Perdão, mas eu não perdoo

Há uma certa super-valorização do perdão. Perdoar é divino, elevado, espiritual e intelectualmente: só o sábio perdoa. Discordo. Eu prefiro esquecer, deixar pra lá, sacudir a poeira e dar a volta por cima – isso, para delitos leves. Os pesados têm troco – a oficializar o perdão.

Pedir perdão, principalmente tardiamente, funciona para o ego do babaca que lhe ferrou e ficou sentindo uma reles culpinha. Ou, o mais provável, teve um orgulho danado do estrago causado é quer reviver, reatuar a farsa. Além de querer ter certeza do tamanho do trauma e de que não foi esquecido. São vaidosos, os sacanas.

Eu posso até dizer que perdoo para acabar logo com isso, mas não é sincero. Não vou guardar nova raiva em mim, mas vou excluir novamente a pessoa da minha vida e continuar seguindo.

Se a pessoa insistir em ficar, bom, eu vou magoá-la. Eu vou ferrar com ela, eu vou destruí-la. Vou fazê-la se arrepender de ter me procurado. Ou vou ignorá-la e continuar seguindo.

Pessoa, fez merda? Da grande? Peça desculpas ou remedie imediatamente. Se não der, deixe a vítima em paz e SE perdoe. Não vá foder a vida de alguém duas vezes com a mesma história. Seu pedido de perdão não é uma “homenagem” ou um ato de amor com o outro, é puro egocentrismo e cretinice. Vá por mim.

Charlie Hebdo

Geralmente, me abstenho de dar palpites em assuntos ultra polêmicos, porque não vale a pena. Mas… Charlie Hebdo, mesmo tendo sido um reles desconhecido para mim, até o atentado, me é caro. Amo cartoons, amo charges, amo cartunistas. Acredito na provocação do humor e condeno veementemente sensibilidades exacerbadas, de quem quer se impor sobre os outros.

Discordo do Papa: não há limites para a liberdade de expressão. Há, talvez, punições legais, mas limite e liberdade se opõem. E, ademais, quem imporá os limites? Baseado em quê? Muitas vezes, a ofensa só existe para o ofendido, que opta por se ofender, que busca se ofender.

Se alguém falar mal da minha mãe, ou de alguém que eu realmente amo, eu tenho inúmeras opções: deixar falando sozinho, “ouvir e ponderar”, “ouvir e concordar”, “ouvir e me ofender”, mas, dificilmente, “ouvir e socar” é uma delas. A agressão física, para mim, é sintoma de que se acabaram os argumentos, mas sobrou bastante raiva. Não permito que me façam tamanha raiva.

Retratar o Profeta do outro, mesmo sendo proibido na religião do outro, não é somente liberdade de expressão, mas direito e livre arbítrio. O seu pecado não me representa. Que seu deus, todo poderoso, me puna, se achou ruim, se for tão mundano a ponto de se ocupar com um desenho, enquanto o mundo está – e sempre esteve – em caos. Mas cometer um pecado mais grave e que também é pecado na sua fé, só para tomar as vezes do seu deus e me “mostrar as consequências dos meus atos” é absurdo.

Dizer “ah, eles fizeram por merecer”, “a provocação do Chalie Hebdo foi desnecessária” ou “depois de tudo o que aconteceu, nem assim eles aprenderam a lição” é dar razão aos assassinos, é confirmar que eles tiveram motivos. E não tiveram. Não provocar, se encolher em posição fetal e deixar de se ser o que se é por medo é, também, dar moral ao vilão. A vítima não é o Islã. Mas Charlie Hebdo, mesmo podendo, não se fez de vítima.

“Je suis Charlie” não lhe representa porque Charlie Hebdo não lhe representa? Ok. Esse é um jornal, não o Congresso Nacional. Eles não têm obrigação de representar ninguém além deles mesmos! Você não acha graça, não gosta, acha imoral e ofensivo? Ok, também. É de seu pleno direito, assim como o de não ler ou comprar o Charlie. Você pode até mesmo ficar num mimimi sem fim nas redes sociais, expondo exaustivamente sua opinião, porque, veja bem, isso é liberdade de expressão e ela funciona até com coisas/pessoas/situações chatas e que incomodam! Lindo isso, né?!

