batom Snob, se achando lindona?! Elas representam mais de 4% das pessoas que você conhece?! Aposto que sim. Então, onde estão essas 96% de infelizes?! Escondidas?!

Sabe, no fim das contas, há vantagens nesta loucura coletiva! Se antes, só era feio quem não tinha grana, hoje só é muito destrutivamente feio quem tem grana o bastante! E viva a mediocridade física!

Update: a Luana me passou a dica de um texto, muito bom, porém, em inglês, de uma moça que viu além na propaganda de Dove. E concordei demais. Vale a leitura – peça ajuda ao Google Tradutor, se necessário!

Vovó

Todo encontro que tenho com minha avó é mais ou menos previsível. Porque, das duas, uma: ou ela vai me provocar e começamos uma briga antes do “olá, como vai” ou ela aguarda um pouco e começa com alguma crítica: “seu cabelo está precisando de um corte”, “que palidez! Passa um batom, menina”, “como você é lambona e desleixada!” ou “você está gorda – antes, era magra – demais”. Mas o favorito é “larga mão dessa Taúna, vai trabalhar, ganhar dinheiro, receber férias e 13º, aposentar. Olha sua prima! É professora. Tira férias 3 meses por ano!”.

É do temperamento da minha avó implicar. Minha tia, há 18 anos, ouve ela dizer: “você tinha um corpo! Agora, taí, desleixada e gorda” e, logo depois disso, minha avó reclama que ela não comeu tudo e não quis sobremesa. Quando era chefe de cozinheiras, minha avó implicava tanto com a fritura do bolinho de espinafre, que uma de suas subalternas, à época, nunca mais sequer comeu um desses malditos bolinhos: “se der perninha, vai ter que fritar tudo de novo!”, minha avó dizia. E, claro, sempre dá perninha! Sem contar a cozinheira que puxou a faca para ela, por não aguentar mais ouvir desaforos. Ela não se emendou nem com ameaça de morte, imagina se alguma coisa dá jeito. Não dá.

Mas o que vovó não sabe é que, se ela não gosta das minhas escolhas, ela não deveria ter me forçado a elas. Sim, minha más escolhas são diretamente relacionadas às más escolhas que minha avó fez comigo. Tanta crítica destrói a auto-estima de uma criança. Eu cresci sendo medrosa, sem muita vontade de tentar as coisas. Eu era diferente – ruiva e sardenta – e ouvia minha avó dizer que o meu diferente era feio. Eu era tímida e ouvia minha avó dizer que minha timidez era incapacidade (eu não era uma “menina ativa”, segundo ela). Eu gostava de costurar e minha avó me proibiu, porque eu iria me machucar. Insisti nas costuras até que me machuquei com uma agulha. Pelo visto, minha avó estava certa. Nisso e em tudo mais. E, assim, fui crescendo sem crescer, sem aprender coisas diferentes, sem me machucar fisicamente, sem querer.

Continuo sendo medrosa – talvez, por isso, não gosto de viajar -, tenho preguiça de tentar, desisto facilmente, não sou ativa até hoje! Mas tenho meus atos de rebelião! E acredito que por isso fiz uma tatuagem aos 18 - para mostrar, para mim!, ser capaz de decisões. E ela ficou orgulhosa, acredite ou não -, e por isso não fiz Direito – para me arriscar em algo novo, desconhecido e “sem futuro”, como o Design – e por isso vim para Itaúna – para me livrar das garras negativas dela e tentar virar gente.

A influência da minha avó corre nas minhas veias. É nociva e venenosa, mas já faz parte de mim. Não mata, mas incapacita, se eu deixar. Mas não me entenda mal, eu amo esta velha! Muito. Não consigo conceber a ideia de uma vida sem ela.

Eu não sou o que nem ela nem eu gostaríamos que eu fosse, mas sei que ela se orgulha de mim, me ama e me apóia, sempre. Todas as nossas escolhas erradas não me trouxeram onde nós gostaríamos que eu estivesse, mas me trouxeram a quem eu gostaria de estar com. Então, como se diz em Itaúna, “teve bom”. E, de mais a mais, como não me canso de repetir, enquanto houver vida, há esperança! Um dia eu chego lá – no meu “lá” ou no dela.

Pega na mentira

A mentira é uma arte. Uma arte menor, talvez, mas, mesmo assim, difícil de ser bem feita. Definitivamente, não é para qualquer um.

Pessoas limitadas, pouco criativas, displicentes e/ou de pouca memória não devem jamais mentir, porque a mentira exige comprometimento, raciocínio, cultura e jogo de cintura.

Raramente a mentira termina ali, onde e quando foi contada. Ela tem pernas curtas, mas caminha, mesmo assim. Chega longe. Corre o mundo. Você, o autor, tem que estar preparado para render a história ou, simplesmente, repeti-la, ipsis litteris, quantas vezes forem necessárias.

