Veganos

Faz um tempo que peguei birra de blogueira. Elas mentem! Ok, nem todas, mas muitas delas, as mais famosinhas, maquiam as informações sem um pingo de vergonha. Outras são só afetadas, mesmo. Criticam e xingam com toda a propriedade das pessoas que não têm razão. Daí, que parei de confiar, de seguir, de me importar com a opinião delas.

Mas… Como não sou blogueira – sou designer! – vim dar minha opinião sobre coisinhas veganas que comprei e gostei ou não. Deixo claro, é somente minha opinião/experiência, sem validação científica, sem estatísticas confirmadas.

Comprei, no Vista-se, o desodorante Crystal stick. Ele parece uma pedra, que você umedece e passa nas axilas e/ou pés. Sem perfume, não mela, não mancha e segura a onda por várias horas. Tenho gostado muito. Para quem prefere spray ou rol-on, tem também.

Precisei de uma máscara para cílios. Eu uso a Elf incolor para as sobrancelhas e gosto bem, mas não gosto dela para os cílios, então, procurei outras marcas veganas para experimentar. O problema, na minha humilde e pão-dura opinião, é que é tudo bem caro. R$ 80,00 por uma máscara é além do que eu gostaria de pagar, mas fui. Duas vezes.

Primeiro, com a Alva: Máscara para Cílios Orgânica – Black. Orgânica, livre de parabenos, substâncias petroquímicas e fragrâncias sintéticas que causam alergia. As pessoas elogiam por aí. Nos sites de venda, então, só amor. Mas eu não curti. Primeiramente, porque a máscara parece que não seca nunca e ficar uns 10 minutos sem piscar não rola. Então, o jeito é passar, esperar e limpar em volta dos olhos, que estarão carimbados. Depois que, enfim, ela seca, começa a esfarelar. Eu uso lente e farelo no olho está fora de cogitação. Sem contar que suar, chorar e pegar chuva com ela não estão permitido! Então, abandonei-a.

Comprei um punhado de coisas na Granado – no site, mesmo depois de ter reclamado do atendimento deles. Sou só perdão! -, inclusive Máscara Duo Cílios Perfeitos. Estava na promoção.

Nos meus parcos cílios, mais de duas camadas dele já são o suficiente para empelotar. Ficamos nas duas, então – inclusive, a recomendação é usar uma camada de cada lado do duo. Seca e, depois de um tempo, esfarela um pouquinho. Nada demais. Mas tirar com água e sabão, no banho ou lavando o rosto, não rola. Aí, sim, ela esfarela com gosto! Como estou sem demaquilante, no momento, eu sofro. Então, não virei fã.

Os outros produtos Granado, de sabonetes a hidratantes, adorei tudo! A manteiga corporal é meu item favorito. O cheiro é mais forte do que eu gostaria, mas o resultado compensa. Minha pele está maciínha e lisinha!

Comprei, também, um batom Lime Crime da linha Velvetines, o Red Velvet. Eu adoro os Unicorn Lipstick e os Carousel Gloss que eu tenho, então, nem me importei com a alta do dólar quando surgiu a oportunidade de comprar o batom líquido que seca e fica super matte.

É fácil de aplicar, a cor é linda, quase não transfere e é difícil de sair… A não ser que você use sua boca. Porque ele sai até com água. Se desfaz igual tinta guaxe e fica só o contorno. E eu, que evito batom vermelho exatamente porque me deixa insegura, não vou usar esse. :-(

Pra fechar o carrinho: henna. Me enchi de pessoas falando: “mas você não é ruiva, mais?”. Sim, eu sou, mas tenho 41 anos, for crying out loud! Tenho amigas totalmente grisalhas ou caminhando a passos rápidos para isso. Deixa meu cabelo desbotar!! Mas, depois do chilique, eu resolvi passar Surya em pó vermelha, porque a cobre não existe mais :-( , e minha tia aplicou pra mim.

