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Benjamin, Rubinho e Zacharia foram embora para seus novos lares, hoje. E eu, definitivamente, me sinto uma m*rda de pessoa. É como dar filhos para desconhecidos criarem. Posso tentar me convencer que fiz o melhor por eles, pelo bem deles, mas como eu vou ter certeza disso?

Eu peguei Cristo para tirá-lo do perigo. Eu fiz o meu melhor para protegê-lo e, mesmo assim, não foi o bastante. Se eu não tivesse me metido, talvez ele estivesse bem, vivo. Na verdade, eu não sei se ele está ou não, assim como nunca mais vou saber se Benjamin, Rubinho e Zacharia estarão bem ou não. Passaram a ser da conta de outras pessoas. Espero que boas pessoas.

Meu pai passou mal ao saber que os gatos foram embora. Ele já sabia que iriam, mas talvez tivesse esperança deu desistir. Eu tinha esperança de desistirem.

Eles se foram. Meu coração está apertado, meu nariz, entupido, meus olhos, inchados e meu estômago, revirado. Espero que, pra variar um pouco, eu tenha feito a coisa certa. E se eu tiver feito a coisa errada, que eu nunca fique sabendo…

Curtinhas

Desapegando.

Segunda-feira, depois de subir no telhado (num banco, desta vez) pra pegar um gato, não conseguir e acabar toda unhada e mordida, decidi doar meus netos. Não por causa de mordidas e unhadas, porque isso faz parte. Gatos são gatos. Mas pelo telhado. Não dou mais conta de viver com medo. Se não tenho solução pra minha vida, agora, preciso dar solução pras vidas deles, já que são minha responsabilidade.

Anunciei no Facebook. Inúmeras pessoas compartilharam. Pouquíssimas pessoas se interessaram. É a síndrome do gato adulto. Seis meses já é velho. Até o Zach, o gato mais lindo/doce/meigo/peludo de olhos azuis desta vida, não teve mais do que uma pretendente.

Gente, gato adulto é gato com personalidade definida. Você adota sabendo que não gosta de colo, que prefere água na pia, que não gosta de patê, que ama carinho na barriga. Mas, enfim, sábado entrego os adotados nas respectivas casas para adaptação. Coração mais humilhado do que uva passa.

Querido Doutor.

Meu relacionamento com Dr. Bonitão evoluiu de paciente/médico para cliente/designer. Tudo por conta da minha crítica ao receituário dele: coisa mais feia e sem sentido. Ele pediu umas sugestões (cliente típico) e eu falei que faria um novo. E assim como nas consultas, quando eu mostro o pé e a mão da pessoa chega fácil ao joelho, eu mostrei o receituário e ele já quis cartão! Não reclamo em nenhuma das duas situações. Primeiro, porque são boas mãos. Segundo, se fazer toda a papelaria dele me libertar da visão do receituário atual, tudo é vantagem.

Compras online fail.

Estou num relacionamento longo e ruim com uma loja online de vestidos vintage.

Eu queria um vestido “meio anos 50″ antes mesmo de quebrar a perna. Quebrei, fiquei de molho e meu primo, a pessoa mais “antiga” que eu conheço, me passou uns links de lojas retrô. Lá fui em busca do meu vestido sonhado. Entre duas, escolhi uma com mais opções lindas.

O prazo era de 8 dias para o envio, mais o tempo dos Correios. Isso, foi em abril. Chegou um mês e meio depois. E nem eram lindos. Um deles, o da minha tia, ficou enorme e pedi para trocar. Isso foi em maio. Até hoje, nada do vestido.

Tive problemas com uma loja de óculos retrô. Falta de educação do vendedor. E tive problemas com a Granado, porque meu CPF está cadastrado, lá, não sei como nem porquê, e só posso comprar por esse cadastro desconhecido. Faz duas semanas que espero não somente uma solução, mas um contato.

Acho que esse povinho vintage ainda não sabe utilizar internet. Mas poderia ter, pelo menos, o atendimento vintage. As pessoas eram atenciosas, antigamente.

Adote um Ronrom.

