Amigo culto

Minha turma da oitava série é minha atual turma de sair e falar bobagens. No começo do ano, resolveu-se fazer um tal de “amigo culto”, onde se trocam presentes não materiais. Minha “amiga culta” ganhou uma estorinha. Ei-la.

Opostos

Ele é Armando. Eu sou Zaíra,

Ele havia levado um fora e amargava uma tremenda dor de cotovelo. Eu havia levado um fora e comemorava a liberdade recém-adquirida.

Ele chorava por ela. Eu curtia a vida. Ele sofria. Eu sorria.

E assim estávamos quando nos conhecemos: eu, me esbaldando no abre alas. Ele, tentando consertar o último carro alegórico, empacado na avenida. A Escola do coração não ficou com o título, mas me arrisco a afirmar que este foi o carnaval das nossas vidas.

Armando chegou ao final da Sapucaí aos prantos, exausto, derrotado. O contraste com minha alegria de “sonho realizado” era enorme e, talvez por isso, eu gostei dele.

A autoindulgência de Armando era irritante. Nenhum homem é tão coitado assim. Bem… Ele parecia ser. Mas, de alguma forma, essa existência meio trágica, meio patética dava um toquezinho de graça a ele, tinha seu charme.

Ou… Era carnaval e pierrôs, colombinas e arlequins apaixonados tinham tudo a ver com o cenário. Enfim, o importante é que eu o beijei como havia muito tempo eu não beijava alguém. Beijei com vontade, sugando todo aquele veneno que corroía o coração de Armando. E, quando finalmente nos afastamos, ele era outro! Eu, também.

Armando já não tinha ares de pierrô abandonado. Havia um novo brilho em seus olhos. Pude ver, então, que era um homem bonito. Não bonito demais, mas na medida. Já eu sentia uma doce melancolia dentro do peito. Uma saudade do futuro, daquilo que nós não viveríamos, porque, em breve, a vida voltaria ao normal e eu, à Minas.

Foram dias intensos. Armando descobriu que “amor” e “dor” é rima pobre. Eu descobri que nem tudo é “tanto faz”. Nossa história durou uma eternidade… Ou quatro dias. Mudou as trajetórias das nossas vidas e nos ensinou a sermos mais leves, mais inteiros, mais vivos.

Voltei para Minas. Armando ficou no Rio. Não trocamos contatos. Não me arrependo. Foi lindo, será inesquecível.

E é assim que estamos: ele ainda é Armando, eu ainda sou Zaíra – versões aprimoradas.

Em um relacionamento sério

E lá se vai Arnaldo, em desabalada carreira. Não é mais tão moço, deveria poupar-se para as coisas boas, usar tamanho vigor em atividades que dão prazer. No entanto, ele foge. Fico olhando.

O que Arnaldo não sabe é que o mundo é grande, mas nossos caminhos hão de se cruzar. É inevitável. Também não sabe, ou não acredita, que não há o que temer. Não, de mim.

Eu e Arnaldo nos encontramos enquanto eu saía da escura e sufocante masmorra do relacionamento sério. Eu estava cansada, porém, eufórica, tentando me desvencilhar dos últimos grilhões. Devo tê-lo assustado com minha empolgação. Ou com as correntes. Justo. Mas se ele acreditou que eu gostava da prisão e que o levaria para lá, é louco! Eu estava feliz por sair, não por ter estado dentro!

Não era de todo ruim, na masmorra. Eu via a luz do sol, sentia o vento no rosto, ouvia os passarinhos, mas era sob outra perspectiva. Liberdade abrilhanta e adoça a vida. Então, por que eu, logo eu, a quereria tirar de alguém?!

Arnaldo… Uma legítima força da natureza. Abrandada pelo passar dos anos, mas, ainda assim, intensa. No momento em que o vi, ele era a luz do sol, que não se aprisiona, não se possui, somente se aprecia. E assim o fiz! Talvez com muita vontade? Não sei. Mas sei que, logo, ele pôs-se a correr.