Encerrando – grazadeus! – 2014 – parte II

Eu sempre experimento uma dificulade enorme de listar o pior, mesmo tendo reclamado o ano todo. Talvez o pior seja realmente irrelevante e o que foi bom é o que prevalece.

TOP-Pi 10 | O PIOR DE 2014:

1. Morte. Reclamarei da morte até o dia da minha. Acho-a injusta e cruel – por mais que seja necessária. E este ano está escorrendo sangue. Mas, pessoalmente, o pior foi a morte ter levado minha babá Alzira sem que eu sequer tenha podido me despedir… Espero que ela tenha sabido a vida toda o quanto eu a amava…

2. Eleições. Pelo resultado. Achei todo o processo – e as baixarias generalizadas – mesmerizante. Pessoas não cansam de me assustar.

3. Copa. E nem foi pelo merecido 7X1.

4. A economia. Se é que pode se chamar isso que temos de “economia”…

5. Vizinhos. O de sempre. Sempre. Pelo menos, em 2015, terei outros vizinhos e outros problemas. Oremos.

6. Cliente-problema. Todo ano. Neste, mais problemáticos do que nunca. E sabe o que é pior? Eu sempre acerto! Quando eu digo: “fuja desse daí”, fuja.

7. Fim da farmília. Vou-me embora, farmília fica quase toda. Vou sentir falta de muitos membros, de outros, nem tanto. Mas me dói pensar em não ter mais árvores na minha vida e na dos gatos que vão comigo…

8. Solidão. Foi a primeira vez que eu a senti, foi a primeira vez que eu não me bastei… Felizmente, não veio pra ficar.

9. Falta de grana. Tem a ver com a “economia”, tem a ver com os clientes-problema, tem a ver com ingerências e burrices. Tem a ver com um passado que há de não me pertencer mais!

10. Falta de vida. Felizmente, não veio pra ficar.

Encerrando – grazadeus! – 2014

E chegou aquela época gostosa (SQN) em que faço o Top-Pi.

TOP-Pi 10 | O MELHOR DE 2014:

1. Olívia e seu barrigão. Cristo entrou na minha vida logo depois do Top-Pi 2013 e, por isso, não figurou na lista. Ele foi um grande problema e um enorme amor, neste ano. Por pouco eu não o doei, simplesmente porque ele não se dá bem com meus outros gatos. Mas… Chegou Olívia em nossas vidas e, apesar de Cristo não ter mudado nadinha, ele encontrou nela uma companhia e um amor. Eles são muito amigos e isso é lindo!

2. Amizades: eu não teria sobrevivido a 2014 sem pessoas queridas ao meu redor. <3

3. Amor: ele existe. E ele é lindo, mesmo fumando.

4. Vegetarianismo. Firme e forte e cada vez menos “proto” e mais vegano! Em 2015, finalizo a transição! Foi a decisão mais acertada da minha vida e pela qual me sinto extremamente bem!

5. Trabalho voluntário. Continuo trabalhando para e admirando a 4Patinhas. Cada vidinha salva me salva um pouquinho!

6. Stephen King sempre será o dono do meu coração! Li bem menos livros, este ano. Me perdi por aí. Mas amei ler a continuação dO Iluminado (se chama Doutor Sono) e Duma Key. Livro incrível!

7. As ideias de 2013 ficaram engavetadas neste difícil 2014. Mas cresceram e se multiplicaram. Ano que vem, vou ter que dar vazão a elas, senão explodo!

8. Boa forma. Ainda estou longe de estar em forma, ainda mais depois de emagrecer 6kg em uma semana – em novembro, por causa de estresse -. Eu ainda estou despencada, mas estou andando na esteira e já com Yoga marcada para ano que vem. Chego lá!

9. Catarse. Não pude ir ao Comic Con Experience – por motivos de falta de vida -, mas investi em quadrinhos, mesmo assim, graças ao Catarse. Eu apoiaria mais, se pudesse. Espero poder, em breve!

