Hate Dove

Meu fisioterapeuta me perguntou se sou feminista. “Eu seria o quê? Machista?” Ele disse: “pode ser neutra”. “Não, não posso ser neutra num mundo em que Dove existe”.

Odeio Dove, de coração. Odeio enquanto mulher, consumidora, “publicitária” e ser humano. Odeio a manipulação que Dove faz. A ideia errada que adoram propagar de que as mulheres se odeiam e têm baixa autoestima. E que Dove é a salvação, porque a marca nos entende e nos ajuda a nos enxergar. Balela.

A nova “campanha” Dove… :-* Coloque uma placa escrito “bonita” numa porta e “comum” na outra e faço igualzinho a dona que deu meia volta e não passou por nenhuma das duas. Se eu enxergar as placas, claro. Não aceito rótulos, minha gente! Não aceito poder ser somente bonita ou comum. Eu sou mais eu, poha! Sou mais eu desde 1984.

E, mais uma vez, que história é essa de que beleza é tudo? Beleza é joia, é bacana, é poder, mas é pra tão pouca gente. Dove podia parar com essa mania de nos definir pela estética. De ultra valorizar a estética e ficar apontando as coitadinhas que ficaram inseguras, porque a marca as fez pensar naquilo que não precisa. “Sou bonita?” Tanto faz, seja mais do que isso!

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Dove embute a ideia de que você se vê “pantufa”. Mas que pode chegar a “Havaianas”, se usar sabonete cremoso testado em animais. Só que a ideia aí do quadradinho é imbecil igual propaganda de Dove. Machista na mesma proporção.

Dê um basta nessa marca horrorosa, transmissora de ideias erradas, que diminuem mulheres. Pare de chorar assistindo essas campanhas de merda e comece a ver além. Tô te mostrando isso desde 2013. Passou da hora de acordar.

Descobrindo

Muita gente se sente em condições de julgar os outros. Eu cometia esse erro quase que o tempo todo, confesso. A coisa fica tão cotidiana que, de repente, escapole e lá está você (eu) fazendo de novo. Pois é. Prestemos atenção.

E assim como a gente julga sem nem perceber, há mulheres que sofrem abuso moral sem nem notar. Ou, se notam, logo decidem que é um exagero da parte delas, que é coisa de mulher, que não é nada. Porque, no fim das contas, fomos condicionadas a pensar assim. Se ofender é um enorme exagero e nada mais é do que uma prova de que mulher é tudo fora de controle.

Desta forma, quando o homem que você escolheu para ser seu par lhe diz para parar de cantar porque sua voz é feia, você para. E não canta mais, mesmo que cantar lhe dê prazer. Se diz que sua autoestima é tão alta que alguém deveria dar um jeito nela, você acha que é elogio. Se ele paulatinamente lhe chama de chata, é porque você é. Se culpa sua TPM (inexistente) por uma briga (que ele começou), é porque você está de TPM e, por isso, sensível demais. Se ele lhe chama de lésbica e de frígida porque ele não consegue lhe dar prazer, a culpa é sua, é óbvio! Se diz que você é a pior coisa que aconteceu na vida dele, você deve pedir desculpas e tentar melhorar. Ir embora?! Pra quê?! Pra onde? Por que?! Que exagero, mulher!

E você vai ficando, empurrando com a barriga. Olhando para as mulheres que apanham de seus pares e perguntando, toda cheia de empáfia: “não têm vergonha? Por que não vão embora?”. É claro que o “se fosse comigo” participa da conversa e, é claro, se fosse com você, tudo seria diferente. Mas será? Aliás, é?!

Não é. A diferença é que a mulher que é espancada não tem como negar o espancamento. Pode até se perceber como a culpada, mas sabe que algo está errado. A mulher que sofre gaslighting (palavrinha nova que aprendi aqui) quase sempre tem certeza de que não é nada, além de bobagem (feminina) dela. “Ele me ama” é a única certeza. “E está certo” é a grande probabilidade. E, assim, continua sendo dominada, sem saber o que fazer, simplesmente porque não percebe que algo tem que ser feito.