Desolada, gritei: “Ah, Arnaldo, não me temas! Eu não tiraria de ti o que mais me encanta. Quero que o mundo veja, aprecie e experimente meu encantamento. Meus sentimentos são por ti, mas são todos meus. Não têm peso, cor, volume, não têm cheiro ou sabor, não te fazem sombra. Portanto, não te preocupes com o que não vês ou sentes e, portanto, para ti não existe.”

Mas era tarde. Ele já ia, ao longe… Ainda hoje, meses depois, pode-se vê-lo a correr e correr.

E pode-se me ver no aguardo, incansável, ansiosa e com todas as portas abertas, desejando que o querer de Arnaldo cruze o meu.

Mude

Mude

Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.

Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais,
leia outros livros,
Viva outros romances!

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.O novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
A nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde, ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabonete,
outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.

Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.

Só o que está morto não muda!
Edson Marques.

P.S.: e o cara que escreveu este poema lindo e tão repleto de sabedoria disse que eu escrevo “bem e gostosamente”. E eu tive que compartilhar isso com os gatos pingados que vêm aqui, porque meu ego está sedento de aplausos e reconhecimento! Sim, esta sou eu na beirada da mudança.

Edson Marques é Filósofo e Poeta reconhecido, mas não famoso – bom pra ele? – e tem um blog delicioso!

Gastando dinheiro – ou investindo em cultura?

Adoro o Catarse. A plataforma de financiamento coletivo parece uma grande bolsa de apostas + liquidação. São, no máximo, 60 dias de prazo para fazer acontecer. A gente tem a oportunidade de fazer parte da História do projeto e, assim, torce, divulga e ainda paga um preço bem legal pelo produto + recompensas.

Eu sou apoiadora compulsiva de quadrinhos. Minha lista tem 14 apoios na área e todos concretizados. Uma ou duas decepções – livros que prometeram, mas não cumpriram -, mas, de modo geral, tenho estado satisfeita.

Estão em fase de apoio e recomendo:

Dois livrinhos: dois livros: Blue, uma coletânea de quadrinhos tragicômicos, e Dúvidas Cruéis de um Idiota, um livrinho recheado de dúvidas sobre o mundo. Muito divertidos, assim como o vídeo de apresentação do projeto, que foi quem me ganhou! Mas corra, porque está chegando ao fim!

Beladona: versão impressa de uma das minhas webseries favoritas.

Nada com coisa alguma: coletânea de tira do quadrinista José Aguiar.

O Homem da Capa Amarela: é sobre um justiceiro contra políticos corruptos. Parece bem legal. Na dúvida, clique aqui e baixe o primeiro capítulo.

Remendos: coletânea de tirinhas do site Sushi de Kriptonita. Ótimo site!

Quad 2: 4 histórias de 4 cartunistas.

Inconcebível: desculpe, Valter, mas seu vídeo dá sono, depõe contra. Mas… Fiquei curiosa com a história e terá meu apoio.

O Catarse tem muitas outras áreas de interesse, caso não curta quadrinhos. Tenho certeza que algum projeto merecerá seu apoio.

P.S.: para quem gosta de bichos, um projeto bem bacana no Catarse: Animal de Estimação Não é Brinquedo Não. É um livro voltado ao público infantil que ensina sobre o respeito aos animais.

Vá ao teatro – e me convide!

Depois de “180 Dias de Inverno”, tive que assistir a “#140 ou Vão”, também da Companhia Afeta. Uma era drama, pesada, densa, linda. A outra, comédia, leve, inteligente, linda.

180-Dias-de-Inverno-book---Cia-Afeta-3140-ou-vao“180 Dias de Inverno” e “#140 ou Vão” (Foto: Samuel Mendes), respectivamente.

Ontem, assistimos a uma peça da Catanduva, SP. O teatro Silvio de Matos, de Itaúna, ajudou a compor o cenário de guerra, mas não contribuiu com a peça, já fraquinha. A voz de Chiquinha da atriz era irritante, mas não foi perda de tempo, de toda forma.