Tem cheiro de chá? Tem. Faz bagunça pra passar? Sozinha, definitivamente. Com a ajuda da tia, bem pouca. Lavar pra tirar é uma aventura? Sim e com certeza. Não sai fácil, mas meu cabelo é liso e pouco, então, foi relativamente tranquilo. Mas meleca o banheiro todo! Mancha toalhas e fronhas por uns dias? Sim. Está na bula do produto, inclusive. Desbota igual tonalizante ruivo? Não. Desbota com as lavagens, mas BEM menos. Meu cabelo é tingido e a raiz está virgem. Vai colorir igualmente? Não, não vai. Tem chumbo? Não! É tudo plantinha inofensiva.

Gostei muito, deu supercerto e volto a usar assim que precisar. Mas vou comprar henna purinha para experimentar, também.

frente-versoDe frente: máscara para sobrancelhas Elf, para cílios Granado, batom Red Velvet, da Lime Crime. Verso: cabelo precisando de corte, mas ruivo, novamente, graças à Surya.

 

 

Ovos da polêmica

Dia desses eu disse que dissertaria sobre ovos e a polêmica vegana. Chegou a hora!!

Sim, eu sei que muitos – se é que há muitos – dos que vêm aqui não estão nem aí para veganismo, mas, ó, é o que tem pra hoje.

Estava eu trocando e-mails com uma vegana muito simpática – coisa cada vez mais rara de se encontrar -, quando surgiu o assunto “ovos”. Veganos são radicalmente contra o consumo dos ovos, seja como for. O principal argumento é que os ovos pertencem às galinhas, assim como o leite às mães – seja de qual espécie for – e a seus bebês. Ademais, criar galinhas com algum propósito é especismo e escravidão. Eu discordo.

Ganhei dois casais de penosas há uns 6 anos com o objetivo de ter ovos em casa. Elas ficavam presas num galinheiro e eram estressadas. Meu quintal tem cerca de 500m² e estava se enchendo de mato. Pensei: galinhas soltas são felizes e comem mato. Desde então, elas estão soltas, ciscando pela casa. Até dentro de casa, quando querem.

Depois de uns meses, uma conhecida, que tem lúpus e havia desenvolvido alergia às penosas dela, me doou quase todas, porque sabia que eu não as mataria. Vieram pavões, peruas, d’angolas, sedosas japonesas e muitas garnisés. Com o tempo, tive que doar pavões, peruas e d`angolas por causa do barulho que faziam. Não só por causa dos vizinhos reclamões, mas porque são aves que voam e precisam de mais espaço do que eu tenho. Doei com promessas de nunca serem mortas e estão quase todas bem. As d’angolas encontraram predadores pelo caminho… :-(

Minhas galinhas são mais livres do que meus gatos e cães. Elas andam por toda a casa, comem e defecam por todo lado. O limite é o muro da casa e, mesmo assim, se elas quiserem sair, conseguem, porque as asas não são cortadas. Não saem porque gostam do que têm aqui. E o limite que recentemente impus a elas é uma terrinha que telamos, para poder plantar.

Não fiz ninhos, elas botam onde querem. Já fui surpreendida por um punhado de pintinhos brotando da casinha do cachorro. Elas têm poleiros, mas preferem dormir nas árvores. Chocam quando querem, criam como querem e quando não querem eu assumo as crias. Pelos menos 1/3 delas foi criado por mim. Já ameacei não deixar mais elas chocarem, por causa dos abandonos, mas elas driblam proibições. Qualquer proibição.

Elas capinam porque é da natureza delas revirar a terra em busca de comida. Elas comem de tudo e o tempo todo, inclusive ovos! Minha avó diria para queimar o bico delas, mas eu não faria isso. Não preciso de muitos ovos e não me importo em compartilhar. Elas só não comem ração, porque não precisam de incentivo para botar – e porque não confio em rações.- E elas botam porque faz parte do ciclo de vida delas e seguem o ritmo delas.

Acho que é uma troca justa: eu dou comida, espaço, casa, proteção e carinho e elas me dão ovos. Por isso, não vejo mal em usar o propósito da galinha a meu favor, porque não a desfavorece em nada. Na natureza, isso é chamado de simbiose.