“Você merece aquilo que tolera”, disse uma amiga, dia desses. Dentro do contexto, fazia muito sentido, apesar da frase me incomodar. “Se você tolera, talvez mereça” me parece mais justo. Mais justo ainda é não tolerar merda nenhuma, por tempo nenhum, por motivo nenhum, senão, você vai acabar achando que merece o que tolera! Não se deixe tolerar, não se deixe merecer nenhuma forma de tortura e domínio, por favor.

Esteja atenta às coisas que você faz e às coisas que permite que façam com você.

Confesso que quando meu ex arranjou uma briga para justificar o nosso fim enquanto casal – supostamente já tendo uma mocinha 20 anos mais nova do que eu engatilhada (macaco gordo. Sacomé) –, eu não fiquei triste. Nem ofendida, humilhada nem nada sequer parecido (e ofensa e humilhação era o que esperavam de mim). Eu me senti aliviada. Assustada com o quanto e com as novas possibilidades, mas feliz.

Meu novo bom humor, meus novos pontos de vista, meu novo amor, meu novo desejo refletem quem eu sempre fui, mas não sabia ser. Não houve mudança, houve descoberta. Foram 40 anos de opressão e desqualificação, vindas de todo lado: sociedade, família, coleguinhas, “amigos”, marido. Eu deveria ser o que esperavam de mim? Sincerona com todo mundo, menos comigo?! Não mais…

Vá por mim: libertar-se até assusta, mas não dói. O que dói é não se pertencer.

Carregando esta cruz

Eu não tenho tido muita opinião, por isso, me furto a dar pitacos, como antigamente. A princípio, porque quero evitar a fadiga, mas também quero evitar falar bobagem e/ou sair por aí divulgando minha ignorância e preconceito. E tem também o fato de que eu realmente me recuso a entender uma porção de acontecimentos, seja sob qual ponto de vista for. Se matem nos comentários das redes sociais, desde que me incluam fora disso.

Mas… Fiquei entalada com o Padre Fábio de Melo. E com uma tal de Allyne, (ex) amiga ofendida de um amigo meu.

Esse meu amigo é umbandista e ativista pelos direitos dos gays. Eu sempre achei tanta coisa bobagem, mas, de repente, eu vi. Não é bobagem. É claro que não rola, legalmente falando, de ficar fazendo leis a torto e a direito para defender minorias. Leis não funcionam assim. E, convenhamos, Leis não funcionam por aqui e ponto.

Voltando ao Padre. Uma “amiga” curtiu a fala dele no Facebook. Facebook, enxerido que só, enfiou na minha fuça a curtida dela. E a frase, que não copiei e nem copiaria, terminava falando que a trans na cruz era “intolerância invertida”. Em defesa dele, se é que tem alguma, muita gente desatou a falar bobagem por aí e ele não fez mais do que repetir o senso comum do momento. Já que galerê resolveu se ofender até os ossos e o coletivo tem essa mania de emburrecer, ele só seguiu o fluxo. Mas…

joao-castellano-reuters_parada-gay-avenida-paulistaIntolerância invertida é tolerância. Inverso = antônimo. Ou seja, o padreco, na real, falou que a trans (linda trans, foto maravilhosa do João Castellano) na cruz é prova de tolerância LGBTQ (não sei o que é o Q. Nem o sabia, até domingo) com o cristianismo. Mas o que ele quis dizer é que tá certinho ser intolerante com LGBTQ, mas ser intolerante com o cristianismo é errado. Um pode, outro não pode.

É aquele papo de “racismo inverso” quando um negro odeia brancos. Porque brancos têm todo o direito de odiar não-brancos. De ter nojinho. De descriminar. De tratar mal. Mas os não-brancos, seja lá de “raça” se convencionou dividir nossa espécie, não podem odiar brancos. Por que? Sei lá. Deve ser porque Jesus era lourão de olhos azuis em pleno cafundó do Judas do oriente médio de pele morena.

Mas voltemos ao T da questão: onde se lê intolerância, ou o neologismo “cristofobia”, na trans na cruz? A coisa toda é uma metáfora, meu povo!! A trans não está dizendo que Cristo era viado – porque, se tivesse, cadê intolerância aí?! -, mas está mostrando o cotidiano dos “diferentes”. Em pleno 2015, não se pode ser diferente. Entendeu? Não é permitido sequer pensar por si só. Ouse e será crucificado!

