Radicais livres

Existem pessoas chatas aos montes. Se calhou de alguma delas ser vegana ou carnista, ateia ou evangélica, petista ou tucana, atleticana ou cruzeirense, calhou de se ter um radical chato de espécie específica. Daí falar que veganos/carnistas/ateus/evangélicos/petistas/tucanos/atleticanos/cruzeirenses são todos chatos; xiitas; pessoas que têm que impor a você verdade delas, senão não sossegam; segregadores ou qualquer outra porcaria deste tipo, bem, é uma boa pernada de distância. Generalizações não costumam ser coisa boa.

Tenho conhecidos – amigos de FB – radicais. Excluí, recentemente, uma pessoa tão absurda, que me deu preguiça. Excluo, também, quem ameaça excluir quem discorda. Já tomo a iniciativa. É claro que eu adoro pensar que estou certa, mas não me importo em ver opiniões contrárias às minhas, desde que se apresentem com carinho, sem chutar minha porta e enfiar o dedo na minha cara. Eu não me imponho e não aceito quem se impõe a mim. E, assim, convivo bem com carnistas, petistas, evangélicos e cruzeirenses, assim como com seus opostos, desde que todos bem educadinhos.

Opiniões cansam, às vezes, mas também contribuem com nosso crescimento pessoal, com nossas certezas, com o surgimento de dúvidas. Mas há opiniões que de tão imbecis e hipócritas e infundadas e irreais e desrespeitosas me dão nojo. Walcyr Carrasco teve a manha de fazer tudo isso ao mesmo tempo e mais. Para defender o seu carnismo, o cara usou Hitler como argumento. Pronto. Apelou, perdeu. Como se precisasse chegar a este ponto para perder. Sinceramente…

Vegetarianos estão certos, por N motivos, na forma de pensar e agir. E é por isso que incomodam tanto, a ponto de ter tanta gente pregando contra, criando “argumentos”, brigando, sofismando, se sentindo julgado. E é por isso que tanta gente tenta se tornar vegetariano. Eu, entre elas.

A ética com todas as espécies, o fim do especismo, o fim dos criatórios cruéis, o fim do uso de um ser vivente e senciente como produto de consumo ou de teste, tudo isso é correto. Não há argumentos que consigam colocar nada disso em cheque. Tente! O máximo que você vai conseguir é citar os leões, a cadeia alimentar, a evolução da espécie, o sentimento do alface ou chegar a um “Hitler era vegetariano!”. E vai errar em cada um dos argumentos.

vegan-sidekickComer carne não é uma necessidade há séculos, mas é um costume há milênios. O consumo de produtos de origem animal, hoje em dia, é uma compactuação com a dor, o sofrimento, a crueldade, a exploração, a escravização de seres vivos, além da degradação ambiental, através do desmatamento e do efeito estufa. É desumano. Sim, é gostoso e a feijoada vegana jamais estará aos pés de um pezinho de porco. Ok, mas eu não vivo de acordo com o que é gostoso, não sou hedonista nem sei se cabe sê-lo neste planeta. Optei por abrir mão de um prazer – que é só o que comer carne é – por aquilo que é ético e permanente. O prazer passa. Comida, daqui há umas poucas horas, vira merda – quando não colesterol, diabetes, câncer. Seu lindo sapato de couro, que dura mais do que o sintético, daqui a pouco cai de moda e vira lixo. Você, daqui a pouco morre e vira necrochorume. Mas o planeta permanece e seu rastro por ele permanece por um bocado de tempo.

Eu quero deixar um rastro pequeno, mesmo com um atraso de 40 anos. Eu nem tenho descendentes com os quais me preocupar e, mesmo assim, quero deixar um planeta vivo e saudável. Isso é o que minha consciência me pede. Já as dos outros, bom, os outros é que deverão lidar com elas, então… Só acredito que se sua consciência estiver carregada, como a do Carrasco, repense seus conceitos em vez de apelar.