Se eu fosse ter galinhas sem nenhum propósito, eu não as teria. São bichinhos bagunceiros, brigões e extremamente barulhentos, cuja manutenção me custa um bom dinheiro. Não são “doninhas” simpáticas e autossuficientes. Se não fosse por mim, das cerca de 50 que moram aqui, somente uma delas teria nascido e, mesmo assim, já estaria morta, já que tem uma doença genética que faz com que seu bico cresça infinitamente e precisa ser alimentada em separado.

Há as teorias que dizem que vacas, porcos, galinhas, carneiros, bodes, burricos e qualquer outro animal que tenha um “propósito” na vida humana estariam extintos num mundo vegano/abolicionista. Humanos começaram a criar cavalos para transporte e tração. Cães para segurança, companhia e ajuda na caça. Gatos, porque caçam ratos. Mesmo hoje, há um propósito na criação de animais, mesmo que seja tirar fotos deles para o Instagram. Em troca, bons humanos dão amor, comida, cuidados, segurança. Sem troca, não há animais de estimação e vai ter que haver muito vegano e muito santuário para evitar a extinção de um punhado de bichos domesticados que não se viram mais muito bem na natureza. Ou que, na falta de predador, podem se virar até bem demais e destruir geral.

Enfim, não vou enterrar os ovos ou distribui-los por aí ou deixar para as galinhas consumi-los integralmente, porque não vejo motivo. Assim como, apesar do cocô das galinhas também sair das cloacas delas, não vou deixar de usá-lo como fertilizante para minhas plantas. E se eu porventura viesse a ser mãe, doaria meu leite excedente a banco de leite, porque ele não precisaria ser somente do meu filho.

Há, neste mundo, inúmeros animais explorados, escravizados, maltratados, mutilados, assassinados, torturados e os meus – sim, meus, propriedades minhas, diante da Lei – não estão entre eles. Não como outros ovos além dos das minhas galinhas e minha consciência está tranquilona.

Não faço questão, como nunca fiz, de ser vegana. Acho complicado, engessante e frustrante – além de impossível – tentar fugir de tudo o que fere qualquer ser vivo neste mundo, neste tempo.

Sou bem-estarista, sim, porque sei que não se obriga a mudança de hábito só com palavras – agressivas – ou lógica incompleta e o despertar de consciência varia de caso a caso, de pessoa a pessoa. Se pessoas e animais de estimação vão continuar a consumir carne – meus gatos jamais serão vegetarianos -, leite e ovos, não importa o argumento, que seja em menor quantidade e de animais que tiveram a oportunidade de viver o melhor possível.

Os problemas do planeta não estão somente ligados ao que se come, mas como e quanto se come. A quanto e como se consome. A quanto lixo se produz e a destinação que se dá a ele. À quantidade de energia elétrica e água consumidas e desperdiçadas. Aos produtos cosméticos e de higiene que se usa e quais as consequências desse uso ao meio ambiente. E, também, à quantidade de amor e solidariedade que se tem pelo próximo. Minimizar tudo a poucos culpados é simplista e preguiçoso e é a cara da Marina Silva, além de dar a falsa ideia de que se está fazendo a coisa certa e toda a parte que lhe cabe neste latifúndio quando se torna um vegan extremista. Ao vegan extremista tem faltado empatia ao seu semelhante, o que causa mais conflito e rejeição do que traz soluções.

Primeiro ano!!

Contra todas as apostas e “conselhos” recebidos, hoje faz um ano que eu estou vegetariando – pescetariando, às vezes e cada vez menos.– Garçons têm sido muito legais comigo – já ganhei salada de fruta numa festa, porque eu não estava comendo nada! – e, apesar de algumas pessoas que insistem em ser chatas, a maioria é bem legal.

10527822_788712341150159_5334053760951403710_nAs chatas!

Diminuí muito os laticínios e, assim que o frio passar e eu estiver menos preguiçosa, vou tentar fazer em casa os leites, manteigas e queijos vegetais. Se eu estiver menos “dura”, posso até comprar!!

