Fadiga por compaixão

Tanta tragédia no mundo, tanta coisa ruim acontecendo… Mas minha causa continua sendo animal, mesmo com todo o sofrimento humano. Porque animais e homens sofrem pelo mundo que nós criamos e não nos empenhamos em mudar. Nós, nossa culpa/responsabilidade, nosso comodismo/consumismo. Os bichos padecem e morrem num mundo que nós destruímos. Eles são inocentes e, mesmo assim, relegados a um plano inferior.

Segundo Malthus, é a guerra, a fome e a peste que servem à seleção natural, hoje em dia. Não é necessariamente uma seleção justa, já que quem tem poder (quase) sempre vence e não há sistema de cotas, aqui. E aceitamos. Ou pior, sentamos no rabo e apontamos para o outro, culpamos o outro, brigamos com o outro e desencadeamos guerrinhas imbecis (na vida real e em redes sociais), como se isso valesse pra algo mais do que aumentar o conflito e o ódio.

Uma amiga disse que precisamos de amor. Eu amo. Os bichos.

Desculpem-me humanos. Eu sei que teve gente que ficou enfurecida com meu último post “diminuindo” a dor humana em relação a dor animal. Mas não é isso. Bichos sofrem constantemente, o tempo todo, no nosso mundo, por culpa do nosso estilo de vida – que não funciona mais!!! – As tragédias humanas também são constantes, eu sei, mas só se faz caso das estatisticamente maiores. Tudo errado. Não vou ser convencida pela mídia (seja qual for) a me comover. A comoção tem que ser natural e, pelamordedeus!, pode ser offline e inclusiva.

Obs.: o Facebook já foi considerado uma espécie de Second Life, onde as pessoas se empenhavam em ter uma vida mais linda e mais rica do que a real. Hoje em dia, está mais para FPS.

Sobre a escrita

Poxa… Quase um mês sem aparecer por aqui e nem fez falta pra ninguém! Nem pra mim!

Eu tinha até um bocado de coisas a dizer, tipo: O Vilarejo é um livrinho infantil e tolo, repleto de chichês (7 pecados capitais. Jura?) e escrito com ligeireza e superficialidade, quase preguiça. Se eu tivesse uns 16 anos, talvez gostasse, porque tem figuras (!!), mas como fui lê-lo aos 41, acreditando (nem tanto) nas críticas que diziam que Raphael Montes era o Stephen King brasileiro, tive uma tremenda decepção. Stephen cria personagens cativantes, aos quais a gente se apega. Raphael cita personagens que vão morrer dali a pouco e ninguém vai dar falta. Mas confesso que o final da “luxúria” até me surpreendeu. Não, o Raphael não é exatamente ruim, só não é digno de ser comparado ao King.

Motivada por livros mal escritos, resolvi voltar a escrever. Sem pretensões, talvez, mas, a princípio, como um exercício de criatividade. E é surpreendente como as histórias fluem, como se não me pertencessem. Ao contrário, eu pertenço a elas e elas me usam para prendê-las numa página do Text Edit. Me prometi escrever uma por dia (escrevo contos curtos. Já postei uns aqui, em estorinhas) ou, pelo menos, todo dia, mas não rolou. Está muito calor e comprei um tabletzinho para leitura (Lev, da Saraiva), que é uma pequena porcaria que trava muito e me irrita, mas é relativamente barato, leve e mais confortável que o laptop. Ou seja, às vezes, eu começo a ler e não tenho tempo nem para meus contos.

E se não me sobra tempo para escrever o que me dá prazer, imagina para vir aqui dar pitacos neste mundo chatinho? Ou contar sobre a segunda cirurgia no tornozelo (realizada em 08 de setembro, correu bem, mas não adiantou muita coisa em relação ao movimento. Em resumo: ainda manco)? E que o Doutor, diante disso, quer tentar mais uma vez, daqui a uns 4 meses, tirar o restante dos pinos e, se necessário, alongar meu tendão de Aquiles cirurgicamente (aparentemente, ele é o problema)? E que vou começar a fazer hidroginástica totalmente contra minha vontade, somente para a felicidade do Doutor – é sério. Ele disse que ficou muito feliz com a notícia! -? Porque, meu bem, nada muito interessante ou digno de nota tem acontecido. Então, vamos todos nos poupar de blá blá blá, né?!

