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Tag: ‘diversão e arte’

  1. Meu reality show

    19 de janeiro de 2014

    Eu queria muito ter meu próprio reality show. Iria ser muito bom. Minha vida é um drama sem fim só pra mim. As outras pessoas parecem se divertir com ela, então, por que não capitalizar? Minha grana é sempre curta, mesmo.

    O tema da abertura da primeira temporada poderia ser aquela música do KLB, que diz: “vida, devolva minhas fantasias”, etc.

    Ele se chamaria Farmília e mostraria, com bastante edição, o que é ter uma agência de publicidade em Itaúna, repleta de bichos, insanidade e dramas.

    Agora mesmo, o Toro está internado por causa da bicheira. A assistente do veterinário me disse: “não fica assim, a culpa não é sua”. Sorri para não dizer: “eu sei. A culpa é do seu patrão açougueiro.”

    A Nikita está desconsolada sem o Toro. Sou uma cat person extremamente cansada e não dou conta de lidar com energia e carência de cachorro.

    A Gasolina está com câncer de pele no nariz. E, desta vez, a culpa é minha, que nunca passei filtro solar nela, mesmo sabendo que ela curte ficar ao sol.

    IMG_0600Remelenta, porque o veterinário pediu para não limpar antes de saber do que se tratava, já que poderia ser algo contagioso.

    Do punhado de pintinho que nasceu, só tem um punhadinho. Hoje, nasceram mais, e já morreu, pelo menos, um. Teve parte da cabeça arrancada. Quem matou?! Pode ter sido o galo que peguei em flagrante no ninho. Pode ter sido tiú (ou teiú), já que a Gasolina encontrou um baita de um filhote. Pode ter sido mico. Até camundongo, não descarto.

    Galinhas são bichos muito estranhos. As melhores cenas seriam protagonizadas por elas. É muita loucura e tumulto por muito pouco.

    E “temos” micos. E eu os odeio. Muito! Parecem gente, aquelas pragas. Parecem MST dando rolezinho. Saqueiam e sacaneam as galinhas. Invadiram e se sentem à vontade na minha casa. Comem os ovos, comem os pintinhos, comem as frutas todas do pomar, empesteiam a casa com pulgas, assoviam o tempo todo. E o Ibama nem me deixa matá-los… Micos, eu mataria… Odeio-os.

    Cristo, o gato novo, não se adaptou aos outros. E o pior é que, ao contrário de todas as outras aquisições, a culpa é dele. Todo mundo ficou de boa, tranquilo, com aquela cara de: “mais um, sei…”. E ele fingiu de legal e atacou todos, um por um. Tocou o terror e ganhou a alcunha de Anti-Cristo. Está aqui, sendo lindo e fofo comigo, trancado num cômodo, esperando o Sr. Limite chegar.

    E ainda tem os outros gatos, loucos e divertidos, fazendo coisas de gatos. E eu, louca e histérica, tentando por ordem nesse imenso galinheiro que é minha farmília.

    Você assistiria e comentaria no Twitter e no FB. Certeza!

    P.S.: querido Ibama, ninguém matou o tiú. Nós o capturamos e soltamos no bairro de rico seguinte, porque há de ter comida lá. Lixo, tem.

    tiu

    lixo


  2. Na contra-mão

    No fim do ano passado, numa crise aguda de consumismo, comprei uma máquina de pão. Melhor compra da vida!

    E, enquanto o mundo conspira contra o pobre glúten, cá estou eu, na contra-mão do gluten-free, gritando free gluten!!

    paozeira

    pao


  3. Memes internos

    30 de dezembro de 2013

    A Adriana nunca veio aqui, mesmo assim, eu havia prometido a ela fazer um post sobre os memes da agência, afinal, a maioria é coisa dela. Então, já que é tempo de Top10, vamos de Top10 – Memes Internos.

