Sem Mimimi

Novalfen errou feio, errou rude na sua propaganda #semmimimi. Isso foi há duas semanas, gerou uma polêmica enorme e o caso se encerrou bonito: tiraram a propaganda do ar. Daí, achei bobagem dar pitacos aqui. Mas mudei de ideia. 

Um show de horror publicitário!
 
Pois então, chamar cólica de mimimi já seria, por si, uma burrice sem fim. Ainda mais se for pensar que ofenderam o público-alvo!
 
Dizer que não estavam falando de cólicas graves também não cola. Cólica leve é ruim também. Não é frescura. Não minimize a dor do outro! 
 
A agência sair em defesa da porcaria que fez dizendo que fomos nós que não entendemos é pracabá. No primeiro período de Publicidade, eu aprendi que a comunicação só se dá se o receptor entende a mensagem. Se não, houve ruído. Você viu a propaganda? É ruído puro! 
 
Por fim, Preta Gil lamentar a polêmica dizendo que não viu nada errado, que achou “a ideia superdivertida e pra cima. A campanha nasceu para discutir um assunto sério de uma forma leve, humorada, que tem tudo a ver com” ela é de uma can-sei-ra. Porque, não, a propaganda não quer discutir cólica, quer vender remédio. E se visse cólica como assunto sério, não chamaria de mimimi. 
 
Fora os homens babacas fazendo chacota das mulheres que protestaram. 
 
Propagandas de absorventes
 
E, depois disso tudo, eu fiquei pensando: quem são as pessoas que criam as propagandas voltada “aos problemas femininos”? Há mulheres nessas equipes? Elas atuam na criação, dão pitacos?!
 
É pra lá de inadequada a alegria de mulheres menstruadas, vestindo calça branca, em propagandas de absorventes que não deixam o sangue 100% líquido e azul em contato com você. Primeiro, porque menstruar costuma ser uma alegria apenas para aquela mulher que achou que poderia estar grávida e não queria o filho de jeito nenhum. Mesmo assim, só quando desce. Depois, vira o transtorno de sempre.
 
Segundo, usar absorvente externo é uma porcaria. Melhoraram depois das abas? Sim. Mas ninguém fica segura com um fraldão preso à calcinha. Às vezes, mesmo gigantescos e com abas, eles vazam. 
 
E sangue não é 100% líquido. Há partes sólidas que não são absorvidas. A mulher não fica sequinha nesses dias. Sem contar que a coisa toda tem cheiro de morrinha. É horrível.
 
A solução são os absorventes internos, tipo O.B. ou Tampax?! 
 
Hmmm. Vejamos… Você já viu alguma propaganda de absorvente interno alertar para o risco – mesmo que relativamente pequeno – de Síndrome do Choque Tóxico? Não, né?! Você até encontra isso na bula – quem lê? Eu. E os médicos falaram para eu parar de lê-las, para não desenvolver sintomas por influência – ou no site da Tampax, por exemplo, mas não vê nas propagandas. Daí, mocinha americana teve o choque, quase morreu, teve a perna amputada e está processando a fabricante do seu absorvente interno, porque não foi informada do risco que corria e começa-se a falar no assunto. Mas logo para-se.
 
A real preocupação de TODAS as empresas do ramo é mostrar que menstruação, cólica e TPM não passam de mimimi. Que incomodada ficava sua avó. Engole o choro, um Novalfem, enfia um absorvente pra dentro e vá trabalhar! Afinal, você não quer receber o mesmo salário que um homem?! Hein?!
 
Emendando cartelas
 
Se você não quer menstruar, joia, emende cartelas de anticoncepcional. Faz mal?! Bem, apesar de alguns ginecologistas afirmarem que não, se você pensar que trombose e embolia andam de mãos dadas, e cada vez mais frequentemente, com mulheres que usam anticoncepcional, emendando ou não, bem não deve fazer.
 
Carefree 21 dias
 
E para provar de vez que “fodam-se as mulheres, foda-se o planeta, a gente quer mais é lucrar com as inseguranças que a gente cria”, Carefree lança uma campanha que deu orgulho à agência de publicidade. Use Carefree durante 21 dias e seja linda, segura e feliz como a Thaila Ayala.
 
