2015, seu lindo!

Primeiro, quebrei a cara – figurativamente. Depois, o tornozelo – literalmente e em 4 lugares. E o coração, em mil pedaços. Agora, o computador. E, mesmo assim, até agora, 2015 tem sido um ano melhor do que os últimos. Sou sofrida, viu?! 😳

Desapego

Se eu ajudo uma pessoa que, por exemplo, caiu na rua, eu não espero por um “obrigado(a)”. Eu espero é que a pessoa não tenha se machucado, mas se se machucou, que não seja grave, que esteja bem.

Se eu dou um presente, eu quero pouco: mostrar presença. Claro, quero que agrade. Mas só. Dei, tá dado. Não espero agradecimento eterno, uso, demonstração pública de que gostou. Não ameaço pegar de volta porque a pessoa não mostrou consideração que eu espero pelo meu gasto com ela.

Se eu faço um favor, eu espero que favoreça. Não quero que a pessoa me cobre pelo favor e, em contrapartida, não vou cobrar gratidão ou reconhecimento. Faço direito, faço no meu tempo, faço até obrigada, mas, depois de feito, foi-se.

Se eu dou uma ideia e a pessoa se sai brilhantemente com ela e cria algo lindo, bom e/ou útil a partir do ponto de partida que eu dei, eu não espero por crédito ou aplauso. Eu dei, não vendi, a ideia. Dei, não emprestei.

Se eu tenho um amigo que não vem me visitar num momento de infortúnio, que não está ao meu lado quando estou pra baixo, não me dá a mão quando eu mais preciso, ele não deixa de ser meu amigo. Ele só deixa de ser um amigo com o qual eu conto para esse tipo de coisa. E tudo bem. Nem todo mundo tem preparo para os maus momentos. Eu não tenho. Nunca sei o que dizer, quando abraçar, o que fazer. Vou cobrar que meus amigos sejam o que eu não sou?! E, mesmo que eu fosse, cobraria que eles sejam iguais a mim?!

O nome que eu dou a isso é “desapego”. Algumas pessoas diriam que é maturidade, mas eu sempre fui assim e nunca fui madura. Acredito que seja desapego, porque eu não me agarro aos meus feitos, presentes, ideias. Não fico na mesquinha expectativa de agradecimentos e paparicos. Ninguém fica em dívida ou em crédito comigo. Não espero que o mundo conspire a favor porque eu fiz o bem. Eu o faço sem esperar retorno pessoal.

E como parto do pressuposto de que as pessoas ajudam, dão coisas, fazem favor, são amigas porque querem e porque tudo isso é muito bom, não me sinto na OBRIGAÇÃO de retribuir. Mas retribuo, valorizo, reconheço, fico feliz e, algumas vezes, faço questão absoluta de deixar isso claro. Mas nunca, eu digo NUNCA, quando me cobram. Quem me exige reconhecimento/retribuição me perde.

Curtinhas

Desapegando.

Segunda-feira, depois de subir no telhado (num banco, desta vez) pra pegar um gato, não conseguir e acabar toda unhada e mordida, decidi doar meus netos. Não por causa de mordidas e unhadas, porque isso faz parte. Gatos são gatos. Mas pelo telhado. Não dou mais conta de viver com medo. Se não tenho solução pra minha vida, agora, preciso dar solução pras vidas deles, já que são minha responsabilidade.

Anunciei no Facebook. Inúmeras pessoas compartilharam. Pouquíssimas pessoas se interessaram. É a síndrome do gato adulto. Seis meses já é velho. Até o Zach, o gato mais lindo/doce/meigo/peludo de olhos azuis desta vida, não teve mais do que uma pretendente.

Gente, gato adulto é gato com personalidade definida. Você adota sabendo que não gosta de colo, que prefere água na pia, que não gosta de patê, que ama carinho na barriga. Mas, enfim, sábado entrego os adotados nas respectivas casas para adaptação. Coração mais humilhado do que uva passa.

Querido Doutor.