Ainda não estou preparada para ser “vegan”, simplesmente porque não quero ficar louca. Aqui, em Itaúna, não tem nenhum restaurante vegano e se achar uma opção ovolactovegetariana no cardápio, jogue suas mãos para o céu. Como onde tenho opções do que comer e não vou ficar perguntando se o macarrão do bar do Sandoval é com ovos ou deixar de comer o caldo de abóbora feito separadamente para mim, sem bacon, mas que levou creme de leite. Não rola fazer desfeita. Não rola ficar mais segregada que o meu normal. Em casa, posso ser o que eu quiser. Na rua, ainda tenho que me adaptar, que fazer concessões. Não me julgue mal, eu faço o social tão pouco que mal compromete meu propósito.

De toda forma, parabéns para mim. Um ano de esforço, sem sacrifício, aprendendo a comer vegetais.

E para quem insiste em perguntar sobre bacon, eis a resposta:

bacon“Bacon não precisa vir do porco” Tenho fumaça líquida e ele pode vir de onde eu quiser!!

Para outras insistências idiotas, respostas aqui (em inglês – use o Google Tradutor ou não seja idiota!)

Radicais livres

Existem pessoas chatas aos montes. Se calhou de alguma delas ser vegana ou carnista, ateia ou evangélica, petista ou tucana, atleticana ou cruzeirense, calhou de se ter um radical chato de espécie específica. Daí falar que veganos/carnistas/ateus/evangélicos/petistas/tucanos/atleticanos/cruzeirenses são todos chatos; xiitas; pessoas que têm que impor a você verdade delas, senão não sossegam; segregadores ou qualquer outra porcaria deste tipo, bem, é uma boa pernada de distância. Generalizações não costumam ser coisa boa.

Tenho conhecidos – amigos de FB – radicais. Excluí, recentemente, uma pessoa tão absurda, que me deu preguiça. Excluo, também, quem ameaça excluir quem discorda. Já tomo a iniciativa. É claro que eu adoro pensar que estou certa, mas não me importo em ver opiniões contrárias às minhas, desde que se apresentem com carinho, sem chutar minha porta e enfiar o dedo na minha cara. Eu não me imponho e não aceito quem se impõe a mim. E, assim, convivo bem com carnistas, petistas, evangélicos e cruzeirenses, assim como com seus opostos, desde que todos bem educadinhos.

Opiniões cansam, às vezes, mas também contribuem com nosso crescimento pessoal, com nossas certezas, com o surgimento de dúvidas. Mas há opiniões que de tão imbecis e hipócritas e infundadas e irreais e desrespeitosas me dão nojo. Walcyr Carrasco teve a manha de fazer tudo isso ao mesmo tempo e mais. Para defender o seu carnismo, o cara usou Hitler como argumento. Pronto. Apelou, perdeu. Como se precisasse chegar a este ponto para perder. Sinceramente…

Vegetarianos estão certos, por N motivos, na forma de pensar e agir. E é por isso que incomodam tanto, a ponto de ter tanta gente pregando contra, criando “argumentos”, brigando, sofismando, se sentindo julgado. E é por isso que tanta gente tenta se tornar vegetariano. Eu, entre elas.

A ética com todas as espécies, o fim do especismo, o fim dos criatórios cruéis, o fim do uso de um ser vivente e senciente como produto de consumo ou de teste, tudo isso é correto. Não há argumentos que consigam colocar nada disso em cheque. Tente! O máximo que você vai conseguir é citar os leões, a cadeia alimentar, a evolução da espécie, o sentimento do alface ou chegar a um “Hitler era vegetariano!”. E vai errar em cada um dos argumentos.

vegan-sidekickComer carne não é uma necessidade há séculos, mas é um costume há milênios. O consumo de produtos de origem animal, hoje em dia, é uma compactuação com a dor, o sofrimento, a crueldade, a exploração, a escravização de seres vivos, além da degradação ambiental, através do desmatamento e do efeito estufa. É desumano. Sim, é gostoso e a feijoada vegana jamais estará aos pés de um pezinho de porco. Ok, mas eu não vivo de acordo com o que é gostoso, não sou hedonista nem sei se cabe sê-lo neste planeta. Optei por abrir mão de um prazer – que é só o que comer carne é – por aquilo que é ético e permanente. O prazer passa. Comida, daqui há umas poucas horas, vira merda – quando não colesterol, diabetes, câncer. Seu lindo sapato de couro, que dura mais do que o sintético, daqui a pouco cai de moda e vira lixo. Você, daqui a pouco morre e vira necrochorume. Mas o planeta permanece e seu rastro por ele permanece por um bocado de tempo.