    10. “A culpa é da Katienne!”, porque “Se a culpa é minha, eu a coloco em quem eu quiser”*

    Esta pérola de sabedoria evitou muitas crises - de ego ferido.

    *Homer Simpson

    9. “Ai, me deixa!”; “Ai, supera!”; “Morre que passa” e “Cada um com seus problemas”.

    Em junho, parecia que eu havia adotado uma adolescente, pois eu ouvia essas frases o tempo todo. Quanto aos “Ai, mimimi”, não pude fazer nada, senão deixar e superar. O “Morre que passa” foi abandonado após ameaça de denúncia por indução ao suicídio e ”Cada um com seus problemas” foi substituído oficialmente por “O destino de um é partilhado por todos”, porque eu sou time Mestre dos Magos!

    8. “Tá pensando que pipoca é fruta?”

    Perfeito para ser usado quando alguém me pede algo absurdo. Ou seja, sempre.

    7.  “Fulano é rainha,  Beltrano, princesinha”. “Fulano na veia, Beltrano na cadeia”

    Tati Neves (quem?) já foi esquecida, mas graças a ela e Bieba, Xuxa fez, mais uma vez, história no Facebook/Twitter.

    E eu que imaginei que nada superaria “VOCÊS NÃO MERECEM FALAR COMIGO NEM COM MEU ANJO”.

    6. “Você não me serve”.

    Serviu por muito tempo. Depois, acabou substituído por “isso não é Publicidade!!” #clientesqueamamosSQN

    5. “Nooooooo!” Vader, Darth

    Pressione em situações difíceis.

    4. “Aixiiii…”

    Contribuição valorosa da Katienne. Diz-se com tom de desprezo, virando os olhos, para qualquer bobagem que se ouve ou vê. Uso muito!

    3. Sideshow Bob

    Mês passado, tive a infeliz experiência de pisar num rastelo abandonado no galinheiro. Que dor!!! Depois de duas semanas, meu nariz começou a desinchar.

    Para ilustrar o que havia me acontecido, usei este gif:

    Sideshow_bobVirou hit!! Virou camiseta.

    shirt_girls_01Camiseta da Threadless.

    2. Chloe.

    Uma porcaria de mãe criou essa obsessão entre as novinhas da agência. Queria até dividir com ela o fardo de pagar salários, já que minha criação passava horas fazendo montagens da Chloe

    3491348_originalMontagem com a Chloe que catei na Internet.

    1. “Esse povo pensa que o céu é perto.”

    Esta frase foi nos brindada pela Adri Abreu, num comentário, aqui no blog, em abril de 2011. Como, para mim, é uma frase supimpa e polivalente, que já até foi homenageada, aqui, a trouxe de volta em 2013. Foi usada à exaustão. É, merecidamente, o Top – Meme Interno de 2013!


  4. O Livro do Esquecimento

    14 de dezembro de 2013

    Acho que foi nO Livro do Riso e do Esquecimento que Milan Kundera comentou sobre a prepotência de se escrever um livro. Afinal, o que você poderia ter de tão interessante e novo a contar que faria com que outras pessoas quisessem lê-lo? O quê? Apesar de minha resposta ter sido: “nada, né?”, cá estou eu, escrevendo opiniões em público. Mas me justifico: aqui, não há a pretensão em ser lida.

    De toda forma, deixei de lado a ideia de ser escritora. Não que eu tivesse alguma intenção de o ser quando li Milan Kundera. Naquela época, eu havia desistido até do jornalismo. Eu não queria escrever. E, quando eu comecei a querer, mantive o Milan em mente. Deixei passar a vontade.

    Então, escrevo uns continhos lá, umas crônicas ali, dou uns pitacos aqui e vou gastando minhas histórias, assim. Às vezes, dá vontade de ir além, mas ainda prefiro não.