Se alguém se interessar pelos meus continhos, depois eu conto onde encontrá-los. E quando algo que não seja uma tremenda perda de tempo minha e sua ocorrer, eu retorno às atividades pitaqueiras.

Beijo e não me deixe só!! 😀

Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio

Dia 10/09 é Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Não pensei em fazer um post a respeito, ontem, porque estava (e ainda estou) com dor. Fui submetida a uma artroscopia, terça, com retirada de dois dos pinos e não tem sido nada divertido. Nada.

Eu tenho tendências suicidas desde que me entendo por gente. Nunca tentei, mas sempre pensei muito a respeito. Uma pessoa conhecida me disse que eu nunca me mataria, porque sou cheia de esperança. Pode ser, mas sou cheia, mesmo, é de devaneios. Até quando meu discurso é de extremo pessimismo, eu sou otimista. Eu vejo (ou tento ver) o lado positivo das m*rdas todas, mesmo que tenha que construir uma realidade paralela para manter a ilusão. E isso, além de gastar energia produtiva, não é garantia, porque quando vem (e vem!) algo/alguém que me tira dessa ilusão, meu mundo cai. E a altura é grande.

A realidade sempre vem de voadora. Dói. Me tira do rumo. Me faz pensar que nada, nunca, vai dar certo e que estou apenas desperdiçando oxigênio neste planeta. Mas quem não está?! É tudo tão poeira cósmica, não é?! Por que se preocupar (com índios, cães, gatos, refugiados, preconceito, efeito estufa), quando se sabe que o planeta sobreviverá à nossa espécie e que nada realmente faz diferença?

Porque faz. Se você imaginar que toda esta complexidade que vivemos, hoje, começou lá atrás, numas celulazinhas de nada que não desistiram de crescer e multiplicar, é porque faz diferença. Talvez você não queira SE multiplicar, mas cresça. Faça por você (sem egoísmo, visando, sempre, o todo) e o mundo, seu mundo, começa a melhorar. Um pouco por vez.

Eu nunca fiquei deprimida um só dia na vida. Eu fico ansiosa, descrente, infeliz, desiludida. Nada que precise de tratamento ou remédio. Tudo que se resolve com uma conversa boa e abraço. Talvez, por isso, suicídio é uma ideia pra mim, não um fato. E se para você as coisas são mais complicadas e o fardo é mais pesado, procure ajuda. Dê-se chances, todas as que forem necessárias. Não desista. Por favor.

Se precisar de um ouvido amigo, ligue pra CVV: 141. Lá, tem gente pronta pra ajudar, o tempo todo. E, se precisar de mim, talvez eu não saiba o que lhe dizer para você melhorar, mas consigo lhe entender.

Segredo dos Homens

E aí que um sujeito fez um site para ensinar as mulheres a “segurarem” homens. Ele se propõe a educá-las a “merecerem respeito” e se valorizarem ao não aceitarem cozinhar para o cara nem buscá-lo em casa num primeiro encontro. Aposto que o homem tem que pagar a conta sozinho, também, e num excelente (caro) restaurante.

A mulher não deve falar de si (chaaaatoooo!), mas ouvir. Ela tem que aprender sobre ele, claro está. Mulheres existem aos milhares, mas mulher interessante (interessada em ouvir sobre o dia dele), só você (que acompanha os posts e incorpora). E se o homem só quer te comer, aceita, boba, mas não dê de comer. Não tão cedo, não seja fácil. Filminho na casa dele? Arapuca! Fuja disso!

Parei de ler antes de chegar nos tópicos – que, obviamente, existem ali – “ria das piadas dele”, “não mexa no smartphone dele” e, lamentavelmente, não assisti ao Power Point em que ele apresenta as dicas de forma fácil e assimilável. E, assim, me poupei de mais um punhado de clichês machistinhas da mamãe, de lobinho mau tentando se passar por amiguinho. Um babaca.