Nota: Hitler, antes de qualquer coisa, era ser humano. Ou seja, se for comparar, f*deu pra geral!

Solteironas

Hoje mais uma amiguinha postou mais um textinho sobre mulheres solteiras e os porquês. Me abstive de dar palpite sobre o assunto, porque ela me acha agressiva (ui!), mas foi maior do que eu. Vim fazê-lo aqui. Mas, veja bem, é só um palpite, um pitaco, uma opinião pautada única e exclusivamente em minhas experiências de vida e minhas observações cotidianas. Não é um tratado, não é um estudo, não é um fato. Certo?

Então… Não li o texto até o fim, achei chato. O cara começou a analisar estatísticas e blá blá blá. Até agora, entre o texto mimizento de a culpa é da sociedade/minha mãe/dos homens e o debochado “vocês é que são chatas”, só li este último até o fim. Porque não era chato – o assunto, em si, o é.

Minha opinião: se você está solteira e isso lhe incomoda, esqueça tratados sociais e sociológicos, esqueça os psicologismos que, se ajudassem, não teria tanta gente com a cabeça f*dida por aí e parta do pressuposto que a culpa é sua. Avalie-se. Você está fazendo alguma coisa errada? Tipo, você tem saído somente com seu amigo gay, lindo e interessante, mas com o qual você não tem a menor chance e que, por ser lindo e não obviamente gay, afasta os homens que poderiam se interessar por você? Não? Tem certeza? Tem amiguinha minha, solteira, que divulgou o texto culpando os homens, que tem feito isso. Eu vejo as fotos!!

Aliás, você tem saído? Tem encontrado amigos de ambos os sexos, ido a shows, à biblioteca, a bares ou a quaisquer lugares em que possa encontrar pessoas com interesses similares aos seus? Você começa uma conversa com um homem que você acabou de conhecer falando de sua seca sexual ou sobre o fato de que você “resolveu esperar”? Você fala em ter filhos e família logo de cara? Não?! Nada errado com você, então. Ok. Agora, comece a procurar a culpa nos outros. Ou… Dane-se a culpa e siga em frente, vivendo sua vida. Um dia, acontece. Ou não. Faz parte.

Se não acontecer, em vez de ficar fungando solidão, monte uma república e vá viver com pessoas que se assemelham a você – depois de uma certa idade, não rola de ficar aturando diferenças, né? – Ou adote um cachorro, que vai lhe obrigar a dar voltinhas nas ruas e dar um up no traseiro, além de lhe amar incondicionalmente. Não quer sair? Gatos são ótimas companhias, além de quentinhos e engraçados. Caramba, quem tem bicho nunca está sozinho! Sim, sim, você passa o dia inteiro na rua e não tem tempo para cuidar de um bichinho… Entendo… Vá viajar, vá fazer serviço comunitário, vá ao cinema ou curta-se a ponto de não mais sentir solidão, porque você é excelente companhia. Faça qualquer coisa, menos compartilhar texto mimimi sobre ser solteira. #NobodyYesDoor

Valesca Pensadora

Enquanto eu estive ausente, houve uma onda de #mimimi porque um professor falou que Valesca Popozuda é uma pensadora contemporânea. E não é?

Pelas redes sociais, fico vendo o que as pessoas postam, no que elas acreditam - e, no próximo post, desacreditam – e defendem e concluo: Valesca Popozuda pensa mais e melhor do que muito conhecido meu. Ainda mais num mundo em que mulheres acham que a culpa delas estarem encalhadas é da educação que receberam/sociedade/homens, em que uma pessoa me diz: “tá ruim, mas não troco o certo pelo duvidoso” – pausa para um “oi?!”. Prefere o ruim certo ao duvidoso que não se sabe e, vá lá, pode ser até bom? – ou que as pessoas ameaçam bloquear quem discorde delas, porque, apesar delas vomitarem opinião o tempo todo, elas acreditam que “quanto mais a gente amadurece, mais a opinião dos outros se torna irrelevante”. É, tem disso.