Como se usar absorvente TODOS OS DIAS fosse bom pra alguém, além da fabricante. Vamos entender de uma vez por todas que uma coisa é umidade natural, outra é corrimento e, no caso de corrimento, faz-se necessário buscar um bom ginecologista para se definir se há um problema em vez de usar um absorvente diário que pode piorar a situação?! Vamos?! E que não se faz necessário o uso de Carefree nunca!!! O absorvente diário protege a calcinha, não você! E, sinceramente, você é única, calcinhas, compram-se novas – com o dinheiro economizado em Carefree.
 
“Queremos incentivar esta experiência e garantir que mais mulheres sintam a sensação de limpeza e bem estar proporcionadas pelo uso diário de de Carefree”, explica uma mulher!!! Eu tomo banho todo dia – a média do brasileiro é 2 banhos por dia – e troco de calcinha a cada banho, pelo menos. Não me sinto suja, nem fedida, nem com mal estar. Já usando Carefree – e já usei, naqueles dias de expectativa do chico descer ou últimos dias, quando não há necessidade de um absorvente maior – fico com aquele cheiro “engraçado” de perfume e abafada.
 
Mas sem um pingo de pudor, a campanha quer fazer com que você ache problemas em ser úmida, que gaste uma grana com absorvente que não lhe trará benefício e, ainda, se acostume com isso: “A campanha está alinhada com pesquisas que revelam que o uso do produto por 21 dias ajuda a criar um hábito permanente.” A tal pesquisa, explica o artigo da agência, é uma teoria, defendida pelo médico Maxwell Maltz, segundo a qual 21 dias é o tempo que o cérebro precisa para interpretar um novo hábito como um padrão. O___O
 
Copinho
 
Conheci no Vista-se o tal do coletor. Não sabia da existência disso e fiquei muito curiosa. Uma coisa leva a outra e me convidaram para um grupo, fechado, de coletoras, no Facebook. Essas, sim, são mulheres empolgadas com menstruação, que ficam ansiosas pelo chico, que ficam felizes em fertilizar hortinha com seu sangue! Mulheres que se conhecem bem ou que estão em busca de autoconhecimento com a ajuda de outras mulheres. Mulheres que quebram o paradigma de que não somos amigas, unidas ou solidárias. Um grupo de puro amor.
 
Mulheres que se conhecem são mais felizes e plenas e não se deixam enganar por propagandas. Se você ainda é vítima de propaganda de absorventes e remedinhos pra cólica, conheça a Ginecologista Sincera, página no Facebook de duas ginecologistas que têm muito a dizer. Se você já tem as manhas, espalhe conhecimento, ajude outras pessoas a entenderem o universo feminino. Preconceito é ignorância e dar fim à ignorância dá fim ao preconceito.
 
P.S.: para quem não sabe, ainda, as partes vermelhinhas do texto são links. Clique neles. Vale a pena.

Descobrindo

Muita gente se sente em condições de julgar os outros. Eu cometia esse erro quase que o tempo todo, confesso. A coisa fica tão cotidiana que, de repente, escapole e lá está você (eu) fazendo de novo. Pois é. Prestemos atenção.

E assim como a gente julga sem nem perceber, há mulheres que sofrem abuso moral sem nem notar. Ou, se notam, logo decidem que é um exagero da parte delas, que é coisa de mulher, que não é nada. Porque, no fim das contas, fomos condicionadas a pensar assim. Se ofender é um enorme exagero e nada mais é do que uma prova de que mulher é tudo fora de controle.

Desta forma, quando o homem que você escolheu para ser seu par lhe diz para parar de cantar porque sua voz é feia, você para. E não canta mais, mesmo que cantar lhe dê prazer. Se diz que sua autoestima é tão alta que alguém deveria dar um jeito nela, você acha que é elogio. Se ele paulatinamente lhe chama de chata, é porque você é. Se culpa sua TPM (inexistente) por uma briga (que ele começou), é porque você está de TPM e, por isso, sensível demais. Se ele lhe chama de lésbica e de frígida porque ele não consegue lhe dar prazer, a culpa é sua, é óbvio! Se diz que você é a pior coisa que aconteceu na vida dele, você deve pedir desculpas e tentar melhorar. Ir embora?! Pra quê?! Pra onde? Por que?! Que exagero, mulher!