    E é esse “prefiro não” que tem faltado à muita gente. Prefira não escrever um livro quando o que você tem a oferecer é um misto do Velho Testamento + o pior de Anne Rice + Cavalheiros do Zodíaco. Arcanjo usando o golpe “Ira dos Deuses” numa batalha? Poupe-me, por favor!

    Eu sei que, apesar deu amar ler, não sou o público de qualquer autor. Até leio Dan Brown, mas nunca serei seu público. Acho os livros dele todos iguais. Ele não sabe variar temática nem caracterização dos personagens e, invariavelmente, explica demais, como se o seu leitor fosse tonto. Talvez o seja… Mas ele me entretém e dou valor a isso. Se eu leio um livro de 400 páginas, xingando, mas querendo chegar ao fim, o mérito é do cara. Ruim é chegar na página 15 – de 395 – me perguntando: “falta muito, ainda?”. Pois é…

    Esta semana, abandonei dois livros pelo caminho. Coincidentemente, os dois tinham relação com o Velho Testamento. Os dois eram prepotentes. Não só o conteúdo, em si, mas a forma de escrevê-lo. Perdoo um autor pretensioso, mas não perdoo uma escrita pretensiosa. Não!

    Por isso, volto para a segurança do Stephen King – que é bom até quando é ruim – e me rendo a Isaac Asimov e seus robôs, porque a vida é muito curta para ser gasta com livros ruins.

    Obs.: aceito dicas de leitura, caso alguém passe por aqui!!


  5. Poeminha

    20 de novembro de 2013

    Era uma vez e eu sabia Português. E era bom! E eu fazia revisão de textos. E era muito bom!

    Certo dia, revisei um livro de poemas do Lúcio de Lourenzo. Não sei se ele o publicou. Espero que sim! Me apaixonei por um poema e o copiei na minha agenda (Bruxa Pascoalina 2001). Também não sei se ele me deixaria postá-lo aqui, mas vou arriscar:

    eu não sei o seu nome e chamo
    eu não lhe conheço e amo
    espero espero não canso e me apavoro
    por ansiedade ou espanto
    de na sua vida não ser centro
    mas canto

    Ser canto é foda…

     


  6. Eu queria ficar no FIQ

    15 de novembro de 2013

    fiqFIQ!

    A Internet é uma terra mágica que nos conecta a todos. E colher os frutos desta conexão é o que há!

    Adoro as tiras do Coala. Adoro o trabalho dele, mas adorei, acima de tudo, conhecê-lo pessoalmente. Pensa: eu, um quadradinho numa rede social, ser reconhecida pelo outro quadradinho. Mas, não qualquer quadradinho! Um quadradinho que eu admiro! “Você tem um gato cinza!”

    Sr. e Sra. Coala são as duas pessoas mais fofas, simpáticas e cute-cute da vida! Eu e marido ficamos conversando com eles como se fôssemos melhores amigos! E eu me senti simpática! Eu! Simpática!!

    familia-coalaMarido, Sr. Coala, eu – fotogenia, a gente se vê por aí… – e Sra. Coala. casalmaislindodedeuscutecutejatocomsaudades

    Queria poder ir a FIQ todos os dias - termina domingo – só para continuar fazendo de conta que eles são realmente meus amigos! Queria ter um apartamento no Guarujá só para pegar elevador com o Coala em dia de chuva!!

    O estande da Webcomix foi meu paraíso pessoal. Comprei bastante, lá. E viciei nesse negócio de pegar autógrafo em livros. Desenhista desenha no autógrafo!! Como não amar?! Mas apesar de ser o estande do Carlos Ruasídolo mor, pelo que percebemos – , Guilherme Bandeira, Marcos Noel, Digo Freitas, além do Coala, não foi o único paraíso que encontramos!

    01

    02Comprinhas… E minha bolsa de galinha, um sucesso!!

    autografosAutógrafos!!