Tem coisa que eu sou capaz e abstrair. Tem coisa que não. E, no fim, “beijinho no ombro pro recalque passar longe” é, de longe, muito mais sabedoria do que a maioria das frases feitas postadas em meme e entre aspas que se vê por aí. E mais: a música/o pensamento da Valesca representa a grande maioria das pessoas que estão online. Pessoas egocêntricas, vaidosas, sexualizadas ao extremo, “invejadas” e criadoras de novos significados – e grafias – para as palavras. Mas, pelo menos, Valesca é bem simpática.

Não culpe Valesca, não culpe o professor. Cada geração produz o pensador que a representa. Esta, produziu Valesca Popozuda. Aceite.

O que há de errado, meu povo?!

Não assisti a nenhum jogo da Copa. Por que? Porque não.

Não vou dizer que detesto futebol – e detesto -, porque Copa é outra história. Copa é meio que guerra e um tipo de guerra em que o Brasil é bom adversário. A de 1994 foi tão emocionante, tão linda, tão tudo, que tenho a final, em VHS, até hoje. Mas eram outros tempos.

Em 1994, o Brasil estava bem. A hiper-inflação havia acabado de dar adeus, se podia sair às ruas sem medo e não havia muito do que reclamar – por falta de informação, provavelmente.- Sem contar que a seleção não ganhava uma Copa desde 1970 e, pá! Ganhou.

Hoje, tudo é diferente. Muito diferente. Para começo de conversa, a Copa é na nossa casa. Para fim de conversa, nossa economia está f*dida e mal paga. E no meio dessa conversa, você sabe, tem muita treta. A Copa tem servido para anestesiar ânimos e criar clichês. “Meu protesto é nas uras”, para mim, o pior deles. Via fazer o quê? Por fogo na urna?! Eu apóio!

Li um colunista falando que o Brasil já ganhou a Copa, porque está tudo dando certo. Quem compartilhou o texto, acrescentou: “chupa, seus pessimistas!” (sic). A meu ver, o Brasil só perde e mais, a cada dia. Sou pessimista? Então tá, me conta o que deu certo? Natal debaixo d’água? A grana mal gasta? As famílias desabrigadas? Os feriados para que o trânsito flua? Os colombianos buscando abrigo em Rondonópolis, porque agência de turismo credenciada pela FIFA deu cano neles? Assaltos ou tentativas? O pessoal que se propôs a trabalhar de graça ganhando comida estragada? Ou você se esquecendo que o Brasil está em crise porque o Neymar fez gol?

Não estou em clima de Copa. Não quero que o Brasil vença. Quero, sim, nossas merdas sendo espalhadas pelos ventiladores do mundo, porque vergonha na cara é meio caminho andado.

Você tem vergoínha da geral mandando a “presidanta” TNC? F*da-se você! Ela merece. Você merece. Deveria ter vergonha do que nos coloca numa situação dessas. E nem estou falando da Dilma ou do PT, mas de tradição. Somos tradicionalmente deselegantes, mal educados, hipócritas.

Você acha que vaiar o hino chileno é o cúmulo da nossa falta de educação e que isso é um vexame enquanto nação? Sério? Já foi à Disney? Ou a algum outlet em NY? Brasileiro já tem uma fama internacional consolidada de mal educado. Fura fila, fala alto demais, tenta passar a perna, entre outros atributos que generalizam, mas descrevem bem a maioria. Somos, orgulhosamente, mal educados. Nada de macacos, mas idiotas, independente de classe, credo ou cor.

Gregorio Duvivier, aquele fofo, disse que o brasileiro não é problema, mas solução. Mas para ser solução, o brasileiro - que é o problema, sim, e dos piores, porque nem sabe -tem que se propor a mudar. Mas brasileiro é acomodado, se acha esperto, adora falar mal do país, mas só da boca pra fora e sentado no rabo. O tão falado complexo de vira-lata nem sequer existe. Antes fôssemos vira-latas, raçudos, sobreviventes, honestos. Brasileiro se acha. Falta, agora, se encontrar!