E você vai ficando, empurrando com a barriga. Olhando para as mulheres que apanham de seus pares e perguntando, toda cheia de empáfia: “não têm vergonha? Por que não vão embora?”. É claro que o “se fosse comigo” participa da conversa e, é claro, se fosse com você, tudo seria diferente. Mas será? Aliás, é?!

Não é. A diferença é que a mulher que é espancada não tem como negar o espancamento. Pode até se perceber como a culpada, mas sabe que algo está errado. A mulher que sofre gaslighting (palavrinha nova que aprendi aqui) quase sempre tem certeza de que não é nada, além de bobagem (feminina) dela. “Ele me ama” é a única certeza. “E está certo” é a grande probabilidade. E, assim, continua sendo dominada, sem saber o que fazer, simplesmente porque não percebe que algo tem que ser feito.

“Você merece aquilo que tolera”, disse uma amiga, dia desses. Dentro do contexto, fazia muito sentido, apesar da frase me incomodar. “Se você tolera, talvez mereça” me parece mais justo. Mais justo ainda é não tolerar merda nenhuma, por tempo nenhum, por motivo nenhum, senão, você vai acabar achando que merece o que tolera! Não se deixe tolerar, não se deixe merecer nenhuma forma de tortura e domínio, por favor.

Esteja atenta às coisas que você faz e às coisas que permite que façam com você.

Confesso que quando meu ex arranjou uma briga para justificar o nosso fim enquanto casal – supostamente já tendo uma mocinha 20 anos mais nova do que eu engatilhada (macaco gordo. Sacomé) –, eu não fiquei triste. Nem ofendida, humilhada nem nada sequer parecido (e ofensa e humilhação era o que esperavam de mim). Eu me senti aliviada. Assustada com o quanto e com as novas possibilidades, mas feliz.

Meu novo bom humor, meus novos pontos de vista, meu novo amor, meu novo desejo refletem quem eu sempre fui, mas não sabia ser. Não houve mudança, houve descoberta. Foram 40 anos de opressão e desqualificação, vindas de todo lado: sociedade, família, coleguinhas, “amigos”, marido. Eu deveria ser o que esperavam de mim? Sincerona com todo mundo, menos comigo?! Não mais…

Vá por mim: libertar-se até assusta, mas não dói. O que dói é não se pertencer.

Meu pé esquerdo

_ Ei, Pat. Já tá andando?
_ Tentando.
_ Tá andando na piscina, como eu te falei?
_ Não gosto de piscina…

Ele me olha com desprezo:
_ Você gosta de quebrar a perna? Não?! Então, você não faz só o que gosta. Dentro da piscina, o corpo fica mais leve e você solta o tornozelo.
_ Meu tornozelo não solta. Ele não está sequer mexendo.
_ É porque você está com medo da dor…
_ Não tenho medo de dor. E ele não dói.
_ Claro que dói! Quer ver?! Me dá seu pé! – ele se agacha, pega meu pé e (tenta) gira, torce, empurra. Não mexe e não dói.

(Até hoje, não tinha reparado no quanto as mãos dele são gigantescas!!)

_Tem que doer. Vem cá. Agacha. Faz assim – e ele demonstra.
_ Não tem como.
_ Tenta – tento, o que é ridículo, mas não vai.
_ Deixa essas muletas aí e anda – ando. Aleluia, irmãos! Mas ando mal e porcamente.
_ Anda olhando pra mim – com prazer. ;-P
_ Mas anda sem mancar, Pat – só rindo. Andar sem mancar com o pé imóvel?! Ah, Doutor Engraçadinho! – Para de mancar! Anda direito! – não rola.

Enquanto preenche minha ficha, ele me olha com cara de cão sem dono:
_ É, Pat. Não estar doendo me preocupa. Era para doer. Eu pus força (e eu pensando: pôs nada. Felipe põe 80kg de força, parceiro.)… Espero que você não esteja com nenhuma lesão nervosa…
_ Hahahahahaha. Três meses e meio sem andar (na casa da minha avó, sem Cristo, sem segurança pros pequenos, sem Pudim, sem Guapa, sem Pixie, sem independência, sem minhas coisas, sem sossego). Lesão nervosa é o que eu sou.
_ Tô falando do tornozelo (a cara de irritadinho dele é ótima!). Se em um mês, ele não melhorar, vamos ter que fazer uma artreoscopia, Pat. Eu não queria ter que fazer isso. Dá seu jeito de melhorar!

