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Tag: ‘politicamente correto’

  1. Ruído de comunicação

    16 de maio de 2013

    Meu marido me falou que eu escrevo bem e que deveria escrever um livro. Ele nem lê meu blog. Aliás, pouca gente o lê. E é de graça!! Imagina se alguém vai pagar pra me ler?! Nem se a capa for sensacional e o livro estiver cheio de gravuras!! Eu sei bem.

    Pode até ser que eu escreva bem, mas, pelo visto, não estou me fazendo entender. Na minha profissão, isso tem nome: ruído de comunicação. Então, deixa eu tentar limpar o ruído, mais uma vez.

    Eu não tenho preconceito ou sequer conceito sobre nenhuma religião. Não acho que muçulmanos são homens-bomba, que evangélicos são estúpidos/explorados ou que padres católicos são pedófilos. Apesar de existirem muçulmanos homens-bomba, evangélicos estúpidos/explorados e padres católicos pedófilos. Como também existem homens-bomba que não são muçulmanos, estúpidos/explorados que não são evangélicos e pedófilos que não são padres católicos. Entendido? Não?!

    Vamos de novo, sob outra perspectiva: sua religião, para mim, não lhe define. Se você é definido por sua religião, ok, problema seu. Eu vou lhe definir – se chegar a tanto – por seus atos, não por suas crenças.

    Então, quando eu digo que um traficante que se torna pastor não mudou senão a forma de exercer poder, eu escolhi a “profissão” pastor, por pura conveniência, porque me lembrei dum traficante que “se redimiu” na cadeia e se tornou pastor. Simples assim. Eu poderia ter dito político? Sim, mas, conceitualmente, políticos são mal vistos, até mais do que traficantes, então, não haveria mudança nenhuma. Médico? Ok - mesmo que médico não exerça o mesmo tipo de “poder” -, mas para se ser médico são necessários anos de estudos e dedicação. Ser pastor é mais fácil. Ah, mas na sua igreja, não é fácil ser pastor! Logo, por exclusão, eu não falei da sua!

    E todo crente é como viciado?! Não. Não sei contabilizar se isso é regra ou exceção, me faltam estatísticas. Mas sei o que é vício.

    Vício, por definição, é um “hábito repetitivo que degenera ou causa algum prejuízo ao viciado e aos que com ele convivem” - achou o conceito relevante? Alguns se viciam em drogas, outros, em jogos. Há os viciados em sexo, há os viciados em religião. Quem compra “pau de afastar o capeta“, doa o tênis do filho para a igreja, quem entrega o cartão de crédito para o pastor durante o culto só pode ser um viciado da fé, porque até ignorância tem limite. Você é evangélico, mas não é viciado, ignorante ou explorado?! Bom para você!!

    E, olha, antes que os usuários de drogas, jogos ou sexo venham se defender, deixo claro: nem sempre é vício gostar seja lá do que for que vocês gostem!! Às vezes, é bem saudável!! É vício só quando você passa a depender disso, viu?!

    Outra coisa: quando eu falo de ex-famosos que se voltam para Jesus e voltam a ter fama, mesmo que “localizada”, estou sendo TÃO específica que até limita! Jesus não está, necessariamente, sendo “usado”. A fé pode ser real e belíssima. Mas há pessoas que juntam a fé com a fama e não veem problema nisso. Eu não vejo! Mas não vejo, também, mudança, que era o tema!!

    Há tantas igrejas evangélicas neste mundo que nem sei. E nem quero saber! Não estou buscando uma fé para ter que pesquisar as fés que existem! E se falar de uma é falar de todas, se falar de um crente é falar de todos, pelamor, arrangem um subtítulo aê!! Vamos separar o joio do trigo! Ou escreva você um post explicando porquê sua fé é diferente/mais legal que a do outro! Eu fiz isso sobre a “minha”! Eu “eduquei” as massas! :-P

    Se alguém pode se sentir “atacado” no meu post, é a Xuxa - ou nem ela. O que reforça que meu blog nem é lido, já que nenhum dos 100.000 cyber-fãs dela me jurou de morte – até agora.

    O que me deixa tranquila, no fim das contas, é saber que o problema nem deve estar no que eu escrevi, mas na interpretação que as pessoas insistem em fazer das coisas. Se não fosse assim, não teria equivocado achando que “feio e gordo” e mendigo são a mesma coisa. Bem legal vestir os sem-teto, por si só, mas, como forma de protesto, dar um espelho para o Mike Jeffries seria a coisa mais inteligente.