Não se engane com meu discurso. Eu amo o Brasil, assim como amo meu pai alcoólatra, supertalentoso, mas inútil e fracassado. Se eu tivesse tido escolha, nem os teria conhecido, mas não tive. Amo meu pai porque é o que tenho. Meu país, idem. Amar não significa aceitar incondicionalmente. Quero que o Brasil mude, que a nação se conscientize e deixe de adiar o inadiável. Do jeitinho que está, vai ruir.

Eu torço, e muito, pelo Brasil da vida real. Para o da Copa, que de dane.

P.S.: me incluo na lama, mas com um atenuante: eu sei no que estou erradando e tento melhorar, todo dia. :-)

Ressurreição

Atendendo a emocionados pedidos, estou de volta. Sim, foram vários pedidos, vindo de um só pessoa: eu. Sendo ultra antissocial – and beyondde acordo com o Buzzfeed29 em 30 -, o Facebook é muito e pouco para mim.

O Facebook é limitado, porque é cheio de pessoas limitadas, que ofender-se-ão com qualquer coisinha, mesmo que de nenhum modo esteja relacionada a elas. Ou que darão palpites intermináveis sobre qualquer coisa, o que é por demais cansativo e, pior, me faz perceber que estou cercada por idiotas. Não necessariamente meus “amigos”, a quem eu, de certo modo, posso controlar – bloqueando atualizações! -, mas os incontroláveis amigos dos amigos. Esse meu povo tem aceitado qualquer pessoa para engrossar os números e satisfazer o ego, só pode.

Em conclusão, há inúmeros assuntos sobre os quais eu gostaria de palpitar, mas não tenho com quem/onde. Por isso, voltei.

Nem tudo é ruim na rede social para uma pessoa antissocial – tô falado só de mim.- Conheci pessoas interessantes, oriundas deste blog – algumas, que sequer comentavam aqui, mas que “falam” bastante e são muito bacanas – e da prática ao amor pelos seres viventes. Protetores/veganos/vegetarianos se caçam na rede, se encontram e se unem. Tô dentro!

Falando nisso, meu protovegetarianismo está quase completando 1 ano, sem maiores sacrifícios. E está tão tranquilinho, que decidi dar o próximo passo e deixar os laticínios de lado. Não vou morrer sem pão de queijo – e evito que morram pelo meu pão de queijo.- Ainda como os ovos, sem sofrimento e sem crueldade, das minhas penosas… Ovos são controversos - como os mamilos – e ganharão um post só deles, em breve.

Ah! O layout do blog mudou por acidente. Fui atualizar o WordPress e, inadvertidamente, atualizei o tema, o que me fez perder as mudanças que havíamos feito. Esse que entrou está em estado provisório, esperando eu conseguir uma boa alma que me coloque o Feed de volta e ajeite esta fonte, que é fina demais para mim.

Seja bem-vindo(a) a este blog e sinta-se livre para dar pitacos. Sempre com muita educação, por favor, porque, de mal educada, já basta a Pi.

Origami

Carol Gerber* disse que corações são fortes, não se quebram, só se dobram. O meu é um origami detalhado. Não sei se desamarrota algum dia.

Estou protovegetariana. O que quer dizer que ainda não sou vegetariana, mas vou ser.

Depois de um tempo, não há espaço para voltar, a opção é ir em frente. Eu não sou o Roberto Carlos, sou decente.

Não tolero mais cheiro de carne. Nem gosto de tocar nela. Se antes eu poderia muito bem passar um bife pro marido, agora eu saio da cozinha quando ele o faz. Não é frescura, é dor.