A Manu Cunhas desenha lindamente. Adoro o trabalho dela e fiquei felizona quando ela anunciou que estava tentando um projeto no Catarse. Todos os lindos desenhos da página Adote um Ronrom num livro lindo! Claro, apoiei! Ainda mais que 25% da arrecadação vai pra ONG.

O projeto já alcançou meta, mas ainda é possível apoiar até 26/07/2015, às 23h59m59s! Recomendo!

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:-)

Tenho andado ansiosa. Pode ser porque vou ser operada, de novo. Pode ser porque eu ainda não tenho casa. Pode ser porque a crise está aí. Pode ser por tudo isso junto e/ou por um monte de outras coisas. Só sei que faz tempo que não assisto a um filme sem pausar, pelo menos, umas 11 vezes. Isso, se chego ao fim.

Teve um tempo em que comprar me aliviava ansiedade. Era um tempo em que eu não tinha muita responsabilidade (tinha um gato só) e comprava sem dó. A natureza agradece minha mudança de rumos, o capitalismo lamenta e eu confesso que comprei, há uns dias, alguns supérfluos, só para matar saudades.

Almofada da linha Amo Bichos, da Gíria Presentes. Sim, eu não precisava dela, já que nem tenho onde colocar. Mas a Olívia ficou tão deslumbrante na almofada. Quem me culpa?!

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Tião, o neto favorito, quer uma, também! Já sua mãe, tímida que só, se escondeu dos flashes!

IMG_1055 IMG_1068Ainda na vibe “eu amo Olívia”, encomendei ela e Cristo em amigurumi (crochet/tricô) na Blackbird Amigurumi. Meodeosdoceu que coisa mais linda!! A Heloísa, com quem fiz contato, é uma doçura! Pediu foto dos homenageados e fez a Olívia sem o pé direito!! Amei! Aliás, teria como não amar?!

IMG_1085 IMG_1086Normalmente, quando se compra online só se tem contato com o vendedor em momento de estresse. Ou a compra não chega ou veio errado/com defeito. Nessas comprinhas, eu tive contato e foi bacana. Pessoas que atendem bem, com carinho e simpatia merecem meu (parco) dinheiro. Merecem sucesso.

Recomendo muitíssimo os presentes dessas duas lojas.

Guerreira

Na minha penúltima consulta com Dr. Bonitão, por absoluta falta do que falar, ele me chamou de “guerreira”. Pessoas têm feito isso em excesso… Eu já disse o quanto eu odeio isso? Não?! Eu odeio.

Não sou sobrevivente de guerra ou de câncer, não enfrento preconceito racial/social, não tenho sido estuprada, não fiz colostomia, não perdi um pedacinho sequer de mim. Eu só quebrei a poha do tornozelo! Eu não lutei por nada. Eu só esperei colar de volta (sentada, em casa de vó, sendo cuidada por ela).

E a colagem está em andamento. 90%, eu diria. E vou encarar a artroscopia e a retirada dos pinos malditos (só três, dos onze), no final de agosto/começo de setembro. E dá-lhe mais licença médica.

Tem sido um saco? Tem. Dói? Sim. Eu ando direitinho? Nhé. E dependo dos outros, yada yada yada, já resmunguei o suficiente sobre isso. É tudo chato, sim. Tenho tentado encarar com bom humor, sempre que deixam, mas me chamar de guerreira é desmerecer as guerreiras de fato que estão por aí. É, além disso, uma abertura para que eu me sinta mártir e me ache em direitos, por aqui. Não me acho, mas… Melhor não bobear…

Outra coisa que odeio é pessoas me dizendo “eu chutaria o gato que me fizesse isso” sempre que contam “meu caso”. O gato não me fez nada. A escada me fez, eu me fiz, mas o gato foi só gato. E, mesmo se tivesse feito, não se chuta gato. Nunca. Por motivo algum.

E, ó, não me arrependo nem por um segundo do meu acidente. Se Cristo tivesse ido embora sem que eu sequer tentasse fazê-lo ficar, eu jamais me perdoaria. Minha tentativa foi um fracasso retumbante e lá se vão 5 meses de recuperação, mas foi uma tentativa. Eu não desisti dele e estou tranquila quanto a isso.