    Marido nadou de braçada no estande The White Russian Society. Parecia menino pequeno com os livros dos irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon e do Gustavo Duarteuma simpatia! – nas mãos, pedindo autógrafo! Eu gostei mesmo foi do Murilo Martins! Achei os livros muito criativos e comprei I’m a German Shepherd com muita alegria no coração!

    wrs-fiq2013

    No Balão Editorial, fiz a festa! Comprei todos os livros do Estevão Ribeiro que haviam lá, além da pelúcia do Héctor! Viciada, fui atrás do meu autógrafo!

    Estevão é meu amigo de Facebook, e é tão meu amigo, que nem perguntou meu nome na hora do autógrafo. E lá se foi com “Para Beatriz”.

    beatrizMeu nome é Patrícia, mas poderia ser Beatriz!

    Gafe?! Que nada! Morremos de rir! Somos amigos o suficiente para não nos importarmos com bobagem e ele se saiu bem: “melhor errar seu nome do que o da minha mulher!” Concordei, claro!

    Gafe, quem cometeu fui eu. Duas!

    Depois de mais de uma hora procurando pelo Orlandeli, fui atrás do Vitor Cafaggi para saber se ele sabia onde o cara estava. Sabia! Enfim, alguém sabia! Porque o negócio foi sério: ninguém no FIQ, seja organização, produção ou voluntário, NINGUÉM conseguia me dizer se ele estava num estande ou numa das inúmeras mesas. Mas ele e o Vitor são amigos e, aleluia, mesa 25.

    Chegando lá, soltei: “Orlandeli, você precisa ficar famoso, porque ninguém sabe quem é você”. Simpática, né?! Fofa! Brilhei infinitamente! E só me dei conta do quando eu fui escrota quando eu cheguei em casa!

    Se algo justifica tamanha falta de noção, é a própria falta de noção, em si. A Internet aproxima e a gente se sente realmente próximo, íntimo a ponto de fazer comentário idiota sem achar que isso pode ofender. Eu, falando com um cara que nunca me viu mais gorda, como se ele fosse tão meu amigo que me perdoasse pelas minhas indiscrições…

    A gafe 2? Com o próprio Vitor. Ele foi meu colega de faculdade e foi sócio do meu marido, na primeira agência dele. E o cara é meu amigo - distante, vá lá, mas, pelo menos, a gente se conhece em carne e osso há mais de dez anos.

    Encontrei com ele algumas vezes, fui atrás dele para me localizar outro autor e simplesmente me esqueci de comprar o livro dele. Eu queria? Sim! Valente é fofo! Fui ao estande para isso, duas vezes, mas ele estava com uma fila imensa de autógrafos e eu não quis esperar. Pensei em voltar depois e… Esqueci do caso! Sou um monstro!!

    Justifico que eu estava inebriada de HQ! Não estava com minhas faculdades mentais em plena função! Tanto que, hoje, acordei com ressaca.

    Arrependimentos? Claro: voltei para casa sem Valente por Opção, com vergonha do Orlandeli, sem ter conhecido o Laerte – que, ao que parece, só vai no domingo - e com a capacidade só minha de ficar horrorosa em todas as fotos! Mas me diverti a valer e, daqui a dois anos, tô batendo ponto lá, novamente.

    Este FIQ acontece na Serraria Souza Pinto, em BH, até domingo, dia 17. Se estiver por perto, vá! A entrada é gratuita e os livros são muito baratos! Ah! Estacione direitinho, porque a polícia não poupou multas!


  7. God – Keep being awesome!

    9 de novembro de 2013

    Encontrei Deus no Facebook. É uma página de humor, mas não é baixo nível, é de muito bom gosto! Não fica de zoeira com as fés evangélicas, como se costuma fazer no Brasil, mas fala de fé de forma leve e divertida. Para começar, a descrição da página:

    “Às vezes a verdade não é boa o suficiente. Às vezes as pessoas merecem mais. Às vezes as pessoas merecem ter sua fé recompensada.”