Eu quero deixar um rastro pequeno, mesmo com um atraso de 40 anos. Eu nem tenho descendentes com os quais me preocupar e, mesmo assim, quero deixar um planeta vivo e saudável. Isso é o que minha consciência me pede. Já as dos outros, bom, os outros é que deverão lidar com elas, então… Só acredito que se sua consciência estiver carregada, como a do Carrasco, repense seus conceitos em vez de apelar.

Nota: Hitler, antes de qualquer coisa, era ser humano. Ou seja, se for comparar, f*deu pra geral!

Síndrome do Amigo Interno da Faculdade do Billy

Para quem não sabe, a S.A.I.F.B. é um transtorno de intolerância que faz com que pessoas que parecem tão normais e bacaninhas se tornem monstros quando se discorda delas. A S.A.I.F.B. é caracterizada pelo discurso: “como você ousa ser diferente?! Qual é?! Meu estilo de vida não serve, é?!”

Talvez alguma universidade americana, com o aval do Mark-zinho, esteja estudando este comportamento via Facebook. Eu, pelo menos, estou. É muito comum manifestações de ódio em questões religiosas, políticas, futebolísticas, animais e randômicas.

O tema mais interessante de se observar, hoje em dia, é veganismo x onivorismo. Ah, esses “ismos” maravilhosos e seus adeptos brigões!!

Entre sofismas maravilhosas como “se você ama um, por que come o outro?” e “sua hipócrita! Está provado que alfaces têm sentimentos” ou, um ótimo que vi, ontem: “veganos são sempre a favor de aborto, mas são contra a cadeia alimentar!”, pérolas cada vez mais brilhantes de sabedoria (#SQN) provam que isso é tudo bobagem. O importante é a Natureza exterminar essa corja toda e acabar logo com essa e qualquer outra discussão.

Screen-Shot-2014-07-05-at-8.14.01-PMAcho sensacional como pessoas que nem sabem do que estão falando falam com tanta propriedade! <3

Eu tento ser vegetariana estrita. Estou indo bem na minha tentativa. A maioria das pessoas é ovolactovegetariana por muito tempo antes do passo final, rumo ao veganismo. E faço isso por mim, pelos animais e pelo planeta. Minha consciência está tranquila, meu corpo está bem e o dedo médio fica em riste com bastante facilidade para as pessoas bacanudas que tentam me desestimular ou começam o discurso sobre alface e seus sentimentos mais profundos.

Em contrapartida, eu deixo você ser onívoro, sem nenhum discurso, sem nenhum julgamento. Sei da dificuldade de se libertar do status quo e sei que há pessoas que simplesmente não se importam. E, assim, cito, mais uma vez, o grade pensador contemporâneo Zeca Pagodinho: “cada um com seu cada um. Deixa o cada um dos outros.”

Não adianta insistir e impor sua verdade. As pessoas – isso inclui a mim e a você – hão de aprender, mesmo que seja aos poucos, em passos lentos, o que é certo ou errado pelo único ponto de vista que importa: o do planeta. Se não for assim, ou se estiver lento demais, a Natureza há de ensinar. Ela é ótima nisso!

Saiba mais sobre a S.A.I.F.B., clicando aqui. A partir de 9:27.

Querida soja #SQN

Eu juro que tentei, mas soja não desce.