O que me tem assustado, atualmente, nem é a cambada de caga-regra pra tudo – amigos têm que ser assim. Amores só valem se forem assados. Não perdoe! Perdoe e seja sábio! -, mas a quantidade de gente que compartilha essas bobagens, como se fossem ensinamentos de vida.

Sabe o que funciona pra mim? Não? Nem eu. Mas mesmo se não funcionar, vou vivendo. Às vezes, vou por tentativa e erro, noutras, analiso cada caso como único. Quando em plena consciência, observo. E de toda forma, quebro MUITO e dolorosamente a cara o tempo todo.

Meus relacionamentos são meio que trágicos – ou curtos demais para ser qualquer coisa digna de nota. Eu não faço joguinhos e não escondo quem eu sou por trás de personagens. O que você leva é o que você vê. E, não, eu não vou melhorar com o tempo!!! Já pode correr!

Segundo o educador sentimental, se estou solteira, é porque tenho feito TUDO errado! Segundo eu mesma, ok.

Pode ser que a gente aprenda com a história do outro, com a vivência e filosofia do outro – não um outro qualquer que tem R$30,00 pra registrar um domínio e ficar despejando bobagens na internet -, mas não dependa disso. Eu vivo dando conselho? Sim – olha um aí! -, mas não me siga cegamente. Nem eu me sigo sempre! A vida é sua. Aprenda com ela.

 

Veganos

Faz um tempo que peguei birra de blogueira. Elas mentem! Ok, nem todas, mas muitas delas, as mais famosinhas, maquiam as informações sem um pingo de vergonha. Outras são só afetadas, mesmo. Criticam e xingam com toda a propriedade das pessoas que não têm razão. Daí, que parei de confiar, de seguir, de me importar com a opinião delas.

Mas… Como não sou blogueira – sou designer! – vim dar minha opinião sobre coisinhas veganas que comprei e gostei ou não. Deixo claro, é somente minha opinião/experiência, sem validação científica, sem estatísticas confirmadas.

Comprei, no Vista-se, o desodorante Crystal stick. Ele parece uma pedra, que você umedece e passa nas axilas e/ou pés. Sem perfume, não mela, não mancha e segura a onda por várias horas. Tenho gostado muito. Para quem prefere spray ou rol-on, tem também.

Precisei de uma máscara para cílios. Eu uso a Elf incolor para as sobrancelhas e gosto bem, mas não gosto dela para os cílios, então, procurei outras marcas veganas para experimentar. O problema, na minha humilde e pão-dura opinião, é que é tudo bem caro. R$ 80,00 por uma máscara é além do que eu gostaria de pagar, mas fui. Duas vezes.

Primeiro, com a Alva: Máscara para Cílios Orgânica – Black. Orgânica, livre de parabenos, substâncias petroquímicas e fragrâncias sintéticas que causam alergia. As pessoas elogiam por aí. Nos sites de venda, então, só amor. Mas eu não curti. Primeiramente, porque a máscara parece que não seca nunca e ficar uns 10 minutos sem piscar não rola. Então, o jeito é passar, esperar e limpar em volta dos olhos, que estarão carimbados. Depois que, enfim, ela seca, começa a esfarelar. Eu uso lente e farelo no olho está fora de cogitação. Sem contar que suar, chorar e pegar chuva com ela não estão permitido! Então, abandonei-a.

Comprei um punhado de coisas na Granado – no site, mesmo depois de ter reclamado do atendimento deles. Sou só perdão! -, inclusive Máscara Duo Cílios Perfeitos. Estava na promoção.

Nos meus parcos cílios, mais de duas camadas dele já são o suficiente para empelotar. Ficamos nas duas, então – inclusive, a recomendação é usar uma camada de cada lado do duo. Seca e, depois de um tempo, esfarela um pouquinho. Nada demais. Mas tirar com água e sabão, no banho ou lavando o rosto, não rola. Aí, sim, ela esfarela com gosto! Como estou sem demaquilante, no momento, eu sofro. Então, não virei fã.

Os outros produtos Granado, de sabonetes a hidratantes, adorei tudo! A manteiga corporal é meu item favorito. O cheiro é mais forte do que eu gostaria, mas o resultado compensa. Minha pele está maciínha e lisinha!