Se você tem um comparsa ou envolveu mais alguém na história, um tanto pior. Tem-se que ensaiar muitas vezes, nos mínimos detalhes. Tem-se que convencer o companheiro a compactuar até o fim. Sem gaguejar, sem pestanejar. Acreditando. Isso, acreditem. Incorporem!

E não se esqueça que mentira tem que ser simples, com menos detalhes e elementos possíveis para você não se enrolar. Quanto mais elaborada a mentira, mais rápida a queda.

Importante! Certifique-se que a apuração dos fatos vai ser, pelo menos, difícil. De preferência, bem demorada. Evite ser pego!

E, acima de tudo, esteja preparado para ser desmascarado. Neste caso, opte pela verdade ou por negar tudo até o fim, mas faça isso com o máximo de dignidade que a situação permitir.

Outra opção… Fale sempre a verdade. Enfeite-a um pouquinho, para não parecer tão ruim, mas assuma-a de vez. É mais fácil e tem menos consequências, na maior parte das vezes, do que mentir.

HEAL THE PAIN

Hoje, resolvi dar um tempo na leitura e nos trabalhos e passei parte da minha manhã assistindo a “O garoto de meia tonelada”, no NatGeo. Chocante. Não dá para entender o que leva alguém a pesar 300kg. Comida e sedentarismo, eu sei. Mas se eu começo a assar nas coxas, por causa do atrito das banhas, dou um jeito de perder peso. Eu, a senhora preguiça. Então, não consigo imaginar como alguém pode crescer tanto sem se incomodar.

Nos três casos do programa, a família é apresentada como a supervilã. Faz sentido. Mães obesas criam filhos obesos? Pode ser. Todas, sem exceção, eram bem gordas. Mas, em pelo menos um caso, ficou bem claro que o problema nada mais era do que mãe com Síndrome de Munchausen por Procuração e pai omisso.

A Síndrome de Munchausen por Procuração é, em linhas gerais, uma doença sacana em que os pais – pai ou mãe – causam danos físicos aos filhos, em busca de compaixão.

A mãe do Billy Robbins, uma senhora obesa que teve dois filhos com obesidade indecentemente mórbida – sendo que um deles morreu -, se fazia de vítima, de coitadinha toda vez que apontavam que o problema era ela e que ela iria perder mais um filho. Que dó. O menino – com 20 anos e 300 e tantos quilos -, teve que ser afastado de casa para conseguir emagrecer em paz. A doida da mãe empurrava comida pra ele o tempo todo. Percebe-se claramente que a “pobrezinha” queria manter o filho por perto e dependente – aliás, ela o chamava de bebê – nem que, para isso, tivesse que matá-lo.


John Wayne, a segunda vítima, não tinha motivação para emagrecer. Numa família exageradamente numerosa, ele “sobrava”. Ninguém parecia se importar muito. Estando ele, aos 17 anos, por conta própria, é possível que a obesidade fosse uma forma de buscar ser notado. Pois é…

Os pais do Murph, um menino de 18 anos e prá lá de 400kg, acharam que a morte do filho serviu de alerta para outros obesos buscarem ajuda antes que seja tarde. Hmmm. 400kg não é muito tarde? Tipo, ele não morreu? Precisa mesmo que alguém morra tão gigantesco para que se perceba que obesidade pode ser fatal? Precisa passar dos 200kg para se perceber que o caminho de volta pode não existir?! Sério. Quando seu filho não consegue mais se levantar da cama por estar gigantescamente gordo, você não percebe que há algo errado? Só se dá conta quando ele precisa de um respirador para sobreviver?!

Mas meu foco, aqui, não é a obesidade em si. Acho, e sempre achei, que ser gordo demais não é estético, moral ou saudável, mas cada um sabe de si. Meu foco é a família e sua forma de lidar com ela.

Li O Outono da inocência – O corpo, do Stephen King – quem mais? – recentemente. Para quem prefere filmes a livros, é o original de “Conta Comigo”. Bem bonito. A relevância com o programa dos obesos está na forma de lidar com o descaso/abuso da família. Algumas pessoas preferem brilhar.

Pais são pessoas sem a menor noção de como criar pessoas. Alguns vão na sorte ou no instinto, outros se baseiam em grandes teorias, mas, no fim, é tudo tentativa e erro. A maioria – espero – tenta acertar, tem as melhores intenções, mas é claro que sempre há os que erram de propósito. Mães obsessivas e castradoras, pais molestadores ou ausentes. Se você sobreviver a eles, pode optar por ser uma pessoa decente ou pode ser vítima para o resto da vida. Muitos escolhem ser decentes. Vítimas costumam propagar os erros, a descontá-los nos outros e/ou em si.