    Links do Pitacos relacionados a preconceito e religião: aqui, aqui, aqui e aqui.


  2. Menosquências…

    3 de maio de 2013

    Antes de mais nada, deixe-me esclarecer: a enquete ali do lado não tem nada a ver com minha vida, situação ou coisa que o valha. É apenas curiosidade que surgiu em meio às minhas leituras.

    Minha opinião, se é que interessa a alguém, é que vingança me dá preguiça. Fria, então… Porque, no calor do momento, até vale um descontrole. Mas ficar requentando ódio por muito tempo, ficar revivendo dores, nhé. Não é comigo. E eu tenho aquela crença de que a vida se encarrega. Na verdade, acho que todo filho da p*ta se ferra sozinho, se enrosca, se dá mal no meio do caminho. É típico da raça. Eles se acham espertos demais!

    Agora, se a vida me der a oportunidade de empurrar o cara pra fogueira… Eu topo.

    Mas o objetivo do post é outro! É que minhas orelhinhas estão ardendo! Foram puxadas duas vezes, em três dias…

    Na terça, mereci! Eu estava fofocando, assim, à toa, sem nenhum objetivo e propósito. Minha cunhada sempre disse que o primeiro sintoma de que me enturmei com Itaúna é que passei a fofocar. Mas não é bem por aí. Fofoquinha do tipo: “fulano se casou”, “sicrano se separou”, “beltrana engravidou” é típica da humanidade. É simples constatação de acontecimentos. Em cidade de interior só parece maior porque mais gente se conhece. Mas a intriguinha gratuita, daquele tipo em que a gente fala do outro como se fosse melhor do que ele - e era isso o que eu estava a fazer - é duma feiúra! E por quê eu fiz? Não sei o que me deu. Baixou um espírito de porco - tadinhos dos porcos - ou a má influência ainda anda à espreita. De verdade, não sei. Mas senti tanta vergonha de ter sido chamada à atenção que fiquei vermelha e tentando, em vão, me justificar.

    E, então, parei de fofocar? Duvido. Mas, pelo menos, daqui por diante, fa-lo-ei com vergonha! É, isso é falta de vergonha, eu sei, mas, cara, falar mal do outro é irresistível! É antopológico! É se sentar no seu rabinho, se esquecer que você é um bosta, e avaliar o outro. Julgar e condenar… Ok. É feio. Vou me policiar.

    Outro puxão de orelha veio ontem. A pessoa me disse que me falta elegância – esqueci a palavra exata, mas esta serve, no contexto – em uns posts aqui. Que eu não penso no outro, que eu generalizo sem medir consequências, que eu pego pesado no lado pessoal. E é fato. Esta sou eu. De uma indelicadeza e falta de classe que só. E, quer saber? Essa vai continuar sendo eu. Aqui é minha terapia. Escrevo, você lê - ou não - e vida que segue. A minha, mais leve. Eu escrevo no calor do momento - e já até me aconteceu de me arrepender da bobagem registrada. É o que se passa ali, naquela hora. Se fosse para escrever bem, com classe e bonito, eu deixaria o sentimento de molho até poder formular o texto bem bacana, classudo e emocionante. Quem sabe, virar meme com minhas frases belas?! Não! Não é esse o objetivo!!

    Ofendi alguém?! Realmente lamento, mas não muito – ah, dependendo de quem, nadinha mesmo. Esse alguém sempre tem a chance de revidar nos comentários. Sempre. Posso treplicar partindo pra baixaria, se me der na telha, mas, né?! A vida é assim mesmo. Acontece - e me aconteceu no episódio aí de cima – de cair o nível. Mas, ó, manter a pose no dia a dia, na vida real é tão difícil. É tão frequente o meu uso de focinheira para tratar com os outros que, aqui, eu não me seguro. Não quero me censurar.

    Outro dia, no aniversário do blog, eu cheguei a cogitar me livrar dele. Achei que eu estava ficando velha pra bloggar e talvez esteja. Mas não quero partir pros tarjas-pretas ou pra análise - na qual, para mim, eu não acredito - por isso, o blog ainda me serve. E, nele, vou continuar sem patrulhamento – mas se minha advogada mandar tirar, eu tiro… Aceite-me como sou, bata boca comigo ou caia fora! Ou nada disso. Mas, lembre-se, você é livre para se livrar de mim. Eu sou livre para me ser!