Comprei, também, um batom Lime Crime da linha Velvetines, o Red Velvet. Eu adoro os Unicorn Lipstick e os Carousel Gloss que eu tenho, então, nem me importei com a alta do dólar quando surgiu a oportunidade de comprar o batom líquido que seca e fica super matte.

É fácil de aplicar, a cor é linda, quase não transfere e é difícil de sair… A não ser que você use sua boca. Porque ele sai até com água. Se desfaz igual tinta guaxe e fica só o contorno. E eu, que evito batom vermelho exatamente porque me deixa insegura, não vou usar esse. :-(

Pra fechar o carrinho: henna. Me enchi de pessoas falando: “mas você não é ruiva, mais?”. Sim, eu sou, mas tenho 41 anos, for crying out loud! Tenho amigas totalmente grisalhas ou caminhando a passos rápidos para isso. Deixa meu cabelo desbotar!! Mas, depois do chilique, eu resolvi passar Surya em pó vermelha, porque a cobre não existe mais :-( , e minha tia aplicou pra mim.

Tem cheiro de chá? Tem. Faz bagunça pra passar? Sozinha, definitivamente. Com a ajuda da tia, bem pouca. Lavar pra tirar é uma aventura? Sim e com certeza. Não sai fácil, mas meu cabelo é liso e pouco, então, foi relativamente tranquilo. Mas meleca o banheiro todo! Mancha toalhas e fronhas por uns dias? Sim. Está na bula do produto, inclusive. Desbota igual tonalizante ruivo? Não. Desbota com as lavagens, mas BEM menos. Meu cabelo é tingido e a raiz está virgem. Vai colorir igualmente? Não, não vai. Tem chumbo? Não! É tudo plantinha inofensiva.

Gostei muito, deu supercerto e volto a usar assim que precisar. Mas vou comprar henna purinha para experimentar, também.

frente-versoDe frente: máscara para sobrancelhas Elf, para cílios Granado, batom Red Velvet, da Lime Crime. Verso: cabelo precisando de corte, mas ruivo, novamente, graças à Surya.

 

 

Amor de amigo

A pessoa vive dizendo que te ama, que quer te ver, que adora sua companhia. Daí, você diz: “vamos nos encontrar, então!” e ela responde: “hoje não posso, estou cansado demais. E acordo cedo, amanhã.” Hmmm. Uma desculpa só já seria o suficiente. Reforçar desculpa é sintomático. Mas ok, uma complementa a outra, não seja chata.

Só que eu não sou cansativa e não estou propondo uma maratona, mas sentar num barzinho e papear. Os bares fecham cedasso, em BH. À meia-noite, a pessoa estará dormindo seu sono dos justos. E, depois, fim de semana está ali. Descanse no domingo, poxa!

“Não, domingo é dia de namorar, não de descansar!” Ok, então! Saiamos no domingo. É bom que me apresenta o namorado! “Não sei se ele vai querer…”

Então, num belo dia, essa pessoa que te ama tanto e quer te ver, mas não tem tempo para isso, decide se casar com o namorado que não quer te conhecer… E, claro, te exclui deste momento. Você entende, não há intimidade para você estar presente num momento de intimidade do casal. E, convenhamos, ninguém nunca deveria ser obrigado a nada, ainda mais em questões sociais.

Mas… Eu acredito que quando se ama sinceramente pessoas, quando você se sente à vontade com elas, você as quer por perto em situações sociais, também. Repito: ninguém é obrigado a nada, ainda mais porque, se for obrigado, já não é amor. No entanto, dizer que ama e não deixar a pessoa amada se aproximar, fazer parte da sua vida ou entrar na sua intimidade é não amar.

Chamar de “amor” gostar de falar bobagens, trocar ideias, pegar dicas e oferecer favores para determinadas pessoas é banalizar o amor. Não banalize o amor. E não se engane. Você pode gostar muito, até adorar, ser fã de algumas pessoas, mas amor pede aquela entrega que você se recusa a fazer. Então, goste dos seus amigos, curta as situações que vive com eles, queira a companhia deles por 20 minutos, exija atenção, mas só declare amor quando puder amá-los de verdade.