Meu relacionamento com Dr. Bonitão evoluiu de paciente/médico para cliente/designer. Tudo por conta da minha crítica ao receituário dele: coisa mais feia e sem sentido. Ele pediu umas sugestões (cliente típico) e eu falei que faria um novo. E assim como nas consultas, quando eu mostro o pé e a mão da pessoa chega fácil ao joelho, eu mostrei o receituário e ele já quis cartão! Não reclamo em nenhuma das duas situações. Primeiro, porque são boas mãos. Segundo, se fazer toda a papelaria dele me libertar da visão do receituário atual, tudo é vantagem.

Compras online fail.

Estou num relacionamento longo e ruim com uma loja online de vestidos vintage.

Eu queria um vestido “meio anos 50″ antes mesmo de quebrar a perna. Quebrei, fiquei de molho e meu primo, a pessoa mais “antiga” que eu conheço, me passou uns links de lojas retrô. Lá fui em busca do meu vestido sonhado. Entre duas, escolhi uma com mais opções lindas.

O prazo era de 8 dias para o envio, mais o tempo dos Correios. Isso, foi em abril. Chegou um mês e meio depois. E nem eram lindos. Um deles, o da minha tia, ficou enorme e pedi para trocar. Isso foi em maio. Até hoje, nada do vestido.

Tive problemas com uma loja de óculos retrô. Falta de educação do vendedor. E tive problemas com a Granado, porque meu CPF está cadastrado, lá, não sei como nem porquê, e só posso comprar por esse cadastro desconhecido. Faz duas semanas que espero não somente uma solução, mas um contato.

Acho que esse povinho vintage ainda não sabe utilizar internet. Mas poderia ter, pelo menos, o atendimento vintage. As pessoas eram atenciosas, antigamente.

Adote um Ronrom.

A Manu Cunhas desenha lindamente. Adoro o trabalho dela e fiquei felizona quando ela anunciou que estava tentando um projeto no Catarse. Todos os lindos desenhos da página Adote um Ronrom num livro lindo! Claro, apoiei! Ainda mais que 25% da arrecadação vai pra ONG.

O projeto já alcançou meta, mas ainda é possível apoiar até 26/07/2015, às 23h59m59s! Recomendo!

Captura_de_tela_2015-06-11__s_13.32.20

Guerreira

Na minha penúltima consulta com Dr. Bonitão, por absoluta falta do que falar, ele me chamou de “guerreira”. Pessoas têm feito isso em excesso… Eu já disse o quanto eu odeio isso? Não?! Eu odeio.

Não sou sobrevivente de guerra ou de câncer, não enfrento preconceito racial/social, não tenho sido estuprada, não fiz colostomia, não perdi um pedacinho sequer de mim. Eu só quebrei a poha do tornozelo! Eu não lutei por nada. Eu só esperei colar de volta (sentada, em casa de vó, sendo cuidada por ela).

E a colagem está em andamento. 90%, eu diria. E vou encarar a artroscopia e a retirada dos pinos malditos (só três, dos onze), no final de agosto/começo de setembro. E dá-lhe mais licença médica.

Tem sido um saco? Tem. Dói? Sim. Eu ando direitinho? Nhé. E dependo dos outros, yada yada yada, já resmunguei o suficiente sobre isso. É tudo chato, sim. Tenho tentado encarar com bom humor, sempre que deixam, mas me chamar de guerreira é desmerecer as guerreiras de fato que estão por aí. É, além disso, uma abertura para que eu me sinta mártir e me ache em direitos, por aqui. Não me acho, mas… Melhor não bobear…

Outra coisa que odeio é pessoas me dizendo “eu chutaria o gato que me fizesse isso” sempre que contam “meu caso”. O gato não me fez nada. A escada me fez, eu me fiz, mas o gato foi só gato. E, mesmo se tivesse feito, não se chuta gato. Nunca. Por motivo algum.

E, ó, não me arrependo nem por um segundo do meu acidente. Se Cristo tivesse ido embora sem que eu sequer tentasse fazê-lo ficar, eu jamais me perdoaria. Minha tentativa foi um fracasso retumbante e lá se vão 5 meses de recuperação, mas foi uma tentativa. Eu não desisti dele e estou tranquila quanto a isso.

“Por causa de um gato, Pat?”. É. Por minha causa e por causa de um gato, um gato que eu amo, um membro da minha família.

Vamos agradecer

Agradecer:
Mostrar gratidão:
1. remercear, regraciar, penhorar, gratular, gratificar, reconhecer.