Dói, porque eu sei como esse “bife” viveu antes de virar almoço. Marido diz: “mas no Brasil não é assim. O gado é criado solto. Não há confinamento. E a morte é rápida”. É o nível de abstração dele, não tenho o direito de ir contra. Ainda mais, porque uso essa mesma abstração para continuar consumindo laticínios. Por enquanto…

A maioria das pessoas come carne porque faz questão de ignorar todo o processo. O “produto” chega suculento ao prato delas. Se elas soubessem os bastidores, não comeriam. Mas não sabem e, se sabem, abstraem pela gula. E não estou falando de degolar uma galinha, enquanto o corpo, sem cabeça, sai correndo. Estou falando de qualidade de vida do animal, de doenças, de remédios, de higiene, de armazenamento, de “maquiagem”, de preparo. A morte, para mim, é o menor dos problemas. Morrer faz parte. É todo o resto, é toda a “indústria do alimento” que me aterroriza.

E pior do que a indústria do alimento, hoje em dia, é a indústria da moda. Isso inclui vestimentas, cosméticos e essa poha toda que as pessoas usam para tentarem ser bonitas.

Os testes cosméticos têm sido banidos em lugares decentes. A China, sempre ela, insiste. Não entendo o porquê, além de por sadismo e desrespeito. Teste em animais não me impediram de ter alergia à Avon. Eu não sou um coelho. Ele não me representa.

Não me venha alegar que não há alternativas aos testes. Há. Muitas. Basta procurar – dá um Google aí.

Não me venha dizer que, mesmo que eu compre Natura, que não testa em animais, nada impede que o fornecedor da Natura faça os testes. Isso não é argumento. Baixar a cabeça para a violência, porque combatê-la parece impossível, nunca foi saída. Eu tento.

A saída talvez não seja assinar petições, mas eu as assino mesmo assim. Fazer pouco é melhor do que não fazer nada e criticar quem, pelo menos, faz algo. A saída talvez não seja o boicote às marcas que usam animais de alguma forma, já que é praticamente impossível se livrar delas – até absorventes higiênicos são testados em animais. E pra quê?!

A saída é, sempre, a conscientização. A saída é o amor.

No Facebook, tenho seguido a página do Anti-Fur Society. Acho que eles erram na abordagem. Eu fico chocada, escandalizada, aos prantos com algumas postagens, mas eu não uso peles – ou qualquer tipo de couro, seda ou lã -, eu não sou o alvo. O alvo nem olha e, ainda, reclama da violência das imagens. Às vezes, os membros da Anti-Fur são agressivos e infantis, mas eu tento entender. Impotência e horror destroem camadas de racionalidade. E o que se tem visto por aí é de se duvidar da razão, é de quebrar o mais forte dos corações.

Mas o problema deste mundo são os corações fúteis, frios e duros.

Não vou ilustrar este post com imagens chocantes, não vou falar sobre chineses ou sobre caçadores. Você tem direito ao seu nível de abstração. Mas vou pedir, por favor:

Diga não ao uso de peles, mesmo as “faux”. Tem muito gato, cão e lebre sendo vendidos como sintéticos, porque são mais baratos, já que matar e esfolar não requer tecnologia. Um dos ratinhos dos meus gatos é feito de pele natural – descobri isso um dia desses… Animais sofrem muitíssimo para enfeitar roupas e acessórios. Isso não é certo.

 anti-furVocê pode viver sem minha pele. Mas eu, não.

E, na medida do possível, se liberte das abstrações. Eu sei que viver neste mundo não é fácil, não mesmo. Mas só é tão duro, porque há gente demais usando venda. Quando as pessoas se libertarem do medo, da preguiça, do comodismo e da vaidade besta, o mundo terá uma chance. E eu queria muito de ter a chance de ver isso acontecer…

* Personagem em Corações na Atlântida, do Stephen King. Amei o livro.