Um tal Thiago

Existe (☠) um tal Thiago que estudou comigo há uns 15 anos, do qual nunca gostei e, cada vez mais, me dou razão quanto a isso.

Entre inúmeros palpites que via ele destribuindo em posts de amigos, sempre de forma prolixa/enfadonha/prepotente, um me incomodou a ponto de eu preferir ignorar a existência dele para o resto da minha. E, ao mesmo tempo, motiva este post (de adeus a ele).

Quando a Índia proibiu passarinhos presos em gaiolas, ele vibrou pela enormidade espiritual da Índia. Os orientais, esses evoluídos! Eu, por minha vez, mesmo acreditando que lugar de passarinho não é e nunca foi em gaiolas, fiquei pensando em estupro. Pessoas tão evoluídas espiritualmente, tão a frente de nós, reles brasileiros (sim, teve essa comparação no comentário dele), que nem prendem passarinhos em gaiolas. Mas soltam seus passarinhos metafóricos pelas ruas e violam mulheres. Mulheres, essas, que serão culpadas por terem sido estupradas.

Daí, essa semana, ele disse que detesta o feminismo (“mais do que Roberto Carlos e calor. Juntos.”) e que não precisa dele para achar “aviltante” os adesivos de Dilma nos tanques de gasolina; ele se baseia, para isso, em seus “valores antiquados”. Ele também alega que os adesivos nada tem a ver com “cultura de estupro”. É somente falta de respeito básica de brasileiro (falou o lorde inglês).

Enquanto isso, a cada 25 minutos, uma mulher é atacada pela cultura de estupro da Índia espiritualmente evoluída. Outras tantas no restante do mundo. Feminismo? Eu não preciso dele para achar isso aviltante. Mas precisamos dele para, um dia, não achar mais isso acontecendo por aí.

Eu não vivo por valores antiquados. Muitas mulheres têm morrido por causa deles.

Hate Dove

Meu fisioterapeuta me perguntou se sou feminista. “Eu seria o quê? Machista?” Ele disse: “pode ser neutra”. “Não, não posso ser neutra num mundo em que Dove existe”.

Odeio Dove, de coração. Odeio enquanto mulher, consumidora, “publicitária” e ser humano. Odeio a manipulação que Dove faz. A ideia errada que adoram propagar de que as mulheres se odeiam e têm baixa autoestima. E que Dove é a salvação, porque a marca nos entende e nos ajuda a nos enxergar. Balela.

A nova “campanha” Dove… :-* Coloque uma placa escrito “bonita” numa porta e “comum” na outra e faço igualzinho a dona que deu meia volta e não passou por nenhuma das duas. Se eu enxergar as placas, claro. Não aceito rótulos, minha gente! Não aceito poder ser somente bonita ou comum. Eu sou mais eu, poha! Sou mais eu desde 1984.

E, mais uma vez, que história é essa de que beleza é tudo? Beleza é joia, é bacana, é poder, mas é pra tão pouca gente. Dove podia parar com essa mania de nos definir pela estética. De ultra valorizar a estética e ficar apontando as coitadinhas que ficaram inseguras, porque a marca as fez pensar naquilo que não precisa. “Sou bonita?” Tanto faz, seja mais do que isso!

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Dove embute a ideia de que você se vê “pantufa”. Mas que pode chegar a “Havaianas”, se usar sabonete cremoso testado em animais. Só que a ideia aí do quadradinho é imbecil igual propaganda de Dove. Machista na mesma proporção.

Dê um basta nessa marca horrorosa, transmissora de ideias erradas, que diminuem mulheres. Pare de chorar assistindo essas campanhas de merda e comece a ver além. Tô te mostrando isso desde 2013. Passou da hora de acordar.

Descobrindo

Muita gente se sente em condições de julgar os outros. Eu cometia esse erro quase que o tempo todo, confesso. A coisa fica tão cotidiana que, de repente, escapole e lá está você (eu) fazendo de novo. Pois é. Prestemos atenção.