Recompensar um gesto ou atitude:
2. remunerar, recompensar, retribuir, compensar.

Família. A definição da minha é: um monte de gente que é obrigada a se dar bem, mas não se dá.

Minha adorável tia começou um mimimi de que eu sou mal agradecida. Então, vou começar a sessão “eu agradeço”:

Primeiramente, agradeço a essa tia por não ter querido ser minha fiadora no apartamento que eu alugaria em dezembro. Já estava tudo combinado, mas houve uma mudança na lei e o fiador sairia perdendo até a casa, em caso de calote do fiado. Como, aparentemente, não confia em mim, ela descombinou e alegou que havia pedido, enfim, o apartamento da minha avó e que o locatário iria sair em 27 de dezembro. Eu disse que preferia não esperar até dia 27, que preferia pagar mais caro e ir embora de onde eu estava. Mas era pura frescura minha! Claro.

Passei um mês de m*rda em Itaúna, praticando bravamente o exercício da tolerância. Dia 23 de dezembro, antes que a Olívia parisse, catei algumas coisas, dois gatos, e fui pra casa da minha avó, para esperar o apartamento vagar. Vagou? Até hoje, não. Vai vagar? ¯\_(ツ)_/¯ Se depender dos envolvidos, nunca.

Portanto, agradeço à minha tia eu não ter casa até hoje e todas consequências disso. Obrigada. De coração. Quebrar o tornozelo, depender dos outros, não ter meu espaço, minhas coisas e quatro dos meus gatos comigo e nem emprego, tudo isso tem sido sensacional. Uma experiência e tanto! Preferia que fosse tudo ao contrário, mas, hei, é dia de agradecer!

Agradeço ao meu pai por não falar comigo há três meses. Me polpa de mais aborrecimentos. Agradeço a ele por ter tomado frente no cuidado dos gatos, quando quebrei o tornozelo, mesmo tendo feito tudo ao contrário do que eu recomendei. Os gatos estão obesos por excesso de patê; têm saído de casa, porque ele se recusou a colocar as telas que eu pedi (e pagaria por elas) e, qualquer dia, algum não volta mais; Cristo se foi, mas, hei, é dia de agradecer!

Agradeço a minha avó ter me deixado ficar na casa dela e por cuidar de mim, do jeito que ela dá conta, desde sempre.

Eu deveria agradecer a meus fisioterapeutas, meu médico, as pessoas queridas que torcem por mim, a meu primo, pelas caronas. E agradeço, reconheço, retribuo e/ou remunero sempre. Mas, sinceramente, eu preferia não dever nada a ninguém. Preferia não ter motivo pra isso, mas só porque sou mal agradecida.

Perdida

Ando de muito bom humor. Meio porque ficar de mau humor não ajuda nada, meio porque minha nova persona tem tanto apelo, que sou obrigada a manter a pose. E estou gostando disso.

Quando me atraso ou não vou à fisio, o pessoal reclama. Faço falta! Dizem que meu “astral” é tão bom, que motiva. Eu, como agente motivacional!! Quem diria?! Tudo bem que Verinha, minha colega lutadora, seria uma pessoa extremamente alegre com ou sem mim, lá. Mas gosto (e acredito) do carinho e reforço positivo. A ideia de que eu sou de bem com a vida me deixa de bem com a vida. Nem que seja por obrigação. E, em retorno, todo mundo me apóia e torce por mim! É lindo!

Mas se o humor está bom, a paciência está curta. Gente azeda, resmunguenta, reclamona e mal-humorada (tipo meu antigo eu) me cansa fácil. Me afasta. Não quero pegar ranço. Não quero me contaminar.

Só que nem tudo são flores. Apesar de alegrinha e evitando a fadiga, ando meio sem rumo. Trabalhar e manter vínculo com um ex que faz tudo do jeito dele (do jeito que eu acho errado e que está dando errado), me incomoda. Depender disso para pagar minhas contas me deixa tensa. Tão tensa, que ainda não tenho casa. Já ando, já poderia estar caçando meu rumo, mas não estou confiante de poder arcar com as despesas de mulher cheia de gastos e gatos. E, assim, gatos e coisas que me fazem MUITA falta continuam espalhados por aí.