Eu perdi, sim, – e vou lamentar todos os dias por isso até conseguir assisti-la – “Aldebaran”, do Grupo Oficcina Multimédia que, por fotos, me convenceu ser uma peça belíssima. Amigos que foram disseram ser “inacreditável”, “de outro mundo”, “linda”! Frustração me acompanha…

aldebaran

Os grupos mineiros brilharam neste festivalque termina hoje.- Atrevo-me a dizer, sem um pingo de bairrismo, pura justiça, que obliteraram os convidados de fora.

Fui a poucas peças, mas, em se considerando que há uns dias eu sequer gostava de teatro – o melhor do preconceito é perdê-lo – e ainda detesto sair de casa – ainda mais no frio e na chuva – fiz minha parte e, para o meu próprio bem, me apaixonei. Ano que vem, como dizem os mineiros, “tô agarrada” no festival!

“180 Dias de Inverno”, da Companhia Afeta
“180 Dias de Inverno”, da Companhia Afeta
“180 Dias de Inverno”, da Companhia Afeta
“180 Dias de Inverno”, da Companhia Afeta

Vida

Quinta foi a abertura do 6º Festival Nacional de Teatro de Itaúna. Ralo um bocado fazendo o material de divulgação, então, tenho xodó pelo evento, mesmo eu não sendo muito fã de teatro…

A peça da estreia foi “Na Comédia de Edgar, Alan Põe o Bico”, do Grupo P’Atuá. Tendo achado o título meio bobão e não gostando de teatro, estava com preguiça de ir, mas fui. Para você ver como são os preconceitos… A peça foi sensacional! Divertida e inteligente. Cláudio Márcio e Glicério do Rosário são engraçados na medida, sem forçar. Gostei tanto, que vou assistir a mais uma, amanhã: “180 Dias de Inverno”, da Companhia Afeta.

Quase nada, quase nunca, acontece em Itaúna e, quando acontece, galera não dá muito valor. Quem mora em interior assim, paradão, que nem um cineminha tem, tem mais é que apreciar bem as novidades, as maravilhosas quebras de rotina.

Depois da peça, teve coquetel – ser vegetariana é tenso nessas horas – e beberiquei um espumante enquanto aguardava ansiosa e faminta o momento de ir ao Sandoval.

Sandoval é o único estabelecimento comercial – um botecão – 24 horas da cidade. Clássico, frequentado por todo tipo de gente. Todo mesmo! Lá é servido um PF maravilhoso, temperado com esmero – estou salivando só de escrever…- Por mim, almoçava e jantava lá, todo santo dia!

No sábado, fui tomar caldo de abóbora na casa da Bianca. A mãe dela fez sem carne, para mim! Delícia! Noite divertida, família divertida! Tudo muito bom!

Domingo, fui a um rodízio de japa em Mateus Leme - cidade entre Itaúna e BH -. Eu não como japa, então, belisquei um tempura de vegetais e tomei sake com abacaxi e gengibre.

Ontem, quis fazer happy hour numa cafeteria/bistrô que já existe há uns dois anos e na qual eu nunca tinha ido, a Alfajor. Eu estava com vontade de bolinho e café, mas acabei tomando suco de amora + uva e comendo de tudo - sem carne -. Tudo muito bom!

Amanhã, como eu já disse, tem mais teatro. Depois da peça, caldo. Quinta, inauguração de uma empresa de cliente. Domingo, provavelmente, mais japa - vou de Yakisoba de vegetais, desta vez. 

O que? Virei uma pessoal sociável?! Nunca!! Meu problema é que moro numa casa gigante, cheia de gatos e sem faxineira. Estou fugindo daqui a qualquer custo, porque, se eu ficar, vou ter que faxinar… Pena que não dá para escapar para sempre…

 

Catarse

Eu estou pobrinha. Este ano está particularmente complexo. A cidade está empobrecida, muita empresa e loja quebrando e publicidade, por incrível que pareça, é a primeira “despesa” a ser cortada. Diante deste cenário, estou evitando gastos supérfluos.