Hipocrisia

Todo mundo é alegre e contente enquanto acha que está dando as cartas. Todo mundo está supersatisfeito enquanto não tem que assumir as consequências. Todos os outros são insuportáveis e dispensáveis, enquanto não se está perdendo dinheiro. O trabalho é chato, o salário é pouco, mas se pode-se chegar atrasado ou faltar quando bem entende, tá valendo. Todo chefe é bacana até que impõe limites para o excesso de liberdade. Toda chefe é joia enquanto faz vista grossa para a arrogância e incompetência. Todo dedo na cara é válido, desde que não seja na minha. Todo mundo é honesto até que é pego em flagrante. Toda hipocrisia é inocência, toda a culpa é do outro. Mas toda m*rda fede, não importa de quem seja.

Que espécie de caráter é esse que tem-se construído? Que mundo é este no qual temos vivido? Tem hora que cansa nadar contra a correnteza. E eu lhe digo, eu posso ser má. Eu posso ser péssima. E eu posso até gostar.

Que sorte que eu tenho bichos em casa.

Meu reality show

Eu queria muito ter meu próprio reality show. Iria ser muito bom. Minha vida é um drama sem fim só pra mim. As outras pessoas parecem se divertir com ela, então, por que não capitalizar? Minha grana é sempre curta, mesmo.

O tema da abertura da primeira temporada poderia ser aquela música do KLB, que diz: “vida, devolva minhas fantasias”, etc.

Ele se chamaria Farmília e mostraria, com bastante edição, o que é ter uma agência de publicidade em Itaúna, repleta de bichos, insanidade e dramas.

Agora mesmo, o Toro está internado por causa da bicheira. A assistente do veterinário me disse: “não fica assim, a culpa não é sua”. Sorri para não dizer: “eu sei. A culpa é do seu patrão açougueiro.”

A Nikita está desconsolada sem o Toro. Sou uma cat person extremamente cansada e não dou conta de lidar com energia e carência de cachorro.

A Gasolina está com câncer de pele no nariz. E, desta vez, a culpa é minha, que nunca passei filtro solar nela, mesmo sabendo que ela curte ficar ao sol.

IMG_0600Remelenta, porque o veterinário pediu para não limpar antes de saber do que se tratava, já que poderia ser algo contagioso.

Do punhado de pintinho que nasceu, só tem um punhadinho. Hoje, nasceram mais, e já morreu, pelo menos, um. Teve parte da cabeça arrancada. Quem matou?! Pode ter sido o galo que peguei em flagrante no ninho. Pode ter sido tiú (ou teiú), já que a Gasolina encontrou um baita de um filhote. Pode ter sido mico. Até camundongo, não descarto.

Galinhas são bichos muito estranhos. As melhores cenas seriam protagonizadas por elas. É muita loucura e tumulto por muito pouco.

E “temos” micos. E eu os odeio. Muito! Parecem gente, aquelas pragas. Parecem MST dando rolezinho. Saqueiam e sacaneam as galinhas. Invadiram e se sentem à vontade na minha casa. Comem os ovos, comem os pintinhos, comem as frutas todas do pomar, empesteiam a casa com pulgas, assoviam o tempo todo. E o Ibama nem me deixa matá-los… Micos, eu mataria… Odeio-os.

Cristo, o gato novo, não se adaptou aos outros. E o pior é que, ao contrário de todas as outras aquisições, a culpa é dele. Todo mundo ficou de boa, tranquilo, com aquela cara de: “mais um, sei…”. E ele fingiu de legal e atacou todos, um por um. Tocou o terror e ganhou a alcunha de Anti-Cristo. Está aqui, sendo lindo e fofo comigo, trancado num cômodo, esperando o Sr. Limite chegar.

E ainda tem os outros gatos, loucos e divertidos, fazendo coisas de gatos. E eu, louca e histérica, tentando por ordem nesse imenso galinheiro que é minha farmília.

Você assistiria e comentaria no Twitter e no FB. Certeza!