“Por causa de um gato, Pat?”. É. Por minha causa e por causa de um gato, um gato que eu amo, um membro da minha família.

9 gatos

É curioso… Algumas pessoas acreditam que eu tenho gatos porque sou infeliz (ou mal amada, frustrada, etc.), sendo que, de fato, eu era infeliz (e mal amada, frustrada, etc.) até ter um gato.

Minha felicidade não aumenta na medida em que eu acolho mais gatos. Minha gratidão e meu amor, sim.

Dia da Olívia

A Olívia foi resgatada sem uma das pernas e com as mamas cheias, como contei aqui. E, apesar de três protetoras que cuidam ou já cuidaram de gatos amputados me garantirem que não existe síndrome de membro fantasma em gatos, Olívia as desmentia. Ela se agitava, pulava e gritava quando minha mão se aproximava do local onde deveria estar a perna. Muitas vezes, sonhava e chorava. Até que, num belo dia, ela conseguiu pular um muro impossível e voltar grávida.

Eu poderia tê-la castrado às pressas para evitar filhotes. Era uma suposta gravidez de um dia, quando ela voltou. Poderia, mas não o faria. Não só porque sou contra aborto, mas porque achava que ela precisava dessa experiência, já que, da última vez, a maternidade tornou-se tragédia.

Ela foi uma grávida tranquila. A síndrome passou por completo. Ficou pesada para o tamanho e as três pernas, mas deu tudo certo. O parto foi complicado só pra mim. Cristo recebeu as crianças muito bem, nem parecia a fúria assassina que havia sido. Éramos uma família.

Nasceram 5 bebês lindos. Eu ficaria com 2 e doaria os outros, mas me apeguei. Eles todos se dão muito bem, são fofos, carinhosos. Dois deles andam amassando pão! Na quinta passada, levei Olívia e Carlota para serem castradas na Cão Viver. Os meninos ficaram tristes, sentiram muito a falta delas, nem comeram.

Eu tive uma noite terrível, pré-castração. Fiquei ansiosa, pensando em tudo o que poderia dar errado, mas deu tudo absolutamente certo. Até dar remédio não está sendo tão difícil.

Para minha família voltar a ser completa, faltam os três que estão lá na casa antiga. Meu coração fica apertado em pensar neles, mas fiz o meu melhor, diante de tudo. Muito em breve, estaremos juntos.

Também falta Cristo…

Enfim, é dia das mães e meus parentes foram comemorar. Eu fiquei. A mãe que mais me interessa, neste momento, é a Olívia. A melhor mãe que eu conheci e, por acaso, minha filha!

Olivia-2416Foto: Vinnicius Silva

 

Abobrinhas

Parei de comer alho por um período de experiência. Os Hare Krishna não comem e justificam com muitas explicações. As melhores: faz a pessoa feder e tem a ver com raiva e descontrole. Não quero feder nem me descontrolar, então… O interessante é que tenho estado com melhor cheiro – meio óbvio, isso, né? Alho fede mesmo! – e mais calma. Pode ser efeito placebo, mas pode ser que não seja. Na dúvida, estou evitando alho, alho-poró, cebola e cebolinha. Para minha profunda tristeza, adoro os quatro.

Estou tentando andar, mas dói e está difícil. E não quero andar na piscina, como o Dr. indicou. E é por pura vergonha. Estou deformada e insegura. Eu estava tão bem, tão magra – saudável! – e em forma e, agora, estou tipo “Andressa Urach pós-coma”. Não dou conta de lidar. Ainda não.

Estou fazendo exercícios para o pé, uns alongamentos, e tenho tido ajuda do Zacharia, que tem conseguido driblar a “família pé-no-saco” – porque não deixa gato dentro de casa – e chegar ao meu quarto provisório para me dar e receber muito amor.

Zach é um dos que seriam doados, caso eu tivesse resolvido doar. Ainda bem que mudei de ideia, porque ele é delicioso demais. Do tamanho exato da minha carência. Não tem quem não o ame! Até minha avó o adora!!