    A ideia é ótima, mas corria-se o risco de ser mal executada. Não o é. E Ele me ganhou com posts como estes:

    1456008_562761213811586_36591696_nTer fome não é pecado. Demonizar os pobres, é.

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    HUMANO – Oi, “Deus”, eu tenho uma pergunta. Você acha que se gay é pecado? Recentemente, andei questionando minha sexualidade e descobri que eu amo homens. E eu sei que nasci assim. Mas há tantos cristãos cheios de ódio hoje em dia, como os “Westboro Baptist Church” que tentam e me me deixam mal. Eu me sinto sozinho e mal, agora… E, bem, eu sinto que preciso de uma pessoas para conversar. O que eu faço? :-(

    GOD – Não é um pecado de forma alguma. O maior pecado é tentar viver sua vida para se encaixar no conceito estreito de alguém que não se importa se você é feliz ou não.

    Você tem uma vida curta. Você tem que ser verdadeiro com você mesmo e encontrar o amor que se seja o certo para você.

    Oh, e os “Westboro Baptist Church” são um bando de lunáticos. Sério. Eles têm problemas mentais. Não deixe que nada daquilo que eles acreditam afete você nem um segundo da sua vida. Continue sendo incrível!

    Este é um Deus que aquece o coração e mantém minha – pouquíssima – fé na humanidade viva!

    E eu digo “Amém!”


  8. Fantasia Negra

    31 de outubro de 2013

    Um amigo negro está pensando em organizar uma coletânea de contos fantásticos escrit0s por negros e com personagens principais afrodescendentes. Alguém gritou nos comentários: “péssima ideia!”.

    Em tese, eu também seria contrária à ideia. Aquele meu papo de sempre: particularismo, etc. Mas, na prática, por que não?! Tanto pode vir a ser uma m*rda, porque escolher uma turminha somente pela cor da pele não é a melhor forma de se criar uma coletânea, como pode vir a ser uma oportunidade fantástica de conhecer bons escritores que, de outra forma, eu não conheceria, independente da cor da pele deles.

    Então, eu voto sim! Porque eu mantenho meu posicionamento sobre segregações, mas aceito o relativismo das coisas da vida. Nem tudo é preto no branco, mas, às vezes, calha de ser.


  9. Carta do Chefe Seattle ao Grande Pai Branco

    27 de outubro de 2013

    Esta é a resposta do Chefe Seattle a Franklin Pierce à proposta do governo norte-americano de comprar grande parte das terras da sua tribo Duwamish, em 1854, oferecendo, em troca, a concessão de uma reserva.

    “Homens brancos” é o que todos nós somos, independente da cor da pele.

    “Como podereis comprar ou vender o céu? Como podereis comprar ou vender o calor da terra? A ideia parece-nos estranha. Se a frescura do ar e o murmúrio da água não nos pertencem, como poderemos vendê-los? Para o meu povo, não há um pedaço desta terra que não seja sagrado. Cada agulha de pinheiro cintilante, cada rio arenoso, cada bruma ligeira no meio dos nossos bosques sombrios são sagrados para os olhos e memória do meu povo.

    A seiva que corre na árvore transporta nela a memória dos Peles-Vermelhas, cada clareira e cada inseto que zumbe é sagrado para a memória e para a consciência do meu povo. Fazemos parte da terra e ela faz parte de nós. Esta água cintilante que desce dos ribeiros e dos rios não é apenas água; é o sangue dos nossos antepassados. Os mortos do homem branco esquecem a sua terra quando começam a viagem através das estrelas. Os nossos mortos, pelo contrário, nunca se afastam da Terra que é Mãe. Fazemos parte dela.