10. Finais e recomeços. Sempre difíceis, sempre duros, sempre angustiantes, mas, acima de tudo, sempre necessários.

olivia-barrigao Amor recheado de mais amor!

Primeiro encontro bom

Primeiro encontro bom termina na cama, no banco de trás do carro ou no coreto da praça do Hippodromo. Não termina com bitoquinha num ponto de táxi, com promessas de “te ligo”, “quero te ver de novo”.

Primeiro encontro bom entra em contato nos próximos dias, mesmo sem promessa. Tem vontade de te ver de novo e de novo e não fica na vontade, mesmo sem compromisso.

Primeiro encontro bom começa com troca de ideias e com o descobrimento um do outro. Ou simplesmente com muito amasso, abraço, beijo para, depois que se tem certeza de que quer chamá-lo, se perguntar o nome.

Primeiro encontro bom é inesquecível. 21 anos, 6 meses e 11 dias depois de ocorrido, você ainda se lembra e pensa no quanto foi bom. “Onde ele estará agora?”. E, às vezes, ele ainda está ali, do seu lado.

Primeiro encontro bom já elimina aquele carinha que te achou ousada demais, fácil demais, assustadora demais, porque ele é imbecil demais para aproveitar um primeiro encontro bom.

Radicais livres

Existem pessoas chatas aos montes. Se calhou de alguma delas ser vegana ou carnista, ateia ou evangélica, petista ou tucana, atleticana ou cruzeirense, calhou de se ter um radical chato de espécie específica. Daí falar que veganos/carnistas/ateus/evangélicos/petistas/tucanos/atleticanos/cruzeirenses são todos chatos; xiitas; pessoas que têm que impor a você verdade delas, senão não sossegam; segregadores ou qualquer outra porcaria deste tipo, bem, é uma boa pernada de distância. Generalizações não costumam ser coisa boa.

Tenho conhecidos – amigos de FB – radicais. Excluí, recentemente, uma pessoa tão absurda, que me deu preguiça. Excluo, também, quem ameaça excluir quem discorda. Já tomo a iniciativa. É claro que eu adoro pensar que estou certa, mas não me importo em ver opiniões contrárias às minhas, desde que se apresentem com carinho, sem chutar minha porta e enfiar o dedo na minha cara. Eu não me imponho e não aceito quem se impõe a mim. E, assim, convivo bem com carnistas, petistas, evangélicos e cruzeirenses, assim como com seus opostos, desde que todos bem educadinhos.

Opiniões cansam, às vezes, mas também contribuem com nosso crescimento pessoal, com nossas certezas, com o surgimento de dúvidas. Mas há opiniões que de tão imbecis e hipócritas e infundadas e irreais e desrespeitosas me dão nojo. Walcyr Carrasco teve a manha de fazer tudo isso ao mesmo tempo e mais. Para defender o seu carnismo, o cara usou Hitler como argumento. Pronto. Apelou, perdeu. Como se precisasse chegar a este ponto para perder. Sinceramente…

Vegetarianos estão certos, por N motivos, na forma de pensar e agir. E é por isso que incomodam tanto, a ponto de ter tanta gente pregando contra, criando “argumentos”, brigando, sofismando, se sentindo julgado. E é por isso que tanta gente tenta se tornar vegetariano. Eu, entre elas.

A ética com todas as espécies, o fim do especismo, o fim dos criatórios cruéis, o fim do uso de um ser vivente e senciente como produto de consumo ou de teste, tudo isso é correto. Não há argumentos que consigam colocar nada disso em cheque. Tente! O máximo que você vai conseguir é citar os leões, a cadeia alimentar, a evolução da espécie, o sentimento do alface ou chegar a um “Hitler era vegetariano!”. E vai errar em cada um dos argumentos.

vegan-sidekickComer carne não é uma necessidade há séculos, mas é um costume há milênios. O consumo de produtos de origem animal, hoje em dia, é uma compactuação com a dor, o sofrimento, a crueldade, a exploração, a escravização de seres vivos, além da degradação ambiental, através do desmatamento e do efeito estufa. É desumano. Sim, é gostoso e a feijoada vegana jamais estará aos pés de um pezinho de porco. Ok, mas eu não vivo de acordo com o que é gostoso, não sou hedonista nem sei se cabe sê-lo neste planeta. Optei por abrir mão de um prazer – que é só o que comer carne é – por aquilo que é ético e permanente. O prazer passa. Comida, daqui há umas poucas horas, vira merda – quando não colesterol, diabetes, câncer. Seu lindo sapato de couro, que dura mais do que o sintético, daqui a pouco cai de moda e vira lixo. Você, daqui a pouco morre e vira necrochorume. Mas o planeta permanece e seu rastro por ele permanece por um bocado de tempo.