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Comprei o FURminator para pentear os gatos e o Zach, o mais peludo da prole, deixou e gostou. Como saiu pelo no pente! E como ele ficou com aspecto menos sujo! Gente, eles estão todos imundos e eu não tenho como dar banho! Calamidade!

Também comprei Brinquedo Ecológico Pet Games EcoCaça Peixe e os gatos amaram. Até os antissociais se chegaram para brincar! Claro que seu eu deixar com eles, sem supervisão, não dura 5 minutos. Mas é para brincarmos juntos, o que é mais legal e durável!!

E depois de ler Sobre a Escrita, do Stephen King – recomendo para quem quer ser escritor ou ame muito o Steve. Caso contrário, há muitos outros livros dele para se ler -, não sei mais se consigo escrever um continho sequer. Virei crítica. Estou lendo A Imortalidade, de Milan Kundera, fazendo cortes (mentalmente): tirando advérbios e partes desnecessárias. Meodeos! Stephen King criou um monstro em mim! Como se houvesse necessidade disso!

Gatos

Antes de desistir de colocar meus netos para adoção, eu havia escolhido a Carlota Joaquina, a tricolor, e o Tião Carmelo, o branco e amarelo, para serem meus para sempre. Como pessoa que sabe bem escolher, eles se saíram os mais medrosos, chatinhos e antissociais dos gatos. Os três inicialmente preteridos são fofos, carinhosos e belíssimos! No fim, pouco importa. Ficarei com todos.

Se eu tiver acertado os sexos, ficam assim: Zacharia, Tião Carmelo, Carlota Joaquina, Jezebel e Rubinho.

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A propagação da ideia de que gatos não gostam dos tutores, mas da casa, me irrita. Eu me sinto amada pelos meus gatos. De fato, apesar de ter negado de pé junto, inclusive neste blog, que seria mãe de gato, admito que o sou. E muito.

Caí da escada tentando alcançar Cristo, mas poderia ter caído, com consequências bem piores, da cadeira sobre o banco ou da árvore ou do muro, tentando alcançar Panqueca, Guapa ou Olívia. Sim, me arrisquei por eles e uma perna quebrada não me trouxe juízo algum, me arriscaria novamente.

Choro todos os dias a falta de Cristo, assim como de Rasputin, Pixie e Guapa, dos quais, além da imensa saudade, sinto imensa culpa por não estarem comigo. Espero que não se sintam abandonados e, sinceramente, que me perdoem. A vida tem sido um pouquinho mais complicada do que eu esperava que fosse.

E confesso que fiz uma oração, a Santa Gertrudes de Nivelles, padroeira do felinos, por causa de Cristo. Sou ateia e não rezo nem por mim, mas já rezei por ele mais do que eu sonharia. Ele, assim como os outros gatos, são, sim, meus filhos. São meus amores, minha responsabilidade, minhas despesas, minha dedicação. E, quer saber? Meu coração está tão repleto deles que o carinha do qual eu gostava, a quem dediquei uns posts, foi expulso de vez. Assumo: sou Crazy Cat Lady e não me envergonho nem um pouco. “Vergonha é roubar, não poder carregar e o dono enxergar”, diria minha avó.

Uma semana sem Cristo

Com pouco mais de cinco semanas de perna quebrada, perdi:

• A evolução e o carinho dos meus filhotes. Meu sonho de ter bebês em casa se realizou, mas ficou pela metade. Depois de quase um mês sem conseguir ir até eles e sem os deixarem vir até mim, eles não me conhecem mais, não se interessam por mim e, principalmente, cresceram e deixaram de ser bebezinhos miudinhos longe dos meus olhos;

• O último fiapo de carinho que eu sentia pelo meu pai. Ele está cuidando dos gatos. Ok, agradeço. Mas ele faz questão de fazer TUDO exatamente ao contrário do que eu peço. Não é à toa que Cristo fugiu. Não é à toa que um dos filhotes quase fez o mesmo. Ele me faz sentir raiva e frustração;

• Oportunidades. Um punhado delas. De todos os tipos;

• Paciência. Depender dos outros é tão insuportavelmente desagradável que eu fiquei mal agradecida por diversas vezes. Shame on me;

• Privacidade;

• Massa muscular, força e equilíbrio. Minha coluna está em frangalhos e estou ferrada para recuperar e/ou consertar tudo que se estragou;

• Até agora, pouco mais de cinco semanas. E, pior, seis fins de semana, incluindo um com uma hora a mais.