Estava dando certo até que um amigo anunciou um projeto no Catarse. Um projeto puxou o outro e, de repente, eu estava apoiando 4 – e desejando muito mais dois. Um outro amigo disse que sou mecenas, por sempre apoiar os projetos de artistas. Eu sou é descontrolada, mesmo. Mas… Sei lá… Para quem se importa pouco com pessoas, eu me importo muito com sensibilidades e ver um projeto bacana ser engavetado me dói. Minha contribuição é pelo projeto e, principalmente, pelo autor. E, no fim das contas, em vez de apoiar com o pouco que me cabe, eu apoio com um muito que me excede… O bom é que ainda não me arrependi.

blueQuem resiste a esse olhar?

Se você não é descontrolado(a) como eu, há projetos dos mais diversos no Catarse que valem o investimento. Eu, particularmente, gosto de quadrinhos e indico:

Mas cuidado! Catarse vicia!

 

Meu reality show

Eu queria muito ter meu próprio reality show. Iria ser muito bom. Minha vida é um drama sem fim só pra mim. As outras pessoas parecem se divertir com ela, então, por que não capitalizar? Minha grana é sempre curta, mesmo.

O tema da abertura da primeira temporada poderia ser aquela música do KLB, que diz: “vida, devolva minhas fantasias”, etc.

Ele se chamaria Farmília e mostraria, com bastante edição, o que é ter uma agência de publicidade em Itaúna, repleta de bichos, insanidade e dramas.

Agora mesmo, o Toro está internado por causa da bicheira. A assistente do veterinário me disse: “não fica assim, a culpa não é sua”. Sorri para não dizer: “eu sei. A culpa é do seu patrão açougueiro.”

A Nikita está desconsolada sem o Toro. Sou uma cat person extremamente cansada e não dou conta de lidar com energia e carência de cachorro.

A Gasolina está com câncer de pele no nariz. E, desta vez, a culpa é minha, que nunca passei filtro solar nela, mesmo sabendo que ela curte ficar ao sol.

IMG_0600Remelenta, porque o veterinário pediu para não limpar antes de saber do que se tratava, já que poderia ser algo contagioso.

Do punhado de pintinho que nasceu, só tem um punhadinho. Hoje, nasceram mais, e já morreu, pelo menos, um. Teve parte da cabeça arrancada. Quem matou?! Pode ter sido o galo que peguei em flagrante no ninho. Pode ter sido tiú (ou teiú), já que a Gasolina encontrou um baita de um filhote. Pode ter sido mico. Até camundongo, não descarto.

Galinhas são bichos muito estranhos. As melhores cenas seriam protagonizadas por elas. É muita loucura e tumulto por muito pouco.

E “temos” micos. E eu os odeio. Muito! Parecem gente, aquelas pragas. Parecem MST dando rolezinho. Saqueiam e sacaneam as galinhas. Invadiram e se sentem à vontade na minha casa. Comem os ovos, comem os pintinhos, comem as frutas todas do pomar, empesteiam a casa com pulgas, assoviam o tempo todo. E o Ibama nem me deixa matá-los… Micos, eu mataria… Odeio-os.

Cristo, o gato novo, não se adaptou aos outros. E o pior é que, ao contrário de todas as outras aquisições, a culpa é dele. Todo mundo ficou de boa, tranquilo, com aquela cara de: “mais um, sei…”. E ele fingiu de legal e atacou todos, um por um. Tocou o terror e ganhou a alcunha de Anti-Cristo. Está aqui, sendo lindo e fofo comigo, trancado num cômodo, esperando o Sr. Limite chegar.

E ainda tem os outros gatos, loucos e divertidos, fazendo coisas de gatos. E eu, louca e histérica, tentando por ordem nesse imenso galinheiro que é minha farmília.

Você assistiria e comentaria no Twitter e no FB. Certeza!

P.S.: querido Ibama, ninguém matou o tiú. Nós o capturamos e soltamos no bairro de rico seguinte, porque há de ter comida lá. Lixo, tem.

tiu

lixo