Darei. E meu tornozelo até está colaborando e começou a doer. Pouco, mas tem potencial para ser insuportável. E se não der:

doctorcat

(Às minhas queridas amigas ávidas por romance, este não é um terreno fértil. Dr. Bonitão é profissa e eu não consigo enxergá-lo como outra coisa, senão meu médico. Um médico bonitão – mas não demais -, com as melhores expressões faciais da vida e com as mãos enormes e macias.)

 

Plástica

Um dia desses, um cara, na fisioterapia, me perguntou se farei plástica no tornozelo. Entendi a pergunta. As cicatrizes estão horrorosas, a base do tornozelo está muito larga, por causa dos pinos, a perna está com atrofia muscular, ou seja, muito fina – mas melhorando! -. No meio do caminho, há uma depressão, causada pela necrose. O trem tá feio! Mas, mesmo feio, não penso em “arrumar” mais do que o necessário. Quero que minha perna funcione, não me importo que ela fique feia.

Em compensação, todo o resto que está feio me incomoda. A atrofia muscular não se limita à perna doente. Ela se expande por todo o corpo sedentário. A bunda cai. A barriga estufa – e cai. O peito cai. O rosto cai. Afinal, o corpo é um circuito onde tudo se comunica. A comunicação geral, hoje, é que eu me acabei.

Envelheci um bocado nestes 3 meses de perna quebrada. Hoje, se eu quisesse fazer um “mini lifting”, teria o que puxar. E se até um ano atrás eu era mortalmente contra (eu) fazer plástica – pelos animais testados, pelo risco desnecessário, pela vaidade desnecessária -, hoje, o que me impede é só dinheiro. Ainda bem!

Sem dinheiro para puxar, esticar e alisar, tenho que me contentar em tentar melhorar aos poucos. Investir em academia – farei sem preguiça, assim que me liberarem, já que aguento firme a tortura da fisioterapia -, em óleos e cremes – veganos! -, em vitaminas C e D – sol! – e tentar manter o bom humor, porque chororô envelhece anos!!

E se depois de tudo isso eu ainda precisar – subjetivamente, eu sei – de plástica… Bem… Tem cirurgião que divide no cartão! 😉

Subnanocelebridade

Quando eu era adolescente, queria fazer algo notável. Aceitaria de bom grado os 15 minutos de fama prometidos por Andy Warhol, mas, infelizmente, eu não tinha nenhum talento notável ou beleza notável ou inteligência notável. Eu era mediana em tudo, o que não é notável. Enfim, fui uma adolescente fadada ao esquecimento… :-(

Desde que quebrei a perna, tenho vivido, tardiamente, intensos minutos de fama. Primeiramente, no hospital, como já contei. Depois, na primeira clínica de fisioterapia. Hoje, na segunda clínica.

Era a primeira consulta, então, conta-se parcialmente a história, omitindo os detalhes sórdidos (o motivo), para evitar-se o choro, e testa-se o pé. E ele não mexe. O fisioterapeuta diz: “se doer, me avisa” e empurra meu pé, com força. E nada. Nem dor, nem movimento. “Vou passar seu caso para todos”, ele diz. E passa. Em pouco tempo, uns 8 fisioterapeutas estão empurrando, puxando, medindo, apalpando, torcendo, estralando meu pé. Mas o movimento necessário quase não existe. Pela medição, faço 8º dos 45º esperáveis.

Ninguém quer se ocupar da doninha que está iniciando os exercícios. Todos gravitam em torno de mim. “Olha, uma fratura no pilão da tíbia! Você nunca tinha visto isso!”

Enquanto gira meu pé, a moça pergunta: “Dói?”

“Não, não dói.”

“Nadinha?” – a cara de desconsolo acompanha a pergunta.

“Não.”

“Mas tem que doer. Se não doer, não há melhora.”

E todos juntos se esforçam ao máximo para trazer a dor.

“Ok, doeu. Deu uma fisgadinha.” – e todos se alegram. Não foi dor, foi só um repuxo nem tão desagradável, mas minto para manter as esperanças.