    Não fiquei ofendida ou triste ou arrasada com nenhum dos “puxões de orelha”. Aliás, gostei deles como início de auto-análise. Foi válido e agradeço os toques!

    Segundo minha nova “ídola”, Anne Rice, em A Rainha dos Condenados, “nenhum de nós realmente muda com o tempo; apenas nos tornamos mais integralmente o que somos.” Se é para ser assim, que eu, pelo menos, saiba bem o que sou e o seja direito!


  3. When doves cry

    28 de abril de 2013

    Por falar em propaganda, sou só eu que detesto as da Dove?! De-tes-to!

    Acho inadmissível que uma marca que manipula luz, fotos e informações para que toda “mulher Dove” seja “naturalmente” bonita venha me falar de manipulação de imagem e de mercado cruel com a mulher.

    E qual é esse tal de mercado cruel? É a moda? É a publicidade?! Mesmo?! A moda e a publicidade nunca me falaram que eu era feia. Quem me falava que eu era feia eram as pessoas a minha volta, antes que a moda e a publicidade dessem um jeito. A moda fez com que o diastema fosse aceito. Ninguém achou bonito, ninguém correu pro dentista para abrir espaço. Mas muita gente parou de implicar! A moda adora as diferenças! A publicidade adora ruivas! E ver ruivas em campanhas e propagandas fez com que começássemos a ser aceitas. Quando eu era criança, era típico o pensamento: “crianças ruivas são tão fofinhas… Pena que crescem”. Pois eu cresci e pena nenhuma!

    Ah… Mas e a anorexia?! É culpa da moda! Mesmo?!

    Assisti no Discovery, há um tempão, um programa sobre a mais nova anoréxica do mundo. A garota, aos 8, parou de comer. E não foi porque Paris gosta de modelos magérrimas. Foi porque ela assistiu a “The big looser – Perder para ganhar” na TV e associou a perda de peso à satisfação e vitória! O mesmo programa mostra que anoréxicas são meninas perturbadas e controladoras que querem exercer poder e controle sobre as próprias vontades, sobre o próprio corpo. A maioria nunca vai ser modelo, nem quer.

    Mas há as modelos que morrem de inanição, todo ano! É, há. Assim como também há as que vivem anos de glória e fortuna com poucos quilos de peso, sem grandes – ou pequenos - sacrifícios ou problemas. Se você não tem como ser do time dois, não vá para o time um. Bom senso está sempre na moda.

    Se formos pensar um tiquinho, distúrbio de imagem é uma coisa de nosso tempo e não é culpa de um ou de outro. É uma somatória de perturbações. Mulheres loucas + reality shows + Hollywood + cirurgiões picaretas + “avanços” cosméticos + consumo exagerado. Afinal, você já viu alguma modelo com a cara da Donatella? Ela é rica, mas é bonita?! Ela já foi anoréxica, alguém copiou?!

    Ah, mas as publicidades de cosméticos alisam tanto as mulheres que elas nem tem poros, mais. Mulheres famosas não tem poros desde de Rita Hayworth! Se não houver exageros/erros na manipulação da foto, ela fica fantástica! E a gente quer igual. Para alcançar a ilusão, temos cosméticos de “efeito Cinderela” - que saem com o banho - que resolvem o problema. Trabalhar a luz e sombra na maquiagem, nos contornos do rosto e do nariz faz uma plástica instantânea e poderosa. Meio quilo de sérum/primer lhe deixam lisinha por um dia! Igualzinho no Photoshop. Quer algo mais permanente? Botox! Liso intenso por até 6 meses!

    E lábios carnudos?! Podemos ter, também! Cabelos lisos? Claro! Louros?! Intensos!! E olhos claros para todas!! Dentes da Halle Berry são tendência! Até ela comprou pra si!! Pele bronzeada em pleno inverno ártico?! Por que não?! Peitão? Bundão? Combinam com o bocão!! Celulite e estrias ainda não tem solução definitiva, mas, vá, até a Kim as tem…

    kim-kardashian-cellulite-cover

    E precisa parecer natural?! Claro que não!! Precisa ter cara de “mexido”, para mostrar poder aquisitivo!!

    O “nosso novo padrão de beleza” não veio da moda ou da publicidade. Veio da eterna insatisfação do ser humano com a aparência (humana). Veio com a falta de raciocínio e de bom senso. Veio da superficialidade dos nossos dias, veio das empresas de cosméticos que viram o filão! Veio de você, que se emociona com propaganda de Dove, cheia de coitadas que se sentem feias porque não podem fazer plástica… Assistem, choram enquanto pensam “mas ela bem que podia arrumar estes dentes…”. Sei. Tô te vendo!