Eu quero deixar um rastro pequeno, mesmo com um atraso de 40 anos. Eu nem tenho descendentes com os quais me preocupar e, mesmo assim, quero deixar um planeta vivo e saudável. Isso é o que minha consciência me pede. Já as dos outros, bom, os outros é que deverão lidar com elas, então… Só acredito que se sua consciência estiver carregada, como a do Carrasco, repense seus conceitos em vez de apelar.

Nota: Hitler, antes de qualquer coisa, era ser humano. Ou seja, se for comparar, f*deu pra geral!

Solteironas

Hoje mais uma amiguinha postou mais um textinho sobre mulheres solteiras e os porquês. Me abstive de dar palpite sobre o assunto, porque ela me acha agressiva (ui!), mas foi maior do que eu. Vim fazê-lo aqui. Mas, veja bem, é só um palpite, um pitaco, uma opinião pautada única e exclusivamente em minhas experiências de vida e minhas observações cotidianas. Não é um tratado, não é um estudo, não é um fato. Certo?

Então… Não li o texto até o fim, achei chato. O cara começou a analisar estatísticas e blá blá blá. Até agora, entre o texto mimizento de a culpa é da sociedade/minha mãe/dos homens e o debochado “vocês é que são chatas”, só li este último até o fim. Porque não era chato – o assunto, em si, o é.

Minha opinião: se você está solteira e isso lhe incomoda, esqueça tratados sociais e sociológicos, esqueça os psicologismos que, se ajudassem, não teria tanta gente com a cabeça f*dida por aí e parta do pressuposto que a culpa é sua. Avalie-se. Você está fazendo alguma coisa errada? Tipo, você tem saído somente com seu amigo gay, lindo e interessante, mas com o qual você não tem a menor chance e que, por ser lindo e não obviamente gay, afasta os homens que poderiam se interessar por você? Não? Tem certeza? Tem amiguinha minha, solteira, que divulgou o texto culpando os homens, que tem feito isso. Eu vejo as fotos!!

Aliás, você tem saído? Tem encontrado amigos de ambos os sexos, ido a shows, à biblioteca, a bares ou a quaisquer lugares em que possa encontrar pessoas com interesses similares aos seus? Você começa uma conversa com um homem que você acabou de conhecer falando de sua seca sexual ou sobre o fato de que você “resolveu esperar”? Você fala em ter filhos e família logo de cara? Não?! Nada errado com você, então. Ok. Agora, comece a procurar a culpa nos outros. Ou… Dane-se a culpa e siga em frente, vivendo sua vida. Um dia, acontece. Ou não. Faz parte.

Se não acontecer, em vez de ficar fungando solidão, monte uma república e vá viver com pessoas que se assemelham a você – depois de uma certa idade, não rola de ficar aturando diferenças, né? – Ou adote um cachorro, que vai lhe obrigar a dar voltinhas nas ruas e dar um up no traseiro, além de lhe amar incondicionalmente. Não quer sair? Gatos são ótimas companhias, além de quentinhos e engraçados. Caramba, quem tem bicho nunca está sozinho! Sim, sim, você passa o dia inteiro na rua e não tem tempo para cuidar de um bichinho… Entendo… Vá viajar, vá fazer serviço comunitário, vá ao cinema ou curta-se a ponto de não mais sentir solidão, porque você é excelente companhia. Faça qualquer coisa, menos compartilhar texto mimimi sobre ser solteira. #NobodyYesDoor

Síndrome do Amigo Interno da Faculdade do Billy

Para quem não sabe, a S.A.I.F.B. é um transtorno de intolerância que faz com que pessoas que parecem tão normais e bacaninhas se tornem monstros quando se discorda delas. A S.A.I.F.B. é caracterizada pelo discurso: “como você ousa ser diferente?! Qual é?! Meu estilo de vida não serve, é?!”