Pois é. A fisioterapeuta que prometeu que eu voltaria a andar, a correr e a usar salto falhou horrivelmente. O fisioterapeuta que me prometeu dor, ainda não conseguiu. Mas está ok, ele só teve uma chance. Aposto que conseguirá.

Assim, prevejo que as próximas 12 semanas serão de dor intensa. E bom que seja, porque é melhor do que não sentir nada. Segundo a turminha de fisioterapeutas, se não doer, não volta a mexer e entro na faca novamente. Isso, eu não quero!

Mesmo que eu fique manca, e é uma possibilidade, está tudo bem. O importante é que estou fadada a pertencer e me imortalizar no anedotário médico-fisioterápico. Minha história, da queda ao pé que, incensivelmente, se recusa a se mexer, será contada por várias gerações, sempre com o detalhe do gato – porque eu não conto, mas minha tia, fiel escudeira, espalha o “causo”! -. Meus 15 minutos de fama se cumprem e sou uma subnanocelebridade da ortopedia belorizontina.

Evolução

A Louizy, que está em Paris curtindo a vida adoidado!, pediu para eu contar sobre a evolução da minha recuperação, aqui. Por mim, eu não contava! Culpe ela!

Terça, fui ao Dr. Bonitão. Fui à consulta bem menos molambenta do que de costume e valeu a pena: ele me chamou de “minha linda”. Ok, ok, ele teria me chamado assim mesmo que eu estivesse péssima, pelo mesmo motivo que o leva a me chamar de Pat: é da natureza dele. Mas ando me sentindo tão feia que, mesmo não acreditando na minha lindeza, fiquei feliz. Na verdade, o Dr. tem umas expressões faciais sensacionais que, por si só, me deixam feliz. Ele nem precisa falar nada. Se eu fosse um pouco mais tola, estaria apaixonada. Mas não sou.

A boa notícia é que estou liberada a andar com duas pernas! A má notícia é que não sei mais fazer isso. Ele me mandou – mandou, não pediu – trocar de fisioterapeuta o quanto antes, o que me traz um problema: ter que telefonar. Odeio telefone. Por causa do meu ódio, estou com um dente quebrado há um mês ou mais. Mas vou me esforçar. Por ele. Só depois de 20 sessões, volto a vê-lo. E olha que eu não estou apaixonada, hein?! Haha

Tem também o fato de que dente quebrado incomoda, mas não andar é uma porcaria. E tem o fato de que eu quero me mudar logo! Preciso das minhas coisas, do meu espaço, dos meus gatos e da minha responsabilidade de volta!! Se eu ficar mais tempo do que o estritamente necessário na casa da minha avó, além de ficar obesa, enlouqueço e empobreço de vez. Há sites demais me tentando… Não… Consigo… Me… Controlar… Por… Muito… Tempo…

O mais estranho é que quero comprar calçados (Converse e Ahimsa), mas os pinos me impedem de calçar canos altos, porque incomodam muito. E é exatamente o modelo que eu quero. Vai entender. Enquanto preciso de fisioterapia, dentista, emprego/trabalho, academia, casa e liberdade, tenho me empenhado, basicamente, pelos sapatos. Empenhado, não comprado.

Off-topic: Jezebel é macho e, agora, se chama Benjamin. Eu sabia que ele era macho desde que nasceu, mas tinha esperança de ter mais uma menina na família e ele é tão meigo… É menino, boludo e será desbolado em junho. ¯\_(ツ)_/¯

Obs.: sim, sou dessas que muda de assunto e encerra o post.

Peripécias da Pi

O dia havia amanhecido lindo e azul, depois de uma noite de chuva. Acordei às 7h, como em todas as quartas-feiras, e pensei em fazer uma horinha na cama, com preguiça de ir caminhar. Mas os gatos, como sempre, não me permitiram.

Fora do quarto, estava fresco e deixei os gatos saírem pra passear, enquanto eu trocava águas e enchia as vasilhas de comida.

Cristo aproveitou que baixei a guarda e subiu na jaboticabeira. Foi-se lá pra cima, inalcansável. E, claro, me apavorei. Se ele descesse para o telhado, havia o perigo de uma porção de cercas elétricas que, possivelmente, ainda estariam ligadas. Se continuasse pela árvore, havia risco de queda, pura e simples.