Eu tinha planos de emancipação para este ano, no entanto, não consegui colocar nenhum para funcionar. Quebrei a perna e me perdi. Perdi o foco. Sei que já passou da hora de eu retomar as rédeas e seguir, mas é tão difícil! Vira um ciclo vicioso: não cuido dos meus projetos por falta de um espaço meu e não tenho um espaço meu porque não cuido dos meus projetos.

Acho que estou precisando de um agente motivacional – munido de bússola – na minha vida. 😉

o_o

E aí que aconteceu, enfim. E, primeiro, eu fiquei assustada. Depois, encantada. E já ia partir para o revezamento assustada-encantada quando resolvi que eu deveria contar pra alguém. Um só alguém. Escolhi, ponderei, esperei quase uma semana. Contei. E a resposta foi tipo:

“Poxa… Pelo menos você está viva. Se pega nisso. Bjo.”

Que porcaria de resposta é essa?! Resolvi contar pra mais uma pessoa. E ela disse algo como:

“Nossa… Se você souber o quê está fazendo, pode ser legal, né?! Mas não quero me meter nisso, tá?”

Tá. Mais uma?!

“Nossa Senhora!!! Que notícia incrível!!! Você sabe o que fazer?! Não?! Então, primeiro você…” E me passou o manual completo de ações e reações. Incrível.

Pois é. Decidi que isso vai se tornar meu pequeno segredinho. Já compartilhado com três pessoas, é claro. Mas, dependendo de mim, morre aí. Achei que era quase banal, mas, pelo visto, é intenso e incômodo. Pelo menos, agora, eu estou somente assustada!

Homens de branco

Em 2012, depois de uma série de experiências estranhas com médicos, escrevi um post reclamando da classe. Acho que não generalizei, só citei casos, mas teve médico ofendido.

Ainda acho que tem MUITO picareta no ofício, muita gente que não sabe lidar com gente, muita má vontade, muito prepotente exercendo a medicina por dinheiro, pura e simplesmente, e ainda acho que não é profissão que caiba nada disso. Mas… Quebrei a perna.

E quebrar a perna me me tornou simpática à classe, já que me fez reparar em coisinhas chatas à beça que os médico enfrentam. Tipo, o valor que a UNIMED BH paga numa consulta, por exemplo. R$ 70,00. “Por 15 minutos?”, pergunta você. Às vezes mais, às vezes menos do que 15 minutos. E, de toda forma, é pouco. Tirando os impostos, dá uns R$ 40,00. O sujeito precisa de muitos 15 minutos para fechar as contas no fim do mês.

E tem os palpiteiros. Ah, os palpiteiros me irritam! Já ouvi desde “que falta de capricho do seu médico pra dar pontos” – porque, né?!, ele poderia ter feito uns pontos cruz, mas preferiu só suturar, mesmo – a “pela minha experiência em medicina, ele colocou a placa no lugar errado” – e a pessoa nem sequer vai a médicos para ter qualquer experiência em medicina. E se o osso quebrado não é o lugar de por a placa, onde seria? Melhor nem perguntar… E tem ainda as recorrentes: pra quê tanto pino?, por que não tirou os pinos ainda?, por que ele te deixou tanto tempo sem andar?, por que você não vai a outro médico?

Pois é… Todo mundo tem opinião – geralmente, contrária à do médico -, todo mundo sabe muito, muito mais do que ele, todo mundo quer encontrar alguma culpa pro cara, nem que seja estética. Mas eu sei o porquê de tanto pino e o porquê deles ainda estarem aqui e o porquê deu ter ficado de molho por dois meses e, por isso, continuo indo ao médico que fez tudo direitinho e tem boa vontade de me explicar tudo direitinho. Eu respeito o doutor e ele me respeita. Para mim, está de bom tamanho. E quem está sempre achando ruim, que procure uma segunda opinião.

P.S.: “e ele tem doutorado?” Ah, me poupe!

P.P.S.: pessoa continua mancando, mas o tornozelo deu o ar da desgraça e começou a doer. Meu médico faz milagres, mesmo!