Talvez alguma universidade americana, com o aval do Mark-zinho, esteja estudando este comportamento via Facebook. Eu, pelo menos, estou. É muito comum manifestações de ódio em questões religiosas, políticas, futebolísticas, animais e randômicas.

O tema mais interessante de se observar, hoje em dia, é veganismo x onivorismo. Ah, esses “ismos” maravilhosos e seus adeptos brigões!!

Entre sofismas maravilhosas como “se você ama um, por que come o outro?” e “sua hipócrita! Está provado que alfaces têm sentimentos” ou, um ótimo que vi, ontem: “veganos são sempre a favor de aborto, mas são contra a cadeia alimentar!”, pérolas cada vez mais brilhantes de sabedoria (#SQN) provam que isso é tudo bobagem. O importante é a Natureza exterminar essa corja toda e acabar logo com essa e qualquer outra discussão.

Screen-Shot-2014-07-05-at-8.14.01-PMAcho sensacional como pessoas que nem sabem do que estão falando falam com tanta propriedade! <3

Eu tento ser vegetariana estrita. Estou indo bem na minha tentativa. A maioria das pessoas é ovolactovegetariana por muito tempo antes do passo final, rumo ao veganismo. E faço isso por mim, pelos animais e pelo planeta. Minha consciência está tranquila, meu corpo está bem e o dedo médio fica em riste com bastante facilidade para as pessoas bacanudas que tentam me desestimular ou começam o discurso sobre alface e seus sentimentos mais profundos.

Em contrapartida, eu deixo você ser onívoro, sem nenhum discurso, sem nenhum julgamento. Sei da dificuldade de se libertar do status quo e sei que há pessoas que simplesmente não se importam. E, assim, cito, mais uma vez, o grade pensador contemporâneo Zeca Pagodinho: “cada um com seu cada um. Deixa o cada um dos outros.”

Não adianta insistir e impor sua verdade. As pessoas – isso inclui a mim e a você – hão de aprender, mesmo que seja aos poucos, em passos lentos, o que é certo ou errado pelo único ponto de vista que importa: o do planeta. Se não for assim, ou se estiver lento demais, a Natureza há de ensinar. Ela é ótima nisso!

Saiba mais sobre a S.A.I.F.B., clicando aqui. A partir de 9:27.

Valesca Pensadora

Enquanto eu estive ausente, houve uma onda de #mimimi porque um professor falou que Valesca Popozuda é uma pensadora contemporânea. E não é?

Pelas redes sociais, fico vendo o que as pessoas postam, no que elas acreditam - e, no próximo post, desacreditam – e defendem e concluo: Valesca Popozuda pensa mais e melhor do que muito conhecido meu. Ainda mais num mundo em que mulheres acham que a culpa delas estarem encalhadas é da educação que receberam/sociedade/homens, em que uma pessoa me diz: “tá ruim, mas não troco o certo pelo duvidoso” – pausa para um “oi?!”. Prefere o ruim certo ao duvidoso que não se sabe e, vá lá, pode ser até bom? – ou que as pessoas ameaçam bloquear quem discorde delas, porque, apesar delas vomitarem opinião o tempo todo, elas acreditam que “quanto mais a gente amadurece, mais a opinião dos outros se torna irrelevante”. É, tem disso.

Tem coisa que eu sou capaz e abstrair. Tem coisa que não. E, no fim, “beijinho no ombro pro recalque passar longe” é, de longe, muito mais sabedoria do que a maioria das frases feitas postadas em meme e entre aspas que se vê por aí. E mais: a música/o pensamento da Valesca representa a grande maioria das pessoas que estão online. Pessoas egocêntricas, vaidosas, sexualizadas ao extremo, “invejadas” e criadoras de novos significados – e grafias – para as palavras. Mas, pelo menos, Valesca é bem simpática.