Aguardei para ver se ele descia sozinho, sem acidentes, mas ele preferiu o telhado, mesmo. E lá chegando, começou a miar. Um miado sofrido… Quanto mais ele miava, mais eu me decidia a pegar a escada e subir. Só que eu estava sozinha. Meu pai ainda demoraria uns 30 minutos pra chegar – muito tarde – e minha avó não me deixaria subir, muito menos me ajudaria. Fui.

Armei a escada, aproximei do telhado, testei, subi. Ele correu pra longe de mim. Desci. Pensei. Levei a escada para um outro ponto do telhado. Testei. Rearrumei e retestei. Subi. E a escada escorregou e caiu.

Minha vida não passou diante dos meus olhos, mas as possibilidades, sim. Se eu caísse pra frente, com a escada, eu poderia bater com a cara no chão e/ou quebrar os braços. Pra trás… A pilastra estava longe, não estava alto, achei melhor. Me projetei pra trás. Mas minha perna esquerda resolveu se enganchar entre os degraus. Ainda tentei puxá-la (tenho um bruto hematoma para provar), mas o pé ficou.

Bati no chão em silêncio, com suavidade e algumas fraturas na perna.

Minha avó apareceu xingando: “vai acordar os vizinhos!” Meu pai apareceu na janela – ele mora exatamente do lado – xingando: “quê que você tá aprontando” emendando com “eu te falei pra não mexer nessa escada!!!”. Enfim, família, eu quebrei a perna. Chamem alguém pra me ajudar.

Depois de meia hora caída no chão, imóvel, com milhares de formiguinhas andando sobre mim, a ajuda apareceu. Três mocinhos me imobilizaram na maca e me levaram para o Life Center. Fiz respiração cachorrinho enquanto eles colocavam a tala. Fiquei pensando: parto não pode doer mais do que isso.

Cheguei ao hospital imaginando que estava tudo resolvido. Seria assim: uma radiografia, constatava-se a fratura, punha-se o osso no lugar, enfaixava-se, engessava-se. Injeções, sessão de bronca do doutor e alta. Ainda chegaria em casa a tempo de descansar e trabalhar na parte da tarde.

Na real, foi assim: espera. “Onde dói?”. Radiografia. “Menina, você fez estrago, hein?”. Espera. “Vai ter que operar. Se der, ainda hoje.” Espera. Xixi na comadre. Espera. Moça veio tirar sangue e quase leva o braço. Espera. Moço veio colocar o catéter. Remédio pra dor – que não fez nem cosquinha. Espera no corredor. Peço água. Médico, já meu íntimo, me chamando de Pat, diz que eu não posso, porque vou ser operada no começo da tarde. “Mas são 10:30!!!” Bebo água escondido. Espera. Desço para a enfermaria, enquanto não vaga um quarto. Vem meu pai, vai minha tia. Dona Nadir, possivelmente com Alzheimer, dá um show na enfermaria. “Deus, vem me buscar. Nenhum velho deveria sofrer assim.” Metade era manha, mas ela tinha pedra nos rins. Não estava fácil para ela, também. Aliás, para ninguém ali.

A dor individual parece menor diante da dor coletiva, mas, ainda assim, precisei de Tilex. E de morfina. E nada foi de muita ajuda. Meu pai se foi, minha tia voltou e conseguimos um quarto. Sobe pro quarto. Espera.

Eram 20:30 quando chegou o enfermeiro para me ajudar a me despir para a cirurgia. “Está de jejum?” Oi? Desde às 19h do dia anterior!!!

O bloco cirúrgico estava lotado! Não havia espaço para manobrar macas. Mas, ali, a espera foi curta. Fui logo pra sala, o anestesista já veio logo se apresentando e me dando drogas das boas!! Apaguei. Acordei com o médico falando dos meus hematomas e me mostrando as fotos da cirurgia.

antes depoisTrês fraturas no tornozelo e uma no pilão da tíbia e tenho minha própria Torre Eiffel!!

À 1:30 desci pro quarto. Não dava mais para comer. Dormir foi tarefa inglória, mas sobrevivi. Recebi alta na tarde de quinta e estou em ritmo de axé (tira o pé do chão!!) desde então.