Meu pé esquerdo

_ Ei, Pat. Já tá andando?
_ Tentando.
_ Tá andando na piscina, como eu te falei?
_ Não gosto de piscina…

Ele me olha com desprezo:
_ Você gosta de quebrar a perna? Não?! Então, você não faz só o que gosta. Dentro da piscina, o corpo fica mais leve e você solta o tornozelo.
_ Meu tornozelo não solta. Ele não está sequer mexendo.
_ É porque você está com medo da dor…
_ Não tenho medo de dor. E ele não dói.
_ Claro que dói! Quer ver?! Me dá seu pé! – ele se agacha, pega meu pé e (tenta) gira, torce, empurra. Não mexe e não dói.

(Até hoje, não tinha reparado no quanto as mãos dele são gigantescas!!)

_Tem que doer. Vem cá. Agacha. Faz assim – e ele demonstra.
_ Não tem como.
_ Tenta – tento, o que é ridículo, mas não vai.
_ Deixa essas muletas aí e anda – ando. Aleluia, irmãos! Mas ando mal e porcamente.
_ Anda olhando pra mim – com prazer. ;-P
_ Mas anda sem mancar, Pat – só rindo. Andar sem mancar com o pé imóvel?! Ah, Doutor Engraçadinho! – Para de mancar! Anda direito! – não rola.

Enquanto preenche minha ficha, ele me olha com cara de cão sem dono:
_ É, Pat. Não estar doendo me preocupa. Era para doer. Eu pus força (e eu pensando: pôs nada. Felipe põe 80kg de força, parceiro.)… Espero que você não esteja com nenhuma lesão nervosa…
_ Hahahahahaha. Três meses e meio sem andar (na casa da minha avó, sem Cristo, sem segurança pros pequenos, sem Pudim, sem Guapa, sem Pixie, sem independência, sem minhas coisas, sem sossego). Lesão nervosa é o que eu sou.
_ Tô falando do tornozelo (a cara de irritadinho dele é ótima!). Se em um mês, ele não melhorar, vamos ter que fazer uma artreoscopia, Pat. Eu não queria ter que fazer isso. Dá seu jeito de melhorar!

Darei. E meu tornozelo até está colaborando e começou a doer. Pouco, mas tem potencial para ser insuportável. E se não der:

doctorcat

(Às minhas queridas amigas ávidas por romance, este não é um terreno fértil. Dr. Bonitão é profissa e eu não consigo enxergá-lo como outra coisa, senão meu médico. Um médico bonitão – mas não demais -, com as melhores expressões faciais da vida e com as mãos enormes e macias.)

 

Plástica

Um dia desses, um cara, na fisioterapia, me perguntou se farei plástica no tornozelo. Entendi a pergunta. As cicatrizes estão horrorosas, a base do tornozelo está muito larga, por causa dos pinos, a perna está com atrofia muscular, ou seja, muito fina – mas melhorando! -. No meio do caminho, há uma depressão, causada pela necrose. O trem tá feio! Mas, mesmo feio, não penso em “arrumar” mais do que o necessário. Quero que minha perna funcione, não me importo que ela fique feia.

Em compensação, todo o resto que está feio me incomoda. A atrofia muscular não se limita à perna doente. Ela se expande por todo o corpo sedentário. A bunda cai. A barriga estufa – e cai. O peito cai. O rosto cai. Afinal, o corpo é um circuito onde tudo se comunica. A comunicação geral, hoje, é que eu me acabei.

Envelheci um bocado nestes 3 meses de perna quebrada. Hoje, se eu quisesse fazer um “mini lifting”, teria o que puxar. E se até um ano atrás eu era mortalmente contra (eu) fazer plástica – pelos animais testados, pelo risco desnecessário, pela vaidade desnecessária -, hoje, o que me impede é só dinheiro. Ainda bem!

Sem dinheiro para puxar, esticar e alisar, tenho que me contentar em tentar melhorar aos poucos. Investir em academia – farei sem preguiça, assim que me liberarem, já que aguento firme a tortura da fisioterapia -, em óleos e cremes – veganos! -, em vitaminas C e D – sol! – e tentar manter o bom humor, porque chororô envelhece anos!!

E se depois de tudo isso eu ainda precisar – subjetivamente, eu sei – de plástica… Bem… Tem cirurgião que divide no cartão! 😉