    E, na sincera total, Dove, foram as pessoas comuns que baixaram minha bola, enquanto eu permiti que elas fizessem isso. As mesmas que, se não estiverem sendo filmadas, são “sinceras” e precisas em apontar defeitos. Que me fariam muito mais feia e triste num retrato falado do que eu jamais poderia me fazer. E, na boa, isso é propaganda e, não, realidade. Se fosse, seria documentário – e, mesmo assim, eu duvidaria e faria pouco, vindo de quem vem. A manipulação já começa em se contratar um cara para fazer dois desenhos em que, obrigatoriamente, o primeiro TEM QUE SER menos bacana que o segundo – tá no roteiro, senão, não tem propaganda. A manipulação se perpetua na musiquinha triste e com a tendência das mídias digitais em promover o politicamente correto de boutique.

    Vamos cair na real mesmo, de verdade? Quase ninguém é lindo. Somos quase todos meramente razoáveis, esteticamente. Com ou sem maquiagem, como ou sem banho de loja. E não precisamos de mais do que isso para nos amarmos e sermos amados. Afinal, não foram as minhas leitora que me disseram que o importante para uma mulher é não ser burra?! Que beleza nem é fundamental?! Então, quem de nós está preocupada com defeitinho besta? Quem aqui precisa ser perfeita para se sentir segura?!

    Outra coisa que me incomoda é que, segundo as estatísticas da Dove, somente 4% das mulheres estão satisfeitas com a aparência. Mesmo?! Você tem Facebook? Já viu quanta amiga posta fotos horrendas, em frente ao espelho, fazendo bico, de batom Snob, se achando lindona?! Elas representam mais de 4% das pessoas que você conhece?! Aposto que sim. Então, onde estão essas 96% de infelizes?! Escondidas?!

    Sabe, no fim das contas, há vantagens nesta loucura coletiva! Se antes, só era feio quem não tinha grana, hoje só é muito destrutivamente feio quem tem grana o bastante! E viva a mediocridade física!

    Update: a Luana me passou a dica de um texto, muito bom, porém, em inglês, de uma moça que viu além na propaganda de Dove. E concordei demais. Vale a leitura – peça ajuda ao Google Tradutor, se necessário!


  4. Sonhar não custa nada

    8 de abril de 2013

    Pena que meu sonho tem preço…

    kia_besta

    +

    besta_jaguar

     


  5. Tréplica

    2 de fevereiro de 2013

    Apesar de eu não ter que ficar me justificando, aqui, às vezes eu tenho que.

    Meu coração não é de pedra nem minha frieza em relação ao ser humano e a vidas inocentes é glacial. Cada vida vale para alguém que não mata nem barata – a não ser que ela me ataque!

    O que me incomodou, muito, no incêndio à boate, foi, como sempre, a reação da mídia. Eu não li nada a respeito do ocorrido, não quis me envolver, exatamente porque sou coração mole e estou cansada de sofrer pelos outros. Depois do tiroteio na escola primária – ou fundamental – nos Estados Unidos, depois de ver cada uma das carinhas de crianças e professoras que foram mortas injustificadamente, não tenho mais estômago para tragédias (des)humanas, não adianta insistir.

    E tem mais:

    “Cobrir uma tragédia é ficar bem próximo da dor do outro, da histeria, da anestesia. E saber respeitá-las. É lembrar que o Jornalismo pertence à tal área de Humanas, por mais que a Matemática, com seus balanços de mortos e feridos e índices de audiência, insista em se intrometer.” (Blog Desilusões Perdidas)

    Deveria ser assim, mas não o é.

    É muito jornalista contabilizando a dor, explorando, vendendo. É muita notinha, especulação e contagem de mortos e feridos. Os números da tragédia chocam mais do que cada vida perdida, do que cada um que luta para sobreviver. E se tivessem morrido bem menos pessoas, seria menos trágico? Nem seria reportagem de uma semana ou mais.

    E entra nessa onda um punhado de gente se esquecendo da dor real do outro, fingindo uma revolta e uma proximidade que não tem, para ser “bonito”nas redes sociais. Feio!