P.S.: querido Ibama, ninguém matou o tiú. Nós o capturamos e soltamos no bairro de rico seguinte, porque há de ter comida lá. Lixo, tem.

tiu

lixo

Um mundo mais do que enfeitado

A vó Edir costumava dizer que o mundo anda muito enfeitado. Ela era batista e, no geral, se referia à homossexualidade, hábitos e vestimentas. Eu acho que o mundo está mais do que enfeitado, só não sei qual palavra usar pra defini-lo…

Mas eu sei que ando triste que só.

O objetivo das redes sociais era, a meu ver, juntar pessoas com interesses em comum. Ok. O problema é o tipo de pessoas e de interesses que têm sido juntados. Às vezes, eu me assusto com os comentários, com a agressividades/ignorância/preguiça/estupidez com as quais as pessoas destilam seus preconceitos.

1488060_595692070518500_1927261708_nHumano: Por que as pessoas estão cada vez mais intolerantes com as outras enquanto a Internet nos conecta mais próximos?

Deus: Pessoas não estão diferentes do que sempre foram… Estúpidas. A Internet apenas fez com que fosse possível para nós vermos o quão grande é o abismo da estupidez humana. Tente não afundar.

Às vezes, eu me assusto com o tamanho dos equívocos que fazem com que uma causa nobre se torne antipatizada. Vegetarianos/veganos, por exemplo, são mestres nisso. Mostram fotos horrendas, de maldade suprema, de sofrimento animal, com o objetivo de convencer aos adeptos da picanha e bacon a se tornarem vegetarianos. Não funciona. Não funciona comigo, que já sou vegetariana. Me dá tristeza, muita. E dá “fortes” argumentos aos adeptos da picanha e bacon para hostilizarem os vegetarianos/veganos, porque esses se sentem atacados e querem contra-atacar. E a causa animal se perde em meio a discussões imbecis.

Ontem, eu estava lendo uma matéria sobre o consumo sustentável. Nos comentários, um vegano se impondo. Ok… Acontece. Para mim, o que interessou – e me assustou – é que não é possível o consumo sustentável. Não o tempo todo.

Olha o tamanho do mundo! Olha a quantidade de gente que tem nele! Não dá para controlar tudo! Não dá para ficar sabendo de TODOS os pormenores e ter ânimo para continuar vivo. Em toda e qualquer indústria, seja de moda, de comida, de chá, todas elas cometem merda. Gente, bicho, o planeta sofre com essas merdas. O que fazer? Eu juro que não sei.

A tal história do mosquito que é pequeno e um só, mas incomoda, é só isso: uma história. Se ele incomoda, você pega a raquete elétrica e acaba com ele. Não há exemplo de superação nisso!

Eu faço minha pequena parte. Ajuda o mundo? Provavelmente, não. Mas me ajuda. É totalmente pessoal e egoísta cada gesto de bondade que eu tenho. Não como mais carne porque não apoio o modus operandi da indústria alimentícia. Estou a caminho de parar com o leite. Não uso uma porção de cosméticos porque sei que são testado em animais - mas devo usar uma porção de outros que não sei e, neste caso, a ignorância é uma bênção, porque eu não tenho grana para comprar produtos veganos nem condições de fazer meus próprios xampus. Não embrulho presentes, para não gerar mais lixo. E eu separo os lixos e reaproveito sacolinhas de supermercado para recolher os cocôs dos gatos. Não sigo moda/tendência há anos! Só compro o que realmente é útil e vou usar. Castrei os gatos e só não castrei o cão, porque ele não é meu e meu marido ainda não evoluiu em alguns aspectos.

Em resumo, eu faço o que eu posso. O problema está em quem não faz/não pode nada. E não faz nem pode, porque é ignorante e estúpido demais para se mover. Não se preocupa com o outro e com o planeta, porque não pensa e, se pensa, deve ser algo do tipo: “ah, foda-se! Eu vou morrer, um dia, e deixa de ser problema meu. Vamo apoveitá enquanto tamo aqui!”.