Sei que, assim como os dos nossos pai, nossos erros não são sempre conscientes. Às vezes, nos deixamos levar. Às vezes, a dor é maior do que a razão. Mas se houver um momento de consciência, de iluminação, agarre-o e lute por ele.

Sei, também, que evitar o caminho que parece que nos foi traçado sob medida ou ter força de vontade para se dissociar dos pais e do que eles esperam de nós (ou fazem conosco) requer maturidade e muita coragem. Tarefa dura, ainda mais na adolescência. Mas é sempre uma boa opção. Optar pela felicidade é o único caminho viável. Qualquer fuga – comida, drogas, álcool, sexo – parece mais fácil, no começo, mas é só ilusão. Um dia, crescemos e temos que lidar com as escolhas erradas.

Como cantou George Michael, “seja bom com você, porque ninguém mais tem o poder de te fazer feliz”. Cafona? Com certeza, mas nem por isso deixa de ser uma grande verdade.

Casados X Solteiros

Acho chata e esquisita a mania dos solteiros – recentes ou não – de ficar enaltecendo a classe por aí. Não há o que se enaltecer. Se você é solteiro por opção ou por falta de gente interessante no “mercado”, tanto faz. Eu não ligo e não quero saber. Mas você não é livre só porque não faz par. E nem quem é casado está, necessariamente, preso.

Eu sempre digo que os grandes preconceitos começam assim, aos poucos, com pessoas minando a paciência de pessoas, ao afirmarem, paulatinamente, que são melhores que as outras. Não são. Ainda estou com Edgard Alan Poe quando ele disse: “convencido eu mesmo, não procuro convencer os demais”*. Então, se você é feliz sozinho, e acredito nisso, não precisa afirmar o tempo todo! Poxa, seja feliz sem se esfregar nas nossas caras! Não dá, não?!

Meu único objetivo na vida é mostrar a meus amigos que não são solteiros o quão incrível é ser solteiro.

Porque, muitas vezes, cheira a recalque, a mágoa, a dor de cotovelo.

A única graça em se ser solteiro é como os casados se enganam em acreditar que temos sempre fins de semana muito divertidos.

Depois de adulta, eu fiquei solteira de tudo, solta mesmo, durante uns 4 anos. Não foi por opção, foi por necessidade. Eu vinha de uma pequena série de relacionamentos desastrosos e precisava de um tempo para reorganizar as ideias e quebrar o ciclo. O fator em comum nessas relações ruins era sempre eu, então, cabia a mim olhar em perspectiva e descobrir onde eu estava errando.

Estar solteiro não é tempo de procurar por amor. Use este tempo para trabalhar em você mesmo e crescer como indivíduo.

O primeiro ano foi terrível. Eu sentia falta de ter alguém para chamar de “meu”, de estar apaixonada, de me entregar e de sofrer, mesmo. O segundo ano já foi de libertação total! Foi só então que consegui avaliar minhas relações e entender o que estava errado. O terceiro e o quarto anos foram consequência disso. Estava ótimo estar sozinha. Era mais barato, era mais compensador que os namoros anteriores e eu era realmente livre. Eu estava amando isso.

Amo ser solteiro, até ver casais felizes e, então, eu penso no que estou perdendo.

Ser solteiro é melhor do que ser enganado, traído e desrespeitado.

Até que surgiu alguém que me convenceu que estava na hora de voltar a namorar. E estamos juntos desde então.

Você está começando a interferir na minha solteirice.

Se não fosse o meu tempo dedicado exclusivamente a mim, eu estaria pulando de galho em galho até hoje. Tenho amigas que fazem isso, porque não suportam ficar sozinhas, mas não conseguem suportar ninguém por muito tempo…

A única coisa chata nos meus 4 anos de solteirice foram exatamente essas amigas namoradeiras. Elas me enchiam a paciência com coisas do tipo: “você está mal humorada, porque está precisando de um homem” e, no entanto, eu estava mal humorada porque elas insistiam em em dizer isso. Ser solteira, é, sim, muito bom, quando se está feliz em se ser solteira. Quando você quer alguém, é um porre. Eu estava feliz. Tanto, que não precisava provar a ninguém.

E ser casada é, sim, muito bom, quando você encontrou a pessoa certa para se casar com você. Dividir um lar não é tarefa fácil nem com seus pais, que você tão bem conhece e pagam as contas, imagina com um cara estranho – sim, porque você só vai conhecê-lo, de verdade, depois de começar a morar junto -, com quem você dividirá as contas… É foda.