    E a flor perfumada, o veado, o cavalo e a águia majestosa são nossos irmãos. As encostas escarpadas, os prados úmidos, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencem à mesma família. Se vendermos esta terra, não ireis, decerto, ensinar aos vossos filhos que ela é sagrada. Como poderei dizer-vos que o murmúrio da água é a voz do pai do meu pai… Também os rios são nossos irmãos porque nos libertam da sede, arrastam as nossas canoas, trazem até nós os peixes… E, além do mais, cada reflexo nas claras águas dos nossos lagos relata histórias e memórias da vida das nossas gentes. Sim, Grande Chefe de Washington, os nossos rios são nossos irmãos e saciam a nossa sede, levam as nossas canoas e alimentam os nossos filhos.

    Se vos vendêssemos a nossa terra, teríeis de recordar e de ensinar aos vossos filhos que os rios são nossos irmãos e também seus. E é por isso que devem tratá-los com a mesma doçura com que se trata um irmão. Sabemos que o homem branco não percebe a nossa maneira de ser. Para ele um pedaço de terra é igual a um outro pedaço de terra, pois não a vê como irmã, mas como inimiga. Depois de ela ser sua, despreza-a e segue o seu caminho. Deixa para trás a sepultura dos seus pais sem se importar. Sequestra a vida dos seus filhos e também não se importa. Não lhe interessa a sepultura dos seus antepassados nem o patrimônio dos seus filhos esquecidos. Trata a sua Mãe Terra e o seu Irmão Firmamento como objetos que se compram, se exploram e se vendem tal como ovelhas ou contas coloridas. O seu apetite devora a terra, deixando atrás de si um completo deserto.

    Não consigo entender. As vossas cidades ferem os olhos do homem Pele-Vermelha. Talvez seja por que somos selvagens e não podemos compreender. Não há um único lugar tranquilo nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desenrolar das folhas ou o rumor das asas de um inseto na Primavera. O barulho da cidade é um insulto para o ouvido. E eu pergunto-me: que tipo de vida tem o homem que não é capaz de escutar o grito solitário de uma garça ou o diálogo noturno das rãs em redor de uma lagoa? Sou um Pele-Vermelha e não consigo entender. Nós preferimos o suave murmúrio do vento sobre a superfície de um lago, e o odor deste mesmo vento purificado pela chuva do meio-dia ou perfumado com o aroma dos pinheiros.

    Quando o último Pele-Vermelha tiver desaparecido desta terra, quando a sua sombra não for mais do que uma lembrança, como a de uma nuvem que passa pela pradaria, mesmo então estes ribeiros e estes bosques estarão povoados pelo espírito do meu povo. Porque nós amamos esta terra como uma criança ama o bater do coração da sua mãe. Se decidisse aceitar a vossa oferta, teria de vos sujeitar a uma condição: que o homem branco considere os animais desta terra como irmãos.

    Sou selvagem e não compreendo outra forma de vida. Tenho visto milhares de búfalos a apodrecer, abandonados nas pradarias, mortos a tiro pelo homem branco que dispara de um comboio que passa. Sou selvagem e não compreendo como uma máquina fumegante pode ser mais importante que o búfalo, que apenas matamos para sobreviver. Tudo o que acontece aos animais acontecerá também ao homem. Todas as coisas estão ligadas. Se tudo desaparecer, o homem pode morrer numa grande solidão espiritual. Todas as coisas se interligam.

    Ensinai aos vossos filhos o que nós ensinamos aos nossos sobre a terra: que a Terra é nossa Mãe e que tudo o que lhe acontece a nós acontece aos filhos da terra. Se o homem cuspir na terra, cospe em si mesmo. Sabemos que a terra não pertence ao homem, mas que é o homem que pertence à terra. Os desígnios terrenos são misteriosos para nós. Não compreendemos por que os bisontes são todos massacrados, por que são domesticados os cavalos selvagens, nem por que os lugares mais secretos dos bosques estão impregnados do cheiro dos homens, nem por que a vista das belas colinas está guardada pelos “filhos que falam”.