E assim como a gente julga sem nem perceber, há mulheres que sofrem abuso moral sem nem notar. Ou, se notam, logo decidem que é um exagero da parte delas, que é coisa de mulher, que não é nada. Porque, no fim das contas, fomos condicionadas a pensar assim. Se ofender é um enorme exagero e nada mais é do que uma prova de que mulher é tudo fora de controle.

Desta forma, quando o homem que você escolheu para ser seu par lhe diz para parar de cantar porque sua voz é feia, você para. E não canta mais, mesmo que cantar lhe dê prazer. Se diz que sua autoestima é tão alta que alguém deveria dar um jeito nela, você acha que é elogio. Se ele paulatinamente lhe chama de chata, é porque você é. Se culpa sua TPM (inexistente) por uma briga (que ele começou), é porque você está de TPM e, por isso, sensível demais. Se ele lhe chama de lésbica e de frígida porque ele não consegue lhe dar prazer, a culpa é sua, é óbvio! Se diz que você é a pior coisa que aconteceu na vida dele, você deve pedir desculpas e tentar melhorar. Ir embora?! Pra quê?! Pra onde? Por que?! Que exagero, mulher!

E você vai ficando, empurrando com a barriga. Olhando para as mulheres que apanham de seus pares e perguntando, toda cheia de empáfia: “não têm vergonha? Por que não vão embora?”. É claro que o “se fosse comigo” participa da conversa e, é claro, se fosse com você, tudo seria diferente. Mas será? Aliás, é?!

Não é. A diferença é que a mulher que é espancada não tem como negar o espancamento. Pode até se perceber como a culpada, mas sabe que algo está errado. A mulher que sofre gaslighting (palavrinha nova que aprendi aqui) quase sempre tem certeza de que não é nada, além de bobagem (feminina) dela. “Ele me ama” é a única certeza. “E está certo” é a grande probabilidade. E, assim, continua sendo dominada, sem saber o que fazer, simplesmente porque não percebe que algo tem que ser feito.

“Você merece aquilo que tolera”, disse uma amiga, dia desses. Dentro do contexto, fazia muito sentido, apesar da frase me incomodar. “Se você tolera, talvez mereça” me parece mais justo. Mais justo ainda é não tolerar merda nenhuma, por tempo nenhum, por motivo nenhum, senão, você vai acabar achando que merece o que tolera! Não se deixe tolerar, não se deixe merecer nenhuma forma de tortura e domínio, por favor.

Esteja atenta às coisas que você faz e às coisas que permite que façam com você.

Confesso que quando meu ex arranjou uma briga para justificar o nosso fim enquanto casal – supostamente já tendo uma mocinha 20 anos mais nova do que eu engatilhada (macaco gordo. Sacomé) –, eu não fiquei triste. Nem ofendida, humilhada nem nada sequer parecido (e ofensa e humilhação era o que esperavam de mim). Eu me senti aliviada. Assustada com o quanto e com as novas possibilidades, mas feliz.

Meu novo bom humor, meus novos pontos de vista, meu novo amor, meu novo desejo refletem quem eu sempre fui, mas não sabia ser. Não houve mudança, houve descoberta. Foram 40 anos de opressão e desqualificação, vindas de todo lado: sociedade, família, coleguinhas, “amigos”, marido. Eu deveria ser o que esperavam de mim? Sincerona com todo mundo, menos comigo?! Não mais…

Vá por mim: libertar-se até assusta, mas não dói. O que dói é não se pertencer.

Carregando esta cruz

Eu não tenho tido muita opinião, por isso, me furto a dar pitacos, como antigamente. A princípio, porque quero evitar a fadiga, mas também quero evitar falar bobagem e/ou sair por aí divulgando minha ignorância e preconceito. E tem também o fato de que eu realmente me recuso a entender uma porção de acontecimentos, seja sob qual ponto de vista for. Se matem nos comentários das redes sociais, desde que me incluam fora disso.

Mas… Fiquei entalada com o Padre Fábio de Melo. E com uma tal de Allyne, (ex) amiga ofendida de um amigo meu.