    Se me permite uma análise com uma dose extra de frieza:

    Grandes tragédias -  grandes estatisticamente falando – trazem certo alívio a quem não está envolvido. “Eu não estava no prédio que desabou, graças a Deus”, “eu perdi o voo que caiu! Que sorte!”, “eu nem conheço NY. Fodam-se os americanos!”, “nossa, era para eu estar nessa boate, mas briguei com o namorado”. Vai me dizer que nunca ouviu uma dessa pérolas?! Que nunca aparece ninguém contando essas historinhas estúpidas para a imprensa quando acontece alguma coisa bem ruim?

    Essa sensação de alívio, de “antes ele do que eu”, traz culpa, claro. E as pessoas se esforçam para ser solidárias, mesmo que de mentirinha. No fundo, sempre soubemos que pestes, tragédias e guerras são o nosso verdadeiro controle populacional, já que não podemos ser castrados – é imoral – e nos reproduzimos mais do que coelhos. E, no fundo, cada um sente o alívio de ter escapado da estatística da vez. No fundo – e nem tão fundo assim – temos todos coração de pedra e uma frieza glacial em relação ao ser humano e a vidas inocentes. Somos indivíduos egoístas e individualistas – mas sobreviventes.

    Se vamos acreditar que somos solidários, podemos começar a pensar que tragédia é qualquer morte ou sofrimento causado por incompetência, pouco caso com a vida alheia, ganância, negligência e impunidade. E é a essas causas que devemos combater. Só remediar não é o suficiente.

    E podemos encarar que morte não tem valor educacional. Não se tira lição, não se aprende nada, as leis e regras não passam a valer mais por causa dela. Não se iluda acreditando que as coisas vão mudar, porque não mudam. O Bateau Mouche não foi o último barco a afundar no mar. Os prédios do Naji Nahas, construídos com areia de praia, não foram os únicos que desabaram, no Rio. Toda época de chuva, morros deslizam e casas são derrubadas em todo o país, e os moradores preferem ficar nelas a sobreviver. Rios inundam, graças a sujeira e lixo jogados neles, todo santo ano, nem por isso deixa-se de jogar lixo em rios. Pessoas continuam sendo atacadas por tubarões em Recife, mesmo com os avisos nas praias, e a culpa não é do tubarão. Boates pegam fogo em todo o mundo e não se arruma um jeito de torná-las seguras?

    Michael Jackson dizia lindamente:

    “I’m starting with the man in the mirror
    I’m asking him to change his ways
    And no message could have been any clearer
    If you wanna make the world a better place
    Take a look at yourself, and then make a change”

    É isso: se você quer um mundo melhor, menos frio, hipócrita e injusto, comece por você e, então, tente contagiar o resto. Boa sorte!


  6. In God we trust

    24 de novembro de 2012

    Semana passada, marido me contou – porque estou temporariamente fora do mundo – que o Ministério Público está perseguindo a frase “Deus seja louvado”, das notas de real. É que o Estado é laico – ou deveria o ser – e a frase supostamente ofende os que não crêem em Deus.

    Eu, particularmente, que não creio em Deus nem em dinheiro, não me ofendo com a frase. Aliás, nem a reparo. Sei que está ali, porque sempre esteve, desde o cruzeiro – e antes -, mas, na cédula, as únicas palavras que me importam são as que determinam o valor.

    Não sei quando foi que os ateus se tornaram essas velhas carolas e pitizentas que implicam com a fé dos outros, mas não gosto disso. Ateísmo deveria ser, no máximo, uma filosofia, não e de forma alguma uma religião ou seita, que, como quase todas as que temos por aí, persegue as outras, apontando que estão erradas e que seus seguidores irão pro inferno! Se eu fosse seguir uma religião ou seita, seria alguma do Zeca Pagodinho, porque não há palavras mais sábias do que estas: “cada um com seu cada um. Deixa o cada um do outro”. Serve pra tudo!

    Acreditava que em tempos de Copa do Mundo no Brasil, Internet rápida – menos ruim do que a discada -, mensalão, caso Bruno e Cachoeira, as pessoas teriam mais com o que se ocupar do que se ofender com bobagem. Lavar uma trouxa de roupa, ninguém quer, né?!

    P.S.: de modo amplo, o termo ateísmo determina a “rejeição ou ausência da crença na existência de divindades e outros seres sobrenaturais”. De modo objetivo, é a negação da existência de deuses. Como não é religião ou seita, não há regras e um ateu pode ser espiritualista, se ele quiser. Pode até ser religioso. O Budismo, por exemplo, não cita nenhum deus. E eu posso gostar de tarô e acreditar na Grande Ciência Sagrada da magia – sem a parte das divindades, é claro.