11200615_10153422168447922_8058493011013981353_nE se falamos em tolerância, vou ignorar os espaços antes de pontuação. Mas morendo por dentro!

Já a tal de Allyne, muito ofendida e revoltada com a vida, o universo e tudo mais que seja “cristofóbico”, falou que quando desrespeitam gays ou umbandistas, meu amigo fica possesso e sai chutando (santa, não. Ele não chuta santa de jeito nenhum!) canela da geral. Mas que quando as gays desrespeitam o Cristianismo, ah, aí ele acha justificativas para tamanha agressão. Tão tá. Só que, desrespeitar gays e umbandistas tem sido através de tiro, porrada e bomba. Ou quase isso. Gays (meninas e meninos, viu?) são espancados, estuprados/currados (por machos que adoram arrombar o do outro para mostrar o quanto são machos e o quanto o outro é gay), assassinados com mais frequência do que se poderia acreditar. Umbandistas têm sido espancados, mortos, têm tido suas casas e terreiros depredados e queimados. E cristãos? Hmmm. Teve uma cruz com um gay “pregado”, na parada de São Paulo… Então, deixa eu aqui entender… Quando cristãos são “desrespeitados” é através de ofensas subjetivas aos ícones deles?! o__o

Eu, que já discursei contra o particularismo, sobre o contrassenso de se isolar em grupos contra o todo, em vez de ser parte do todo, do que temos em comum, que é sermos humanos… Bem, eu estava errada. Ou MUITO a frente do nosso tempo – o que é ser errada neste tempo. Hoje, sou super a favor de parada gay. Apoio os movimentos feministas – mesmo não concordando com as moças muitas e muitas vezes. Com o tom, com o discurso, com a ideologia – e raciais. Porque gays, mulheres e negros não são minorias. São apenas minorizados. Então, bora arrebentar o status quo porque já deu. Cansou.

 

Me me me*

NO Livro do Riso e do Esquecimento, Tamina ouve. Todas as pessoas que acreditam ter algo a dizer sobre si a procuram, porque ela ouve e não interrompe. Gosto deste trecho:

“Mas será que ela escuta mesmo? Ou não faz outra coisa senão olhar, muito atenta, muito calada? Não sei, e isso não tem muita importância. O que conta é que ela não interrompe. Vocês sabem o que acontece quando duas pessoas conversam. Uma fala e a outra lhe corta a palavra: ‘é exatamente como eu, eu…’ e começa a falar de si até que a primeira consiga por sua vez cortar: ‘é exatamente como eu, eu…’, 

“Essa frase, ‘é exatamente como eu, eu…’, parece ser um eco aprovador, uma maneira de continuar a reflexão do outro, mas é um engodo: na verdade, é uma revolta brutal contra uma violência brutal, um esforço para libertar nosso próprio ouvido da escravidão e ocupar à força o ouvido do adversário. Pois toda a vida do homem entre seus semelhantes nada mais é do que um combate para se apossar do ouvido do outro. Todo mistério da popularidade de Tamina é que ela não deseja falar de si mesma. Ela aceita sem resistência os ocupantes do seu ouvido e nunca diz: ‘é exatamente como eu, eu…’.”

Eu não tenho sido Tamina, assim como não me poria no lugar dos que falam e falam. De fato, eu passei boa parte da vida me policiando para não falar demais, muito menos sobre mim, pessoa desinteressante para os demais. Meu exercício de falar e falar e emitir opiniões acontece basicamente aqui. Fora deste meu mundo particular, prefiro ouvir.

Claro, houve uma fase em que eu não era “eu”. E falei e falei até me encontrar. E não me arrependi de ter falado demais, como disse a má língua, mas de não ter falado demais mais cedo.

