Não dinheiro, mas valores fazem um país ser rico. E o Brasil é duma pobreza somaliana. Aliás, nem sei da Somália… Mas do Brasil…
Nos idos longínquos de 1993, Belo Horizonte era a melhor cidade para se morar no país. E estava super bem colocada no hankig mundial. E era um bom lugar mesmo. Cheio de cultura, trânsito fluindo bem, transporte coletivo transportando bem, sossego, tranquilidade e clima ameno. Eu gostava muito de BH.
Nesta mesma época, os Correios eram a estatal mais confiável do Brasil. Pode parecer pouco, já que existiam muitas estatais, bem mais do que hoje, e eram tudo porcaria. Mas os Correios eram do bem. As cartas iam e vinham, as encomendas chegavam. Ninguém tinha medo de ser roubado…
Hoje, BH é um caos quente e desagradável. Um inferno. Fico estressada só de ir visitar minha avó e voltar.
Os Correios… Ah, os Correios… Eles me devem.
Em 2004, meu marido, até então, namorado, foi fazer um curso em NY e me largou aqui. Fofo que ele é, me mandava cartinhas toda semana. As cartinhas só começaram a chegar quando ele começou a registrá-las e, assim, pagar bem mais pelo selo. Por incrível que possa parecer, as cartas simples eram extraviadas nos Correios por pessoas que, aposto, pensavam: “brasileiro burro manda dinheiro em carta pro Brasil. Vamos abrir e ver se esse é um deles.” Carta aberta, nada de valor encontrado, carta jogada fora. Mas tinha valor para mim e ninguém levou isso em consideração.
Ano passado, minha encomenda da Jelly Pong Pong só chegou depois que rastreei todo o caminho que ela levou até chegar em solo brasileiro para, então, ser “perdida”. Mandei um e-mail muitíssimo indignado para os Correios, cobrando satisfações – muito bem embasadas – sobre minha encomenda e, depois de três meses, chegou meu pacotinho, todo remendado, porque havia sido aberto.
Este ano, estou com meus presentes de aniversário no limbo. Marido me comprou um livro, no Amazon. Eu me comprei um pingente, no Etsy. Cadê?!
Na Amazon, você manda um e-mail pedindo informações sobre o envio, sem cobrança, sem acusações, sem dizer que a culpa é deles, porque não é, e eles lhe reembolsam parcialmente pelo transtorno que eles não causaram. Fiquei chocada?! Eles estão tão acostumados com reclamações de brasileiros que pagam para que paremos de reclamar?! É um país rico, mesmo, o tal do Brasil.
E, gente, brasileiro é mal educado e burro! Li, um tempo atrás, alguns comentários do nosso povo sobre o descaso dos Estados Unidos com o nosso dinheiro. Que eles não se importam conosco. Que as encomendas não chegam, porque somos coitados e eles não nos respeitam. Nunca é porque os funcionários dos Correios, pagos com nossos impostos, nos roubam, extraviam, perdem, afanam nossa encomenda. Mas porque Tio Sam é um mau tio pra gente…
A NFU-Oh, a dos esmaltes holográficos, mandou um comunicado, nessa época aí, dizendo que não enviaria mais nada para o Brasil por encomenda simples, por causa dos inúmeros e-mails mal educados que a empresa estava recebendo de brasileiros indignados com o não recebimento das encomendas. Encomenda registrada fica caríssima e aumenta demais as chances de parar na Polícia Federal e ser taxada. Mas é pagar muito ou pagar em vão.
E por que eu sei que há roubos nos Correios?! Porque já tive conhecimento de funcionário dos Correios, concursado, bem pago, que extraviava TUDO que ele achava bacana. Revista Playboy, por exemplo. A Editora Abril nem envia mais revistas pelos Correios, mas por entrega particular, porque só assim para elas chegarem aos lares dos assinantes. E não é lenda urbana, não. Não é leviandade minha. Eu conheço o cara, o ladrão! E ele afirmava ser o roubo uma prática comum na instituição.
Então, aposto que meus presentes foram para as namoradas de funcionários públicos sem vergonha. Porque, na minha casa é que não estão, apesar de ter dado tempo de darem a volta ao mundo num navio chinês.
Por isso, meu povo, antes de enviar e-mails grosseiros, grosseiramente traduzidos no Google Tradutor, para a empresa da qual você comprou sua bugiganga importada, procure saber dos Correios onde a encomenda foi parar. Eles sabem…

A pobreza começa no slogan do governo… E termina no caráter de alguns servidores públicos.
Obs.: o carinha que entrega a carta ou encomenda na sua casa não tem nada com seu problema. Ele é um funcionário público, exercendo sua função, e você não pode destratá-lo. 1. Porque dá multa ou cadeia. 2. Sua mãe lhe deu educação. Honre-a. E 3. Porque a instituição é um mostro gigante e desorganizado que começa lá nos portos/aeroportos e passa pelos depósitos, para só então, se ainda houver um produto, ser encaminhado a sua casa. Ou seja, a culpa não é do carteiro, ok?!