Marido, que diz que apoia meu vegetarianismo, mas não faz nada além de virar os olhos, fazer piada e implicar, disse que sou péssima vegetariana, porque eu não gosto de vegetais.

vegetaisCamiseta fofa que ele comprou…

Se for seguir o lema da campanha “se ama um, porque come o outro?”, não gostar de vegetais é meio caminho andado. Se não gosto, eu como sem dó, sem culpa. Nhé… Não é bem assim. Eu tenho sério problema com cheiro e textura. Vegetais têm texturas engraçadas. Tipo, cenoura é legal. Se ralada, é menos legal. Cozida não é nada legal. Nada.

Enfim, ser vegetariana, para mim, não é fácil porque minhas opções são muito limitadas. Sem leite e derivados, a coisa fica ainda pior. Mas… Como disse alguém, em algum lugar, meu sacrifício é pequeno perto do dos animais-alimento. Então, na minha busca desenfreada por comida – porque sou uma morta de fome e um poço sem fundo -, fui desencavar sites veganos.

Achei o Casa Veg, com preços razoáveis – melhores do que dos outros sites que pesquisei – e opções. Comprei alguns itens para experimentar. O atendimento foi rápido e os produtos vieram embaladinhos e chegaram bem. Recomendo.

vegAchei alfarroba bem ok, acima da expectativa. Bala de agar caiu no quesito textura estranha e não me serve. Os cookies Mãe Terra eu já conhecia e os adoro! Ganhei chocolatinhos! Mas o que eu mais queria experimentar era a salsicha de soja. Tanto, que fiquei com medo da decepção e fui primeiro nas almôndegas. Agora, tenho medo das salsichas…

O cheiro de tofu me embrulha o estômago. Detesto. Apesar disso, dias atrás, comprei uma linguiça de tofu e foi razoável, deu para comer. O cheiro, eu abstraí. Tudo certo. Já a almôndega, mesmo sendo de soja e milho – e, não, de tofu – tem muito cheiro. Muito. Mesmo. Eu simplesmente não consegui lidar. Até experimentei. Mesma textura da linguiça do outro dia, mas o cheiro… Minha esperança é que as salsichas sejam melhores, já que salsicha de lata não vegana é quase tudo soja…

Uma pessoa comentou que os produtos Batavo de soja, da linha Naturis, são gostosos e não lembram em nada produtos de soja. Vou testar. Se não der, soja está fora da minha dieta.

Eu vou ter que me adaptar a comer verduras e aprender a fazer pratos veganos saborosos, sem imitações de carne. Por enquanto, é a única saída. Se não der, volto pra BH. Há restaurantes, lanchonetes e entregas de marmitex veganos, por lá, que me fazem salivar toda vez que postam no FB! Há esperança. Sempre.

Origami

Carol Gerber* disse que corações são fortes, não se quebram, só se dobram. O meu é um origami detalhado. Não sei se desamarrota algum dia.

Estou protovegetariana. O que quer dizer que ainda não sou vegetariana, mas vou ser.

Depois de um tempo, não há espaço para voltar, a opção é ir em frente. Eu não sou o Roberto Carlos, sou decente.

Não tolero mais cheiro de carne. Nem gosto de tocar nela. Se antes eu poderia muito bem passar um bife pro marido, agora eu saio da cozinha quando ele o faz. Não é frescura, é dor.

Dói, porque eu sei como esse “bife” viveu antes de virar almoço. Marido diz: “mas no Brasil não é assim. O gado é criado solto. Não há confinamento. E a morte é rápida”. É o nível de abstração dele, não tenho o direito de ir contra. Ainda mais, porque uso essa mesma abstração para continuar consumindo laticínios. Por enquanto…

A maioria das pessoas come carne porque faz questão de ignorar todo o processo. O “produto” chega suculento ao prato delas. Se elas soubessem os bastidores, não comeriam. Mas não sabem e, se sabem, abstraem pela gula. E não estou falando de degolar uma galinha, enquanto o corpo, sem cabeça, sai correndo. Estou falando de qualidade de vida do animal, de doenças, de remédios, de higiene, de armazenamento, de “maquiagem”, de preparo. A morte, para mim, é o menor dos problemas. Morrer faz parte. É todo o resto, é toda a “indústria do alimento” que me aterroriza.