    P.P.S: Marido me lembrou de outro fato: nosso calendário é cristão. São 2012 anos depois de Cristo. Tiremos a frase da nota, subtraiamos os feriados religiosos e comecemos a contar os anos do zero para marcar o calendário “que não ofende nenhuma fé”! Bora lá?!


  7. Afro-americano sobre euro-descendente*

    12 de novembro de 2012

    O fim de semana foi de chuva e preguiça. Não arrumei casa, não lavei roupas, não cuidei nem de mim. Comi, fofoquei e li.

    Terminei o Travessuras de uma menina má e, apesar dos percalços, é um bom livro. Poderia ter sido melhor, mas, como não sou a editora dele, ficou sobrando uma aparas.

    Li as colunas da Eliane Brum, meio que me atualizei em Trilhos Urbanos – estava atrasadíssima – e uma coisinha ou outra na Veja On-line. E resolvi fazer um clipping comentado! Sim, eu me acho. Sabia, não?!

    Da Veja: A venda da virgindade e o livre mercado do pensamento

    Sou desfavorável a qualquer lei que limite as liberdades individuais. Qualquer decisão que você tomar que só diga respeito à você, que seja relativa a seu corpo e a sua vida, não cabe ao Estado se meter. Se não prejudica ninguém além de você, you go, girl!

    Sou favorável à descriminalização da venda de órgão, do aborto, da prostituição – no Brasil, não é crime, mas é em muitas partes do mundo -, do uso “recreativo” de drogas, da eutanásia. Isso não quer dizer que vou vender meu rim, abortar, que alugarei meus orifícios num leilão virtual, que irei me drogar ou praticar suicídio assistido em algum momento. Significa, apenas, que não acredito que os MEUS valores morais são a medida para todo mundo. As minhas escolhas são as corretas para mim, não sei nada quanto à você.

    Se “enormes injustiças podem ser cometidas quando alguém compra ou vende algo em condições de grave necessidade econômica, pressionado pela pobreza e pela fome”, o Estado deveria interferir no sentido de diminuir as desigualdades sociais, redistribuir riquezas, fornecer ensino de qualidade e assumir o que é, de fato, de sua responsabilidade.

    Os excessos, como matar bebês defeituosos, eu já deixo pros macacos. A gente evoluiu o suficiente para arcar com as escolhas e consequências. Se você resolver gerar um filho, ele é problema seu até o fim. Não tem dessa de devolução de mercadoria defeituosa, simplesmente, porque bebês não são mercadoria. São pessoas, outras pessoas, que não você.

    Assim, também não sou favorável à venda de bebês. Nem de gatos, cachorros, capivaras ou jabutis. O comércio de seres vivos não é uma liberdade individual, pois envolve o outro. Seja ele humano ou não.

    A questão, então, a meu ver, não é a aplicação do livre comércio a tudo, como sugerem alguns pensadores citados na reportagem. É a não interferência do Estado na minha individualidade. No que diz respeito à sociedade, tem que haver limites, sim.

    Da Eliane Brum: O terremoto que abalou a Ciência

    Eu não sabia que não há um modo de prever terremotos. Eu não sabia desta limitação da ciência. Se há previsão do tempo, para mim, estava claro que terremotos são previsíveis. Pode não haver nenhuma ligação entre uma coisa e outra, ok. Mas eu sou leiga e, como tal, imaginava que prever ventos seria até mais difícil do que prever abalos sísmicos.

    Mas eu acredito que, se os cientista envolvidos na pendenga sabiam disso, antes de aceitarem o serviço de prever terremotos, antes de receber por ele, deveriam explicar ao contratante: “não há como prever! Vamos apenas fazer um exercício de sacação às suas custas e daremos uma resposta pronta: ‘pode ser que sim, pode ser que não’”. E o contratante perceberia que o ideal seria evacuar a cidade e, só aí, esperar pra ver.

    Quando os cientistas assumiram o compromisso de dar respostas, assumiram a responsabilidade pelo revés da resposta mal dada. Porque, no caso, não é uma questão de fé na ciência, como argumenta a jornalista, mas de má fé dos cientistas. Simples assim.