Mas, agora, estou sem saco para a história do outro. Parei de ler blogs, reduzi minhas espiadas no Facebook e me cansei do Whatsapp. Sei que é fase e tem a ver com meu estado jururu de ser. E tem a ver comigo, tendo que contar a história de como quebrei o tornozelo, sempre, repetindo, sempre, como Sísifo. Fico com vontade de passar o link do post, mas tenho me obrigado a ser gentil, afinal, ninguém tem nada a ver com meu mau humor. Bom… Não “ninguém”, mas os desconhecidos curiosos não têm. Sorrio, conto a história sem muitos detalhes, ouço as mesmas piadinhas sobre trocar lâmpadas/bênçãos do Senhor, sorrio mais um pouco e sempre alguém diz: “imagino a dor”. Eu não imagino.

sisifo

Não imagino nem me lembro dela. Stephen King se lembra da dor de ouvido que teve aos 4 anos de idade. Eu não me lembro nem quero lembrar da dor de quebrar o tornozelo há 71 dias. Sei que foi ruim – comparei ao parto natural -, sei que não chorei. Lembro que senti medo de nunca mais ver Cristo, que havia ficado no telhado e sobre o qual eu não recebia notícias – foi a única vez que eu chorei.- Senti muita fome e muita sede, que o Dr. Bonitão não me permitia “saciar” – palavra horrorosa! – Só. Eu passei as 14 horas de espera me projetando para um futuro em que eu olharia para este dia e diria: “que aventura”. Ainda não cheguei neste ponto, mas estou próxima.

Dor não é mérito, não é um presente, não é algo que eu queira guardar comigo. Deixo ela lá, no momento dela.

Mas tê-la sentido me permitiu ser mais solidária com a dor do outro, o que a sente. Dr. Bonitão achou engraçadinho eu considerar “meus amigos” os pacientes quebrados, que aguardavam atendimento nos dias de meus retornos, e sempre pedir notícias deles. Naquele momento, éramos amigos, sim. Somente nós, ali, entendíamos a dor do outro, que incluía a dependência, a impotência e um desespero intenso, mas calmo, para não incomodar os “inteiros”.

Pois é… Hoje, se não for para você me falar, em poucas palavras, da sua dor física, eu não me interesso por você. Não me conte sobre sua experiência com a doença da sua mãe ou do seu pai, não me interessa a sua mágoa profunda, não me interessam os seus sentimentos. Não me interessa o seu “me me me” sobre o mundo ou sobre mim. E, principalmente, não me interessa sua opinião sobre a dor de alguém, quando o assunto é esse alguém. O mundo gira em torno dos umbigos dos que sentem dor, não dos que acham que a conhecem.

* Eu eu eu

5 anos de Pitacos

Há 5 anos, eu resolvi fazer disto aqui meu diário. Eu detestava a vida que eu levava e tentava me adaptar, me encaixar. Deixei aflorar uma dose de futilidade libertadora e escrevi abobrinhas à beça. Torrei dinheiro com maquiagens e esmaltes, que doei para outras pessoas, em sandálias com as quais eu não conseguia andar e me cansei. E, cansada, parei de comprar, comecei a falar de coisas mais sérias, aderi ao vegetarianismo e acumulei gatos. E me cansei um pouco mais.

Há um ano, eu cansei até desistir. Mas cansei de estar cansada e percebi que este blog é minha muleta e que preciso dele para seguir gosto de tê-lo por perto. Há tempos, não me preocupo se alguém me lê, mas adoro as pessoas que conheci aqui e que fazem parte, mesmo que ligeiramente, da minha vida. Hoje em dia, não me importo se “meus inimigos” me lêem, porque não devo nada a ninguém e não tenho nenhum constrangimento de ser quem sou. Então…

Pitacos chegou aos 5 anos. Eu, aos 41. E estamos aqui, mesmo nas ausências.

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Perdão, mas eu não perdoo

Há uma certa super-valorização do perdão. Perdoar é divino, elevado, espiritual e intelectualmente: só o sábio perdoa. Discordo. Eu prefiro esquecer, deixar pra lá, sacudir a poeira e dar a volta por cima – isso, para delitos leves. Os pesados têm troco – a oficializar o perdão.

Pedir perdão, principalmente tardiamente, funciona para o ego do babaca que lhe ferrou e ficou sentindo uma reles culpinha. Ou, o mais provável, teve um orgulho danado do estrago causado é quer reviver, reatuar a farsa. Além de querer ter certeza do tamanho do trauma e de que não foi esquecido. São vaidosos, os sacanas.

Eu posso até dizer que perdoo para acabar logo com isso, mas não é sincero. Não vou guardar nova raiva em mim, mas vou excluir novamente a pessoa da minha vida e continuar seguindo.