Passei por 11 enfermeiros – o moço do catéter, Jordano, Jackson, Patricia e Úrsula estão no meu coração. Contei minha história para cada um. Já via o momento da peregrinação para ver a moça que se estropiou buscando Cristo. O anestesista foi uma pessoa maravilhosa e não passei nada de mal com a anestesia. O ortopedista, bonitão, é também competente, simpático e debochado. Deu tudo certo.

Meu pai cuida dos gatos. Minha avó cuida dos cuidados. Minha tia cuida das compras e transporte. Cristo voltou e cuida de me dar carinho todo dia. Tudo certo, aqui também.

Hoje, tive retorno médico – e consegui as fotos que ilustram este post – e conheci mais uma vítima das escadas de armar de alumínio! O cara quebrou o calcanhar! Pela cara do doutor, ele está pior do que eu.

Aprendi coisas nesta aventura!

• A não me precipitar mais. Que chamar os Bombeiros para resgatar o gato em vez de me arriscar a ter que chamar o Samu para me socorrer é o mais sensato.

• Que família é uma formação de elementos difíceis, mas esse amor que (n)os une ajuda a remendar ossos.

Reafirmei coisas:

• Gatos são excelentes companheiros, são solidários e amigos!! Não são cães e não têm que ser comparados a cães.

• Amigos não têm que ser testados nem amizades são medidas em momentos difíceis. Alguns são mais participativos, outros são contemplativos, há os escondidos, que esperam o pior passar para dar um “oi”. Há, até, os totalmente desinformados, que nem sabem o que está – e se está – acontecendo. Todos são ótimos! Todos são bem-vindos!

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E, pra fechar, um conselho de amiga: tenha um bom plano de saúde em dia. Se eu tivesse que pagar por todo o atendimento que tive, que foi o melhor possível, eu teria que vender um rim. Planos de saúde são caros e parece desperdício de dinheiro, mas nunca se sabe… Até às 7h de quarta passada, eu fazia planos de caminhar na Silva Lobo e, depois, entrar em alguma academia, para me matricular na musculação. Jamais esperava terminar – muito menos, começar! – meu dia num hospital…

 

Meu mini (quase) AVC

Li na Superinteressante que é cientificamente comprovado que expressar raiva aumenta a raiva. Que socar um saco e areia, gritar, xingar, etc., só pioram a situação. O melhor é contar até 10 (mil?) e deixar pra lá. Resolvi tentar.

Sexta, depois de receber um e-mail que me aborreceu ao extremo, pela desdém e absurda falta de respeito travestidos em gentileza, achei que era o momento ideal para testar a teoria.

Pois é… Cientistas deveria rever seus conceitos antes de sair por aí divulgando pesquisas, porque pode ser perigoso. Cada um é cada um e eu me conheço há 40 anos. Sei de mim. O teste não deu certo, claro. Além de me sentir mal fisicamente, eu tive pesadelos por dois dias até começar a xingar e deixar sair toda a raiva. Desopilar o fígado, como dizem. Aí, eu comecei a melhorar da nuca tensa, da dor de cabeça intensa, do formigamento no rosto e do desequilíbrio. Veias haviam se rompido numa das minhas mãos.

Desculpa, mundo, mas vou continuar jogando meus demônios para cima de você. Você os cria, eu os aliemento e os emancipo. Eles não vão habitar em mim.

E, pessoas, revejam seus conceitos. Cada vez mais entendo quem se descontrola e sai quebrando tudo. Há motivos. Pare de dá-los aos outros, por favor. Gentileza – a de verdade – gera gentileza. E abusos geram ódio. Ódio gera destruição. E pra quê?

Hippie

Parei de pintar as unhas há um bom tempo. Simplesmente, me cansei de ser refém delas. Mantenho-as limpas e curtas e está superbom.

Meus primeiros fios brancos apareceram há outro bom tempo e estão todos aqui, intocados. Talvez eu use henna ou chá de hibisco, se eu encontrar. Talvez, não.

Troquei os hidratantes cheirosinhos por óleos, como o de argan, que marido trouxe de Marrocos, e de amêndoas doces. Meu cabelo e minha pele curtiram.

Troquei o desodorante por bicarbonato de sódio. O sabonete e o condicionador por vinagre de maçã. Tudo certo, não estou suja nem fedendo nadinha.