Exemplo: aquele seu namorado de longa data, com quem você se diverte e adora beber junto, amigão de todas as horas e companheirão de viagens e de farras, com quem o sexo é ótimo e a vida é uma festa não será, necessariamente, um bom marido. Casamento envolve dia-a-dia e pouca farra. Vai que você, num dia comum, não é tão divertida. Vai que ele, num dia comum, é só um bêbado, exatamente como nos fins de semana… E a culpa disso não é do casamento, enquanto instituição, nem das pessoas bem casadas. Você escolheu – ou se deixou escolher – mal. Sua culpa. Assuma isso e pare de encher sua vida de quotes amargas, fingindo-se de verdades!

Era uma vez um príncipe que perguntou a uma bela princesa: “você se casa comigo?”. A princesa disse “não” e viveu feliz para sempre. E viajou pelo mundo. E conheceu pessoas interessantes. E aprendeu coisas novas. E deu uns amassos nuns caras gatos. E ninguém pensou que ela era vagabunda. Ela sempre se pôs como prioridade. E foi a concertos de rock. E nunca ninguém disse a ela “vá me fazer um sanduíche”. E ela manteve seu apartamento e todos os seus sapatos e nunca foi traída. E sua família e amigos acham que ela é bacana demais. E ela ganhou muito dinheiro. E o acento do vaso estava sempre abaixado (como deve ser). Fim.

Casamento é feito de respeito, afeto, companheirismo, paciência e tolerância, tesão, interesses em comum, cumplicidade. Tudo isso junto e mais alguma coisa. Se falta alguma parte, não rola de ser bom. Solteirice é feita de auto-respeito, auto-satisfação, auto-conhecimento. Se não for assim, é só solidão.

No fim das contas, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, como cantava Caetano. E, apesar de achá-lo um porre de vinho Chapinha, sou obrigada a concordar. Por isso, seja solteiro ou seja casado, deixe o outro ser o que bem entender.

 

*A frase está no conto “Berenice”.

It’s a Shame 2…

E não é que uma das Shame foi descoberta? Pensa que é fácil ser anônima?! , não…

Em homenagem a ela, de quem ainda não consegui ter dó, um comentário que fiz num blog gongado, de uma menina meiga e doce – exatamente por isso, nunca mais voltei nele!! -, que chorou uma pitangada só quando foi injustamente – sem ironia. O post era fofinho – eleita como “post relevante do dia” – aí, sim, rolou toda uma ironia – por ensinar a colar figurinha no caderno.

Entendo seu ponto de vista, mas acredito que uma pessoa que tenha distúrbios ou transtornos ou coisa que o valha e quer usar um blog como válvula de escape, deve fazer um blog privado. Tenho uma amiga que faz assim. É um diário dela, fechado ao público. Porque, caiu na rede, é peixe. Qualquer exposição pode ser usada contra você.

Eu vejo as coisas por um outro ângulo: o que não mata engorda/fortalece. E chacota – e não bullying – não mata qualquer pessoa minimamente inteligente. Muitas vezes a chacota da Shame é pertinente, mostra a falta de noção e de auto-preservação da pessoa que se expõe. Outras, como no seu caso, é maldadinha, mesmo. Mas ou a pessoa aprende e segue com a vida ou ignora e segue com a vida. Não há outra opção.

Pessoas como a Shame são, sim, necessárias na blogosfera. Elas peneiram, eliminam o que não presta, quando abrem os olhos das iludidas – blogueiras ou leitoras. E há muito do que não presta. Não é seu caso: blog bonito, bem escrito. Às vezes, bobinho, mas tem público para isso e você ainda é uma menina! Tem todo o direito de “ser fofa”.

Este tipo de post não abre olhos, mas dá moral para a Shame. E muito. Se estudou psicologia direitinho, sacou que ela se encaixa perfeitamente no perfil do “narciso”. E tem plateia. Ignorar é a melhor solução.

Ainda não mudei de opinião em relação a isso. Mas já deixei de ir ao “Shame on you, blogueira” há bem tempo. É que, de maldadinhas em maldadinhas, vão-se minando os nossos bons sensos e logo a gente se torna uma pessoa excessivamente ácida e crítica. E excessos, você sabe, não fazem bem.

Ódio, desprezo, superioridade, nojinho, sentimentozinhos deste tipo são muito poderosos e, se fazem mal a quem é alvo, fazem mais mal a quem os cultiva. É como o diabinho no ombro, fazendo aflorar o que tentamos esquecer/esconder. E se tentamos esquecer/esconder é porque não é legal, ?!, então, melhor deixar lá, pruma emergência.

Desejo tudo de bom à tal da Pri, porque ela vai precisar. E, se ela quiser um conselho, eu diria para cultivar amor, agora. Porque amar é mais difícil, mas é mais gostoso e traz recompensas. Tente isso em casa você também!