Esse meu amigo é umbandista e ativista pelos direitos dos gays. Eu sempre achei tanta coisa bobagem, mas, de repente, eu vi. Não é bobagem. É claro que não rola, legalmente falando, de ficar fazendo leis a torto e a direito para defender minorias. Leis não funcionam assim. E, convenhamos, Leis não funcionam por aqui e ponto.

Voltando ao Padre. Uma “amiga” curtiu a fala dele no Facebook. Facebook, enxerido que só, enfiou na minha fuça a curtida dela. E a frase, que não copiei e nem copiaria, terminava falando que a trans na cruz era “intolerância invertida”. Em defesa dele, se é que tem alguma, muita gente desatou a falar bobagem por aí e ele não fez mais do que repetir o senso comum do momento. Já que galerê resolveu se ofender até os ossos e o coletivo tem essa mania de emburrecer, ele só seguiu o fluxo. Mas…

joao-castellano-reuters_parada-gay-avenida-paulistaIntolerância invertida é tolerância. Inverso = antônimo. Ou seja, o padreco, na real, falou que a trans (linda trans, foto maravilhosa do João Castellano) na cruz é prova de tolerância LGBTQ (não sei o que é o Q. Nem o sabia, até domingo) com o cristianismo. Mas o que ele quis dizer é que tá certinho ser intolerante com LGBTQ, mas ser intolerante com o cristianismo é errado. Um pode, outro não pode.

É aquele papo de “racismo inverso” quando um negro odeia brancos. Porque brancos têm todo o direito de odiar não-brancos. De ter nojinho. De descriminar. De tratar mal. Mas os não-brancos, seja lá de “raça” se convencionou dividir nossa espécie, não podem odiar brancos. Por que? Sei lá. Deve ser porque Jesus era lourão de olhos azuis em pleno cafundó do Judas do oriente médio de pele morena.

Mas voltemos ao T da questão: onde se lê intolerância, ou o neologismo “cristofobia”, na trans na cruz? A coisa toda é uma metáfora, meu povo!! A trans não está dizendo que Cristo era viado – porque, se tivesse, cadê intolerância aí?! -, mas está mostrando o cotidiano dos “diferentes”. Em pleno 2015, não se pode ser diferente. Entendeu? Não é permitido sequer pensar por si só. Ouse e será crucificado!

11200615_10153422168447922_8058493011013981353_nE se falamos em tolerância, vou ignorar os espaços antes de pontuação. Mas morendo por dentro!

Já a tal de Allyne, muito ofendida e revoltada com a vida, o universo e tudo mais que seja “cristofóbico”, falou que quando desrespeitam gays ou umbandistas, meu amigo fica possesso e sai chutando (santa, não. Ele não chuta santa de jeito nenhum!) canela da geral. Mas que quando as gays desrespeitam o Cristianismo, ah, aí ele acha justificativas para tamanha agressão. Tão tá. Só que, desrespeitar gays e umbandistas tem sido através de tiro, porrada e bomba. Ou quase isso. Gays (meninas e meninos, viu?) são espancados, estuprados/currados (por machos que adoram arrombar o do outro para mostrar o quanto são machos e o quanto o outro é gay), assassinados com mais frequência do que se poderia acreditar. Umbandistas têm sido espancados, mortos, têm tido suas casas e terreiros depredados e queimados. E cristãos? Hmmm. Teve uma cruz com um gay “pregado”, na parada de São Paulo… Então, deixa eu aqui entender… Quando cristãos são “desrespeitados” é através de ofensas subjetivas aos ícones deles?! o__o

Eu, que já discursei contra o particularismo, sobre o contrassenso de se isolar em grupos contra o todo, em vez de ser parte do todo, do que temos em comum, que é sermos humanos… Bem, eu estava errada. Ou MUITO a frente do nosso tempo – o que é ser errada neste tempo. Hoje, sou super a favor de parada gay. Apoio os movimentos feministas – mesmo não concordando com as moças muitas e muitas vezes. Com o tom, com o discurso, com a ideologia – e raciais. Porque gays, mulheres e negros não são minorias. São apenas minorizados. Então, bora arrebentar o status quo porque já deu. Cansou.