Fiquei de testar o xampu de mandioca, feito em casa, mas o frio me deixou com preguiça. Minha meta, mesmo, é não usar mais xampu.

Estou em busca de juá para poder trocar o creme dental por ele. Para o fio dental, está mais complicado de encontrar substituto, mas continuo procurando. Filtro solar tem sido  outro desafio…

Estou trocando os produtos de limpeza da casa por vinagre, álcool e bicarbonato. Essência naturais, para dar cheirinho bom, são bem-vindas. Troquei o detergente por sabão de coco e estou procurando, para comprar, aquelas bolinhas que lavam roupa sem sabão. Achei na China…

Aliás, abro um parêntese:

(Achei as bolinhas e outros produtos aparentemente supimpas em um site brasileiro, de uma empresa que se diz “voltada à pesquisa e desenvolvimento de produtos inovadores e de alta performance que facilitam o dia-a-dia das pessoas”. Só se ela pesquisa no Google, porque mandei um e-mail, perguntando se os produtos são fabricados aqui ou importados da China e, em vez de me responderem por e-mail, me telefonaram umas 8 vezes. Minha secretária pediu para me responderem como eu perguntei, através de e-mail. Eles disseram não ser possível, eles não escrevem e-mails! Oi?! Mas confirmaram que é tudo chinês. Dureza…)

Produzo menos lixo, libero menos resíduos na água, gasto bem menos dinheiro no supermercado.

Esse site, aqui, tem me ajudado na busca por uma vida mais sustentável. Se você também quer reduzir seu impacto sobre o mundo – ou só gastar menos com higiene e limpeza, sem perder a qualidade de vida -, eu recomendo.

 

O que comer?

Minha amiga Jane estava preocupada com o que comer, já que, a cada momento, sai uma pesquisa contradizendo a anterior sobre os malefícios de determinados alimentos.

Diante de tantas pesquisa imbecis e com resultados manipulados e mentirosos, assim como inúteis, cruéis e egoístas, eu tenho acreditado em cientistas da mesma forma com que acredito em pastores e clérigos em geral. Ou seja, eu desconfio…

Sendo assim, eu uso meu bom senso para escolher o que comer. E é fácil!!

Prefiro alimentos orgânicos e de origem conhecida. Se puder ser de uma hortinha caseira, tanto melhor. Aliás, tenho projeto de fazer uma horta aqui em casa, assim que eu conseguir restringir os acessos das galinhas.

Tento variar os vegetais o máximo possível, para conseguir me nutrir com a maior quantidade e variedade de vitaminas e minerais. Ao mesmo tempo, vario os agrotóxicos ingeridos!

Não me empanturro. Como muito, é verdade, mas somente o necessário para me satisfazer, sem me lotar. Isso é bom para mim – que me mantenho saudável e nos 59kg há 4 anos – e para o planeta – que não precisa se sobrecarregar na produção de alimentos para satisfazer minha gula.

Prefiro alimentos integrais aos refinados e os vivos aos processados. Comida congelada industrial? Tô fora! Fast food? Idem! Bolacha, biscoito? Os feito em casa, preferencialmente. E pouco! Refrigerante e suco de caixinha adoçado? Só em caso de sede extrema e nenhuma outra opção de bebida.

Não que eu não coma nada industrializado. Apesar do preço, gosto dos sucos Greenday. A marca Natural One é mais em conta e tem sabores mais variado e também é ótima para aqueles dias de preguiça de lavar, descascar, picar, espremer, lavar o equipamento. Ambos prometem zero de açúcar e de conservantes. Também consumo as geleias 100% da Queensberry. 100% fruta! Apesar do uso de transgênicos, de vez em quando eu mando uns Doritos pra dentro. Cookies Mãe Terra tem muito sódio, mas não é sempre que eu como, então, não pesa. Apesar de detestar soja, estou disposta a experimentar os produtos congelados Mr. Veggy.

Comer direito não é nenhum mistério e você não precisa pirar com pesquisas. Mantenha em mente que o pressuposto de um alimento é alimentar. Conservantes e sódio, açúcares e gorduras em excesso não alimentam, pelo contrário, roubam nutrientes e fazem mal, então, evite-os. No mais, seja equilibrado em sua dieta e seja feliz!