    Talvez um dia sejamos irmãos. Logo veremos. Mas estamos certos de uma coisa que talvez o homem branco descubra um dia: o nosso Deus é um mesmo Deus. Agora podeis pensar que Ele vos pertence, da mesma forma que acreditais que as nossas terras vos pertencem. Mas não é assim. Ele é o Deus de todos os homens e a sua compaixão alcança por igual o Pele-Vermelha e o homem branco.

    Esta terra tem um valor inestimável para Ele e maltratá-la pode provocar a ira do Criador. Que é feito dos bosques profundos? Desapareceram. Que é feito da grande águia? Desapareceu também. Mas o homem não teceu a trama da vi da: isto sabemos. Ele é apenas um fio dessa trama. E o que faz a ela fá-lo a si mesmo. Também os brancos se extinguirão, talvez antes das outras tribos. O homem não teceu a rede da vida. É apenas um fio e está a desafiar a desgraça se ousar destruir essa rede. Tudo está relacionado entre si como o sangue de uma família. E, se sujardes o vosso leito, uma noite morrereis sufocados pelos vossos excrementos. Assim se acaba a vida e só nos restará a possibilidade de tentar sobreviver.”


  10. Diversão e arte

    26 de outubro de 2013

    Acredito que, hoje, minha vida se resume a três interesses:

    1. Gatos

    Amo cachorros, mas eles precisam de uma coisa que eu me recuso a dar a eles: voltinha na rua. Então, me dou melhor com gatos, que não precisam de mim para passear e não choramingam atenção. Eles vêm e a tomam de você.

    Meu Facebook e meu Pinterest são típicos de “a louca dos gatos”. Sigo gente como Kitty LoveThe Geminites, Zombie Kitty Attack, Nicinha de Fraldinha, Noah Henrique, Tony, o Gato Foquinha, Dicionário Miaurélio e, claro, 4Patinhas. Sem contar Simon’s cat, Grumpy e Pusheen, que são clássicos!

    Off line, tenho os 7 enlouquecidos - e enlouquecedores – que habitam esta casa e os três – sim, três! Um clone da Guapa surgiu no nosso quintal! – que comem da nossa comida de gato, mas não querem nosso amor…

    2. Artesanato

    Ainda não comecei a exercer este hobby, mas estou empolgada. Já tenho milhares de moldes e exemplos. Assim que minhas férias começarem, dedicar-me-ei a ser uma artesã supimpa!

    Criar sem ter cliente dando palpite errado e fazer do jeito que a gente quer/pode/tem vontade é o sonho de qualquer criatura com um mínimo de criatividade e coordenação motora.

    3. Tirinhas e quadrinhos

    Graças à Lou eu conheci o Mentirinhas e, graças ao Mentirinhas, conheci uma galera!! Hoje em dia, não vivo sem o humor e o talento de pessoas como: Will Tirando, Walmir Orlandeli, André Dahmer, Guilherme Bandeira, Clara Gomes, Estevão Ribeiro, André Farias, Alexandre Beck

    Minha agência apoiou o projeto do Catarse do Fábio Coala, eu apoio o projeto do Guilherme e meu marido apoiou um livro de zumbis. E apoiamos o projeto independente do Alexandre, porque eu simplesmente amo o Armandinho!!

    Hoje, a gente praticamente só tem investido dinheiro em algum conforto – ventiladores, pois não! – e cultura. O bom é que cultura não precisa ser cara. Apoiar um bom projeto no Catarse pode sair por R$ 25,00, com recompensas! Para mim, vale muito à pena. Esses cartunistas dão tanta graça de graça, que custa muito pouco retribuir…

    De resto, minha vidinha se resume em trabalhar muito para dar uma vida melhor aos meus gatos, ouvindo Gemini Syndrome para suportar a rotina, e comer e dormir, porque é bom e é necessário. Uma vida insuportável, alguns diriam, mas que tem me servido bem.

    E você, o que lhe faz feliz?


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