    Do Trilhos Urbanos - já tiraram o post do ar…:

    Nem vou comentar muito, senão, sobra pra mim! Mas achei uma cara de pau sem fim - mas com fins lucrativos - alguém solicitar verba para evento cultural e promover liquidação com a grana. Liquidação com ingresso. Ou o consumo com desconto se popularizou a tal ponto que chegou às raias da cultura e nem me avisaram?!

    O pior? Tentativa de coersão e censura prévia.

    Vergonha na cara deveria ser artigo de consumo. Deveria ter banquinha cativa na liquidação. Faz falta.

    * “preto no branco” em politicamente-corretês


  8. Uuuh… Polêmica

    9 de novembro de 2012

    O Chile, país que nos seus primórdios proibiu a imigração de negros, asiáticos e índios e incentivou a imigração de europeus brancos, lançou uma campanha “Por amor a las Tetas“, de prevenção ao câncer de mama. A peça é voltada aos homens, que, por amor às tetas, deveriam ajudar suas mulheres a cuidarem delas.

    A polêmica está na palavra “teta”, que designa mamas, mas comumente usado para animais. Ou seja, forma vulgar de se referir aos seios…

    A polêmica está no uso das tetas na propaganda. E cada par em ações que simulam suas funções: amamentar, prazer sexual, enfeitar, seduzir.

    A polêmica está em se mostrar tetas de mulheres brancas, magras, gostosas, jovens.

    A polêmica está na cabeça de mulheres que não devem gostar de ser mulheres. Que acreditam que tudo que diz respeito à mulher e a sexualidade é sujo. Que se sentem “usadas” e “objetos sexuais” quando vêem uma propaganda em que mulheres bonitas são “expostas”.

    Eu penso diferente. Para mim, desrespeito é isto aqui:

    Uma Carolina tão alisada no Photoshop que parece 3D. E não é desrespeito a você, sua egocêntrica. É desrespeito à própria Carolina, que, pelo visto, não tem direito a ter imperfeições que não a deixariam menos bela.

    E por que não me ofendo com mamas sendo chamadas de tetas, enquanto se chacoalham, oferecidamente, numa campanha?

    Bom, eu sou um animal, então, meus seios podem ser chamados de tetas, não ligo.

    Eu adoro minhas tetas. São imensas, mas adoraria tanto quanto se fossem pequenas. Adoraria de toda forma, porque acho tetas lindas. Tá, as siliconadas me assustam, porque não são tetas, são bolotas. Desculpe você que tem bolotas, mas gosto e par de tetas, cada um tem o seu.

    Sei que tetas tem funções. Seduzir é uma delas. Enfeitar é outra. Sei que elas atraem homens – e algumas mulheres. Sei que eu uso sutiã push up exatamente para deixar as minhas mais sedutoras e estéticas. Sei que sou mais do que tetas, mas elas chegam antes, tenho que respeitar isso.

    E a peça trabalha mulheres brancas, porque elas representam as chilenas. Gostosas, porque homens olham para qualquer tipo de mulher - taí as mulheres frutas, que são monstruosas, mas são desejadas, também -, mas nós - sim, nós, mulheres - preferimos ver mulheres bonitas. Nós rejeitamos as gordas, as velhas e as caídas. Nós.

    Diferente de propaganda de cerveja, essa campanha é de prevenção ao câncer de mama, o assunto são mamas, mostrar mamas é o correto, não?! E, meu povo, o corpo humano deveria ser visto como é: normal! Com tetas e tudo mais.

    Gosto dela ser voltada aos homens. Se meu marido vai se lembrar de me alertar quanto à prevenção? Duvido. Mas o público-alvo, por si só, é polêmico e a polêmica faz com que a campanha rode o mundo e cumpra sua função principal: falar da doença e do auto-exame. Se as mulheres deixarem de mimimi e pensarem que o assunto é sério, abstrairão a pseudo-ofensa.

    Agora, você que se ofendeu, me conta: quando você passa em frente a uma construção e te cantam, você se sente ofendida, vulgarizada, estereotipada? E quando não te cantam, como é?

     


  9. Pega na mentira

    29 de outubro de 2012

    A mentira é uma arte. Uma arte menor, talvez, mas, mesmo assim, difícil de ser bem feita. Definitivamente, não é para qualquer um.

    Pessoas limitadas, pouco criativas, displicentes e/ou de pouca memória não devem jamais mentir, porque a mentira exige comprometimento, raciocínio, cultura e jogo de cintura.