E pior do que a indústria do alimento, hoje em dia, é a indústria da moda. Isso inclui vestimentas, cosméticos e essa poha toda que as pessoas usam para tentarem ser bonitas.

Os testes cosméticos têm sido banidos em lugares decentes. A China, sempre ela, insiste. Não entendo o porquê, além de por sadismo e desrespeito. Teste em animais não me impediram de ter alergia à Avon. Eu não sou um coelho. Ele não me representa.

Não me venha alegar que não há alternativas aos testes. Há. Muitas. Basta procurar – dá um Google aí.

Não me venha dizer que, mesmo que eu compre Natura, que não testa em animais, nada impede que o fornecedor da Natura faça os testes. Isso não é argumento. Baixar a cabeça para a violência, porque combatê-la parece impossível, nunca foi saída. Eu tento.

A saída talvez não seja assinar petições, mas eu as assino mesmo assim. Fazer pouco é melhor do que não fazer nada e criticar quem, pelo menos, faz algo. A saída talvez não seja o boicote às marcas que usam animais de alguma forma, já que é praticamente impossível se livrar delas – até absorventes higiênicos são testados em animais. E pra quê?!

A saída é, sempre, a conscientização. A saída é o amor.

No Facebook, tenho seguido a página do Anti-Fur Society. Acho que eles erram na abordagem. Eu fico chocada, escandalizada, aos prantos com algumas postagens, mas eu não uso peles – ou qualquer tipo de couro, seda ou lã -, eu não sou o alvo. O alvo nem olha e, ainda, reclama da violência das imagens. Às vezes, os membros da Anti-Fur são agressivos e infantis, mas eu tento entender. Impotência e horror destroem camadas de racionalidade. E o que se tem visto por aí é de se duvidar da razão, é de quebrar o mais forte dos corações.

Mas o problema deste mundo são os corações fúteis, frios e duros.

Não vou ilustrar este post com imagens chocantes, não vou falar sobre chineses ou sobre caçadores. Você tem direito ao seu nível de abstração. Mas vou pedir, por favor:

Diga não ao uso de peles, mesmo as “faux”. Tem muito gato, cão e lebre sendo vendidos como sintéticos, porque são mais baratos, já que matar e esfolar não requer tecnologia. Um dos ratinhos dos meus gatos é feito de pele natural – descobri isso um dia desses… Animais sofrem muitíssimo para enfeitar roupas e acessórios. Isso não é certo.

 anti-furVocê pode viver sem minha pele. Mas eu, não.

E, na medida do possível, se liberte das abstrações. Eu sei que viver neste mundo não é fácil, não mesmo. Mas só é tão duro, porque há gente demais usando venda. Quando as pessoas se libertarem do medo, da preguiça, do comodismo e da vaidade besta, o mundo terá uma chance. E eu queria muito de ter a chance de ver isso acontecer…

* Personagem em Corações na Atlântida, do Stephen King. Amei o livro.

A Ceia

Há “milianos”, escrevi um “conto de natal” para um amigo vegetariano-chato! Sim, destes que passam por açougues gritando “assassinos!”. E ele odiou meu conto, disse que passei dos limites. Pode ser. Mas, vendo esta imagem, hoje, numa página de vegetarianos, me lembrei do conto. Deixo para você descobrir se passei de algum limite!

papeis-invertidos

A Ceia

 

Os primeiros raios de sol saudavam o novo dia. Amanhecia na fazenda do Nhô Lau.

Um silêncio suspeito pairava no ar; o galo não cantou, o bebê não chorou. “Sorte”, pensou Lau, “hoje levanto mais tarde”. Infelizmente, Lau levantou-se tarde demais.

“AHHH!!!”, gritou a negra Naná do quarto do bebê. Ele não estava no berço. Logo descobriu-se que nem em lugar algum da casa.

“AHHH!!!”, gritou Tiãozinho do celeiro. Os bichos haviam sumido. Não restou umzinho sequer para contar estória.

Estava explicado, assim, tamanho silêncio naquela manhã. Mas como explicar esses sumiços? O que teria acontecido durante a noite?