Se a pessoa insistir em ficar, bom, eu vou magoá-la. Eu vou ferrar com ela, eu vou destruí-la. Vou fazê-la se arrepender de ter me procurado. Ou vou ignorá-la e continuar seguindo.

Pessoa, fez merda? Da grande? Peça desculpas ou remedie imediatamente. Se não der, deixe a vítima em paz e SE perdoe. Não vá foder a vida de alguém duas vezes com a mesma história. Seu pedido de perdão não é uma “homenagem” ou um ato de amor com o outro, é puro egocentrismo e cretinice. Vá por mim.

Charlie Hebdo

Geralmente, me abstenho de dar palpites em assuntos ultra polêmicos, porque não vale a pena. Mas… Charlie Hebdo, mesmo tendo sido um reles desconhecido para mim, até o atentado, me é caro. Amo cartoons, amo charges, amo cartunistas. Acredito na provocação do humor e condeno veementemente sensibilidades exacerbadas, de quem quer se impor sobre os outros.

Discordo do Papa: não há limites para a liberdade de expressão. Há, talvez, punições legais, mas limite e liberdade se opõem. E, ademais, quem imporá os limites? Baseado em quê? Muitas vezes, a ofensa só existe para o ofendido, que opta por se ofender, que busca se ofender.

Se alguém falar mal da minha mãe, ou de alguém que eu realmente amo, eu tenho inúmeras opções: deixar falando sozinho, “ouvir e ponderar”, “ouvir e concordar”, “ouvir e me ofender”, mas, dificilmente, “ouvir e socar” é uma delas. A agressão física, para mim, é sintoma de que se acabaram os argumentos, mas sobrou bastante raiva. Não permito que me façam tamanha raiva.

Retratar o Profeta do outro, mesmo sendo proibido na religião do outro, não é somente liberdade de expressão, mas direito e livre arbítrio. O seu pecado não me representa. Que seu deus, todo poderoso, me puna, se achou ruim, se for tão mundano a ponto de se ocupar com um desenho, enquanto o mundo está – e sempre esteve – em caos. Mas cometer um pecado mais grave e que também é pecado na sua fé, só para tomar as vezes do seu deus e me “mostrar as consequências dos meus atos” é absurdo.

Dizer “ah, eles fizeram por merecer”, “a provocação do Chalie Hebdo foi desnecessária” ou “depois de tudo o que aconteceu, nem assim eles aprenderam a lição” é dar razão aos assassinos, é confirmar que eles tiveram motivos. E não tiveram. Não provocar, se encolher em posição fetal e deixar de se ser o que se é por medo é, também, dar moral ao vilão. A vítima não é o Islã. Mas Charlie Hebdo, mesmo podendo, não se fez de vítima.

“Je suis Charlie” não lhe representa porque Charlie Hebdo não lhe representa? Ok. Esse é um jornal, não o Congresso Nacional. Eles não têm obrigação de representar ninguém além deles mesmos! Você não acha graça, não gosta, acha imoral e ofensivo? Ok, também. É de seu pleno direito, assim como o de não ler ou comprar o Charlie. Você pode até mesmo ficar num mimimi sem fim nas redes sociais, expondo exaustivamente sua opinião, porque, veja bem, isso é liberdade de expressão e ela funciona até com coisas/pessoas/situações chatas e que incomodam! Lindo isso, né?!

Encerrando – grazadeus! – 2014 – parte II

Eu sempre experimento uma dificulade enorme de listar o pior, mesmo tendo reclamado o ano todo. Talvez o pior seja realmente irrelevante e o que foi bom é o que prevalece.

TOP-Pi 10 | O PIOR DE 2014:

1. Morte. Reclamarei da morte até o dia da minha. Acho-a injusta e cruel – por mais que seja necessária. E este ano está escorrendo sangue. Mas, pessoalmente, o pior foi a morte ter levado minha babá Alzira sem que eu sequer tenha podido me despedir… Espero que ela tenha sabido a vida toda o quanto eu a amava…

2. Eleições. Pelo resultado. Achei todo o processo – e as baixarias generalizadas – mesmerizante. Pessoas não cansam de me assustar.