Não culpe Valesca, não culpe o professor. Cada geração produz o pensador que a representa. Esta, produziu Valesca Popozuda. Aceite.

O que há de errado, meu povo?!

Não assisti a nenhum jogo da Copa. Por que? Porque não.

Não vou dizer que detesto futebol – e detesto -, porque Copa é outra história. Copa é meio que guerra e um tipo de guerra em que o Brasil é bom adversário. A de 1994 foi tão emocionante, tão linda, tão tudo, que tenho a final, em VHS, até hoje. Mas eram outros tempos.

Em 1994, o Brasil estava bem. A hiper-inflação havia acabado de dar adeus, se podia sair às ruas sem medo e não havia muito do que reclamar – por falta de informação, provavelmente.- Sem contar que a seleção não ganhava uma Copa desde 1970 e, pá! Ganhou.

Hoje, tudo é diferente. Muito diferente. Para começo de conversa, a Copa é na nossa casa. Para fim de conversa, nossa economia está f*dida e mal paga. E no meio dessa conversa, você sabe, tem muita treta. A Copa tem servido para anestesiar ânimos e criar clichês. “Meu protesto é nas uras”, para mim, o pior deles. Via fazer o quê? Por fogo na urna?! Eu apóio!

Li um colunista falando que o Brasil já ganhou a Copa, porque está tudo dando certo. Quem compartilhou o texto, acrescentou: “chupa, seus pessimistas!” (sic). A meu ver, o Brasil só perde e mais, a cada dia. Sou pessimista? Então tá, me conta o que deu certo? Natal debaixo d’água? A grana mal gasta? As famílias desabrigadas? Os feriados para que o trânsito flua? Os colombianos buscando abrigo em Rondonópolis, porque agência de turismo credenciada pela FIFA deu cano neles? Assaltos ou tentativas? O pessoal que se propôs a trabalhar de graça ganhando comida estragada? Ou você se esquecendo que o Brasil está em crise porque o Neymar fez gol?

Não estou em clima de Copa. Não quero que o Brasil vença. Quero, sim, nossas merdas sendo espalhadas pelos ventiladores do mundo, porque vergonha na cara é meio caminho andado.

Você tem vergoínha da geral mandando a “presidanta” TNC? F*da-se você! Ela merece. Você merece. Deveria ter vergonha do que nos coloca numa situação dessas. E nem estou falando da Dilma ou do PT, mas de tradição. Somos tradicionalmente deselegantes, mal educados, hipócritas.

Você acha que vaiar o hino chileno é o cúmulo da nossa falta de educação e que isso é um vexame enquanto nação? Sério? Já foi à Disney? Ou a algum outlet em NY? Brasileiro já tem uma fama internacional consolidada de mal educado. Fura fila, fala alto demais, tenta passar a perna, entre outros atributos que generalizam, mas descrevem bem a maioria. Somos, orgulhosamente, mal educados. Nada de macacos, mas idiotas, independente de classe, credo ou cor.

Gregorio Duvivier, aquele fofo, disse que o brasileiro não é problema, mas solução. Mas para ser solução, o brasileiro – que é o problema, sim, e dos piores, porque nem sabe -tem que se propor a mudar. Mas brasileiro é acomodado, se acha esperto, adora falar mal do país, mas só da boca pra fora e sentado no rabo. O tão falado complexo de vira-lata nem sequer existe. Antes fôssemos vira-latas, raçudos, sobreviventes, honestos. Brasileiro se acha. Falta, agora, se encontrar!

Não se engane com meu discurso. Eu amo o Brasil, assim como amo meu pai alcoólatra, supertalentoso, mas inútil e fracassado. Se eu tivesse tido escolha, nem os teria conhecido, mas não tive. Amo meu pai porque é o que tenho. Meu país, idem. Amar não significa aceitar incondicionalmente. Quero que o Brasil mude, que a nação se conscientize e deixe de adiar o inadiável. Do jeitinho que está, vai ruir.

Eu torço, e muito, pelo Brasil da vida real. Para o da Copa, que de dane.

P.S.: me incluo na lama, mas com um atenuante: eu sei no que estou erradando e tento melhorar, todo dia. :-)