Algo estranho e sinistro, definitivamente. Os bichos da fazenda haviam se reunido no celeiro assim que todos na casa foram dormir. Mais um Natal se aproximava e Porco e Peru conseguiam prever o futuro trágico. Mas, se tudo desse certo, este ano seria diferente.

Convocaram a reunião já tendo em mente exatamente o que fazer. Só precisariam da ajuda dos outros bichos.

Na tentativa de evitar a ceia de Natal com leitão à pururuca e peru assado, as futuras vítimas decidiram sequestrar o bebê de Nhô Lau e Rosana para tentar um acordo.

E assim foi feito. Lalauzinho fora levado de seu quarto para uma gruta nos arredores da fazenda. Com ele, foi toda a criação de Nhô Lau. Os bichos se ajeitaram e acomodaram a criança, mas estavam ansiosos pelo fim do sequestro para, enfim, poderem voltar para o aconchego de seus lares.

Porco e Peru voltaram à casa no cair da tarde para a negociação. Mas algo saiu errado; nem Nhô Lau ou Rosana, nem Naná ou Tiãozinho conseguiram entender o sequestro e seu objetivo. Ninguém ali falava a língua dos bichos. Os bichos não falavam a língua dos homens. E estes, famintos e cansados de chorar e de procurar por Lalauzinho, resolveram comer um dos sequestradores no jantar. Prenderam o outro, para não fugir de novo.

Sem notícias, os outros bichos foram voltando à fazenda para ver o que havia acontecido. Quando descobriram o trágico destino do Peru e do Porco, o do Peru ainda mais trágico do que o do Porco, houve revolta geral.

Para a alegria da família, decidiram devolver Lalauzinho. Vingança é um prato que se come frio, é o que dizem. A dos bichos seria comida na ceia.

Véspera de Natal, Naná se preparava para o sacrifício do Porco, quando… “AHHH!!!”, gritou Rosana do quarto. Lalauzinho sumira de novo. Os bichos, também. Inclusive o Porco, resgatado por eles.

Desesperados, Nhô Lau e Rosana não quiseram saber de ceia. Este ano não haveria a comemoração do Natal a menos que Lalauzinho aparecesse.

E Lalauzinho apareceu. E houve uma bela ceia. Preparada pelos amigos do Peru. Mas nem Nhô Lau nem Rosana, nem Naná nem Tiãozinho a quiseram comer… No centro da mesa, Lalauzinho, já frio, mais que pronto para ser servido.

Moral da estória: não coma o filho de alguém. Tenha um Natal vegetariano.

P.S.: sou vegetariana, mas acredito no livre arbítrio. Seria lindo se o mundo me acompanhasse, mas não exijo, aliás, não peço isso a ninguém. “Cada um com seu cada um” é meu lema.

Uma semana boa

Semana danada!

Começou com coleguinha de trabalho nova! Realizando o sonho de tê-la conosco!! Espero que ela goste da agência tanto quanto a agência gosta dela!!

Terça, tivemos que ir à BH. Aproveitei para comer hambúrguer, no Eddie, para matar vontade! Que delícia de hambúrguer de soja! Nem acreditei que o fosse! Valeu cada caloria e cada centavo! Muito bom!

Depois de alimentar o corpo, fui alimentar a alma. Comprei uns livros, inclusive o Manual Prático de Bons Modos em Livraria, e fui ultra-bem atendida pelo livreiro. Coisa linda!

Quarta, fomos fazer happy hour no Gula e Gole. Quanto tempo fazia que eu não bebericava com os amigos durante a semana! Foi muito muito bom! O atendimento, a comida e a caipiríssima estavam excelentes! Vou querer repetir a dose mais vezes.

povo-lindoEta, povo desfocado!!

Quinta, apesar do soninho, fiz trabalhos bacanas para clientes bacanas! Tão bom trabalhar para quem aprecia o trabalho da gente!

Hoje, o dia começou com brigadeiros! E bolo de cenoura! E foi um dia daqueles que passam rapidão, de tão bom que estava!

Semana que vem tem sessão de fotos de comida!! E FIQ!!! E feriado!!!!