Mas o mais terrível de tudo, sem sombra de dúvidas, foi perder Cristo. Faz com que tudo isso aí  em cima tenha sido totalmente em vão. Faz com que meu coração esteja em frangalhos, meu humor, péssimo e minha carência, em potência máxima. Perdi um filho, meu melhor amigo, meu companheiro. E nem tenho ideia se ele está vivo, em perigo, ferido… :'(

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32º Dia

Querido diário, lá se vão 32 dias desde que quebrei a perna.

As pessoas têm gostado de dizer que sou forte, guerreira, como seu eu fosse uma heroína e, não, alguém que está simplesmente arcando com as consequências de uma decisão errada. Como se isso fosse voluntário, só que eu  não tenho escolha. Claro, tenho a escolha de encarar tudo de bom humor e, na medida do possível, é o que faço, já que mau humor não ajuda em nada. Só não imaginei que teria que ser Pollyanna por tanto tempo.

Mais uma vez, subestimei minha fratura. Com 30 dias, já me imaginava voltando a caminhar, mas ainda não posso sequer apoiar o pé.

Estou fazendo Fisioterapia e, surprise surprise, não é tão ruim quanto me alertaram. Também não é gostoso, mas é minha oportunidade diária de sair de casa e ver pessoas diferentes. O que também não é gostoso, mas distrai. E meu pé que, apesar de não ter sido fraturado, é o problema, voltou a se mexer. Ainda está MUITO inchado e dolorido, mas está indo. Vejo progressos.

Dona Conceição, companheira de Fisio, 80 anos, 4 vezes graduada em cursos na área da Educação, mãe de uma brilhante mulher com 8 graduações e avó de vários netos que seguem o caminho dos estudos, deu-me o precioso conselho: “esteja sempre linda e bem cuidada”. Para ser bem sincera, nem estou tentando. Meu cabelo está caindo em tufos. Minha massa muscular derreteu todinha e mal tenho forças para dar meus pulos de muleta. A posição em que passo meus dias mais a comilança que me é desnecessária, mas que alegra a vovó, estão me deixando pançuda. Me mantenho depilada e de unhas aparadas e isso é tudo em estética que tenho me empenhado – mesmo porquê tem mais a ver com higiene…

Nesses 32 dias, não vi as 6 peças de teatro que eu queria, não fui à FNAC conhecer o Alexandre Beck, o pai do Armandinho, não fui aos festivais gastronômicos e às exposições que estavam acontecendo. Pelo menos, comemorei meu aniversário, terça, na casa de queridas amigas, que me prepararam uma festinha vegana. Uma pausa maravilhosa para a alegria e o amor. Mas, na maior parte do tempo, estive tão somente definhando, em uma casa que não é a minha. Deixei o Diabo montar sua oficina na minha cabeça vazia e, por vezes, fiquei amarga e infeliz. Mas estava sendo salva, paulatinamente, por Cristo, o gato, que vinha me dar cabeçadinhas, ronronando pouquinho, porque ele é contido, e me fazendo companhia. Só que, na sexta, ele sumiu.

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cristo1Demorou tanto a acontecer que imaginei que não mais aconteceria. Por 30 dias, ele foi livre e não foi embora. Daí, resolveu que era hora e se foi… Quebrei minha perna para evitar que isso acontecesse e, de perna quebrada, inútil, não tive como evitar o inevitável, já que meu pai é teimoso e incapaz de enxergar as coisas pelo meu ponto de vista. As pessoas têm que parar de achar que gatos devem dar suas voltinhas. Não devem, não neste mundo, não nesta época. Há doenças, brigas, cães ferozes, arames farpados e cercas elétricas, pessoas ruins e trânsito intenso, tudo isso, contra os gatos.

Sexta, Cristo se foi, Pollyanna morreu e, desde então, sou só dissabor, um barco sem mar, um campo sem flor…