    Raramente a mentira termina ali, onde e quando foi contada. Ela tem pernas curtas, mas caminha, mesmo assim. Chega longe. Corre o mundo. Você, o autor, tem que estar preparado para render a história ou, simplesmente, repeti-la, ipsis litteris, quantas vezes forem necessárias.

    Se você tem um comparsa ou envolveu mais alguém na história, um tanto pior. Tem-se que ensaiar muitas vezes, nos mínimos detalhes. Tem-se que convencer o companheiro a compactuar até o fim. Sem gaguejar, sem pestanejar. Acreditando. Isso, acreditem. Incorporem!

    E não se esqueça que mentira tem que ser simples, com menos detalhes e elementos possíveis para você não se enrolar. Quanto mais elaborada a mentira, mais rápida a queda.

    Importante! Certifique-se que a apuração dos fatos vai ser, pelo menos, difícil. De preferência, bem demorada. Evite ser pego!

    E, acima de tudo, esteja preparado para ser desmascarado. Neste caso, opte pela verdade ou por negar tudo até o fim, mas faça isso com o máximo de dignidade que a situação permitir.

    Outra opção… Fale sempre a verdade. Enfeite-a um pouquinho, para não parecer tão ruim, mas assuma-a de vez. É mais fácil e tem menos consequências, na maior parte das vezes, do que mentir.


  10. Faz mal

    28 de outubro de 2012

    Capa da Veja de hoje:

    Sem fazer apologia, afinal, é crime e eu nunca sequer usei maconha para poder falar dequaléqueé, vamos aos fatos:

    • Estudos já apontaram o tomate como o principal causador das pedras nos rins. Absolvido, anos depois, estudos confirmam que o tomate ajuda a evitar câncer de próstrata.

    • A gema de ovo já foi a maior causadora de colesterol do mundo! Hoje, estudos indicam que a gema mole tem colesterol do bom.

    • Tome bastante água, dizem os estudos. Mas há casos de pessoas que morreram de overdose de água.

    • Beber uma dose de bebida alcoólica por dia afina o sangue e ajuda o coração. Beber todos os dias pode causar dependência química.

    • Sol tanto sintetiza vitamina D quando causa câncer de pele.

    • Meu anticoncepcional, aprovado pela ANVISA e comercializado livremente, tem uma página de efeitos colaterais, na bula. Sem contar que meu xixi contamina as águas com hormônios femininos. Homens nunca tiveram tanto câncer de mama.

    • Soja é o que há em termos de proteína vegetal, mas, para os homens, aumentam os hormônios femininos e diminuem o desejo e a potência! Talvez, por isso, os orientais matem tantos golfinhos e tubarões em busca dum Viagra natural – e cruel.

    • Peixes de mar são tão cheios de ômega 3 quanto de mercúrio, metal pesado que acumula no organismo e causa problemas.

    • Cigarro não é ilegal e, além de criar dependência química e psicológica, é letal!

    • Nem tão recentes descobertas comprovam que a maconha ajuda no tratamento de convulsões, depressão, enxaqueca, TPM, TOC e esclerose múltipla. Para quem tem glaucoma, ela alivia a pressão nos olhos. Ela desacelera o crescimento de tumores nos pulmões. Ela é uma ótima alternativa à Ritalina e não apresenta os efeitos colaterais causados pelos medicamento farmacêutico. Maconha não causa dependência química.

    Tem efeitos colaterais? O que na vida não os tem?! Faz mal? Tudo, até água, em excesso, faz.

    A criminalização da maconha aconteceu, no Estados Unidos, nos anos 30, quando Franklin Roosevelt, pressionado pela Du Pont - and friends -, assinou a Lei de Taxação da Marijuana, no dia 2 de agosto de 1937. Tudo para que o cânhamo, a fibra da maconha, não tomasse o espaço nas indústrias petroquímica, farmacêutica, têxtil e de celulose no mercado! A difamação contra a planta e seus usuários foi pesada e correu o mundo e, como o que é bom para os EEUU é bom para o Brasil (será?), acatamos a proibição.

    É bem provável que, legal ou não, eu nunca usaria maconha. Não tenho curiosidade nem necessidade. Mas não administro bem a ideia de que o Estado - s Unidos - queira controlar minha vida. Eu posso fumar um Camel, desde que não tenha um camelinho desenhado na embalagem, até o enfisema me consumir. Posso beber aquele veneno de “51″ até meu fígado virar patê. Mas não posso viajar na fumacinha. Dois pesos, uma medida… Nunca é certo.


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