3. Copa. E nem foi pelo merecido 7X1.

4. A economia. Se é que pode se chamar isso que temos de “economia”…

5. Vizinhos. O de sempre. Sempre. Pelo menos, em 2015, terei outros vizinhos e outros problemas. Oremos.

6. Cliente-problema. Todo ano. Neste, mais problemáticos do que nunca. E sabe o que é pior? Eu sempre acerto! Quando eu digo: “fuja desse daí”, fuja.

7. Fim da farmília. Vou-me embora, farmília fica quase toda. Vou sentir falta de muitos membros, de outros, nem tanto. Mas me dói pensar em não ter mais árvores na minha vida e na dos gatos que vão comigo…

8. Solidão. Foi a primeira vez que eu a senti, foi a primeira vez que eu não me bastei… Felizmente, não veio pra ficar.

9. Falta de grana. Tem a ver com a “economia”, tem a ver com os clientes-problema, tem a ver com ingerências e burrices. Tem a ver com um passado que há de não me pertencer mais!

10. Falta de vida. Felizmente, não veio pra ficar.

Encerrando – grazadeus! – 2014

E chegou aquela época gostosa (SQN) em que faço o Top-Pi.

TOP-Pi 10 | O MELHOR DE 2014:

1. Olívia e seu barrigão. Cristo entrou na minha vida logo depois do Top-Pi 2013 e, por isso, não figurou na lista. Ele foi um grande problema e um enorme amor, neste ano. Por pouco eu não o doei, simplesmente porque ele não se dá bem com meus outros gatos. Mas… Chegou Olívia em nossas vidas e, apesar de Cristo não ter mudado nadinha, ele encontrou nela uma companhia e um amor. Eles são muito amigos e isso é lindo!

2. Amizades: eu não teria sobrevivido a 2014 sem pessoas queridas ao meu redor. <3

3. Amor: ele existe. E ele é lindo, mesmo fumando.

4. Vegetarianismo. Firme e forte e cada vez menos “proto” e mais vegano! Em 2015, finalizo a transição! Foi a decisão mais acertada da minha vida e pela qual me sinto extremamente bem!

5. Trabalho voluntário. Continuo trabalhando para e admirando a 4Patinhas. Cada vidinha salva me salva um pouquinho!

6. Stephen King sempre será o dono do meu coração! Li bem menos livros, este ano. Me perdi por aí. Mas amei ler a continuação dO Iluminado (se chama Doutor Sono) e Duma Key. Livro incrível!

7. As ideias de 2013 ficaram engavetadas neste difícil 2014. Mas cresceram e se multiplicaram. Ano que vem, vou ter que dar vazão a elas, senão explodo!

8. Boa forma. Ainda estou longe de estar em forma, ainda mais depois de emagrecer 6kg em uma semana – em novembro, por causa de estresse -. Eu ainda estou despencada, mas estou andando na esteira e já com Yoga marcada para ano que vem. Chego lá!

9. Catarse. Não pude ir ao Comic Con Experience – por motivos de falta de vida -, mas investi em quadrinhos, mesmo assim, graças ao Catarse. Eu apoiaria mais, se pudesse. Espero poder, em breve!

10. Finais e recomeços. Sempre difíceis, sempre duros, sempre angustiantes, mas, acima de tudo, sempre necessários.

olivia-barrigao Amor recheado de mais amor!

Primeiro encontro bom

Primeiro encontro bom termina na cama, no banco de trás do carro ou no coreto da praça do Hippodromo. Não termina com bitoquinha num ponto de táxi, com promessas de “te ligo”, “quero te ver de novo”.

Primeiro encontro bom entra em contato nos próximos dias, mesmo sem promessa. Tem vontade de te ver de novo e de novo e não fica na vontade, mesmo sem compromisso.

Primeiro encontro bom começa com troca de ideias e com o descobrimento um do outro. Ou simplesmente com muito amasso, abraço, beijo para, depois que se tem certeza de que quer chamá-lo, se perguntar o nome.

Primeiro encontro bom é inesquecível. 21 anos, 6 meses e 11 dias depois de ocorrido, você ainda se lembra e pensa no quanto foi bom. “Onde ele estará agora?”. E, às vezes, ele ainda está ali, do seu lado.

Primeiro encontro bom já elimina aquele carinha que te achou ousada demais, fácil demais, assustadora demais, porque ele é imbecil demais para aproveitar um primeiro encontro bom.