E engana-se quem acha que isso é problema terceiromundista, de pobre, sem acesso a educação. É claro que pobreza e ignorância andam juntas e perpetuam a tragédia, mas, né?, como os digníssimos governos conseguiriam se manter no poder se não fosse a ignorância?! O problema é global, sem fronteiras de credo, raça, condição social. O problema é uma Myle Cyrus - desnececyrus – da vida usando casacão de pele de verdade. Uma riquinha cercada por informação, se lixando para o mundo e o que vão pensar dela. “Sou rebelde”. Sei. Não passa de uma mocinha que conseguiu “se achar” tanto, que achou quem achasse junto!

É mais gente que acha junto do que gente que pensa por si ou que se alinha a uma causa nobre: sobrevivência. É mais gente obcecada por fama e glamour e menos gente que faz. É medonho.

Às vezes, penso que o melhor seria cruzar os braços e esperar pelo fim. Talvez, o homem da tabuleta esteja certo e o fim esteja próximo…

the-end-is-nearSometimes, I hope so…

Memes internos

A Adriana nunca veio aqui, mesmo assim, eu havia prometido a ela fazer um post sobre os memes da agência, afinal, a maioria é coisa dela. Então, já que é tempo de Top10, vamos de Top10 – Memes Internos.

10. “A culpa é da Katienne!”, porque “Se a culpa é minha, eu a coloco em quem eu quiser”*

Esta pérola de sabedoria evitou muitas crises - de ego ferido.

*Homer Simpson

9. “Ai, me deixa!”; “Ai, supera!”; “Morre que passa” e “Cada um com seus problemas”.

Em junho, parecia que eu havia adotado uma adolescente, pois eu ouvia essas frases o tempo todo. Quanto aos “Ai, mimimi”, não pude fazer nada, senão deixar e superar. O “Morre que passa” foi abandonado após ameaça de denúncia por indução ao suicídio e “Cada um com seus problemas” foi substituído oficialmente por “O destino de um é partilhado por todos”, porque eu sou time Mestre dos Magos!

8. “Tá pensando que pipoca é fruta?”

Perfeito para ser usado quando alguém me pede algo absurdo. Ou seja, sempre.

7.  “Fulano é rainha,  Beltrano, princesinha”. “Fulano na veia, Beltrano na cadeia”

Tati Neves (quem?) já foi esquecida, mas graças a ela e Bieba, Xuxa fez, mais uma vez, história no Facebook/Twitter.

E eu que imaginei que nada superaria “VOCÊS NÃO MERECEM FALAR COMIGO NEM COM MEU ANJO”.

6. “Você não me serve”.

Serviu por muito tempo. Depois, acabou substituído por “isso não é Publicidade!!” #clientesqueamamosSQN

5. “Nooooooo!” Vader, Darth

Pressione em situações difíceis.

4. “Aixiiii…”

Contribuição valorosa da Katienne. Diz-se com tom de desprezo, virando os olhos, para qualquer bobagem que se ouve ou vê. Uso muito!

3. Sideshow Bob

Mês passado, tive a infeliz experiência de pisar num rastelo abandonado no galinheiro. Que dor!!! Depois de duas semanas, meu nariz começou a desinchar.

Para ilustrar o que havia me acontecido, usei este gif:

Sideshow_bobVirou hit!! Virou camiseta.

shirt_girls_01Camiseta da Threadless.

2. Chloe.

Uma porcaria de mãe criou essa obsessão entre as novinhas da agência. Queria até dividir com ela o fardo de pagar salários, já que minha criação passava horas fazendo montagens da Chloe

3491348_originalMontagem com a Chloe que catei na Internet.

1. “Esse povo pensa que o céu é perto.”

Esta frase foi nos brindada pela Adri Abreu, num comentário, aqui no blog, em abril de 2011. Como, para mim, é uma frase supimpa e polivalente, que já até foi homenageada, aqui, a trouxe de volta em 2013. Foi usada à exaustão. É, merecidamente, o Top – Meme Interno de 2013!